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Trocaste tudo por nada. Transformaste o nada em tudo. Com tudo, tens tudo e não queres nada. Com nada, nada tens e queres tudo. Perdeste-te nas formas das plantas. No verde e no azul. Já olhámos todos para as montanhas. E ainda não vimos o mesmo que tu. Folhas de erva, gotas de água. Um poema, uma canção. Folhas de erva, gotas de água. Tudo, nada, nunca nada em vão.

Chama-se "Tudo Nada", é o novo single de Jasmin, vai fazer parte de um novo álbum. Por isso é que o nosso convidado de hoje no "Cabeça de Cartaz" é o Martim, na música, mais conhecido como Jasmin. Muito bem-vindo, Jasmin, e boa tarde.

Olá, boa tarde.

Agora fiquei confuso, não sei se te trato na entrevista por Martim ou por Jasmin.

Como preferires. Podes me tratar por Jasmin, se quiseres.

Jasmin, vamos a isso então. Olha, gostei muito do teu "Primavera", que já é de 2016, e do "Oitavo Mar" de 2017, mas o meu favorito continua a ser o "Culto da Brisa", de 2019. Ainda esta manhã estive pelo Bandcamp a voltar a escutá-lo. "Dono da Razão" é uma belíssima canção. De resto, no final deste mês chega um novo disco do Jasmin, "Acordado ou a Sonhar", do qual faz parte esta que estamos a ouvir aqui em fundo, "Tudo Nada". Jasmin, já explicaste que esta é uma canção sobre a capacidade de encontrar beleza nas pequenas coisas do dia a dia. O que é isto, afinal?

É verdade, quando estava a compor esta canção, inspirei-me muito em personagens como, por exemplo, o Walt Whitman, que é um dos meus poetas preferidos, que tem esta capacidade de ver beleza mesmo quando as coisas não estão tão bem. E acho que foi um pensamento que me ajudou a passar estes tempos, também, estes tempos de pandemia, etc.

Essa ideia de beleza, Jasmin, das pequenas coisas, é isso que te motiva a escrever?

É uma das coisas que me motiva a escrever, sim. E acima de tudo, lembrar-me disso é muito importante, ter essa consciência.

Isso é transversal ao resto do disco?

Não sei. Nesta canção em específico, sem dúvida. Depois cada canção tem a sua inspiração e o seu gatilho criativo, mas nesta, sim.

Olha, há uma colaboração que se repete nos teus discos, a Violeta. Aliás, estávamos aqui a ouvir nesta outra canção a flauta transversal da Violeta. Ela acrescenta sempre um ambiente muito particular às tuas canções. Pelo que percebo, é pra continuar neste novo disco também, não é?

Sim, a Violeta não é uma colaboração, é mesmo um membro fundador e é talvez o meu braço direito na criação musical de Jasmin. Ela é a musa mágica do nosso projeto.

Há outras colaborações, se bem que a Violeta fazendo parte de Jasmin, há aqui colaborações que são mais de fora do núcleo da banda?

Sim, tenho, por exemplo, a Catarina Falcão fez back vocals numa música ou duas. Por exemplo, o Miguel Vilhena, também conhecido como Nicky Moss, que foi o produtor e uma das pessoas mais importantes também pra este disco, fez umas guitarras, cantou também, foi um novo membro e muito importante pro som deste disco. E quem mais? Catarina Alaio na viola d'arco e mais uns quantos. Eu gosto sempre de colaborar com pessoas novas nos discos.

Achas que isso traz outras sensações às tuas canções?

Sim, acho que sim.

Eu estava aqui a olhar pro produtor Miguel Vilhena, ele já havia colaborado contigo também na produção de outros trabalhos. Tu falavas aí das guitarras, que também são muito audíveis no projeto dele, do Nicky Moss. Mas o que achas que ele acrescentou neste disco que sai no final deste mês? Onde é que se identifica mais o dedo do Miguel Vilhena?

O Miguel era a pessoa com quem eu discutia tudo. Porque as canções foram feitas em estúdio com a banda, mas depois do processo de gravação, há todo o processo de edição e de pós-produção e aí era eu e o Miguel. Era a minha segunda consciência, o Miguel.

Tipo um quinto Beatle. Mas em Jasmin.

Era o yin e yang.

Exato.

Do ponto de vista das composições, tens alguma novidade neste disco? Algum instrumento, algum processo que não faça parte dos outros discos e que tu tenhas querido introduzir? Uma novidade?

Eu acho que a grande diferença deste disco para o outro, foi uma tentativa muito grande de me livrar de todo o excesso e ficar apenas com a essência. Para mim, foi um exercício que eu fiz durante o processo de composição e de arranjo deste disco, que foi mesmo tentar ficar só com o essencial. Acho que é o que marca mais este disco para mim.

Isto teve alguma coisa a ver com o confinamento?

Não. Este disco foi escrito antes do confinamento, foi gravado durante o confinamento, mas acho que não.

Jasmin, estava aqui a olhar para o nome das canções, ainda não as escutei todas, deste disco que sai no final do mês. Há o "Tudo Nada", que abriu a emissão aqui do "Cabeça de Cartaz", mas depois há o tema título, "Acordado ou a Sonhar", há "Ir e Volta". Parece um tipo indeciso, Jasmin. É uma coisa e é outra. São coincidência estes títulos?

Por essa associação, acho que sim. Não sei.

Parece que é uma dicotomia.

Eu acho que na minha música, mais importante do que respostas, são as questões que eu faço. Para mim, isso é muito importante e muitas vezes as canções para mim são formas de tentar chegar a alguma conclusão, mas muitas vezes começo as canções com perguntas.

O disco sai no final do mês, presumo que a esta altura do campeonato já não teremos mais lançamento de singles. Já conhecíamos o "Aqui Não Falta Nada", que tinhas até lançado numa compilação da Vodafone e este "Tudo Nada", que é mais recente e que já tem vídeo. Estava agora a lembrar-me um vídeo gravado na Arrábida, não é? Como é que foi isso?

Foi excelente, a Arrábida é linda, é dos meus sítios preferidos e foi um vídeo muito caseiro, filmado com a ajuda da minha namorada e do meu irmão no verão. Uma coisa muito descomprometida. É sempre bom.

Já o podem ver também pelo YouTube. Eu confesso que gosto muito da "Começo Tribulado", que vai fazer parte deste disco. Posso tocá-la, Jasmin?

Claro, bora aí fazer um...

Um listening party. Jasmin, quero agradecer-te muito teres passado aqui pela Rádio Observador para percebermos melhor este "Acordado ou a Sonhar". É o novo disco que chega no final deste mês. Em que dia é? Tem dia de lançamento?

Dia 23.

Dia 23. Já podem escutar a totalidade destas novas canções do Jasmin, um novo nome na música nacional, mas que já anda por cá há algum tempo e que faz muito bem esta mistura de folk, pop, diria eu. Muitos parabéns por estas canções, Jasmin. E obrigado por teres passado aqui pela Rádio Observador. Um abraço.

Obrigado, um grande abraço.

Olá, eu sou o Nelson Ferreira. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto.