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Começamos agora mais uma edição da Comissão de Inquérito nas manhãs 360 da Rádio Observador e hoje vamos até a um sítio do qual temos sempre ótimas recordações, o Jardim Zoológico. Vamos fazê-lo com o Diogo Gomes, é o nosso convidado, é biólogo no Jardim Zoológico de Lisboa. Olá, Diogo, bem-vindo.
Olá, muito obrigado pelo convite.
Olá, bom dia.
Temos aqui algumas perguntas para si. Já sabe que se acertar tem cinco pontos, se precisar da nossa ajuda e acertar, recebe dois. E vamos começar aqui com uma pergunta da Carla Jorge Carvalho.
Vamos lá. Eu acho que apesar da sua tenra idade, deve saber de quem é a letra e a música do "Fungaga" da Bicharada.
Sim, eu acho que sei. É do nosso Avô Cantigas, se não estou em erro.
Não, ele fez uma versão.
É verdade.
Mas o original não é do Avô Cantigas.
Ok.
Ficou mais difícil a partir de agora.
Ficou mais difícil. É melhor dar as hipóteses.
Quero ajuda, então. Vamos lá. José Barata Moura, Cândida Branca-Flor, Xana Toc Toc.
Ui, posso eliminar a última, que essa é de uma geração mais dos meus filhos do que propriamente da minha. Agora, as outras não sei bem. Sinceramente, não foi uma música da minha infância.
Pois não. Mas os nomes dizem alguma coisa? José Barata Moura e Cândida Branca-Flor.
Sim, são nomes que eu certamente já ouvi, que já passei por eles, mas não estou assim por dentro exatamente quem é que-
Então arrisque.
Arrisque.
Talvez a segunda hipótese.
A Cândida. Falhou a primeira. José Barata Moura. Não sei, reitor da universidade.
Sim. Filósofo. E tem um repertório de canções infantis fantásticas e o "Fungaga" da Bicharada também está. Recomendo que os seus filhos podem gostar.
Vou atualizar minha playlist.
Atualize como uma coisa antiga.
Ok.
Mas isto, Diogo Gomes, para começar, pode explicar o que é que faz um biólogo no Jardim Zoológico de Lisboa?
Muito bem. Um biólogo pode ter muitas funções num jardim zoológico e tenho outros colegas no jardim que também têm esta base na sua formação. Eu, enquanto biólogo, faço um trabalho um bocadinho diferente. A espécie com que eu trabalho é outra, é a espécie humana.
Deve ser a mais trabalhosa.
É muito difícil. Às vezes os meus alunos até nos fazem esta pergunta, de qual é que é a espécie mais perigosa e mais assustadora e ameaçadora. E eu às vezes digo que é mesmo a espécie humana, mas é também a espécie que tem um encanto muito grande de trabalhar. Ou seja, apesar de eu ter feito a minha vida acadêmica na Biologia, o jardim zoológico cruzou-se comigo. Fiz uma formação, logo assim que terminei os meus estudos no jardim zoológico, um workshop. Fiquei com o bichinho e comecei então a entrar neste mundo do jardim zoológico. E então, atualmente, a minha função é esta, de coordenar os programas educativos do jardim zoológico, é uma das missões do jardim, a missão de educação, juntamente com a investigação e com a conservação. E temos então esta chance e este privilégio de receber muitas pessoas das várias idades. E aquilo que eu faço é, no fundo, a coordenação da equipa que recebe todas estas pessoas, a formação dos nossos educadores.
Porque há muitas visitas de grupo no jardim zoológico.
Muitas. Os programas educativos do jardim zoológico são reconhecidos pelo Ministério da Educação como um complemento à sala de aula e um complemento aos currículos escolares. E aquilo que eu faço então é acompanhar estas visitas, dar a formação aos nossos educadores ambientais e garantir que estamos a cumprir com os nossos objetivos e com esta missão de educar para conservar a natureza e a biodiversidade de uma maneira em geral.
Mas quando, normalmente acontece com as crianças, que visitam o jardim zoológico e pensam: "Adorava trabalhar aqui". A hipótese mais forte de conseguir é seguir Biologia?
Não. No fundo, a educação ambiental, e para falar mais desta área, é multidisciplinar. Nós não olhamos as áreas de onde as pessoas vêm, visto que cada pessoa da sua área pode aqui trazer algo de diferente para o jogo. Seja alguém de música, que pode começar a cantar o "Fungaga" da Bicharada com as crianças e aproveitar esse momento para passar alguma mensagem. Já tivemos colegas de engenharia aeroespacial, de muitas áreas diferentes.
Dá para nós, então.
Exatamente, por que não? O jardim zoológico também é comunicar. E alguém que tenha este gosto e esta vontade de comunicar, pode vir até nós e poderá ter aqui uma porta aberta.
Mas esse é um dos grandes desafios, é saber adaptar também a mensagem aos diferentes públicos que vão ao jardim zoológico.
Sim, é muito importante saber o contexto. Sempre que nós marcamos uma visita ao jardim zoológico e a pessoa liga, o professor liga para fazer essa marcação, nós fazemos essa questão logo, de que idade é que têm estas crianças, ou se for uma família, de onde é que vêm, qual é que é o contexto dessa família, para nós podermos adaptar ao máximo a nossa conversa, aquilo que nós vamos falar. No fundo, nós estamos também a trabalhar com as emoções das pessoas e com os interesses das pessoas. E se conseguimos tocar nesses interesses e naquilo que elas mais gostam e adaptarmos o nosso discurso a esta realidade de cada um, vai ser algo muito mais efetivo e vai então chegar ao coração de cada pessoa para que haja o nosso objetivo máximo, que é uma mudança de atitude e de valores face ao ambiente.
E já vamos falar mais propriamente da questão da preservação ambiental. Agora vamos aqui passar para uma segunda pergunta que tem a ver com tigres.
Bem, vamos lá.
Como é que se chama o tigre, que é o principal antagonista de "O Livro da Selva"?
Ui, eu devia saber isto. Por que eu devia saber isto? Eu fui escuteiro e um dos imaginários que existe é mesmo "O Livro da Selva". Agora, como é que se chama o tigre? Eu acho que vou recorrer às vossas opções.
Ajuda? Então vamos lá. Roberto, Tigrão ou Shere Khan.
Ok, neste caso já sei aqui as respostas. É o Shere Khan.
Shere Khan, exatamente. Muito bem. Disse numa entrevista que li que o seu animal preferido, dos que estão no jardim zoológico, é o tigre, embora também já tenha dito que a espécie humana é que acaba por ser mais interessante. O que os tigres têm de tão especial?
Acho que só a proximidade que têm com os gatos que nós temos em nossa casa já é suficiente. E eu sou um apaixonado também por gatos e tenho um em casa, por isso há logo essa ligação. Depois, não sei, são animais mágicos. No fundo, os felinos têm essa força de nos inspirar e de terem comportamentos super interessantes, e que nós até podemos passar alguns desses comportamentos para a nossa vida do dia a dia. No fundo, eu sinto que sou um privilegiado por poder ver estes animais aqui todos os dias, sendo que trabalho no centro de Lisboa e antes de chegar ao escritório, ter a chance de ver estes tigres acordar.
Mas acha que eles já o conhecem?
Não, tenho a certeza que não. Acho que sou completamente indiferente para eles. No fundo, eles não são indiferentes para mim.
Mas estava a dizer, só para finalizar.
Eles, às vezes, até dizem: "Lá vem o Diogo, chegou mais cedo hoje."
É verdade.
Eles têm comportamentos que nós poderíamos adotar. Disse isso, estava a pensar em quê?
Não só muitos.
O tratamento das unhas.
Um gato tem aquele ar em relação às pessoas, ele é que os escolhe.
Aqui neste caso, no tigre, a capacidade de atenção e de foco é fundamental. Isso, para o nosso dia a dia, é fundamental. Seja no nosso trabalho, seja na nossa vida, nossa família, estar atento ao que está à nossa volta, ouvir os outros, é das coisas mais importantes que nós temos e os tigres fazem-no muito bem, sendo que são animais que caçam por emboscada, têm que estar atentos a todos os sinais que estão à sua volta para se saber também adaptar ao meio. E no fundo, apesar de terem todas aquelas riscas que os tornam únicos, são também capazes de passar despercebidos nos momentos que assim o querem e que têm que ser.
E nota um grande fascínio dos visitantes do jardim zoológico por esta espécie em particular?
Sim.
Nós sabemos, os macacos são sempre muito populares, sobretudo entre as crianças, entre os primatas.
Quais são os mais e se há modas, se há momentos em que é mais giro ver os golfinhos em oposição aos macacos.
É o cinema e a cultura pop também influencia bastante.
Exatamente. É mesmo. Nós também temos que estar a par dos filmes que vão saindo e dos desenhos animados.
Das tendências.
O peixe palhaço.
Não têm nenhum Stitch.
Não temos nenhum Stitch, mas vão-nos sempre facilitando a vida, porque os animais são sempre uma parte central dos filmes e temos que estar atentos, porque se sai algum filme com algum animal, vai ser o centro das atenções. Felizmente, nos últimos anos, graças também à comunicação social e ao trabalho e ao sucesso que estão a ter alguns projetos, nomeadamente o projeto do lince ibérico e da recuperação deste animal que esteve quase à beira da extinção, é algo que traz muita curiosidade para todas as idades, dos mais novos aos mais velhos, que as pessoas chegam e logo na bilheteira já perguntam onde é que é o lince ibérico. E então, obviamente, para nós é ótimo que haja este interesse, porque ainda torna o nosso trabalho mais fácil.
O jardim zoológico tem lince ibérico?
Tem.
Tem quantos?
Tem dois indivíduos, que vieram de centros de reprodução, tanto em Portugal como em Espanha. Têm esta missão, no fundo, são embaixadores destes animais e são dos poucos sítios no mundo onde os visitantes podem ter esta ligação, de verem estes animais ao vivo.
Muito bem, vamos aqui a uma pergunta mais de história: em que dia foi assassinado o rei Dom Carlos I, que ficou conhecido como o biólogo e o oceanógrafo? 1 de fevereiro. Não, não precisa das hipóteses para já. Quer arriscar uma data?
Não quero arriscar data nenhuma.
Então, temos 1 de fevereiro de 1908, 1 de janeiro de 1908, 1 de março de 1908.
Janeiro, fevereiro e março.
Soueste uma grande ajuda, Nelson.
Tipo para for o local. Onde foi assassinado?
Onde foi assassinado? Pois não sei bem. Vou a março, talvez.
Está errado. É fevereiro, 1 de fevereiro.
Vou bater o recorde das respostas erradas.
O rei Dom Carlos I ficou conhecido por ser um amante do mar, um estudioso e um precursor do estudo dessa área em Portugal. E o jardim zoológico também tem, desde há uns anos para cá, essa ligação aos animais marinhos. Os golfinhos podem ser visitados naquele espaço. Com tanta costa, tanto oceano, como é que acha que está a posição de Portugal nos estudos de biologia marinha? Satisfatório ou com tanto mar poderia ser mais destacado?
Eu acho que o investimento no ambiente, o investimento na conservação nunca é demais. E ainda assim, acho que estamos a caminhar no sentido certo e no caminho adequado para conseguir proteger esta costa que nós temos incrível e que nos dá muito. Ou seja, nós temos cada vez mais investido na proteção do ambiente. Foi até algo que me levou a ir para Biologia, achar que não há forma, não há hipótese de um país não investir no ambiente. Obviamente que pode investir mais e há muitos biólogos a precisar de trabalho e com muitos estudos para Por fazer. Acho que o investimento pode ser sempre maior. Nós estamos numa época em que as ameaças estão cada vez mais presentes, mais fortes, e nós temos esse dever enquanto sociedade de proteger o ambiente. É do ambiente que nós retiramos a nossa roupa, o nosso alimento, a economia também prospera com o ambiente saudável, é também uma fonte de inspiração para todos nós. E no fundo, eu acho que no momento em que apostamos cada vez mais e parte do orçamento dos países vai mais para a defesa, nunca nos podemos esquecer que o ambiente é a parte central de tudo.
Eu fiquei a saber também que esse espaço do Jardim Zoológico, onde se vai ver o espetáculo dos golfinhos, passou a ser dos mais desejados também pelas crianças.
Sim, há sempre alguma magia à volta deste espaço e é superinteressante ver as reações dos mais novos até aos mais velhos, a ver estes animais no Jardim Zoológico. Mas é algo que, felizmente, se vai já multiplicando e dividindo por todas as áreas, visto que o jardim foi evoluindo ao longo dos seus 142 anos, para ter instalações naturalistas para estes animais e que já causam esta magia e este encanto ao olhar para os animais.
E isso implicou também um investimento. Houve uma altura em que o Jardim Zoológico enfrentou algumas dificuldades do ponto de vista financeiro. Como é que as coisas estão neste momento? Tem havido investimento?
Sim, o Jardim Zoológico vai investindo todos os anos nas melhorias dos espaços. Esse investimento obviamente que é feito através da receita que é gerada da bilheteira. Mas também de muitos patrocinadores e muitos padrinhos dos animais, que é algo que as pessoas podem também fazer, apadrinhar um animal.
Uma pessoa individualmente, não é preciso ser uma empresa.
Pode ser uma empresa, pode ser uma pessoa.
Mas é preciso muito dinheiro?
Não é preciso muito. Individualmente, é um valor completamente acessível.
Mas se calhar o animal também é mais pequenino, não é?
Não, o valor é o mesmo para todos. E há muitas pessoas que até aproveitam estes apadrinhamentos como prenda de aniversário, de Natal, e é interessante ver.
Está a falar de que valores?
À volta entre os € 70 a € 100. Não tenho aqui presente. Ou seja, por ano. E depois, obviamente, há algumas regalias associadas a ser padrinho de um animal.
E pode ser um belo presente de aniversário.
Por que não?
E nesse dia leva-se um bolo ao animal. Era uma coisa que os tratadores iam gostar. E é interessante que essa verba é depois reinvestida não só no espaço, para dar melhores condições aos animais, mas também, seja do apadrinhamento, seja do valor da bilheteira, parte dessa verba é criado um fundo de conservação para depois apostar em projetos de conservação "in situ", ou seja, no habitat.
O Diogo Gomes vai com dois pontos. Vamos à próxima?
Vai com dois pontos. Sim, mas agora esta, já que estamos a falar de dinheiro, calculo que saiba esta: quanto custa um bilhete para adulto no Jardim Zoológico de Lisboa?
Sei, esta não preciso de ajudas. São €31.
São.
Exatamente.
Estávamos aqui a falar da questão de como os jardins zoológicos evoluíram, mas ainda incomodam muitas pessoas sobre a questão do bem-estar animal e da necessidade de ter ou não, ainda nesta altura, animais enclausurados.
Sim, eu sempre que começo a falar com alguém sobre o Jardim Zoológico, das primeiras perguntas que faço é há quantos anos é que não vai ao Jardim Zoológico. Porque muitas vezes ainda temos uma ideia já ultrapassada e desatualizada do que é um jardim zoológico. Foi um conceito que evoluiu muito ao longo dos anos, também a reboque do conhecimento científico à volta deste tema, e hoje em dia são espaços fundamentais. E tudo o que eu falo hoje aqui sobre um jardim zoológico, eu estou a falar sobre jardins zoológicos acreditados e que têm a capacidade de cumprir com todas as diretrizes nacionais e internacionais, não só do ponto de vista do bem-estar dos animais, mas também da educação, da investigação e toda a aposta que se faz na conservação.
O Jardim Zoológico de Lisboa é o único acreditado em Portugal?
Não. Existem outros que também o são, outras instituições. E o bom de estas instituições estarem acreditadas e estarem numa rede de jardins zoológicos, é que começam a trabalhar de forma colaborativa. E isto vai permitir o quê? Uma evolução muito grande e muito rápida, porque o conhecimento que é adquirido nestes espaços é transmitido, é espalhado, não só para dentro da comunidade zoológica, mas também para fora. Hoje em dia, muitas técnicas, muitos procedimentos que se fazem, mesmo numa reserva, mesmo no meio selvagem, ou quando um animal está ferido e é preciso ser recuperado, a base desse conhecimento foi ganha, foi adquirida nos jardins zoológicos. Nós temos a capacidade de controlar todas as variáveis. E temos este investimento nestes procedimentos e nesta investigação para que tenhamos depois um impacto significativo.
Eu tenho uma curiosidade muito própria a propósito desta pergunta que fizeste, a questão dos animais. Eu acho que é feito um grande trabalho, a ignorância de não fugirem animais. Não há grandes casos. Acho que há um caso, em 2019, de um macaco.
Sim.
Que saiu do Jardim Zoológico. E eu tenho sempre essa curiosidade: como é que eles não fogem mais?
Olha, é muito fácil de explicar. Nós temos, obviamente, muitas diretrizes.
Subornos.
É isso. Nós pomos lá a comida que eles mais gostam. Não, há diretrizes internacionais que nós temos que seguir para ter estes animais sob o nosso cuidado. E também, quando eu explico isto aos mais novos, eu digo que as instalações, que são os espaços onde estes animais vivem, têm quase como se fosse um manual de instruções do Lego. Vêm já com um manual. Este manual é feito Pelos profissionais dos jardins zoológicos em todo o mundo e do nosso também, há essa contribuição. E nós temos que seguir isso, não só as dimensões das instalações, aquilo que separa, as barreiras que separam os animais dos visitantes, o tipo de alimentação que é dado, a parte do cuidado veterinário, tudo isso já vem nesses manuais que são guias de maneio e que nós seguimos de forma rigorosíssima, para garantir não só o bem-estar e a segurança desses animais.
E dos tratadores também. Uma curiosidade que eu tenho é se não há acidentes com os tratadores.
A resposta é a mesma. Há protocolos enormes que eles têm que seguir e têm essa formação para garantir que não há esses acidentes. Porque nós estamos a trabalhar ao mesmo tempo com um animal como um psitacídeo qualquer, mas também podemos estar a trabalhar com um tigre, com um felino, com o que seja, e obviamente que há riscos que são diferentes, mas que em todos os momentos não pode haver o relaxamento total do tratador, tem que ter atenção a tudo. E de fato, eles fazem um trabalho incrível no cuidado destes animais e são eles que são também os olhos do veterinário. Eles é que conhecem estes animais, os seus hábitos, os seus comportamentos e que garantem que tudo funciona normalmente.
Está com sete pontos, ainda vai poder fazer mais numa última pergunta do Bruno Vieira Amaral.
Vamos à última pergunta. Apelar aqui aos seus conhecimentos bíblicos. Segundo o relato do Gênesis, em que dia da criação foram criados os animais terrestres?
Em que dia foram criados?
Primeiro fez-se muita coisa. Houve ali um grande trabalho de preparação do cenário.
Sabemos que Roma não foi feita num dia.
Não foi feita num dia. Os animais, se calhar, foram. Mas vou pedir uma ajuda.
Uma ajuda, então. No primeiro dia, no terceiro dia ou ao sexto dia?
Bem, eu vou ter que rever esta parte.
Isto é por ordem de complexidade.
É por ordem de complexidade, primeiras montanhas e os vulcões.
Fravinho, ficou mais difícil?
Eu diria ao terceiro. Ou ao sexto.
Vamos considerar. Vamos considerar esta resposta certa.
Ao sexto dia, mesmo ali antes dos humanos, de acordo com o relato no Gênesis. Apesar de toda a conscientização ecológica, a necessidade de preservar as espécies e o planeta, vivemos cada vez mais desligados da natureza.
Sim, isso é uma constante e até nós vemos isso nas visitas que fazemos, nos programas. Eu, às vezes, tenho consciência de que estou a ensinar pela primeira vez a um aluno com seis anos ou com 10 anos, o que é um animal. Ou seja, que tem as mesmas características de um mamífero. Tem pelo à volta do corpo, que nasce da barriga da mãe, que temos muitas semelhanças e que também somos animais.
Isso acontece também com a alimentação. As crianças mais urbanas, às vezes, não sabem de onde vem a comida.
É exatamente o mesmo. Eles não têm essa consciência que nós fazemos parte da biodiversidade, que nós fazemos parte dos ecossistemas e que temos um papel nestes ecossistemas e que temos um impacto nestes ecossistemas. Isso eu acho que é reflexo da sociedade e de como as coisas foram mudando, o nosso dia a dia, das nossas vivências, da falta de tempo. Eu, apesar de não ter sotaque, sou alentejano e vivi toda a minha infância no Alentejo, no meio da natureza. Os meus pais deixavam-me muito ir pra rua brincar. E hoje em dia as pessoas estão a fazer grandes migrações para os centros urbanos e isso faz com que haja uma desconexão do mundo natural. E é fundamental que a educação ambiental que entre aqui na equação e que torne as sociedades mais conscientes para estas problemáticas, que as pessoas não podem ficar desconectadas. Houve uma vez que eu fui ao Alentejo fazer um programa que nós temos, que é o "Zoo vai à escola", e acabei a minha apresentação com uma imagem do montado. E perguntei àquelas crianças onde é que, em que parte do mundo, é que eles podiam encontrar aquela paisagem. E eles não me souberam responder. Era só olhar quase pela janela, porque a escola era assim no meio, mais rural. E é isto que eu falo. E o jardim zoológico pode ter este impacto de estar no meio de Lisboa, que as pessoas venham até nós e que cada instalação onde estão estes animais, estes mamíferos, estes répteis, estes anfíbios, que seja quase como se fosse uma janela para cada um destes ecossistemas, e que no fundo as pessoas se reconectem com a natureza, porque é fundamental não perder. Porque se nós não conhecemos estes animais, se não soubermos o que eles são, o que eles significam, o que eles contribuem também para a nossa espécie, nós não vamos querer protegê-los.
Muito bem.
E é isso que nós fazemos.
Diogo Gomes foi nosso convidado na "Comissão de Inquérito" deste início de semana. É biólogo no Jardim Zoológico de Lisboa.
Devia termos trazido um chimpanzé.
Ou uma arara. O único primata fui mesmo eu a ver. Fez 12 pontos, nada mal nesta incursão aqui à nossa "Comissão de Inquérito". Diogo, muito obrigado. Parabéns pelo trabalho que tem feito e pelo que o Jardim Zoológico de Lisboa também tem feito nos últimos anos. E façam uma visita ao espaço, porque vale sempre a pena. Obrigado, Diogo.
Muito obrigado pelo convite.
Obrigada.