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K7 60.
In 1990, John McEnroe, appearing for only his second time in Australia, took on the relatively unknown Swede Mikael Pernfors in the fourth round. But the volatile American, renowned for his on-court tantrums, received three code violations. One for intimidating a linesman.
Foi o primeiro jogador a ser desqualificado de um torneio de Grand Slam por má conduta desde 1963. John McEnroe ficou conhecido por ter mau feitio, mas a 21 de janeiro de 1990 não estava à espera que o mandassem embora. Estamos então a 21 de janeiro de 1990, Grand Slam na Austrália. John McEnroe era uma estrela no ténis. Neste dia tornou-se no primeiro jogador desde 1963 a ser desqualificado por má conduta.
O canhoto McEnroe foi um rei da modalidade no início dos anos 80. Venceu três títulos em Wimbledon, quatro no US Open entre 79 e 1984, contra adversários formidáveis como Björn Borg, Jimmy Connors e Ivan Lendl.
Ao longo da carreira, ganhou 17 Grand Slams no total, incluindo nove em duplas masculinas e um em duplas mistas.
O recorde da Copa Davis foi de 41-8 em simples e 18-2 em duplas e ajudou os Estados Unidos a ganhar cinco competições.
Mas a sua mestria a jogar nem sempre foi o que mereceu maior destaque. Aquele temperamento explosivo acabou muitas vezes por ofuscar a performance do tenista.
Ora os tabloides ingleses chamavam-lhe super brat, super pirralho, super mimado, algo deste género. Com 20 anos já era conhecido pelos argumentos palavrosos e cheios de palavrões.
No Open da Austrália de 1990, McEnroe tinha 30 anos, estava a tentar vencer o primeiro grande torneio desde o Open dos Estados Unidos de 1984 e dia 21 de janeiro enfrentou o sueco Mikael Pernfors. Bicampeão da National College Athletic Association, McEnroe venceu o primeiro set com facilidade, mas Pernfors elevou o nível do seu jogo para vencer o segundo set.
McEnroe chegou a liderar por 2 a 1, mas a dada altura decidiu parar frente a um árbitro ou uma árbitro de linha e ficou a bater bolas na raquete com ar intimidante.
As imagens são incríveis, até eu fiquei com medo.
Tudo isto por causa de uma decisão do árbitro que ela tinha tomado.
Que ela tinha tomado, sim.
O árbitro Gary Armstrong aplicou a McEnroe uma violação do código de conduta por conduta antidesportiva.
Os problemas começaram depois, com McEnroe líder da classificação geral por 6-1, 4-6, 7-5, 2-4, mas depois de não ter conseguido apanhar uma bola, McEnroe atirou a raquete ao chão e partiu-a.
Outra violação do código de conduta e McEnroe começou a insultar e chamou Ken Farrar, o supervisor do Grand Slam. Farrar chegou, falou com McEnroe, cujos insultos eram audíveis para espectadores e telespectadores.
Exatamente. E com a autorização de Farrar, Armstrong voltou a aplicar a terceira e última violação do código. Ora, a multidão, 15 mil pessoas, levantou-se e vaiou o árbitro gritando palavras de apoio a McEnroe, enquanto o próprio McEnroe estava de mãos na anca, visivelmente atordoado, sem perceber o que é que lhe tinha acontecido. Há bocado falávamos que o último jogador a ser desclassificado de um Grand Slam por má conduta tinha sido em 63. Foi Willie Álvarez de Espanha no Open de França.
Na conferência de imprensa após a partida, McEnroe afirmou que esperava que tivessem sido mais clementes com o seu temperamento explosivo.
They could have let me off. They could have said in the heat of the moment, it's not really what you're saying to the person. You're upset about the fact that they've just taken the point away for me to lose my serve. After you play for three hours and it's not like everyone heard what I said. It was between me and two people.
McEnroe a explicar que a conversa foi apenas entre ele e o juiz e que esperava que não tivesse passado daí. E aí estava a falar de uma das advertências, mas com menos uma advertência não teria sido expulso. Eram precisos três. E na conferência, o tenista explicou que havia entendido mal as regras e não sabia que o processo de quatro etapas do ano anterior havia sido alterado por uma nova regra de três etapas. Primeiro um aviso, depois um ponto de penalidade e então a expulsão. E foi o que lhe aconteceu. Acabou expulso do Open da Austrália. Não foi como Djokovic, este chegou a jogar.
Está muito em voga o Open da Austrália, que se joga por estes dias e também com essa expulsão, entre aspas, de Djokovic. McEnroe tinha muito mais pinta. Ainda assim.
Sim.
É um daqueles bad boys com quem simpatizamos.
Pois é, é uma espécie de anti-herói que toda a gente gosta.
Teve uma banda depois, dedicou-se à música.
Não fazia ideia.
Inclusive há duetos dele com a Patty Smith e coisas assim. Super bom gosto. Estou a tentar lembrar-me como é que se chamava a banda dele.
Partiria guitarras?
Guitarras, sim. Pois, quase de certeza. E aparece em alguns filmes também faz uns cameos. O John McEnroe é definitivamente um tenista que vai muito para além de ténis.
E um ícone.
É um ícone da cultura pop, diria. É mais do que um tenista.
Apropriado àquela época também.
Sim. Olha, como habitualmente às sextas-feiras viajamos pelo dia e não pelo ano, sugerido aqui pela Judite para o K7 60, por isso hoje mergulhamos aqui em histórias da música que dizem respeito a 21 de janeiro. Ora, nesse dia, mas em 1966, George Harrison, dos Beatles, casou-se com Patty Boyd. O casamento iria durar até meados dos anos 70, quando Patty Boyd se apaixona pelo melhor amigo de George Harrison. Nada mais, nada menos do que Eric Clapton. Os dois viriam mesmo a casar em maio de 79 e consta que Clapton escreveu para Boyd esta Layla. Dizer que a Patty Boyd é também a mais bonita de todas as namoradas dos Beatles. Por isso é que digo.
Era.
Sim.
Já a 21 de janeiro, mas de 1978, a banda sonora de Saturday Night Fever, com John Travolta, inicia uma temporada de 24 semanas no número um da tabela de vendas norte-americana e torna-se na banda sonora mais vendida de sempre, até 1992, quando foi ultrapassada pela banda sonora de Bodyguard, com Whitney Houston. Enquanto toda a gente estava à espera que tu pusesses Whitney Houston.
Estamos aqui a celebrar o 21 de janeiro do Saturday Night Fever, com os Bee Gees. De resto, a banda sonora fica 24 semanas no número um nos Estados Unidos e 18 em Inglaterra. São vendas astronômicas para este disco. Precisamente a 21 de janeiro de 1992, Billy Idol dá-se como culpado em tribunal de uma série de incidentes e agressões que ocorreram à saída de um restaurante em Hollywood.
Este também tinha má feitura, como o Mick Enroe. O músico foi condenado a uma multa de $2700 e obrigado pelo tribunal a participar numa série de anúncios, isto é tão bom, de uma campanha publicitária antidrogas.
Há uma história que se conta no filme do Zé Pedro, Rock'n'Roll, em que o Billy Idol estava em Lisboa e tentou ir ao Johnny Guitar e o Zé Pedro foi com ele, mas não conseguiram entrar. Tinha muita gente na fila e o Zé Pedro não tinha coragem de furar a fila toda para levar o Billy Idol e educadamente disse-lhe: "Não dá, está mesmo cheio."
O Billy Idol não entrou no Johnny Guitar.
Não, essa história conta-se, acho que é no documentário Zé Pedro, Rock'n'Roll.
Ora bem, fechamos com dois aniversários. Se fosse vivo, a estrela da editora Motown, Edwin Starr, faria hoje 80 anos. Em 1970, teve o grande êxito da carreira com esta War, viria a falecer de problemas cardíacos em 2003.
Gosto muito desta War, do Edwin Starr.
Também eu. Gosto tanto desta música.
Sim, senhor. Ora bem, hoje também assinalamos o aniversário de Robert Del Naja. O britânico é também conhecido como 3D, é o cérebro dos Massive Attack e há algum tempo surgiu na imprensa a teoria de que ele poderia ser Banksy, o misterioso artista urbano cuja identidade ainda permanece em segredo. Os Massive Attack são, de resto, uma das minhas bandas favoritas e em 1991 tiveram um dos maiores sucessos comerciais da carreira com esta Unfinished Sympathy, do álbum de estreia, Blue Lines.
São tão bons ao vivo.
São ótimos. Já vi várias vezes os Massive Attack e ia, na boa, a qualquer altura.
Agora tive saudades.
O Cassete 60 vai de fim de semana, por isso, até segunda-feira.