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Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast "Claro como Água", da iniciativa "Vimeiro Explica", em parceria com o Observador. Hoje vamos falar sobre gravidez e a importância da água nesta fase da vida da mulher. Para isso, hoje contamos com a participação da ginecologista e obstetra, dra. Rubina Mendonça. Muito bem-vinda à Rádio Observador, doutora.

Muito obrigada pelo vosso convite.

Sabemos que durante a gravidez ocorrem no corpo inúmeras transformações e adaptações que visam o desenvolvimento do feto. Uma dessas alterações relaciona-se precisamente com o aumento do volume hídrico corporal, que aumenta de seis para oito litros nas mulheres grávidas saudáveis. Não é assim?

É verdade. De fato, os ajustamentos fisiológicos necessários ao normal desenvolvimento da gravidez são feitos, por um lado, por ação hormonal. A progesterona é a grande hormona da gravidez responsável pela primeira retenção de água e depois, com a necessidade e o desenvolvimento da placenta, mais necessidades do feto, do oxigênio e de nutrientes. Portanto, precisamos mais volume para que haja uma maior entrega desses nutrientes e oxigênio ao feto. É deste aumento destas necessidades que se desenvolve o aumento do volume da circulação e, portanto, há mais plasma sanguíneo e até pode acontecer uma coisa que nós chamamos a anemia fisiológica, pela diluição, devido ao aumento da retenção hídrica. Esta distribuição sanguínea aumentada é fundamental para o bom funcionamento do fluxo entre o útero e a placenta e na entrega do oxigênio e dos nutrientes que o bebê precisa para se desenvolver. Por outro lado, precisamos também da formação de líquido amniótico. O líquido amniótico é essencialmente constituído por água e é o meio onde o bebê se vai desenvolver, amadurecer e é essencial à vida fetal.

Portanto, daí as razões e também as funções deste aumento do volume de água corporal na mulher. Dado este aumento considerável do volume de água corporal, é notória a importância de uma correta hidratação. De que forma é que uma boa hidratação pode contribuir para a diminuição de complicações mais frequentes na gravidez e qual a quantidade de água que a mulher grávida deve ingerir por dia? Que é sempre este enigma, não é?

Ok. De fato, a mulher precisa de mais água pela sua necessidade de demanda e, por outro lado, ela própria também tem aumento das perdas d'água, pelo seu volume, pelo aumento da sua temperatura. E portanto, vai precisar de maior quantidade de água do que um adulto não grávido, sobretudo se estiver sujeita a aumento da temperatura, em situações de diarreia, de vômitos, que são muitas vezes frequentes na gravidez.

Não tinha pensado nisso. Não é só o calor, ou seja, não é só engravidar no verão.

É também a diarreia.

Pensamos sempre no verão.

Exatamente. Nestas situações, a grávida vai realmente precisar de maior quantidade para assegurar a boa função. Numa situação normal, nós vamos precisar de mais água também para o rim e, essa é uma das outras complicações que a grávida tem mais risco, que é o de infecções urinárias.

Que são muito perigosas durante a gravidez, não é?

É verdade. Pode aumentar o risco de contratilidade uterina e de parto prematuro. E numa situação de verão, de calor, precisamos de uma ingestão de água superior. Eu costumo dizer às minhas grávidas que a quantidade d'água suficiente é aquela que a urina fica clarinha. É importante olhar para a urina e perceber se a urina é muito concentrada, porque num dia de calor, três litros d'água podem não ser suficientes se estivermos também expostas ao calor. Nesse caso, é muito importante beber água. Por outro lado, as infecções urinárias, devido à estagnação urinária promovida pelo próprio útero gravídico, que impede que a urina saia mais facilmente, fica retida e aumenta o risco de infecção urinária. Portanto, beber muita água para que este fluxo seja o mais natural possível. Outra das complicações que as senhoras se queixam muito na gravidez tem a ver com as alterações da motilidade intestinal, normalmente a prisão de ventre. A água vai ser aqui muito importante pra boa função intestinal.

Para equilibrar um bocadinho, não é?

Exatamente, para além da boa ingestão alimentar, com muitas fibras. Aumentar também o consumo d'água para o funcionamento intestinal ideal.

Temos aquela ideia das grávidas que sentem mais necessidade de ir à casa de banho, mas isso também tem a ver com os pontapés do bebê ali na bexiga, certo? Eu ando a sentir isso, por isso é que pergunto.

Depois de uma determinada fase e de peso, o bebê faz peso sobre a bexiga e aumenta realmente a necessidade da frequência urinária.

Mas não deixar de beber água.

Não deixar de beber água.

Que isso não seja impeditivo. E há vantagens, tanto para a grávida como para o bebê, na escolha de uma água mineralizada durante esta fase? Quais são as vantagens?

Muito bem. A água mineralizada é considerada um produto alimentar, está rigorosamente controlada e não temos aqui riscos de intoxicações, é pouco tratada, não há tratamentos químicos, que é algo que também é importante. Estão garantidos ali qualidades e é considerado um produto com segurança alimentar.

Está tudo no rótulo também, não é?

Exatamente, o rótulo está ali. Dos minerais essenciais à gravidez, eu destacaria o magnésio, o cálcio, o potássio. Também precisamos do sódio, não numa quantidade muito elevada, mas para o bom funcionamento do organismo da mãe Desta unidade uteroplacentar, precisamos destes minerais, estes micronutrientes em equilíbrio.

E uma mulher grávida também perde mais água?

É verdade. A sua temperatura corporal também aumenta. E portanto, por ação da progesterona. Por outro lado, há uma hiperventilação natural.

Sim.

E isso vamos acabar por perder também através da respiração, um pouco mais de água.

Eu sinto isso quando subo um bocado de escadas.

Exatamente. O débito cardíaco está também aumentado na gravidez para fazer chegar maior quantidade de sangue à placenta e, portanto, qualquer movimento é sentido com grande cansaço.

Sim, sinto isso tudo. E destaque alguns minerais como sendo os mais importantes a reforçar nesta fase. Já falou um bocadinho do cálcio e do magnésio, mas quais são os seus benefícios mais diretos? Por exemplo, o magnésio, eu também comecei a ter muitas cãibras durante a gravidez, que era algo que eu raramente tinha, e é também essa falta de magnésio, não é?

É verdade. O magnésio é um micronutriente essencial à boa contratilidade muscular e também ao funcionamento do sistema nervoso, e o útero é um músculo. Portanto, o útero para funcionar, neste caso para estabilizar, o magnésio também faz parte deste funcionamento.

E eu a pensar só nos meus gêmeos das pernas, mas não, claro que não.

No músculo uterino.

Exatamente.

O cálcio é outro. E o cálcio também tem aqui uma função da prevenção de complicações hipertensivas. Portanto, o fundamento também da suplementação da grávida com cálcio não tem a ver apenas só com o metabolismo ósseo, do desenvolvimento ósseo do bebê e da vitamina D, mas também com esta redução do risco de complicações hipertensivas na grávida.

E bebendo água mineral é sempre uma forma de equilibrar estes nutrientes.

Sim.

E falou também do bicarbonato de sódio, a mais também pode ser problemático, não é?

Exatamente, porque nós também não precisamos de demasiados íons e demasiados micronutrientes. O rim está em grande demanda, aumentamos o fluxo da placenta e também aumentamos o excesso de metabolitos, portanto, produtos para degradar através do rim e estamos a aumentar a pressão sobre o rim materno. Também não queremos demasiado sódio, porque o demasiado sódio faz reter mais água e temos que escolher idealmente comidas não muito salgadas.

E é isso, e beber água.

E beber água.

E agora falando da amamentação, admito que seja igualmente importante reforçar o consumo de água nesta fase. Estou certa, claro. Por que razão é importante fazê-lo?

A água é o principal constituinte do leite materno e é naquela água que se vão diluir os nutrientes que o bebê precisa, a glicose, as proteínas, as imunoglobulinas, a proteção, as defesas que a mãe vai passar para o bebê. Claro que ao longo da amamentação, o leite muda. O primeiro leite é um leite diferente do leite do bebê com 15 dias de vida, há uma adaptação fisiológica às necessidades do bebê e do tempo que o bebê tem.

Eu por acaso recentemente vi um estudo de que, de facto, o leite da mãe para um filho e para o outro, muda. Ou seja, o leite materno é mesmo específico para aquela fase, para aquele bebê. Isso é extraordinário.

E conforme aquilo que a mãe ingere na sua alimentação.

Claro. Convém que seja com muita água, não é?

Sim, muita água.

E às vezes pode ser problemático consumir água da torneira, mas a mineral assegura um bocadinho a qualidade.

A mineral.

Os minerais, lá está.

Exatamente.

Devemos também na fase da amamentação optar então pelo consumo de água mineralizada, por essa razão mesmo, pelos minerais. E quais são aqueles mais importantes durante esta fase da amamentação?

Aqueles que nós falamos há pouco, o cálcio e o magnésio vão lá estar também. Aqui vão entrar também compostos como o ferro. O ferro também vai ser transmitido através do leite materno para o bebê.

E em ambas as fases falamos de necessidades hídricas consideráveis, por exemplo, três litros na gravidez e mais 800 mililitros quando a amamentar. Estes números podem assustar quem tem dificuldade em cumprir com as doses diárias recomendadas. Há estratégias que possa partilhar aqui conosco para ajudar a atingir esta necessidade diária de água?

Eu acho que aquela garrafinha d'água que se leva para o trabalho. Há umas garrafas agora que até têm medidas especificamente.

Até têm mensagens de motivação e tudo.

Exatamente.

"Keep going!"

Exatamente. Essas marcas são muito interessantes. Quem ficar um pouco cansado de beber água, pode optar por pôr um pouco de fruta, um suminho de laranja, um suminho de limão, para dar um bocadinho de sabor, sem açúcar adicionado, para dar um bocadinho mais de sabor à água e enfim, para conseguir encontrar então maneiras e estratégias de atingir o volume. Penso que até existem aplicações.

Sim, que nos lembram de beber água.

Que nos lembram de beber água. Eu diria que de duas em duas horas beber cerca de 200 mililitros d'água, também não é só um golinho. É a fase em que a grávida se levanta da secretária, as grávidas mais sedentárias vão à casa de banho, bebem uns 200 ml e depois voltam à secretária, até para prevenir também a insuficiência venosa na gravidez. Portanto, fazer um bocadinho de circulação, e voltar ao trabalho, porque de facto a gravidez não é doença.

Não é doença, de facto, e convém sempre andar um bocadinho.

Sem dúvida.

Mesmo com falta de ferro.

Pois.

Custa mais.

É provável.

Mas é continuarmos sempre a beber. Diria que dois litros de água é o suficiente para uma pessoa que pesa 66 quilos?

Dois litros de água. Depende da atividade da pessoa.

Pois, claro.

Portanto, se nós tivermos uma atividade física e em condições de temperatura mais elevada, vamos ter mais perdas e vamos precisar de mais. Aqui as necessidades devem ser adaptadas à nossa atividade, à nossa condição, também de doença ou de saúde.

E a água também pode ajudar, por exemplo, na indisposição. Às vezes a própria glicose é processada de forma diferente, parece-me, na gravidez. Por isso é que é muito normal haver diabetes gestacional. O consumo de água pode também equilibrar de alguma forma esta vontade de comer doces e de cometer aqueles excessos.

É verdade. Às vezes nós não distinguimos o que é sede e o que é fome.

Curioso.

Entre na dúvida da sede e da fome, às vezes comemos.

Sim.

Mas se optarmos por beber um copo de água, provavelmente vamos controlar os tais sensores de necessidade e se calhar não vamos comer algo tão calórico, tão doce, tão salgado, se previamente bebermos um bom copo de água. E claro, uma sopa, a sopa também tem muita água. Há frutas que também têm muita água, por exemplo, a melancia, meloa. Também não podemos exagerar por causa do açúcar, que as frutas contêm, mas de uma maneira geral, também optar por esses alimentos, que não é só água de copo, mas também a água na confeção dos alimentos.

Portanto, sempre que uma pessoa tiver um desejo de comer um chocolate ou um gelado, se calhar beber um copo de água primeiro, de água mineral.

Eu penso que seja uma boa dica.

É uma boa solução. E assim não só repomos as nossas necessidades hídricas como pode ser que nos passe a vontade.

Um pouco. Espero que sim.

Bom, vou agora também partilhar uma curiosidade, doutora. Estima-se que a quantidade de água que é trocada entre a mãe e o feto varie entre 100 ml por hora, às 12 semanas de gestação, e 3600 ml/hora no final da gravidez. Isto mais ou menos, não é assim?

Sim, eu penso que não está muito longe da verdade e até lhe poderia dizer que estes valores podem subir, até podem ser mais elevados, durante o trabalho de parto.

Claro.

E na gestação gemelar, em que a quantidade de sangue que é necessária às duas placentas, muitas vezes duas placentas, realmente tornam este valor ainda mais elevado.

E quando se dá o parto, há uma grande perda de água também, certo?

Depois do parto, há uma grande perda de água.

E de volume também.

Nas semanas seguintes ao parto, as senhoras muitas vezes sentem que têm mais necessidade de ir à casa de banho. O processo, depois, é o contrário, e volta a sair do organismo a água acumulada, que são cerca de sete a oito litros, como referiu no início.

Imenso. Eu agora lembrei-me de algo, não sei se me consegue ajudar. Eu tenho uma amiga que faz muita retenção de líquidos e tem as mãos muito inchadas, os pés muito inchados. Isso ajuda de alguma forma beber mais água ou ir mais vezes à casa de banho?

Geralmente, o beber mais água, apesar de parecer paradoxal, vai reduzir a retenção de líquidos. Se optar por alimentos com mais sódio, mais açúcar, é que tem mais tendência a reter. Portanto, o beber água só por si não vai aumentar o inchaço, como se costuma dizer.

Pelo contrário, faz fluir ainda mais.

Faz ajudar a fluir.

É como numa infeção urinária, em que convém beber ainda mais água, por mais que nos custe.

E ir à casa de banho. Exatamente.

E se uma grávida tiver uma infeção urinária, ouvi dizer que tem de ir à médica imediatamente.

Sem dúvida. Porque realmente a infeção não tratada é mais arriscado do que o antibiótico.

Uau!

Portanto, às vezes temos receio de tomar medicação na gravidez, mas não tratar a infeção pode ser mais nocivo do que o antibiótico.

Muito obrigada, doutora Rubina Mendonça. Foi um gosto tê-la aqui conosco na Rádio Observador, explicar o quão importante é a água na nossa vida, no começo de uma outra vida, dentro de nós, neste caso, e para sempre. Isto é um casamento com a água. Até que a morte nos separe. Este foi o último episódio desta temporada de "Claro Como Água". Eu despeço-me por aqui também, porque estou grávida, lá está, e vou ter a minha bebê dentro de poucos meses. Ajudou-me imenso falar consigo, doutora, obrigada. É sempre bom desmistificar aqui estas ideias que temos sobre a água, sobre a gravidez e por aí fora. E há sempre tantas dúvidas. E antes de ir à internet, o melhor é consultar um profissional, claro. A segunda temporada estreia em breve e segue com a Maria João Simões. Já sabe que pode acompanhar todos os episódios do podcast "Claro Como Água" em observador.pt e também nas plataformas digitais. Entretanto, não se esqueça, o mais importante é hidratar-se, beber água, de preferência mineral, todos os dias, em quantidade e também de qualidade. Obrigada, doutora.

Obrigada, foi um gosto.

Olá, Rita e ouvintes da Rádio Observador. Tem sido muito bom acompanhar as conversas desta primeira temporada, que chega hoje ao fim, mas a verdade é que ainda há muito mais para aprender sobre os benefícios do consumo de água mineralizada. E por isso, e pelas melhores razões do mundo, a nossa Rita vai ser mãe, estarei eu na segunda temporada deste podcast para, juntamente com diferentes especialistas, falar sobre o que realmente importa na água que bebemos e de que forma a sua composição impacta a nossa saúde. Regressamos, por isso, no dia 22 de outubro e contamos consigo. Até lá, acompanhe o projeto em observador.pt.