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Esta é a Boa Moeda, Má Moeda das manhãs 360. Vai haver mais concorrência dos autocarros de longo curso.

Assim se espera.

Isto interessa tanto ao Bruno que ele saiu logo para o telefone.

Interessa? Não, ainda estou aqui.

Até voltaste atrás, não foi?

É um tema que me interessa bastante.

Acho que a Ana ainda bem que fez esta pergunta.

Depois já falamos disso. Depois nós contamos-te. Não, este é um tema daqueles que se vai arrastando há meses, há anos até, que é um conflito entre a Flixbus e a Rede Nacional de Expressos. É um tema que tem a ver com Lisboa, mas que depois também tem impacto em todo o país, a concorrência entre estes dois grandes operadores de viagens de curso, portanto, autocarros de longo curso. A Rede Nacional de Expressos é um dos operadores e a gestora do terminal rodoviário de Sete Rios em Lisboa.

Um belo terminal, diga-se de passagem.

Um belo terminal. Está ali um belo barracão. Aquilo é provisório há 30 anos, talvez.

É, está quase.

Quando saiu da Casal Ribeiro, depois do Arco do Cego, depois foi para ali. Mas está quase, há 30 anos.

E é muito bom para largar passageiros, é ótimo.

E para embarcar e tudo. Não tem problemas nenhuns de trânsito lá, de entrada e saída no parque, tudo. Estamos todos a agonizar, como é evidente. Aquilo é deprimente, de facto, como é que a capital do país tem um terminal rodoviário naquele estado. Mas é o que é, e a Rede Nacional de Expressos ocupa aquilo exclusivamente para si, porque é a entidade gestora, porque o Estado lhe atribuiu a gestão erradamente. Ora bem, sendo a entidade gestora, tem feito tudo para que a Flixbus, que é o seu grande concorrente, que entrou há meia dúzia de anos, talvez um pouco mais, no mercado e com preços muito competitivos, também utilize aquele terminal rodoviário, que é da cidade e não é da Rede Nacional de Expressos. O assunto foi para tribunal e agora o Tribunal Administrativo de Lisboa deu razão à Flixbus. O tribunal liberou a concessão imediata do acesso do terminal rodoviário à Flixbus, obviamente limitada à capacidade efetivamente disponível no tribunal. A Rede Nacional de Expressos vai agora ter que indicar ao tribunal qual é a disponibilidade de cais e de estacionamento, vai ter que especificar qual é a quantidade disponível em relação àquela que está ocupada, vai ter que dizer para cada horário solicitado pela Flixbus qual é a disponibilidade e portanto, a Flixbus vai passar a ter acesso também a esse terminal, porque até agora está a utilizar a zona da Gare do Oriente para chegadas e partidas. E o tribunal diz que se a Rede Nacional de Expressos não apresentar no prazo de cinco dias após o trânsito em julgado desta sentença, são os seus órgãos titulados, os administradores, que passam a ter responsabilidade, vão ter multas de 92 € por cada dia de atraso em relação às recomendações do tribunal. Não sabemos se fica por aqui, se isto ainda tem recurso para o tribunal por parte da Rede Nacional de Expressos, mas é uma intervenção judicial que vai permitir condições de concorrência em pé de igualdade entre as duas grandes redes de autocarros no país e que são muito utilizadas. Portanto, é uma boa notícia para os consumidores, porque a concorrência é o fator que pode levar a uma maior queda ou contenção de preços.

Entretanto, Paulo, em abril começa o sistema de depósito de garrafas e de embalagens de bebida, não é?

É o retorno. Há 30, 40 anos, eu lembro-me de ser miúdo e já havia o depósito das garrafas de vidro. Na altura, também não se utilizava plástico, era raro utilizar plástico para isso. Era vidro e lata para algumas bebidas, mas sobretudo vidro. Agora, por razões ambientais, vai ser criado este sistema de depósito e reembolso. A marca chama-se Volta, vai começar em abril. A ideia é aumentar as taxas de reciclagem no país. O projeto é coordenado pelo Estado, mas desenvolvido também com um consórcio que reúne as principais empresas da indústria dos refrigerantes, águas e cervejas e também do retalho alimentar, vulgo supermercados e hipermercados. E o mecanismo é simples: por cada garrafa ou lata que seja comprada, que pode ser de plástico, de alumínio ou de aço, e que tem uma capacidade de até três litros, o consumidor vai pagar um depósito de €0,10. Esse valor é depois integralmente devolvido quando a embalagem é entregue num ponto de recolha. A recolha pode ser feita em máquinas automáticas, portanto, coloca-se lá a embalagem, se quisermos a garrafa ou a lata. Essas máquinas vão estar instaladas em supermercados ou em pontos de recolha manual, também podem ser entregues. E depois o reembolso, como é que é feito? Pode ser feito através de um talão que é convertível em dinheiro, pode ser em descontos, em compras, os €0,10 por cada garrafa, através de apps digitais, portanto, aplicação de telemóvel, cartões de fidelização. Enfim, vai haver uma série de formas, porque €0,10 também vão andar por ali, e as pessoas podem ir acomodando isto de alguma forma para não andarem com a moeda para trás e moeda para a frente. E o governo diz que vai haver 2500 máquinas de recolha automática e mais 8000 postos de recolha manual e mais 48 quiosques destinados.

Já em abril ou a partir de abril? É melhor esperar.

Não sei se isso vai estar pronto em abril, não são claros sobre isso.

É que, entretanto, mete-se a Páscoa.

Mete-se a Páscoa e depois as férias e depois mais tarde o Natal.

E o São Martinho, entretanto?

Digamos que é a ambição do projeto.

Sardinhas.

Sardinhas? Vocês já vão às sardinhas.

Eu ia no São Martinho, a Carla foi para as sardinhas.

É que é a primeira das sardinhas. Digamos que é a ambição do projeto.