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"Bons Empregos" é um programa trazido pela Cofidis. Na Cofidis, acreditamos que acima das relações profissionais estão as relações humanas, de partilha, de respeito, de confiança. Não é por acaso que a Cofidis é uma ótima empresa para trabalhar e em 2019 foi eleita mais uma vez Great Place to Work. É por isso que quem vos diz isto sou eu, um colaborador da Cofidis, e não um locutor contratado. Cofidis, de pessoas para pessoas. No "Bons Empregos" de hoje, vamos falar sobre o futuro do mercado de trabalho. Como será o trabalho daqui a 10 anos? A tecnologia vai eliminar empregos? Isso parece ser, para já, uma certeza. E que profissões novas irão surgir com a crescente transformação digital? Vamos trabalhar a partir de casa? Quem vai poder fazê-lo? Para nos ajudar a encontrar a resposta a estas e outras perguntas, temos conosco Daniel Araújo, cofundador e CEO da Attentiv e membro da Global Shapers, que se junta a nós a partir de Braga. Daniel, bom dia.
Olá, viva, muito bom dia.
Vivemos em constante mudança, sobretudo devido à incorporação de tecnologia em todos os campos da nossa vida. Para início de conversa, gostava que dissesse que grandes tendências se desenham para o futuro do mercado de trabalho?
Penso que está obviamente a acontecer imensas mudanças agora ao mesmo tempo, que é fácil reduzi-las a um ponto de vista tecnológico, se calhar é isso que é mais visível, mas eu diria que a nível de tendências, o aspecto organizacional, como as empresas funcionam, acaba por ser uma mudança ainda maior.
Isso quer dizer o quê?
Essas mudanças organizacionais significam, por exemplo, que em vez de pensarmos no horário de trabalho como simplesmente das 9h às 17h ou das 9h às 18h, pensamos em trabalho por objetivos, porque isso vai desbloquear coisas como o trabalho remoto, como trabalhos com muito mais autonomia, vai exigir competências completamente diferentes. E eu penso que vai permitir também que o trabalho dos humanos, pelo menos esse lado, seja menos automatizável. Portanto, as empresas que se calhar ficam num modelo organizacional mais antigo, mais industrial, eu penso que esse é um modelo que de fato vai tender a desaparecer. Não vai desaparecer completamente, ele continua a ser útil, mas na verdade, a maioria das organizações, particularmente empresas de serviços, etc, há uma mudança que se vai traduzir num trabalho muito mais por objetivos e, portanto, muita mais flexibilidade, para que as pessoas consigam, acima de tudo, entregar o trabalho que tinha sido proposto, independentemente de onde estão e a que horas é que o fazem.
E quais são os setores que vão ser alvo de maior mudança?
Tudo o que for indústria, neste momento, está a sofrer um processo de digitalização muito agressivo. Portanto, esses são os primeiros onde vai existir várias funções que são mais facilmente substituídas e que é preciso haver uma resposta social ao que vai acontecer a essas funções. E acho que há algumas abordagens, diria, mas ainda não há uma resposta que seja completa ainda para isso. Portanto, eu diria que tudo o que for mais automatizável, mais mecanizado, é um trabalho que certamente irá desaparecer nos próximos anos.
Isso quer dizer que vão ser eliminados postos de trabalho?
É um risco. Eu diria que o mercado de trabalho tende a ser muito mais dinâmico, portanto, vão desaparecer, mas também vão aparecer muitos mais. Apesar de parecer um momento muito único da nossa sociedade, a verdade é que já aconteceu várias vezes. Umas vezes, claro, mais rápido, menos rápido. Certamente este será o mais rápido que alguma vez aconteceu, esta mudança de um paradigma de trabalho. Mas a verdade é que em todos os casos, a história nos disse que foram criados muitos mais trabalhos do que aqueles que foram eliminados. E o pior é que esses trabalhos nós não sabemos como é que eles se chamam ainda. Mas aquilo que nós sabemos é que são funções que exigem muitas mais competências ou pelo menos um leque muito mais alargado de competências transversais. Portanto, não é tanto a especialização, mas diria que para qualquer função dessas novas vai exigir muito mais comunicação escrita e oral, muita mais colaboração, muito mais definição e estruturação de projetos. Portanto, são tudo competências que vão ser muito mais úteis no futuro e que vão ser aplicadas em áreas novas, em indústrias novas, que algumas são fáceis de prever. Se nós pensarmos nas alterações climáticas ou até a segurança também, a cibersegurança. Portanto, são áreas que nós ouvimos e lemos todos os dias sobre isso e são áreas que são cruciais para nós encontrarmos novas soluções e isso traduzir-se-á em novos trabalhos também.
Que competências é que vão ser valorizadas no futuro?
Eu diria que competências que nos permitem comunicar melhor, definir novas ideias, negociar. Todas essas competências novas são competências que para nós achamos que são implícitas, são dados adquiridos, mas na verdade, vão passar de uma coisa passiva para algo muito mais proativo e que nós temos que trabalhar para ficarmos competitivos.
Daniel, para desempenhar que funções no futuro?
Tudo o que for função de trabalho de dados. Há pouco estava a dar o exemplo das alterações climáticas. Esse é um ótimo exemplo, onde nós vemos que funções de análise de dados, de comunicação, são absolutamente cruciais para nós conseguirmos dar uma resposta a uma situação tão importante. Nesta fase, é um trabalho ainda muito de gestão, muito de ideação, de gerar ideias e soluções para conseguirem ser aplicadas. Isso vai se, mais uma vez, refletir em muitas funções que nós ainda não sabemos bem como defini-las ou ainda não há uma lista de tarefas muito específica, mas que vão se tornar bem claras, eu penso, nos próximos anos.
O teletrabalho é mesmo uma tendência de futuro? Quem é que vai trabalhar a partir de casa?
Eu acho que sim, eu acho que é inegável que uma grande percentagem do nosso mercado de trabalho pode passar. Claro que eu não acho que será, isso é o meu ponto de vista, 100%, longe disso. Vai continuar a haver trabalho, mas se nós pensarmos que um terço dos trabalhos, se forem feitos de forma remota, estamos a falar de vários problemas que nós conseguimos resolver ao mesmo tempo. Só o trânsito nas cidades, temos a questão do teletrabalho, que resolve Imensos problemas e acima de tudo é a questão da flexibilidade, que eu diria que é mais importante do que dizer que a pessoa tem que trabalhar sempre de casa todos os dias, mas é mais do que isso. Eu acho que é mesmo a questão de o posto, o lugar físico onde a pessoa está não é relevante. Portanto, a pessoa pode estar noutro país.
As empresas portuguesas estão preparadas para esta realidade ou não estão de todo preparadas e no caso de necessitarem de se adaptar, o que é que têm que fazer?
Eu diria que com as devidas e honrosas exceções, o maior problema que eu vejo em Portugal tem exatamente a ver com a questão cultural e organizacional. A questão tem mesmo a ver com a forma como as empresas se organizam. E portanto, que têm que ter, por exemplo, definição de objetivos e definição dos projetos muito detalhado e tudo documentado online para que se nós tivermos 10 pessoas que não estão no mesmo escritório, consigam aceder à informação e consigam avançar no seu trabalho. Eu diria que essa questão, do meu ponto de vista, ainda há muito trabalho a fazer para que a gestão passe, não de forma autoritativa como é agora, mas que passe simplesmente a pensar em objetivos, e a partir daí, sim, conseguimos que a pessoa, não interessa muito se a pessoa está das 9 às 17, desde que cumpra os objetivos dentro dos prazos que foram pré-definidos. Portanto, essa transição organizacional é um aspeto cultural que eu penso que ainda há muito a fazer em Portugal.
Daniel Araújo, muito obrigado por ter estado no "Bons Empregos" desta semana e por nos ter ajudado a antecipar o futuro do mercado de trabalho.
Muito obrigado.
Na Cofidis acreditamos que acima das relações profissionais estão as relações humanas, de partilha, de respeito, de confiança. Não é por acaso que a Cofidis é uma ótima empresa para trabalhar e em 2019 foi eleita mais uma vez Great Place to Work. É por isso que quem vos diz isto sou eu, um colaborador da Cofidis, e não um locutor contratado. Cofidis, de pessoas para pessoas. "Bons Empregos" é um programa trazido pela Cofidis.
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