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Está no ar a Boa Moeda, Má Moeda. Paulo, este país não é para nós, não é para jovens.

Ora, nem mais.

Pensei que tu já fosses para Viseu, que fica um bocadinho mais longe.

Pois, pode ser que esteja mais perto desse paraíso para jovens.

Desse elysium.

Claro. Mas isto a propósito de um estudo, que aliás vai ser divulgado hoje, feito pelo Conselho Nacional da Juventude, que vai ser apresentado na Assembleia da República, que chega à conclusão que 7 em cada 10 jovens não consegue ser financeiramente autónomo, e a maioria dos jovens ganha abaixo do salário médio nacional. Isto foi um inquérito feito a mais de 3 mil jovens.

Paulo, jovens significa até que idade?

30 anos. Pessoas entre os 15 e os 30 anos.

Já estás dentro.

Portanto, ainda estás dentro. Por pouco.

Por pouco.

Mas estás lá.

Mas estás lá, praticamente.

Claro, praticamente. É só um detalhe. Um dos pontos que este estudo quis avaliar foi precisamente a capacidade de emancipação, isto é, dos jovens saírem de casa dos pais, por exemplo, e serem autossuficientes. E os jovens descrevem este processo como sendo cada vez mais longo, mais instável e mais desigual, com vários fatores estruturais que dizem que dificulta a independência financeira. Um deles é, obviamente, o preço da habitação, que dificulta todo esse processo. A esmagadora maioria dos entrevistados ainda está a estudar, seja a tempo inteiro, seja a tempo parcial, a tempo parcial 10%. Ainda assim, cerca de um terço já está a trabalhar. E mesmo entre aqueles que trabalham a tempo inteiro, ter um emprego não significa que seja sinónimo de autonomia financeira. Muitos daqueles que trabalham a tempo parcial ganham menos do que o salário mínimo nacional e perto de metade ganha entre 870 € e 1.500 €, sendo que só 13% estão acima deste patamar dos 1.500 €.

Pois, assim fica difícil, não é?

Fica difícil. Estamos a falar de pessoas que vão até aos 30 anos. Portanto, já estão, em média, largamente dentro da sua vida profissional.

Claro, sim.

O estudo vai ser divulgado hoje com mais detalhe. Enfim, não é nada que nós não suspeitássemos já. Mas estas coisas é melhor passar das perceções aos dados e aos estudos.

Paulo, e falaste aí da habitação. O preço das casas não para de subir.

Não para de subir. Ontem tivemos mais um indicador disso mesmo, do INE, o índice de preços da habitação, que aumentou 17,7% no terceiro trimestre, em relação ao trimestre homólogo do ano passado. Nós sabemos que isto é claramente acima da inflação, a inflação anda à volta dos 2%, 2.2%. Portanto, a habitação aqui a puxar muito os preços para cima. Estes dados do INE também dizem outra coisa: dizem que as casas existentes já, ou seja, as casas que não são novas, que não estão a ir para o mercado a primeira vez, aumentaram 19%, e que as habitações novas aumentaram, vou pôr aqui umas aspas no apenas, apenas 14%. E dá aqui uma diferença de cinco pontos percentuais. Isto também no terceiro trimestre, o que significa que provavelmente nos setores mais centrais, já construídos anteriormente, obviamente os preços vão subindo cada vez mais. Há aqui também uma desigualdade, se quisermos, que torna as casas que já estão no mercado cada vez mais inacessíveis. Portanto, o velho problema da habitação aqui a condicionar tudo, os jovens também.

Sim.