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A empresa que nos dá luz pode mudar as nossas cidades? Como? O Gonçalo Castelo Branco é diretor de mobilidade inteligente da EDP Comercial. Gonçalo, qual deve ser o papel dos fornecedores de energia no futuro da mobilidade elétrica?

A mobilidade elétrica está, no fundo, a determinar uma alteração de paradigma, que é muito suportada no tema da descarbonização. Estamos, neste momento, a passar de uma energia fóssil no nosso modo de vida para uma energia cada vez mais renovável, mais limpa, mais eficiente. Essa é uma transformação profunda e é importante que estas empresas, nomeadamente como a EDP, empresas de energia, sejam catalisadoras ou catalisadores dessa transformação. A EDP tem-no feito. Já há mais de uma década que tem uma aposta forte em energias renováveis, é um líder mundial. E agora o tema da descarbonização surge como importante, sobretudo no setor dos transportes, porque 25% das emissões globais de CO₂ vêm do setor dos transportes. E é precisamente no setor dos transportes onde pode ser mais fácil, através da eletrificação dos transportes, reduzir estas emissões ou até mesmo eliminá-las. Isso faz-se pelo vetor da mobilidade e sobretudo da eletrificação e dos veículos elétricos. É isso que a EDP tem feito, no fundo, é colocar-se como um facilitador dessa transição, garantir que para os clientes finais essa transição se faz de uma forma fácil, simples, conveniente, rápida e isso significa muitas coisas. Significa, antes de mais, termos uma oferta adequada de soluções de carregamento para os clientes. O número de carros, de veículos elétricos tem crescido muitíssimo, tanto em Portugal como na Europa. Mas para ter uma ideia, há uma estimativa de termos 40 milhões de veículos elétricos na Europa em 2030. Este ano, os veículos elétricos já foram mais de 10% das vendas totais na Europa, quando o ano passado foram apenas 3%. Em Portugal, este número é semelhante, mas ainda é mais relevante. Ou seja, em Portugal, 13,6% do total de vendas de veículos em 2020 foram veículos elétricos. Um recorde no mês de dezembro, onde este número ultrapassou os 20%, foi de 22%. Vemos isto acontecer e a adoção de veículos elétricos a acontecer, mas estes veículos elétricos só de facto têm esta consequência desta transição, quando conseguimos que eles carreguem com energia verde. É também nesse vetor que uma empresa de energia como a EDP atua, que é garantindo que a geração é de energia e de fontes renováveis.

Gonçalo, que soluções a EDP desenvolveu no sentido de promover a mobilidade elétrica?

Temos que perceber que o carregamento de um carro e de um veículo elétrico ocorre, sobretudo, em três circunstâncias: em casa, no trabalho e na via pública. É um modo de carregamento muito diferente daquele que estamos habituados num veículo a combustão. Aliás, 70 ou 80% do carregamento ocorrerá provavelmente em nossa casa e no trabalho e menos na via pública, mas a EDP está a atuar nessas três frentes com uma oferta diferenciada e inovadora para residências. Temos um produto específico para condomínios. Os condomínios são um caso muito particular, porque mesmo que exista uma tomada ou um carregador numa garagem do condomínio, ele à partida pode estar a consumir energia que é do condomínio, porque pertence às zonas comuns do condomínio. Foi preciso uma solução técnica, inovadora e digital da EDP para endereçar esse tema. Estamos também com um conjunto de soluções para empresas, a eletrificação de frotas profissionais é muito importante e frotas de empresas. As empresas precisam de soluções de carregamento que não são só os carregadores, mas que são também uma plataforma que lhes permita gerir esses carregadores e as sessões de carregamento de quem os utiliza. Mais uma vez, aqui a experiência é também, além do equipamento, ter uma app, que é a nossa app EV Charge, de gestão de soluções de carregamento, que pomos à disposição das empresas e, sobretudo, no carregamento público. Acho que esse compromisso tem sido também, talvez, dos mais visíveis que a EDP Comercial tem. Hoje, a EDP Comercial tem 700 pontos de carregamento contratados na via pública. Uma grande parte deles foram contratados com parceiros. Temos parceiros de relevo e de referência em vários setores, como o Vila Galé, os Hotéis Pestana, os Parques da Sava, o Hospital da Luz, para nomear alguns. Muito recentemente anunciamos uma parceria também com a BP, com a Repsol e com a Brisa para a instalação de pontos de carregamento rápido e ultrarrápido nas autoestradas da Brisa em Portugal. Esse é um crescimento que temos feito e fomos o player que mais cresceu com estas parcerias o ano passado, mas também recentemente no concurso que a rede Mobi.e promoveu o ano passado, a EDP também acrescenta desse concurso mais 380 pontos de carregamento em 90 municípios, o que faz os tais 700 que eu mencionava. E queremos chegar ao fim do ano atual com 1000 pontos de carregamento. Este é um compromisso importante, porque este é um dos fatores grandes de ansiedade de quem ainda não tem um veículo elétrico, que é garantir que a rede está lá, que é conveniente e que é suficiente para as suas necessidades.

Gonçalo, fala-se muito em novas soluções a pensar no futuro. Como é que a EDP olha para soluções como a economia da partilha? Poderá associar-se a fabricantes de automóveis e ser também fornecedor de serviços, por exemplo, o aluguer de longa duração de carros elétricos?

É muito interessante que esta alteração de paradigma da mobilidade que falava no início, ela também Também existe ao nível da cadeia de valor. Reparamos que há novas fontes de valor no futuro que são muito diferentes daquelas que existiam antigamente. O mercado já não estará organizado para os veículos elétricos da mesma forma que esteve organizado para os veículos a combustão. Vemos muitas empresas que estão agora a competir e com ofertas fora dos seus mercados normais. Isso também, de alguma forma, ocorre com a EDP. Na mobilidade elétrica, a EDP está atenta à oportunidade que exista em mercados adjacentes. A própria participação no carregamento público é um desses exemplos, mas também vemos ao contrário. Vemos empresas que normalmente eram fabricantes de automóveis que estão hoje no mercado de energia. Empresas de dados que também estão a entrar no mercado dos veículos autónomos. Há novos players, como a Tesla, que também tem uma quota de mercado impressionante e que não eram players da anterior cadeia de valor. Esta alteração exige que sejamos muito capazes de trabalhar neste ecossistema e que passe muito por parcerias e por uma forma de integrar a oferta, porque nenhum de nós e nenhuma empresa sozinha conseguirá entregar a oferta que o cliente precisa. É exatamente isso que estamos a fazer e dando aqui alguns exemplos. Além das parcerias que referi para o carregamento público, temos parcerias com as marcas automóveis, com a Daimler em Portugal, com a Hyundai, para estarmos próximos dos clientes quando eles compram um veículo elétrico, poderem também perceber qual vai ser a solução de carregamento que vão ter para a sua casa ou para a sua empresa, mas também com locadoras. É um mercado importante e nós temos também essas parcerias com a Finlog e com a Arval, precisamente para incorporar, no renting de uma viatura, que venha logo acoplado, a quem esteja a fazer um renting de um veículo elétrico, essa solução de carregamento, seja a wall box ou o carregador para pôr em casa, como o tarifário de energia verde que ele tenha para pôr em casa ou o cartão que permite carregar com energia verde também no carregamento público.

Gonçalo Castelo Branco, diretor de Mobilidade Inteligente da EDP Comercial, muito obrigado por ter estado na Rádio Observador, Com Vista para o Futuro.

Muito obrigado.

Este programa tem o apoio de BP. Conduza carbono neutro.