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Bom dia, bem-vindos a ambos. Mafalda Pratas, queres nos falar dos posicionamentos de Mário Centeno e Pedro Passos Coelho? Há aqui mais que os une do que aquilo que os separa no que toca a uma estratégia de assalto ao poder?
Bom dia. Acho que aquilo que os une é basicamente isso. É o fato de ambos estarem claramente a tentar se posicionar como as principais alternativas, cada um dentro do seu campo, a contar que há uma futura crise política depois do governo de Montenegro sair de cena. Mas tirando os métodos que cada um usa, que são muitas vezes esse tipo de entrevistas, lançamentos de livros, algumas insinuações, etc. Acho que ambos estão neste momento com estratégias muito diferentes. Passos Coelho já está há muito tempo com a estratégia de se posicionar como uma alternativa dentro do PSD, que acha que o PSD, havendo uma maioria de direita, deve aliar-se ao Chega e em coligação com o Chega, ou num acordo parlamentar com o Chega e com a IL, de certa maneira, fazer um governo de quatro anos que, de acordo com a teoria de Passos Coelho e com a teoria dos apoiantes de Passos Coelho, conseguiria fazer reformas. Eu, obviamente, quem me lê sabe disso, que tenho muitas dúvidas que o Chega apoie o tipo de reformas econômicas e sociais, principalmente econômicas, que Passos Coelho e seus apoiantes quereriam implementar, porque são reformas muitas vezes impopulares, e o Chega, se já nos mostrou alguma coisa, é que do ponto de vista econômico é precisamente o contrário, tende a ser mais populista do que outra coisa, mas essa parece-me ser a grande estratégia. No fundo, é apresentar-se como alternativa à estratégia das linhas vermelhas e desta gestão da fragmentação parlamentar que Luís Montenegro fez. Por outro lado, Mário Centeno está a optar por uma estratégia completamente diferente. É uma estratégia inteligente, não quer dizer que vá correr bem, mas é uma estratégia inteligente. Por quê? Porque Mário Centeno não é um político tradicional. Mário Centeno não esteve nas juventudes partidárias, não tem uma grande carreira dentro do PS, nem sequer é militante do PS neste momento. E portanto, ele não pode almejar a ser líder do PS de uma forma tradicional, como é neste momento José Luís Carneiro, como foi Pedro Nuno Santos, António Costa e António José Seguro. Todas essas pessoas tiveram carreiras políticas dentro do partido e foram eleições dentro do partido. Eu acho que não é esse o posicionamento de Mário Centeno. Eu acho que o raciocínio de Mário Centeno neste momento é mais na onda de apostar numa situação em que o PS fica em primeiro, ou mesmo o Chega fica em primeiro, eventualmente, mas nem o PS tem maioria de esquerda e, neste caso eventual, obviamente algo distante, em que o Chega poderia ficar em primeiro ou à frente da AD, a AD também não quereria ser o junior partner do Chega. E portanto, nessa situação, Mário Centeno está a posicionar-se não como um líder partidário, mas como uma figura com prestígio, que não seja um líder partidário, que possa vir a ser uma figura mais tecnocrata, mas uma figura com competência, que possa fazer um governo de bloco central numa situação dessas. É evidente que essa situação está algo longínqua. Essa situação tem uma série de pressupostos que nunca foram feitos na história recente de Portugal, especialmente desde que o presidente deixou de ter governos de iniciativa presidencial, mas desde essa altura que não há propriamente este tipo de governos que Mário Centeno está, a meu ver, a tentar vislumbrar. Ele está inspirado, como já muita gente disse, na figura de Mário Draghi, que foi proposto para se tornar primeiro-ministro italiano pelo presidente, quando havia um bloqueio parlamentar e ninguém conseguia formar governo. Eu acho que é mais nessa onda que Mário Centeno está a posicionar, e não tanto na onda tradicional, embora nada o impeça de se tornar militante do PS, de esperar um ano, porque é preciso esperar um ano como militante antes de concorrer a líder, de acordo com as coisas que eu sei. Se calhar, já está desatualizado, mas eu acho que é isso. E portanto, depois ir a jogo. Agora, é evidente que Mário Centeno estará sempre em desvantagem dentro do PS, quando comparado com pessoas como Duarte Cordeiro, como Mariana Verda Silva ou como Ana Catarina Mendes, ou mesmo como José Luís Carneiro, que estão há muitos anos dentro do PS e, portanto, têm aliados dentro do PS. E conhecidos e pessoas que vão votar neles. E portanto, nesse aspecto, seria mais difícil essa via tradicional para Mário Centeno. Sendo certo que esta via tradicional me parece também algo longínqua, não há dúvida que Mário Centeno está à procura de alguma coisa. Porque ninguém dá o tipo de entrevista que ele deu e faz o tipo de lançamento de livro que ele fez, e as declarações que ele fez, se não estivesse ainda com o bicho na cabeça de tentar ser alguma coisa, seja essa coisa um pouco indefinida. Portanto, eu comparo, de certa maneira, a Pedro Passos Coelho, não porque as estratégias sejam semelhantes, porque não são, obviamente, e as figuras são também muito diferentes. Passos Coelho já é militante do PSD há muitos anos e foi o líder do PSD, mas porque ambos estão nas galerias, de lado, à espera que algo aconteça para que eles emijam como a solução. E nesse aspecto, ambos estão neste posicionamento constante, que é também um pouco, dá-nos a sensação de que o país está um pouco à espera que algo aconteça e enquanto isso estamos neste governo assim meio de gestão, que não tem maioria. Mas está toda a gente um pouco neste compasso de espera, porque não se vislumbra que nenhum dos dois grandes partidos tenha propriamente maioria absoluta em breve. E, portanto, eu comparo os dois e comparo este tipo de declarações ou posicionamentos frequentes dos dois, cada vez mais frequentes, um pouco na mesma linha. E, portanto, eu vou dar dozes a cada um, porque se estão obviamente a posicionar e cada um tem uma estratégia muito clara, mas ao mesmo tempo, eu também não sou muito fã dessas pessoas que passam a vida a ficar um pouco à espera do seu momento, porque não quiseram arriscar nos momentos que se calhar seriam chaves. Pedro Passos Coelho até hoje não quis, de facto, ir a jogo contra o Luís Montenegro, por exemplo, ao não se candidatar a líder do PSD. E da mesma forma, Mário Centeno também não quis ir a jogo quando José Luís Carneiro foi eleito líder do PS e nem sequer não está propriamente a desafiar de forma aberta. E, portanto, vai assim uma nota um pouco semifria, requentada.
Já te vou pedir a nota, porque primeiro vamos ouvir o José Manuel Mestre, que tem mais ou menos o mesmo assunto também para nos trazer. José Manuel Mestre, a questão da oposição, mas também com estes potenciais desejados, quer à direita, quer à esquerda.
O Dom Sebastião faz parte da vida, está enraizado na vida portuguesa e há sempre o desejado. Eu acho que quer Mário Centeno, quer Pedro Passos Coelho, ontem Mário Centeno fez questão de dizer que o caso dele é muito diferente do de Pedro Passos Coelho, mas nenhum deles está a correr na pista desta competição que temos em jogo. Estão numa pista paralela à espera de cada um deles poder ser o desejado, à espera de uma transição de ciclo onde podem ser o adversário de André Ventura, porque Luís Montenegro e José Luís Carneiro não se sabe até onde vão as coisas. E aqui é que joga a oposição neste ciclo político que vivemos. Digamos que Mário Centeno com Pedro Passos Coelho estão a ver e estão a posicionar-se. Pedro Passos Coelho, um político de raiz, foi líder da JSD, foi líder do PSD, foi primeiro-ministro. Mário Centeno, tudo menos um político de raiz, mas que adora a política. Eu estava no comício de 2021, um célebre comício em Setúbal, onde Mário Centeno ao lado ou em frente, neste caso, porque António Costa estava na primeira fila de António Costa, chegou, perguntou: "Onde está a câmera? Doutor Rui Rio, boa noite." E depois foi buscar um carro que Rui Rio conduzia sem travões, fez várias coisas e disse para aí 20 soundbites que dariam cada um deles abertura de uma peça jornalística. Pronto, não foi fácil de escolher, mas percebeu-se que ele tinha um gosto enorme pela política. E, portanto, este livro que ele lança vem colocar tudo isso em questão e vem colocá-lo numa pista paralela como um homem que, por não ser um político, qual novo Cavaco, que se diz situar à esquerda, mas que diz que o Estado tem de ser salvaguardado, pode ser o desejado. Afastou-se dizendo que não está nos seus planos, neste momento, ser militante do PS e, portanto, não vai ser adversário de José Luís Carneiro. Mas se alguma coisa correr mal, os estatutos do PS, aproveito para acrescentar uma informação à Mafalda, dizem que a capacidade eleitoral é de seis meses, que é o tempo que o militante tem para ter capacidade eleitoral, seja ela qual for. E, portanto, em seis meses, se ele quiser avançar, o PS pode pedir, imaginando que há umas eleições ou que há apenas uma sucessão dentro do partido, dá seis meses para que Mário Centeno, se quiser avançar, se possa filiar. E está aqui, viu-se lá o costismo quase todo na tarde passada, no fim da tarde, na Gulbenkian, a começar por António Costa, que veio de Nova Iorque para estar, no caso, na segunda fila, a assistir à apresentação do livro de memórias, onde ele próprio, António Costa, acaba criticado. Mas isto para dizer que há esse problema para a oposição, neste caso do Partido Socialista, mas há vários problemas que a oposição tem. E eu queria ir mais longe e falar de, por exemplo, José Luís Carneiro, que procura ganhar o seu espaço de respeitabilidade, mas depois cria aqui um problema muito complicado, que há um dia em que ele critica violentamente o governo No outro dia, ele não consegue aprovar nem votar a favor de medidas para fazer mais do que o governo faz no Parlamento, como na questão do custo de vida ou dos IVAs esta semana no Parlamento. Um dia ele critica ainda mais o governo, no outro dia tem o Orçamento do Estado, onde já disse que não é dado como certo, mas se prepara para viabilizar o orçamento. Ele não pode fazer, de facto, outra coisa, porque a experiência de Pedro Nuno Santos, quando votou contra a moção de confiança sabendo que o resultado disso era eleições, deu aquele resultado e José Luís Carneiro, com esse trauma, só em último caso seguirá esse caminho, ou só quando sondagens lhe disserem que o reinado de Montenegro já acabou, porque as eleições não se ganham, perdem-se. Mas isto também lhe cria problemas de afirmação. Como André Ventura tem problemas muito sérios de afirmação, porque um dia faz voz grossa contra o presidente do Parlamento e outro, com entradas de leão e saídas de sendeiro, acho que é assim que se diz, aceita as regras de José Pedro Aguiar Branco para ter a sua comissão de inquérito a moer o governo com o caso do atual ministro da Administração Interna e os tempos em que foi diretor da Polícia Judiciária. Depois tem outro caso. No outro dia eu vi o Hugo Soares pôr a questão na ferida. Ele, André Ventura, que para tudo não deixa cair nada, como não consegue perceber que tendo tido o seu gabinete assaltado, ele de repente se tenha calado. E isto vai moer também a oposição de André Ventura. E portanto, não basta criticar, porque depois colocam-se dúvidas que não servem, se calhar, para aqueles 20% que já votam o Chega, mas vão lhe colocar dificuldade num crescimento para poder ir mais longe. E depois não se fala nem do PCP, nem do Bloco de Esquerda, que vivem o dilema do que lhes aconteceu e não conseguem furar, além das críticas que fazem, propondo caminhos distintos, mas têm muita dificuldade. E o LIVRE também tem muita dificuldade em ganhar um espaço novo. Portanto, a oposição, toda ela, vive um problema enorme, que Luís Montenegro vai capitalizando, mas também com dificuldade, porque vivemos uma crise e estamos aqui a levar Mário Centeno a ter dito essa frase que as pessoas não têm em quem votar, e ele de algum modo aposta em que um dia as sondagens digam que querem votar nele, para depois repensar ou não a sua vida, mas penso que está com vontade. Mas vivemos aqui um problema enorme e portanto, todos eles têm a dificuldade em sair do 10. E é assim.
Fica assim a nota dada. Mafalda, para este posicionamento, quer de Centeno, quer de Passos Coelho, que nota é que deixas?
Sim, eu deixo um 12, acho que já tinha referido aqui, porque de facto ambos estão claramente com uma estratégia, e em política a estratégia é importante, não são estratégias estúpidas. Mas ao mesmo tempo, como eu referi, também não sou propriamente fã de quem se posiciona de forma lateral, digamos assim, e depois passa grande parte do tempo a mandar bocas, no fundo, e portanto a fazer comentários, e muitas vezes depois no momento-chave, muitas vezes não têm coragem de ir a jogo. Passos Coelho, por exemplo, nunca teve até hoje coragem de realmente ir a jogo novamente como líder do PSD, desde que esta nova vaga, digamos assim, começou. E portanto, eu acho realmente que merecem apenas um 12. Não merecem propriamente mais.
Mais do que isso. Agora pedia-vos...
Pois, eu acho que Passos Coelho não é coragem. Ele está apenas a marcar o território, à espera, tal como Mário Centeno agora entra, de poderem ser um dom Sebastião que queiram que volte. Eles não estão neste campeonato, estão apenas a marcar o terreno para o campeonato seguinte. Já agora esqueci-me de falar da oposição da Iniciativa Liberal, que também tem o mesmo problema, que concorda com as medidas mais liberais do governo, mas depois não consegue também romper, criar espaço.
Mafalda, sobre Donald Trump e este braço de ferro com os media, esta semana novos desenvolvimentos. O presidente norte-americano saiu a perder deste braço de ferro?
Aparentemente, saiu de facto a perder, mas eu já vou dizer porque é que eu acho que saiu menos a perder do que parece. Então, os factos esta semana, como disseste, houve novos desenvolvimentos. Portanto, pra quem não sabe, no dia 18, Donald Trump anunciou na sua rede social que retirou os passes que permitem a entrada de jornalistas de três cadeias de mídia, a CNN, a MSNow e o Politico, que são três cadeias mais conotadas com o centro-esquerda ou mesmo a esquerda e, portanto, que criticam Donald Trump na maioria dos casos. E nos Estados Unidos isto é muito comum, portanto, é comum os órgãos de imprensa e de mídia terem, digamos assim, uma linha editorial mais de esquerda ou mais de direita. Também há órgãos de direita, mas Donald Trump obviamente retirou estas credenciais de acesso e, portanto, os jornalistas destas cadeias deixaram de poder entrar para as conferências de imprensa que a Casa Branca dá. E obviamente que puseram esta situação em tribunal, porque nos Estados Unidos, também pra quem não sabe, a Primeira Emenda, ou seja, a questão da liberdade de expressão, é muito forte em termos jurídicos e constitucionais, é até mais forte que quase todos os países europeus, se não mesmo todos os países europeus. E portanto, o juiz acabou por dar razão às cadeias de televisão, neste caso, e ao órgão de imprensa Por uma série de motivos, mas em particular porque obviamente que esta proibição não só não se baseava em critérios legais justos, era uma coisa um bocadinho arbitrária, como também, e principalmente, vai contra a ideia de liberdade de imprensa, porque obviamente que ao fazer isto, Donald Trump não está apenas a excluir jornalistas destas redes, está a garantir que para quem continua a ter acesso, no fundo saiba que é preciso fazer uma cobertura minimamente favorável para continuar a ter acesso. Isso obviamente é um condicionamento da liberdade de imprensa por parte do poder político e portanto, nesse aspecto, perdeu em termos judiciais. Por que eu acho que a derrota não é assim tão grande?
Muito rapidamente que temos que ficar aqui a caminho.
Porque obviamente, não só porque obviamente muita gente que é a base eleitoral de Donald Trump não gosta destas cadeias e portanto achará que Donald Trump teve razão, mas principalmente porque a meu ver isto foi tudo uma grande manobra de distração. Por que o Donald Trump faz isto agora? Porque estamos a poucas semanas das eleições intercalares, em que se prevê que o Partido Republicano tenha uma derrota e que perca a sua maioria no Congresso. E o grande assunto que está a mover o descontentamento popular e que vai alimentar esta derrota é obviamente o preço dos combustíveis derivado da decisão de Donald Trump de continuar a guerra no Irão. E portanto isto a meu ver, foi uma maneira de ele conseguir ter durante uma semana muitas cadeias televisivas e de imprensa a falarem deste assunto, que é um assunto apesar de tudo mais abstrato na vida das pessoas, do que propriamente a falarem destes dois assuntos, que são os dois assuntos que poderão custar a sua eleição, que é os preços dos combustíveis e a guerra do Irão. E portanto, nesse aspecto, foi uma manobra de distração em que os jornalistas também acabam por cair e estamos nesta piscadinha desde 2016, em que Donald Trump faz um ato chocante e os jornalistas naturalmente têm que cobrir, mas ao cobrirem impedem que se fale, se calhar, de outras coisas que o público em geral muitas vezes também gostaria de ver faladas.
E que nota é que dás?
Sim, eu vou dar obviamente um seis a Donald Trump, porque obviamente que esta decisão é inconstitucional e portanto não podia ter uma nota positiva, é uma decisão que vai contra os ideais americanos de liberdade de imprensa e de liberdade de expressão, mas ao mesmo tempo foi uma decisão estratégica e comunicacional, portanto não vai mais baixo.
José Manuel Mestre, em dois minutos, que lições é que podemos retirar da história sobre esta questão do aumento do custo de vida que está a impactar todos? Perdemos talvez o contacto com José Manuel Mestre para fechar esta matéria.
Desculpa, já cá estou. É que o botão do áudio ficou desligado.
Podia em dois minutos.
O tempo é pouco, mas eu vou dizer a primeira lição. António José Seguro ontem falou disso, do problema do custo de vida. E isto acontece depois do primeiro-ministro ter dito na Assembleia Geral das Nações Unidas que é preciso mexer na formação de preço do petróleo. E António José Seguro, depois de se encontrar com a Angela Merkel e com o Papa, parece que foi mais longe e resolveu dizer que o governo está a preparar mais medidas e são precisas mais medidas, a Europa precisa de agir e fez a maior demarcação de Marcelo Rebelo de Sousa que nós temos. E começamos aí o primeiro ponto da história. Em 2022, com a disrupção causada pela pandemia, ele marcou umas eleições e na altura o medo da extrema-direita e erros de Rui Rio fez com que obtivesse uma maioria absoluta. Marcelo Rebelo de Sousa não percebeu o que veio a seguir, os efeitos da guerra, marcou novas eleições e colocou o Chega com 60 deputados. E isso foi terrível. António José Seguro percebeu com o que está a acontecer na Alemanha e com o que está a acontecer em termos eleitorais e com o risco destes efeitos do custo de vida na vida das pessoas, de podermos estar a caminho de uma viragem não só em Portugal, como na Europa e no mundo, completamente face aos efeitos do custo de vida. Eu dei este exemplo, que parece que ninguém associou, mas é muito importante para o resultado das eleições de 2024, porque as pessoas viviam mal e portanto houve um problema de sistema com aquela frase que até hoje não deu resultado nenhum, que alegadamente António Costa estava a ser investigado. Mas aquilo caiu numa bolha e Marcelo Rebelo de Sousa não percebeu que essa bolha de revolta, pela questão dos preços, dos salários que não aumentam e do dinheiro que não dá no fim do mês, teve um efeito. A coisa piorou muito e António José Seguro percebeu que isto pode ter um efeito e está claramente alinhado com o primeiro-ministro. Não é por acaso, seguramente, que têm aparecido tanto juntos. Percebem que está aqui um terreno para algo de muito perigoso para as sociedades europeias.
Que querem evitar.
E foi para isso que ele significou. E se quiseres dou-te o último exemplo, que é a questão da Ponte 25 de Abril, do buzinão, que provocou o fim do cavaquismo. É a história que ensina que quando não sabemos lidar com os problemas, eles caem-nos sobre a cabeça. Damos uma nota 18 para o Presidente da República.
Para essa estratégia. Infelizmente, já não temos mesmo mais tempo. Mafalda queria também deixar aqui uma homenagem ao Jorge Palma. Fica também essa nota a fechar esta edição de E o Vencedor É. Obrigado, Mafalda Pratas e José Manuel Mestre.