Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu sabia que eu era diferente.

Como é que era o André em pequenino?

Tive negação durante muitos anos. Eu não gostava do que era normal os rapazes gostarem. Fui falar com a diretora da escola e a diretora da escola disse que a culpa era minha.

Mas mudaste a forma de vestir e tudo?

Continuei exatamente a pessoa que eu era, mas agora eu já sabia como é que eram os bullies.

Conseguias te pôr nos pés dessas pessoas, perceber o que se passava na cabeça delas?

Há 10, 15 anos, o bullying era físico. Hoje, o bullying é mais online, que é severo, é duro e não estou a desvalorizar, mas quando se chegava a mão ao pelo, como eu costumo dizer, doía muito mais. A terapia salvou a minha vida.

Se tu pudesses hoje voltar atrás e falar com estes professores e com estas pessoas que sentiste que não estavam lá para ti, o que é que tu lhes dizias?

Eu prefiro perdoar.

E a comunicação chegou até ti porque?

As pessoas diziam muito: "Estás a te aproximar dela porque queres as coisas que tem". É óbvio, gente. Eu sou eu.

Se chegasses ao André da escola e dissesses que ia estar a fazer o que fazes hoje, falar da forma abertamente que falas e estás aqui a falar sobre isto.

Dizia para ele não desistir, para não pensar em coisas tão más como ele pensa. Mas sabes que se eu morresse aos 30, ia super feliz.

Quanto mais deixaste procurar, mais aparece?

No momento em que eu deixei de ter expectativas, apareceu o Kikiki.

E vais te casar.

Lá está, se me dissessem isso há uns anos atrás, eu diria: "Tu estás maluco".

A terapia salvou-te, a Helena também te salvou. De forma que as redes sociais também te salvam.

As pessoas que dizem: "Ai, não me afeta nada". Mentira, afeta. Em algum momento, vai te afetar. As pessoas dizem: "Os teus vídeos salvam o meu dia, melhoram muito o meu dia", mas eu faço aquilo porque aquilo também salva o meu dia.

Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio. Hoje trago aqui o André Costa, que para quem acompanha no Instagram, na net, é uma das personagens mais divertidas, sempre de bom humor, que traz sempre o mood muito para cima. Eu já conheço o André fora das câmeras e lembrei-me de o convidar aqui para ele contar um cadinho da história dele, porque apesar de ele ser esta pessoa super divertida, ele tem uma história que não é assim tão divertida, que é bem mais escura ao crescimento, desde a infância, adolescência, a passar a sofrer de bullying, de agressões físicas e mentais. E nós acabamos por explorar um cadinho desta história, desta fase do André e de principalmente, como é que ele encontrou a força para se curar neste caminho, seja através de terapia e de toda a parte espiritual que ele também acaba por abordar muito. Portanto, exploramos vários temas diferentes e hoje em dia o André está aqui muito confiante, cheio de boa energia e passando toda esta fase mais obscura dele e vai nos contar um cadinho de como é que foi todo este processo. "Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?" Olha, antes de mais, eu quero agradecer por estares aqui, porque acho que é um registro muito diferente teu e estou muito ansiosa por esta conversa, para mostrar esse teu lado, que eu acho que quando estamos os dois juntos, eu sou uma pessoa muito calma.

Certo.

E comigo tu também és uma pessoa calma e queres mostrar um cadinho deste André, que eu acho que vais mostrando um cadinho, mas vamos abordar um cadinho mais a fundo aqui. E quero que te sintas em casa, que estejas completamente à vontade.

Estou em casa, estou ótimo, estou descalço, estou aqui agarrado à almofada.

Não durmas, mas resta. Põe-te à vontade.

Obrigado por me teres convidado, porque eu estou muito contente.

Queria começar por te perguntar se me podias descrever como é que era o André em pequenino.

Começámos logo assim desse jeito. Olha, o André em pequenino mesmo, porra, calma que já estou a ficar emocionado, ainda agora estou a começar, o que é isso?

Dizem que este sofá tem esse efeito.

Caramba. Mas é muito engraçado, porque de vez em quando passa um filme na nossa cabeça. E eu venho de uma família muito humilde, muito pobre. Os meus pais nunca me faltaram com nada, mas eu sempre vi o esforço que eles fizeram para que nada me faltasse. Eu não andei em creche, porque fui criado com o meu avô. E eu era aquele menino que queria muito ser alguma coisa. Eu não sabia o que era. E depois era uma fase em que eu sabia que não era como os outros meninos. E eu queria ser alguma coisa. Eu sabia que tinha nascido para ser alguma coisa, mas o quê? Não fazia ideia. Então continuava a ser exatamente como sou hoje. Era muito alegre, muito animado, ainda que depois ali na escola, foi um cadinho complicado, mas eu nunca deixei de ser esta pessoa animada que sou hoje.

Mas tu sentes que tinhas espaço para sonhar nessa altura?

Sonhar dentro daquilo que me davam. Ou seja, a minha família nunca andou de avião. Aliás, eu levei os meus pais de férias pela primeira vez na vida a viajar, dois anos atrás, na primeira oportunidade que eu tive de poder retribuir de alguma forma. Então, andar de avião, para mim, uma coisa tão comum, ainda que não seja assim tão comum, como é óbvio, mas uma coisa tão comum, eu achava que o dia que eu andasse de avião era o dia que eu tinha vencido na vida. Eu lembro perfeitamente que a primeira vez que andei de avião, fui sozinho e eu fui a viagem toda a chorar.

Foste para onde?

Amsterdão. E estava ali fortíssimo. Então, dentro daquilo que eu acreditava que ia ser alguma coisa, eu sabia que eu teria ido de animação sociocultural, num curso profissional. Sabia que eu gostava muito de estar com as pessoas, de comunicar com as pessoas, de falar com as pessoas. Eu estagiei num lar de idosos durante muito tempo. Eu amava aquilo, então achava que se calhar aquilo era para mim. Então dentro dos meus sonhos pequeninos, da minha realidade, eu era uma criança sonhadora, sim.

E tu falaste também no teu Instagram há pouco tempo, contaste um bocadinho daquilo que se passou no teu crescimento, na escola, de não teres gostado do ambiente da escola, seja por adultos, seja por colegas.

Sabes que na escola, ou seja, quando eu andava na escola, que já foi há alguns anos, ser homossexual, ser gay, era uma coisa completamente tabu, não existia isso. Ninguém sabia o que era isso. E eu sabia que eu era diferente Eu tive negação durante muitos anos. Eu sabia que era diferente, eu sabia que gostava das mesmas coisas que as meninas gostavam. Os meus grupos de amigos eram sempre de meninas. E obviamente, isso era motivo de grande gozo, de insultos e de agressões psicológicas e físicas, muitas vezes. Só porque eu não gostava do que era normal os rapazes gostarem. E hoje eu sei que havia muitos rapazes na minha escola que eram tal e qual como eu, porque o gaydar nunca falha. Eles viam o que eu passava, porque eu apesar de isto tudo, eu nunca me proibi.

Tu sempre foste assim.

Sempre fui. Eu sabia aquilo lá na boca, mas eu ia na mesma. Eu sabia que ia sofrer, mas eu ia, mesmo assim. E os rapazes da minha escola que eu sentia que também eram assim, eles fechavam-se muito, porque era um assunto mesmo tabu. Eu lembro perfeitamente que às quartas-feiras de manhã, por exemplo, era quando eu tinha Educação Física e tinha que passar num corredor em específico, que era os chefes, era aqueles cursos profissionais, ou seja, eram aquelas pessoas que-

Mais velhas

...têm que acabar a escola e pronto, não importa como. Eu lembro que tinha que passar nesse corredor e eu lembro que às quartas-feiras de manhã, eu usava vários casacos, independentemente do tempo que tivesse, porque amparava a porrada que me davam.

E as pessoas viam e ninguém te fazia nada?

No dia que eu ganhei coragem para fazer alguma coisa, quando fui ter com a diretora da escola, eu disse: "Olhe, isto está a acontecer." Porque até chegar a esse ponto é muito difícil, até ganhares a coragem, porque se eles descobrem, vai ser pior. Então no dia que eu ganhei coragem, fui falar com a diretora da escola e a diretora da escola disse que a culpa era minha, que eu tinha que me comportar de forma diferente, que eu não era igual aos outros rapazes, que se eu queria ser tratado de forma diferente, que eu tinha que me comportar como o normal dos rapazes.

Mas não havia mais ninguém homossexual na tua escola?

Havia, só que eles reprimiam-se muito. Eu acho que se calhar eu era aquele que não era dar mais nas vistas, mas se eu quisesse usar uma t-shirt rosa, eu usava, se eu quisesse gritar, eu gritava, se eu quisesse andar como eu quisesse, eu andava. Enquanto os outros homossexuais que existiam escondiam-se muito. Imagina, não saíam das portas da sala, ficavam muito na deles. Então esses não eram uma ameaça. E eu era, de alguma forma. Não te consigo explicar porquê, mas de alguma forma, para as outras pessoas, eu era uma ameaça.

Há quantos anos atrás é que isto foi?

Isto foi em 2012, 2013.

Como é que é possível uma diretora da escola ter esse tipo de comportamento?

O mais grave é em 2025 ainda existir este comportamento.

Achas que sim?

Eu acho que sim. Infelizmente, acho que sim. Mas essa diretora de escola teve esse comportamento. Os meus pais nunca souberam nada. Uma coisa que obviamente hoje me arrependo, porque obviamente teria sido muito mais fácil. Mas lá está, como os meus pais tinham os problemas deles, de tentar sobreviver, eu não queria ser mais um.

Não querias ser um peso, então achaste: "Vou falar com a diretora da escola."

Vou falar com a diretora da escola, que é ela que realmente pode fazer alguma coisa, e não.

E professores, não tinhas apoio?

Não, porque depois vinha esta parte da revolta, que era, como eu era tão maltratado e tudo de errado, eu queria ser o fixe. Então dentro das aulas eu era o palhaço, aquele que respondia mal, aquele que era expulso das aulas, porque de alguma forma toda a gente ria. Toda a gente ficava tipo: "Uh!" E durante aqueles três minutos que as pessoas estavam tipo: "Uh, ei André, não sei o que, não sei o que mais", eu ficava tipo: "Ya, esta cena que eles vão gostar de mim." Porque era o meu normal. Ou seja, o normal para mim, durante anos a fio, até há muito pouco tempo, era eu saber que as pessoas não gostavam de mim. E eu aceitei isso.

Mas tu sentias também da parte da tua família?

Eu não sentia isso da parte da minha família. Eu da minha família também nunca escondi quem é que era, nunca mudava o jeito de ser. Eu sempre fui a pessoa que sou hoje, falar alto, despampanante, com tiques, com gestos, com forma de falar, com forma de estar diferente. E nunca escondi isso da minha família. Hoje, completamente à vontade, mas a minha família também não sabia muito bem como é que havia de lidar com aquilo. Porque é óbvio, eu andava com o salto alto da minha mãe, ou seja, eu era o gay 100%. Mas eles não sabiam muito bem lidar com aquilo. Se não falarmos, não existe. Meio que não era um assunto, sequer.

Por isso é que também se calhar não sentias que podias desabafar nesse sentido.

Por isso é que não falava com eles, porque aquilo era o meu normal, genuinamente, então achava que eles não iam fazer grande coisa. E quando eu achava que alguém podia fazer alguma coisa, que era essa diretora da escola, ela não fez. Então eu passei a pensar: "Pronto, OK, se esta pessoa que tem poder de fazer alguma coisa, não vai conseguir fazer, mais ninguém vai conseguir." Então, pronto, até ao 10° ano. Depois do 10° ano eu mudei de escola e disse: "Não, acabou. Acabou. Até agora leva na boca, agora não vou levar mais. Vou vestir aqui uma skinny qualquer."

Mas mudaste a forma de vestir e tudo?

Não, continuei exatamente a pessoa que eu era, mas agora eu já sabia como é que eram os bullies. Então, na hora em que eles estavam a começar, eu marcava a minha posição. Muitas formas erradas, fiz muitas coisas erradas, que me arrependo muito, mas eu tinha que marcar a minha posição. Tinha que marcar ali o meu limite, de alguma forma. Então a partir daí foi mais leve.

Mas tu estavas a comentar também no Instagram que sentias que não tinhas muitos amigos que te apoiassem. Tu davas-te muito com raparigas, essas raparigas não sentias que estivessem do teu lado?

Essas raparigas, eu tenho uma amiga até hoje que continua do meu lado, que vem desde a escola, que ela também era de uma minoria, e então ainda se mantinha e ainda me ajudava da forma como Podia ajudar. Mas naquele tempo, o que era ajudar? A gente ficava: "Ok, ele é um rapaz, mas não se parece com os outros rapazes. Então o que ele é? Onde é que ele entra?" Porque as pessoas têm que ser colocadas dentro de caixinhas. E eu era aquela pessoa que ninguém sabia em que caixinha colocar, porque não existia. Então, da forma que elas conseguiam ajudar, elas iam ajudando. Ou seja, elas viam muitas vezes eu ser agredido. O que elas iam fazer? Eram raparigas contra rapazes. Muitas vezes elas mandavam parar, mas o que adiantava? Não adiantava grande coisa.

Sim, também é o sentimento de impotência. Vamos lá.

Eu não as julgo. Hoje, a caminho de seis anos de terapia, perdoo toda a gente. Não culpo ninguém. Eles também não sabiam o que estavam a fazer.

Por que achas que isso acontecia? Conseguiste te pôr nos pés dessas pessoas, hoje em dia, e perceber o que se passava na cabeça?

Não consigo te responder a isso. Não sei o que se passava na cabeça deles. De alguma forma era uma ameaça, mas não sei bem qual era o motivo. Porque isso ainda acontece, nós estamos a falar de anos atrás.

Sim, era isso que eu ia te perguntar. Hoje em dia, como é que tu vês esta situação? Achas que já demos muitos passos?

Melhoramos muito, como é óbvio. Uma coisa que eu costumo dizer, ainda que seja válido e duro da mesma forma, mas há 10, 15 anos, o bullying era físico. Era olho no olho. Hoje, o bullying é mais online, que é severo, é duro, e não estou a desvalorizar, mas quando se chegava à mão ao pelo, como eu costumo dizer, doía muito mais.

Claro.

Claro que hoje, infelizmente, ainda acontece muito. Gostava que acontecesse menos, gostava que houvesse mais voz a falar disso. Porque eu tenho a certeza que se houvesse alguém a dizer, na minha época: "Olha, isto que estás a passar não é certo. Tu estás certo, tu não és anormal, tu não és estranho. Fala com alguém. E se esse alguém não te conseguir dar ajuda, fala com outro alguém, e fala com vários alguém."

Mas isso tem que partir de professores, estrutura na escola, porque não são as crianças da tua idade que vão ter esse raciocínio.

Sim. Mas lá está. Ou seja, eu espero que isso hoje já parta desse princípio, como é óbvio. Mas caso alguém ouça, caso alguém esteja a ouvir, que realmente não há nada de errado. É que faz toda a diferença. Eu tenho certeza que se houvesse alguém a dizer naquela época: "Está tudo certo. Tu não és errado, tu vais encontrar o teu propósito, vais encontrar o teu caminho, vai custar muito, mas tu vais conseguir." Tinha custado menos.

E tu estavas a contar que mudaste de escola, foi a partir daí que tu começaste a ver uma luzinha de que: "Vou encontrar meu caminho, eu vou dar a volta por cima."

Foi a partir desse momento em que eu comecei a estabelecer mais limites. Mas depois vem a psicologia, já estudado. Ou seja, depois dessa fase de turbilhão, vem a parte da revolta. Eu fiz muitas coisas. Eu tenho 2018 aqui, porque de tudo isto, 2018 conseguiu ser o pior ano da minha vida. Foi o ano que eu achei que ia morrer, e aliás, eu tentei, inclusive. Só que depois eu olho e penso: "Ok, se eu fui capaz de passar isso tudo, não há nada na minha vida que seja um problema. Nada." Então hoje, se me perguntas: qual é o teu medo? Não tenho medo de nada. Eu passei por tanto. Eu não tenho medo de absolutamente nada.

Como é que passaste a sana? Como é que conseguiste?

Olha, com terapia.

Mas como é que tomaste esse passo de ir para terapia? Em primeiro lugar.

Porque eu estava em um lugar muito mau.

Mas era normal em tua casa, ou seja, tu conseguiste falar com os teus pais, dizer: "Eu quero ir fazer terapia."

Não. Ou seja, em 2018, eu tentei imigrar pra Amsterdã, lá está. E vivi lá durante três meses. E eu estava num sítio que não era bonito, ainda não tinha tratado sequer o que estava a acontecer, e eu mudo de país, estive lá durante três meses, sem família, sem amigos. Ou seja, se eu já estava mal, fiquei péssimo. E foi aí que eu pensei: "Não, ok, se eu continuar assim..." Eu já não via. Era aquela pessoa: "Olha, se agora tiver um acidente, está-se bem." Infelizmente.

Já estavas a desistir aos pouquinhos.

Já estava a desistir completamente. Aí já tinha mesmo desistido. Até que em conversa com uma amiga, ela fala-me de uma terapeuta, que é minha terapeuta até hoje, e disse: "Olha, eu já estive nesse lugar escuro da vida, mas por questões diferentes", que era por causa de um término. "E eu fui aqui à Cláudia e ela tem uma forma muito diferente de fazer terapia, ela usa hipnose, hipnoterapia, não sei o quê, se calhar vais gostar."

Nunca tinhas feito nada antes?

Nunca na vida. Nem na escola, passar isso tudo com psicólogos na escola, nada, zero. Disse: "Olha, seja o que for." Marquei uma sessão com ela e estive lá quatro horas. E pronto, até hoje.

Fizeste hipnoterapia?

Eu fiz hipnoterapia, fiz hipnose. Depois, entretanto, fui escalando a terapia. Fui fazendo semanalmente e fui encontrando aos pouquinhos o propósito do que era viver de novo. E agora, claramente, consigo perceber que ainda bem, que a terapia salvou minha vida.

A importância de ter as ferramentas e o apoio.

Completamente, sim. A terapia salvou a minha vida. Completamente. Se eu não tivesse feito a terapia, não sei se eu estava aqui hoje a conversar contigo. Por isso é que eu acho importante.

Estou arrepiada. Não é fácil, eu sei. E vamos falar do patrocinador de hoje, que é a Hiwell, e principalmente no episódio que estamos aqui a ter com o André, que ele já disse várias vezes que a terapia salvou a vida dele. A minha recomendação para vocês é a Hiwell como plataforma de terapia de saúde mental, em que vocês podem fazer mesmo as sessões online. Acaba por facilitar todo o processo. Por acaso o André teve sorte e descobriu a terapeuta dele à primeira, mas todo esse processo para mim foi custoso, foi demorado até encontrar o psicólogo certo. E na Hiwell facilita isso, porque vocês conseguem ter uma consulta inicial, 15 minutos, testar, ver se o match acontece com o psicólogo ou não, e a partir daí decidir então avançar para as consultas de terapia. Portanto, eu tenho um código de desconto para vocês de 15%, que é 15MARIANARIBEIRO, que a partir da primeira consulta, se aplicarem esse código, têm então 15% em todas as consultas. Espero que ajude, espero que se decidirem dar este passo de explorar a terapia, trabalhar em nós, nos nossos traumas, em tudo isto, que efetivamente, tal como o André, eu também senti e sinto que tem um impacto gigante na minha vida, que não seria a pessoa que sou hoje se não tivesse feito e passado por este processo de terapia. Portanto, fica aqui a minha recomendação para vocês. Amiga, faz parte. Achas que se tu pudesses hoje voltar atrás e falar com estes professores e com estas pessoas que sentiste que não estavam lá para ti, o que tu lhes dizias?

Como eu te disse, eu perdoei toda a gente. Aliás, há bullies, ou houve bullies, que obviamente agora com um bocado mais de exposição, mandaram mensagem, alguns a dizer: "Olha, desculpa, eu sei que não vai fazer diferença nenhuma, mas foi tudo muito errado". E eles agora também estão com uma vida miserável, e por isso é que eu os consegui perdoar. Por isso é que eu também consegui perdoar.

180 graus.

Que um está pulser em casa. Por isso é óbvio que eu desculpei, mas calma que eu também não sou trouxa. Desculpei porque eu vi que eles estavam piores que eu, estou a brincar. Mas houve realmente alguns que tiveram esse passo, que é importante também, reconhecer. Eu acho que é muito bom. E eu perdoei toda a gente, até mesmo a diretora da escola, os professores, porque eu percebo que há uns anos era difícil também. Não devia ser, como é óbvio, não é desculpa, mas eu prefiro perdoar. Eu prefiro perdoar, porque o que é que vai mudar a minha vida se eu continuar a viver com mágoa, se eu continuar a viver com maus sentimentos, com coisas más a pensar dessas pessoas? Nada, não vai alterar nada. E o que vai alterar se eu perdoar essas pessoas? Nada, mas eu prefiro viver com o perdão.

Sim, ficas mais leve tu.

Sim, é isso.

Tu estavas a contar que na infância tu sempre sentiste que eras um menino, que querias fazer alguma coisa. E na altura da adolescência, quando estavas a passar por isto, continuavas a sentir isso? Sempre esteve em ti ou foi só depois de passares esse ano de 2018 e começares a descobrir mais do André?

Eu continuei sempre a saber que eu ia ser alguma coisa diferente. Eu não sabia o que era. Eu tinha Snapchat, eu tinha um canal de YouTube péssimo. Eu sabia que queria fazer aqui alguma coisa, queria que as pessoas me vissem, mas ao mesmo tempo era um sentimento agridoce, que é: "Eu quero que as pessoas vejam, mas ao mesmo tempo não vejam", porque mais pessoas a ver é mais pessoas a tratar mal. Como nunca pensei sequer no digital ou coisa que se pareça, então fui para Amesterdão trabalhar na receção de um hotel e depois voltei e trabalhei numa empresa como comercial, depois trabalhei num restaurante, ou seja, várias coisas que fui trabalhando.

E a comunicação chegou até ti por quê?

A comunicação chegou até mim por quê? Isto é curioso, porque tenho uma amiga que também me salvou. Houve ali uma fase em que acho que estávamos todos um bocadinho a descobrir o que era as redes sociais. Eu tinha um grupo de amigos, hoje já não somos tão amigos assim, que não gostavam particularmente da Helena. E houve uma vez que eu estava, eu já contei isto no nosso episódio, uma vez que eu estava a usar uma cena falsa, um lenço falso Louis Vuitton ou qualquer coisa, e pus um story a dizer: "A Helena Coelho e o José Castelo Branco, por que choram?" O José Castelo Branco bloqueou-me.

E a Helena Coelho ficou tua amiga.

E a Helena não respondeu. E pronto, ficámos amigos. E depois foi tudo tão natural. Entretanto, começou a pandemia, fazíamos alguns diretos, eu participava nos diretos delas, as pessoas começaram a gostar muito, a nossa relação começou realmente de forma genuína e muito simples, a ser muito próxima. E obviamente, por consequência, aparecemos mais. É por isso que às vezes gozo muito com a situação dela me ter dado uma carreira, porque realmente me deu uma carreira, porque ninguém me conhecia.

Deu-te o palco. E não sei se começaste desde o início logo a ser tu próprio, isso eu acho que também foi um bocadinho desse segredo.

Sim, porque eu nunca-

Nunca foste com a pretensão de que "eu quero que isto seja o meu trabalho, então vou lhe dar".

Nunca, nem imaginava sequer de perto que algum dia isso podia. Depois as pessoas diziam muito: "Estás te a aproximar dela porque queres as coisas dela." É óbvio, gente. É óbvio. Mas depois acabou por ser muito natural e eu acho que hoje, ainda obviamente já tendo a audiência que tenho e as pessoas gostam muito de mim, exatamente por isso, porque eu sou eu. Eu sou exatamente a mesma pessoa que eu sou hoje, sou exatamente aquela pessoa da escola.

Se tu chegasses, André, da escola e dissesses que ias estar a fazer o que fazes hoje, falar da forma abertamente que falas e estás aqui a falar sobre isto, o que é que tu ias acreditar?

Não ia acreditar nunca. Mas eu gostava tanto.

De lhe dizer?

Gostava muito.

O que é que lhe dizias?

Dizia para ele não desistir, para não pensar em coisas tão más como ele pensa, que ia dar certo, que ia custar, mas que ia dar certo, que a vida dele ia dar uma grande volta, que a vida está sempre a dar volta. A vida é engraçada, não é? A vida está sempre a dar voltas. Também achava que nunca ia namorar, já falámos disso.

Vocês vamos falar um bocadinho disso agora à frente.

Que nunca ia namorar e namoro. Achava que nunca ia viver sozinho, vivo sozinho. Achava que nunca ia ter um carro, tive um carro. Achava que nunca ia andar de avião Pensava que nunca ia de férias. O que é isso? E de repente, já fiz isso tudo. E eu fico tipo: "Uau!" Já contei esta história várias vezes. Uma vez fui ler a mão a uma cigana e ela disse que eu ia morrer aos 30.

E quanto é que tens?

26. Restam-me quatro anos. Mas sabes que se eu morresse aos 30, eu ia superfeliz. Eu já vivi muito. Então não tenho medo. Tenho medo das pessoas à minha volta, de mim não tenho medo. Mas é engraçado.

Mas já que estavas a tocar aqui na ponte de namorado, nós estávamos a ter também esta conversa. Estavas a dizer que nunca tinhas tido um namorado. Isto é porque tu sentias que não merecias amor ou não eras capaz de namorar?

Com certeza, então pensar em namorar. Primeiro ponto, eu queria namorar com quem?

Tu nunca tinhas tido um namorado antes.

Nunca. Porque, como é óbvio, também eu relacionei com mulheres. Lá está, por isso é que eu entrei em depressão. Por isso é que foi péssimo. Não. Foi interessante porque, como é óbvio, tu negas, tu não queres ser aquilo. Repara, está toda a gente a dizer que é errado. Os adultos estão a dizer que é errado, as pessoas estão a dizer que é errado. Então tu começas a acreditar que realmente é errado.

E tu bloqueias em ti essa possibilidade.

Completamente, sim. Tu começas a achar que realmente as pessoas têm razão. "O que está a acontecer comigo? Eu sou doente." Então eu forcei muitas vezes a estar com raparigas. Tive uma namoradita na altura, que dentro daquilo que eu podia dar, acho que foi bom. Mas claramente não estava feliz e claramente não era feliz. Há várias coisas que aconteceram, essa namorada não aceitou muito bem o término e virou uma stalker autêntica. Furou-me os pneus do carro, ia-me riscar a porta. Entendes? Por isso é que eu digo que eu já passei por tanto. "Não gostas de mim? Está ótimo, está perfeito."

E como é que houve aqui esta mudança em ti?

Terapia. Várias formas de terapia, como eu já te falei, que também faço constelações, faço aqui a hipnose, faço várias coisas. Ou seja, perdoar e depois não estar à espera. No momento em que eu parei de estar à espera, no momento em que eu deixei de procurar, nós temos as aplicações de encontros, temos várias coisas agora, o mundo digital. E eu queria muito namorar. Então eu me entregava muito à pessoa e depois a pessoa se me deixava de responder, eu ficava tipo: "Ai, que ódio!" Ficava mesmo mal e a pessoa não me devia nada. Repara, as pessoas não são obrigadas a cumprir uma expectativa que nós próprios criamos.

No papel tu definiste o que queres que elas sejam.

Eu criei uma expectativa sobre aquela pessoa. Se ela não cumpre, eu vou ficar chateado. Por quê? Fui eu que criei aquela expectativa, por que eu tenho que ficar chateado com isso? Então, no momento em que eu deixei ter expectativas, em que eu parei, literalmente, apareceu o Kikiki.

Então é aquilo que eles dizem mesmo: quanto mais deixares de procurar, mais aparece.

Eu achava esse slogan tão tipo: "Deixar de procurar o quê?" Mas foi isso. No dia que eu comecei a ter estabilidade emocional, que é importante, no dia em que eu aprendi que eu sou o personagem mais importante da minha história, que eu gosto mais de mim do que gosto de qualquer pessoa, tudo certo.

É isso, estás completo e vem uma pessoa para te acrescentar.

Acrescentar, exatamente, é isso. E ele estava exatamente nessa fase, com terapia em dia, importante. Com terapia em dia, estável a nível emocional, estável a nível financeiro, que também é importante, como é óbvio, estável a nível de trabalho, de tudo. Então foi só acontecendo. E nós estivemos juntos no dia das eleições em 2024. E nunca mais nos separámos, desde esse dia.

Mas tu conseguiste logo abrir-te a ele emocionalmente?

Foi difícil. Não foi logo assim. Mas tu descobres quem é a tua cara metade.

Tu sentes que é esta pessoa?

Eu tenho certeza que ela é a minha alma gêmea. Esperemos que não, mas eu tenho certeza que ela é a minha alma gêmea. Até porque eu também já confirmei isso no tarô.

Não posso.

Não, já confirmei isso em todo lado, com as minhas terapeutas todas. A minha chama estelar, é o nome correto. Mas é a minha alma gêmea. Eu tenho certeza que é, porque nós nos complementamos tanto. Se calhar daqui a 10 anos não estamos juntos, mas ele agora, neste período, é a pessoa que...

Mais sentido faz para ti.

Não tem como. Agora é estranho imaginar chegar a casa e ele não estar lá agarrado aos gatos. Acho que não é possível. Mas também não tenho medo. Se ele quiser ir, olha.

Estás bem sozinho?

Estou ótimo. Ele que se cuide.

Mas então achas que demoraste muito tempo a dar esse passo de: "Ok, eu vou aceitar que ele entre na minha vida", porque também com tudo aquilo que já passaste, se calhar tens muito mais barreiras. Lá está, aqueles limites que foste aprendendo a pôr.

Sim. Com ele genuinamente que eu não demorei, porque ele me deixou muito confortável, deu muita confiança, deixou-me ser eu próprio, que é muito difícil, nos dias de hoje, estares com alguém que te deixa ser tu próprio e que te conhece a 100%. Claro que, como é óbvio, há certas coisas que nós discordamos, mas se me perguntas assim: "Já discutiram? São um casal que discute muito?" Felizmente não, mas pode acontecer. Mas para já, está a ser tudo. Também estamos juntos há um ano.

Mas já vivem juntos.

Já vivemos juntos e foi tudo assim. É fazer vida que a gente é vai crescer. Porque ele vivia com um colega. Entretanto, eu estar sempre lá também deixou de fazer sentido, porque praticamente uma casa partilhada não é assim tão agradável. E procurámos logo casa. E depois tudo fluiu tão naturalmente, que era o universo a dizer: "É por aqui, vai, tu mereces. Vai, campeão, tu sofreste tanto, é agora. Entrega-te." E foi.

E vais-te a casar?

Olha, lá está, se me tivessem dito isso há uns anos atrás, eu diria: "Tu estás maluco?" Óbvio que não é o sonho da minha vida Mas who knows? Já falámos sobre isso, claramente. Sobre ter filhos dentro da possibilidade que existe. Não está fora do baralho. Não é uma carta fora do baralho, não é uma coisa que nunca vai acontecer. Uma coisa que se vê que acontece.

Deixar o universo também te dar as pistas.

É isso.

Tu acreditas muito nisso? Vais tendo atenção a sinais?

Completamente, amiga.

Mas o que é que a nível espiritual tu acreditas? É astrologia, é tarot?

Tudo. Sou completamente desequilibrado. Não, estou a brincar. Eu acredito em tudo.

Eu também já te ouvi falar muitas vezes de manifestação.

Sim.

Mas, por exemplo, estavas a dizer há pouco, e até queria fazer esta ponte, que tu nunca acreditaste que era possível uma coisa e aconteceu. Outra coisa e aconteceu. Tu manifestaste ao contrário. Eu não sou capaz. E foi dando certo.

Foi dando certo. E a prática da manifestação, aliás, eu tenho o vision board, tenho tudo, porque eu acredito realmente que se nós acreditarmos muito numa coisa e agirmos como se já a tivéssemos, ela acontece. Então, nos últimos anos, eu faço as minhas manifestações, faço tudo certinho, para que realmente isso aconteça. Eu acredito muito nisso. Acredito muito em astrologia, porque eu acho que tudo tem propósito. Repara, se houve alguém que perdeu tempo a criar tudo isto, tem que ter um propósito, tem que ter uma lógica. Mesmo nas energias, mesmo com um bigode tapado, faz tudo sentido. As pessoas são energia, não é?

Um bigode tapado não sei essa.

Para proteger das más energias. As pessoas ficam com um bigode tapado. "Olha tu que conversas aqui com muita gente. Hoje não vim, porque és tu" eu disse: "Não, minha amiga, não me vem má energia".

Mas como assim?

Um tape, tipo um penso.

Não sabia.

E protege das más energias. E isso é muito importante. Por exemplo, sair à noite, quando vais sair à noite.

A minha mãe está sempre a dizer que eu tenho que proteger melhor a minha energia, porque eu acho que sou muito dada.

Se calhar é isso. Isso é um bom truque. Há muita gente que faz isso. Não sei se conheces, mas muitas atrizes que fazem isso para proteger a energia, porque realmente, repara, o nosso corpo é o nosso templo, é a nossa casa. Então eu tenho tudo muito dentro daquilo que eu acredito e que acho que funciona, como é óbvio.

Mas que apoio é que tu procuras na astrologia para tomar decisões na tua vida? Profissionais e de vida mesmo.

Por exemplo, no tarot, quando tenho alguma decisão para tomar, eu gosto de perceber se está tudo ok, se faz sentido ou não. Como é óbvio, repares, se há uma coisa que eu realmente acho que vai funcionar, e se aquilo diz que não, eu também acredito mais em mim próprio, como é óbvio.

Acreditas na intuição.

Sim, raramente isso acontece. Por isso eu acredito muito no que o universo, lá está, no que algo maior que nós tem para nos dar. Sempre. Não sei se é parvo dizer, mas às vezes quando eu estou com dúvidas, eu digo: "Se for para isso acontecer, eu vou começar a ver as horas iguais". E começo a ver as horas iguais. E acaba por acontecer, então eu tenho a certeza que isso acontece.

Eu sempre fui uma pessoa muito cética, mas ao longo dos anos fui me abrindo cada vez mais e explorando também o meu lado espiritual. E eu hoje em dia, de vez em quando vejo-me também a fazer essas coisas, tipo: "Olha, se esta for a pessoa certa, dá-me um sinal até este dia, por favor."

Sim, e o pior é que dá.

Pois dá.

Ou não dá. Se não dá, também é porque não é a pessoa certa.

Mas normalmente, não sei, eu não acredito em coincidências.

Sim, também acho que não.

E acho que há coisas que vão acontecendo. Eu também gosto de ver muitos sinais, em todo lado.

Sim.

E acho que é importante nós estarmos abertos a isso e estar atentos.

Certo.

Porque muitas vezes eles estão lá, mas nós estamos tão noutra.

Sim, e nós às vezes recusamos a ver, que também é outra coisa. Mas eu acho que agora estou numa fase da minha vida em que tenho tudo.

Estás alinhado.

Estou alinhado com tudo. Tenho a minha terapeuta, a senhora que faz o tarot, tenho a minha terapeuta que cuida, que faz a radiestesia. Tenho um monte de gente. A radiestesia não te saberia mesmo explicar o que é, também porque eu não sou a melhor pessoa, mas é algo que através de formas geométricas e através, obviamente, dos chakras, conseguem equilibrar a tua vida. E às vezes quando há alguma alteração, eu consigo sentir logo. Mesmo a nível, por exemplo, de cansaço extremo físico, de te sentires esgotado, sem energia.

Sim, é importante também estares a ouvir o teu corpo, porque ele também dá muitos sinais.

É isso, exatamente. Lá está, é ouvires só os sinais e estar alinhado com tudo. E as pessoas às vezes podem achar uma loucura, está tudo certo. Pronto, é a tua onda.

Tu és acredito naquilo que queres acreditar.

Sim.

Por que tu foste experimentar constelações?

Porque eu estava há cinco anos a fazer terapia e achava que aquilo já não estava, ou seja, obviamente, toda a gente precisa de terapia o resto da vida. Mas precisava de mais respostas. Comecei a sentir que não era suficiente. Por acaso, uma vez numa marca, tive uma ação de constelações, foi superengraçado, o sport zone não tinha nada a ver e fomos fazer constelações com a Adidas. E logo aí eu fiquei tipo: "O que é isso?"

Mas fizeste com bonecos?

Não, fiz com as pessoas lá. Eram os grupos de influenciador.

Ai meu Deus!

Foi muito engraçado. Não sei se foi engraçado para as pessoas, mas foi. Na cabeça de alguém funcionou super.

Ai meu Deus, estou chocada.

E aquilo ficou na minha memória. Entretanto, depois há pouco tempo, porque é possível fazer com bonequinhos em grupo ou individual. Eu tenho a minha terapeuta no Porto, que às vezes vou em grupo, também já levei o meu namorado lá, lourou também. E também faço online com a minha do Brasil, com a Renata do Brasil. Ou seja, nas constelações consegui, por exemplo, encontrar respostas para a minha relação com os meus pais, principalmente com o meu pai. As constelações têm três grandes forças que acreditam: que é o sentimento de pertença, de pertenceres àquele sítio, respeitar a hierarquia e o equilíbrio entre tu dares e receberes. Se tu pensares, tudo isso faz sentido na vida. E então é um bocadinho por aí.

É justificar algumas coisas que hoje em dia te acontecem ou que tu sentes, têm justificação. E é perceberes de onde é que isso vem.

Tem um propósito. E às vezes tu não fazes ideia. Por exemplo, no último grupo que fui, havia uma senhora que tinha muito medo d'água e não conseguia perceber por que era. Ou seja, ela já tinha feito a terapia convencional O que era isto, afinal? Afinal, tinha sido um ancestral dela, um tio, um avô qualquer que tinha morrido afogado. Então, fez sentido.

Faz sentido, mas tu consegues curar esse porquê, sabes? Como é que acontece o processo depois?

Depois tens o processo de cura, que a terapeuta, a pessoa que guia a sessão, faz-te dizer através de uma série de palavras e de afirmações que podem te ajudar a lidar melhor com a situação. Com cura, não é nada que fiques curada. Mas começas a perceber melhor. E depois como começas a perceber melhor, já começas a aceitar melhor. Lá está.

Eu nunca fiz constelações familiares, tenho medo, mas acho que gostava de fazer. Acho que não te contei, que fiz um tipo de terapia diferente, EMDR, há uns tempos. Sabes o que é?

Não.

É a terapia das bolinhas. Sabes aquelas coisas que têm um . É uma forma de processar memórias. Ou seja, são as tuas memórias de infância em que tu contas no processo terapêutico quais são as memórias mais marcantes, explora um bocadinho primeiro ali antes de fazer o tratamento EMDR. É quase como se fosse a hipnose, mas é através de bolinhas em que tu tens de fixar e ativas o teu lado direito e esquerdo do cérebro e ficas a olhar com estímulos bilaterais a nível de som e a nível de olhar. Então ficas a fazer este movimento com os olhos e a processar.

Já fiz isso com a Cláudia, não sabia o nome, mas é uma bolinha vermelha que anda para frente e para trás, não é? Que tens duas em que tens de ter na mão e tudo.

E tu tens de estar a olhar e tens de estar focada naquilo e a deixar o cérebro ir buscar memórias. E muitas vezes tu estás a dizer que tens este trauma aqui, que está associado a montes de memórias para trás que tu nem fazes ideia. E aquilo é uma forma de tirar o peso emocional dessas memórias, em vez de ser aquele trauma, ser só uma memória que passou e arquivou. Para hoje em dia já não se refletir na tua vida.

Já tinha feito isso, só fiz uma vez, mas ainda não sabia qual era o nome correto.

Eu acho que é mais ou menos semelhante à hipnose, só que não entras no estado de hipnose. Estás completamente consciente.

Sim.

Eu gostei.

É muito interessante explorares outros tipos de terapia. É super.

Porque eu só tinha feito terapia convencional e gosto imenso, porque acho que é superútil no dia a dia, mas muitas vezes esta terapia convencional também está muito de só falares sobre aquilo que está acontecendo no momento. E eu falava muito isso, dos gastos que estão a acontecer e coisas assim. E o resto que está para trás, que é isso que está a condicionar a tua vida hoje.

Certo.

Também é preciso ir lá. Muitas vezes, em terapia normal, também se faz esse tipo de tratamento, mas depende da abordagem.

É isso, sim. Depois eu acho que, para mim, um dos passos muito importantes na terapia também é tu sentires e estares ok com o terapeuta, o teu santo tem que bater com o terapeuta.

E tu conseguiste logo à primeira? Isso é que é raro.

Logo. Que anjo da minha vida, meu Deus do céu.

É raro, é mesmo raro. Eu passei por quase 10.

A sério?

Sim.

É por isso que eu digo muitas vezes.

Que é horrível depois ter que contar a história toda.

Tens que repetir a história toda outra vez. Pois, mas isso é muito importante. Eu tive uma sorte, inclusive, eu gozo com a situação de se a Cláudia precisasse do meu rim, eu dava dos meus dois.

Salvou a tua vida.

Eu gosto imenso dela.

É uma grande sorte.

É muita sorte mesmo. Já estamos há seis anos juntos, vai fazer seis anos juntos.

Das pessoas que melhor te conhecem.

Aliás, ela sabe tudo sobre a minha vida. Não é assustador? E agora, nesta fase em que eu estou a curar-me, que já estou bastante tranquilo, eu fico a pensar: "Meu Deus do céu, será que ela ao jantar diz: 'Foi lá hoje um tolinho, vocês nem imaginam'"?

Ela não pode falar disso, não é?

Não, mas eu fico a pensar.

Ela segue-te no Insta?

Não, é o nosso acordo. Eu acho que ela vê em alguns lados, porque depois ela vai comentando, por exemplo, algumas coisas com a Helena. Mas é o nosso: "Não me vais seguir. Pronto, depois o conto o que aconteceu, mas não vejas, que eu tenho vergonha". Acho que é a única pessoa no mundo que eu tenho vergonha que veja as minhas stories ou que veja o que eu faço na internet.

Olha, eu estava a preparar o teu episódio e veio-me aqui uma questão que tu nas redes sociais mostras muito mais o teu lado divertido, que tu também és muito assim. E surgiu-me aqui este pensamento: será que tu não gostas tanto, porque tu partilhas um cadinho do teu lado vulnerável, mas não gostas tanto de entrar por aí, porque tu até disseste que não gostas de trazer o mundo das pessoas para baixo.

Sim.

E será que isso também é uma forma de meio como tu fazias antes de ser a pessoa divertida da sala?

Agora me pegou.

Ou seja, se continua a ser uma proteção tua.

Eu não sei se é uma proteção minha ou se é eu não quero ser o coitadinho. Eu não quero que as pessoas olhem para mim com pena. Eu detesto isso. Aliás, quando me convidaste para vir aqui, eu disse logo: "Vai ser a primeira e última vez que eu vou falar publicamente sobre aquilo tudo que eu passei e vou abrir mesmo o meu coração", porque realmente, não é que eu não goste de falar sobre isso, mas é que, por exemplo, nesse dia que eu abri o meu coração um cadinho mais, as pessoas muito queridas, como é óbvio, recebi mensagens lindas. Mas depois algumas pessoas foram tipo: "Tenho muita pena que tenhas passado." Eu percebo isso, mas não tenho pena. Eu consegui. Olha para mim agora. Olha eu aqui sambando na cara delas. Estão ótimas.

Sim, mas isso é a forma das pessoas mostrarem empatia também.

Sim.

E se gostam de ti. A pena não é um mau sentimento.

Não é, mas eu ainda não sei muito bem lidar com ela.

Estava a preparar e isto surgiu, tem aqui uma ligação.

Ainda não me curei.

Eu vou fazer terapia com o terapeuta.

A sessão de terapia aqui, não vou à Cláudia esta semana, venho à Mariana.

Olha, e estavas a dizer que a terapia salvou-te, a Helena também te salvou.

Certo.

De que forma é que as redes sociais também te salvam?

Agora, como é que eu te posso explicar isso? Eu tive uma ótima professora, como é óbvio. Falando aqui outra vez da Helena, eu acho que em Portugal deve ser das pessoas que mais hate que recebe. Por nada, por respirar, por usar guarda-roupa. Eu às vezes via e nós brincamos muitas vezes com isso, que ela era muitas vezes top trending no Twitter, era sempre espalhada quando estava naquela fase da TVI. E a forma como ela lidava com a situação, que não é que fosse a melhor, atenção, mas eu via e dizia: "Porra, olha que inspiração, está a levar esta porrada toda." E como é óbvio, não é que ela estivesse feliz e animada e a não ligar à situação ou a passar ao lado. Não, como é óbvio, as pessoas que dizem: "Não me afeta nada." Mentira, afeta. Em algum momento vai te afetar. Mas a forma como depois ela lidava com isso, claro que é importante falarmos, muito, desabafar sobre isso, mas ajudou muito e preparou-me muito para o mundo do que era o mundo das redes sociais. Então é óbvio que ela é hoje a primeira pessoa em quem eu confio a minha vida, como é óbvio. Também me salvou, como estava a dizer, é importante. Se as pessoas dizem: "Ele só está onde está por causa de Helena." É verdade, eu não tenho vergonha alguma de admitir isso. "Ele só tem o que tem porque é amigo da Helena." É verdade. Imagina as pessoas dizerem: "Por causa de ser amigo da Helena." Está tudo certo. Se fosse uma pessoa que me envergonhasse. Mas não, é uma das pessoas mais inspiradoras do país, gostando ou não, trajetória inegável. E ela preparou-me para tudo. Então hoje é aquela pessoa em que eu ligo quando preciso de fazer algum trabalho para alguma marca, é a pessoa em que eu peço conselhos, é a pessoa que eu estou a preparar o meu podcast e eu peço-lhe ajuda. Eu sou zero essa pessoa de não aceitar ajuda.

Sim, somos uns para os outros.

Sim, a mesma coisa de ti, como é óbvio, se tiveres algum conselho.

A importância da comunidade é tudo.

Exatamente. Se tiveres algum conselho para me dar, é óbvio que eu vou ouvir. Tu estás aqui há muito tempo, já trabalhaste com milhares de marcas, é óbvio que eu vou ouvir. Então as redes sociais têm um lado muito bom, que as pessoas são muito simpáticas, muito queridas. Também tem um lado mau, só que o meu lado mau há tantos anos atrás já foi tão mau.

E tu tens tanta gente a apoiar.

Muito maior. Ou seja, é muito residual. É óbvio que todas as semanas recebo hate, mas tudo bem. Aquele velho ditado: "Deus que é Deus não agradou toda a gente, vou eu, alecrim dourado, matozinhos agradar." Não vou, gente, está tudo bem com isso. Mas também me salvam todos os dias, como é óbvio. As pessoas dizem: "Os teus vídeos salvam o meu dia, melhoram muito o meu dia." Mas eu faço aquilo porque aquilo também salva o meu dia, ver o feedback, ver as mensagens, ver o que as pessoas dizem.

Sentes companhia também do outro lado?

Sem dúvida que sim.

E hoje em dia tens o teu trabalho de sonho.

E hoje em dia eu tenho o meu trabalho de sonho com as pessoas que eu gosto. Eu estou numa fase da minha vida que se vêm tirar a minha paz, vai custar muito, primeiro ponto. E depois vai ser difícil, porque eu estou super realizado em todos os níveis: amorosamente, financeiramente, no trabalho, nos amigos. Tenho dois amigos e está ótimo, está tudo bem. Estou super realizado, estou super feliz. É estranho agora estar a dizer isto em voz alta, porque eu nunca disse isto assim tão em voz alta, mas é verdade, eu hoje estou feliz. Tenho tudo aquilo que alguma vez eu quis. Ainda que, obviamente, estamos a falar da nossa realidade, como é óbvio, mas tenho exatamente aquilo que eu pedi. Então estou ótimo, estou feliz.

Bom, fico mesmo muito feliz por ti. E nota-se, essa tua energia está aqui a passar. Se tivesses do outro lado alguém que estivesse a passar por um bocadinho daquilo que tu passaste, o que é que tu dizias a esta pessoa que está neste momento no fundo e não vê a luz ao fundo do túnel?

Que há luz ao fundo do túnel. Eu sei que não parece. Eu sei que há momentos em que tu vais mesmo acreditar que não há. Vai haver momentos em que tu aches realmente que tu és um problema, em que tu não és gostado, em que tu nunca vais ser feliz, que tu não és merecedor de amor, que não és merecedor de felicidade. Mas eu prometo que vais. Prometo que vais dar a volta por cima. Prometo que o tempo cura absolutamente tudo na vida. Prometo que as coisas vão melhorar, que amanhã vai ser melhor que ontem, sempre, ainda que tu aches que vai ser mais duro, que vai ser mais difícil, vai ser melhor. Procura ajuda, fala com as pessoas. E se as pessoas com quem tu falas não te dão a resposta que tu achas que é certa, fala com outras. Vai à terapia, fala com adultos, fala com as pessoas à tua volta, fala com os teus colegas de trabalho, fala com a tua família. Se tu hoje estás num dia mau, fala sobre isso. Procura ajuda sobre isso.

Sim, se as pessoas não acreditam naquilo que tu estás a sentir, encontra as pessoas certas, porque tu é que estás certo.

Exatamente, encontra as pessoas que vão acreditar em ti. E acima de tudo, acima de encontrar as pessoas que vão acreditar em ti, acredita tu próprio, que é a parte mais difícil. Mas é a parte mais importante, que é acreditar em ti próprio.

E não ires cedendo ao longo do caminho de que aquele está a dizer aquilo, eu não tenho confiança suficiente em mim, então vou meio que acreditando, ouvindo.

É muito difícil. Houve um momento da minha vida em que eu acreditei que realmente era um problema. Hoje eu estou aqui a falar livremente sobre isso e tranquilo sobre isso, mas houve muitos anos que eu achava que realmente era um problema. Hoje eu percebo que não era, estava tudo certo comigo. Por isso, está tudo certo tu seres um gay afemininado, tu gostares de coisas de mulheres, está tudo certo. Primeiro ponto, não há nada que tu vais fazer na tua vida, que as outras pessoas vão achar melhor ou pior. Faz só a tua cena, faz aquilo que te apetece. Sê tu próprio. Custe o que custar, e vai custar muito. Estou-te já a avisar que vai custar muito, mas o final vai ser muito recompensador.

Adorei. Olha, eu só tenho aqui mais duas últimas perguntas para ti. Se tens assim, neste gênero de coisas que também estávamos a falar, de espiritualidade, não sei se lês muito destes temas, mas queria te pedir uma recomendação de um livro e um podcast, não sei se costumas ouvir, que tenhas para nos recomendar.

Um livro que eu te posso dar sobre isso é um livro da pessoa que criou o conceito das constelações familiares. O livro chama-se "Essa Dor Não é Tua", é ótimo. Acho que até já tínhamos falado sobre ele.

Sim, já tínhamos falado sobre isto.

É muito fixe E um podcast que eu vejo vários. Não há um que eu veja que só sobre um assunto. Eu vejo vários que vão falando sobre vários assuntos, sobre manifestação.

Era só se tivesses assim algum específico que te lembres que faça sentido.

Sobre pressão. Eu sou Peixes, Mariana, eu tenho uma memória péssima. Eu não sei.

Está ótimo. O livro fica como recomendação. E um último conselho que tu tenhas recebido recentemente e que te tenha marcado? Ouvi de alguém, algum podcast, alguma coisa que te tenha marcado.

Por acaso foi hoje. De repente, foi hoje, de uma pessoa que foi lá ao podcast, é da Mafalda Castro, eu posso dizer que foi da Mafalda Castro, e no final ela disse-me: "Tu és ótimo, tu conseguiste guiar esta conversa brilhantemente". E é ótimo.

É validação daquilo que estás a fazer.

É validação de alguém que faz diretos há anos e é realmente uma referência. A minha ambição não é chegar à televisão, não é nada disso, mas receber assim de repente, porque o meu podcast é sem guião, sem cartão, sem nada, então realmente é preciso ter jogo de cintura pra conseguir conduzir a conversa. E receber um conselho dela foi muito fixe, eu fiquei mesmo muito feliz. Fiquei tipo: "Estou a fazer esta cena, estou a ir pelo caminho certo."

É aquele momento de voltar ao André 10 anos atrás.

É isso.

Olha a Mafalda Castro.

É isso mesmo, juro, é mesmo isso.

Olha, André.

Olha lá.

Amei ter-te aqui, obrigada.

Obrigado eu, puto.

Obrigada pela disponibilidade, foi ótimo. E tenho a certeza que vai inspirar mesmo muita gente. Obrigada.

Olha, eu espero que sim. Se ajudar uma pessoa, se ajudar alguém que estiver a passar por isso, nem que seja só uma, eu já vou ficar muito feliz. Sinto que o meu propósito, inclusive, foi cumprido. Por isso eu agradeço muito de me teres chamado. E acho que o teu projeto é mágico. As pessoas aqui têm a liberdade de ser elas próprias, o que é difícil. Tu consegues deixar as pessoas à vontade, tu és uma comunicadora nata, tu nasceste pra isso.

Ai, André!

E estou muito feliz de teres me convidado.

Obrigada mesmo pela confiança, eu fico mesmo feliz. E muito feliz por te ver feliz também.

Obrigado. E vamos marcar de correr.

Vamos correr!

Vamos correr.

Nós não marcamos a nossa corrida. Meu Deus, isso vai ser épico. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo ao hora do costume?