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E dizer isto em voz alta: sou meia maratonista. E quando eu digo isto não é mesmo a exagerar. A corrida mudou a minha vida e muda a minha vida todos os dias. Vivia para a ginástica, aquilo era a minha vida, era constantemente a pensar naquilo, a viver aquilo, aquilo ser o meu objetivo de vida. Até que depois eu saí da ginástica e fiquei anos desligada de mim, do meu corpo, da parte desportiva, parte de me mexer completamente "turned off". Começo a engordar, começo a deixar de gostar de mim, a sentir-me cada vez com menos confiança a todos os níveis. Depois passava a associar a parte desportiva sempre a: "Eu tenho que me mexer para perder peso ou para ter um certo tipo de corpo". E a partir do momento em que esse botão desligou, que foi o ano passado, foi tipo eu vou me mexer porque eu não estou bem da cabeça e tenho que fazer alguma coisa por mim, foi na corrida que eu descobri isso. Vais fazer isto porque não estás bem, pela tua saúde, porque também estás mal de saúde, literal, as análises mostram isso. Estás a bater mal da cabeça, precisas fazer alguma coisa por ti. E foi a partir desse momento que fez esse clique, que deixou o foco ser eu quero perder peso, eu quero ter um certo corpo, eu só vou ser feliz quando eu for magra, para estou a fazer este desafio por mim e quero me sentir capaz. E a corrida deu-me isso, dá-me todos os dias confiança. Eu não corria há um ano atrás e eu sou capaz. Se eu fui capaz disto, eu sou capaz de muito mais. E sou capaz não só na corrida, eu sou capaz em todas as outras áreas da minha vida. Ponham-me um desafio à frente que eu sou capaz porque eu corri duas horas sem parar. Percebem? Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à ordem do costume? Estou de volta e de volta sozinha. Eu estava agora a ver no histórico do YouTube, eu já não gravo um episódio a solo há seis meses. Como assim? Eu antes gravava sobre vários temas isolados, episódios a solo, e gostava muito, mas depois fui deixando e passei a fazer só aqueles em casa. E comecei a sentir também, de vez em quando, acho que vai fazer sentido. Pedem-me muito e eu também própria sinto falta. Eu senti que quando me sentava a solo, agora faço esse exercício com a Inês, mas sentia que era um bocadinho de terapia, vir aqui desabafar aquilo que estava a sentir. E eu senti que fazia muito sentido eu trazer um episódio a solo sobre a minha meia maratona. Eu adoro sentar-me com a Inês, falar sobre várias coisas com ela, mas acho que esta meia maratona, este desafio, foi uma coisa muito minha e que tenho tanto a dizer sobre este assunto, que acho que faz sentido sentar-me aqui a falar convosco sobre isto. Neste momento, estou recém-chegada de Cardiff, passei lá três dias com a Oicho, fui correr a meia maratona ontem e estou completamente de rastos, completamente, esqueçam. Eu ontem saí de Cardiff às 15h e cheguei à 00h ao Porto. Foram nove horas de viagem e hoje eu pensei: "Vou descansar e assumidamente vai ser dia de descanso, portanto, vou descansar o dia todo, só mesmo gravar podcast." E pensei vou tirar a manhã para eu poder dormir. Sabem aqueles dias em que é tipo, vou dormir até ao meio-dia? Acordei às 08h, como é lógico, eu não consigo dormir muito tempo. E acordei a sentir-me toda dorida em todo lado, porque não é só a meia maratona, foi meia maratona mais horas de comboio em pé, mais horas de viagem, parecia que nunca mais chegava à casa e foi duro, foi muito duro. Parece que a viagem em si, eu estava a comentar isto com uma amiga minha, foi mais dura do que a própria meia maratona, porque foram muitas horas. Por cima já de eu estar completamente exausta, de ter acordado super cedo para a prova. Antes disso tudo e antes de entrarmos na prova e de vos contar tudo como é que foi a experiência, vamos fazer na mesma a rosa, espinho, semente da semana, portanto, a nível de rosa, e dizer isto em voz alta, sou meia maratonista. Portanto, isto é a minha rosa da semana, como é lógico, rosa dos últimos tempos, rosa destes últimos meses todos. Foi um grande desafio que também vou explicar um bocadinho mais à frente o porquê de eu ter começado a correr, o porquê da meia maratona, porque eu decidi entrar neste desafio, mas obviamente que a minha rosa tinha que ser esta, fazer uma meia maratona, que era uma coisa que eu já queria fazer há imenso tempo. A nível de espinho, isto é um "plot twist", porque eu estou aqui a dizer que isto é o meu desafio de sempre. Espinho é que não foi o meu dia mais feliz do ano e eu achei que ia ser. Já explico isto também mais à frente, mas no fundo, eu sinto que eu criei muitas expectativas e foi incrível, e foi, mas não sei porquê, eu sinto que não foi tudo isso. Eu já vou desenvolver este pensamento aqui também mais à frente, porque acho que também tem muito a ver com estarmos constantemente a querer mais e esta é a roda dos ratos e estamos sempre em busca de alguma coisa e sucesso atrás de sucesso, atrás de sucesso, atrás de conquista, e não saber bem aproveitar o caminho até lá. Portanto, quero desconstruir esta ideia também convosco, mas o meu espinho é um bocadinho este, é eu se calhar ter posto demasiadas expectativas neste dia, na prova em si, que eu achei que ia ser o meu dia mais feliz do ano e não foi. A semente que eu quero para mim a partir de agora, e que também quero explorar isto mais para o final do episódio, tem a ver com eu tentar redescobrir o meu prazer em correr sem ter um objetivo. Os últimos meses têm sido sempre à volta da meia maratona, ou se não era à volta da meia maratona, era à volta dos meus primeiros 8 km, depois os meus primeiros 10 km, sempre à volta de seguir um plano e tentar o próximo objetivo em termos de distância. E agora, nesta fase, apesar de eu ter outros objetivos a seguir, que também já vou explicar quais são, apesar de ter vários objetivos a nível desportivo, quero encontrar também um registo na corrida em que eu goste, em que eu encontre prazer pura e simplesmente só por ir correr, porque faz-me tão bem e eu adoro, e às vezes quando estamos nisto dos treinos e a seguir um plano Parece que perde um bocadinho a magia e eu quero voltar a sentir isso na corrida. Porque preparar para uma meia maratona foi duro e o que custou mais foi toda a preparação e não a prova em si. Mas acaba-se por perder um bocadinho a magia, fazer longos ao fim de semana de 15 km é uma coisa que é dolorosa, custa, é difícil. Custa a sair da cama, é uma sensação incrível depois, mas não há tanto aquela magia de sair e sei que não me vai custar e só me vai saber bem. E nesta fase, principalmente neste mês, enquanto não entro mesmo "locked in" no próximo desafio, quero encontrar este prazer que a corrida no início me trazia, que ainda me traz de vez em quando, quando não são corridas tão exigentes. Mas pronto, vamos entrar na meia maratona. Portanto, eu fui fazer a meia maratona à Cardiff. Para dar um contexto, tinha me inscrito na meia maratona do Porto. Esse ia ser o meu objetivo. Eu queria muito fazer essa prova no Porto, porque achei que ia ser especial fazer no sítio onde eu treino e também Porto, então ia ter a gente a apoiar-me. E eu estava a sentir megapreparada. A partir do momento em que eu me inscrevi para a prova, que era com três meses de antecedência, acho eu, de preparação, e eu decidi: "Ok, eu vou mesmo preparar-me a sério." Instalei a aplicação A Runner. Instalei não, já tenho essa aplicação, mas pus o plano para a meia maratona do Porto, porque basicamente nesta app dá para definir a prova em si em que se vai e depois aquilo estrutura treinos para ser mais fácil, não, é personalizado de acordo com essa prova. Pronto. E eu fiz isso e decidi: "Não, eu vou levar mesmo isto a sério, porque se eu vou fazer uma meia maratona, eu vou fazê-la bem e bem preparada, não quero ir para sofrer." Então eu fiz o download desse plano e estava a seguir certinho. O que é que aconteceu? Eu estava a sentir megapreparada e sentia que estava a conseguir e estava a sentir a evolução em mim. Estava a sentir-me cada vez mais confortável na corrida, mesmo a aumentar quilómetros e tudo mais, de forma gradual, e estava a sentir que estava a conseguir, até que depois fui para Bali. E Bali quebrou totalmente a minha rotina de treinos. Eu só corri umas três vezes, cinco, seis quilómetros em Bali. Fiquei doente. Então foram três semanas, quatro, na verdade, porque depois como estava doente, houve também uma semana aqui em Portugal que eu não consegui. Portanto, foi um mês inteiro de quebra. Já não me lembro quantas semanas é que era, mas quando eu cheguei de Bali e ainda estava a recuperar da doença, eu só tinha umas três semanas até à meia maratona do Porto, era mais ou menos assim. E eu na altura tomei a decisão, já tinha em vista esta meia maratona de Cardiff, portanto já tinha o convite por parte da Oacho para ir correr com eles, que era só um mês e meio depois. Então a minha lógica foi: eu não estou preparada para a meia do Porto. Sei que consigo fazer uma meia maratona daqui a um mês e meio, confortavelmente. Sei que provavelmente consigo fazer a do Porto, mas vou fazê-la em sofrimento. Portanto, comecei a pesar as coisas na balança e na altura até partilhei muito sobre isso, sobre esta dúvida e esta questão que eu tinha na minha cabeça. Mas como para mim não é só fazer uma meia maratona, não é só fazer mais uma, era a minha primeira, é este desafio e ser tudo isto para mim, que representa também todo o ano da mudança em mim e pequenos passos que eu tenho vindo a mudar e eu entrar no mundo desporto, entrar na corrida, significa tanto que eu queria fazer uma meia maratona em que eu não estivesse a falecer, em que eu me sentisse bem preparada, sentisse confortável. Então tomei a decisão de não ir à do Porto, apesar de estar inscrita, e tinha então um mês e meio de preparação para a de Cardiff. Se eu sinto que fui com a preparação toda que devia ter ido? Não. Quando cheguei de viagem, senti que demorei a voltar à rotina, demorei a voltar ao ritmo que eu estava pré-Bali. E a minha mãe diz-me muitas vezes isto: "Tu queres tudo, tu queres sempre tudo, queres fazer tudo e não dá." Eu quero ir à Bali com as minhas amigas e divertir-me e quero fazer uma meia maratona. E ela disse-me logo: "Eu acho que tu não vais fazer a meia maratona do Porto." Olhem, as mães têm sempre razão. Se estiveres a ver isto. Mas é verdade, porque eu quero sempre estar em todas, quero ir a todo lado, quero dizer que sim a tudo e depois não dá. E acabei por tomar esta decisão também para priorizar o meu corpo, saber que ia estar melhor preparada e pronto. Efetivamente, acho que estive muito melhor agora em Cardiff. Tomei 100% a decisão certa em não ir à do Porto, mas mesmo assim acho que podia ter ainda treinado mais para a de Cardiff. Consegui fazer um plano de pelo menos ir até aos 18 km e isto da corrida é 100% mental e tudo aquilo que dizem que é mental é 100%, porque a confiança com que eu fui para a prova, eu apesar de saber que devia ter metido mais quilómetros, devia ter treinado mais, eu como cheguei aos 18 km em treino, eu sabia que era capaz de fazer a meia maratona. Eu sabia que ia depender tudo da minha parte mental, porque fisicamente eu era capaz. Eu podia ter algumas dores, podia me custar um bocadinho mais para o final, mas eu sabia que era capaz, porque sabia que em treinos eu tinha chegado até aos 18 km e se cheguei até aos 18, eu consigo fazer mais três e consigo chegar ao final. Portanto, eu estava 100% confiante. Eu estava muito nervosa no dia antes da prova. Portanto, nós chegamos na sexta-feira à Cardiff e para contexto, eu fui com a Oacho, nós temos o Run Club da Oacho aqui no Porto, todas as quartas-feiras, e eu faço parte desta equipa. Basicamente, a Joana é treinadora, depois existem pacers e eu basicamente sou uma pacer deste run club. E convidaram-nos então, a mim e à Joana, para ir representar o Oacho Run Club do Porto nesta meia maratona. E éramos um grupo, imaginem, para aí 25 pessoas, em que tinha três, quatro, dois pacers de vários sítios, de Paris, de Maiorca, de Londres, de vários run clubs diferentes, a representar cada run club da Oacho e a equipa toda éramos para aí 25. Então nós fomos na sexta-feira, porque chegar a Cardiff é um 31, como eu estava aqui a explicar antes, é mesmo um filme. E ainda bem que fomos com antecedência para poder no sábado descansar. E depois no sábado foi então o dia pré-corrida, estivemos a explorar um bocadinho a zona do evento, da prova. Esta meia maratona é uma super half Para quem não sabe o que é uma Super Half, que eu também descobri há pouco tempo, isto está a ser tudo muito novo para mim também. Mas basicamente uma Super Half são seis meias maratonas que fazem parte deste projeto da Super Half, que são seis meias maratonas que depois, se as cumprires num espaço de cinco anos, recebes uma medalha da Super Half. Portanto é a de Lisboa, é de Cardiff, Valência, Berlim, Copenhaga e estou a me esquecer de uma. Pronto, mas são seis meias maratonas, que no espaço de cinco anos, se as fizeres, tens a medalha da Super Half, que são provas que são maiores, mais concorridas por causa deste cunho de Super Half. Normalmente até é mais difícil de conseguir entradas para estas provas, por exemplo, a de Lisboa, que é aquela da Ponte 25 de Abril, acho que até já entrou para ser em concurso e não te podes inscrever. Ou seja, tu inscreves-te para ires a sorteio, portanto é mais ou menos assim que funciona. É difícil conseguir vaga para estas meias. E o que é que acontece? É que depois acaba por ser muita confusão, muita gente, é todo um evento. As provas já são um evento, mas estas aqui ainda mais. E eu senti muito isso. Senti que Cardiff, provavelmente não deve ser assim, mas estava cheio de gente, como é lógico, estava ao barrote e era por causa deste evento. A cidade parou completamente por causa da meia maratona. E então no sábado nós fomos à zona do evento, estávamos nos a conhecer, a comer imenso, comemos imenso, "carb loading" máximo, e descansamos para então no dia a seguir... Aliás, porque nesse dia nós até íamos fazer uma corrida de recuperação no sábado antes da prova e não conseguimos fazer porque estava mesmo mau tempo. Estava uma tempestade lá e eu estava assim, cheia de medo, porque achei que no domingo também íamos apanhar. Se nós tivéssemos apanhado aquele tempo, tinha sido horroroso, porque eram ventos fortíssimos, chuva, horrível mesmo, uma tempestade enorme. E no domingo estava um tempo maravilhoso, portanto em termos de condições estava perfeito e foi mesmo giro poder fazer uma prova num sítio novo. E acho que isso também ajudou muito a não custar tanto mentalmente estar num sítio novo, porque, por exemplo, eu acho que na meia maratona do Porto, se eu a tivesse feito, apesar de ser casa e de ter gente a apoiar, acaba por ser sempre o mesmo percurso onde eu treino. Então, ok, já conheço este percurso, mas isto não é assim tão positivo, porque já sei mais ou menos quantos quilómetros até certo sítio, isso não ajuda. Então ali em Cardiff, estava a correr, era sempre sítios novos e meio que nós até estávamos a brincar, a dizer que íamos conhecer a cidade a correr e foi isso que fizemos, porque como esteve mau tempo até então, nós só conseguimos mesmo explorar a cidade de Cardiff a correr. E 21 km foi mais que suficiente para conhecer a cidade toda. Mas foi muito giro. A prova em si, nós acordamos super cedo, fizemos um pequeno-almoço, depois ainda fomos para uma zona do castelo super giro, estava um tempo incrível e como éramos imensos, estávamos ali todos em grupo e meio que ajudou a descontrair um bocadinho antes da prova, porque eu estava uma pilha de nervos. Eu sabia que ia conseguir, mas era um momento alto para mim, um grande desafio. Então estava mesmo uma pilha de nervos, queria que tudo corresse bem e sabia que tinha preparado e que tinha estado meses a treinar para isso. Então é aquele culminar de tudo, que é tipo aquela é a hora H. Meio que me fez sentir, é a mesma sensação, mais ou menos, mas uma sensação semelhante a quando eu andava na ginástica e treinava imenso para depois uma prova importante. E até fiz este paralelismo na altura, pensei muito sobre isto quando eu viajava muitas vezes na ginástica, ia a imensas competições fora e meio que fez-me lembrar um bocadinho dessa altura, de quando eu ia para fora e estávamos todos juntos, todos atletas juntos, antes da prova. Senti-me um bocadinho dessa energia e foi muito giro lembrar-me disso. E agora em adulto, parece que é diferente, porque na altura da ginástica, eu entrei para a ginástica quando eu tinha dois anos, e nunca senti que fosse uma decisão minha. Eu vivia para aquilo, adorava aquilo, mas era uma pressão gigantesca e eu senti que não é bem a mesma sensação de hoje em dia eu ser adulta e estar a fazer isto por mim, como superação pessoal e não tanto para competir. Estão a perceber? Acho que a sensação foi gira em termos de equipa, mas em termos pessoais não é muito semelhante, porque tira um bocadinho essa pressão de que estou a representar uma equipa, tenho outros a depender de mim, tenho que ter certos resultados. Isto era só, eu não fui com o objetivo de eu quero acabar com este tempo. Eu quero acabar bem, quero me sentir confiante, quero me sentir confortável e quero fazer uma boa prova e sentir no final que deve cumprido. E foi muito este "mindset" que eu fui, mas apesar disso, estava completamente uma pilha. Mas o que é que eu senti da prova em si? Imaginem, eu já fiz várias provas em Portugal e nunca senti este tipo de apoio desta prova. Foram literal os 21 km com pessoas a apoiar. Mas os 21 km, estão a perceber? Vinte e um quilómetros. Normalmente em Portugal aquilo que eu vejo mais é tipo, tens pessoas a apoiar na partida e na meta. Podes ter ali um ponto a meio, mas normalmente é só isto. Ali tinha os 21 km. E dão para perceber que para eles aquilo é tão uma cena, que era tipo famílias a fazer piqueniques, era toda a gente com cartazes, mesmo para estranhos. Era um festival. Eu acho que as pessoas lá lidam com, não sei se é só em Cardiff ou noutras provas lá fora é assim, mas aquilo parecia mesmo um festival. Era imensa gente com Tupperware com gomas, para dar às pessoas que iam passando e ofereciam mesmo, aos berros, e a apoiar. Muitas vezes até viam o nome nos dorsais e gritavam por nomes de estranhos que nem sequer conheciam. Achei giríssimo. Eu estava de fones com a minha música, mas eu até fiz questão nesta prova não estar com o "noise cancelling", porque eu queria mesmo também estar a meio que ouvir a minha música, mas ouvir também as pessoas à volta. Eu acho que ainda não me sinto preparada para correr 21 km, para correr duas horas sem música, porque me ajuda imenso, mas gostei mesmo muito da experiência da prova, porque acho que foi mesmo diferente. Acho que a nível de energia Não dá para explicar. E eu fiquei muito contente por esta ter sido a minha primeira e por ter sido uma experiência tão positiva. E quando eu falo de toda esta mudança ao longo deste último ano, muitas vezes falamos de mudança de mindset, mudança de começar a ser mais ativa, mudança de hábitos. E a mudança de estilo também não aconteceu. É que eu sinto que aconteceu bué em mim. Eu, o ano passado, lembro perfeitamente, a partir de setembro foi tipo: "Vou mudar o meu armário todo." Acabei por trocar toda a roupa que tinha, doar imensa coisa e pensei: "Eu agora vou ser uma nova pessoa, portanto, vou ter novas rotinas, vou ter novos hábitos e eu vou me vestir de forma diferente também." E acabei por fazer isto. E fazendo a ponte também para o patrocinador do episódio de hoje, que é a About You, que vos falei no episódio passado, é uma plataforma, um site de multimarcas, que na altura me ajudou imenso a fazer esta reformulação no meu armário, porque eu queria mudar em termos de estilo, queria um armário mais minimalista e então fui à About You e acabei por encontrar um bocadinho de tudo, porque como aquilo tem mais de 1500 marcas, acabou por me ajudar a eu poder ter, obviamente, uma variedade de peças muito maior. Portanto, full circle total, agora serem os patrocinadores aqui deste episódio e deste podcast. E tenho também um código de desconto para vocês, se quiserem usar, que é AMIGA20, tudo em caps lock, que eu vou deixar na descrição as condições de utilização deste cupom, mas basicamente dá 20% de desconto no site da About You e fica aqui como recomendação, se também estiverem nesta fase ou se só quiserem encontrar coisas diferentes, acaba por facilitar muito. E eu sou aquela pessoa que prefiro fazer compras online de roupa, acaba por facilitar muito do que estar a ir a shopping, experimentar em provadores. Não sou muito fã de fazer isso, portanto acaba por facilitar, porque podemos mandar vir para casa, temos 30 dias para devolver, para experimentar com calma e acaba por ser um plus gigante no site da About You. Portanto, fica aqui a minha recomendação, AMIGA20, tudo em caps lock para o código de desconto e espero que ajude a vocês fazerem também uma reformulação no vosso armário, se estiverem nessa fase. Mas sobre a prova em si, sobre aquilo que me custou, eu acho que cometi logo o erro no início de, eu fui mais ou menos com a ideia do tempo que eu queria fazer, ou seja, do pace que eu queria estar, que era mais ou menos à volta dos seis. Começar um bocadinho abaixo e depois acabar um bocadinho acima para ir para as 2h10, 2h15, mais ou menos, entre esse tempo. Porque eu sei mais ou menos o meu pace confortável, sabia mais ou menos o pace que eu tinha feito nas minhas longas, então eu fui com esse objetivo. Mas eu acho que escolhi mal a minha linha de partida, porque eu comecei a minha prova na linha de partida de 2h15, que é um pace de 6:20, 6:25, que é um pace mais lento do que aquele que eu queria fazer em prova. Só que o anterior a esse era fazer em duas horas, que era um pace abaixo de seis. Exato, abaixo de seis o tempo todo, que também não era esse. Portanto, eu comecei e como é tanta gente, e acho que é por ser Super Half, o que eu senti e o único downside desta prova, 100%, foi que eu senti que estava demasiada gente e que eu tive de estar a furar o tempo todo. É normal em provas, no início, isto acontece sempre, ter de se furar. Agora, eu senti que eu tive de estar a furar os 21 km, tipo prova de obstáculos. E isto também é erro meu por ter começado no tempo errado, mas acho que estava um bocadinho tudo meio misturado. Estava muita gente que não devia estar também na linha de partida certa, acho que estava mal organizado em termos de paces. Então senti um bocadinho isso, porque as ruas em Cardiff são superestreitas, muita, muita gente, muita gente a apoiar de lado, que também era difícil contornar e senti-me mesmo em prova de obstáculos o tempo todo e isso foi a única cena que não foi assim tão fixe. Mas em termos daquilo que me custou, eu senti-me super bem e mesmo no vídeo que eu partilhei no Instagram também mostrei, senti-me super bem até o meu quilômetro 15, 16 e a partir daí, eu não sei, foi tipo um switch, eu acho que foi mental. A partir daí quebrei completamente e era as pernas a sentirem-se mesmo pesadas e cansadas e ao mesmo tempo era o meu cérebro a dizer: "Como é que é possível ainda faltarem 5 km? Como é que é possível ainda faltar meia hora?" E depois aqui é tipo jogo mental máximo. E aí é que se vê que todo este treino para a meia maratona é um treino da cabeça, é um treino mental, que é focar em: "Mariana, tu já correste duas horas". Para quem já correu, não, já correste 1h45 no fundo, para os 16. Já correste 1h45. Para quem já correu isto, para quem já correu 16 km, já só faltam cinco. Isto é pensar sempre copo meio cheio. Tu já conseguiste isto, então tu vais conseguir o resto. Tu já conseguiste isto. E é mesmo uma cena, uma batalha mental, que quando se chega ao final, parece que já nem me lembro que isto aconteceu, mas durante aquela meia hora foi duro, foi muito duro mentalmente. Foi duro também fisicamente, porque já estava com dor de pernas, dor de pés, já estava a sentir a fadiga e por isso é que eu digo que podia estar melhor preparada, porque eu sabia que se tivesse mesmo 100% preparada, isto não tinha acontecido. Mas a cena mais dura de todas é mesmo lidar com a cabeça, de querer parar e não te deixar parar, é sempre pensar: "Não, vou mais um bocadinho". E eu também estava constantemente a fazer este jogo mental comigo. "Não, Mariana, não vais parar agora, vais pelo menos correr mais meio quilômetro, mais meio quilômetro." E depois, quando chegava a esse meio quilômetro, "agora mais meio quilômetro". E sempre assim para nunca parar, para sempre ter mini milestones. É tipo: "OK, agora corres mais um quilômetro, depois vais tomar um gel e vais te sentir melhor." É sempre um jogo mental, um loop, que na altura parece que nunca mais acaba. Parece um jogo comigo mesma de tipo: "Não vais desistir agora." E uma coisa que eu também me lembrava sempre era: "Olha só os treinos que já fizeste, olha só a evolução que já tiveste." E tudo isto, imagina, é uma velocidade louca de pensamentos a entrar na minha cabeça, de self-talk, de "não vais desistir". Uma coisa que eu também pensava muito: "Pensa na sensação de quando chegares à meta, pensa na sensação de quando acabares e não tiveres andado em nenhum momento e E conseguires atingir o teu objetivo de tempo e tudo mais. Pensa nessa sensação, pensa em tudo aquilo que já passaste. Mas é duro. Quando eu cheguei à meta foi uma sensação surreal, porque eu já tinha feito os 18, mas faz muita diferença mais três, primeiro, faz muita diferença. E é uma sensação de um misto de emoções, de eu conseguir atingir um objetivo que eu já criei há imenso tempo, e agora qual é que é o próximo objetivo? Isto surgiu-me nessa altura. Surgiu-me quando eu estava, por exemplo, nos meus 19 km, surgiu-me o pensamento de: "Será que eu era capaz de fazer uma maratona?" E como é que eu ainda estou num desafio, ainda não cumpri, ainda não passei a meta sequer da minha meia maratona e na minha cabeça já está a entrar: "E qual é que é o próximo? Será que eu consigo fazer uma maratona?" E pensei muito sobre isto durante a prova, acho que maratona não vou querer entrar nisso, acho que é um tipo de treino e de esforço, que para mim não faz sentido, pelo menos nesta fase da minha vida, mas achei mesmo engraçado, não é assim tão engraçado, mas achei curioso que o meu cérebro tenha entrado logo para na cabeça eu já estar a pensar em próximos, quando eu nem sequer tinha passado a meta da minha meia maratona. No Instagram eu pedi para me deixarem algumas perguntas e fizeram muito esta, se eu algum momento pensei em desistir. E nunca, em momento algum na prova, eu pensei em desistir. Pensei em desistir várias vezes durante o treino. Faz sentido. Ou seja, eu inscrevi-me, comecei a fazer os treinos e no início estava me a custar imenso e cada vez que se aumenta quilómetros vai sempre custando mais. E durante a preparação eu sentia que sempre tive momentos em que é tipo: "Eu não vou ser capaz de fazer uma meia maratona. Está me a custar a fazer 8 km, não vou ser capaz de fazer uma meia maratona." Então durante a preparação, eu sinto que tive alguns desses momentos em que eu pus em causa sequer porque raio é que eu estou a fazer isto, qual é que é a lógica, e não vais ser capaz de correr 21 km quando te está a custar a fazer oito. Mas durante a prova, não. E isto é que também, mais uma vez, prova o quanto a corrida é mental. Como eu já tinha feito os 18 em treino, eu sabia que era capaz de fazer 21. A corrida dá-nos a confiança para correr e para outras áreas da nossa vida. E eu ter encontrado esta ferramenta, por isso é que eu gosto tanto de corrida, sinto que me deu muita confiança em mim. Imaginem, neste momento digo-vos que eu era incapaz de correr 42 km, por isso é que eu digo que acho que a maratona não faz sentido, porque eu em mim, eu não acredito que sou capaz. Eu lembro-me perfeitamente que foi há um ano atrás, literal, que eu estava a fazer a minha primeira prova de 8 km. E eu não fiz 8 km antes de ir para esta prova. Acho que cheguei até aos sete ou seis e tal, sete, e depois fui para a prova dos oito. E eu lembro-me perfeitamente que nessa prova, era a corrida de Vasco da Gama, que começa a meio da ponte em Lisboa, e lembro-me dessa prova de ser também uma meia maratona. E eu estava a olhar para as pessoas, que depois havia ali um momento em que a meia maratona continuava pela esquerda e os 8 km pela direita, uma coisa assim. E os 8 km para mim foi doloroso. Eu parei três vezes a meio, foi mesmo doloroso. E eu olhava para as pessoas a fazer a meia maratona e eu pensei mesmo: "Eu nunca na minha vida vou ser capaz de fazer isto. Se oito me está a custar tanto, até tive de parar, eu sou, em mim, sou incapaz de fazer uma meia maratona, de correr 21." E olhava para as pessoas a fazer 21 e pensava: "Fogo, que máquinas, surreal, eu incapaz eu fazer isto." E depois, à medida que os dias iam passando de treinos, eu ia ganhando cada vez mais confiança em mim, até que depois, ok, fiz 18 km, eu sinto-me capaz, eu sei que sou capaz de fazer isto. E a corrida dá-nos isto, dia após dia, é uma sensação de quanto mais treinos fizeres e mais puseres esforço na corrida e mais não falhares a treinos e continuares e fores consistente, os resultados aparecem. É que não há fórmula errada. É isto, treinar resulta em tu seres melhor na corrida. E é tão simples quanto isto. Eu acho que é daqueles desportos em que, imaginem, para jogar qualquer coisa, o tipo de esporte qualquer, tu precisas de ter talento. Na corrida, tu podes nascer com mais talento para seres mais rápido ou para aguentares mais tempo, mas qualquer pessoa pondo o esforço e as horas de treino, naturalmente vai ver evolução, mesmo que essa evolução, comparado com outro, seja mais lento, mas vais ver evolução para ti. Começas a correr a oito, se fores consistente nos treinos e tudo mais, tu vais conseguir ver evolução para sete, a nível de velocidade. Vais conseguir ver evolução para seis e meio. Podes não chegar a atleta olímpico e correr a quatro, também não é um objetivo de toda a gente, mas tu vais conseguir ver evolução se tu fores consistente nos treinos. E é isto que eu gosto na corrida, é que eu sinto que é um espelho do esforço que tu estás a pôr em treinos. Portanto, eu parei porque estive doente, porque viagem, não sei quê, isso é automaticamente refletido na minha performance na corrida. Mas se eu puser esforço e me dedicar, eu sei que vou voltar lá e vou conseguir fazer aquilo. Portanto, é muito o compromisso conosco que espelha também muito os resultados que conseguimos ter na corrida. E eu nessa altura vi essa prova e pensei, nunca na minha vida eu faria 21 km, mas à medida que os treinos iam acontecendo, depois de eu me ter inscrito, e à medida que eu ia vendo que ia conseguindo, ok, hoje já consegui fazer nove, consegui fazer 10. E a confiança vai crescendo, por muito que custe, a confiança vai crescendo e vamos evoluindo também em termos de pace, sentindo cada vez mais Que aguentas mais, que já não te custa tanto a respirar, que já és capaz de correr e conversar. São pequenas coisas que vais notando e que vais sentindo cada vez mais confiante. E foi a partir daí que eu depois, eu já não me lembro quando é que eu tive a ideia de fazer a meia maratona, mas foi por eu sentir esta evolução e sentir-me capaz e cada vez mais capaz, que acho que foi até depois de eu ter feito os meus 10 km no ano passado, na Corrida dos Descobrimentos, em dezembro, que eu senti: "Eu acho que para o ano vou querer fazer uma meia maratona". Porque para mim os 10 km eram tão surreais uns meses antes, quando eu tinha começado a correr, que a primeira corrida que eu fiz foram 2 km, como era tão distante, quando eu fiz os 10, foi tipo: "Bem, eu corri dois e estou a correr 10. Se calhar, daqui a uns tempos, se eu continuar, sou capaz de correr 21." E esta confiança foi crescendo e eu inscrevi-me na meia maratona em Sydney, que em 2025 ia ser um objetivo. E a partir daí foi planear qual é que era a prova para mim, qual é que era a nível de treinos, como é que eu podia fazer essa gestão, e comprometer-me. Comprometer-me aos treinos, comprometer-me a correr três vezes por semana. E acho que é um vício e muitas vezes eu dizia: "Ah, eu nunca vou correr uma meia maratona" e as pessoas que já corriam diziam: "Dizes isso agora". E agora também eu digo que nunca vou correr uma maratona e as pessoas da corrida também dizem: "Dizes isso agora". Mas nesta fase, eu gostei muito da distância da meia. Acho que em termos de treino é fazível. Uma maratona não é tanto assim, é um compromisso muito maior em termos de treino. Mas uma coisa que esta prova me fez pensar e que também queria explorar um bocadinho aqui, e que foi também a semente que eu trouxe para este episódio, eu disse isto num grupo de amigas no dia antes, no sábado: "Amanhã vai ser o dia mais feliz do meu ano." E uma amiga minha disse assim: "Estás a criar demasiadas expectativas, vê lá." E acho que não foi o dia mais feliz do meu ano. E isto deixou-me surpreendida. Imaginem, o ano passado, no dia em que eu corri os meus 10 km, na Corrida dos Descobrimentos, foi, sem dúvida alguma, o dia mais feliz do meu ano. Eu sinto que o meu ano passado foi muitos altos e baixos emocionais. Tive muitas mudanças na minha vida e comecei o ano mesmo em baixo, com muitos picos baixos e também tive muitos picos altos e muitos deles foram graças à corrida. E o maior deles todos foi quando eu consegui fazer os 10 km, foi uma superação máxima. Eu senti que estou mesmo a mudar, estou mesmo a conseguir fazer uma mudança na minha vida. E acho que mais do que a meia maratona, foi numa altura em que eu precisava dessa confiança. E eu sinto que a meia maratona é um desafio gigantesco, obviamente muito maior do que 10 km, mas eu já estou numa fase, e se calhar é por isso que não foi um pico assim tão grande. Eu já estou numa fase em que eu sinto que já não tenho tantos picos tão altos e tão baixos como tinha no ano passado. Isto até pode ser bom. Eu acho que é bom. Eu acho que é uma boa fase, que é uma fase mais calma, ou seja, eu sinto que não tenho tantos picos baixos, não bato tanto no fundo, há muito tempo, mas também não tenho tantos altos, ou seja, está tudo mais equilibrado. E isto é positivo. Acho que todo o trabalho que eu tenho vindo a fazer também é meio que para me equilibrar. Para encontrar um equilíbrio na minha vida, para eu me sentir estável, feliz no meu dia a dia. Ou seja, eu gostei muito de toda a preparação até à meia. E o momento em si não foi um pico de êxtase, de "Oh, meu Deus, eu fui capaz de fazer isto?" como eu esperava que fosse. A meia em si, o que custou e o que foi difícil, e a verdadeira superação, foram os treinos, não foi a corrida, porque eu na corrida já estava confiante que ia conseguir acabar. Já não era essa a questão. Enquanto que se calhar nos 10 km e na prova dos 8 km, no ano anterior, eu estava com tão pouca autoestima, tão pouca confiança em mim, que eu precisava disso. Eu precisava desse: " És capaz, foste capaz de correr 10 km, foste capaz de correr uma hora." E acho que, se calhar, já estou num ponto em que já tenho mais confiança em mim, porque também já fiz todo o trabalho e faço o trabalho diariamente. Percebem? Não sei se está a fazer sentido ou não, mas é a única explicação que eu tenho para sentir que não foi aquele êxtase que eu estava à espera que fosse. E isto também tem muito a ver com o nós, e acho que em tudo na vida, aquelas discussões que eu acabo por ter aqui no podcast, de estarmos constantemente a celebrar, querer alcançar mais e fair, e faz sentido termos objetivos e querermos melhorar e querermos alcançar novas coisas, mas o estar a pôr a felicidade e todo o pico, o êxtase, em conquistas, em momentos-chave, acaba por não ser muito produtivo. E acho que faz sentido eu ter sentido isto de, eu no meu dia a dia, eu já estou a ter uma vida que eu gosto, estou a ter uma rotina que eu gosto, sinto-me mesmo saudável todos os dias, sinto-me capaz todos os dias, então é normal que o meu pico já não seja tão elevado assim. E se calhar é um bocadinho por aqui que passa o caminho de não estarmos constantemente a só deixar a felicidade para quando eu comprar aquela casa, para quando eu tiver aquele trabalho, para quando eu tiver a relação, para quando eu casar, para quando eu tiver filhos. Passa também por um bocadinho desta conversa da treta que acaba por se ouvir na internet, mas que é verdade, de não estarmos constantemente a pôr a felicidade e estes picos e esta euforia só em coisas futuras. É bom nós termos objetivos para no dia a dia trabalharmos para isso e querermos melhorar e alcançar melhores versões nossas todos os dias, mas não de eu só vou ser feliz quando eu conseguir alcançar aquela etapa. E eu lembro-me desta conversa que eu tive no podcast com o Manuel Piva Brandão Ele foi dos meus primeiros episódios quando eu lancei o "Amiga, Faz Parte" e na altura eu gravei pré eu fazer a minha prova dos 8 km. Ele tinha acabado de fazer uma maratona ou já não me lembro, uma meia maratona, qualquer coisa assim. E ele estava a falar da depressão pós desafio, pós corrida, que na altura ele estava a sentir ou tinha sentido ou whatever e sente quando faz Ironmans e cenas assim. E eu sinto que também estou a passar um bocadinho por isso, porque é aquela coisa de todos os dias estou a trabalhar para um objetivo e sinto que agora cheguei e é na minha realidade, por isso é que a minha semente é voltar a aproveitar e voltar a gostar de só correr por prazer, porque eu pelo menos sinto que tenho um bocadinho esta dificuldade de não ter um próximo, de não ter um desafio já alinhado para agora continuar. Parece que é preciso termos sempre um goal para no dia a dia fazer sentido estar a trabalhar. E eu não quero que isto seja assim, porque o desporto faz-me bem no meu dia a dia, faz-me sentir muito bem, mas estou numa fase em que eu sinto que os desafios ajudam a que isto não aconteça, a que eu não tenha tanto esta depressão pós desafio. E em termos de próximas coisas que eu queira, que não vai ser a maratona, como eu já disse aqui, mas eu estou inscrita para um HYROX. Já disse aqui algumas vezes, mas foi assim um bocadinho à louca. Inscrevi-me para dezembro, que vou fazer o HYROX em Verona. Vou fazer dupla feminina, que já arranjei parceira e não sei se estou entusiasmada ou não, porque acho que ainda não percebi bem o quão duro aquilo vai ser. Eu já estou a treinar, estou numa box crossfit e estou a treinar para a prova, mas acho que ainda não estou bem consciente do quão duro aquilo é. Mas lá está, é um desafio giro e acho que me vai fazer bem também ter estímulos diferentes e juntar a musculação com a corrida. E acho que em termos de próximos desafios, eu acho que encontrei na corrida mesmo o desporto que eu gosto e por muito que eu agora vá fazer crossfit e HYROX da vida, acho que a corrida, pelo menos para já, é a minha cena. E tenho objetivos com a corrida de gostar de fazer os Super Half, portanto nos próximos cinco anos cumprir as seis meias maratonas da Super Half. Gostava de fazer uma meia maratona abaixo de duas horas, portanto eu fiz duas horas e 10, e gostava de melhorar um bocadinho os meus tempos. Lembro-me também quando eu fiz os meus 10 km, foi 1h15min os do Descobrimento. Depois voltei a fazer uma prova de 10 este ano, que me correu supermal e que fiz 1h e pouco. Ainda não fiz em prova 10 km abaixo de 1h. Também quero fazer isso em prova. Agora na meia maratona fiz 57 minutos, mas fazer uma prova de 10 km e fazer abaixo de 1h, quero fazer isso. Portanto, fazer a meia também abaixo de duas horas. Quero continuar a melhorar, no fundo, mas quero levar a corrida também de forma leve, de não estar constantemente a focar só no próximo objetivo, mas também gostar e aproveitar a corrida no dia a dia. E gostava também de levar pessoas à minha volta, amigas, convencer pessoas a vir fazer provas e a começar a correr e a vir fazer meias comigo. Gostava muito, porque eu gostei muito da experiência, mas eu corri, e não desisto ainda, eu corri o tempo todo sozinha, porque como os dois pacers, grupo de pacers da Oesch, era duas horas e duas horas e 15, e eu queria fazer ali no meio, eu corri o tempo todo sozinha. Ainda há pouco estava em chamada com um amigo meu, ele gostava de fazer uma meia maratona e disse que queria fazer comigo. E eu gostava muito de fazer uma meia ou provas com amigos. Inclusive, imagina, vou ter a São Silvestre no final do ano. Nós já somos perto de 20 inscritos, família e amigos, e acho que vai ser supergiro e fico mesmo contente por ver pessoas à minha volta que também querem começar a correr e acho que vai ser ainda mais giro se eu levar estas pessoas para também terem estes momentos de superação e fazer parte deles em conjunto, é um objetivo também meu, desportivo para o próximo ano. Mas no fundo é isto. Acho que esta prova me fez muito pensar na forma como eu vejo a corrida. E eu sei que às vezes eu sinto que pode ser um bocadinho chato para quem não corre, ouvir-me falar de corrida e ouvir outras pessoas falar de corrida. Principalmente, se calhar, para quem me segue e não me segue por isso, e de repente eu comecei a correr e parece que não me calo sobre isso. E quando eu digo isto não é mesmo a exagerar. A corrida mudou a minha vida e muda a minha vida todos os dias, porque não é sobre perda de peso, de todo. Ainda agora estava a ver um TikTok, que é bué verdade. Há imensa malta que se mete a correr para perder peso. A corrida é das piores coisas que vocês podem fazer para perder peso, porque a corrida dá muita fome. Por isso é que é mesmo difícil, pelo menos a corrida de longa distância. Ok, correr uns 5 km aqui, cinco ali, ajuda na perda de peso, mas correr distância acelera muito o metabolismo e dá muita fome. Portanto, não é a melhor estratégia pensarem correr meias maratonas para emagrecer, porque isso não vai correr bem. Mas não é de todo por aí, não é mudança corporal, não é de todo isso, é mesmo cabeça. Eu sinto que eu estive na ginástica, vivi ginástica desde os meus 2 anos até aos meus 18 anos, 19, 20. Vivia para a ginástica, aquilo era a minha vida, era constantemente a pensar naquilo, a viver aquilo, passar a minha vida pós-escola a treinar e aquilo ser o meu objetivo de vida. Até que depois eu saio da ginástica e fiquei anos, parece que um bocadinho desligada de mim, do meu corpo, de parte desportiva, parte de me mexer, completamente turned off. Não fazia nada, sedentária máxima, começo a engordar, começo a deixar de gostar de mim, a sentir-me cada vez Com menos confiança a todos os níveis. E parece que sempre associei, e depois passava a associar a parte desportiva, sempre a: "Eu tenho que me mexer para perder peso, ou tenho que me mexer para ter um certo tipo de corpo." E a partir do momento em que esse botão desligou, que foi o ano passado, foi tipo: "Eu vou me mexer, porque eu não estou bem da cabeça e tenho que fazer alguma coisa por mim." E foi na corrida que eu descobri isso. A partir desse momento, foi tipo: "Vais fazer isto porque não estás bem, pela tua saúde, porque também estás mal de saúde, literal, as análises mostram isso. Estás mal de saúde, estás a bater mal da cabeça, precisas fazer alguma coisa por ti." E foi a partir desse momento que fez esse clique, que deixou o foco ser: "Eu quero perder peso, eu quero ter um certo corpo, eu só vou ser feliz quando eu for magra", para: "Estou a fazer este desafio por mim e quero me sentir capaz." E a corrida deu-me isso, deu-me e dá-me todos os dias confiança. Eu este fim de semana estar rodeada de atletas, literal, porque a maior parte das pessoas que estavam ali são atletas, que fazem meias maratonas em 1h20, está tudo bem. E estar ali no meio dessas pessoas, meio que a sentir que faço parte disto também. Eu não corria há um ano e eu sou capaz. Se eu fui capaz disto, eu sou capaz de muito mais. E sou capaz não só na corrida, eu sou capaz em todas as outras áreas da minha vida. Ponham-me um desafio à frente que eu sou capaz, porque eu corri duas horas sem parar. É este tipo de confiança que a corrida dá e que eu não consegui descobrir noutro desporto. E eu falo tanto da corrida e bato tanto nesta tecla, porque para mim foi o que resultou. Mas eu acho, e acredito mesmo, que todos nós temos um tipo de desporto, um tipo de exercício, alguma coisa que nos faça sentir isto. É preciso também estarmos dispostos a experimentar. Eu experimentei, eu na altura experimentei muitos exercícios. Eu andava no boxe, eu andava no ténis, andava em 30 mil desportos para experimentar, e foi na corrida que eu descobri esta ferramenta que me ajuda no meu dia a dia. Mas existem outras formas de descarregar energia, de nos mexermos, ir a aulas de dança, sei lá, descobrir coisas que nos façam mexer e sentirmo-nos bem, sentirmo-nos mais confiantes no dia a dia. E para mim a corrida é isto, por isso é que eu não me quero calar sobre a corrida. Não me quero e não vou calar, porque acho que é uma coisa que para mim fez-me tanta diferença, que eu também quero passar esta energia e esta solução mágica para as pessoas que também sentem a mesma coisa que eu, que também sentem que precisam de alguma coisa para sair dali, para sair daquele loop negativo em que vivem constantemente. E eu tento fazer isso também muito com as pessoas à minha volta, mas também quero, obviamente, usar as minhas redes sociais para isso e por isso é que eu também sinto que fazia sentido eu fazer um episódio só a falar sobre a corrida, só a falar do impacto que esta experiência tem em mim, porque para mim não é sobre a meia maratona, não é sobre o dia de ontem, é sobre o meu último ano e sobre o que a corrida me deu e que me continua a dar, e que hoje é a corrida, mas eu espero que se não for amanhã a corrida e seja outra coisa qualquer, que continue sempre a mexer-me e a encontrar formas de me superar e encontrar a confiança que eu hoje em dia sinto que ainda não está 100%, mas que está muito melhor do que a que estava há um ano e não tem nada a ver. Estou aqui há 45 minutos a falar sobre corrida. Espero que não tenha sido muito chato para quem não corre ou nem sequer tem interesse nisto, mas espero que dê para fazer também o paralelismo para outras coisas, para outras áreas da vida, que acho que acima de tudo não é sobre corrida. Já disse isto várias vezes, mas não é só sobre corrida. É sobre superação e nos sentirmos capazes. E é isso. Por hoje é isto. Estou derrotadíssima, tenho de descansar, ter um dia de descanso 100%, mas estou mesmo muito feliz. Apesar de estar com depressão pós-prova, estou muito feliz. E agora isto é só o início. Espero que sim. Espero que seja mesmo só o início. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?