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Olá, vamos a mais um "Brainstorming" e esta semana descolamos em direção às estrelas. Literalmente, a missão Artemis 2 está em destaque e levou humanos novamente para lá da órbita da Terra, numa viagem à volta da Lua em que finalmente visitámos o dark side of the Moon. Um ensaio geral para aquilo que pode vir a ser o próximo grande capítulo da exploração espacial. E há qualquer coisa de fascinante nisto, porque, no fundo, estamos a falar de voltar a fazer algo que já fizemos, mas com tecnologia nova, ambição renovada e objetivos mais longínquos. É quase como no marketing. Também andamos constantemente a testar, a ajustar e a afinar sistemas. No fundo, a tentar perceber se estamos prontos para o próximo salto, seja ele uma nova campanha ou uma nova realidade. É precisamente sobre isso, sobre palcos, experiências e grandes momentos, que hoje conversamos com o Luís Soares, diretor de marketing do Rock in Rio. Antes disso, olhamos para três histórias que também vivem de sistemas, decisões e impacto real. Temos um novo hábito que pode mudar a forma como lidamos com o lixo, uma campanha que nos lembra que começar mal faz parte e uma tecnologia que tenta pôr ordem num dos lados mais caóticos da internet. Vamos às notícias?

Olha, já temos o símbolo V.

É a nova reciclagem, não é? E começamos por algo que já arrancou em Portugal: o novo sistema de depósito e reembolso de embalagens. Com a campanha, agora as garrafas e latas têm "V" de volta. A ideia é simples: paga-se um pequeno depósito, cerca de € 0,10, e esse valor é devolvido quando a embalagem é entregue num ponto de recolha. A campanha, criada pela Dentsu Creative Portugal, conta com Vasco Palmeirim e Inês Lopes Gonçalves, que assumem, literalmente, o papel de uma lata e uma garrafa. O Vasco é a lata, a Inês é a garrafa. E sim, funciona, porque transforma um tema técnico num gesto simples, quase automático. A estratégia entra agora numa nova fase, com menos explicação e mais experimentação. Ou seja, já não é sobre perceber, é sobre fazer. E no fundo, é isso que define as boas campanhas, quando deixam de ser uma mensagem e passam a ser um comportamento. E já agora, aqui uma referência especial aos dotes vocais da Inês Lopes Gonçalves. São particulares. Eu, além de ser uma garrafa, podia ser uma cantora fenomenal. Como é que foi o meu começo? Assim: é o mais importante, toda a gente erra. Passamos agora para o Banco Santander, que lançou a plataforma criativa global Começos Imperfeitos, com a assinatura da Publicis. A campanha parte de uma verdade simples: ninguém começa preparado. E, no entanto, toda a gente espera pelo momento perfeito. Com Gabriela Barros como protagonista e a voz de Albano Jerónimo, o filme coloca o foco nesse desconforto inicial, aquele momento em que não sabemos bem o que estamos a fazer, mas avançamos na mesma. Quem nunca? A ideia é clara: normalizar a imperfeição e também posicionar o banco como parceiro nesse primeiro passo. Num mundo que valoriza resultados finais, o Santander decide valorizar o início, com todas as suas falhas, dúvidas e hesitações. E talvez seja aí que está a ligação com o nosso tema de hoje, porque tal como nas missões espaciais, também aqui ninguém arranca perfeito. Arranca, apenas, e ajusta pelo caminho. Mais uma edição do "Brainstorming" e nesta temos o prazer de conversar com o Luís Soares, é diretor de marketing do Rock in Rio. Sê muito bem-vindo aqui a este podcast, que de alguma forma é um espetáculo, mas não um espetáculo com a dimensão que o Rock in Rio tem. Ainda para mais, este ano há mais uma edição do Rock in Rio em Portugal. Gostava de saber, em primeiro lugar e para início de conversa, Luís, quais é que são as expectativas para a edição deste ano?

Antes de mais, muito obrigado pelo convite, por estar aqui.

Nada, eu gosto de te receber.

Um bocadinho daqui da nossa aventura para esta edição do Rock in Rio Lisboa. As expectativas são as melhores. Na verdade, esta edição promete ser a melhor edição de todos os tempos do Rock in Rio Lisboa, não tenho dúvida nenhuma.

Como assim? Por quê?

Olha, por várias razões. Pela sua afirmação hoje em Lisboa, o Rock in Rio se afirmar aqui em Lisboa como a grande capital europeia do festival. A nossa mudança na última edição do Parque da Bela Vista para o Parque Tejo permitiu que nós pudéssemos crescer não só em tamanho, mas também enquanto projeção de marca a nível internacional, muito por conta da imagem cartão-postal do enquadramento do nosso festival com a Ponte Vasco Gama, com a ala oriental da cidade, nomeadamente com o enquadramento cênico, com o Rio Tejo, personificou, de facto, o Rock in Rio Lisboa como um grande cartão-postal do festival, não só a nível nacional, mas também a nível internacional. E isso tem sido muito a nossa ambição, crescer internacionalmente e marcar hoje o Rock in Rio Lisboa, não como o irmão mais novo da edição brasileira, mas também ela como uma edição gigantesca.

Com a sua própria personalidade.

Personalidade e com projeção absolutamente internacional, com essa imagem de marca para fora, sobretudo para o exterior.

Posso fazer uma pergunta?

Claro.

Se calhar até uma inconfidência. De facto, o Cartão-postal do Parque Tejo é o que é, mas o Parque da Bela Vista deixa saudades. Eu falo enquanto festivaleiro e enquanto pessoa que esteve no Parque da Bela Vista várias vezes no Rock in Rio, tenho saudades. Imagino que vocês também tenham um carinho especial por aquele espaço.

O Parque da Bela Vista faz parte da nossa história, faz parte do nosso primeiro momento de internacionalização. E o Parque da Bela Vista, na verdade, em 2004, quando surge pela primeira vez, não existia enquanto recinto de eventos em Lisboa. Ele foi, na verdade, uma grande descoberta ou uma redescoberta, o parque já lá estava, naturalmente, mas do Roberto Medina, que vislumbrou ali, de fato, um recinto. O Rock in Rio, lá atrás, tinha uma configuração. Este Rock in Rio de hoje é totalmente diferente daquilo que foi durante 20 anos. Eu não gosto de usar tanto a expressão boutique, mas talvez fosse a melhor forma de o classificar, porque ele era completamente orientado para apenas um palco, que era o palco mundo. Tínhamos um segundo palco, mas ele era muito constrangedor no sentido de não podermos crescer, não só a nível de atrações, mas também a nível de entretenimento e poder dar uma experiência muito melhor para o nosso público.

E o caminho tem que ser sempre pra frente. E falando nisso, este ano temos um cartaz recheado de grandes talentos nacionais e internacionais. Gostava também de saber como é que se constrói um cartaz para o Rock in Rio. Existe uma estratégia específica por dia? Olham sempre para a big picture? Não quero que nos reveles, nem poderás revelar-nos os segredos todos, mas uma ideia geral de como é que se constrói um cartaz.

O cartaz e o line up têm muitas nuances, mas eu diria que a característica principal do Rock in Rio é não ser apenas um festival de música, é ser uma grande plataforma e um grande agregador de conteúdos, mas uma grande plataforma de comunicação e um grande ecossistema. E nós, como festival mainstream, que somos, porque somos absolutamente mainstream e que vamos desde os Young Lovers até ao Cultural Upstream, ou seja, cobrimos todos os gêneros musicais, todos os segmentos, todas as faixas etárias. Para podermos ser absolutamente transversais, temos que pensar num cartaz que seja verdadeiramente inclusivo no verdadeiro sentido da palavra. O que isso quer dizer? Quer dizer que quando nós olhamos pro cartaz do Rock in Rio, nós temos que imaginar quatro festivais dentro de um festival. O que isso quer dizer? Que temos um dia assumidamente pop, um dia familiar, por hipótese, com o dia da Katy Perry, com Charlie Puth, com Alok, com a Audrey Nuna, guerreira do K-pop, e tantas outras.

Mas muitas vezes a construção começa pelo telhado, por assim dizer, o cabeça de cartaz vem em primeiro lugar e depois constroem tudo à volta disso?

Primeiro, existe um alinhamento do dia. Para podermos ser transversais, temos que cobrir todos os gêneros musicais, temos que cobrir todas as faixas etárias. Então temos que apontar desde os mais novos aos mais velhos, então cobrimos necessariamente um dia pop, um dia rock, um dia classic rock, um dia mais orientado pra gen Z, como é o caso do dia 28, que acabamos de anunciar na semana passada. Então nós temos que ter esse cuidado de olhar para todas as faixas etárias e olhar para todos os gêneros musicais, para que possamos ser verdadeiramente um festival agregador de várias tribos, digamos assim.

Mas já que falaste nesse dia 28, talvez o dia mais urbano que já tiveram, hip-hop, vão ter Afrobeat, trap. Tem sido boa a reação do público a este dia um bocadinho diferente do habitual. Acham que vão conseguir chamar outro público também para dentro do conceito Rock in Rio? Foi por aí que também tentaram fazer o caminho?

Nós, desde 2018, que temos feito essa aposta em ter sempre um dia completamente focado naquilo que são as gerações mais novas.

Portanto, vão atrás da tendência, mais ou menos.

Não necessariamente só ir atrás da tendência, a tendência naturalmente existe, mas sobretudo o público. Se nós olharmos pra um público que tem 17, 18, 19, 20 anos, que esteja no secundário, na universidade, naturalmente os gostos não serão os mesmos da minha geração.

Claro.

Então olhar para um público urbano é absolutamente determinante para apontar para futuro. E o que nós queremos seguramente conseguir é envolver essas diversas gerações. E o público urbano, como é o caso do trap, o hip-hop, o urban pop, é claramente não só tendência, mas aquilo que dita aquilo que será o futuro da música. Dou o exemplo da última edição com o dia da Doja Cat, por exemplo, ou em anos anteriores com o dia da Post Malone. Ou seja, nós sempre tivemos, diria, uma estratégia de 2018 pra cá, sempre um dia que aponta para o público mais jovem.

Posso concluir, depois disto tudo, que o foco é sempre chegar às pessoas. A música é apenas um veículo, e não é pouco, mas a música é o principal veículo para fazer a ligação do conceito Rock in Rio, do projeto Rock in Rio com as pessoas.

A música é o principal ingrediente, diria. É o principal território.

Mas o objetivo final é chegar às pessoas.

Sempre chegar às pessoas. E eu dou aqui uma Ilustro numa visão do nosso fundador, em que o Roberto teve, em 1985, a ideia de iluminar a plateia pela primeira vez numa altura em que o foco só estava no artista. E essa ideia, que parece hoje uma ideia até comum e a gente vê bastante nos live shows, mas na altura era bastante incomum, porque ele entendia que o poder não estava no artista, o poder estava no público, estava nas pessoas. E poder iluminar milhares e milhares de pessoas, naquele caso, milhões de pessoas numa única edição, é de facto o poder que tem um festival como o Rock in Rio.

E esta interligação entre pessoas também passa por uma interligação entre artistas, isto porque têm dos maiores nomes mundiais, nacionais e internacionais, mas depois também nomes que ainda não são assim tão conhecidos, mas que o Rock in Rio também faz questão de dar voz e de dar palco a estes nomes. Lá está, temos bandas nacionais que são muito conhecidas no nosso país, mas que não teriam essa projeção internacional. E o Rock in Rio também dá palco a este intercâmbio musical e cultural, não é?

É parte também da nossa responsabilidade enquanto promotor e dinamizador cultural e enquanto projeção não só de um país e de uma cidade, mas também de uma afirmação do ponto de vista de cultura a nível internacional. Então quando nós temos desde o Rod Stewart ao Cyndi Lauper, ao Shaggy, aos Linkin Park, que são completamente artistas de estádio e que estão a fazer o festival, nesse mesmo lineup, poder permitir artistas, por exemplo, como uma Irina Barros, que está a começar a surgir, ou, por exemplo, um Ciro, ou tantos outros artistas que de facto se apresentam e se projetam a nível internacional, é absolutamente motivador.

E uma experiência única também para eles, certamente.

E aqui uma ponte transatlântica com o Brasil, com o talento brasileiro, nomeadamente os acts da música brasileira, que se apresentam e que os portugueses têm tanto carinho, mas que do ponto de vista internacional, o Rock in Rio acaba também por projetar. É o caso, o exemplo, o Pedro Sampaio ou de tantos outros que de facto se assumem como uma grande expressão da música, ou seja, cantada em português.

E falando também nessa ponte Portugal-Brasil, existem nomes que vos pedem todos os anos para que voltem sempre para as edições do Rock in Rio?

Todos os anos existem sempre nomes, toda a gente pede. Algumas curiosidades. Uma delas conseguimos este ano, que foram os Linkin Park, quando anunciaram o seu comeback.

Sim.

E que de facto foi uma banda que tem uma ligação muito histórica conosco, mas sempre pedem. O Bruno Mars, sempre pedem os Coldplay. As bandas normalmente não são, diria que para fazer o lineup, se fosse de acordo com os gostos do público, seria muito simples, mas de facto nós tentamos olhar sempre para aquilo que as pessoas querem ouvir e escutar e tentar acomodar de alguma forma, em função das turnês, em função do alinhamento, em função das possibilidades de datas que têm que coincidir para que a gente consiga também ter esses artistas no nosso festival.

Luís, faço agora um desafio para olharmos um bocadinho para trás, puxarmos a fita atrás até 2004. Ao longo destas várias edições, certamente têm momentos-chave dos quais se lembram. Há algum momento ou alguns momentos especiais que definam a evolução e a caminhada que o Rock in Rio já fez no nosso país?

Existem vários. O primeiro que marca é de facto 2004, ou seja, Lisboa se afirmar como a capital europeia do festival numa primeira instância, quando o festival e o Roberto, idealmente, ou num primeiro momento, até equacionou outros países, mas Lisboa acabou por se afirmar como esse hub. Uma coisa muito importante na nossa história é que a equipa portuguesa, ou seja, que se formou em Portugal, foi a mesma equipa que foi para o Brasil fazer o seu comeback do Rock in Rio na edição 2011.

Também é um orgulho para nós.

É muito orgulho, porque quando nós olhamos para uma equipa internacional de produtores, de marqueteiros, de todo tipo de pessoas ligadas à área da cultura e do espetáculo, e pensar que tem o nosso cunho português, tem o nosso profissionalismo, tem as nossas pessoas, é algo que me orgulha muito. E poder ser uma organização deste gênero é algo que os portugueses deviam ter muito orgulho, porque foram esses mesmos portugueses, foram para Madrid, foram para Las Vegas, numa equipa internacional, com o nosso cunho. Se não fosse a edição 2004, isso não seria possível. Mas há outros momentos. Há grandes momentos icónicos e shows icónicos que marcaram a história do nosso festival. Falei dos Linkin Park, posso falar da Amy Winehouse em 2008, posso falar da nossa agora mudança para o novo parque, que de facto é um marco absolutamente histórico naquilo que é a nossa projeção internacional além-fronteiras. Então há vários momentos que marcam, de facto, a nossa história. Mas a mais, e a melhor de todas, na minha opinião, é nós sermos um projeto luso-brasileiro, neste caso, uma marca que tem estes dois países e carrega no mundo a força daquilo que é a criatividade e que é a cultura ao nível do melhor que se faz no mundo.

A história não parou, vai continuar a ser escrita. O que é que têm planeado que possam revelar como marca para os próximos anos? Para onde é que o Rock in Rio vai crescer?

No mundo cada vez mais digital, num mundo cada vez mais igual e diria até chato, o Rock in Rio enquanto projeto de entretenimento, enquanto agregador de experiência ao vivo, vai surfar aquilo que é o melhor que nós temos enquanto seres humanos, que é podermos estar juntos, poder-nos abraçar, podermos viver experiências absolutamente únicas ao vivo e cada vez serão menos commodity, diria eu. Parece que o Rock in Rio há 42 anos foi pensado para ser precisamente isto que nós hoje queremos que seja, que é um respiro naquilo que é a nossa vida em coletividade, um momento para nós podermos partilhar em amigos, em família, com conhecidos, através da música, através dos conteúdos, através das experiências, mas sobretudo numa era em que se fala tanto de experiência, numa era que se fala tanto em economia de atenção, podermos estar um dia, 12 horas, ou 6 horas, ou quer que seja, num espaço, a ter uma experiência única de arrepiar, de cantar do primeiro ao último momento, são marcos que eu acredito que o Rock in Rio vai continuar a proporcionar durante muitos anos.

E portanto, numa era em que tudo é mais digital, mais afastado, o Rock in Rio continua aqui a afirmar-se também como um ponto de encontro. Estamos quase no final da nossa conversa. Terminamos sempre as conversas no "Brainstorming" da mesma forma e com o Rock in Rio não poderia ser diferente. Aliás, não haveria fit melhor, ainda que, por outro lado, seja também um desafio. Luís, vou fazer-te o desafio de escolheres uma música que ligues ao Rock in Rio, ou que te identifique com o Rock in Rio, ou que achas que faça fit com a marca Rock in Rio e quero saber porquê.

Eu diria que a música que mais tem fit com a marca, globalmente, é a "Love of My Life" dos Queen. Acho que basta escrever no YouTube "Love of My Life, Queen 1985" para perceber o porquê. Ele não canta a música, o Freddie Mercury, quem canta é as pessoas. É absolutamente arrepiante ver uma multidão de gente, porque aquilo é, de facto, um marco na história do festival e "Love of My Life".

E na história da música.

E na história da música. Mas quando se vê aquela multidão de mais de 250 mil pessoas a cantarem aquele tema, em que o Freddie Mercury praticamente pouco ou nada intervém, é absolutamente arrepiante. A edição de Lisboa, tenho algumas. Eu gosto muito da "Numb" dos Linkin Park. Porquê? Porque ela é absolutamente transgeracional. Ou seja, ela marcou algumas das edições do festival, também enquanto tem uma carga simbólica e este ano vou gostar muito de reviver esse tema. Mas tenho outros. Diria que não faz parte da história, mas é quase uma marca para esta edição, "Girls Just Wanna Have Fun" da Cyndi Lauper, tantas outras, que eu projeto que venham a ser as músicas do futuro. Há um tema o ano passado, curiosamente, foi o Nuno Bettencourt que tocou, foi o hino de Portugal. Nos Extreme in Concert, e foi um momento absolutamente marcante. Falavas há pouco de momentos que marcaram a história, e esse foi seguramente um deles, de ver o orgulho de um português, de um dos melhores guitarristas da história a tocar no seu país.

Já reconhecido no Hall of Fame, inclusive.

E ganhou agora um Grammy.

Sim, também.

Eu me recordo de estar a ver e a acreditar que estava a experienciar um momento histórico, e claramente o foi. Então esses são os momentos que o Rock in Rio tem, de facto, a capacidade de o projetar na linha do tempo e na história da música, na história do entretenimento global.

Momentos únicos que se vão continuar a repetir este ano, dias 20, 21, 27 e 28 de junho, no Parque Tejo, edição 2026 do Rock in Rio. Luís Soares, diretor de marketing do Rock in Rio. Obrigado por teres vindo ao "Brainstorming". Muito sucesso e força para a edição deste ano.

Obrigado.

Quase a fechar o "Brainstorming" desta semana. Olhamos para a Ogilvy, que em parceria com o Ministério Público do Brasil, lançou a plataforma Fair Play. É uma ferramenta baseada em inteligência artificial que serve para identificar e denunciar discurso de ódio online. O funcionamento é simples: qualquer pessoa pode inserir um comentário ou publicação e o sistema analisa se pode ser considerado discurso racista. Se for o caso, pode ser encaminhado diretamente para as autoridades. A plataforma responde a um problema real. Muitos casos nunca chegam a ser denunciados. Por quê? Por desconhecimento, por complexidade ou simplesmente por cansaço. Aqui, a tecnologia tenta fazer aquilo que muitas vezes falta: simplificar o acesso à justiça. Mas há também um segundo objetivo, talvez mais ambicioso: criar consciência. Porque mais do que identificar o problema, importa ajudar a sociedade a reconhecê-lo. Entre viagens à Lua, sistemas que nos pedem novos hábitos e tecnologia que tenta corrigir o que ainda falha cá embaixo, na Terra, há uma ideia que se repete: estamos todos em fase de teste, a testar sistemas, decisões e também a testar o futuro antes de lá chegar. E é nesse contexto que também olhámos para um dos maiores palcos do mundo com o Luís Soares, para perceber como se constrói a experiência, marca e relevância do Rock in Rio Lisboa, num cenário onde tudo está em constante evolução. Também o "Brainstorming" vai evoluindo todas as segundas-feiras, depois das 21h30 da noite na Rádio Observador, numa edição que fica sempre disponível em podcast, no site do Observador e claro, nas principais plataformas. Com a ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia estelar do Ricardo Pelarigo, eu sou o Hugo Silva e até à próxima edição, lembre-se: os maiores saltos começam muito antes de tirarmos os pés do chão. Até para a semana.