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Cá estamos de novo no "Boa Moeda" com o Pedro Lino. Pedro, começámos na semana passada a olhar para os erros mais comuns dos PPR. Falámos de três erros principais. Temos aqui mais alguns. Vamos então olhar para o erro número quatro agora.

Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. Hoje temos mais quatro erros. O primeiro: levantar todo o PPR aos 60 anos. Muitas pessoas, a partir dos 60 anos, é possível resgatar todo o PPR sem penalizações, depende se já tem mais de cinco anos, isso foi feito a partir dos 55. Mas a questão é: e depois, o que eu vou fazer? Porque se eu resgatar o PPR aos 60 anos, a totalidade, deixo ter o efeito juro composto, deixo ter o efeito de minimização da carga fiscal, porque já só pago 8% a 8,6%. E por isso, no fundo, é retirar todo o benefício que foi acumulado ao longo dos anos. Ou seja, o PPR é mesmo uma máquina de rendimento, mas muitos desligam essa máquina no momento em que ela começa a trabalhar para nós.

Sem necessidade.

Sem necessidade.

Outra coisa é ter necessidade absoluta de resgatar uma parte ou todo, porque é preciso.

Sim.

Outra coisa é esse automatismo, 60 anos, vamos resgatar tudo.

60 anos, vou retirar.

Sem saber o que faz depois a seguir ao dinheiro de alguma maneira.

Sim, e temos PPR aos 60 anos que já têm um acumular de capital e de juros muito interessante, na ordem às vezes de centenas de milhares de euros, e às vezes as pessoas levantam e depois vão fazer ou depósitos a prazo, ou retiram este efeito de capitalização.

Mudam para pior, basicamente.

Mudam, sem dúvida, para pior.

Muito bem, vamos ao erro cinco.

Ter um PPR para tudo. Há quem tenha um PPR que está exposto a só uma estratégia de PPR e ponto final. Eu acho que isto é um erro, por quê? Porque ter vários PPRs é possível e até permite diversificar o risco, porque eu posso ter um PPR mais agressivo, outro mais conservador, depende dos meus objetivos e também do horizonte temporal. Porque os nossos objetivos podemos dividi-los em caixinhas e cada caixinha tem um horizonte diferente e um objetivo. Por isso, eu também posso ter PPRs diferentes e posso equilibrar a gestão e, no fundo, ter algo mais diversificado. Ou seja, o PPR pode ser para a reforma, um PPR para a reforma, outro para liquidez, outro para um investimento mais agressivo. Não é preciso estar tudo no mesmo PPR.

Em função, passo aqui a repetição, da função que vamos dedicar àquele PPR.

Exatamente.

Muito bem. Vamos agora ao erro seis.

Não transferir um PPR quando este está a ter má performance ou quando não está a render nada. Ou seja, a lei permite transferir os PPRs entre entidades e, na maior parte das vezes, sem custos. E quando há um custo, o máximo é 0,5% e as outras entidades normalmente suportam o custo. Ou seja, quando um PPR está a render pouco, não se está preso. Mais uma vez, quando a maior parte dos PPR está em seguros ou que está vendido através dos bancos, as pessoas pensam que ele está lá e só vão reforçando anualmente ou mensalmente e que não precisam olhar muito para aquilo. Mas é possível transferir. Nós devemos sempre procurar o que é melhor para o nosso dinheiro. Por isso, a pior fidelização é aquela que não traz resultados.

Certo. Anos a fio.

Anos a fio.

Já agora, também não é ficar assustado com o resultado de um ano.

Exatamente. Não podemos ficar nenhum ano.

Sobretudo quando está em ações.

Exatamente.

Os mercados têm a sua volatilidade.

É verdade. Mas agora, se temos um período de quatro ou cinco anos em que o PPR não dá nada, temos que perceber se, se calhar, existem alternativas no mercado.

Sem dúvida. É isso. A ideia de não se estar preso àquela gestão daquele PPR.

Exatamente.

Pode ser transferido para outro. Muito bem, e vamos, para fechar, Pedro, ao erro sete.

O erro sete é não alinhar o PPR com o perfil de risco. Ou seja, um jovem que tenha 25 anos com um PPR conservador faz tão pouco sentido quanto uma pessoa que tenha 75 anos ter tudo em ações. Ou seja, eu se sou mais novo, tenho que ter um perfil mais agressivo, porque tenho um perfil de longo prazo, tenho que ter maior exposição às ações. Se eu tenho 75 anos, não posso ter tudo em ações, tenho que ter mais obrigações, um perfil mais defensivo. E por isso, temos que ir ajustando o nosso investimento à medida que nós vamos avançando na idade.

E o perfil temporal do investimento também vai mudando de alguma maneira, não é?

Exatamente.

Naturalmente. Uma pessoa com 70 anos, a expectativa não é ter o PPR mais 50 anos. Infelizmente.

Até pode ter a perspectiva de transmiti-lo para efeitos de herança. Mas a questão é: eu aguento aos 75 anos ver os mercados baixarem 20%? Se calhar, não. E temos que proteger um pouco também as nossas emoções.

Até porque o tempo que depois mentalmente temos para que essa queda de 20% recupere, já é menor, de alguma maneira.

Exatamente. E causa uma pressão acrescida, porque nessa altura da reforma, o que nós queremos é mais segurança.

Sem dúvida.

E por isso temos que adaptar o nosso portfólio de investimentos a essa maior segurança. Por isso, o PPR deve acompanhar o quê? A idade, tolerância ao risco e os nossos objetivos. E há muitos pais, também, que cometem este erro, que é: fazem PPRs para os seus filhos e colocam um perfil mais conservador, porque eles próprios são conservadores.

Não adaptam isso à longevidade.

Exatamente.

E ao período de investimento.

Estão a investir para os filhos como se fosse para eles. É diferente. Os filhos têm que ter um perfil mais agressivo, mais exposto às ações, porque é aquilo que mais rende a longo prazo. Os pais às vezes têm medo e depois ficam presos ao seu perfil de risco. Por isso, eu acho que para terminar.

Para fechar aqui, claro.

Acho que os PPRs são uma ferramenta muito poderosa para criar estabilidade e liberdade financeira. Os erros acontecem muitas vezes por falta de informação. Não é porque o produto seja complicado, é mesmo que as pessoas não têm informação suficiente e depois têm receio. Por isso, escolher bem, reforçar todos os anos, diversificar, transferir e não levantar tudo de uma vez, são erros que, se não cometidos, fazem toda a diferença. E mais uma vez, o PPR não é só para a reforma e quanto melhor o conhecer, melhor vai aproveitar.

Muito bem, Pedro Lino. Foram, neste caso, os sete erros mais comuns com PPR. Se começou por ouvir estes erros aqui neste episódio, já sabe, procure o podcast da semana passada, porque estão lá os primeiros três. Pedro Lino, bom dia mais uma vez.

Obrigado, bom fim de semana.