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Seguimos até à estrada, ao encontro de alguns dos repórteres do Observador, que seguem no encalço dos candidatos à Presidência da República. Entrámos na segunda semana de campanha, a coincidir com a entrada em cena de alguns notáveis que vêm a terreiro declarar publicamente o apoio a este ou aquele candidato. Hoje mesmo foi divulgado o manifesto subscrito por uma centena de personalidades ligadas ao PSD e CDS, que declaram apoio a Henrique Gouveia e Melo. É precisamente pela candidatura do almirante que começamos. Seguimos ao encontro da jornalista Nadine Soares, que está algures a caminho de Boticas, local da primeira ação de campanha do dia. Nadine, bom dia. Há uma preocupação do almirante, por estes dias, de se rodear de alguns dos apoiantes com mais notoriedade.
Sim, é um esforço final de primeira semana. Por exemplo, Rui Rio, mandatário nacional, tem acompanhado o almirante em algumas ações de rua, mas guardou o discurso para o fim de semana, com Rui Rio a criticar os candidatos, a dizer que Seguro tem um discurso para casamentos e batizados e Ventura diz que é um candidato de casa dos segredos, ou seja, que só serve para dar audiências. Este reforço de Rui Rio, que guardou este discurso para mais tarde, para o final da semana. Relembro que estamos em dia de voto antecipado. E há mais um reforço também nesta campanha, Isaltino Morais, que veio de Oeiras até ao norte para reforçar que as pessoas têm liberdade, além da cor política, e que o almirante tem até apoio de autarcas, mas que alguns não admitem publicamente, porque diz, e usa mesmo esta expressão: "A disciplina partidária é uma chatice". São dois pesos que apareceram na campanha para dar uma força extra ao almirante nesta fase, aqui pelo norte do país, dois pesos desta candidatura para dar essa força, que sem máquina de um partido por trás, Gouveia e Melo anda a apostar na rua e também a carregar baterias contra os adversários. Inicialmente, durante esta primeira semana, o alvo era Marques Mendes, com críticas à opacidade e aos interesses privados, com o almirante a defender que é o candidato mais transparente. No entanto, com o passar dos dias e dos acontecimentos, especialmente depois das sondagens que mostram António José Seguro numa posição mais favorável, Gouveia e Melo, com a ajuda também destes pesos estratégicos na rua, volta a dividir a estratégia em ataques duplos. Além de atacar os interesses de Marques Mendes, também começa a dividir os ataques a Seguro, que acusa de ser cínico e de ter um discurso Miss Mundo, ou seja, de generalidades, discurso redondo, que não acrescenta também na reta final desta primeira semana. Aos poucos, surgem também críticas a Cotrim Figueiredo, a criticar o candidato por andar a visitar, por exemplo, lares de idosos, por ter percebido que precisa desta fatia de eleitorado e, no entender de Gouveia e Melo, isso é um aproveitamento desta fatia, visto que, na perspectiva do almirante, Cotrim Figueiredo nunca quis resolver os problemas dos mais velhos. Como dizia, a caminho de Boticas, é a primeira ação do dia. Gouveia e Melo tem apostado na rua e aqui a dar importância a esta mobilização e daí também o facto de pesos como Isaltino Morais e Rui Rio andarem a acompanhar nas arruadas Henrique Gouveia e Melo durante esta campanha.
Já me roubaste aqui a pergunta. Ia-te perguntar quem foram os principais alvos de Gouveia e Melo nos ataques que vem lançando ao longo desta primeira semana de campanha eleitoral. Já aqui explicaste, Marques Mendes à cabeça. Já demos conta da primeira iniciativa do dia, a presença do almirante na Feira de Boticas. E depois, o que é que segue, Nadine?
E depois desta feira, uma visita a uma feira gastronómica, tem ainda um contacto com a população marcado em Chaves, como dizia, uma grande aposta de Gouveia e Melo nas ações de rua. Até agora não houve um dia que não tivesse começado com uma feira ou com um mercado e termina com uma festa-comício em Ponte de Lima, onde normalmente há os discursos e aguardamos para saber quem são as pessoas que vão discursar esta noite na campanha de Henrique Gouveia e Melo.
Momento que vai ser acompanhado pela jornalista do Observador, Nadine Soares, que segue a caravana do almirante Henrique Gouveia e Melo. Seguimos agora ao encontro da caravana de António José Seguro. Está esta manhã em Matosinhos e lá está também o jornalista do Observador, João Gama. João, há uma presença crescente de militantes e dirigentes do Partido Socialista na campanha de António José Seguro.
Ontem foi praticamente uma segunda oficialização do apoio partidário do Partido Socialista à candidatura pessoal de António José Seguro. Estivemos com José Luís Carneiro em Braga. Foi recebido com pompa e circunstância, discursou, criticou os adversários que estão neste momento mais bem posicionados nas sondagens, André Ventura e também João Cotrim Figueiredo, que é uma referência às sondagens mais recentes da CNN Portugal. Mas, Miguel, tem sido recorrente essa aproximação do PS ao candidato que é apoiado pelo próprio partido. Já aqui falei de José Luís Carneiro, ontem em Braga, num comício muito dedicado ao PS, uma sala cheia, 600 pessoas. Houve, de facto, essa aproximação. José Luís Carneiro disse, de forma muito clara e concisa, que o candidato António José Seguro era o único candidato a ter todo o apoio partidário do PS atrás, numas eleições onde, recordo, por exemplo, estávamos a ouvir agora a Nadine, há socialistas de renome também atrás de outras candidaturas, como é o caso de Henrique Gouveia e Melo. José Luís Carneiro quis desfazer essas dúvidas que possam ainda ou não existir. Aliás, ontem, no mercado de Braga, numa ação de manhã, um contacto com a população, como são chamadas, o António José Seguro falou com dezenas de pessoas e uma das coisas que ouviu de um desses populares, uma pessoa que trabalhava no mercado municipal, é que tinha sido traído em 2014 pelo partido Pelo Partido Socialista, ao que António José Seguro respondeu: isso está tudo bem. Ontem disse que se sentia abençoado por ser o quarto candidato presidencial oficialmente apoiado pelo PS. Por isso, parece que essa presença é cada vez mais recorrente e as pazes entre Seguro e o partido estão oficialmente feitas.
Os temas de governação, João, temos percebido, têm estado presentes nesta campanha. Por exemplo, o tema da saúde, que de resto foi eleito por António José Seguro como um dos grandes temas da candidatura que protagoniza. E a este propósito, tens notado um esforço do candidato apoiado pelo PS de evitar criticar o governo?
Ontem, mas à noite, num comício a fechar o dia em Paredes, António José Seguro fez um comício de gênero pergunta-resposta e as críticas que vinham do governo, vinham muito mais da plateia do que do próprio candidato. António José Seguro perguntava a uma plateia de algumas centenas de pessoas, um auditório cheio, o que esperavam do presidente da República e a primeira coisa que lhe foi gritada dessa plateia foi: "Monteiro lá pra fora". E António José Seguro a responder a essa vontade de uma eleitora, foi muito mais calmo. Disse que não seria um presidente de fação, que terá, e tem dito isso várias vezes, o tal encontro com o primeiro-ministro, caso venha a ser eleito, onde discutirá precisamente a saúde e a necessidade, aos olhos de um socialista, de haver um pacto de regime para resolver os problemas na saúde, mas tem sempre evitado criticar diretamente Luís Montenegro. Por isso temos andado nas entrelinhas. Ontem de manhã, António José Seguro disse que estava desejoso de ter esse encontro. É a primeira vez que usou essa palavra. Temos andado atrás desses detalhes no discurso do socialista para conseguir perceber críticas mais ou menos diretas à atuação do governo. António José Seguro tem sempre vestido um fato presidenciável, ou seja, diz que como pode ser eleito presidente da República, não vai entrar na trica partidária, não vai lutar na lama, como tem descrito as campanhas dos adversários.
João, já aqui disse, estás em Matosinhos a esta hora, numa feira animada pelo ruído de fundo. Mercado Municipal, exatamente. Uma manhã animada pelo ruído de fundo que nos chega. Por onde é que vai andar hoje a caravana de António José Seguro?
Vai ser um dia que vai acabar cedo, mas até lá vai ser exigente. Estivemos no Mercado Municipal das Angeiras, aqui no distrito do Porto, perto de Matosinhos, que foi onde passámos a noite. Depois vamos até Aveiro, temos um almoço, a caravana de António José Seguro vai almoçar por lá. Depois tem uma arruada, um contacto com a população. É o distrito por onde foi eleito Pedro Nuno Santos, muito próximo do antigo secretário-geral do Partido Socialista, que não deverá aparecer nesta campanha eleitoral, mas a ver vamos e acabamos o dia um bocadinho mais a norte, em Viana do Castelo.
João Gama, jornalista do Observador, aqui em direto com a caravana e com esta iniciativa de campanha a convidar a um pé de dança de António José Seguro. Seguimos mais a sul até Lisboa. É para Lisboa que estão marcadas as iniciativas de campanha de outro candidato à presidência da República, António Filipe, o candidato apoiado pelo PCP. Esta campanha de António Filipe tem estado a ser acompanhada pelo jornalista do Observador Vasco Maldonado Correia, que ontem testemunhou a entrada em cena de Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, juntou-se à campanha ontem no Porto. Que importância teve esta presença de Paulo Raimundo nesta iniciativa de campanha, Vasco? Bom dia!
Bom dia. Uma importância significativa, diria, até tendo em conta, Miguel, que até aqui é praticamente uma das primeiras figuras do PCP. Claro, é a cabeça do PCP, mas é uma das primeiras figuras comunistas a aparecer na campanha ao lado de António Filipe, o que não deixa de ser surpreendente, tendo em conta que será um dos candidatos mais ligado ao partido que o apoia nesta corrida. Até agora, só tinha aparecido Heloísa Apolónia, figura dos Verdes, na campanha e por isso ficou reservado para este fim de semana a aparição de Paulo Raimundo. E devo dizer, uma aparição com alguma pompa e circunstância. Paulo Raimundo, há cerca de um ano, quando fez a sua primeira campanha eleitoral, havia algumas dúvidas se teria jeito ou não para fazer campanha, até porque por força de inexperiência política, mas entretanto já houve várias eleições. Paulo Raimundo já esteve várias vezes na estrada e nota-se que traz um andamento diferente a esta campanha e foi isso que fez também ontem no Porto, em Vila Nova de Gaia. Deu muito ânimo à campanha, naquele que também foi o primeiro grande momento, o primeiro grande sinal de vitalidade da campanha de António Filipe, que até aqui ia andando mais a meio gás. Podemos comparar com os testemunhos do João Gama e da Nadine Soares, para o exemplo ficar, porque até aqui António Filipe ainda não teve ações de rua, por exemplo. Houve muitas sessões públicas a ouvir trabalhadores, por exemplo, mas ontem fez um pequeno desfile até chegar a esse grande comício no Porto e esses 100 metros foram Foram a primeira vez em que foi possível ver António Filipe na rua, mas, por exemplo, numa arruada e interagir com a população, ainda não foi possível.
Haverá de chegar esse momento, em particular a tradicional descida do Chiado, presumo que esteja reservado para os dias finais da campanha. Vasco, estes últimos dias têm sobrado ataques entre os candidatos à esquerda sobre a responsabilidade por não haver uma candidatura única deste espaço ideológico. Isto é um tema arrumado de vez para António Filipe?
Sim e não, Miguel. Sim, porque já não há apelos à desistência, agora passam, claro, para o voto útil no dia 18, mas parece claro que já ninguém vai desistir, até porque hoje já há muita gente a votar antecipadamente e isso, a meu ver, creio que já não faria sentido. Mas o próprio António Filipe também vai puxando do tema nos discursos, porque já percebeu, provavelmente, que os temas que vão parar, por exemplo, à comunicação social, são mais os ataques entre candidatos e não tanto as iniciativas que vai fazendo direcionadas ao setor X e Y, à cultura, aos trabalhadores por turnos e por aí fora. E por isso vai também aproveitando o tema António José Seguro, especialmente, para manter essa relevância na campanha e para também mostrar aos eleitores da esquerda que António José Seguro não é um homem de esquerda, que se querem alguém para depositar o voto, e já tem dito isto várias vezes, se querem convergência, tem de ser na sua candidatura. Também já avisou Catarina Martins e Jorge Pinto e disse mesmo que não percebe porque é que avançaram depois dele. Ou seja, no fundo, são eles que têm que explicar porque é que não decidiram apoiar se já havia uma candidatura de esquerda no terreno.
Para terminarmos, Vasco, vamos lá conhecer a agenda do candidato António Filipe. Por onde é que António Filipe e o repórter do Observador, Vasco Maldonado Correia, vão andar hoje?
Por hoje ficamos por Lisboa, até porque este fim de semana é dedicado aos grandes comícios. Foi assim ontem no Porto e hoje é a vez de Lisboa, mais uma vez, também com a presença de Paulo Raimundo.
Obrigado, Vasco. Vasco Maldonado Correia, jornalista do Observador, que segue a caravana presidencial do candidato António Filipe, que, como ouvimos esta noite, tem agendado um comício em Lisboa. Fica por aqui o Direto à Campanha.