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Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramos domingo à hora do costume?
Não corri quase nada esta semana.
Ok, mas há quem diga que também é fixe tu...
É fixe afastar um cadinho, mas por outro lado, eu tenho próximos desafios e não posso parar. Estou a me sentir um bocado mal por causa disso. Mas e agora, esta semana que vai ser tempestade, não sei o quê, não me dá vontade nenhuma. Por acaso estava agora a falar com o Vasco e a Cavia, que eles começaram a fazer umas caminhadas e foram à chuva.
Caminhar à chuva.
Que força de vontade. Eu vou ter de começar a assumir também, está a chover, vou correr na mesma.
Há quem diga que correr na chuva se torna mais-
Eu gosto. Mas para sair de casa? Já custa sair de casa, quanto mais quando está a chover. Mas então, já não gravamos há imenso tempo juntas!
Pois, não.
Bem-vinda de volta.
Obrigada.
Tive saudades das nossas conversas.
Também eu.
As nossas segundas-feiras a começar bem.
A segunda-feira de terapia.
Ya. Olha, conta lá então quais é que foram a tua rosa, espinho e semente. Dos últimos tempos, portanto, não é da semana, mas-
Sim, dos últimos tempos
Do último mês.
Sim. Para mim foi muito fácil escolher a rosa, porque eu fui tia pela primeira vez, então esse lado pessoal foi muito especial. E porque profissionalmente também lancei o meu bootcamp de criação de conteúdo e também foi uma conquista grande e um desafio grande pelo qual eu já estava a trabalhar há muito tempo, por isso foi a rosa. E é fixe ter uma parte pessoal e uma parte profissional.
É, tão importantes e tão grandes.
É. Parece que olhou, aconteceu tudo este mês. Depois, o espinho continua a ser, e acho que vai ser a minha luta deste ano, a parte de equilíbrio, planeamento. Acho que me falta muito conseguir planear ainda melhor tudo, seja profissional, seja pessoal, para eu conseguir estar plena. E a semente vai um cadinho de encontro a isso também, mas eu também queria trazer para aqui uma coisa que é: sinto que parte social estou a conseguir equilibrar, parte familiar também, mas a semana que passou comecei outra vez a treinar com mais regularidade e percebi o impacto positivo que isso tem em mim. Quer dizer, não percebi, eu já sei.
Já sabias.
Mas eu fiz questão de, nos dois dias que eu estive a dar bootcamp, foram dias mesmo intensos, eu fiz questão de ir treinar no final do primeiro dia. Isso deu-me uma diferença gigante e fui correr também no dia anterior ao bootcamp começar. E eu andava em loop mesmo ansiosa. E sabes quando tu sabes aquilo que tu precisas, mas andas a adiar aquilo que tu precisas de fazer? Pronto, eu andava a fazer isso com os treinos. E foi tão bom eu ter conseguido incluir numa semana tão difícil, então é a minha semente.
E ainda te sentes mais capaz por estares a conseguir incluir numa semana que é tão caótica, não é?
Nessa semana é que eu tinha desculpa para não ir, e fui, porque sabia o quão eu precisava disso. Então eu tipo: "Fogo, tenho que ir sempre."
É isso, e agora se foste capaz essa semana, não há desculpa para não ir. Literal. E qual é a tua semente?
É esta.
De conseguir-
Conseguir manter isto e continuar a ir treinar.
Dizes ir treinar, queres continuar ginásio e corrida, é isso?
Sim. A corrida dá-me uma coisa que, apesar de eu não correr muito e não ter um objetivo de longas distâncias, nem de velocidade nem nada, dá-me uma leveza. Primeiro, é superdifícil para mim, então quando eu acabo fico muito orgulhosa. E depois, já consigo estar em momentos da corrida, já consigo estar naquele estado em que o meu cérebro já não está lá. E isso é fixe.
Eu também sinto isso com a corrida, sinto que é o momento em que eu ponho o telemóvel no modo voo e estou na minha cena. Posso estar só a pensar em estar a correr ou nas músicas que estou a ouvir, mas não estou a pensar em mais nada. E eu gosto disso. Parece que entras num mundo paralelo.
Isso é muito fixe.
Depois quando voltas a sair, "ah, estou outra vez na realidade". Mas também gosto muito disso.
Olha, e as boas?
Estava a dizer-te que eu estive a ter uma dificuldade em escrever esta semana sobre a rosa, espinho e semente da semana, porque eu acho que estou numa altura um bocado plena. Não sei, está tudo bem. Então não há muitos picos, não te sei explicar.
Mas esse é o exercício de ver as pequenas coisas.
Certo. Portanto, a nível de rosa, eu fui mais para o lado profissional, que, por exemplo, a semana passada fui a Lisboa e sinto que as coisas estão todas a acontecer como deviam estar a acontecer, no caminho em que deviam estar a acontecer, apesar de eu não as ter planeado. Ou seja, sinto que ao longo deste último ano fui mudando muita coisa na minha vida e o caminho que estou agora a seguir, profissionalmente, está todo a fazer sentido. E estou a começar projetos novos, que estão superalinhados com esta nova fase minha, mas sem eu estar a planear sobre isso, percebes?
Sim.
Então, acho que está tudo muito equilibrado e acho que em termos de projetos estão superalinhados. E estou mais motivada, porque eu tive ali uma fase em que não estava muito motivada em termos de conteúdo, não queria tanto. Estava mais a duvidar se era isto que eu queria, e acho que estou mais motivada neste momento. Por outro lado, o meu espinho, quando eu fui a Lisboa esta semana, como quando eu vou é tipo, estou a entrar outra vez no mundo, na bolha de work. Tenho de dizer que sim a tudo, porque estou aqui, todas as oportunidades, e não sei o quê, e moro no Porto, então quando venho a Lisboa tenho que fazer acontecer. Vivi uma ansiedade louca estes dias que vivi em Lisboa, mas imagina, louca a ponto de eu tenho ansiedade e como os meus dedos. Estavam horríveis, nunca estiveram tão maus. Tive um pico de ansiedade que estive quase a chorar.
Mas não porque o trabalho estava a correr mal, era porque era muita coisa.
Eu disse que sim a demasiadas coisas e eu organizo muito bem a minha agenda, mas realisticamente não era possível aquilo tudo acontecer. E eu estava a viver uma coisa e já a pensar: "Eu tenho de sair daqui a correr para viver outra coisa."
E depois não estás a viver no sítio em que tu estás.
E não era só a parte… era a parte social também.
Sim, isso é uma das minhas maiores dificuldades também.
Fui ver vestidos com a Glória, um momento supergiro, estava superentusiasmada, porque ela vai casar, queria ver os vestidos de noiva com ela. Eu estava ali em ansiedade, "tenho de sair daqui a 15 minutos, porque tenho de ir gravar" e não sei o quê. Ou seja, a minha agenda estava toda ao minuto planeada E mesmo assim falhou. E eu também quero continuar a treinar. Foi muita ansiedade. Este é o meu espinho que vai com a minha semente, que é: tenho de ser mais realista e pensar mais em mim e não poder dizer que sim a tudo. Eu vou várias vezes a Lisboa, não tenho que fazer tudo naquela vez que eu vou a Lisboa. Então acho que tenho que fazer uma melhor gestão, porque aqui no Porto eu não sou nada assim, porque tenho tempo. Ou seja, se me convidas para ir tomar um café, eu posso marcar esta semana, posso marcar para a próxima. Se eu vou a Lisboa, estou lá três dias, eu tenho de encaixar tudo em três dias e vivo em ansiedade três dias inteiros. Fiquei um bocado ansiosa a semana passada. No entanto, correu tudo bem e as coisas estão a andar, daí a minha rosa.
Como é que é possível tu em três dias, a tua rosa vem do mesmo espaço e do mesmo sítio em que vem a tua...
Sabes que eu gosto? Esta é a cena. Eu gosto da sensação. Apesar de me fazer mal, que faz muito mal, eu gosto da sensação. Eu gosto muito da minha paz, mas também gosto de ter picos de adrenalina e Lisboa dá-me isso. Eu até tive lá um momento em que eu estava a andar a pé e pensei assim: "Será que eu me imaginaria a viver aqui outra vez?" Era assim um vibe.
Sim, mas eu também sinto isso muitas vezes quando vou a Lisboa.
Acho que não. Tu alguma vez pensaste em voltar?
Eu tenho vezes em que vou lá e me sinto: "Estou mesmo bem aqui, as coisas estão a acontecer, estou bem, se calhar devia estar aqui." Mas depois também tenho outros momentos em que só quero ver a um caminho norte, ir para casa, tranquila. Eu acho que o Porto dá-me essa qualidade de vida mais calma, que Lisboa não me dá, apesar que no Porto continua a acontecer muita coisa, mas em Lisboa, como eu não tenho a minha família, não tenho tanto essa parte social. Quer dizer, eu tenho parte social de estar com amigos, mas acho que é diferente.
É diferente.
É muito diferente.
Não é casa.
Sim, sei lá, as minhas amigas vão ter a minha casa e estamos lá a falar. É muito diferente. Em Lisboa é preciso muito mais logística. Eu acho que não tenho a mesma qualidade de vida em Lisboa, então dá-me esses vibes, mas é depois calma.
Eu acho que é preciso nós termos este equilíbrio e estarmos bem na nossa vida aqui no Porto, para fazer acontecer, para depois conseguir avançar e as coisas acontecerem também em Lisboa. Ou seja, é preciso este equilíbrio, porque aquilo que me levou meio que àquele estado quase de burnout, é porque eu vivia constantemente nesta ansiedade e quando vou lá relembro-me disso, mas é uma sensação que eu também gosto.
Sim.
Não sei, é estranho, mas eu também gosto.
É o teu lado mais ambicioso.
Sim, mas para este lado existir e as coisas acontecerem, eu também preciso respirar. Acho que é o Porto, meu Deus, estou em casa.
Eu percebo.
Vamos falar de dinheiro este episódio. Finalmente, sabes que eu recebi umas três mensagens de pessoas a dizer: "Por que ainda não saiu o episódio do dinheiro com a Inês?"
A sério? Eu por acaso sou uma pessoa que já teve imensas crenças limitantes sobre dinheiro e continuo a ter algumas. E tu foste a pessoa que mais me foi dando inputs e estratégias.
Ainda não falamos assim tanto.
Ya, e não falamos assim tanto. Eu estava muito animada para este episódio por causa disso.
Mas vamos começar por aí, pelas crenças. Tu até me disseste: "Não estou a gostar muito deste livro porque fala muito de mentalidade no início." Eu acho que é super importante os livros de desenvolvimento pessoal/dinheiro começarem por aí, porque acho que é das coisas que mais influencia a tua forma de lidar com o dinheiro. Ok, temos falado da parte prática e como é que se investe, mas primeiro temos de mudar a nossa cabeça em relação ao dinheiro. E queria te perguntar como é que foi tu a cresceres em relação ao dinheiro? Se era um tabu, se vocês falavam abertamente, se achas que isso influencia a forma como lidas com o dinheiro hoje em dia.
Super, sem dúvida. Influencia muito e eu sinto que o meu pai e minha mãe, são as pessoas que mais me educaram e principais na minha vida, e eu sinto que eles lidam os dois com o dinheiro de formas muito diferentes, pela educação que também eles tiveram. O meu pai vivia em Angola, veio no 25 de Abril, ou seja, daquelas famílias em que vivia superbem em Angola, veio para cá sem nada. E isto é curioso, porque os meus avós vieram para Portugal, era como se agora, na nossa idade, aos 20 e tal, 30 anos, se virassem para ti: "Olha, a tua casa, compraste o carro, o dinheiro todo que tu tens fica aqui e tu vais para um país que tu não conheces, porque este não é mais o teu espaço." Então eu acho que isso criou muitas frustrações e questões aos meus avós, que eles depois passaram para os filhos, para o meu pai, neste caso.
Eram muito agarrados.
A poupança tornou-se-
É a forma de sobrevivência.
Exatamente. E o meu pai é uma pessoa extremamente poupada, extremamente ponderada onde é que gasta o dinheiro, extremamente reservado ao nível de investimentos, tem muito medo.
Muito adversão ao risco.
Muito medo do risco. E essas questões sempre me foram incutidas de uma forma não direta, não que o meu pai me dissesse.
Sim, isto acaba por ser uma coisa muito inconsciente.
Sem dúvida.
Eu acho que nós temos muita tendência de olhar, por exemplo, para o trabalho como tu tens de trabalhar muito, tens de sofrer muito para ganhar dinheiro.
O meu pai sempre me passou muito essa crença.
Eu pelo menos sempre senti isso, porque os meus pais também trabalham por conta própria, são empreendedores os dois. Então sempre viveram muito à volta do trabalho, a trabalhar muitas horas e passaram isso para mim, de tu para seres bem-sucedido profissionalmente e o teu negócio correr bem, tu tens que trabalhar muitas horas e sofrer.
Sem dúvida.
E eu acho que isso depois acaba por passar para nós, mesmo que não seja uma conversa. Só de os observares.
A maior educação que tu podes ter de alguém é o exemplo. Ainda hoje eu estive a falar, isso há pouco tempo em terapia, que eu estou numa fase do meu negócio em que eu preciso de delegar e tenho trabalhado muito em delegar, porque já não consigo mais eu sozinha estar Ganhar mais dinheiro, já que estamos a falar sobre dinheiro, e eu preciso delegar pela minha saúde mental e pela saúde financeira da minha empresa. E o meu pai, que é uma pessoa que trabalha numa área muito semelhante à minha, do espetáculo e tudo mais. O meu pai adora-me e zero que esse conselho que ele me dá é no sentido pejorativo, mas é mesmo de uma pessoa que tem uma mentalidade em relação ao dinheiro diferente de mim. Eu estava lhe a dizer: "Pai, porque agora estou a contratar para a minha empresa, porque eu não posso estar sempre a ir a Lisboa e eu não posso estar neste loop sempre a trabalhar." E para o meu pai é tipo: "Inês, cuidado! Não, tu tens que trabalhar, tu não podes estar a delegar assim. Inês, vai lá, tu tens que ir, tu tens que fazer." Percebes? Ele ainda tem muito essa mentalidade e passa-me um bocadinho. E eu, por vezes, isso inconscientemente na minha cabeça, faz com que eu tome decisões de dizer mais vezes que sim a coisas e delegar menos, porque ainda vou lutando contra essa crença.
É o que o meu pai pensaria sobre isto, se calhar é demasiado arriscado.
Sim.
E isto aqui tem de ser pequenos passinhos a tu testares as águas e perceberes: "Se calhar não foi assim tão arriscado, se calhar até correu bem. Se calhar posso ir um bocadinho mais."
E eu sinto que eu também vou ensinando o meu pai de certa forma.
Isso é super.
Eu acho que o meu pai já começa, quando eu abri a minha empresa, o meu pai estava em pânico. Ele nunca me disse: "Não o faças." Mas o meu pai tinha muito medo e às vezes ia dizendo uma coisa ou outra que eu ficava magoada. Hoje em dia, ele já me diz isto: "Tu cuidado a delegar e não sei o quê. Eu estou superorgulhoso de ti, porque tu criaste uma empresa e está a correr superbem, não sei o quê. Tem cuidado." Já muda um bocadinho o discurso, mas é uma pessoa com muito medo do risco. A minha mãe é o oposto. E eu acho que é esse equilíbrio que também me deu a coragem de criar meu próprio negócio, porque se eu tivesse sido educada por duas pessoas com esta mentalidade de menos risco e com crenças muito mais limitativas em relação ao dinheiro, eu acho que não teria ou tinha que fazer uma desconstrução muito maior sozinha.
Sim, eu acho que no meu caso, por exemplo, em termos de negócios, o fato de eu poder fazer aquilo que faço hoje em dia tem muito a ver também com o suporte que eu tenho em casa, de eu me ter despedido e estarem lá os dois a dizer: "Vai, arrisca, que nós estamos aqui." E sem dúvida, porque eles próprios também têm próprios negócios e sempre fizeram esse percurso. Mas acho que em Portugal, de forma geral, nós temos muita dificuldade em falar sobre dinheiro e ter estas conversas. Imagina, eu sempre tive mesada, sempre fui incutida a tens que controlar os teus gastos e gerir o teu dinheiro desde nova, e acho que isso foi superimportante para ter uma consciência de que eu é que tenho que fazer a minha própria gestão e ser independente desde nova. Mas, por exemplo, eu não falava com os meus pais sobre quanto é que eles ganham, se fazem investimentos ou não.
A sério?
Eu não sabia, em termos de salários. Acho que só a partir do ano passado, e também lá está, parte de mim tentar abrir as coisas, mudar um bocadinho o jogo, comecei a ler e a interessar-me por dinheiro e por investimento e toda esta mentalidade. E li um livro e quis mesmo discutir este livro com eles. Lembro perfeitamente que foi nas férias do ano passado. Ano passado, não, há dois anos. Começamos a discutir estes temas e eles próprios também quiseram ler este livro e a partir daí, muita coisa na nossa vida mudou, muitos negócios, reestruturações, fechar empresas.
Em família?
Em família.
Ok.
Foi graças a esse livro que eu decidi fechar a Flare também, na altura. Foi também uma decisão bastante ponderada financeiramente.
Como é que se chama o livro?
"O Segredo do Investidor Milionário."
Ok, o tal que a Mariana me disse para ler, que eu não estou a ler.
E ela: "Não, é muito mentalidade no início, mas é importante a mentalidade e é um livro muito completo." E eu gostei, porque também foi o primeiro livro que eu li. Ou seja, depois eu li "Pai Rico, Pai Pobre", que também acho que é um bom livro, mas como eu já vinha, porque depois acabam por todos tocar um bocadinho nos mesmos pontos. Portanto, acho que para começar, para mim, aquele é um ótimo primeiro livro. E já que estamos aqui em livros, há outros que eu recomendo muito, que é o da Bárbara Barroso, que é em português, da Bárbara, que ela também esteve aqui no podcast, não me lembro qual é o nome do livro, mas é o mais recente dela, que eu acho que é tipo um mini manualzinho, mini bibliazinha sobre finanças pessoais e toca em todos estes pontos, desde mentalidade, desde poupança, desde como ganhar mais dinheiro e investimentos.
Estou mesmo ansiosa, porque eu quero muito que este episódio também, eu quero mesmo aprender contigo estas coisas, eu vou tentando desconstruir, eu sinto que já fiz um bocadinho, um pequeno percurso, mas tu tens isto muito.
Mas sabes que eu ainda sinto muito a síndrome do impostor, de que sou uma miúda, não sei do que estou a falar. Porque eu acho que o tema do dinheiro é bué sensível. E como nós não estamos habituados a falar, e eu agora estou cada vez mais, e quando estou com amigos, eu tento perguntar esses temas, porque eu gosto também de discutir com as pessoas à nossa volta. Porque eu acho que, imagina, aquilo que eu aprendi em livros, podcasts, ótimo na teoria, mas depois na prática, tu tens que falar com pessoas à tua volta.
Ok.
Tens de testar tu, mas falar com as pessoas, porque muitas vezes, se calhar estás a fazer coisas que ouves uma dica aqui, uma dica ali, e eu hoje em dia falo imenso, por exemplo, com a minha mãe sobre investimentos, falo imenso com todos os meus amigos que também investem à minha volta e eu acho que ajuda a, não sei, discutir ideias, trocar ideias. É superimportante.
Eu acho que até antes de investimentos, há muita gente, eu tenho feito um esforço grande na minha vida pessoal, antes de investires, teres as tuas finanças organizadas. Em que é que tu gastas o teu dinheiro?
Eu quero neste episódio também começar por aí, porque não vale a pena pensar em investir enquanto o resto está a falhar, 100%. Portanto, nós no episódio que fizemos aqui sobre trabalho, falamos sobre a importância, demos a dica de que achávamos que era necessário termos uma disciplina de literacia financeira em Portugal. O que é que tu achas que hoje em dia tu não sabes sobre finanças e que podias ou que devias saber?
Ok, na ótica mais pessoal, certo? Porque eu sinto que eu tenho uma empresa e há um nível em geral.
Era isso que eu ia dizer. Ou seja, em termos profissionais De empresa, há muita coisa que nós vamos aprendendo enquanto vamos fazendo e que poderia também ser ensinado na escola. Por exemplo, como é que começas a trabalhar e é só aí que tu vês pela primeira vez um recibo verde, um recibo de vencimento, todas essas coisas que eu acho que podiam ser cobertas na escola.
Sim, afinal, o que é que são os impostos?
Sim, todo esse sistema acho que devia ser ensinado na escola, mas em termos pessoais, e é isso que vamos cobrir um bocadinho mais neste episódio, porque eu também já reparei que há muita gente que percebe imenso de economia, de política e de, mesmo tendo negócios, de gerir financeiramente o negócio, mas depois no que toca a finanças pessoais, falha.
Sim, eu sinto que as finanças da minha empresa estão super organizadas e eu tenho um controle.
Mas por quê? Por que não sentes essa necessidade de também organizar as finanças pessoais?
Desde que comprei casa, estou a sentir cada vez mais. Ontem era domingo e eu estava ansiosa porque eu não estava com essas coisas bem organizadas. Em termos de contratos de luz, água, não sei o quê. Eu nem sei bem que conta é que eu dei, tenho várias contas, eu nem sei bem que conta é que está aqui o débito direto e afinal quanto é que é a minha fatura. Eu estava com isso um bocado desorganizado. Mas ao nível de finanças pessoais, eu acho que, em termos práticos, ninguém te ensina como é que tu deves gerir o teu dinheiro. Existem várias teorias até para poupança e para gestão de dinheiro e tudo mais, aquilo de tu tirares X% para vida pessoal. Eu acho que essas pequenas teorias que existem para tu gerires o seu dinheiro, para tu saberes onde é que tu gastas o teu dinheiro, são importantes para as pessoas terem uma noção. Acho que o controle financeiro da tua vida pessoal é muito importante, tu saberes onde é que gastas o dinheiro.
Mas por que tu, hoje em dia, ainda não começaste a dedicar mais tempo à gestão das tuas finanças pessoais e o que tu achas que ainda te falta saber? E não falo só de investimentos, porque não é só isso.
Sim, eu nem sequer estou a falar de investimentos, estou a falar desta primeira parte que eu acho que é mais importante ao nível de planeamento e organização. Eu acho que, muito honestamente, talvez algumas crenças que eu tenho me fazem achar que isso não é prioritário. Eu sei, conscientemente, mas no dia a dia eu penso: "Já, depois eu trato."
Tu achas que quanto mais ganhamos ou mais confortável ficamos, menos temos de pensar nisso? Porque quem normalmente ganha menos e vive, por exemplo, com salário mínimo, é quem tem as finanças mais organizadas em termos de controle de gastos. Por quê? Porque tem de fazer uma ginástica. Quando não tens toda essa ginástica, deixas andar.
Eu quando fui viver para Lisboa e estava a estudar e a trabalhar num part-time, não sei o quê, não tinha muito dinheiro, muitas vezes a minha conta está zerada, estava numa fase super nova na minha vida, era uma miúda ainda, eu sabia muito melhor em que é que gastava o meu dinheiro. Eu ponderava muito mais qualquer gasto e sinto que hoje em dia não o faço. E sinto que é um erro também, porque acho que é importante existir um equilíbrio entre "ok, tu ganhas mais, podes gastar mais, mas tu tens que saber em que é que gastas."
Totalmente. Quando eu mudei para Lisboa também era assim, era chapa ganha, chapa gasta. Totalmente. Por quê? Porque eu ganhava pouco, porque me despedi, estava na fase de transição, estava a trabalhar por conta própria, mas não ganhava muito, não ganhava o suficiente para pagar as despesas todas, então tinha que fazer uma ginástica. E a ginástica eu fazia ao controlar gastos, mas arranjar forma de ganhar mais. Porque acho que muitas vezes também se nos cingimos só ao salário, há outras formas de fazer dinheiro, tu podes vender coisas na Vinted. Eu na altura fazia, dava consultoria, porque tinha um curso de marketing, geria redes sociais, eu fazia 30 por uma linha para ganhar mais dinheiro para conseguir manter o meu estilo de vida, porque eu também estava em Lisboa, queria viver, queria viajar e fazer tudo e mais alguma coisa. E se fosse só pagar contas com aquilo que era o meu salário na altura, não dava. Portanto, tive que fazer assim essa ginástica e sabia exatamente para onde é que o meu dinheiro estava a ir. Mas tu tens noção hoje em dia, se eu te perguntar quanto é que tu gastas por mês e em quê?
Não em todas as áreas. Eu sinto que é um bocado a ver com aquilo que tu estavas a dizer há pouco de quando tu ganhas mais, eu pelo menos deixo de ter mais controle na parte em que gasto o meu dinheiro na ótica de lazer. Ou seja, eu sei quais são as minhas despesas fixas, sei quanto é que gasto em despesas fixas.
Mas sabes, por exemplo, quanto é que gastas em apps, em subscrições, em restaurantes?
Lá está, em restaurantes, não. Em apps e subscrições, sei, porque a maior parte das apps que eu uso são para o meu negócio, para a minha empresa, e isso eu tenho tudo organizado. E sei que há algumas extra, tipo Spotify, não sei o quê, então consigo ter uma noção. Não te consigo dizer o valor exatamente, porque sei o valor exatamente das aplicações que eu uso para trabalho, mas aí consigo ter uma noção. O que eu sinto onde me perco é mais na parte de restaurantes.
Lifestyle.
Lifestyle, é onde eu me perco. Porque agora, hoje em dia, fruto do meu trabalho, consigo ter mais dinheiro para gastar.
É isso. Imagina, existe um conceito que é lifestyle inflation, que eu acho que é bem real, que é tipo, toda a gente quando começa a ganhar mais, automaticamente vais gastar mais. O teu estilo de vida aumenta. E eu não acho que isso seja errado, desde que não seja de forma proporcional. Percebes?
Olha, um exemplo que eu sinto muito quando vou a Lisboa. Em Lisboa era onde eu tinha esse lifestyle muito mais reduzido, em que eu tinha que poupar mesmo e tinha que escolher não poder ir jantar sempre com os meus amigos quando eu queria, tinha que fazer opções. E eu andava muito de transportes públicos em Lisboa. E sempre fiz a minha vida imenso de transportes públicos em Lisboa e corria super bem. Hoje em dia, quando eu vou a Lisboa, eu esqueço-me às vezes que existem transportes públicos e ando muito mais de Uber e não pondero antes de apanhar um Uber.
Aliás, eu sou 100% igual. Este clipe certamente vai para a Joana Marques.
Depois temos que ter cuidado com isso.
Repete o que tu disseste. Esquece o que eu disse.
Agora estou confusa. É melhor cortar.
Estou a brincar, mas imagina. Isto é 100% verdade.
É estúpido, mas é verdade.
Quando eu estava em Lisboa e estava a poupar dinheiro, obviamente que eu ia ponderar muito cada vez que pedia um Uber.
Estamos milionárias a falar.
Não, mas a verdade é que isto de aumentar o estilo de vida é procurar as soluções mais cómodas. Isso acontece hoje em dia e eu sei que é uma coisa que eu também tenho que trabalhar, usar mais transportes públicos, não chamar tanto os Uber da vida, encomendar tanta comida.
Mas eu em Lisboa, muitas vezes, hoje em dia, estou a chamar um Uber e penso: "Ei, calma aí, eu estou neste sítio e o metro é muito mais rápido e muito mais barato. O que eu estou a fazer?" E muitos desses livros, "Pai Rico, Pai Pobre," o livro que tu me recomendaste de-
Pedro Anderson
...que eu li, uma das coisas que eles mais falam é sobre isso. É nessas pequenas coisas que está a poupança e são coisas que às vezes não vão prejudicar a tua vida tanto assim. Ou seja, tu podes ter mais dinheiro.
Eu acho que tem que ser o equilíbrio, porque imagina, para mim faz sentido, se eu ganho mais, o meu estilo de vida melhorar.
Sim, claro.
E isto faz totalmente sentido, porque se eu tenho mais possibilidades, eu posso estar numa casa melhor, posso estar mais confortável.
Sim.
Posso de vez em quando ter estes comodismos e está tudo bem. Agora, onde vais investir esse dinheiro? No nosso caso não é tão gritante, mas imagina, há muita gente que aumenta o estilo de vida e de repente vou só comprar o carro, vou comprar as malas caras, vou comprar a roupa cara. Quando esteve aqui a Bárbara, ela sugeriu nós pensarmos em que nível é que tu achas que estás a viver, se estás a viver abaixo daquilo que tu ganhas, ao nível ou acima, e que deves viver sempre dois níveis abaixo. Eu acho que vivo dois níveis abaixo.
Ok.
Se tu fores pensar, o que tu achas? Ou seja, imagina, tu tens um salário, daquilo que estás a ganhar hoje em dia, chapa ganha, chapa gasta, estás a gastar mais do que o que ganhas, estás a viver um nível abaixo, ou dois, ou três. Ou seja, o que ela recomenda é pelo menos dois níveis abaixo. Tu tens possibilidade para mais, para ir a restaurantes mais caros, para teres melhores coisas, mas não o estás a fazer.
Ok.
Percebes? Ou seja, em nível proporcional.
Sim.
E eu acho que isso também faz sentido, mas imagina, onde gastas o teu dinheiro é superpessoal, porque para mim faz todo sentido eu gastar €4000 em Bali.
Ok.
Mas gastar €4000 numa carteira não me faz. Mas há pessoas que valorizam isso e está tudo certo.
Sim.
Nós temos é de perceber, temos possibilidade para isto, o dinheiro que estás a gastar, se o investisses. Ou seja, fazer assim um jogo. E eu acho que é muito importante é ter um plano. E há muita gente que não o tem e isso é que não ajuda.
E como é que tu fazes o teu plano?
Imagina, tens primeiro que perceber qual é o teu objetivo. Tu queres é comprar uma casa, queres ter liberdade financeira, queres deixar de trabalhar no futuro. O que tu queres fazer com o teu dinheiro? Por que tu estás a ganhar dinheiro? É só para te sustentar? Não, tu estás a ganhar dinheiro para construir um futuro. Para quê? Para pôr os teus filhos em colégios, para lhes dar um certo estilo de vida. O que tu queres fazer no futuro?
Isso é mesmo interessante, porque eu nunca tinha pensado assim.
Porque eu acho que quando tu olhas para as finanças como um joguinho de "eu estou aqui a trabalhar, isto é um jogo para eu conseguir atingir o valor no futuro ou aquele meu objetivo no futuro", tu vais ter mais cuidado no dia a dia de "ah, não vou gastar aqui porque estou a poupar ou estou a tirar dinheiro de lado para poder investir para chegar àquele meu objetivo."
Eu gostei.
Eu acho que nós temos muito esta visão no que toca a negócios, eu e tu, mas acho que faz um bocadinho falta a parte financeira. E eu pelo menos sinto que tenho objetivos, mas não tenho um plano concreto. E ainda me falta isso.
Eu nunca tinha pensado, mas até nem tanto de negócios. Isto que tu me acabaste de dizer abriu-me um bocado a mente ao nível pessoal, que é: eu, na verdade, ao nível pessoal, não penso muito na bigger picture, como tu estás a fazer. Nós temos um ordenado e a maior parte das pessoas tem o seu ordenado, faz a sua gestão para viver durante aquele mês e poupa X.
Inês, normalmente quem é muito organizado e gere muito bem os investimentos e tem um número definido. E normalmente estas pessoas até são pessoas que têm o seu salário e não gostam, não é não gostam, ninguém gosta de trabalhar. Mas planeiam a liberdade financeira e o objetivo é não trabalhar no futuro. Eu acho que eu e tu não temos isso.
Não.
Porque eu não tenho como objetivo aos meus 40 anos não estar a trabalhar. Não tenho esse objetivo.
Eu também não acho que são assim tantas pessoas que acham que aos 40.
45 anos, pronto, para teres a liberdade financeira, reforma antecipada.
Mas achas que há assim tanta gente com essa ideia?
Acho.
Eu não conheço ninguém.
Eu conheço.
Na minha vida, pelo menos que me tenha dito.
Mas o objetivo de quem gere bem as finanças é não ter de trabalhar no futuro. E eu não tenho esse objetivo. Mas todos nós temos uma ambição na vida.
Sim.
Que estilo de vida que tu queres ter, o que tu te imaginas a ter, uma casa, que estilo de vida que tu queres ter e de que forma é que tens de trabalhar o teu dinheiro para lá chegar.
Mas eu acho que o que é giro é tu conseguires ter uma visão tão clara que no dia a dia, nas pequenas coisas, tu consegues ter esse mindset.
Mas, por exemplo, na tua empresa, tu não tens um objetivo assim tão claro de futuro, mas sabes para onde é que estás a caminhar e todos os dias, quando não te apetece fazer aquele vídeo, ou isto ou aquilo, tu pensas: "Não, mas eu estou a trabalhar para que isto corra bem."
Não, claro que sim.
E as finanças é igual, tu se calhar não precisas de ter um número tão claro na tua cabeça, mas teres uma bigger picture de para onde é que tu achas que estás a ir e aquilo que tu imaginas, porque senão estamos a trabalhar para quê?
Sim. Mas sabes que há muita gente que o que acontece é, tem muita cena, quer comprar uma casa e fazem todo um trabalho de poupança, um planeamento de poupança para comprar uma casa e depois compram a casa e deixam O plano deixa de fazer sentido. É um objetivo, corta.
Mas é como tudo na vida. O meu objetivo é ter aquele trabalho, chegas lá e não é tudo isso. Casar, não é tudo isso. Isto já é aquela conversa de andar de sucesso em sucesso, conquista em conquista. Mas eu acho importante pelo menos termos um caminho delineado para onde estamos a ir.
Sim, claro.
Porque ajuda a que no dia a dia tenhas este chip de: "Ok, eu vou poupar estes € 5, mas porquê? São só € 5, tipo, 'no one cares'. Mas pegar nestes € 5, se eu puser a render, isto vai me dar isto, que depois vai contribuir para o meu objetivo." Acho que não tem de ser um número, mas acho que todos devemos fazer este exercício de pensar.
Em que coisas é que tu fazes esse exercício? Tens coisas específicas, métodos específicos, formas específicas de tu teres esses momentos de poupança?
Eu queria falar dessa parte do orçamento. Eu faço orçamento e faço controle de gastos, e já faço controle dos meus gastos há uns quatro anos, diria. Que mais ou menos bate quando eu comecei a ganhar dinheiro. Na altura, eu tinha uma aplicação em que eu punha todos os meus gastos e ia pondo por categoria para ter uma noção onde é que as coisas se estavam a gastar. E depois, a partir daí, dei o salto para fazer orçamento. Ou seja, faço um orçamento mensalmente, eu quero gastar X nesta categoria, X nesta, tirando as despesas fixas, é mais ou menos isto que eu quero gastar. E tenho um bolo do valor que eu quero gastar mensalmente e tento sempre estar dentro desse limite. E passei para fazer isso no Notion, porque eu fazia antes na aplicação e como eu organizo, eu já falei aqui do Notion antes, que organizo também a nível profissional, tenho imensa coisa lá e acaba por ser tudo centralizado. As minhas finanças também estão lá e tenho um template em que eu aponto. Basicamente, eu aponto tudo nas minhas notas de telemóvel e ao final do dia vou lá e aponto por categorias.
Tu fazes tracking diário?
Sim.
Ok.
Faço diário.
Tu vais a um café, tu pedes um café, tu fazes tracking.
Logo na hora. Mas é que imagina, eu já criei o hábito. Isto aqui é mesmo a cena de, sei lá, como tu te levantas e vais lavar os dentes, para mim, na minha cabeça, já é automático. Se eu agora for comprar ali um café, o meu instinto imediato é pegar no telemóvel e apontar quanto é que custou aquele café. Logo. Porque imaginem, eu não pago tudo com cartão, eu tenho vários cartões, portanto, dá para fazer isso, controlar no banco, mas eu prefiro, como também tenho vários métodos de pagamento, eu prefiro apontar logo no meu telemóvel. E tenho tudo dividido por categorias, assim sei exatamente onde é que as coisas estão a ir, onde eu estou a gastar e onde eu posso melhorar para o próximo mês. Eu sou muito também, obviamente, organizada e não sei o quê. Gosto dessas coisinhas, mesmo tipo KPIs do meu negócio, eu sento mensalmente e olho para isso, olho para números, gosto muito de análise de números. Então todos os meses eu também sento e olho para as minhas finanças, onde é que estão os meus investimentos, onde é que foram os meus gastos, de que forma é que eu posso melhorar o meu orçamento para o próximo mês, onde é que eu posso ajustar. E isto também é sempre ajustável mensalmente, porque um mês tenho uma viagem, não vai ser a mesma coisa que no mês passado, portanto, acabo por fazer esse ajuste. E uma coisa que eu também inseri recentemente no meu template foi os objetivos a longo prazo, que era uma coisa que eu não tinha lá. E isso também, visualmente, ajuda-te a ver: "Ok, estou a trabalhar para isto."
Estou um pouco mais perto.
Mais perto disto. E ajuda a que tu queiras poupar aqueles € 5, porque não é só € 5.
Exato, aquilo que falávamos há pouco.
Cinco aqui, cinco ali, cinco ali, tudo somado, vai dar um bolo grande. Portanto, eu faço essa gestão e pedem-me muito o meu template do Notion, que eu vou dar a ti também para tu controlares a tua gestão financeira.
Vai ser ótimo. Finalmente!
Sim, e as pessoas estão-me sempre a pedir. É uma coisa supersimples que eu criei do zero. Existem imensos templates no Notion, mas eu criei o meu porque fui ajustando àquilo que funciona para mim. Portanto, se calhar aquilo que funciona para mim pode não funcionar para ti, mas podes pegar nele e ajustar, porque a cena fixe do Notion é ser customizável, porque eu usava aquela aplicação, mas como era tão, não dava sequer para eu customizar as categorias, por exemplo. E neste caso, está superpersonalizável para mim. Eu vou disponibilizar também o meu template, vou deixar na descrição o link, para quem quiser começar a gerir finanças, mas basicamente é orçamento e controle de gastos.
Eu tenho uma questão em relação a isso. Há muita gente que faz essa parte de orçamento e de controle de gastos e que depois faz pequenas contas de poupanças para objetivos mais pequenos. Tu estavas-me a dizer que tens os teus objetivos maiores, e nem estávamos a falar tanto na ótica de poupança, mas eu até acho isso curioso. Para perceber, ao final, para pequenos objetivos, tipo viagens, às vezes até compras por impulso, não é compras por impulso, mas compras maiores, uma mala cara, um carro, uma coisa assim. Tu fazes isso ou tens alguma estratégia específica nessa ótica, ou tu já fazes o teu orçamento a contar com uma poupança e depois da poupança tu fazes...?
Sim, é assim, eu não faço isso porque eu não tenho gastos caros.
Ok.
Não tenho tido. A única coisa onde eu gasto dinheiro, e bem, é viagens. E aquilo que eu tento fazer, isso já é uma gestão mais no início do ano, que eu costumo fazer em janeiro, eu faço sempre um plano de quanto é que eu acho que vou ganhar, uma estimativa, quanto é que eu acho que vou ganhar nesse ano. E tento definir fazer pelo menos uma viagem grande por ano. E dentro destas viagens que eu tenho planeadas, a grande e as outras pequenas, qual é o bolo que eu quero ter de lado para viagens. Isso eu faço. Agora, não faço uma gestão à parte. Não, isso eu tenho um documento em que eu faço a minha gestão financeira anual. Isso sim, mas não em termos de separar, pôr de lado o dinheiro para isso.
Quando é que tu começaste a investir?
Eu comecei a investir o ano passado, há um ano.
Ok.
Precisamente há um ano.
Por quê?
Olha, eu comecei porque comecei a ler, a interessar-me pelo assunto, a ouvir podcasts, e quando tu percebes o O impacto e o potencial daquilo. Eu acho que começas a entrar num loop que já não há saída, honestamente. Começas a experimentar e a querer mais, porque estás a ganhar dinheiro sem estar a trabalhar. E quando percebes o impacto que é estar parada, o não fazer nada, é tipo: "Isto não pode acontecer." Eu sinto ansiedade quando sinto que tenho demasiado dinheiro parado.
Sim, estás a perder para a inflação.
Estou a perder dinheiro. Portanto, eu acho que há muita gente que não tem sequer noção de porque tu tens de investir.
Então, para quem não tem noção...
O que tu dirias que é?
Eu quero saber o que tu dirias que é.
A inflação. Portanto, neste momento, a inflação está 2,4%, para o ano vai diminuir um bocadinho, vai para 2%, acho eu, a estimativa para o próximo ano. Portanto, a inflação é calculada mensalmente. E o que significa a inflação? Significa que hoje em dia, os € 1000 que nós temos hoje na conta, se tiver a renda é zero, essa conta, que imagina, é um depósito.
Uma conta normal.
Uma conta à ordem. Se tiver a renda é zero, significa que para o ano esse valor já vai valer € 970 e poucos euros. Ou seja, vais poder comprar menos coisas.
Com aquele dinheiro.
Com aquele dinheiro. Hoje em dia, com os mesmos € 5 compravas um lanche, daqui a um ano já não consegues comprar essa mesma quantidade de coisas. É isso que significa a inflação. E qual é o resultado de ficar parado? É que tendo o dinheiro numa conta à ordem, rende zero. Numa conta de depósito a prazo, que muitas vezes é o que as pessoas mais tendem a fazer, porque está a render dinheiro, só que normalmente o depósito a prazo, o máximo do depósito a prazo é 1,5%. Ou seja, é abaixo da inflação. Significa que continuas na mesma a perder dinheiro. Por isso é que existem depois outros instrumentos que compensam mais, em que te permitem ganhar uma percentagem superior à inflação, para que não só não percas, como também ganhes mais do que ter o dinheiro parado. No fundo, é isto, isto é que são os investimentos. Depois existem imensos instrumentos de acordo com o teu nível de risco. Eu vou ler os tipos de...
Investimentos que existem?
Os tipos de ferramentas que existem, que eu até fui perguntar ao chat.
Sabes que eu acho que agora cada vez mais há conversas sobre investimentos e não sei o quê, e a maior parte das pessoas, a maior parte não, mas há muitas pessoas, as que ainda não começaram a investir, que nem sequer têm noção do que significa investir. Quando ouvem o investir...
Porque é isso, antes de entrar aí, também era isso que eu te queria perguntar, por que tu ainda não entraste nos investimentos? Tu achas que é falta de informação? Porque eu sempre também associei os investimentos a homens de fato, que trabalham na bolsa e que sabem o que estão a fazer, percebem de finanças. E eu sou de Economia, imaginem. Imaginem se eu não fosse de Economia.
Exato, eu não sou. Até porque, historicamente, sempre que as grandes coisas que se ouviu falar sobre investimentos, foi o crash da bolsa, todas essas histórias e filmes que sucederam daí, que quase nos trazem os investimentos para uma coisa, "Vão nos enganar" ou "Vai correr mal, vamos perder tudo".
Novamente, crenças sobre dinheiro.
Exatamente. Então eu acho que é muito por aí que as pessoas ouvem a palavra investimento e já nem sequer querem saber o que é. Ou seja, esta explicação que tu deste...
E YouTubers que andam a vender casinhas online.
Sim.
Parece bué.
Pois parece, mas eu fiz um grande investimento, que foi na minha empresa, e a minha empresa tem um ano, e eu também só comecei a ouvir falar mais sobre estes temas de investimento e a falar com pessoas, e amigos meus e pessoas próximas de mim começaram a investir, mais ou menos há um ano, um ano e qualquer coisa, que foi quando eu também lancei a empresa e tudo mais. E honestamente, eu acho que obviamente já poderia estar a fazer algum tipo de investimentos, até porque a parte boa deste tipo de investimentos é que tu podes investir pouco dinheiro.
Sim, eu acho que existem imensas crenças à volta de que primeiro eu tenho de saber tudo sobre tudo para começar a investir. Eu tinha essa.
Ainda não estou preparada.
Eu tenho que ler todos os livros que existem, ir a todos os eventos e saber todo o tipo de informação sobre isto, porque isto é superarriscado e eu tenho que estar por dentro de tudo antes de começar. E isto é mentira. Nós não temos de ser traders e estar constantemente, diariamente a controlar, a vender e a comprar ações. Existem vários perfis, várias ferramentas para todo o tipo de pessoas e de risco. Não tens de ter toda a informação. E depois é a questão de achar que só quando se tem muito dinheiro é que se deve começar a investir. O que eu acho, e que tenho vindo a aprender ao longo deste tempo, é que depois de teres todas as tuas despesas asseguradas, o teu foco deve ser, para além de teres aquele objetivo que eu te falei, para teres um plano, é teres um fundo de emergência, que é superimportante e que há muita gente que se atira louca da cabeça para investimentos antes de ter isso garantido. E isso é superimportante. Imagina, mesmo quando eu me despedi e fiz a transição para trabalhar por conta própria, eu garanti, foram cinco a seis meses que eu tinha de gastos assegurados. E normalmente é isso que se recomenda, é de três a seis meses, teres os teus gastos assegurados como fundo de emergência, para caso aconteça alguma coisa, estar pelo menos seguro. A ideia é teres esse dinheiro de parte e que seja fácil de o levantar.
Isso foi uma das coisas, estavas me a perguntar há bocado porque eu ainda não comecei a investir. Como eu abri a empresa e todo o meu investimento estava, tinha a minha parte pessoal, que eu queria ter sempre assegurada se acontecesse alguma coisa, e todo o meu investimento acabava por ir para a empresa. E era um bocadinho por aí. Eu sentia que ainda não estava estável financeiramente para garantir essa segurança, se acontecesse alguma coisa de errado, tenho ordenados de pessoas para pagar e tudo mais, não queria começar a fazer esse tipo de investimentos. Depois agora comecei a perceber que eu posso fazê-lo com pouco dinheiro.
Podes pôr €50 por mês, €20 por mês. Isso já vai ser bem melhor que nada. Imagina, eu já fui a dois eventos de finanças e eles tocam muito nesta tecla de que quanto mais cedo melhor, o melhor dia para investir é ontem, sempre este discurso, porque é verdade. E eu, cada vez que eu vou, fico com muita vontade de quando eu tiver filhos, começar logo a investir para eles, mal nascem.
Olha, uma das conversas que mais me abril a mente foi há mais ou menos um ano atrás. A minha prima teve uma bebê e estávamos a conversar Eu lembro que quando fiz 18 anos, os meus avós deram acesso a uma conta que tinham feito para mim num banco normal. Quando eu era pequenina, iam pondo lá, sei lá, €10 por mês.
Mas aí vais pondo numa conta que está a perder dinheiro.
Eles fizeram uma conta dessas de investimento e todos os meses estão a investir. A diferença que vai ser é gigante, porque só aquele dinheiro não perder para a inflação.
Mas qual é o poder de começar cedo? Isto aqui é também outro conceito que a maior parte das pessoas não conhece, juro composto. E eu estudei isto.
Eu não conheço.
Imagina, o poder dos investimentos é que tu hoje em dia, se tu colocares €10 e com o teu rendimento passar para €10,20, daqui a uns tempos, estes €10,20 é o montante que vai ser investido. E o juro composto, ou seja, tu ganhas em juros que soma ao teu bolo inicial. E o poder é que depois o valor final vai ser esse que vai ser investido. Estás a perceber?
Sim, já percebi.
Ou seja, a possibilidade de crescimento é exponencial.
O que tu estás a dizer é, por exemplo, isto é um bocado óbvio, mas neste caso específico, a minha sobrinha tem a conta que os pais estão a investir todos os meses com aquele dinheiro. Ou seja, o dinheiro que eles colocam lá, quando ela tiver 18 anos, vai ser esse dinheiro mais...
Os juros compostos e juros sobre os juros.
Exato.
Percebes? Mensalmente, acumula o dinheiro que tu puseste, mais o que tu ganhaste no mês anterior, e esse bolo ganha também dos juros. Ou seja, o juro compõe sobre o juro. E o fato desse bolo ir aumentando com os juros passados também, permite que isto seja exponencial.
Sim. Quanto mais tempo.
Isto aqui é basicamente, depois eu posso mostrar, vou colocar este gráfico também. O investimento mensal necessário para se acumular €1 milhão aos 65 anos, considerando uma rentabilidade de 10% ao ano. Rentabilidade, imagina, um S&P 500, que é um ETF, que é o mais conhecido, que é um índice basicamente das 500 melhores empresas dos Estados Unidos, rende mais ou menos, em média, 10% ao ano. Portanto, isto aqui é uma média. Tu com 15 anos, só precisas de investir €60 por mês para chegar a €1 milhão com 65 anos. Aos 25, tens de investir €160 por mês. Isto com o poder do juro composto.
Espera aí.
A questão do juro composto é assim: imagina, se tu tens 15 anos e investes €60 por mês, o que tu vais ter ao fim deste tempo todo não é 60 vezes 12 vezes o número de anos. Tu vais ter isso sobre o juro, com o juro por cima. Por isso é que tu, aos 15 anos, precisas de €60. Aos 25, 160. Aos 35, 440.
O tempo diminui.
É isso, diminui e os juros compostos, o poder dos juros compostos, diminui também.
Ok.
Aos 55 anos, precisas deste dinheiro, €4.850 por mês, para conseguir atingir €1 milhão aos 65. Portanto, o melhor tempo para investir é ontem, por causa do poder do juro composto. Porque mais anos vais ter em que o juro vai se acumular com o dinheiro que já tinhas lá. Estás a perceber?
Estou. Mas depois eu ouço estas coisas e penso: "Que burra, que não estou a fazer nada."
Não é burra, mas olha, tem aqui estatísticas. Eu fui a este evento do Clube Finanças semana passada e eles partilharam esta estatística: 61% dos portugueses não investe.
Pois.
Só 40% é que investe.
Eu até achei que era menos.
Mais de 70% dos adultos portugueses não compreendem conceitos como inflação, juros compostos e risco. 80% das mulheres portuguesas não investem, porque para além de 61% dos portugueses não investir, 80% são mulheres. Por quê? Porque são homens de fato que vão para a bolsa trabalhar, não é?
Sim. E vem da história.
Quem gere o dinheiro é o homem.
Muitas mulheres em Portugal não têm o seu próprio dinheiro.
Pronto, mas este é o poder dos investimentos, de colocar o dinheiro hoje. Por isso é que eu quando ouço falar sobre a importância de investires para os teus filhos, é isto.
Sim, não é guardares numa conta ou pôr debaixo do colchão.
É pôr o dinheiro a render hoje e eles depois ficam milionários.
Exato.
Sem fazer nada.
Mas o que tu achas que é seguro e saudável para quem quer começar a investir?
Pronto. Existem várias formas de investir a curto, médio, longo prazo. Tens os certificados de aforro e tesouro, os certificados de depósito bancário e depósitos a prazo, que já falamos aqui, obrigações, que são mais seguras, ações, fundos, imóveis, criptomoedas, PPRs, Plano Poupança Reforma, ouro, portanto, vários instrumentos. Agora, onde tu vais investir depende de quão aversa ao risco tu és. Se tu és uma pessoa que não gosta de coisas arriscadas, se calhar preferes obrigações a ações, ou se calhar vais começar por um ETF e não por uma ação. Isto aqui vai sempre depender, e eu acho que para começar, e aquilo que eu fiz para começar, foi começar com coisas mais seguras. E a partir daí, vais construindo sobre isso e vais experimentando, porque eu acho que a coisa mais importante é tu perceberes em que é que estás a investir, onde é que estás a pôr o teu dinheiro. E não pôr só porque aquela pessoa recomenda ou porque ouviste aquilo na net, porque isto acaba por ser um bocadinho tricky, há informação em todo lado e tu não sabes bem por onde seguir e ouviste aquela pessoa a dizer que aquela ação é melhor, mas tu meio que não estás por dentro e estás a investir numa coisa que se calhar vais te arrepender. Obviamente, é sempre arriscado, porque tu estás a colocar o teu dinheiro e há sempre um risco associado. Agora, tu tens é de perceber qual é o teu nível de risco E até onde é que tu podes ir e que parte do teu dinheiro é que tu queres pôr de lado para fazer esses investimentos e esses testes. Mas começar pequenino e começar a testar por coisas que sejam mais seguras. Por exemplo, eu comecei com ETFs porque eu não me sentia confortável em investir em ações. Por quê? Porque imagina, ETF é um instrumento que é muito mais seguro, porque tem uma taxa de rentabilidade média de 10%, em que ao longo dos últimos anos sempre cresceu estes 10%. Portanto, a probabilidade deste ano e o próximo ano e o ano a seguir crescer os 10% é grande. Ou seja, tem já um histórico de que é um instrumento mais seguro do que uma ação, em que imagina, eu vou investir numa Tesla, em que o Elon Musk lança qualquer-
Uma semana faz uma coisa qualquer.
No Twitter, aquilo desce e sobe outra vez e anda assim. Portanto, uma ação tem sempre mais risco associado, porque depende de uma empresa. Um ETF é como se fosse um bolo com várias fatias de empresas, que são as 500 maiores empresas, o S&P 500, por exemplo, das 500 maiores empresas dos Estados Unidos. Quando eu compro um ETF, eu compro uma porcentagem pequenina destas 500 empresas. Ou seja, a probabilidade daquilo correr mal, como são 500, equilibram-se. A probabilidade de correr mal é muito menor do que uma ação isolada, em que depende de uma empresa que pode ter uma polêmica ou qualquer coisa que aconteça, ou resultados negativos nesse ano ou qualquer coisa, alguma falha, que vai impactar esse resultado. Portanto, começar por instrumentos que para ti sejam mais seguros. Agora, é preciso ler sobre o assunto, ouvir podcast ou o que seja. Ir a estes eventos para mim ajuda, porque acho que são bastante abrangentes e começam sempre a explicar as coisas como se fosse do zero, que eu acho que isso é fixe. Tu tens três formas de investir, uma pessoa normal investir, que é o mercado imobiliário, são negócios e a bolsa. E eu acho que nós todos não temos perfil para estas três coisas. Eu acho que eu tenho para negócios, tenho para a bolsa e imobiliário, apesar de ainda não estar bem por dentro deste mercado e gostar mais da bolsa, mas acho que nem toda a gente tem, por exemplo, o perfil de negócios. E eu acho que tu dizes que ainda não começaste a investir, porque ainda não começaste na bolsa, mas tu investes no teu negócio. Ou seja, tu ganhas e voltas a reinvestir no teu negócio. Isso é uma forma de investimento.
Sim.
Agora, a melhor forma de pôr o teu dinheiro a trabalhar para ti é tu diversificares e teres em vários instrumentos.
E uma coisa que eu também acho é: a bolsa acaba por ser o meio mais acessível e rápido. Ou seja, qualquer pessoa com muito menos dinheiro consegue começar a fazer esse tipo de investimentos.
Sim, o imobiliário é preciso ter capital para isso.
Sim, um negócio também, ok, consegues começar um negócio com pouco dinheiro, mas para ele ser rentável, precisas de investir bastante dinheiro e um negócio não te pode dar um lucro de 100 € por mês para ser rentável. Quer dizer, pode, mas acho que é muito mais fácil investires na bolsa e mais rápido e qualquer pessoa pode começar o seu percurso.
E hoje em dia é tão mais fácil, imagina, pensar na altura dos nossos pais investir na bolsa, tinhas de ir ao banco.
Claro.
E perceber onde é que podias investir, e eles é que te explicavam, eles é que tinham o teu dinheiro. Era muito mais complicado. Hoje em dia tens uma aplicação, é superprático, superintuitivo. Temos essa vida facilitada. Depois temos o outro lado em que não temos a vida tão facilitada em comprar casas como os nossos pais tinham. Temos essa. Mas sim, tens muita razão, mas acho que a melhor forma, pelo menos como eu vejo o meu futuro, é diversificar. Portanto, eu vou sempre continuar a investir no mercado e quero também imobiliário e tenho o meu negócio e vou também continuar a investir no meu negócio. Agora, as proporções e o onde investir, aí já depende de ti, depende dos teus objetivos, do teu nível de risco. E lá está, eu comecei com coisas menos arriscadas, hoje em dia já invisto em ações naquelas que eu acredito e que acho que têm potencial. Portanto, eu vou explorando e acho que é começares com pequenos montantes, também para perceberes como é que as coisas funcionam e tentares aos pouquinhos perceber até onde é que te deixa confortável. Ok, mesmo que seja, e isto aqui parece que estamos a falar de coisas-
Caríssimas, muito dinheiro.
Mesmo que sejam 50 € por mês. Tirar logo imediatamente estes 50 €, estes 50 € nem sequer contam. Imagina, ganhas 1200, vais contar com 1150 € por mês, o resto já sai lá automaticamente para investimentos. E acho que isso é criar uma disciplina como fazemos em tudo o resto da nossa vida, é ter essa disciplina, mesmo que seja começar pequenino, porque como vimos, começar pequenino, ao longo dos anos-
Aos 15 anos, 60 € por mês.
Dá um milhão, aos 65 anos.
É chocante.
Ya.
Queria saber, por acaso, uma coisa. No outro dia tinhas me dito que tinhas reservado uma manhã para analisares as tuas finanças. Para além destes hábitos diários do tracking que tu fazes de qualquer gasto que tu tens, do teu orçamento mensal, há algum, sei lá, trimestralmente, mensalmente, alguma coisa extra que tu faças para planeares e organizares como é que tu geres o teu dinheiro?
É assim, em termos de investimento, eu faço mensalmente a compra de ações e ETFs.
Ou seja, naquele dia tu tratas disso.
Faço essa análise. Eu não vendo, portanto, não faço trading. O que é trading? Imagina, estás com uma ação que desceu, vou agora comprar todas estas ações e depois quando sobe, vendê-las. Eu não faço esse tipo de gestão, porque acredito mais nos resultados a longo prazo. Portanto, a ideia é Tu não cedes à volatilidade do mercado e deixares o teu dinheiro lá render, porque altos e baixos estão sempre a haver, mas historicamente, as coisas estão sempre a subir. Portanto, é deixares lá o teu dinheiro e não sofreres. Não estás com ansiedade só porque o Trump disse alguma coisa que fez as ações caírem e não tirares o teu dinheiro quando isso acontece. Isso é que é a maior dificuldade quando tu entras na aplicação e estão os resultados todos a negativa, vermelho, é tu perceberes: "Ok, estão vermelho agora, porque isto aconteceu, mas eles vão voltar a subir". Portanto, aquilo que eu faço mensalmente é tentar comprar, não compro de forma igual, porque estou a experimentar várias coisas, portanto, comprar aquele montante que eu defini para investimentos, pegar nele, pôr na aplicação e fazer as minhas compras mensais. Vou vendo sempre como é que estão em termos de ações, se quero trocar alguma coisa, mas normalmente não tenho assim tanta coisa quanto isso e gosto mais de manter as coisas mais simples e ir testando devagarinho. Depois faço então o controle dos meus gastos e o meu orçamento mensal. E é isso. Agora, quero entrar também no mercado imobiliário, portanto, no futuro, e tenho estado também a fazer essa pesquisa. Isso foi uma coisa que também fizeste agora e que é uma dor de cabeça também procurar casas e fazer essa pesquisa.
Sim, é uma dor de cabeça, até porque, pelo menos eu acho que na nossa idade e a maior parte das pessoas, existe um teto. Nós não podemos nem comprar a casa dos nossos sonhos. Eu pelo menos comprei a minha primeira casa no modo também de investimento. É a casa em que eu vou viver agora, mas não é a casa em que eu vou viver para sempre, mas quero que esta casa seja um investimento. E nesse sentido, tu tens que fazer várias contas e analisar várias tendências do mercado, que foi uma das coisas que junto da gestora de crédito e da imobiliária que me aconselhou, fizemos para perceber. Ou seja, este é o empréstimo que eu vou pedir, esta é a casa que eu vou comprar, daqui a seis anos, quanto é que esta casa vai valer, qual é a tendência do mercado para esta casa, e todo o tipo de análises também ao nível de eu daqui a seis anos, se eu quiser comprar uma outra casa, eu tenho que vender esta, eu não tenho que vender esta.
Mas isso tiveste ajuda.
Sim, isso eu tive ajuda. Também li autonomamente algumas coisas e tentei aprender. Agora já há muita informação sobre o mercado imobiliário.
Por exemplo, eu sinto que tenho muita informação hoje em dia do mercado da bolsa, mas não tenho tanto de mercado imobiliário, porque também ainda não comecei a explorar.
Sim, eu sinto que quando tu estás no processo, começas a aprender muito mais. Lá está, eu, por exemplo, sobre a bolsa percebo muito pouco, porque eu já vi como é a aplicação, porque já me mostraram, mas eu nunca explorei. Eu nunca vou ouvindo uma coisa ou outra.
É mesmo fácil, quando começas, começas a explorar e percebes: "Ok, isto é mesmo simples." Mas antes de dares esse passo, eu também levei a minha irmã a este último evento de finanças, que ela também ainda não começou a investir, mas quer, porque me ouve constantemente a mim e à minha mãe a falar do assunto, quer imenso, mas ela assim: "Mas eu primeiro tenho que estudar." E é muito essa mentalidade de tipo, primeiro tem que ser tu.
Sim, e eu percebo, para tu te sentires mais confortável. E eu até acho isso mais inteligente, eu também vejo pessoas que não percebem nada e: "Olha, diz-me lá o que é que tu fazes, eu vou copiar" e não sabem ao certo o que é que estão a fazer. Eu acho que é importante tu teres conhecimento, seja em que área for. Acho é que não podes deixar que isso te trave, principalmente numa coisa em que existem opções com riscos muito menores.
É isso.
Eu, para comprar a minha casa, quando entrei no mercado imobiliário, comecei a perceber alternativas, opções, até, por exemplo, a diferença entre comprar um imóvel novo, que ainda não está construído, está em planta, está em construção, um imóvel já construído, toda a parte de pedires créditos, porque é que em alguns casos tu não podes pedir um crédito normal e noutros podes. Todas essas pequenas coisas frustravam-me um bocadinho no início, porque eu não percebia como é que funcionava e porque eu queria perceber. O dinheiro é meu, fui eu que trabalhei para o ter, e eu acho também é importante nós sabermos aquilo que estamos a fazer.
Claro, por isso é que eu digo que é preciso também começar a ler e primeiro educar-se sobre este tema antes de começares a investir. À maluca. Acho superimportante falarmos entre amigos e discutirmos isto, mas para dar esse passo, não é só confiar na pessoa que está ao teu lado e que diz que faz isto.
Sim. Tens que falar com várias pessoas e moldar um bocadinho o teu conhecimento. Eu, na compra da casa, falei com muitas pessoas, tanto do mercado, sei lá, gestores de crédito, imobiliárias e tudo mais, como também amigos meus, pessoas da minha idade que compraram casa. "Ok, como é que tu fizeste? Quanto é que tu gastaste? A tua casa..." Porque existem estudos que são feitos, tal como existe um estudo que é feito para perceber quanto é que vale a tua casa hoje, existem estudos que são feitos para perceber quanto é que vai valer a tua casa mais à frente. Obras previstas na área de residência, tipo inflação, todas essas coisas. E eu acho que é muito importante tu também estares "aware" daquilo que tu estás a fazer. E isto acho que é uma boa dica. Eu estava com muito medo de comprar a minha primeira casa, porque estava com medo que eu não a pudesse pagar. Eu tenho o meu próprio negócio. E se acontece qualquer coisa, sei lá, e eu não ganho dinheiro, o que é que eu faço?
Sim, mas é um compromisso muito grande.
E esses estudos todos que eu fiz deram-me uma tranquilidade e hoje eu estou supertranquila com a prestação que eu pago, com o facto de eu ter uma casa minha, sozinha, e eu trabalhar por conta própria, porque eu fiz esses estudos que me deram a segurança de, se tudo correr mal, estes são os passos que eu tenho que tomar. E se eu tomar esses passos, está tudo bem. Percebes? Eu acho que isso me traz muita segurança. E ao nível de ações, eu não percebo tão bem, mas acredito que também podem existir algumas ferramentas que diminuam o risco.
Sim, lá está, mas se fosse uma pessoa muito adversa ao risco, é isso que eu estou a dizer, começar por instrumentos que sejam mais seguros, historicamente seguros. Ou seja, nada é seguro a 100%, mas nem comprar uma casa é seguro a 100%. Não sabes se o mercado vai continuar para sempre a subir. É sempre arriscado, mas é perceberes até onde é que tu queres ir.
Claro.
E começas a experimentar e se calhar já começas a aumentar um bocadinho e a querer arriscar um bocadinho mais. Mas aquilo que estavas a perguntar em termos de dia a dia, de gestão mensal, eu acho que aquilo que te dá mais trabalho é no início. É tu estudares, é perceberes onde é que queres ir e é perceberes como é que as coisas funcionam. Porque depois quando o sistema está montado, é tipo: "Ok, esta porcentagem vai pra aqui, esta vai pra aqui, vou organizar os meus gastos, este é o orçamento." Já está tudo montado, está o template montado, está tudo a rodar. É tipo, já sei onde é que eu vou investir, já sei onde é que eu vou pôr o meu dinheiro, quais são os instrumentos para este mês. Quando já está o sistema montado, não tendes de perder muito tempo com isso. Eu pelo menos não perco, porque não quero ser uma trader.
Exato, não queres que isso seja a tua profissão, porque há muitas pessoas que vivem disso. Tenho outra pergunta pra te fazer, que eu tenho muita curiosidade. Ok, estamos a falar de investimento, explicaste um bocadinho como é que isso funciona, mas e depois? Ou seja, tu estás a investir e já falamos sobre a importância de nós termos objetivos a longo prazo e gerimos o nosso dinheiro consoante esses objetivos, mas tu tens esse dinheiro investido na bolsa, em ações, esse tipo de coisas. Mas o teu objetivo é um dia tirar esse dinheiro de lá?
É assim, se quiseres fazer dinheiro hoje, tens de investir em ações que deem dividendos. Existem empresas que mensalmente te dão dividendos com base nos resultados. E existe essa possibilidade de conseguires ganhar dinheiro mensalmente. A maior parte dos instrumentos também tem a possibilidade de, mesmo que dê dividendos, esse seja acumulado para voltar a ser reinvestido, no fundo. Agora, a ideia, isso vai depender do que é que tu vais fazer com o dinheiro no futuro, vai depender se o teu objetivo é te reformares aos 45 anos, é nessa altura tipo...
Tu tiras de lá o dinheiro.
Vais começar a tirar dinheiro ou vais continuar a investir e tens outra fonte de rendimento. Portanto, depende muito do teu objetivo. O teu objetivo é comprar uma casa, é chegar a ter € 30 mil em ações e quando chegares a esse montante, tirares e pôr numa casa? Depende do teu objetivo final. Neste momento, o meu objetivo é longo prazo. Eu não vou tirar o dinheiro pra já, nem tenho essa intenção. Pelo menos 10, 15 anos, vai ficar lá a render, pra depois no futuro poder usar.
Mas achas que resulta também pra quem tem objetivos assim a um prazo mais curto?
Depende de que montantes é que estamos a falar. Ou seja, pra isso acontecer terias de pôr mais dinheiro. Com € 60 por mês não ias lá chegar. Porque lá está, a vantagem do mercado de ações é o longo prazo, é o juro composto. Agora, consegues fazer dinheiro rápido se fores trader e tiveres a apostar em ações e estás a analisar mercados, pões muito dinheiro mensalmente, mas isto estamos a falar de um cenário super arriscado.
Sim, mas eu nem estava a falar nesse sentido. Eu estava a falar mais no sentido de que, ok, investir, mas o investimento só faz sentido se te trouxer alguma coisa pra tua vida, porque senão, por exemplo, tu nunca tirares de lá o dinheiro.
Mas a questão é, tu estás a montar um plano de investimento que te dê uma rentabilidade anual boa, certo? No mínimo, apostando em coisas seguras, dá-te uns 10%. Esta é a ideia. O ano passado puseste € 1.000 e está-te € 1.100 este ano. E este ano voltas a pôr mais € 1.000. Ou seja, o teu investimento este ano é 2.100. E estes 2.100 vai compor com o juro deste ano. Isto somado vai estar aumentando sempre o bolo. E a ideia é que a longo prazo, isto vai ser sempre positivo, no mínimo vai ser 10%, se tudo correr bem.
Claro.
Se tu investires em coisas mais arriscadas, consegues subir pra uns 15%, 20%. O poder depois do juro composto, consegues facilmente que isto ao longo dos anos... Agora, se me dizes: "Quero fazer dinheiro rápido." Puseste € 1.000 no próximo ano, este ano vais ter 1.100, € 100 não te vai fazer tanta diferença. Agora, pega em € 10 mil e faz o mesmo. Se calhar já te vai fazer um bocadinho mais de diferença.
Claro.
Portanto, isso depende de quanto é que tens pra investir. Quão rápido é que precisas de dinheiro.
O que eu te perguntava era mais nessa ótica de perceber, porque no mercado imobiliário eu consigo perceber, acho que é mais imediato. Tu, por exemplo, compras uma casa, vais pagá-la em X anos. Se tu a partir daquele momento, se a quiseres pôr a arrendar, consegues fazer contas e o investimento é de uma forma, na minha opinião, mais simples. Na bolsa, cada pessoa é muito pessoal, eu acho.
Não, mas eu acho que no imobiliário também estás a olhar de forma muito linear, tu também consegues fazer, imagina, uma casa que está em planta, tu compras o sinal, depois vendes o teu sinal. Ou outra forma, podes comprar uma casa que está caída de podre, fazes obras e passado quatro meses estás a vender por mais € 30 mil.
Sim.
Estás a pôr de uma forma linear uma coisa que também pode ser de várias formas. Aqui estamos a falar do mercado de bolsa, se quiseres podes investir em criptomoedas, podes investir em ouro, sei lá, existem imensos instrumentos. Estamos a falar da coisa que é mais comum, que é teres uma aplicação e investires em ETFs ou ações. Isto é o mais comum Porque a minha realidade é aquilo que eu conheço e aquilo que eu tenho que estar a experimentar.
Claro. Eu só estava a pensar isto, porque como nós também somos super jovens e as pessoas todas que eu conheço começaram a investir agora, então ainda não conheço ninguém que tenha: "Ok, com este investimento, eu agora sim vou pegar neste dinheiro e vou fazer isto, isto ou aquilo, na prática." E por isso é que eu te estava a perguntar se tu tinhas alguma-
Sim, imagina, tu podes pensar em começar a investir daqui a cinco anos. "Ok, quero comprar uma casa e preciso deste dinheiro para a entrada." E tiras lá o dinheiro. Agora tens é de fazer contas e pesar se este investimento da casa compensa mais do que eu tirar estes €20 mil daqui, que com os juros compostos, isto me vai dar isto daqui a X anos. Mas aqui é fácil de fazer contas e perceber. E aqui também. Portanto, é avaliar as tuas opções e perceber o que faz mais sentido e o que é mais rentável, no fundo.
Mas eu acho que é um investimento muito mais a longo prazo.
É muito mais a longo prazo. Mesmo tu achando que hoje em dia, se calhar, muitas das coisas não estão organizadas, partir primeiro por aí para organizar o teu dia a dia, as tuas finanças e gastos. Mas depois é definir o montante, nem que seja €100 por mês, para começar a experimentar e a testar.
Eu também acho que sim. Vou fazer isso.
Por acaso queria acabar aqui com duas perguntas. Primeiro, qual é que achas que foi o teu maior erro financeiro até hoje? Se tens assim um que te lembres, alguma decisão de não teres feito alguma coisa.
Eu acho que todos os meus erros financeiros vêm muito da falta de tracking daquilo que está a acontecer. Já me aconteceu pagar multas e não saber bem o controle dos extratos bancários, já me estiveram a tirar dinheiro de coisas que eu tinha. Esse tipo de coisas estúpidas aconteciam muito quando eu era mais nova. Hoje em dia tenho muito mais controle, até por causa da empresa e tudo mais, mas aconteciam muito esse tipo de coisas de eu não saber de onde é que estava a desaparecer o meu dinheiro. Ter mesmo não existir controle, quase, e acabavam por acontecer muito esse tipo de coisas. Não assim um investimento que eu tenha feito ao lado, alguma coisa que eu gastei dinheiro estúpido, claro que também. Às vezes as compras por impulso e esse tipo de coisas também já me prejudicou, mas eu acho que foi sempre falhas de planeamento. E tu?
Sim, eu por acaso estava a pensar nisto e acho que logo à primeira vista vem o erro de: "Devia ter começado a investir mais cedo." Mas eu também acredito que estarmos sempre a viver de "Mas eu devia ter começado..." É assim, eu comecei a investir quando fez sentido para mim, quando a informação chegou até mim e quando eu abri os olhos. Isso está tudo certo e não vamos viver com aquilo na cabeça de que eu devia ter feito. Não, a realidade é o que é. Agora, o meu maior erro financeiro, sem dúvida, que foi investimento desmedido várias vezes na Flare.
Ok.
Dar um passo maior do que a perna, no fundo, em termos de negócios. Mas isto também acho que tive de o aprender para hoje em dia e próximos projetos que eu tenha, ir com mais pés e cabeça, porque eu sou muito sonhadora e acho que precisei deste, apesar de ser um grande abanão, mas precisei do abanão para agora no futuro, sem dúvida que quando me puser em algum negócio vai ser mais passo a passo.
E ao nível pessoal, alguma vez lembras-te assim de alguma coisa, sem ser um negócio?
Olha, lembro-me, por exemplo, quando eu estava em Lisboa, lembro-me de querer manter um certo estilo de vida, continuar a viajar da forma que eu viajava antes, quando tinha um salário espanhol bom e a viver em casa. Corta para Lisboa, pagar as minhas contas e não ter um salário fixo. Algumas decisões que eu não podia pagar e que depois me fizeram sofrer e ter de andar atrás de formas de fazer dinheiro. Desenrasquei-me sempre e eu sempre também confiei muito em mim de tu te desenrascas, either way. Nunca pedi dinheiro aos meus pais, mas é tipo, tu vais arranjar formas de ganhar dinheiro. Porque eu também tenho muito esta cabeça de não teres ter só uma fonte de rendimentos e sempre tive esse mindset e essa forma de ver o dinheiro. Eu lembro, por exemplo, nesse ano em que eu estava mais instável, eu passei a passagem de ano em Madrid com amigas e eu estava muito apertada de dinheiro. E em fevereiro fui a Nova Iorque. Eu estava muito apertada de dinheiro.
Eu percebo.
Mas eu fiz acontecer. Como? Eu hoje olho para trás e não sei como é que eu fiz esta merda acontecer. Mas eu mexi-me!
Eu também estou um bocado assim.
Agora, se isto foi inteligente, não. Não, porque nessa altura andava em ansiedade, porque o dinheiro também ataca com ansiedade. E também não tinha a possibilidade de começar a investir mais cedo.
Claro.
Imagina, e eu poupei um grande bolo de dinheiro antes de me despedir, aqueles seis meses, mas mesmo assim não foi suficiente. O tempo que eu demorei até o meu negócio começar a arrancar foi bastante mais. E eu mantive um bocado o meu estilo de vida que eu tinha antes. E eu acho que esse foi o meu erro, foi não querer fazer esse ajuste, não dar a parte fraca. Eu não vou dizer que não a uma viagem. Não vou. Porque eu acabei de me despedir e as pessoas vão duvidar de mim, percebes?
A sério, tu sentias isso?
Claro.
Era por isso que...
Claro. Não, isto está a correr bem, tu puseste dinheiro. Estava, não estava?
Isso é tão engraçado, porque eu nunca pensaria isso.
Ego, isto é ego total
Que giro.
Não vou mostrar a parte, não é giro.
Foi não.
Mas isto é um erro. Claro que foi um erro, como é lógico. Mas pronto, olha, sempre fui desenrascada.
Fui a Nova Iorque e a Madrid.
Fui a Nova Iorque e a Madrid, olhem!
Mas isso depois também te deu, se calhar, muito mais clareza para gerires as coisas de uma forma totalmente diferente.
Claro, eu acho que hoje em dia sou muito organizada por causa disso. Essa fase fez-me ser organizada.
Pois.
Mesmo. Controlar tudo, todos os gastos.
Pois, eu sinto que isso é uma coisa que eu acho que vai mudar minha vida.
Última pergunta, e é por aí: o que achas que podias melhorar neste momento nas tuas finanças pessoais e por onde é que vais começar?
É isso. Eu acho que o tracking. Eu acho que isso faz tanta diferença. A minha irmã é muito poupada, a minha irmã mais velha. É muito poupada e é muito mais poupada que eu e super regrada. E ela, desde sempre, desde miúdas, eu ganhando mais dinheiro do que ela, ela conseguia ter sempre mais dinheiro do que eu.
Minha irmã é igual.
Sempre.
Minha irmã é igual.
E eu ficava frustrada. E depois quando és miúda, tu começas: "Isso é porque tu não vives e porque não sei o quê e porque não sei o que mais." Ok.
Não, mas eu acho que o equilíbrio é importante.
O que eu acho é: ela não gasta dinheiro nas mesmas coisas que eu. Percebes? Ou seja, eu acho que é muito importante tu perceberes o que é que para ti.
Isto é bué pessoal.
Para mim, eu posso querer gastar €300 por mês na Zara e para mim fazer todo sentido e faz-me feliz. E para ti, tu não gastas, mas duas vezes por ano gastas €6 mil em viagens. Ok, está tudo bem. Se calhar vamos gastar o mesmo dinheiro ou tu vais gastar mais dinheiro do que eu e tu vais achar... Acho que não é por aí. Acho que o controle financeiro, o livro que eu li, que tu me desafiaste a ler, fala exatamente sobre isso. Que é uma coisa que eu não faço e eu quero muito ir por aí, principalmente agora que estou a viver sozinha, que tenho imensos encargos meus e só a depender de mim. Uma das coisas que eles lá falam, que eu achei uma seca e que não me apetece fazer, mas que faz todo sentido, é renegociar contratos. Às vezes, tu tens um contrato Vodafone, uma coisa assim, que tu já nem sabes bem quanto é que estás a pagar, já nem sabes bem que serviço é que tu tens, que coisa é que tu tens, que não sei o quê.
Há coisas que nós inconscientemente, mesmo, por exemplo, subscrições de apps e coisa assim, que estão lá e tipo...
O World Analog, que eu nem sabia que tinha subscrito, tirou-me dinheiro e eu tipo: "Como é que eu não sei isto? É mesmo estúpido." Ok, não é assim imenso dinheiro.
Não, é isso, é tudo somado.
O que é que diz sobre mim eu não saber que tenho esta subscrição? Percebes?
Ya.
É sobre isto, sobre o tracking, sobre tu saberes exatamente. Eu tento fazer um controle, mas dizem que as pessoas mais milionárias controlam esse tipo de coisas mínimas.
Sim, é isso, é um bocadinho o resumo desta conversa, que nós obviamente que aumentamos o estilo de vida, eu acho que faz parte quando ganhas mais, porque não me faz sentido hoje em dia eu ir viajar e comer sandes de atum do supermercado.
Tu já fizeste quando era miúda.
Já fiz. Já fiz parte, hoje em dia não faz. E há coisas que fazem sentido investir, que custa dinheiro e outras não. Mas é preciso estarmos conscientes de onde é que o dinheiro está a ir. E muitas vezes há coisas que é tipo, vou comprar um latte de €5 só porque me apetece. Se calhar vou para casa a seguir, posso beber o latte em casa. É este tipo de ginástica que eu própria ainda tenho de, respondendo à pergunta também o que eu posso melhorar, é principalmente nestas coisas, que eu sinto que sou organizada, mas ainda conseguia poupar mais. Conseguia ainda ser um bocadinho mais controlada nestas coisas, nestas pequenas coisas. Lattes fora de casa, é isto. Há pequenas coisas que não mudam assim tanto o teu estilo de vida.
Pois não. E às vezes são quase fúteis e tu começas a sair um bocado daquilo que é o racional. Eu acho que deixas de ser racional com o dinheiro também.
É "mereço, mereço tudo".
Isso é um mau pensamento. Eu também acho. Há bocado estavas a falar sobre Nova Iorque e Madrid e tudo mais. E também há uma crença ao contrário sobre dinheiro. Eu sempre tive muito o pensamento, que veio da educação que a minha mãe me deu, que a minha mãe quase que manifestava o dinheiro. A minha mãe acredita muito nisso. Claro, o trabalho, mas o assumir que o dinheiro vai e vem, e não teres uma relação de ansiedade constante com o dinheiro e aprenderes a viver em fases em que, ok, não tenho tanto dinheiro, mas ele vai chegar, porque eu trabalho para ele. E eu acho que isso foi uma coisa que foi muito positiva para mim quando eu estava em Lisboa e tinha pouco dinheiro. Eu agarrava-me muito a essas coisas que a minha mãe me tinha ensinado. E claro, é preciso trabalhar para ganhar dinheiro. Não estou a querer dizer que é só tu pensares que o dinheiro vai aparecer, que ele vai aparecer. Mas tu, quanto mais tu andas obcecado com o dinheiro, às vezes menos ele aparece. Eu acho que é importante nós também conseguirmos manter uma relação saudável de perceber os timings, de "ok, eu estou a plantar agora, eu estou a trabalhar de uma forma consciente para ter este dinheiro daqui a X tempo", mas não querer também o dinheiro amanhã e viver obcecado com isso e obcecado com aquilo que estamos a gastar.
Porque aí depois é que vais fazer erros. Imagina, se naquela altura em que eu não tinha muito dinheiro, se eu tivesse tipo, em vez de eu ter ido dar consultorias e arranjar estas fontes de rendimento, se eu tivesse pensado: "Ok, eu agora tenho isto, se calhar vou investir isto para fazer rápido nesta ação." Aí eu tinha cometido erros, ou casinos, ou jogos, ou lotaria, Euromilhões, whatever São estas formas fáceis e rápidas de ganhar dinheiro que muitas vezes são os erros que nós cometemos, porque estamos a fugir por aquilo que "slow and steady". Não é?
Sim.
Não querer as coisas para amanhã.
E acho que uma coisa também é o trabalho inteligente. Isso é uma coisa que eu tenho vindo a estudar um pouco mais nos últimos tempos. Eu tinha muito esta cena de: "tu precisas trabalhar muito para ganhar muito dinheiro." E comecei a perceber que para além de tu teres que trabalhar de uma forma muito mais inteligente, e aí existem muitos passos, desde tu perceberes o que é que são tarefas urgentes e o que é que não são tarefas urgentes, que tarefas e que serviços que tu tenhas ou que trabalhos é que tu fazes que te dão maior rendimento, o delegar, o tu estruturares a quanto é que deves vender, seja aquilo que for.
Sim, mas estamos a falar em caso de empreendedorismo.
E não só. Por exemplo, eu acho que uma pessoa que tem um trabalho das 9 às 17h, pode ter pequenos "side hustles".
Isso eu também acho.
E eu sou superapologista disso. Eu sempre tive durante toda a minha vida, eu nunca trabalhei só numa coisa. Isto é giro até. Eu quando estive a trabalhar por conta de outra pessoa e que foi o período de tempo em que eu estive mais estável financeiramente, porque eu trabalhava por conta de outra pessoa, tinha um ordenado alto, eu nunca deixei de ter "side hustles", porque eu aí tinha um objetivo muito específico, que era abrir o meu negócio.
Uhum.
E aí eu fiz um planejamento. Agora lembrei-me disso. Fiz um planejamento muito estruturado nesse sentido. Mas isto para dizer que todas estas pequenas coisas que tu podes fazer para trabalhar de forma mais inteligente, podem te trazer também resultados financeiros muito melhores, não é com menos esforço, mas de uma forma muito mais otimizada, que é tu não estares a trabalhar feito louco com o único objetivo de dinheiro e estás a ponderar muito mais aquilo que tu estás a fazer.
Eu concordo, porque acho que nós muitas vezes associamos só o fazer dinheiro ou acumular dinheiro com poupança, mas também existe o outro lado, de ganhares mais. Existe. Só que muitas vezes, lá está, o estares só numa empresa, teres aquele salário e se calhar não teres tempo para pensar noutra coisa, isso meio que fica perdido, mas eu acho que toda a gente consegue, nem que seja aquele exemplo da Vinta de vender coisas. Toda a gente tem habilidades e hobbies e coisas que gosta, que se calhar até é possível monetizar de certa forma. Mas acho que é preciso ter disponibilidade mental e...
E quereres, claro que sim.
E quereres procurar isso. Por acaso tenho aqui só uma última pergunta, porque eu fiquei a refletir sobre isto. À medida que o nosso negócio vai crescendo, no nosso caso que temos negócios, eu sinto que o montante que me deixa tranquila mensalmente, aumenta.
Claro. Sim, claro que sim.
Percebes? Ou seja, se calhar quando eu estava a começar, o meu objetivo era ganhar X por mês. Hoje em dia ganho muito mais do que aquele primeiro objetivo, mas ainda não é suficiente. E eu acho que isto acontece-me também muito, porque eu olho sempre para isto como temporário. Eu acho que isto é a minha crença de que o dinheiro não pode vir de forma fácil sem eu estar a trabalhar 12 horas por dia a sofrer.
Ou seja, tu achas que como agora não estás a trabalhar 12 horas por dia a sofrer, no próximo mês já não vais...
No próximo mês, se calhar, já não vai correr tão bem.
Ok.
Isso aqui é uma coisa que eu também tenho que desconstruir.
Mas eu percebo 100%. Isso acontece-me.
Porque imagina: "Está a correr bem agora, mas daqui a dois anos já não vai correr bem." Portanto, põe o teu dinheiro a trabalhar para ti. Mas eu também acho que faço bem em fazer isso, porque planeio o futuro e não estou a viver a vida e a gastar o dinheiro só porque estou a ganhar mais, e estou a planear o meu futuro com base naquilo que acredito e a investir e tudo mais, a pôr o dinheiro a trabalhar para mim. Mas acho que isto também vem muito de uma crença de que as coisas estão a correr bem hoje, mas isto não é para sempre.
Sim, mas eu acho que também tem a ver com isso do trabalho. Não sei se tanto de não ser para sempre, mas é tipo, eu preciso estar a trabalhar muito para isto acontecer sempre. Até porque tu provaste a ti própria que se tu trabalhares muito, isto acontece, porque tu trabalhaste muito para isto acontecer.
Sim, foram muitos anos até isto acontecer.
Exatamente, eu sinto exatamente isso.
Agora isto é temporário, os lucros, os frutos disto é temporário.
Porque tu precisas de continuar dessa forma. Sem dúvida, tem a ver com isto de trabalhar de forma inteligente. O dinheiro tem muito mais poder no nosso dia a dia e nas pequenas coisas do que nós achamos. Muito, mesmo. Eu sinto que eu parei nas férias de trabalhar durante o mês de agosto, eu decidi, eu parei de trabalhar, eu ganhei muito menos, claro, porque eu não trabalhei e nessa altura o meu negócio dependia muito de mim. Se eu não trabalhasse, eu não ganhava. Mas eu escolhi isso, eu fiz um planeamento para poder não trabalhar durante o mês de agosto. O que aconteceu foi que eu entrei numa ansiedade. Eu estive lá bem. Quando eu cheguei para voltar a trabalhar, eu estava a dizer: "Eu tenho que aceitar tudo".
Eu acho que é por já termos passado por períodos, se calhar, mais ansiosos e numa fase inicial do negócio, que depois hoje em dia, parece que há sempre essa pressão.
E porque és tu que pagas o teu ordenado. Eu acho que isto é uma coisa que é importante falar quando tu tens o teu próprio negócio. Depende de ti, literalmente, e isso traz-te uma pressão acrescida. Tu culpas-te muito mais de não estar a trabalhar, porque tu tens medo, tu sabes, tu precisas trabalhar para pagar as tuas coisas. E tens medo que se tu não trabalhares, o dinheiro não apareça. E que, de facto, se tu deixares de trabalhar, eventualmente, não vai aparecer. Mas acho que é importante encontrar formas de trabalhar de forma mais inteligente.
Mas tu achas que tens um número que para ti era tipo, se eu ganhasse isto por mês, eu estava bem? E achas que esse número ia chegar lá e ia se manter?
Não.
Pois.
Está sempre a aumentar.
Achas que isso é saudável?
Acho que...
Até onde?
Pois, ok.
Mas, por outro lado, também é aquilo que nos move de querer continuar, fazer mais, a ambição.
A ambição, sim. Acho que o dinheiro é um bocado uma consequência disso. Percebes? Pelo menos para mim. O dinheiro nunca foi o meu foco quando eu criei o meu negócio. Nunca. Então eu sinto que ele sempre foi uma consequência do meu trabalho. Hoje em dia, tendo em conta os investimentos e as despesas que eu tenho, o dinheiro é algo que está muito mais presente como "aware". Eu sei que preciso fazer este dinheiro para pagar as coisas que eu tenho para pagar. No início do meu negócio, quando eu não tinha tantas despesas, o dinheiro não era tanto o meu foco. Mas eu concordo contigo que é importante chegar um momento em que tu tens que ser equilibrada em relação a isso. Eu, como não sou "money oriented" 100% de todo, não sou esse tipo de pessoa, até me assusta um bocado pessoas em que é 100% o foco, é 300 vezes o foco. Não existe quase propósito, às vezes, associado, sem ser o monetário.
Mas se calhar essas pessoas até podem ter como objetivo, um grande objetivo de atingir um certo valor para liberdade financeira. E está tudo certo.
Sem dúvida.
O propósito é esse, é pessoal, é construir uma família, ter um dinheiro para comprar a casa e dar educação aos filhos.
Sim, pode ser esse, sem dúvida.
Agora, nós estamos em negócio a construir coisas que gostamos, se calhar o foco é diferente, mas isso não tem de ser a realidade de toda a gente.
Não. Isso também é uma aprendizagem, é perceber que o teu dinheiro é o teu dinheiro e tu fazes o que quiseres com ele.
Amiga, acho que estamos a chegar ao final, que estamos aqui a falar há uma hora e meia. Tens mais alguma pergunta, mais alguma coisa que gostasses de falar? Ficamos aqui com as recomendações dos livros.
Sim.
"Segredo da Mulher Milionária".
Podes deixar também na descrição.
"Pai Rico, Pai Pobre" e o livro da Bárbara Barroso, "Contas Poupança" para aprender a poupar mais.
Sim. Esse tem muitas dicas práticas mesmo.
Se conseguirem ir a eventos, encontros de finanças pessoais, eu aconselho. Fui ao das Club Finanças e fui ao Money Bar. Não sei como é que se chama o evento, mas da Bárbara Rose, também gostei muito. Acho que é fixe para iniciantes, principalmente.
Eu tenho um conselho também, que é: falem de dinheiro com os vossos amigos.
Sim, isso é superimportante. Às vezes há pessoas à vossa volta que se calhar nunca tocaram nesse ponto, mas se calhar até são superapaixonados por isso. Só não sabemos.
E às vezes há pessoas que têm um ordenado, acham que: "Eu tenho um ordenado bué baixo, eu não consigo investir, não consigo fazer isto, eu não consigo fazer aquilo." E a maior parte das pessoas, provavelmente do vosso ciclo, que estejas na mesma faixa etária, provavelmente não vai ser assim tão diferente a realidade deles da vossa, e com algumas dicas e algum conhecimento extra que outras pessoas podem ter, conseguem perceber.
Ya, falemos de dinheiro mais abertamente.
Eu acho que isso é bué importante.
Estamos faladas, agora temos de ir cumprir com os nossos objetivos financeiros.
Eu vou cumprir. Eu ontem passei a minha noite a tratar de organizar minhas finanças pessoais. Agora tenho que fazer o tracking.
Pronto, no próximo episódio fazemos um update.
Fazemos. Eu já montei o meu Notion direitinho. Descarreguem o vosso Notion também.
Exato.
Para começarmos a ser todos organizados e estáveis financeiramente, e a investir e a preparar o nosso futuro.
Enfim, é isso. Vemo-nos no próximo episódio. Não é fácil, eu sei. Mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?