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Na Cofidis acreditamos que acima das relações profissionais estão as relações humanas, de partilha, de respeito, de confiança. Não é por acaso que a Cofidis é uma ótima empresa para trabalhar e, em 2019, foi eleita mais uma vez Great Place to Work. É por isso que quem vos diz isto sou eu, um colaborador da Cofidis, e não um locutor contratado. Cofidis, de pessoas para pessoas.

No "Bons Empregos" desta semana falamos de negócios, ou melhor, falamos sobre lançamento de negócios. O que se deve fazer? O que se deve ter em conta? Quais os obstáculos que vamos encontrar pela frente? Junta-se a nós, via Skype, Rui Coutinho, diretor-executivo do Center for Business Innovation da Porto Business School. Viva, Rui.

Olá, viva.

Em Portugal há muitas pessoas a criar o próprio negócio. Tem noção dos números da criação de empresas?

Os números não são muito claros. Nós sabemos, seguramente, que há um crescimento no número de criação de novas empresas em Portugal e simultaneamente há um abrandamento na taxa de mortalidade de empresas recém-criadas. Ou seja, significa que estamos mais resilientes e isso é importante. Mas sabemos também que, apesar da crise na criação de novas empresas que tem afetado os mercados ocidentais, Estados Unidos e Europa, Portugal não está ainda a navegar nessa corrente. Estamos contra a corrente, com números ainda positivos e com um impacto cada vez mais interessante. As novas empresas, sobretudo as empresas de base tecnológica, por exemplo, já valem 1,1% do PIB nacional, números de 2018.

No seu entender, há falta de criação de negócios próprios em Portugal? Somos um povo empreendedor ou nem por isso?

Eu julgo que nós somos essencialmente e iminentemente um povo empreendedor. Em particular aqui no Norte, nós temos essa consciência muito apurada. O número de empresas familiares, pequenas e médias empresas, é substancial. Isso é um indicador dessa capacidade empreendedora. O problema da economia nacional não tem estado exatamente na capacidade de criar novos negócios, na vontade de criar novos negócios. O problema tem estado, sobretudo, na capacidade de poder encontrar valor acrescentado que permita, por um lado, que esses negócios sejam cada vez mais lucrativos e cada vez com indicadores de crescimento substanciais e, por outro lado, que tenham a capacidade e resiliência para acompanhar a mudança cada vez mais acelerada que o tecido económico empresarial e o mercado impõem a esses negócios.

E o que se deve ter em conta no momento de criar um negócio?

O importante é perceber o que o mercado necessita, é ouvir o mercado. É claramente compreender não apenas aquilo que são as tendências tecnológicas ou aquilo que são os produtos que estão na moda, se quisermos, mas fundamentalmente percebermos como é que o mercado precisa desses produtos, quer esses produtos e está disponível para pagar por esses produtos ou serviços. O cliente sabe mais sobre a vossa empresa do que vocês.

E depois, como é que alguém que já ouviu o mercado se deve lançar na aventura de criar um negócio?

A partir daí, é claramente trabalhar cada uma das etapas, cada um dos blocos desse modelo de negócio. Ou seja, eu diria, depois de auscultado o mercado e de compreendermos claramente o que o mercado precisa, encontrar a equipa certa para desempenhar as funções certas com agilidade, com rapidez, com eficiência e com produtividade.

No processo de lançamento de um negócio, que dificuldades é que genericamente se enfrentam?

Tipicamente, a sobrevalorização do mercado e algum desconhecimento de fenômenos aparentemente indiretos ou colaterais que impactam nos mercados. Ou seja, o fenômeno de venda é um fenômeno cada vez mais complexo, cada vez mais articulado e pressupõe um conhecimento que tipicamente é negligenciado em fases embrionárias. Essa é a grande dificuldade. Segundo, é a dificuldade relacionada com o dar a conhecer ao mercado a existência do produto. Já vimos excelentes produtos construídos a partir de necessidades reais do mercado a não terem sucesso precisamente por não compreenderem todas as dimensões, todos os vetores que estão envolvidos na tomada de decisão e depois na aquisição de produtos e serviços.

Para lançar um negócio, é necessário recorrer a apoio? E se sim, deve-se recorrer a quem?

É possível recorrer a apoio, não é absolutamente necessário que se faça. Mas os apoios existem, estão disponíveis e devem ser utilizados na medida daquilo que o empreendedor considerar útil e necessário. Apoios que podem ser públicos. O programa Startup Portugal tem um portfólio de iniciativas que permitem apoiar os empreendedores em diversas fases do desenvolvimento do seu projeto. Há uma regra muito antiga na comunidade empreendedora e no ecossistema empreendedor, que são os family, friends and fools, ou seja, são aqueles que acreditam primeiro e que apoiam primeiro o projeto, apoiam com recursos, não apenas financeiros, com tempo, com espaços, com esforço de trabalho. Há também, é muito relevante, um conjunto de atores do ecossistema empreendedor por todo o país, aceleradores, incubadoras, as próprias universidades, entidades públicas que estão cada vez mais ativas enquanto facilitadores desta jornada empreendedora. E eles estão disponíveis e estão inclusivamente cartografados no projeto da Startup Portugal. Há um Startup Hub disponível online que mapeia todos esses apoios, todas as entidades de ecossistema que estão disponíveis, mapeia inclusivamente geograficamente, ou seja, a informação existe, os apoios existem, as instituições existem, os mecanismos estão montados e há um agregador no Startup Hub Portugal, associado ao programa Startup Portugal, que no fundo permite que qualquer empreendedor consiga rapidamente visualizar e decidir aquilo que possam ser os apoios mais interessantes. E depois, é ter a atitude empreendedora, não desistir, correr atrás do prejuízo, andar atrás destes apoios, resistir às burocracias e à morosidade, muitas vezes, que está inerente a processos de incentivos públicos.

Quais são os obstáculos que normalmente enfrentam as pessoas que decidem lançar um negócio?

Tipicamente, o maior obstáculo que nós vemos nos empreendedores é a sua relação apaixonada e absolutamente umbilical com o projeto que estão a desenvolver, com a tecnologia, com o produto, com o serviço, com a ideia. Ou seja, nós costumamos dizer aos empreendedores: "Não se apaixonem pela vossa ideia, é o pior que vos pode acontecer". Por quê? Porque o mercado ditará o futuro da vossa ideia, a adequabilidade e o ajustamento dessa ideia ao mercado. E no fundo, a empresa e os seus produtos e os seus serviços ajustar-se-ão àquilo que o mercado ditará. E quando o empreendedor não tem as competências As competências certas para poder interpretar desta forma o mercado, geram-se dificuldades e depois acabam por ser até muitas vezes absolutamente difíceis para os próprios empreendedores, em que eles agarram-se à sua ideia com unhas e dentes e depois têm dificuldade em largá-la, têm dificuldade em fazer o ajustamento, a adaptação que o mercado exige.

E quando é que se deve desistir?

Essa é a pergunta do milhão de euros. Eu diria que se, num primeiro momento, os números de validação junto dos clientes não correspondem às expectativas, esse deve ser o primeiro momento para pensar. Antes de desenhar um plano de negócios, antes de começar a levantar financiamento, a recolher apoios, esse momento, e voltamos ao início, da validação junto do cliente, junto do mercado, é absolutamente crítico.

Rui, muito rapidamente, que conselhos deixa a quem está a pensar criar o seu próprio negócio?

Em primeiro lugar, uma validação muito clara e muito concreta daquilo que o mercado procura. A partir do momento em que essa validação possa estar feita, um plano de negócios sólido e uma equipa absolutamente imbatível.

Rui Coutinho, muito obrigado por ter vindo ao "Bons Empregos" desta semana.

Obrigado.

Na Cofidis acreditamos que acima das relações profissionais estão as relações humanas, de partilha, de respeito, de confiança. Não é por acaso que a Cofidis é uma ótima empresa para trabalhar e em 2019 foi eleita mais uma vez Great Place Work. É por isso que quem vos diz isto sou eu, um colaborador da Cofidis e não um locutor contratado. Cofidis, de pessoas para pessoas.

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