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Boa moeda, má moeda. Ainda há pouco falávamos sobre o FMI, que recomenda o fim da garantia pública no crédito à habitação, Paulo.

É verdade. É uma das recomendações. Não sabemos, obviamente, se o governo vai acatar esta recomendação ou não, mas o FMI defende, de facto, que se acabe com essa garantia pública e que se acabe também com as isenções de IMT, o imposto sobre transações de imóveis. Por quê? Porque o FMI diz que estas medidas ampliam ainda mais os desequilíbrios no mercado da habitação, no fundo, entre aqueles que têm acesso no momento em que a habitação está muito cara e aqueles que ficam de fora. O FMI diz que aumentam a procura, claro, porque há mais pessoas a comprar casa e, de facto, devem ser revertidas por causa disso. Estamos a falar de quê? Daquela medida que se destina a jovens dos 18 aos 35 anos que comprem a primeira casa, desde que o valor do imóvel não ultrapasse os €450 mil. E nestes casos, o Estado atua aqui como fiador, portanto, presta uma garantia ao banco que vai até 15% do valor do financiamento. No fundo, permite aos bancos emprestar a totalidade do valor do imóvel. As pessoas que recorram a isto não precisam de ter dinheiro pra entrada e obviamente, isso facilita bastante o acesso a algumas pessoas destas idades que não tinham aquelas dezenas de milhares de euros ou para dar de entrada e depois, ainda por cima, com a ajuda do IMT também, que num imóvel de €450 mil, os impostos que deixam de se pagar ainda chega aqui quase aos €15 mil. É dinheiro.

É muito significativo.

Paulo, importa saber quem é que tem beneficiado com essa garantia.

O Banco de Portugal, por outro lado, tem estatísticas sobre isso, sobre quem está a aceder a isto. Até março deste ano, 2026, já foram feitos 32 mil contratos, portanto, 32 mil casas que recorreram a este apoio. O montante total destas casas é de 6,5 mil milhões de euros. Se somarmos todos os financiamentos, no caso dos jovens até aos 35 anos, os que recorrem a este apoio são metade dos que pediram empréstimo pra casa. Portanto, metade desta faixa etária pediram este apoio, a outra metade não recorreu. Provavelmente, das duas, uma, ou compraram casas mais caras ou já não estão a comprar a primeira casa, portanto, é uma série de fatores que os exclui. Quase metade, de facto, tem aqui entre os 26 e os 30 anos, portanto, na faixa dos apoios. Há uma repartição absolutamente democrática, 50/50, entre homens e mulheres, portanto, rapazes e raparigas, se quisermos. Está equilibrado. Quase metade, 46%, têm ensino superior e 43% têm o secundário. E que créditos é que estão a ser contratados? Cerca de metade do valor atribuído são casas até 200 mil euros, portanto, fica muito abaixo daquilo que é o montante máximo dos 450 mil. E 84% dos empréstimos, uma larga fatia, o empréstimo é feito com uma duração superior a 35 anos. Estamos a falar também de pessoas novas, jovens, que têm uma esperança de vida.

Sim, a faixa etária permite-lhes ter créditos tão prolongados.

Olha nós com mais de 35 em cima.

Olhe, maravilha. A pagar a casa ou

Não, aqui...

Só a fazer rádios às 04h da manhã.

Aqui a fazer as manhãs.

Era isso.