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Bem-vindo ao "Brainstorming", o magazine semanal da Rádio Observador, onde as ideias não pagam imposto, nem sofrem cativações. Pelo menos por enquanto. Esta semana o país volta a fazer contas. Entrou em discussão no Parlamento o orçamento do Estado para 2026. Entre promessas de alívios fiscais, medidas para famílias e empresas e um debate onde a única coisa realmente equilibrada foi o número de interrupções, o ambiente tornou-se quente e vieram ao lume ideias mais ou menos democráticas. Uma discussão que mais fez lembrar uma ardente discussão futebolística do que uma racional discussão orçamental. E por falar em coisas quentes e ardentes, esta semana também por aqui temos fogo criativo e literal, que nos é trazido em bandeja de ouro por Gonçalo Castelo Branco, produtor executivo do Chefs on Fire, um festival que prova que com bons ingredientes tudo, até mesmo a política, pode ficar mais digerível. Mas antes, duas campanhas internacionais e lá mais para o fim, uma notícia. Todas provam que também o mercado da publicidade é especialista em aquecer o mercado, o ambiente e o feed das redes sociais. Começamos pelo IKEA Suécia, que lançou uma campanha que prova que a emoção e o design cabem na mesma etiqueta. Em vez de mostrar sofás ou estantes, a marca coloca o foco nas etiquetas de preço, transformando-as em símbolo de momentos de vida. O primeiro beijo, uma mudança de casa ou o instrumento comprado para aprender algo novo. A ideia, assinada pela Axdham Holst Noah, é simples: o lar muda conosco e a IKEA está sempre por perto, com ou sem chave Allen. É o tipo de campanha que lembra que os melhores investimentos às vezes não estão no orçamento, estão sim, no quarto, na sala ou na cozinha de quem vive. Abrimos agora as portas à McDonald's, que decidiu cometer o crime mais delicioso do ano. O World Menu Heist. A marca e a Leo Burnett UK roubaram oito produtos icónicos dos menus internacionais e levaram-nos para o Reino Unido com uma narrativa de assalto cinematográfico que inclui jet skis, comboios e uma boa dose de adrenalina, quase ao jeito daquele assalto do Louvre. Pode ser que seja um pouquinho menos emocionante esse assalto. A operação foi pensada como um thriller global de marketing, com pistas nas redes sociais, briefings secretos e até uma contagem decrescente para a fuga final. Num mundo em que as pessoas já não se contentam em comer, mas querem viver a refeição, a McDonald's mostra que o apetite por boas histórias continua a render. Às vezes, até mais que o IVA do Happy Meal, dizemos nós. Nesta edição do "Brainstorming" temos o prazer de conversar com o Gonçalo Castelo Branco, produtor executivo do Chefs on Fire e muito mais. Gonçalo, já não és um estreante no "Brainstorming", portanto, sê novamente muitíssimo bem-vindo. Já aqui falámos do Chefs on Fire numa outra edição. Não precisam já de apresentação. Juntam gastronomia, música, natureza e fogo. Dentro do conceito Chefs on Fire, já nos falaste também do que é que simboliza o fogo, mas gostava só de relembrar para quem não ouviu a primeira edição, a primeira vez que estiveste aqui no "Brainstorming", se bem que depois possa ir lá recuperar essa conversa. O que é que simboliza o fogo aqui no meio disto tudo?
Em primeiro lugar, obrigado, é um prazer estar de volta. Eu acho que se não fosse produtor de eventos, eu teria sido pirómano facilmente. Eu tenho fascínio com o fogo, acho que é elemento lindíssimo. Até hoje, tantos anos depois, eu quando tenho uma fogueira à minha frente no Chefs on Fire, eu continuo a ficar-
Continua a ser mágico?
...perfeitamente intoxicado com aquelas cores e aquela dança. É uma coisa muito bonita, uma coisa que está viva. E mais do que isso, gastronomicamente, o fogo pra mim é o elemento central da gastronomia mundial. É o que nos trouxe enquanto espécie onde estamos hoje e é aquilo que existe em mais culturas e que é utilizado em mais culturas até hoje. Apesar das técnicas terem evoluído, o fogo continua a ser o cornerstone da gastronomia mundial e ao fim destes anos todos, é interpretado de formas diferentes em todo o lado. E portanto, o fogo pra mim é à volta do qual nós nos sentávamos antes de haver podcasts. O primeiro podcast era a fogueira, era onde nós nos sentávamos à volta a conversar e a contar histórias.
Contar histórias, sim.
E é aquilo que mais marca a gastronomia mundial e, em particular, a gastronomia portuguesa.
O fogo este ano levou-vos a Madrid, Lisboa, Foz Côa. Foram apenas alguns dos destinos. Começando por Madrid, o que é que vos fez levar este conceito até Espanha?
Foi o segundo ano. Nós já começámos a internacionalização há dois ou três anos.
Sim, já me disse.
Já fizemos Maldivas, já fizemos Grécia, já fizemos Madrid. Para o ano vamos fazer São Paulo. E, portanto, a nossa ambição é que o Chefs on Fire, ele não nasceu com essa ambição, mas hoje em dia ela é clara. O Chefs on Fire ser o maior festival gastronômico do mundo. Hoje em dia já é o maior festival de fogo da Europa e o objetivo é em mais dois, três anos, ser o maior do mundo. E continuar a ser aquilo que ele acabou por se transformar, que é a maior montra da qualidade gastronômica portuguesa no mundo todo. E, portanto, nós, por exemplo, em Madrid tivemos mais de 40% dos nossos chefs eram portugueses. Foi a maior comitiva de talento gastronômico português alguma vez num evento internacional. E em São Paulo será exatamente o mesmo. E, portanto, o que nos levou a Madrid é continuar esta expansão E continuar. Para mim, hoje em dia já é um orgulho e uma responsabilidade ser um promotor do talento gastronómico português.
Novamente bem recebidos em Espanha, imagino.
Incrivelmente, esgotadíssimos. A zona de Portugal, em particular, tremendamente elogiada, pratos fantásticos. Cada vez mais as pessoas provam a nossa comida e dizem: "Já percebo porque é que toda a gente quer ir a Portugal." De facto, eu acho que isto é das coisas que, se calhar, se tivesse aqui um espanhol, dizia de Espanha e um americano dos americanos. Mas eu acho que nós, de facto, temos a melhor gastronomia do mundo.
E da megacidade de Madrid para a pequena vila de Foz Côa, como é redimensionar as coisas?
Foz Côa já é o nosso terceiro ano e partiu de um desafio, na altura, do Turismo de Portugal, um parceiro importante do projeto, que nos pediu e disse: "Era muito interessante para nós que vocês levassem isto também a sítios do país que de outra forma não recebem eventos deste género."
Mas têm que ser feitas adaptações, certo?
No caso de Foz Côa, não é só uma adaptação. Além das adaptações que fazemos, mas isso fazemos em todo lado.
É uma reinvenção, quase.
Em Foz Côa inventamos. O que fazemos é trabalhar com um historiador e um antropólogo especializado em técnicas gastronómicas durante o Paleolítico e o Neolítico, que é o Pedro Cura, um tipo formidável. Trabalhamos com ele e com os nossos chefs para que tudo o que é servido e tudo o que é cozinhado no Chefs on Fire de Foz Côa seja feito da mesma forma que era feito ali há 30, 40, 50 mil anos atrás. Portanto, tanto o produto como as técnicas utilizadas são técnicas neolíticas. Já o sítio é mágico, mas além do sítio mágico, tu estás a fazer uma viagem no tempo. Tu estás a comer comida de fogo como era feito pelos nossos antepassados. Isso acaba por nos levar gastronomicamente a sítios muito giros, que aos próprios chefs é um desafio diferente.
Toda a gente aprende?
Toda a gente aprende. Acho que o Pedro é o único que só ensina, que é um tipo que, de facto, tem muito a ensinar. Devias trazer cá porque é um tipo engraçadíssimo. Mas nós aprendemos muito e acho que os nossos clientes adoram aquela experiência. Depois, é um sítio profundamente contemplativo, mesmo do ponto de vista dos concertos. Este ano temos concertos formidáveis. Temos pela primeira vez, espero que a minha filha não esteja a ouvir isto, a Bárbara Bandeira a tocar no Chefs on Fire Foz Côa, a qual a minha filha não vai poder assistir. Já há anos a pedir-me e agora não consegue assistir. Mas é um sítio lindo, contemplativo, uma pessoa está a olhar para o rio, é uma coisa mais pequena, 300, 400, 500 pessoas por refeição, e é uma viagem no espaço e no tempo que eu acho que vale cada quilómetro, mesmo quem faz as quatro horas.
Não é fácil chegar lá.
Não é fácil chegar lá.
Mesmo para a comunidade de Foz Côa e das aldeias e vilas que cercam ali esta região, acham que este evento também é importante para essa dinâmica da região?
Não sem dúvida. Essa é a razão principal porque nós o fazemos. O desafio foi celebrar um sítio muito especial em Portugal, que eu acho que as pessoas conhecem, o Para das Gravuras.
Pelo menos o nome.
Sim, Foz Côa, o sítio das Gravuras, o próprio museu onde nós fazemos é um museu formidável.
Mas sentem esse reconhecimento por parte da comunidade?
Sem dúvida. A esmagadora maioria dos nossos clientes de Foz Côa são ou locais ou turismo interno. É de todos os Chefs on Fire o que recebe menos turista externo. Mas recebemos malta que vem do Porto, Vila Real, Guimarães, Lisboa, já começa a acontecer cada vez mais, e sentimos um reconhecimento local enorme. Eu acho que as pessoas nestes sítios estão pouco habituadas a receber eventos deste nível e, portanto, quando existem, elas não hesitam em aderir.
Perguntava porque às vezes podia ser olhado com desconfiança, com alguma reticência.
Não.
São totalmente abraçados.
Eu acho que nós em Portugal nunca fomos recebidos com desconfiança. Não sei se é do produto ou se as pessoas, de facto, em Portugal adoram receber. Eu costumo dizer que nós profissionalizamos o carinho. Nós tentamos tratar as pessoas como gostamos que nos tratem a nós. E eu acho que as pessoas em Portugal reagem muito bem a esse tratamento.
O que é que podemos esperar do futuro para o Chefs on Fire?
Para já, Cascais este ano deu um salto enorme, 10 mil pessoas, um novo espaço, foi um salto doloroso, mas um salto importantíssimo. Portanto, eu acho que esse salto e o reconhecimento desse salto também nos obrigou a repensar os nossos planos. E de facto, a expansão internacional continua a ser um foco importante para nós, mas cada vez mais nós queremos que o Chefs on Fire Cascais seja o melhor Chefs on Fire do mundo. E eu espero voltar aqui ao teu podcast e já haver 10 Chefs on Fire no mundo inteiro e eu continuar a dizer que o nosso foco continua a ser que Cascais seja o melhor do mundo. Nós para o ano vamos fazer comunicação, vamos fazer outdoors em Londres e em Nova Iorque para trazer pessoas a Portugal para o Chefs on Fire, que é algo que já começa a acontecer e que nós queremos cada vez mais que aconteça.
Quando recebemos em nossa casa, a responsabilidade é maior.
Sim, e há uma dívida de reconhecimento natural com Cascais, que sempre nos recebeu muito bem e que foi quem apostou no projeto quando eu era pequenino, mas também há uma aposta concreta do Turismo de Cascais, Turismo de Portugal e nossa. Nós neste momento temos aqui o melhor festival do mundo. Não é uma coisa que eu costumo dizer as minhas próprias coisas, é o melhor festival do mundo, gastronómico. E se temos o melhor festival do mundo, a expansão de marca é porreiríssima, é importante para a minha carteira, porque em Portugal não se ganha dinheiro com uma coisa destas. Mas mais do que isso, eu acho que nós não podemos só ir atrás desse objetivo. Para mim, o objetivo disto ser reconhecido como o melhor festival do mundo é um legado que eu espero deixar no dia que me reformar.
Esta pergunta não estava prevista. Se quiseres, depois inclusivamente podemos apagá-la, mas a verdade é que têm surgido vários eventos dentro da dinâmica Chefs on Fire. Vários eventos com base no fogo são bem vistos por vocês? O Chefs on Fire foi uma inspiração para se criarem projetos do gênero ou olham para eles como copycats?
Não, tremendamente.
Há espaço para toda a gente?
Eu acho que é muito normal quando É muito normal quando estás a inovar, há duas hipóteses: ou estás a fazer o que satisfaz ou estás a fazer de novo. Se estás a fazer novo, acontecem duas coisas. A primeira é o primeiro bombeiro a atravessar a parede é o que fica com as farpas. Portanto, vais ter dor, vais ter não sei o quê, isso faz parte do território e até acho que é estimulante. A segunda é, assim que aquilo funcionar, vai aparecer gente a querer fazer igual. Mas eu acho que o fazer igual, se abriste um território, ficas molheirado quando os outros querem viver no mesmo território, então está na hora de abrires o próximo. Com a exceção de quando pegam numa ideia minha e me copiam de forma, em vez de prestigiar, me roubam uma ideia, tentam ser chico-espertos, como sabes que já aconteceu em Portugal, aí eu ave mal, porque é agarrar o trabalho dos outros e tentar ser chico-esperto. Outra coisa é, não fui eu que inventei o fogo, garantidamente. A comida de fogo existia antes de eu aparecer. E haver mais eventos a celebrar a mistura de música e de fogo, etcetera, são muito bem-vindos, alguns até ajudo, às vezes até empresto material. Acho muito bem, não sinto minimamente molheirado.
Desde que o façam bem, está tudo bem.
Na minha sala, eu tenho uma coisa escrita que é: "Faz rápido antes que os outros façam mal". Eu acho que quando uma pessoa tem uma ideia boa, tem que ser agressiva, tem que fazer, tem que chegar à frente e depois a seguir alguém vai tentar fazer. À partida, se tu fores muito bom, que eu acho que a minha equipa é, os outros ao tentarem fazer, vão tentar chegar lá e vão ficar aquém. Mas isso é um ótimo exercício, quer dizer que há muita gente e se calhar vão chegar a sítios que eu não cheguei, que serão melhores e que eu vou aprender com isso também.
E nessa dinâmica "just do it", eis que surge também dos cérebros da Lowatt, um Domingo na Avenida. O que é isto?
Eu adoro este nome, cada vez que eu ouço alguém dizer o nome, parece um filme dos anos 30 com o Gene Kelly, tem uma beleza, eu adoro este nome.
Uma patine.
É, tem, não tem? E o Domingo na Avenida é uma ideia muito simples. A Associação da Avenida Liberdade, que é uma associação que junta os comerciantes da avenida, desafiou-me algumas vezes para eu criar um festival para a Avenida Liberdade, uma coisa para a Avenida Liberdade. E eu comecei a pensar e lembrei-me de uma coisa que eu já há muito tempo que gostava de fazer, que é: não há um piquenique premium em Portugal. Eu adoro piquenique. O piquenique é uma coisa que, mais uma vez, junta as coisas que são fantásticas: a informalidade, a família e pode ter muita qualidade gastronómica e vinícola. E portanto, na realidade, um bom piquenique é uma coisa absolutamente formidável. E em Portugal, nós temos o Piqueniquão e não sei o quê. E o que eu queria? Eu há muito tempo queria fazer um piquenique premium, eu estou nisso, olha, é aqui mesmo. Então o que fiz foi: escolhi os melhores cestos de piquenique que encontrei, uns objetos fantásticos, com loiça, com talheres, com tudo.
Sim, há kits extraordinários.
Um cesto de piquenique, um objeto, quem é que não quer ter um bom cesto de piquenique em casa? Então escolhi os melhores cestos de piquenique, fui escolher os melhores pratos da Avenida Liberdade, desde o Ritz, ao Eleven, ao Libertad, aos croquetes da Cervejaria Liberdade, à Mona Verde, que abriu agora, os melhores pratos, e fiz um piquenique premium, em que tu chegas à avenida, neste caso, ao Parque Eduardo VII, reservas a tua toalha como se fosses ao cinema e tens uma toalha, sentas-te, levamos-te o teu cesto de piquenique, os pratos acabados de fazer, tens serviço de vinho, espumante, cerveja, tudo na toalha, carregas num botão e vêm-te trazer. Estás ali deitado com os teus amigos, com os teus filhos e tens à tua frente um palco a dar a Orquestra Sinfônica Portuguesa, a Orquestra do São Carlos, a tocar músicas de filmes e depois o David Fonseca a tocar ao vivo. Eu faço muito coisas para o meu umbigo. Eu faço coisas que gostava que tu fizesses para eu poder ir. Mas enquanto estava outra malta a fazer ou não fazer, eu tiro e faço. Não quer dizer que tenha mais qualidade ou talento que os outros, eu acho que só tenho mais disponibilidade para me atirar para estas coisas, que é: eu não quero esperar, eu quero fazer, eu quero ir a isto, eu quero levar a minha filha a isto. A minha mãe já me disse, a minha mãe, que nunca vai às minhas coisas: "Não, eu a este quero ir". E eu: "Ó mãe". Está sentada numa toalha de piquenique: "Vou, que eu adoro isso". Tem dois modelos de participação. A pessoa pode comprar o cesto e a toalha, o seu lugar no jardim custa 250 € e inclui o próprio cesto, que a pessoa leva para casa, a toalha, que a pessoa leva para casa, os oito pratos, uma garrafa de vinho, duas garrafas de cerveja, inclui tudo o que tu precisas. E levas o cesto para casa. Como as pessoas sabem, um cesto de piquenique como deve ser, custa 150 €.
Sim, é caríssimo.
Nós andámos meses até encontrar cestos que queríamos que sejam bons. Isto é para duas pessoas, 250 € com tudo incluído. Ou então, para quem quiser trazer a sua comida de casa, quem já tem os cestos, quem tem: "A minha mãezinha fez-me um arroz de polvo e eu quero levá-lo para a avenida e assistir à música clássica", pode vir e tem bilhetes a 50 € individuais para cada toalha. Nós queremos ser inclusivos, queremos celebrar o melhor que há na avenida, mas também queremos que pessoas que pura e simplesmente ou não querem gastar 250 € ou não têm 250 € para gastar e adoram música clássica como eu adoro, são muito bem-vindas também no nosso evento, naturalmente, ou não fosse um evento apoiado, não só pela Associação da Avenida Liberdade, mas também pelo Turismo de Portugal e pela Associação de Turismo de Lisboa. E é um evento que se quer para as famílias lisboetas, todas elas.
Gonçalo, já não temos mais tempo. És sempre bem-vindo ao "Brainstorming", sempre que tiveres projetos que estejas a concretizar mais rapidamente que os outros, tens as nossas portas abertas. Para terminarmos a nossa conversa, como sempre, faço-te o desafio: que música é que associarias, neste caso, a este Domingo na Avenida e por quê?
Eu acho que vou ter que escolher. Já não me lembrava que ia fazer esta pergunta, mas já que vou ter a Orquestra de São Carlos a tocar música de filmes, e já que ontem, na continuação de ensinar a minha filha cultura cinematográfica, vi com ela o Indiana Jones, acho que vou escolher a música do John Williams, o tema do Indiana Jones, que tocado por uma orquestra ao vivo, é absolutamente fabuloso.
Fica por aqui esta conversa com o Gonçalo Castelo Branco, produtor executivo do Chefs on Fire, com a sua Lowrader aqui a lançar mais um novo conceito, um domingo na avenida. Ainda há espaço para receber mais convidados neste piquenique, que vai ser certamente único. Gonçalo, obrigado por teres vindo ao "Brainstorming" mais uma vez e até à próxima.
Obrigado.
Já quase a terminar o "Brainstorming" e depois de uma conversa com comida da boa, voltamos à fast food, ou melhor, à criatividade em modo blockbuster. O governo de Ontário gastou 75 milhões de dólares num anúncio de um minuto. Foi exibido durante a World Series de baseball, onde um discurso de Ronald Reagan é usado para criticar as tarifas comerciais dos Estados Unidos. O resultado? Uma nova crise diplomática e um tweet furioso de Donald Trump, que prometeu subir as taxas ao Canadá mais uma vez. A Fundação Reagan também já ameaçou processar e o vídeo acabou mesmo suspenso, mas não antes de incendiar o debate sobre ética política e publicidade governamental. Pelos vistos, também no Canadá, o orçamento é do Estado, mas o drama que mostra o poder da publicidade parece vindo de Hollywood. Esta semana entre orçamentos, hambúrgueres e etiquetas com alma, percebemos que a economia e a criatividade têm algo em comum. Ambas tentam provar que o valor não está só nos números. Enquanto uns fazem magia com euros, outros tentam-na com ideias e no fim, todos querem mesmo é que as contas fechem no verde. O "Brainstorming", que é de todas as cores, vai para o ar no seu novo horário, todas as segundas-feiras depois das 21h30, na Rádio Observador, e está sempre disponível em podcast. Onde? No site do Observador, na aplicação para telemóveis e também nas principais plataformas. Com a ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia do Bernardo Almeida, eu sou o Hugo Silva. E até à próxima edição, lembre-se: não há criatividade sem défice de juízo. De juízo na cabeça, dentro e fora do Parlamento. E até para a semana.