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Tudo pronto para mais uma Boa Moeda, Má Moeda da Rádio Observador, sempre com o Paulo Ferreira. Paulo, vamos a isto.
Vamos lá, hoje não há boas moedas.
Pois não.
Não. As taxas Euribor deram ontem um novo salto, foi feriado em Portugal, mas não foi em todos os países, portanto o mercado europeu continua a funcionar. E deram um salto por quê? Porque foram divulgados os dados da inflação da zona Euro, que subiram ou ficou a inflação acima das expectativas. Já vai em 10,7% e há aqui uma lógica, obviamente, de quanto maior for a inflação, a expectativa de toda a gente é que mais altos serão os juros, porque é necessário uma ação maior do BCE para travar uma inflação que é cada vez maior. E portanto, é essa a expectativa para os próximos meses, o que levou a Euribor a seis meses, de facto, a que ia subir, a avançar já a caminhos de 2,2%. Só pra comparar, a média em agosto, há três meses, era inferior a 1%, era 0,84%. Portanto, há aqui um salto, não é três vezes mais, mas é duas vezes e meia mais. E, portanto, vem aí mais subidas da prestação, como é evidente.
E o pior, e a má moeda, é que isto nem deve ficar por aqui. O aviso já foi feito pela presidente do BCE.
Exato, ontem mesmo, e apesar das críticas dos políticos, Christine Lagarde deu ontem uma entrevista a um jornal da Letônia. Letão parece-me sempre uma palavra estranha.
Pois é.
E ela diz que o BCE deve manter a subida das taxas de juro, de modo a conseguir atingir o objetivo de trazer a inflação para valores próximos dos 2%. Mesmo com as probabilidades de uma recessão na zona Euro, que são cada vez maiores, está a aumentar esta linha. E portanto, as críticas dos governantes não mudam, obviamente, o caminho do BCE. Ela diz claramente, Christine Lagarde: “O nosso mandato é estabilidade de preços e temos de conseguir isso usando as ferramentas que temos disponíveis”. Ponto final, parágrafo. E aí os políticos falam, e ela e o BCE mantêm-se firmes em relação ao seu mandato.
E vamos à outra má moeda.
Sim, isto está tudo ligado. Algumas pessoas terão que renegociar créditos quando os orçamentos ficam muito apertados. E há aqui um alerta importante, que foi feito agora pelo presidente executivo do BCP, Miguel Maia, durante a sessão da apresentação de resultados do banco. Este gestor diz que espera, obviamente, aquilo que o governo está a preparar em termos de legislação, para acomodar ou para socorrer, se quisermos, estes casos. Mas ele pede que não se deem incentivos errados da parte do governo, neste caso, à reestruturação dos créditos de habitação. E por quê? Porque a reestruturação de um crédito não se faz, obviamente, sem custos de reputação para os clientes. Este gestor, o CEO do BCP, diz que há uma marcação dos clientes que partirem para essas soluções, o que é normal, e que há um estigma que depois não é irrelevante quando no futuro for pedido um novo crédito por esses clientes.
Ou seja, não é um cadastro, mas é quase.
É quase. Obviamente que a dívida só é renegociada por acordo do banco, portanto, não há aqui nenhuma atitude, nem pode haver, unilateral por parte do cliente, mas há aqui uma relação de confiança e de cumprimento dos contratos que fica sempre ferida quando isto acontece. No futuro crédito, obviamente que esse historial é tido em conta pelo banco, como é evidente.
Portanto, há que ter cuidado ao utilizar esses instrumentos.
É isso mesmo. Não o fazer quando a situação não requer mesmo obrigatoriamente. Tudo é preferível, obviamente, a falhar pagamento de prestação, ir falar com o banco, mas se não for mesmo necessário, é melhor não fazer a reestruturação só pra ficar com mais folguinha. Já agora, vamos reestruturar pra ficar com mais folguinha nas contas lá em casa. Se não for mesmo necessário, é melhor não fazer, porque isso tem custos no futuro, o que é normal, obviamente.
Claro. Paulo Ferreira e o Boa Moeda, Má Moeda. Amanhã há mais novidades daquelas que mexem com as nossas finanças.