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K7 60.
Estávamos em 1980 e Moscovo era o anfitrião dos Jogos Olímpicos. Só que no ano anterior, a União Soviética invadiu o Afeganistão e os Estados Unidos deram um ultimato ao Kremlin: ou retiravam de Cabul ou os jogos seriam boicotados. Do presidente russo, Jimmy Carter recebeu um "nyet", como escreveu na altura o New York Times. Resultado: os jogos de 1980 foram a edição com o menor número de participantes desde 1956. Sessenta e cinco países boicotaram a prova mais importante do desporto e apenas 5 mil atletas participaram. Países como o Canadá, Israel, Japão, China não compareceram.
Mas Portugal ficou fora dessa lista de ausentes. O governo de Sá Carneiro queria alinhar com o boicote, mas a 17 de maio, o Diário de Lisboa escrevia na primeira página: "Vamos a Moscovo". O jornal dizia que esta era a decisão mais histórica do plenário do Comitê Olímpico Português: contrariar a indicação de um primeiro-ministro e enviar uma delegação de atletas aos jogos.
A representação nacional foi decidida por votação à porta fechada. Vinte votos a favor, 15 contra e três abstenções. Nove dias depois de o governo ter recomendado o boicote, a Comissão Executiva do Comitê Olímpico assumiu uma posição clara de confronto. O Executivo tinha enviado dias antes uma carta ao Comitê Olímpico Português, onde dizia que respeitava integralmente a autonomia de decisão daquele organismo, mas a maioria dos elementos presentes na reunião dizia temer represálias, ou seja, cortes orçamentais.
Portugal acabou por seguir com uma delegação muito reduzida de 11 atletas, já que alguns recusaram participar nestes jogos. Também não esteve representada oficialmente, claro, aliás, como outros países, os atletas eram livres de escolher se participavam ou não, mas os atletas que furaram o boicote ficaram sem o subsídio de alta competição atribuído pelo governo.
Já no caso dos Estados Unidos, não havia liberdade de escolha. Quem tentasse participar ficava sem passaporte.
Foram os jogos mais boicotados, mas os que tiveram a mascote, que rima com boicote, que ficou mais conhecida: um urso pardo chamado Misha.
É difícil recordar uma mascote tão associada aos jogos como Mikhail, Misha é o diminutivo carinhoso, ou que tenha tido tanto sucesso. Mesmo antes da competição, Misha já tinha merchandising associado. Era um boneco rechonchudo, doce, de grandes olhos, que conseguiu conquistar crianças e adultos. Usava um cinto colorido com anéis olímpicos e estava em canecas, porta-chaves, bonecos de peluche, bonés e desenhos animados. A música que estamos a ouvir é precisamente de um desenho animado feito para televisão.
A presença de Misha foi constante durante os jogos, mas na cerimónia de encerramento conquistou mesmo o mundo.
Já falámos aqui noutro K760 desta cerimónia de encerramento, em que 4700 pessoas no estádio formaram a cara de Misha com placas desenhadas. A dada altura, neste mosaico, o urso deixa cair uma lágrima.
Depois foi lançado um urso gigante com balões e à medida que Misha ia subindo, eram as pessoas que choravam ao som desta música que estamos a ouvir e que quer dizer "urso carinhoso". A ideia era amenizar a ideia que o Ocidente tinha da União Soviética em plena Guerra Fria. Não sei se terá resultado, mas há uma geração que ainda hoje se lembra do ursinho Misha.
Até eu fiquei emocionado agora com esta música em fundo. Isto é triste.
É muito triste.
Tens que ver o vídeo então.
Não quero.
O urso vai lentamente num balão fugindo do estádio.
Não quero ver isso. Masha e o Urso é um sucesso mais recente, não é?
É um sucesso mais recente que passa no canal Panda. Russo.
É muito bom aquilo.
Eu gosto muito daquilo.
Gosto muito da Masha e o Urso.
Não sei se se pode dizer.
Claro que se pode. Vocês ficam a ver. Os miúdos desistem de ouvir o K760.
Os meus já não ligam a Masha e o Urso, mas houve uma altura em que eles viam muito e eu via com eles, mas via mesmo convictamente.
As cantorias, as canções da Masha.
Eu até sei uma de cor, mas não a vou cantar.
A vantagem da Masha e o Urso é que os animais não falam. A criança não fala, é tudo mais ou menos por mímica e portanto é mais fácil para as crianças.
E até para os adultos. Bem, 1980, o ano da história trazida à K760 hoje pela Judite França, essa participação mais reduzida, mas que aconteceu de Portugal nos Jogos Olímpicos de Moscovo. Ora, 1980 foi também o ano do boom do rock português, um boom que pode muito bem ter começado com "Ar de Rock", de Rui Veloso, disco de estreia do músico que está cheio de referências também à cidade do Porto. "Rapariguinha do Shopping", "No Domingo Fui às Antas" e esta, "Chic Fininho", são apenas alguns exemplos disso mesmo.
Girando pela rua ao som do Lou Reed. Sempre na sua, sempre cheio de speed. Segue o seu caminho, com a merda na algibeira. O moche do Fininho, frio da cantareira.
Eu sempre achei que na letra da canção o Rui Veloso cantava naquela parte: "Com a erva na algibeira".
Não é o primeiro que dissesse que a letra desse single é muito bem.
Parece que não é bem assim.
Não é. Diz outra coisa. Também diz: "Farejo a Judite em cada esquina", mas-
Não és tu
Não sou eu
Cheia de equívocos esta letra.
Eras novinha na altura.
Era muito novinha. Bom, por falar em erva, 16 de janeiro de 1980, Paul McCartney foi detido em Tóquio, aqui por posse da dita mesmo. A digressão da sua banda de então, os The Wings, foi cancelada e o músico foi libertado e expulso do país ao fim de 10 dias detido.
Acreditem que não foi de propósito, mas esta canção do Paul McCartney dos Wings chama-se "Let Me Roll It". Não foi de propósito.
Deve ser crepes.
Acho que se nota pelo tom.
O tom pardacento.
É um bocadinho devagarinho. Ainda nas drogas, mas noutro campeonato, o Ron Wood, dos Rolling Stones, também teve problemas com a justiça a 23 de fevereiro de 1980, belo dia, por posse de cocaína na ilha caribenha de Saint Martin. No entanto, as autoridades locais não conseguiram provar que o pacote pertencia ao músico ou à sua mulher, e os dois foram libertados ao fim de cinco dias de detenção.
Isto é malta que tem simpatia pelo Diabo. Vamos continuar.
A 25 de junho de 1980 foi lançado nos Estados Unidos o Walkman da Sony. Pára tudo. E esta deve ter sido uma das músicas mais ouvidas nos auscultadores de esponja, aqueles auscultadores de esponja que se estragavam, aliás, muito facilmente, da nova máquina.
Falamos de "Back in Black", tema título do disco dos AC/DC, editado a 25 de julho de 1980. Foi, de resto, o primeiro álbum da banda com o vocalista Brian Johnson, isto depois da morte, em fevereiro desse ano, de Bon Scott. As teorias sobre a morte de Scott são muitas, mas a causa oficial aponta para intoxicação alcoólica e "death by misadventure". Sabem o que é?
Morte por infortúnio?
É um bocadinho isso.
É um azar?
É um azar. Foi uma coisa que se lhe deu, foi um acidente. Eu depois descobri que "death by misadventure" é quando praticas uma atividade legal, mas por acidente não foste cauteloso o suficiente e levou-te à morte. Foi basicamente isso.
Que é essa questão do álcool em excesso faz isso.
É.
Pois é. De 1980 também consta o maior sucesso comercial de Barbra Streisand, o single "Woman in Love", segunda música mais ouvida em todo o mundo nesse ano.
"Guilty pleasure" máximo que eu tenho com esta canção. Adoro esta canção.
Faz-me lembrar sabonetes, não sei porquê.
Ok.
Feno de Portugal, qualquer coisa assim.
Sim, é verdade.
Se calhar fez em algum anúncio, não sei se foi.
Pode ser, mas podia.
Mas faz-me lembrar sabonetes, não interessa.
Com pessoas a correr em cima do feno, não é?
Sim.
Sim, feno de Portugal. Bem, esta balada foi composta por Barry e Robin Gibb, nos Bee Gees, e no videoclipe foram usadas várias imagens do filme "A Star is Born", na versão de 1976, com Streisand e Kris Kristofferson.
E por falar em baladas, mais ou menos baladas, as indecisões de Marco Paulo valeram-lhe, em 1980, um dos seus maiores sucessos.
"Eu Tenho Dois Amores", de Marco Paulo. Foi um grande sucesso comercial até então do músico português. Sabem o que eu reparei? Ouvi algumas canções de 1980 de produção nacional e todas têm um lado muito polifónico, uns sonzinhos muito característicos daquela altura. Não consigo explicar melhor que isto, mas acontece, por exemplo, também na próxima que eu escolhi pra fechar a cassete de hoje. Lembrar ainda que 1980 é o ano da vitória de José Cid no Festival da Canção, com "Um Grande, Grande Amor", que, de resto, muitos conhecem apenas por "Adieu, Adieu, Auf Wiedersehen, Goodbye". E ainda também recordar aqui a "Canção do Beijinho", disco de Herman José, que tem temas como "Cowboy da Reboleira".
Cowboy.
"Cowboy da Reboleira", "Saco, Saca Rolhas", claro, e o tema título escrito por Carlos Paião e que foi uma das mais tocadas desse ano nas rádios nacionais. É com beijinhos e sons polifónicos que nos despedimos no cassete de hoje.
Ai, rapariga, rapariga, rapariga que só dizes disparates, disparates, disparates. E tanta asneira, tanta asneira, tanta asneira, que pra tirar tanta asneira não chegam cem alicates. Mas tu não sabes, tu não sabes, tu não sabes que isso de dar um beijinho já é um costume antigo. Oh, quem te disse, quem te disse, quem te disse que lá por dares um beijinho tinhas de casar comigo? Oh, chega cá. Não vou. Tu és tão linda. Pois sou.
Dá-me um beijinho. Não dou. Entreceira, convencida, ignorante, furagida, sua burra, é a miúda mais palerma que eu já vi, mas por que raio é que tu queres uns beijinhos só para ti? Ora dá cá um e a seguir dá outro, depois dá-me mais um que só dois é pouco. Ai eu gosto tanto, não é tão difícil. E no entretanto cá mais um beijinho. Ora dá cá um e a seguir dá outro, depois dá-me mais um que só dois é pouco. Ai eu gosto tanto, não é tão difícil. E no entretanto cá mais um beijinho. Ai rapariga, rapariga, rapariga, dás-me cabo do miolo para te levar com cantigas. Ai mas que coisa, mas que coisa, mas que coisa, diz lá porque é que tu não és como as outras raparigas. Quando eu pergunto se elas me dão um beijinho, dão-me tantos, tantos, tantos que parece a não ter fim. E tu agora estás com tanta esquisitice que qualquer dia já queres e não sabes mais de mim. Dás ou não dás? Não e não. Então dou eu. Não, isso não. Dá-me um beijinho. Não dou não. Não dás porque és ganada, egoísta, malcriada, sua parva, só se pensas que eu acaso tenho a barba mal cortada e vê lá se tens que sei eu que a boca fica arranhada. Ora dá cá um e a seguir dá outro, depois dá-me mais um que só dois é pouco. Ai eu gosto tanto, não é tão difícil. E no entretanto cá mais um beijinho. Ora dá cá um e a seguir dá outro, depois dá-me mais um que só dois é pouco. Ai eu gosto tanto, não é tão difícil. E no entretanto cá mais um beijinho. Então fala. Já disse. Eu faço força. Vou-te por no iço. Só um beijinho. Satif. Anafa bruta, pestilenta, hipocondríaca, avarenta, toxigosa, vou comprar um dicionário que só tenha nomes feios que é para eu te chamar todos até tu teres os ouvidos cheios. Ora dá cá um e a seguir dá outro, depois dá-me mais um que só dois é pouco. Ai eu gosto tanto, não é tão difícil. E no entretanto cá mais um beijinho. Ora dá cá um e a seguir dá outro, depois dá-me mais um que só dois é pouco. Ai eu gosto tanto, não é tão difícil. E no entretanto cá mais um beijinho. Ora dá cá um e a seguir dá outro, depois dá-me mais um que só dois é pouco. Ai eu gosto tanto, não é tão difícil. E no entretanto cá mais um beijinho. Ora dá cá um e a seguir dá outro, depois dá-me mais um que só dois é pouco. Ai eu gosto tanto, não é tão difícil. E no entretanto cá mais um beijinho. Ora dá cá um e a seguir dá outro, depois dá-me mais um que só dois é pouco. Ai eu gosto tanto, não é tão difícil. E no entretanto cá mais um beijinho. Ora dá cá um e a seguir dá outro.