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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
E tu queres ver, Paulo, que vamos ser todos Centeno de novo?
Todos.
Todos. Jesuitas.
Vamos ser todos Centeno. Tudo se alinha para isso. Basicamente, o princípio é este: o que se passa no país, fica no país. As desavenças que vão ocorrendo e os atritos em casa não atrapalham sequer a unidade nacional quando estão em causa cargos internacionais.
Temos de ser uns para os outros, Paulo.
Uns para os outros. Uma mão lava a outra. É isso que se coloca agora aqui em cima da mesa, o lugar de vice-presidente do Banco Central Europeu vai ficar vago em maio. Os candidatos dos vários países começam a alinhar-se. Nós temos o Ronaldo das finanças na nossa equipa, na nossa seleção e, portanto, é a carta a jogar.
É para a bola de ouro, agora. Ou de prata, se é vice-presidente.
E Mário Centeno pode ser um desses candidatos. Tem currículo, experiência e capacidade para isso, como é óbvio. E o atual ministro das Finanças, sabemos que não morrem de amores um pelo outro, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, já disse que vê com satisfação quando um português pode chegar a um cargo internacional, como aconteceu, e ele deu o exemplo, com António Costa recentemente. Obviamente, o governo já era de Luís Montenegro e apoiou. E portanto, pode vir aí um apoio formal do governo português a essa candidatura. Se isto acontecer, se Mário Centeno for para Frankfurt, acaba por resolver um problema no Banco de Portugal.
Há algum mal-estar que passa lá.
Algum mal-estar. O fantasma do anterior chefe é sempre terrível nas instituições.
Bruno, então em Lisboa a esquerda ainda se uniu a tempo?
Muitas críticas ouvimos antes das eleições, no pós-eleições, que a esquerda não se conseguia unir. Agora, uniu-se a tempo de conquistar a presidência da Assembleia Municipal, um cargo a partir de agora ocupado pelo socialista André Mó Caldas. A esquerda juntou-se toda, incluindo a CDU, e ficou à espera que alguém roesse a corda à direita. O Chega seria o candidato mais provável a fazê-lo, até porque não estava na coligação que juntava PSD, CDS e Iniciativa Liberal, mas há relatos de que a frente esquerda terá procurado saber de alguma insatisfação junto dos eleitos do CDS e da Iniciativa Liberal para que mudassem o voto e permitissem aquilo que veio a acontecer. Mas tudo indica que terá sido mesmo o Chega a permitir a vitória do deputado municipal socialista. Mas nós, eu, que sou de intrigas, posso imaginar uma pequena vingança. Nestes momentos, não há cá o majestático, o plural majestático. Eu imagino uma pequena vingança da Iniciativa Liberal por aquilo que aconteceu em Sintra. Não é descabido, mas parece que não foi isso que aconteceu. Atenção, não quero levantar aqui falsos testemunhos. Para aquilo que interessa, a coligação de direita, se juntar o Chega, foi um pouco como aquelas equipas que mesmo em vantagem numérica conseguem perder o jogo. Vá, não perdeu o jogo.
Ainda não.
Sofreu só um golo.
Mas sofreu.
Foi um golo, um autogolo.
Paulo, então afinal o que se passa com a demora no caso Influencers?
Não sabemos.
Pronto, olha, siga. Próxima.
Exato. Há versões contraditórias, não é? Na semana passada, dois anos sobre as buscas na residência oficial do primeiro-ministro. O que são dois anos, não é?
Na justiça portuguesa...
Houve pessoas que demitiram, a começar por um primeiro-ministro, na sequência disso, outras feitas de serve.
Coisas simples.
Coisas simples. Uma série de carreiras, pelo menos, que ficaram em banho-maria.
E outras que não.
E outras que não.
Ficaram em banho-Manel.
Banho-Manel. Há suspeitos que nunca foram ouvidos nestes dois anos, soubemos esta semana no Balanço, e para justificar estas demoras, o procurador-geral da República disse na semana passada que isto ainda não aconteceu e o processo estava assim meio parado porque havia recursos pendentes no Tribunal da Relação, recursos metidos por alguns dos implicados, no fundo, para tentarem travar que os e-mails, por exemplo, fossem cedidos, nomeadamente a advogados. Bom, o Tribunal da Relação veio desmentir, dizendo que decidiu este recurso no dia 23 de setembro. E o Ministério Público disse que só ontem é que teve conhecimento disso. Ora bem, temos aqui um mês e meio, entre 23 de setembro e o dia 11 de novembro, para um documento chegar da Rua do Arsenal em Lisboa, que é onde o Tribunal da Relação, até à Rua da Escola Politécnica, ali junto ao Rato.
Há muito trânsito.
Onde é a PGR.
Pois.
É sempre complicado.
O Google diz que o trajeto a pé demora 29 minutos.
A pé e sem segurança. E a segurança?
E o estado da calçada.
É a subir, não é?
Tem de ser em cá.
E os turistas, não se consegue andar em Lisboa com os turistas.
E os troles.
Não dá.
É surreal isto. Um mês e meio para um documento chegar em Lisboa de um sítio ao outro. Vá, aqui uma enorme trapalhada da Justiça.
Mais valia enviar de Glovo.
De pombo correio, sinais de fumo, qualquer coisa.
Então se calhar é melhor mudarmos de cidade. Vamos até ao Porto.
Vamos ao Porto.
Agora, eu se fosse outra pessoa cantava, mas gosto muito dos nossos ouvintes. No Porto chamaram a polícia.
Chamem a polícia.
Obrigada.
Trabalhou muito bem. Era isto que eu queria. Eu não sei se chamaram a polícia ou se a polícia entrou mesmo sem ser convidada. Parece que foi mais isso que aconteceu. Depois de uma equipa de intervenção rápida da PSP ter sido impedida por moradores do bairro Pinheiro Torres de deter um homem que tinha agredido um polícia, a PSP decidiu-se mesmo por uma ação que está relatada no JN. Uma ação mais musculada, agora com presença 24 horas por dia naquele bairro e no bairro da Pasteleira Nova. Não duvidamos das boas intenções daqueles cidadãos que se juntaram para proteger um dos seus, mas quando a autoridade é desafiada desta forma, só pode haver uma resposta sob pena de acabarmos no faroeste. Nestas alturas aparecem sempre umas vozes progressistas a dizer que na Avenida de Roma ou na Foz não fazem isto, mas como também relata o JN, alguns dos moradores que estavam a assistir à chegada e à intervenção da polícia diziam que devia ser sempre assim, mais presença policial, porque não nos podemos esquecer que os principais prejudicados pela falta de segurança e pela criminalidade são mesmo os moradores deste bairro.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.