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Até ao final dos Jogos Olímpicos percorremos o país à boleia dos códigos postais dos atletas portugueses. Hoje, novamente guiados pelo jornalista André Maia. Bom dia novamente, André.
Muito bom dia, João.
André, hoje temos de apanhar o avião, não é? Porque vamos até à Madeira.
Podemos ir a nado também, é mais difícil.
Ganharíamos algumas medalhas pelo caminho. Temos de ir de avião porque vamos até à Madeira, mais precisamente ao Estreito de Câmara de Lobos, a terra do atleta Marcos Freitas.
Exatamente. E fazemos aqui uma homenagem merecida à nossa equipa de ténis de mesa e àquele que é considerado como o melhor mesatenista da história de Portugal. Mas deixamos aqui essa homenagem depois da eliminação ontem da equipa portuguesa. O Marcos até foi quem individualmente chegou mais longe, foi até aos oitavos de final do torneio olímpico individual. Apanhou pela frente um favoritíssimo atleta da China, acabou por sair derrotado. Mas apesar da saída dos Jogos, merecia a nossa homenagem a alguém que já foi duas vezes campeão da Europa, por exemplo, e que agora voltou também a espalhar muito talento, apesar do que aconteceu.
É mais um talento madeirense, não é? Há vários. E parece que o sangue madeirense tem desporto no ADN.
Exatamente. E mesmo esta zona, Carla, dos Estreitos, já recebeu muitos atletas, inclusive até da atual equipa olímpica portuguesa. O Grupo Desportivo dos Estreitos, por exemplo, formou o Marcos Freitas, do ténis de mesa, que falámos agora, a Sara Moreira também, de quem já falámos aqui no "Código Postal", da maratona. Ainda também o João Ferraz do andebol, mas aqui o Marcos Freitas pode ter ajuda desse ADN desportivo madeirense. Sim, porque o pai também foi mesatenista. E agora imaginem: um pai mesatenista tem dois filhos, gémeos. O Marcos Freitas é um deles. Fica a pergunta: o outro gémeo também será uma máquina no ténis de mesa?
Não, já não era assim tão bom como ele. Tinha umas capacidades, mas não era tão bom como o Marcos Freitas.
Portanto, não dava para trocar.
Eram bons os dois. O Adriano jogar como o Marcos era bom. Eram dois.
O pai do Marcos Freitas podia ter logo feito aqui uma equipa de pares olímpica, mas apesar de tudo, não correu mal, como nos diz o primeiro treinador de sempre, que ouvimos agora, o Lino Ferreira.
Se calhar isso mostra que a questão não é genética. Se calhar o Marcos treinou mais e daí ter corrido melhor.
E nem tu imaginas o quanto, Paulo. Nem tu imaginas o quanto o Marcos treinou e quanto é que ele treinou. Vamos deixar aqui o Lino Ferreira, o primeiro treinador do Marcos Freitas, responder.
Às vezes ele treinava comigo, começávamos às 19h e até à meia-noite estávamos a treinar. E o pai: "Vamos embora, vamos embora." Meia-noite, 23h. Eu gostava daquilo que fazia.
Mas às 19h ou às 19h?
Não, às 19h. Depois da escola. O recinto que nós usávamos era numa escola e só podíamos usá-lo depois da escola acabar. A escola acabava às 19h30, começávamos às 19h e íamos até às 21h. Mesmo os outros miúdos iam embora e eu ficava lá, porque queria mais.
Esta birra de ficar mais tempo eu também já fiz com o meu pai, não é inédita, mas era para coisas como ver televisão, sair com os amigos, não para treinar. E aqui o Marcos mostrou logo desde pequenino ao que é que vinha, tal como outro madeirense que agora não me lembro do nome, mas que acho que também não punha horas para acabar treinos.
Já ouvi dizer.
É já um sinal de maturidade e de inteligência muito grande para um menino tão novo.
Ora bem, Júlio, ainda bem que falas nisso, porque o mesmo pensaram os pais e os professores do Marcos Freitas. Ele tinha um sentido de maturidade e uma inteligência tão notória para a idade que até saltou um ano na escolaridade. O Marcos começou a escola primária aos cinco anos, aos sete começou no ténis de mesa e se calhar a explicação para o fenómeno até estava no cérebro.
Ele começou aos sete anos aqui na escola primária e já vinha com uma aptidão, já não era normal, já fazia coisas que não era normal. Ainda por cima era esquerdino. Dizem que tem mais reação no cérebro, os esquerdinos do que os direitos.
Eu não sei se aqui alguém é canhoto, se é esquerdino.
Eu sou.
Já alguma vez gastes ténis de mesa, Carla?
Não vamos falar disso. Não, claro que não.
Olha, eu não sou esquerdino, não sou canhoto. Se calhar por isso também não tenho grande jeito.
Não tenho jeitinho para nada.
Pois, eu também não.
Mas no ténis a percentagem de esquerdinos é muito superior à percentagem de esquerdinos na sociedade.
Exato. Se calhar é por isso que eles também não têm jeito, não sei. Mas acho que aqui fica também provado que se calhar a solução é o treino e portanto, se calhar devemos combinar aí uma partidinha. O que achas, Carla? Vamos ali para a mesa da redação.
Contigo também já sei que nunca treinaste muito, arrisco.
Eu fico-me pelo pingue-pongue.
Vamos a isso.
E eu fico pela transmissão. Foi o "Código Postal" que hoje nos levou até ao Estreito de Câmara de Lobos, terra do atleta olímpico Marcos Freitas. Amanhã há mais histórias das origens dos atletas portugueses.
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