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Seja bem-vindo a mais um episódio do podcast "Claro como Água", o podcast mais fresquinho e hidratante da iniciativa "Vimer Explica", em conjunto com a Rádio Observador. Isto porque falamos com especialistas sobre o elemento mais presente e essencial na nossa vida: a água. Nesta edição vamos falar da água como alimento, onde não estivesse a água no centro da roda dos alimentos. Para isso, recebemos a nutricionista Cláudia Minderico. Muito bem-vinda, Cláudia, à Rádio Observador.

Obrigada.

Cláudia, há quem se espante com este conceito de água como alimento, mas o que é certo é que quase tudo é composto por água. Fale-nos um bocadinho sobre isto.

É verdade. Praticamente todos os alimentos são compostos por água, exceto as gorduras puras, como o azeite ou o óleo, é que não têm água na composição. Todos nós fizemos a experiência na escola de misturar água com azeite e eles acabam por se separar.

E não mistura.

Não mistura, efetivamente, porque o azeite ou as gorduras não gostam de água, não têm água na sua composição. Todos os outros alimentos incluem água na sua composição. Por exemplo, o açúcar, que nós pensamos que é um alimento seco, é dos alimentos de fato mais secos, mas cerca de 100 g de açúcar têm 0,5 g de água. Se pensar numa das frutas mais densas, que é a banana, 100 g de banana têm cerca de 72 g de água. Se pensar numa laranja, já estamos a falar em cerca de 86 g de água em cada 100 g de laranja. Se formos para a proteína e pensar num bife cru, um bife cru tem cerca de 71 g de água, ou seja, muito parecido com a banana. E se o cozinharmos, que normalmente comemo-lo cozinhado, ele vai perder água, mas não perde mais do que os 60%, ou fica com 60% da água, ou seja, 60 g em cada 100 g do produto, neste caso, do bife. Portanto, todos os alimentos, sejam eles, ou pareçam eles mais secos, com menos água ou com mais água, todos eles têm na sua composição ou contêm na sua composição água.

Eu vou fazer aqui só um aparte, porque houve uma vez que eu fui às salinas, acho que era na Moita, e deram muita flor de sal. E a flor de sal depois espalhou-se no meu carro, na parte de trás, porque estava lá um galgo, um cão, que espalhou aquilo tudo. E ao fim de algum tempo, eu fiquei com o carro cheio d'água. E eu pensei: "Isto será do sal ou será que tem alguma abertura no carro e está-me a chover dentro do carro?"

É do sal. Ou seja, ele absorve água, efetivamente. A água que está no ambiente é menos mineralizada, o sal é mais mineralizado, mas já contém água e vai absorver água. É como os vasos comunicantes, quando tem água de um lado e tem muita concentração, muito soluto do outro, a água vai para o lado do soluto. Ou seja, o soluto, aqui neste caso, a salgema, vai absorver a água do ambiente.

Isso quer dizer que o sal é bom para a umidade, por exemplo, para aqueles sítios com muita umidade, meter-se um saquinho de sal sempre ajuda.

Absorve a água e faz a água em estado líquido.

Eu não fazia ideia disso, isso é espetacular. Então se todos os alimentos são compostos por água, isso quer dizer que podíamos passar um mês sem beber água e obtê-la apenas através de comida? Cláudia, imagino que não.

Imagina muito bem que não deveríamos fazê-lo, ou é muito difícil fazê-lo. Para conseguir efetivamente obter a água que necessita para o seu organismo, necessitaria de consumir enormes quantidades dos alimentos com grande quantidade de água. Se nós pensarmos no homem de referência, que é um homem de 70 quilos, esse homem necessita mais ou menos de 35 ml de água por cada quilograma de peso corporal. Ou seja, todos nós necessitamos cerca de 35 ml. O tal homem de referência multiplica os 70 pelos 35 e necessitamos cerca de 2,4 litros de água por esse senhor. Ou essa senhora com 70 quilos necessitaria de 2,4 litros de água. Portanto, obter 2,5 litros de água apenas através dos alimentos.

Ia demorar muito tempo.

A quantidade, o volume dos alimentos seria enorme e com certeza que teríamos dificuldade na digestão de todos esses alimentos.

Seguramente. Então isso leva-me àquela grande máxima que devemos beber água todos os dias. Agora a minha questão é: por quê? Se já temos tanta água. As pessoas dizem na brincadeira: "Então se o ser humano já é composto mais de metade por água, por que precisamos beber tanta?"

Exatamente por isso, por sermos compostos majoritariamente por água. Nós, quando nascemos, nascemos com cerca de 72% de água. E à medida que vamos envelhecendo, vamos perdendo quantidade de água, percentagem de água relativamente ao peso corporal.

Quer dizer que um bebê tem muito mais água do que um idoso?

Do que um idoso. Exatamente. Na nascença, 72%, perdemos logo 2% na primeira semana de vida, por isso é que as crianças, os bebês, perdem peso na primeira semana de vida.

Isso é que se bué tomam as águas, não é?

Não, isso ainda é na gravidez. Aí ainda está dentro da barriga. O próprio bebê é que perde 2% do seu peso logo na primeira semana de vida e depois à medida que vamos evoluindo na idade, vamos crescendo, vamos sempre, em situação alguma acontece o oposto, perdendo quantidade d'água relativamente ao nosso peso, ou seja, vamos perdendo percentagem d'água. Na velhice, temos cerca de 45% de água e nós verificamos isso muito facilmente na pele, por exemplo. A pele, o tecido cutâneo, é um tecido que nós vemos ir enrugando ao longo da idade. O que é o enrugar? É perder água dentro da célula.

A hidratação.

Intracelular. Nós vamos perdendo a capacidade ao longo do envelhecimento, de mantermos a água, de mantermos dentro da célula, de mantermos a célula turgida, com tonicidade. E tal como acontece no tecido subcutâneo que vemos a olho nu, acontece o mesmo em todos os outros órgãos. E por irem perdendo água é que vão perdendo funcionalidade e isso vai nos envelhecendo. É um ciclo vicioso. A água tem funções no nosso organismo. Todas as reações biológicas acontecem em meio aquoso e se vamos perdendo este meio aquoso, vamos perdendo a qualidade, a eficiência das reações bioquímicas. A água serve para tudo no nosso corpo.

Por exemplo, eu lembro uma amiga um dia dizer que quando está com seiro, ela não mete batom de seiro, ela bebe é mais água, porque está é seca, ou seja, a pele está seca. Isto faz sentido? Eu até lhe dizia: "Usa o batom". E ela: "Não, dá-me só água".

E faz todo o sentido. Água, se for mineralizada. Porque uma água sem minerais, bebida prolongadamente, ajuda a desidratar o nosso corpo. Ou seja, nós vamos perdendo no nosso sistema biológico, vamos perdendo água na respiração, na transpiração, na urina, mas essa água é acompanhada com minerais e vamos perdendo os minerais do nosso corpo. E os minerais são o que nós chamamos de nutrientes essenciais, ou seja, que nós não temos capacidade de os sintetizar no nosso corpo. Temos que obrigatoriamente ir buscá-los à natureza e a natureza através da água ou dos alimentos. Se vamos perdendo constantemente, tal como vamos perdendo água, e por isso é que temos que ir bebendo periodicamente à medida que vamos bebendo, porque nós não temos um sistema eficiente de armazenamento de água.

Porque estamos sempre a expulsá-la também.

Estamos sempre a expulsá-la e temos que a ir repondo diariamente ao longo do dia e perdi-me na sua pergunta.

Não, era do batom de seiro.

No batom de seiro, exatamente.

Se calhar em vez de uma pessoa meter um batom de seiro, começar a beber água.

Beber água mineralizada, que é o que vai permitir manter a água dentro da célula, porque se tem poucos minerais, não pode ter muita água porque tem sensores para a concentração dos minerais dentro da célula e por isso a célula fica mais encolhida, com menos tonicidade e com essa sensação de estar seca, de estar falta de hidratação, que é não tem água lá dentro.

Então quer dizer que o ideal de consumo de água por dia, como já disse, é dois litros e meio, tanto para homens como para mulheres?

Não é dois litros e meio. Há pouco fiz aquela conta para o homem de referência. A quantidade de água que nós necessitamos tem a ver com o peso corporal, mas não tem a ver única e exclusivamente com o peso corporal. Nós falamos em que as recomendações estão cerca dos 30 a 35 mililitros de água por quilograma de peso corporal. E como é que nós diferenciamos se nos aproximamos mais dos 35 ou dos 30? Há pouco fiz a conta com os 35, porque os 35 é quando temos menos gordura corporal, ou seja, quando temos uma quantidade de gordura dita saudável, que é aquela quantidade de gordura que nos traz um peso de cerca de até aos 25 quilogramas por metro quadrado. Ou seja, nós dividimos o peso pela altura ao quadrado e temos o índice de massa corporal.

Quer dizer então que uma pessoa mais gordinha-

Mais gordinha. O tecido gordo não precisa da água, não se mistura com a água, não precisa de tanta água. Ou seja, o peso dela vem da gordura e não da massa isenta de gordura e portanto precisa de menos água, aproximando-os mais dos 30 mililitros de água por quilograma de peso corporal. Portanto, se tiver uma pessoa com o índice de massa corporal superior a 25, ou seja, que tenha um bocadinho de sobrepeso, vamos multiplicar por 30. Ou seja, essa pessoa de 70 quilos, mas que é um bocadinho mais gordinha, multiplicamos por três e por sete vezes três, 21, precisa só de 2,1 litro de água. Se essa pessoa for menos gordinha, tiver o mesmo índice de massa corporal.

Por exemplo, 55 quilos, mais ou menos.

55 quilos pode ser uma falsa magra, pode ter muita gordura nesse organismo. Portanto, lá está a mesma questão. Tem a ver com se é roliçinha ou não é roliçinha para aquele mesmo peso. E por isso é que olhamos para o peso e depois multiplicamos em função se calculamos que tem um índice de massa corporal superior a 25, ou se tem um índice de massa corporal inferior aos 25 quilogramas por metro quadrado.

Por isso é que é bom ir à nutricionista, não é?

Exatamente, é fundamental individualizar.

E quais são os benefícios para o nosso organismo de consumir água mineral natural, rica e equilibrada em minerais?

Água é sempre água. E precisamos de água e o nosso organismo é constituído no homem adulto jovem por cerca de 60% de água e já vimos que depois vamos reduzindo ao longo do tempo. Mas a água é um alimento por si porque incorpora os minerais e que vai buscar às rochas ao longo de todo o seu percurso. Então quanto mais enriquecido em minerais, melhor a qualidade desse alimento.

Menos suplementos temos de tomar, por exemplo.

Por exemplo, exatamente. Menos suplementos teremos de tomar, mas acima de tudo, uma água mineralizada ajuda a absorver a própria água, quer ao nível do intestino, e portanto da água total, quer depois na distribuição da água dentro das células ou fora das células. E fora das células, estamos a falar do sangue, da linfa, do líquido sinovial nas articulações, para termos uma boa lubrificação e portanto uma boa mobilidade, do lacrimal, que também é importante mantermos. Portanto, é muito importante esta distribuição da água e esta distribuição depende da mineralização da água.

E calha bem, porque a Vimeiro é a que tem mais minerais.

É que tem maior quantidade e diversidade de minerais.

E já agora, por que nos sentimos muito melhor depois de beber uma água com gás quando estamos assim mais embuchados ou mal dispostos? Que fenômeno acontece dentro do nosso organismo?

Para a maior parte das pessoas, quando estão mal dispostas, podem ocorrer três grandes motivos. Um tem a ver com o aliviar da pressão. O que é isto do aliviar da pressão? Então eu bebo uma água com gás e vou aliviar a pressão. Exatamente. Existe uma produção de gás no aparelho digestivo, houve uma produção excessiva e portanto sentimos inchados, mal dispostos, e ao beber água com gás, ao aumentar a concentração de gás, aumentar a pressão, vai ajudar a que haja o movimento oposto de libertar o gás, quer pelas vias superiores, quer pelas vias inferiores. E ao fazer essa pressão superior, vai acabar por aliviar essa pressão que estava a existir no organismo.

Ou seja, daí às vezes Arrotarmos. Não há outra forma.

Exatamente, pelas vias superiores. Será utilizada pela via superior.

A Cláudia fala muito melhor disto. Aliviar de forma superior, no fundo, é arrotar.

Exatamente. E depois tem a questão de a água mineralizada conter minerais que vão ajudar na produção das enzimas digestivas e vão facilitar a digestão. Se temos uma digestão mais difícil, porque comeu mais carne e essa carne estava mais crua, por exemplo, e tem uma digestão mais complicada, a proteína animal, principalmente a crua, é que é mais difícil digerir, pode ter necessidade de ajuda na produção das enzimas digestivas e essa produção é estimulada por minerais que existem na água ou em alguns alimentos. E por isso é que estamos sempre a falar também dos hortofrutícolas, que são aqueles que nos fornecem maior quantidade das vitaminas e minerais. E o terceiro motivo que eu referi, que eram três motivos, tem a ver com a quantidade de bicarbonato que existe na água. O bicarbonato, como nós sabemos, os antiácidos são bicarbonato puro e a água tem na sua composição bicarbonato. E o bicarbonato é o principal alcalinizante do nosso organismo. Nós temos vários mecanismos internos para ajudar a alcalinizar ou a acidificar. Podemos ter feito uma alimentação que alcalinizou demais e tivemos que ajudar a reduzir essa alcalinização, mas regra geral, nós acidificamos e temos que ajudar a alcalinizar. E o bicarbonato, mas também o cálcio e o magnésio vão ajudar.

Que existe na água gaseificada, não é?

Que existe muito na água gaseificada. As águas gaseificadas, regra geral, são mais mineralizadas do que a lisa.

E têm mais bicarbonato do que as lisas?

Do que as lisas. Regra geral, tem mais bicarbonato do que as lisas. E por isso é que se bebe o gás para aumentar a pressão e esse aumento da pressão leva a um alívio da pressão como consequência, tem mais minerais que levam à produção das enzimas e ainda por cima tem mais bicarbonato, que vai ajudar a reduzir o excesso de acidez que foi provocado voluntariamente pelo nosso organismo para ajudar na digestão, porque a digestão é feita com o ácido clorídrico, ou seja, um ácido, um pH de dois, mas às vezes está tão difícil a digestão que vamos produzindo muito ácido e acaba por ser ácido a mais e precisamos de ajudar a alcalinizar ligeiramente.

E para uma dieta saudável, o facto de ter uma água muito rica em minerais faz com que também uma pessoa se sinta mais nutrida? É também essa a importância de ingerir uma água rica em minerais?

Exatamente. Uma água rica em minerais vai nos ajudar a atingir o aporte necessário de nutrientes. Está calculado, estipulado a dose diária recomendada de cada um dos minerais. E a água permite-nos atingir esse aporte diário de uma forma muito mais fácil. Os minerais que compõem a água existem na água de uma forma livre, portanto são absorvidos na sua totalidade. O que nós dizemos tem uma biodisponibilidade 100%. Enquanto que os minerais que estão associados aos alimentos, para serem libertos, o alimento tem que ser digerido. E como nós sabemos, sempre que fazemos uma refeição, não absorvemos a totalidade dos alimentos. Digerimos uma parte dos alimentos, mas há sempre bolo fecal, há sempre fezes. O que quer dizer que não absorvemos todo o alimento e essa parte do alimento que não é absorvida, leva consigo os minerais em causa. Portanto, é sempre preferível ir repondo através da água e não só dos alimentos. Para além de que hoje sabemos que os solos, por causa da agricultura intensiva, estão cada vez mais empobrecidos nos minerais. E falava-se há pouco sobre o magnésio e a necessidade de aumentarmos o consumo de magnésio, exatamente pela pobreza hoje em dia dos solos. E os legumes e as frutas que nós víamos antigamente nas tabelas, tem X de magnésio. Quando vamos fazer hoje cromatografia aos alimentos para saber qual é a composição dos alimentos, verificamos que eles têm um décimo do magnésio que pensávamos que tinham.

E a água Vimeiro tem bastante magnésio?

E a água Vimeiro é o terceiro mineral em termos de quantidade.

E à medida que as pessoas vão envelhecendo, também vão precisando de mais magnésio?

Vão precisando de mais magnésio, porque o magnésio é um excelente relaxante e ajuda a relaxar a massa muscular. As artérias são músculo e portanto relaxa o músculo e tem menos problemas de distensão das artérias.

E a prisão de ventre, por exemplo.

Prisão de ventre, porque ajuda exatamente na elasticidade do músculo peristáltico.

E agora falando do pH. O pH da água é também uma discussão muito comum. Conte-nos, afinal, o que realmente importa na água. É o pH? São os minerais? Por que o pH não é o que realmente importa na água?

O que importa realmente são os minerais, como temos vindo a referir. Por que o pH não importa? Pessoalmente, o pH não me diz rigorosamente nada. Temos águas com pH de cinco, temos águas com pH de nove, águas com pH de sete. O que interessa é olharmos para a quantidade de minerais que lá está. O que é isso do pH? E vamos esclarecer. O pH é resultado dos íons positivos e dos íons negativos que existem na água. Se eles tiverem na mesma quantidade, anulam-se, formam o H2O, H+, OH-, juntam-se, temos H2O e aquilo é neutro. Se tivermos outros íons positivos e negativos, vamos ter aqui um gradiente, não é elétrico, mas é negativo ou positivo. E se for mais positivo, o pH reduz, ou seja, estamos perante acidez. Se for mais negativo, ele tem maior alcalinidade esse Esse líquido. Então o que nós precisamos é manter o equilíbrio do pH sanguíneo, que sabemos que é entre o 7,35 e o 7,45. Se sairmos deste intervalo, garantidamente estamos hospitalizados. Não estamos doentinhos, estamos muito doentes. Por isso é que nós temos mais de 300 mecanismos internos de regulação.

Homeostase.

Homeostase, exatamente. E um deles, como já dissemos, é o bicarbonato. E por que o bicarbonato? Qual é a forma química do bicarbonato? Um H, um hidrogênio, um carbono, um C, e três oxigênios. HCO₃⁻ quer dizer que tem um menos, quer dizer que se pode ligar a um mais. Então a acidez do sangue ou dentro da célula é dada por um H⁺. Então este H⁺ está livre, que se vai juntar ao bicarbonato, que é um menos. Como é que se liga? O H junta-se ao H, temos dois H. H₂. Vamos buscar um O, um oxigênio, H₂O. E sobraram-nos dois oxigênios e um carbono, que é CO₂, dióxido de carbono. Então temos H₂ que ajuda a hidratar, que é tão importante mantermos a hidratação, e temos o CO₂ que é expelido pelos nossos pulmões e desta forma nós ajudamos a alcalinizar o nosso organismo.

E podemos necessitar de pH diferentes consoante a nossa saúde e necessidades?

Os nossos mecanismos internos. Nós temos é que fornecer os minerais para que o nosso corpo tenha a resposta necessária. Ele é que vai decidir o que tem que fazer. Se tiver os minerais certos, tiver o bicarbonato, tiver o cálcio, tiver o magnésio, etc. Ele produz as enzimas digestivas, ele produz todos os sistemas que vão efetivamente criar esta homeostase. Efetivamente, o que nos interessa é a mineralização para poder proporcionar ao nosso organismo a capacidade de se equilibrar.

E no caso de privilegiarmos o consumo de águas com baixa mineralização, que consequências podem resultar para o nosso organismo?

As consequências são a doença, a falta de saúde. Porque se os minerais estão envolvidos efetivamente em funções no nosso organismo, e já falámos do bicarbonato neutralizar as excreções ácidas, conseguir aumentar o pH do lúmen gástrico, ajudar por isso em todo o esvaziamento gástrico, a estimular a libertação de hormonas, etc.

Sentirmo-nos saciados também com menos fome, se calhar. Se tivermos uma água mais mineralizada.

Ajudamos a facilitar o esvaziamento gástrico, portanto não ajuda na saciação.

Ao beber uma água com mais minerais.

Ajuda a estar mais hidratada. Às vezes nós comemos porque temos sede e não porque temos fome. E fazemos muito esta confusão entre a sede e a fome. E se estiver bem hidratada, é muito mais fácil controlar a ingestão de alimentos.

Isso quer dizer quando alguém diz que tem fome. "Certeza que não tens sede?"

Exatamente, é uma pergunta.

Começa por beber a água mineralizada.

E depois vamos conversar sobre a alimentação. Mas temos o cálcio na contração muscular e por isso envolvido também em tudo o que é função cardíaca ou que é neuromuscular. Temos o magnésio que falámos para o relaxamento ou para a formação de células de glóbulos vermelhos, portanto, a fadiga está muito relacionada também. Falamos sempre do ferro, mas muito relacionada com o magnésio. O magnésio ajuda na absorção do cálcio, que é tão importante para a densidade óssea.

Pois é tudo um sistema. Está tudo ligado.

Efetivamente, não podemos eliminar um dos minerais ou achar que um é menos importante do que outro, porque eles efetivamente estão todos relacionados. Inclusivamente o sódio, que é sempre o nosso vilão, não pode comer tanto sal, o cloreto de sódio, que é fundamental na nossa saúde. Agora, quando está em valores muito elevados, obviamente tudo o que é demais faz mal.

Cláudia, tem dicas para nos ajudar a escolher a água perfeita para cada um?

Eu diria que sim. Ou seja, vamos procurar os minerais que estamos a precisar. E nós precisamos sempre dos mesmos minerais ao longo da vida. Podemos precisar mais de uns.

Quantos mais, melhor.

Às vezes não é bem assim, quantos mais melhor. Mas precisamos sempre deles todos. A questão é: a água tem exatamente aquela quantidade de minerais que nos é reportada, não tem outra. Enquanto nos alimentos, como eu dizia, depende da qualidade do solo. Se eu estiver a comer uma laranja do Algarve, ou se estiver a comer uma laranja que vem da África do Sul ou que vem da América do Sul, elas têm composições completamente diferentes nos micronutrientes, porque tem a ver com os micronutrientes que existem ou que existiam no solo. Portanto, é muito importante nós obtermos os minerais através da água, conhecendo quanto é que temos, qual é a porcentagem da dose diária recomendada.

E ali é certinho, ali na água é certinho.

É certinho.

Não fossem todos os testes.

O sódio é um deles, é certinho o que tem na água e quando tem receitas de dietas muito pobres em sódio, nós sabemos com aquela água quanto é que está a consumir e podemos retirar todo o outro sódio ou acrescentar poucas quantidades de sódio, porque aquilo sabemos. Nos alimentos, não sabemos exatamente o que é que lá está neste momento.

Existe algum comparador de águas ao qual podemos aceder?

Existe. A Companhia de Águas do Vimeiro criou um comparador que é muito fiável e útil. Ou seja, se for buscar uma garrafa ao supermercado e for verificar se é o que diz no comparador da Vimeiro, é exatamente aquilo que está no comparador do Vimeiro. E permite-nos comparar o rótulo das diferentes águas, ou seja, a composição das diferentes águas e verificarmos qual é que tem mais bicarbonato, qual é que tem mais magnésio. Eu posso estar numa fase da vida em que precise de mais magnésio ou que precise de mais cálcio, mas a água fornece-me. Portanto, nunca é perigoso beber uma água que seja equilibrada em termos dos nutrientes. Por vezes temos é águas que são cálcicas ou que são magnesianas ou que são ferrosas e que podem ultrapassar esta dose diária recomendada.

E pode faltar outro tipo de minerais que nós nem sabemos.

Faltam os outros minerais. E por isso é que se dizia antigamente, e hoje em dia ainda se diz, que é preciso irmos alternando a água que bebemos, exatamente porque estamos a beber uma água que tem muito flúor, agora estou a beber uma água que tem muito cálcio, agora estou a beber uma água que tem muito magnésio. Portanto, eu tenho que ir alternando para ter acesso de uma forma diversificada aos diferentes minerais. Se a água for equilibrada, não tenho que mudar.

Se eu beber sempre água Vimeiro, sei que estou sempre bem.

Está sempre bem, porque tem acesso a uma variedade imensa e equilibrada dos minerais.

E Cláudia, há quem tenha esta questão. Água não engorda, como é óbvio, certo?

A água garantidamente que não engorda, não tem uma única quilocaloria. O que é quilocaloria? É a unidade de medida da energia que nós ingerimos. H2O ou os minerais que existem na água têm zero de energia, logo a água não tem energia na sua composição. Muitas vezes as pessoas dizem que engordam com a água, tenho atletas que exatamente dizem: "Até a água me engorda". Porque bebem dois copos de água, sobem na balança, a seguir foram beber água e meia hora depois vão ver se já perderam mais 50 gramas. E afinal, têm mais 200 gramas. Em vez de terem perdido as 50, que era expectável do metabolismo, eles têm mais 200. E eu pergunto: e quanto é que bebeu de água? Não terá sido 250? Portanto, 250 de água pesam 250 gramas. Ele teve o metabolismo que gastou 50 e, portanto, ainda tem mais 200. A água não engorda, a água tem peso, que são coisas diferentes.

E depois é expulsada também, não é?

E que vamos transpirar, e que vamos respirar, e que vamos perder na urina. Muitas vezes diz: a água emagrece. Por que a água emagrece? Porque como referimos há pouco, podemos beber, comer porque temos fome ou porque temos sede. Porque se bebermos água que não tem energia, em vez de comer, não estamos a ingerir a energia dos alimentos.

Por isso, se quisermos emagrecer, por exemplo, convém bebermos sempre primeiro uma água bem mineralizada.

Que hidrata.

Exatamente.

Ajuda depois.

E só depois é que pensamos: "Ah, agora se cal com menos".

E por isso isso é um dos truques que se fazem, é beber dois copos de água cerca de meia hora a 15 minutos antes da refeição.

É por isso, então.

Exatamente. Faz distensão do estômago, diz que há volume no estômago, que já nos estamos a alimentar, hidrata-nos, mata-nos, sacia-nos a sede e, portanto, também vamos consumir menos alimentos, até porque temos menos espaço no estômago para esses mesmos alimentos.

Cláudia Mindrico, muito obrigada por este esclarecimento extraordinário sobre a água e alimentação, como ela é essencial para nos mantermos saudáveis e cuidados por dentro. A Cláudia é nutricionista e esteve a explicar-nos como a água anda lado a lado com a nossa saúde, sendo por isso fundamental que se beba água todos os dias, não é assim?

De forma frequente, em uma toma única.

Exatamente, em quantidade e qualidade. Este foi mais um episódio do podcast "Claro como Água", da iniciativa "Vimeiro Explica", disponível em observador.pt e nas plataformas de podcast. Ainda partilho aqui mais uma curiosidade. Aproveito e deixo-vos então esta. Cláudia, eu sei que terá uma coisa para dizer sobre isto. A água, ao contrário dos outros elementos, quando congela, aumenta o volume, ou seja, dilata, enquanto que a maioria das outras substâncias se contrai quando solidifica. E tem aqui algo para nos falar que tem a ver com polvo.

É verdade. A água exatamente aumenta o seu volume quando cristaliza, aumenta o seu volume quando congela e por isso é que nós nunca cozinhamos um polvo que acabou de ser captado.

Fica duro.

Durro, se for cozinhar. Se o congelar, como a água intracelular aumenta de volume, rebenta as membranas celulares e por isso quando o descongela e o coze a seguir, ele fica muito macio.

Ou seja, já nem precisamos de bater no polvo.

Dantes batia-se exatamente para rebentar as células.

Faz todo sentido.

É muito mais fácil congelá-lo.

Sabe aquela coisa do mind blowing? É como eu estou neste momento. E foi mais um Claro como água. Até à próxima!