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Paulo, as taxas Euribor continuam a subir.
É verdade, vão-se preparando para continuar a abrir um bocadinho os cordões à bolsa. Quem tem crédito à habitação, ontem, aqui em dois prazos, seis meses e 12 meses, os prazos mais longos, isto significa que é complicado estar a olhar para estes prazos e está a ver que as taxas vão estar mais altas nessa altura do que estão agora. Bateram-se aqui máximos de cerca de dois anos. Na taxa a seis meses, ontem, esteve muito próxima dos 2,8%, é a mais alta desde novembro de 2024, e na taxa a 12 meses já vai bem acima dos 3%, em 3,12%. É a mais alta desde agosto de 2024.
O problema é que os cordões da bolsa não são infinitos.
Não são infinitos, não são elásticos. Portanto, chega a um ponto que não dá para ir mais.
Não está a acumular tudo.
Isto obviamente tem a ver também com as novas perspectivas sobre a evolução de juros do BCE, porque se no início deste ano punha-se a hipótese de uma subida, eventualmente, ao longo deste ano, quando foi o conflito. À medida que o conflito se foi prolongando, que o petróleo não baixa, que a inflação vai subindo, já se fala em duas, possivelmente três subidas mais de juros este ano.
Quem diria como as coisas mudaram em tão pouco tempo.
É verdade. E as taxas de Euribor vão refletindo um bocadinho, em antecipação, essa perspectiva de evolução de juros. A taxa Euribor a seis meses é a mais utilizada em Portugal para créditos à habitação. Cerca de 40% do total de empréstimos que estão em vigor, que estão feitos com taxa variável, como é evidente, estão indexados à Euribor a seis meses e significa que nos próximos meses, no início de cada mês, vamos estar aqui a dizer que as prestações vão subir, dependendo agora da amplitude da subida, mas temos de contar com isso para os próximos meses.
Mas olha, estamos mais fortes na criação do emprego.
Criação de emprego, o mercado está muito dinâmico em Portugal, não é de agora, vem dos últimos dois ou três anos. A questão da imigração também está naturalmente ligada a esta dinâmica do emprego, isto é, são empregos que no fundo estão a ser ocupados por imigrantes e se não fossem os imigrantes, muitos deles provavelmente não seriam criados também. Portanto, há aqui uma dinâmica econômica a este nível e olhando agora na comparação com outros países europeus, Portugal apresentou no segundo trimestre deste ano a terceira maior subida homóloga do nível de emprego. Isto entre os Estados membros da União Europeia, a taxa estava em 66,1%. Que taxa é esta? Taxa de emprego que no fundo diz-nos a percentagem de pessoas em idade laboral que estava de fato empregada, que tinha um emprego, 66%. Perguntamos: e os outros 34%, números redondos? São pessoas que estão a estudar, por exemplo, mas estão em idade já acima dos 16 anos, idade ativa, mas estão a estudar ou não trabalham por alguma razão ou não têm um emprego registado. E portanto, esta taxa é uma taxa elevada para aquilo que são os padrões. Há aqui uma subida de 2,2 pontos percentuais, em termos homólogos. Se olharmos para a evolução em cadeia, isto é, do primeiro para o segundo trimestre, Portugal foi o país onde este indicador mais subiu mesmo, entre todos da União Europeia. À nossa frente, em termos homólogos, ficaram Malta e Espanha com criações de emprego maiores. Cá está uma dinâmica importante. Continuamos com o problema de serem empregos muitas vezes de baixo valor acrescentado.
Ia perguntar sobre isso, que empregos? De que empregos estamos a falar? É essa a discussão que temos.
Empregos de verão, aqui. Claramente, há aqui uma sazonalidade forte. Se olharmos para os outros países, também são países onde o turismo tem um peso forte. Espanha e Malta, por exemplo. Há aqui esse efeito. Nós sabemos que, por regra, os empregos na área do turismo, agricultura também, porque estamos em fase de colheitas, são empregos com baixo valor acrescentado, isto é, com baixos salários e muitas vezes sazonais. Esse é o problema, porque com a criação de emprego que tivemos nos últimos anos, se fossem empregos de maior valor acrescentado, a economia tinha crescido muito mais do que os 2% que têm crescido ou 2,5%, se quisermos. Mas pronto, pelo menos a boa notícia é que o mercado de trabalho está dinâmico e pelo menos não há falta de emprego, se quisermos.