O primeiro-ministro francês critica os “atos de violência” que ocorreram em várias cidades do país este sábado, resultando em mais de 270 pessoas detidas. Em Paris, há registo de confrontos violentos entre a polícia e manifestantes, assim como várias lojas vandalizadas e pequenos focos de incêndio nas ruas da capital.
Numa publicação na plataforma X, Sébastien Lecornu afirma que “as manifestações pacíficas têm todo o lugar na nossa República”, mas nega que haja esse espaço para “os incêndios, as pilhagens e os ataques”.
Lecornu acusa “os grupos de extrema-esquerda de organizarem atos de violência em várias cidades de França”, acrescentando que “os delinquentes juntaram-se a eles para saquear e destruir”.
“Numa altura em que há quem procure difamar as nossas forças de ordem, quero dizer aos franceses que podem orgulhar-se dos seus polícias e dos seus gendarmes”, diz o primeiro-ministro. Lecornu defende que os polícias “enfrentaram uma violência de extrema intensidade para proteger os cidadãos”.
O governante deixa uma mensagem “a quem claramente quer transformar estes atos de violência num ‘aquecimento’ antes das eleições presidenciais”. “Não nos deixaremos intimidar”, afirma. “Ninguém vai impor a sua agenda política através da violência.”
Sébastien Lecornu afirma que “as instruções dadas são claras”, reforçando que há que “impedir os abusos, proteger os bens e as pessoas, deter os autores e levá-los à justiça”.
Lecornu promete que o governo francês pretende “levar até ao fim o debate sobre o projeto de lei ‘quem destrói, paga'”. “O dinheiro público é escasso: deve financiar os nossos serviços públicos, não reparar incessantemente o que os vândalos destroem. Cabe-lhes a eles arcar com os custos”, atira.
Les manifestations pacifiques ont toute leur place dans notre République. Les incendies, les pillages et les attaques n’en ont aucune.
Aujourd’hui, des groupes d’ultragauche ont organisé la violence dans plusieurs villes de France ; des délinquants s’y sont mêlés pour piller et…
— Sébastien Lecornu (@SebLecornu) October 17, 2026
Os protestos em França duram há já várias semanas, tendo começado por concentrações de estudantes do ensino secundário, que reivindicam melhores condições no ensino. Entretanto, também outras organizações se juntaram aos protestos para contestar o aumento do custo de vida em França.
Esta terça-feira, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) estima que estiveram 800 mil pessoas nas ruas. A CGT marcou mais um dia de manifestações e greve para 5 de novembro.
Presidente francês promete “perseguir e punir” quem vandalizou comércio e autarquias
O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirma no X que “não há lugar para a violência na República”.
“Aqueles que destruíram, atacaram as autarquias e os estabelecimentos comerciais e saquearam até mesmo as nossas câmaras municipais, serão processados e punidos”, escreve.
Macron deixa uma palavra de apoio “às forças da ordem, os garantes do direito à manifestação”. “Vamos fazer uma frente unida contra os semeadores do caos, que apenas procuram derrubar as nossas instituições e impedem aqueles que expressam pacificamente as suas reivindicações de o fazerem.”
Aucune place pour la violence dans notre République.
Ceux qui ont cassé, attaqué les préfectures comme les commerces, pillé jusqu’à nos mairies, seront poursuivis et punis.
Aux forces de l’ordre, garantes du droit à manifester, je dis le soutien de la Nation.
Nous ferons tous…
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) October 17, 2026