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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma aí.

E o António já salta, olé, olé, olé?

Já tem pedidos para saltar. António José Seguro ainda não salta, mas já tira muitas selfies. O Presidente da República escolheu Luxemburgo para o arranque das comemorações deste ano do 10 de Junho e a escolha não poderia ter sido melhor, tendo em conta a grande comunidade portuguesa existente naquele país. Na cidade de Dudelange, a comunidade recebeu o presidente com os gritos de: "Salta, António! Salta, António!" Mas o presidente resistiu, até porque uma lesão poderia pôr em perigo a restante agenda. As viagens ao estrangeiro, e em particular às comunidades portuguesas, são um passeio no parque para qualquer presidente e é inevitável que depois de Marcelo Rebelo de Sousa, o padrão das visitas se tenha Marcelizado um pouco, ou seja, muita informalidade, muitos afetos, muitas selfies e muitos saltos, ou não, vá, uns saltinhos. Seguro só tem de aproveitar, mas claro, sem exageros para não haver nenhum acidente.

Claro. E o que é isto das aulas de condução com tutor, Bruno?

É algo que já estava previsto na lei, mas agora passa a ser mais fácil aprender a conduzir com os pais ou os avós. Alguns é assim que aprendem, mas agora já não será necessário que o tutor tenha, por exemplo, frequentado com aproveitamento o módulo comum de segurança rodoviária, deixa de ser uma exigência prevista na lei. Basta que o tutor tenha a carta emitida em Portugal ou no país da União Europeia há pelo menos 10 anos e que foi uma das exigências da Associação de Escolas de Condução. Mesmo assim, a associação teme que este novo regime venha aumentar os números da sinistralidade rodoviária e olhando para a condução de muitos portugueses que agora podem passar a ser tutores, se calhar até há algumas razões para preocupação, a não ser que, e também pode acontecer, que se revelem melhores tutores do que condutores.

Pode ser que aconteça. E continuamos a depender dos Estados Unidos em matéria de defesa.

Por muito que custe a quem vê na administração Trump um inimigo da Europa, e tem feito por isso, Trump e toda a administração, a realidade é essa e foi isso que o ministro da Defesa, Nuno Melo, procurou sublinhar, chamando a atenção para o papel fundamental ainda dos Estados Unidos na defesa do espaço europeu, independentemente dos sinais enviados pela atual administração norte-americana. Aliás, Nuno Melo quis fazer a distinção entre os Estados Unidos enquanto aliado histórico e de confiança e as políticas transitórias de uma ou outra administração. Também não se mostrou muito favorável à criação de um exército europeu, uma ideia que, por exemplo, a Espanha tem defendido. E se é importante que a Europa trate da sua defesa, é também importante não esquecer que continua a precisar do guarda-chuva norte-americano e que um dia destes pode mesmo chover na Europa.

E Bruno, é preciso enviar capacetes azuis para Vila do Conde?

Olha, João Miguel, depois de vermos as imagens da reunião extraordinária da Assembleia de Freguesia de Vila do Conde, não sei se já não vamos tarde mesmo para uma dessas medidas. A confusão instalou-se na passada sexta-feira entre os eleitos do Partido Socialista e de outras forças políticas, PSD, CDS e Chega, e tudo por causa de suspeitas de uso indevido de fundos da autarquia para fins pessoais pelo presidente da junta, Isaac Braga, que entretanto renunciou ao cargo no final do mês de maio. Foi isto que incendiou os ânimos e em causa estavam despesas de €30 mil em restaurantes, hotéis, massagens e tabaco. Lembremos que entre os gastos indevidos imputados ao autarca estava, por exemplo, um jantar num restaurante mexicano. E esta reunião extraordinária teve qualquer coisa assim de América Latina, com gritos, empurrões, alguma linguagem mais picante. Talvez a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU possa dar uma ajudinha na resolução deste problema autárquico.

Quem sabe?

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma aí.