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Bem-vindo ao Caça ao Voto, ao quarto dia. As queixas continuam a fazer o seu caminho. Nos próximos minutos vamos conversar com a Filomena Martins e com o Rui Pedro Antunes para saber quem anda a ganhar e perder votos nestas horas de campanha. Vamos também à estrada, ao encontro de dois jornalistas do Observador que estão a acompanhar as caravanas. Hoje, Rita Tavares, que tem andado a acompanhar Fernando Medina e António Costa, e ainda Miguel Saldes Carrapatooso, que tem estado a acompanhar a candidatura de Carlos Moedas. Temos ainda fact check, hoje sobre a linha circular do método de Lisboa e Moedas é precisamente o protagonista deste fact check. No baú das autárquicas, Marcelo, o taxista, nadador e candidato à Câmara de Lisboa. A fechar, um hino de campanha que mostra que é mesmo possível usar o nome Alvaiázere na letra de uma canção. Este Caça ao Voto começa agora. As queixas continuam e hoje o porta-voz da CNE vai esclarecer que aquela entidade não tomou qualquer posição sobre a atuação do primeiro-ministro António Costa em tempos de campanha. O Expresso contava esta sexta-feira que a Comissão Nacional de Eleições fez avisos a Costa sobre o dever de neutralidade durante a campanha para as autárquicas. Rui Rio diz que não são cá necessárias queixas em papel. Os portugueses já são bem crescidinhos.

O senhor primeiro-ministro tem confundido o cargo de primeiro-ministro com líder do PS, tem andado a fazer promessas que não são realizáveis, mas acima de tudo, confundindo o cargo de primeiro-ministro com o cargo de líder do Partido Socialista. E, portanto, o simples facto de nós alertarmos para isto, o facto de não ser a primeira nem a segunda eleição para o 25 de Abril. Já tivemos muitas eleições, já todos vivemos muitas situações em que houve políticos de todos os partidos que prometeram aquilo que não podiam cumprir. O doutor António Costa está a fazer um erro que eu acho que hoje, tantos anos depois do 25 de Abril, já não deveria ser de fazer, porque as pessoas já sabem descodificar quando se está a ser genuíno ou quando se está a prometer apenas para enganar as pessoas e ganhar votos para daqui por uma semana e pouco.

Rui Rio em Sintra. António Costa prepara-se para um fim de semana intenso de campanha, já lá vamos. Catarina Martins diz que a CNE está a fazer bem o seu papel devido à tentação de instrumentalização, diz Catarina Martins, e critica Rio, que segundo a líder do Bloco de Esquerda, não tem propostas. No Porto, Rui Moreira diz que os autarcas foram obrigados ao silêncio e o governo anda a fazer campanha com delegados. Hoje, Tiago Barbosa Ribeiro, candidato do PS ao Porto, recebeu a visita da ministra da Saúde, Marta Temido. Fernando Negrão acredita que o PSD vai vencer em Setúbal. O PS diz que quer colocar um porto seco na guarda e o CHEGA quer polícias em todas as juntas da Amadora. Já o Bloco de Esquerda alerta para aldeias vazias em Vila Real e na Covilhã, a CNE mandou o PS apagar um vídeo do Facebook. Estas são apenas algumas das notícias das últimas horas e que pode encontrar no separador Autárquicas 2021, no site Observador, além, obviamente, do nosso live blog, que vamos atualizando minuto a minuto. Está na hora de ir à contabilidade, quem anda a ganhar e perder votos nesta campanha eleitoral. Hoje temos conosco a Filomena Martins, diretora adjunta do Observador, e o Rui Pedro Antunes, editor de política. Bem-vindos. Filomena, hoje estreia-se nesta edição Autárquicas 2021 do Caça ao Voto. Por isso, começamos por ti, Filomena. Queres começar por quem ganhou ou por quem perdeu?

Perdedores até tenho alguns, mais que um. Portanto, começo por quem ganhou.

Então vamos por quem ganhou.

Porque vou eleger alguém que não é candidato, porque acho que usar a Marta Temido como ativo do PS na Caça ao Voto, e ela teve mesmo a caçar votos ou anda a caçar votos pelo país, é uma coisa que me surpreende completamente. Eu nunca a daria como vencedora da gestão da pandemia. Antes pelo contrário, não consigo mesmo perceber como é que os portugueses lhe dão tanto crédito nesta gestão que foi feita sempre em cima do joelho, modo navegação à vista, sem preparação e com uma comunicação que eu achei desastrosa. Acho que as coisas correram mal tantas vezes. Ela foi sempre tão mal entendida. Aliás, a única coisa que fez bem foi quando desapareceu do cenário mediático com a diretora-geral de Saúde, com a Graça Freitas, e quando as coisas começaram a correr bem com o Gouveia e Melo na vacinação. Só que parece que o país gosta dela e o PS está a aproveitar-se disso. Ela hoje de manhã esteve, entre momentos da sua agenda, com Tiago Barbosa Melo no Porto. Já passou por outras candidaturas mais pequenas. Deve de aparecer por aí noutros sítios maiores, se calhar até aqui mais pela capital. E, portanto, isto é uma surpresa pra mim e vai a minha vitória pra ela.

Deixa ver se o Rui Pedro Antunes concorda que Marta Temido hoje ganhou votos. Quem é que pra ti ganhou votos hoje, Rui Pedro?

Olha, pra mim, quem ganhou votos pode até estar minimamente relacionado com Marta Temido, porque pra mim quem ganhou votos foi o Rui Moreira. Continua a ganhar votos porque joga na antecipação. Isto por quê? Tiago Barbosa Ribeiro ontem recebeu José Luís Carneiro, que era um dos potenciais candidatos ao Porto.

O eventual.

O eventual, e, portanto, elogiou, estava a ganhar ali alguma paz interna. Depois, esta manhã recebeu Marta Temido ao pequeno-almoço, há de ter Pedro Nuno Santos ao lanche e amanhã há de ter várias refeições com Duarte Cordeiro. São três pessoas que vai ter do governo na sua campanha. Pois Rui Moreira, ao aperceber-se disso, jogou na antecipação e a meio, depois da Marta Temido, disse: "São delegados do governo, paternais", e, portanto, disse que há aqui um claro favorecimento do governo e falta de neutralidade, foi a expressão que ele utilizou, e, portanto, antecipou-se e ganhou. Tiago Barbosa Ribeiro disse que não queria ser o rei Sol, mas de fato, Rui Moreira é uma espécie de rei do Porto. É o Rei Moreira. Não é o vice-rei do Norte como era o Pires Veloso ou no PSD o Hugo Melo, mas é uma espécie de rei do Porto Talvez partilhe um pouco a coroa com o Jorge Nunes Pinto da Costa e outras figuras do Porto, mas é de facto o rei do Porto. E nesta campanha está a se notar isso, está se a notar que de facto há o Rui Moreira e os outros. E os outros não se conseguem impor e Tiago Barbosa Ribeiro é quem pode desafiar mais, porque há quatro anos o Manuel Pizarro teve 30%, à volta de 30% dos votos e portanto, seria por ali que se podia desafiar, mas ninguém o desafia e Rui Moreira elege como principal adversário quando tem que falar, António Costa ou o governo, ele nem sequer fala para aqueles, está acima deles. Por isso e por conseguir passar essa narrativa, quem ganhou votos foi Rui Moreira.

Cláudio, eu aqui discordo completamente do Rui.

Então, antes de irmos a quem perdeu votos, mas...

Começo logo por quem perdeu votos. Eu acho que o Rui Moreira, a propósito-

Vamos fazer um dois em um. Vamos comentar o Rui Pedro e dizer quem perdeu votos.

É isso, porque eu não gostei nada do Rui Moreira, neste caso da Marta Temido, e da forma como ele comentou a Marta Temido, porque o Rui Moreira, que até é do futebol, mostrou muito pouco fair play. Eu acho que seja qual for a cor do governo, esta mistura de governo com campanha sempre se fez e vai fazer-se nas próximas eleições. E a forma como o Moreira criticou este aproveitamento de ministros na campanha foi, digo eu, exagerada. E ele falou em ar salazarento, passei a citar: "trabalho duplo, sugeriu que o PS para a próxima candidata a um deputado delegado do governo e se candidate até a um ministro à cidade do Porto. E eu achei que ele exagerou. Acho mesmo que foi falta de fair play, ele que é um homem do futebol e, portanto, eu aqui tiro-lhe votos e ponho naquela ala dos perdedores, onde eu tenho mais...

Então vamos a eles.

O outro, eu acho-

Por favor, Filomena, essa resma que tens aí de papéis não é pra ler toda, tá bom?

Não, eu não leio. Porque o outro perdedor é um perdedor com um pé nos perdedores e um pé nos vencedores. Pode ser? É o meio-termo. É Carlos Moedas, porque Carlos Moedas parece que acordou agora pra vida. Ele esteve uns dias com meia dúzia de saudações, muito quietinho, aniquilado. E de repente decidiu começar a atacar Medina e entrar na campanha a sério. Ele ontem à noite foi pro Bairro Alto, à caça de votos dos mais novos. Pra azar dele, encontrou mais turistas estrangeiros, porque se deve ter esquecido que as aulas das universidades ainda não começaram, só há aulas ainda pros mais pequenos. E hoje de manhã já estava a pé cedo pra ir dar uma voltinha, foi só dois minutos.

Foi essa de manhã.

Foi só dois minutos, mas foi andar de metro, ver se retira proveito todos aqueles que se queixam de um dos grandes problemas de Lisboa, que são os transportes públicos e que andam de metro. Portanto, está a voltar à vida. Eu ainda não o dou bem como vencedor, está assim com um pé lá, outro meio cá e, portanto, coloco nesta ala aqui meio.

Vamos ver se o Rui Pedro então discorda contigo.

Eu acho que quem perdeu votos e quem perdeu o emprego vou ser eu. Vou discordar-te frontalmente.

Não, há muito fair play.

Não, eu tenho fair play.

Já discordo todos os dias do Miguel. Para mim, quem continua a perder votos é Carlos Moedas, precisamente pegando em alguns factos que a Filomena referiu, porque de facto foi ao Bairro Alto, esta manhã andou de metro, mas as referências que há, andou 12 minutos de metro, no Bairro Alto foi uma coisa muito toca e foge a afastar-se das pessoas. E eu acho que naquela figura que a Rita Tavares e o Miguel Santos Carrapato no início da semana fizeram da lebre e da tartaruga, Carlos Moedas continua a comportar-se como sendo a lebre que descansa. E era precisamente ele que tinha que ser a lebre que corria, nem sequer era a tartaruga que trabalhava, tinha que ser a lebre que corria. E Fernando Medina continua incansável de um lado pro outro. Sábado e domingo tem 11 ações de campanha, cinco num dia e seis no outro. Continua incansável. E Carlos Moedas, eu que já o vi nos tempos de comissário europeu, num palco com um robô, muito dinâmico, com ecrãs, com isto e com aquilo, falta-lhe stamina. E se ele quiser ganhar, se quiser ir atrás da vitória, tem que dar ao pedal. Foi o que fez, por exemplo, o Paulo Rangel em 2009, quando nada lhe era favorável e fazia tipo sete ações de campanha nas europeias por dia. Quem quer ganhar tem que aparecer muito, tem que aparecer bem e tem que aparecer motivado. E Carlos Moedas falta-lhe essa stamina que até se lhe via esse brilho nos olhos, do tal filho do Zé Moedas de Beja, que lhe brilha aos olhos quando fala e que é muito ativo e dinâmico, falta esse Carlos Moedas para conseguir ganhar votos e neste momento continua a perder. O Miguel pode desempatar isto porque ele anda a acompanhar a campanha do Moedas e dizer se-

É isso mesmo.

Parece que tem um pé lá, o outro cá. Ainda não decidi.

E daqui a pouco já vamos falar com o Miguel Santos Carrapato precisamente sobre isso, mas acho que está encontrado o título do episódio de hoje. Carlos Moedas vai ter de dar ao pedal, citando Rui Pedro. Vamos fechar, Filomena.

Eu só tinha um extra que é a ideia parva do dia, que é o PAN propor uma ciclovia Sintra-Lisboa paralela ao IC19, que é só a via com mais trânsito da Europa e também a mais poluída, portanto, ideia parva do dia. Fica aqui uma outra rubrica.

Fica feita essa nota e vamos continuar na estrada. Neste Caça ao Voto vamos ao encontro dos jornalistas que estão na estrada. Hoje, literalmente na estrada, Rita Tavares, jornalista do Observador que tem acompanhado António Costa e Fernando Medina, está parada numa área de serviço pra este direto. Rita, António Costa arranca para um fim de semana muito intenso. Ele tem feito ouvidos de mercador às acusações de Rui Rio. Haverá aqui resposta a estas acusações de excesso de eleitoralismo?

Olá, Ricardo. Como disseste, e bem, estou parada numa estação de serviço e como numa boa campanha eleitoral, não faço ideia onde estou. Sei que estou na A1, sei que o Miguel Santos Carrapatoose vem um pouco atrás de mim, está na estação anterior. Sei para onde vou e posso dizer que António Costa vai ter uma agenda muito carregada. De facto, não tem dado resposta ao lado lá da barricada, nomeadamente às questões de eleitoralismo. Já falou delas em algumas intervenções esta semana, mas ontem, por exemplo, Rui Rio e o PSD não foram propriamente um alvo naquela apresentação da Comissão de Honra de Fernando Medina ao fim do dia, em Lisboa, no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço. Portanto, não foi esse o foco. Foi mais elogiar até para lá daquilo que se calhar é normalmente balizado na política o candidato do PS em Lisboa, Fernando Medina, e tem sido assim, e foi a passagem dele por Lisboa. Agora viemos atrás dele pro norte, mas vamos tê-lo outra vez pra semana na campanha de Fernando Medina em Lisboa, porque António Costa vai pelo menos mais duas vezes, por aquilo que está previsto na agenda que foi divulgada, estar com o candidato de Lisboa. Agora este fim de semana é muito intenso, são 13 localidades durante 48 horas, portanto, vai ser de minicomício em minicomício, de terra em terra.

A coisa promete. Rita, tu tens precisamente acompanhado Fernando Medina. Como é que está a correr a campanha Medina, que também tem sido intensa. Como é que tem sido recebido ele, que é candidato e autarca ao mesmo tempo? Como é que tem sido recebido nas ruas?

É muito interessante acompanhar, nós que na política acompanhamos campanhas eleitorais a nível nacional e depois também essas locais, é muito engraçado ver a grande diferença que é acompanhar um autarca em funções e acompanhar um primeiro-ministro, por exemplo, em funções. Há obviamente queixas que também são feitas aos primeiros-ministros em funções, mas no caso de um autarca é uma coisa bastante mais localizada e muito mais personalizada, muito próxima mesmo. E tem sido muito isso que acontece com Fernando Medina, em todos os cantos por onde passamos, às vezes olhamos, procuramos e ele está a falar com alguém que o abordou, desde o buraco da rua ao despejo, à passadeira, enfim, dos grandes problemas que põem em claro e que têm sido muito focados nesta campanha e das muitas queixas que ele ouve é por causa dos problemas de habitação na cidade de Lisboa, e para os quais ele não deu ao longo do primeiro mandato a resposta que tinha prometido. O programa de renda acessível, por exemplo, foi lançado, há algumas casas distribuídas, mas muito longe das 6 mil que Fernando Medina prometeu. Portanto, essas críticas, essas queixas dos lisboetas continuam a ouvir-se. E depois há muitos momentos em que vemos Fernando Medina até a tirar o telemóvel pra localizar no GPS o exato sítio do bairro que a pessoa está a falar, ou a tirar um caderninho para anotar no telemóvel. Outro dia contei isso num texto, que era nas costas de um envelope, a explicar a uma senhora como é que ela se poderia candidatar ao programa de renda acessível, porque ela estava a candidatar-se ao programa de renda apoiada e não era o indicado, tendo em conta o rendimento que a senhora tinha. Portanto, é uma coisa muito personalizada, de campanha inevitavelmente porta a porta, porque é assim mesmo que acaba por ser nas autarquias. Agora, não tendo visto, e hoje de bicicleta, não podendo dizer que está a ser uma campanha muito participada pelas pessoas, com grande galvanização, nem pouco mais ou menos. Fernando Medina também não tem propriamente características que suscitem essa onda, mas de facto tem aparecido esta coisa muito personalizada de contacto com as pessoas e tem sido engraçado assistir a isso, porque acaba por ser uma coisa de resolução de problemas muito direta. Quer dizer, pelo menos aparente resolução de problemas. Depois poderemos ver daqui a uns tempos se aquelas pessoas continuam a queixar ou não. Mas críticas acesas, temos ouvido algumas, é certo. Por exemplo, hoje na Almirante Reis, ouvimos obviamente um senhor que atravessou a Almirante Reis pra vir à ciclovia dizer, cito: "Isto que o senhor fez aqui foi a maior porcaria que fez na cidade de Lisboa." Portanto, aí Fernando Medina ouviu. Ele normalmente responde, dá resposta, não se fica. Diz qualquer coisa e a pessoa continua na sua e o candidato também continua na sua. É assim Fernando Medina na estrada.

Rita, obrigado. Boa viagem. Rita Tavares, jornalista do Observador. Também na estrada, também rumo a norte, mas parado em segurança, está o Miguel Santos Carrapatoose, editor adjunto de política. Miguel, tens acompanhado a campanha de Carlos Moedas, que se assume como a única alternativa viável em Lisboa. Ao fim desta primeira semana, e já aqui ouvimos várias opiniões nesse sentido, podemos falar de uma campanha que está, no mínimo, morna.

Olá, Ricardo. Olá a todos. Há pouco o Rui dizia que Carlos Moedas tem ainda de pedalar muito.

É o título do episódio.

Se quer ganhar estas eleições, eu acrescento mais. Não sei se Carlos Moedas não terá os pneus da bicicleta embaixo, porque parece que o candidato social-democrata foi deixado no terreno sem grande apoio, sem grande ajuda das estruturas, sem grande estratégia. Enfim, a campanha tem sido muito morna e estou a ser bastante simpático. No dia anterior, Carlos Moedas esteve num bairro Em Alcântara, onde entrou em dois, três cafés e falou com duas, três pessoas, esteve numa apresentação de candidatura, foi ao Bairro Alto onde falou com os representantes do setor e exarpou. Esta manhã esteve no metro 12 minutos, também não foi de encher o olho. Parece-me que Carlos Moedas está um bocadinho desamparado. Não sei se as estruturas, se os partidos que o apoiam, e recordo que há dois grandes partidos a apoiarem Carlos Moedas, CDS e PSD, não deixaram o candidato muito ao abandono. É verdade que os dois partidos também em Lisboa estão em guerra e em convulsão interna, portanto, tem sido uma campanha vítima da estratégia de Carlos Moedas, que de fato parece um bocadinho desinteressado em fazer campanha a sério, a aparecer.

Mas com todas essas críticas, Miguel, achas que esta segunda semana ainda poderá trazer mais dinamismo ou esta poderá ser a linha de atuação do candidato?

A perspectiva e a promessa de quem está na campanha com Carlos Moedas é de que sim, que na próxima semana as coisas ficarão mais intensas, haverá mais agenda, mais rua, mais contato com a população, mais assertividade. Não sei é se chegará a tempo. De fato, Carlos Moedas tem de encurtar distância para Fernando Medina se quer, de fato, disputar estas eleições. O que temos visto nesta campanha, e não é um problema de perfil, nem de personalidade, nem de dificuldade em falar com as pessoas. Há muitos candidatos, e nós temos assistido e acompanhado a muitas campanhas, há candidatos que por serem estreantes nessas andanças, têm dificuldade a chegar às pessoas, em conversar com as pessoas. Carlos Moedas não, é simpatiquíssimo, tem disponibilidade para ouvir, troca palavras de circunstância, dá conforto às pessoas, preocupa-se com os problemas com que elas se deparam, mas falta o resto. E o resto na política também é importante. Falta a onda, falta criar essa onda midiática, que pode ser criada artificialmente pelas estruturas e pelos jotas e pelo aparelho, mas ela é importante para que lá em casa, quem assiste à televisão, tenha a percepção que de fato existe uma campanha, coisa que tem falhado. E nesse aspecto, parece-me que as estruturas desistiram de Moedas e Moedas desistiu das estruturas.

Miguel, boa viagem. Miguel Santos Carapatoa, editor adjunto de política, que tal como a Rita Tavares, encostou para este direto. Já a seguir vamos ao fact check. Bem-vindo, Pedro Raínho. Está na hora do fact check e hoje vamos olhar para uma declaração que ainda está fresca. É desta sexta-feira de manhã, uma declaração de Carlos Moedas.

Olá, Ricardo. Nós sabemos que as obras de reconfiguração do metro estão em marcha. Também sabemos que vai ser recriada uma linha circular no metro de Lisboa e isso levou Carlos Moedas a falar de um enorme transtorno para os utentes do metro de Lisboa.

Com a linha circular vão ter uma dificuldade incrível nas suas vidas, sobretudo aquelas que realizam aqui a linha amarela, que vêm de sítios como hoje entrámos na Ameixoeira, mas podem vir de Odivelas, e que antigamente podiam ir até ao centro da cidade e vão deixar de poder fazê-lo. Vão ter que fazer um transbordo no Campo Grande, e isso vai ser uma grande mudança nas suas vidas.

Esta foi a mensagem forte da ação do candidato da Coligação Novos Tempos esta manhã. Carlos Moedas andou de metro entre a Ameixoeira e Campo Grande e esteve a sensibilizar os utentes para aquilo que seria um transtorno enorme daqui pra frente quando a linha circular estiver em funcionamento. Ele diz que vão ser mais 20, 30 minutos de viagem pra quem venha da linha amarela em direção ao centro da cidade. Trata de fazer, nesses casos, um transbordo no Campo Grande e depois, sim, seguir para o centro. Aquilo que Carlos Moedas diz é que nunca teria feito a linha circular, se fosse uma decisão dele, e depois ainda propôs alternativas, por exemplo, uma linha em laço.

Mas a verdade, Pedro, é que a nova configuração do metro vai mesmo, e tem mesmo de obrigar a um transbordo que até agora não era necessário, não é?

Nós tentamos obter esclarecimentos mais recentes, tanto do Ministério do Ambiente como da Metro de Lisboa. Obtivemos silêncio, mais uma vez, desta entidade. Mas, na verdade, isto é uma questão que já foi esclarecida ali no início de 2019. Na altura, José Gomes Mendes, que era secretário de Estado adjunto e da Mobilidade do Ministério de Matos Fernandes, escreveu um artigo no Público em que tentou, de alguma forma, desconstruir cinco mitos a propósito desta nova reconfiguração da linha de metro ou do metro de Lisboa. Ele dizia que, no segundo mito que tentou desmistificar, dizia que não, a linha amarela não desaparece e Telheiras e Odivelas não vão tornar-se periféricas. O que ele explicava? Que os comboios que vêm de Odivelas podem entrar na nova linha circular, e aqui estou quase a citar literalmente, e podem transportar os passageiros até ao centro da cidade sem transbordos. Logo no dia a seguir, isto foi ali no final de janeiro, no início de fevereiro, Matos Fernandes tinha tido uma reunião com o presidente da Câmara de Odivelas e diz que o que ele explicou, que o ministro explicou, era que durante as horas de ponta da manhã e as horas da tarde, estará sempre assegurada a entrada dos comboios da linha amarela na própria linha circular. Portanto, uma explicação em linha com aquilo que tinha sido dito pelo secretário de Estado no dia anterior. E depois o que o ministro explicava ainda era que ao longo do dia a solução ainda ia ser arranjada, mas esta garantia já foi dada em 2019.

E aqui chegados, e em linha com as declarações, que carimbos usamos, Pedro?

Vamos para aquele laranja, que já vamos conhecendo. É uma declaração enganadora, porque, de fato, e isto é reconhecido pelo Ministério do Ambiente logo no início, há um receio inicial de que haja aqui uma maior complicação pra quem queira vir pro centro da cidade, mas há esclarecimentos posteriores de que isso não vai acontecer e nada posterior que viesse contradizer isso. Portanto, é uma declaração enganadora de Carlos Moedas.

Então deixa eu aqui abrir a caixa dos carimbos e toma lá o carimbo laranja.

Obrigado, Ricardo. Aqui vai ele

Vamos votar num plano de ação. Acreditar que o António Cardo pode mudar esta estagnação.

O movimento Vamos Alvaiázere pegou na canção dos Deolinda e saiu hino, mas isso vai ficar lá mais para o final deste Caça ao Voto. Para já, vamos ao baú das autárquicas. Mergulhou no Tejo, andou ao volante de um táxi. Judite França recorda-nos a história deste candidato à Câmara Municipal de Lisboa chamado Marcelo Rebelo de Sousa.

O desfecho, já sabemos. Jorge Sampaio ganhou, mas não sem antes os lisboetas terem visto uma campanha, no mínimo, cômica. E não, Jorge Sampaio não era muito dado à comicidade. Já Marcelo Rebelo de Sousa...

Água fria? Muito fria. E poluída, não é? Muito poluída. Não pode estar assim daqui a quatro anos.

É Marcelo, ofegante, a sair do Tejo depois de umas braçadas em plena campanha para as autárquicas em 1989.

Este meu gesto, simbólico, significa o reencontro dos lisboetas com o Tejo e também o compromisso de que daqui por quatro anos eles não precisarão de fazer a vacina, tomar as vacinas que eu tive que tomar para poderem nadar em faixas do Tejo que lhes pertence.

Mas o antigo presidente da República fez mais: conduziu um táxi e passou uma noite a recolher lixo. Ao volante, fez cinco contos. Tirou uma licença especial para poder conduzir pela cidade. Queria mostrar que o trânsito na capital era caótico. Teve 13 clientes. Ouviu, ouviu e falou. Marcelo era capaz de falar com um peonês sem dificuldade. E no táxi, encarnou a personagem. Entre os passageiros, houve de tudo, como um homem que pediu para ser levado ao Casal Ventoso e que Marcelo pode garantir que levava droga num pacote para uma das piores zonas da cidade. Também fez uma corrida com uma grávida em fim de tempo, prestes a dar à luz. Chegaram a tempo ao hospital. A ideia foi inovadora e talvez até se tenha tornado internacional. Em 2003, o primeiro-ministro norueguês usou a mesma prática e passeou-se de táxi pela cidade de Oslo. Mas além do mergulho e das corridas no táxi, houve outros momentos de pura Marcelice, mas podia ter sido pior. Entre o staff de campanha, sugeriram que se atirasse de asa delta do Cristo Rei em direção ao rio. Marcelo achou a ideia gratuita. Era uma forma de entrar no Tejo com grande estilo, mas preferiu saltar de um bote estacionado perto da margem e nadar 50 metros até chegar à amurada. Atirar-se ao Tejo não foi tarefa fácil, sobretudo se pensarmos que Marcelo era e é hipocondríaco, mas ambição política a quanto obrigas. Apesar de não lhe ter valido nada, ali não, Jorge Sampaio ganhou as eleições, há que recordar que na altura Marcelo não tinha um décimo da popularidade que tem hoje. E precisava de ter, não só para aquela eleição, mas para as que haveriam de vir, nomeadamente dentro do seu próprio partido. O agora presidente da República é um homem prático. Fez o que tinha de fazer, mesmo que para isso tenha tomado uma série de vacinas e, ao chegar a casa, deve ter se lavado com uma pedra-pomes.

Marcelo Rebelo de Sousa acabou por perder esta corrida frente a Jorge Sampaio. Para acabar este Caça ao Voto, um hino.

Agora sim, damos a volta a isto. Agora sim, há pernas para andar. Agora sim, sentimos otimismo. E no António Cardo vamos votar. Agora não a mais favorecimentos. Agora não a mais cunhas ao jantar. Agora não voltes a apostar no mesmo. No António Cardo vamos votar.

Vamos Alvaiázere é aquele movimento independente que colocou os principais candidatos num cartaz de pernas para o ar com a frase: "Vamos dar a volta a Alvaiázere". Este cartaz fez furor nas redes sociais. Este mesmo movimento independente pegou na canção dos Deolinda e fez um hino de apoio à candidatura de António Cardo, o independente que tenta vencer uma autarquia no distrito de Leiria que está nas mãos do PSD.

Vamos votar num plano de ação. Acreditar que o António Cardo pode mudar esta estagnação.

A sonorização é do Diogo Casinha e da Beatriz Martel Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. O Caça ao Voto regressa segunda-feira. Bom fim de semana.

Vamos Alvaiázere. Vamos Alvaiázere. Vamos Alvaiázere. Vamos Alvaiázere. Vamos Alvaiázere. Vamos Alvaiázere. Vamos Alvaiázere. Vamos Alvaiázere. Vamos Alvaiázere.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.