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"Bons Empregos" é um programa trazido pela Cofidis.

Na Cofidis, acreditamos que acima das relações profissionais estão as relações humanas, de partilha, de respeito, de confiança. Não é por acaso que a Cofidis é uma ótima empresa para trabalhar e, em 2019, foi eleita mais uma vez Great Place to Work. É por isso que quem vos diz isto sou eu, um colaborador da Cofidis, e não um locutor contratado. Cofidis, de pessoas para pessoas.

Os empregos para a vida acabaram. São cada vez mais as vozes a repetir esta ideia, mas será mesmo assim? A estabilidade financeira e pessoal apoiada no trabalho a longo prazo tem os dias contados? Nesta edição do "Bons Empregos", recebemos Mário Seivil, presidente da Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas. Bom dia, Mário.

Bom dia.

Ainda existem empregos para a vida?

Ainda vão existindo.

Em que áreas?

Nas múltiplas áreas, mas desde já os empregos que estão relacionados com aquelas empresas, eu diria, mais tradicionais, por exemplo, empresas do setor financeiro, é muito habitual ainda encontrarmos pessoas com o emprego à vida, com uma carreira à vida. E, portanto, é natural que essa situação ainda se vá manter.

E onde é que não há empregos para a vida?

Onde não há empregos para a vida. Eu diria, não é tanto ao nível dos setores, embora os setores hoje também estejam em grande mobilidade, mas também ao nível das gerações, onde nós não encontramos a síndrome do emprego à vida, que é uma outra coisa. Uma coisa é a realidade do emprego à vida, do ponto de vista estrutural, do ponto de vista institucional, que é aquela modalidade de emprego que efetivamente hoje não é muito bem-querida nas organizações. Outra coisa é o síndrome do emprego à vida, que tem a ver com a atitude da pessoa. E aí, efetivamente, nós temos ainda hoje muitas pessoas, designadamente em gerações mais antigas, e mesmo até na geração X, ainda encontramos muito essas pessoas que efetivamente ainda têm a ideia de que o emprego à vida é qualquer coisa de fundamental.

O que está a dizer é que quem nasceu depois dos anos 80 já não sofre desse síndrome do emprego para a vida, é isso?

Quando falamos de tendências, falamos sempre de tendências estatísticas e aquelas que são naturalmente trazidas através dos estudos. Efetivamente, essas gerações, ou seja, as gerações millennial e Z, não têm efetivamente tanto essa perspectiva. Aliás, é até comum vermos nos diferentes trabalhos que existem sobre as caracterizações dos millennials e muito particularmente também da geração Z, que quando lhe perguntamos qual é o horizonte que têm de experiência profissional numa determinada organização, esse horizonte oscila entre os cinco anos e até os dois anos mais recentemente.

E a contra-resposta para esse facto?

Para atalhar, a conceção que hoje os millennials e a geração Z cada vez mais apresentam relativamente ao trabalho não é apenas, nem fundamentalmente, aquela coisa que serve para pagar as contas. As pessoas hoje o que é que querem? Procuram o quê? Encaram a experiência profissional exatamente como uma experiência. Repare que hoje uma das áreas fundamentais ao nível da gestão das pessoas é a employee experience, ou seja, é a procura por uma organização de criar no seu seio uma experiência que seja aliciante, que seja motivadora, uma experiência que permita à pessoa guindar-se e elevar-se a um nível de desenvolvimento superior. E na medida em que a organização consiga dar isso às pessoas, consiga efetivamente criar esse ambiente, as pessoas sentem-se mais atraídas por essas organizações. Porque hoje a vida é tal modo rica, a vida é tal modo complexa, as oportunidades são inúmeras. Hoje uma pessoa tem parcelas de realidade absolutamente fantásticas na ponta dos seus dedos. Hoje nós podemos dominar não só fontes de conhecimento, como tudo. Podemos progredir, efetivamente, num aparente caos, que é o mundo cada vez mais complexo, mas podemos progredir nele à custa da nossa própria vontade e da nossa própria capacidade de fazer essa progressão. As pessoas têm, de facto, uma conceção de si próprios e das possibilidades da vida muitíssimo mais ilimitada do que aquela que existia em gerações anteriores.

Isso obriga as empresas a um trabalho acrescido. O que lhe pergunto é: as empresas portuguesas e o mercado de trabalho português está preparado para essa nova realidade?

O que eu lhe posso responder, e isto pode parecer uma resposta capciosa, mas no fundo é isso que acontece. Há empresas que estão e há empresas que ainda não estão.

As boas práticas recomendam o quê? Ou as boas empresas estão a fazer o quê, no sentido de proporcionar aos seus colaboradores essa tal experiência no trabalho?

O que é essencial é realmente fazer com que os nossos colaboradores nas nossas organizações deixem de ser empregados, deixem, obviamente, de ser trabalhadores e passem a ser voluntários.

Como assim?

Que são voluntários e são pagos para isso. São voluntários porque querem, estão a trabalhar porque querem. Estão a trabalhar porque lhes dá gozo. As empresas o que têm que fazer é, por exemplo, dar muito mais autonomia aos colaboradores. As empresas têm que dar, efetivamente, a possibilidade de as pessoas experimentarem várias coisas. Se uma pessoa não está bem no seu posto de trabalho, então deve partilhar isso com a sua chefia e a empresa deve dar oportunidades à pessoa encontrar na sua organização alguma coisa que tenha mais a ver com os seus próprios valores, com as suas próprias motivações, porque se não acontecer isso, essa pessoa, se de facto for um verdadeiro talento, se essa pessoa tiver as configurações psicológicas e as configurações instrumentais de um talento, essa pessoa vai-se embora. Essa pessoa não está para gastar o seu tempo simplesmente a fazer coisas repetitivas. Como digo, estamos a falar de um arquétipo. Claro que há pessoas com idades dessas que efetivamente têm uma atitude bastante mais musgosa, como eu costumo dizer.

Mário, num mundo em constante mudança, como é que as pessoas em geral se podem prevenir para o facto de um dia desses poderem vir a ser convocados para uma mudança súbita de carreira?

Eu entendo a sua questão na perspectiva da empregabilidade, ou seja, como é que uma pessoa se mantém empregável? A melhor maneira de nós nos mantermos empregáveis é efetivamente termos esta flexibilidade cognitiva para, em primeiro lugar, questão absolutamente central, todos os dias aprendermos alguma coisa e, sobretudo, aprendermos coisas novas.

Que competências é que as pessoas que estão no mercado de trabalho devem ter adquirido para se adaptarem a este mercado de trabalho que, pelos vistos, já não proporciona empregos para a vida?

Resolução de problemas complexos. Por quê? E ser capaz de ver o essencial é o vital few. Depois, o pensamento crítico. Nunca aceitar uma realidade como uma realidade fechada. Há sempre alternativas. Sempre olhar a perspectiva na questão: e poderia ser de outra forma?

E em terceiro lugar?

A criatividade. Depois, a liderança e gestão de pessoas, a inteligência emocional, o julgamento e tomada de decisão, orientação para o serviço. Nunca orientação para a função, sempre orientação para o serviço. A negociação e a flexibilidade cognitiva. Estas são, por exemplo, algumas das competências que têm sido mais frequentemente citadas e que aparecem como competências críticas para ter sucesso nos horizontes, para já, até 2030.

Mário, quem fica desempregado, que estratégia deve adotar para encontrar trabalho com a rapidez desejada?

Olhe, em primeiro lugar, não se deixar levar pela depressão, não se deixar ir abaixo. Quer dizer, claro, que isso não é agradável para ninguém, mas nunca deixar que o facto de não ter emprego possa minar a sua identidade pessoal. Efetivamente, depois a atualização ou aquela aprendizagem. Eu diria: é extraordinariamente importante que uma pessoa pense no seu desemprego antes dele acontecer.

Mário Sentil, muito obrigado por ter vindo ao Bons Empregos desta semana. Mário Sentil, presidente da Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas. Bons Empregos é um programa trazido pela Cofidis.

Na Cofidis, acreditamos que acima das relações profissionais, estão as relações humanas, de partilha, de respeito, de confiança. Não é por acaso que a Cofidis é uma ótima empresa para trabalhar e, em 2019, foi eleita mais uma vez Great Place to Work. É por isso que quem vos diz isto sou eu, um colaborador da Cofidis, e não um locutor contratado. Cofidis, de pessoas para pessoas.

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