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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta pare um parecido de errados?

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

E as sondagens andam por os candidatos com a cabeça à roda.

Os candidatos e os eleitores, a todos nós um bocadinho. Não são aconselháveis estas sondagens a quem sofre de vertigens, porque uma após a outra temos subidas vertiginosas e quedas abruptas. Mas há constantes. André Ventura tem estado sempre ou na liderança ou no segundo lugar, muito perto da liderança, o que é uma espécie de comprimido para o enjoo. E Gouveia e Melo parece, a avaliar pelas sondagens, que se está a afundar lenta, mas decididamente. Ontem, por exemplo, Marques Mendes recebeu um balão de oxigénio, de que estava muito necessitado, com aquele segundo lugar na sondagem da Intercampos para o NOW. E António José Seguro percebeu que de um dia para o outro as coisas podem mudar, e muito. Passou do segundo lugar ou de primeiro para o quarto lugar. Mas o que é que vão os eleitores pensar disto tudo? Por exemplo, quem é do centro-direita e está a guardar o voto para o candidato mais bem posicionado da sua área política, vai afinal votar em quem, olhando para as sondagens? Isto está tudo muito complicado.

Complicado. Paulo Ekaz, é para dizer que tem havido sondagens para todos os gostos, não é?

É isso. Ninguém pode gritar já vitória, obviamente, nem estar perto disso, para quase todos os gostos mesmo. E por isso os candidatos também devem ter cuidado, não devem criticar os estudos de opinião e de intenção de voto quando lhes são desfavoráveis, porque no dia seguinte, e o dia seguinte pode ser até amanhã, pode aparecer de facto uma sondagem que até lhe é favorável. Ontem, Marques Mendes, como o Bruno já disse, apareceu em segundo lugar num dos estudos. Cotrim Figueiredo, por exemplo, aparecia em terceiro lugar, mas muito longe do segundo, no outro dos barómetros. Portanto, aqui mais longe da perspetiva de vir a disputar a segunda volta. E a conclusão é mesmo essa: está tudo em aberto. Esta deverá ser uma eleição decidida ao photo finish. Vamos ver se não pede mesmo a intervenção do VAR. É raro em Portugal haver recontagens de votos ou algum tipo de disputa sobre os resultados finais. Vamos ver se não nos estreamos, esperemos que não, nesse tipo de processos. E também nos deixa aqui uma nota, quem manda de facto são os eleitores e desta vez os eleitores sabem que cada voto pode mesmo contar. Vamos ver se a abstenção com isso não cai, com esta motivação extra.

Bruno, então até um almirante precisa de uma boia de salvação?

Estamos numa época de metáforas patrocinadas pelo antigo... Eu não sei se já não existe o Instituto de Socorros a Náufragos. Se calhar já mudou de nome, já tem outro nome, acho.

É dos nossos tempos. É anos 80, 90. Mas André Ventura falou disso, a propósito de Luís Marques Mendes, que precisaria da ajuda de Luís Montenegro, do salva-vidas de Espinho. E se calhar o almirante precisa mais de uma boia de salvação do que qualquer outro dos candidatos. À boia de salvação também podemos chamar plano B, como fez o Rui Pedro Antunes num artigo que está no Observador. Ora, o plano A, ou navio almirante, passa por atracar em Belém para os próximos cinco anos. O plano B, ou boia, ou bote de resgate, passa por criar um movimento cívico ou até um partido se o plano A não funcionar. Mas então e se houver um plano C, que seria uma junção dos planos A e B? No caso, que agora parece remoto a acreditar nas sondagens, de Gouveia e Melo chegar a Belém, não é descabida a ideia de, perante os limitados poderes do Presidente da República, ele coordenar a criação de um partido a partir da presidência. É algo que, para já, afasta. Já aconteceu no passado com Ramalho Eanes, Gouveia e Melo não quer seguir esses passos, mas é uma possibilidade. Um partido que seria necessariamente diferente dos outros, claro, porque se há coisa que o almirante tem feito é disparar sobre os partidos. Todas as hipóteses estão em aberto, o que significa o plano A, o plano B e este plano C.

O Instituto de Socorros a Náufragos existe e está dependente da Marinha Portuguesa. Que boa metáfora que foste encontrar. Olha, agora noutra escolha, Paulo. Mário Centeno passou à segunda volta?

Sim, isso já é garantido nessa escolha. O Parlamento Europeu ouviu ontem os seis candidatos ao lugar de vice-presidente do Banco Central Europeu. Um deles, sabemos, é Mário Centeno. E depois destas audições, o Parlamento Europeu fez uma recomendação e recomenda Mário Centeno e o letão Martins Kazaks como os seus preferidos para ocupar o lugar. Esta opinião da comissão do Parlamento Europeu que fez estas audições não é vinculativa, é uma mera sugestão, mas obviamente que tem o seu peso. A decisão final vai agora ser tomada pelo Eurogrupo, que é o conjunto de países que integram a moeda única. Isto vai funcionar assim: cada país no Eurogrupo vota de forma secreta, isto é, em rondas sucessivas, até um deles atingir a maioria qualificada que é exigida. Pode acontecer logo na primeira ronda de votações, como é evidente, se todos os votos se concentrarem, ou quase todos os votos se concentrarem, num dos candidatos. E esta maioria qualificada, como é que é feita? É de um mínimo de 16 votos favoráveis, 16 países favoráveis a um candidato, isto é, 72% dos países, mas esses 16 países têm que, depois feitas outras contas, ter pelo menos 65% da população da zona euro. Portanto, são aqui dois fatores de verificação. Vamos ver como é que corre esta votação, mas aqui já estamos tomando como boa esta recomendação do Parlamento Europeu. Mário Centeno é então um dos dois que passa a uma posição mais privilegiada. E entretanto, obviamente, nos bastidores continuam os contactos diplomáticos entre os vários países, os vários governos, cada um à procura de apoios para o seu candidato para esta votação. Portanto, Mário Centeno, o nosso Ronaldo das finanças, aqui não há grandes dúvidas. Já se decidiu que ele vai à segunda volta.

E pode ficar com a taça.

E pode ficar com a taça, pode trazer a taça para Portugal. Como é que é? Conseguimos, vencemos, Lisboa.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta pare um parecido de errados?

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.