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Começa agora mais uma Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado João Maria Jonet, candidato independente à presidência da Câmara de Cascais, vereador eleito. Bom dia, bem-vindo.
Bom dia. Obrigado pelo convite.
Obrigada por ter aceitado o nosso convite. Não sei se lhe interessa saber, mas Carlos Carreira, quando cá esteve, fez 17 pontos e meio. Já não sei bem como resolvemos este meio, ou assim qualquer coisa, e o Nuno Pita Lopes fez 17. Tem aqui só uma referência, vale o que vale.
Vale.
Estão 25 pontos.
É mais difícil aqui do que a eleição, isso claramente.
Estão 25 pontos em causa, são cinco perguntas. Vamos lá à primeira: qual é o líder partidário português com mais seguidores no Instagram?
André Ventura.
Tem ideia de quantos tem? O João Maria Jonet tem 14,3 mil. E o André Ventura?
Quantos é que ele tem? Deve ter 400 mil.
Upa!
803 mil seguidores.
Muito.
É muito.
Mariana Mortágua 106 mil, Luís Montenegro 82 mil. Hoje quem domina as redes sociais domina o discurso político.
Por acaso eu tinha ideia que a Mariana Mortágua era a segunda. É a segunda mesmo.
É a segunda, sim.
O José Luís Carneiro não deve ter muitos.
Uma diferença muito grande.
Sim.
Quem domina as redes sociais domina o discurso político, ou o discurso político faz mais o debate no feed?
Obviamente que as redes sociais cada vez mais se tornam a praça do debate à medida que mais pessoas participam. É um pouco como dominar os jornais, ou seja, controla-se um pouco a conversa, mas acho que se exagera muito. Eu, como consultor político reformado, tenho a dizer que-
Reformado, já?
Reformado, porque agora sou político. Já sou consultor de mim próprio. Mas acho que se exagera muito na consultoria política o peso das redes sociais eleitoralmente. Se forem ver, por exemplo, na minha campanha, as redes sociais do meu movimento e as redes sociais da coligação PSD/CDS, as minhas tinham muito mais visualizações e tinham mais ou menos o mesmo número de seguidores. E eu tive menos da metade dos votos. Obviamente, é importante, mas não é só isso. E há ainda muitas coisas de poder fáctico que valem muito mais. Isso quanto, obviamente, para o primeiro-ministro. Se é que o primeiro-ministro também teve mais de 10 pontos percentuais que André Ventura nas eleições, porque não conta tudo. Influencia, importa.
Chega a mais pessoas.
Chega a mais pessoas, marca-se a mensagem, claro que sim, mas não é tão decisivo como os consultores de comunicação querem fazer parecer.
Mas a prazo não pode vir a ser mais decisivo, porque muitos estudos dizem que gerações mais novas informam-se, sobretudo, através das redes sociais.
Sim.
E à medida que há uma substituição geracional, isso, de alguma forma, não pode.
É uma possibilidade, tal como é uma possibilidade os jovens crescerem e, com o crescimento, deixarem de ser tão influenciáveis por redes sociais.
Irem aos sites de noticiários.
E ver coisas diferentes e ficarem, se calhar, desiludidos por coisas que aprenderam nas redes sociais e que depois se revelaram falsas. Agora temos o exemplo nos Estados Unidos, que os jovens tinham uma taxa de aprovação do Donald Trump acima da média nacional na altura das eleições do ano passado, e neste momento estão 75% contra. Portanto, essas desilusões também fazem. É como aquela coisa do Maio de 68 dizer que o futuro da França era o esquerdismo radical. Depois o tempo avançou e aquelas pessoas não ficaram esquerdistas radicais para sempre. Logo se vê, não tenho essa capacidade para ver o futuro. Agora, fazendo campanha, tenho a dizer que uma coisa é ser conhecido nas redes sociais ou até na televisão, e outra coisa é convencer eleitores. Eu nunca achei que fosse a mesma coisa.
E mesmo nas eleições internas, porque o João Maria Jonet colaborou com o Jorge Moreira da Silva na candidatura à liderança do PSD. Aí sentiu também que há esse desfasamento entre o impacto nas redes, a mensagem que se tenta passar nas redes, e aquilo que depois é a recetividade do público a que essa mensagem se destina?
Claro, porque isto que eu falo do eleitorado contar com mais fatores de decisão do que aquilo que vê nas redes sociais, vale ainda mais internamente do que externamente. Não para puxar a brasa para a minha sardinha, mas acho que a nossa estratégia de redes sociais estava mais apelativa nessas eleições internas, e tivemos muito menos votos, porque os votos estavam já fechados no momento em que nós entrámos nas eleições, porque tinham a ver com acordos por lugares nas listas e por lugares nas listas das autárquicas, das europeias. Não é um vídeo giro de redes sociais que vai convencer o presidente de uma concelhia, que já combinou que vai ser presidente da Câmara, a mudar de opinião.
Há outros critérios em jogo.
Há coisas mais decisivas, tal como não há nenhuma publicação gira que vai convencer as 15 pessoas que foi prometido serem eurodeputadas que afinal vai ser melhor votar deste lado. A persuasão, infelizmente, não é só o bom argumento.
Então vamos lá focar um pouco mais nisso.
Cinco pontos para já.
E com mais outros cinco, se calhar, com esta pergunta, de certeza. Nós fizemos aqui uma sondagem entre pessoas mais ou menos da idade do João Maria, não foi assim. Vamos ver. Quem foi o humorista que tornou célebre a frase: "Eu é que sou o presidente da junta"?
Herman José.
Muito bem. 1997, no Herman Enciclopédia.
Um ano antes de eu nascer.
Um ano antes de o João nascer. O PSD e o PS fecharam um acordo de governação para Cascais. Isso quer dizer que pode dizer que eu é que sou o líder da oposição, ou este acordo até esvazia um pouco essa função de poder influenciar decisões de governação em Cascais?
Eu não digo que sou o Rui Pedro Antunes, é que ele disse que eu era, eu agora vou passar a citá-lo. Mas esvazia? Não esvazia, porque eu já estava à espera. Eu disse isso durante a campanha inteira. Tanto o cabeça de lista do PS como o cabeça de lista do Chega estavam interessadíssimos em fazer parte de um acordo coligatório com a atual maioria Infelizmente, por poucos votos, não pudemos ter ainda mais pluralidade. Infelizmente, porque a proporcionalidade é o que é e o método é o que é, mas por cerca de 300 votos a Iniciativa Liberal não conseguiu eleger e portanto acabou por ser muito ineficiente os 6,4% que tiveram, e o PSD/CDS acabaram ficar com cinco vereadores, quando por 300 votos tinham ficado com quatro. De qualquer das formas, havia muita vontade do cabeça de lista do CHEGA e do cabeça de lista do PS de fazer parte de um acordo. Aliás, o João Ruivo veio aqui ao Observador, fez aquele carpool. E no carpool até defendeu uma das coisas mais polêmicas que a câmara fez, uma coisa indefensável, que é uma venda de um terreno à beira da marginal por €300.000 com uma avaliação não atualizada de 2010, no ano 2021, que ninguém percebe porque aquela decisão foi tomada, não há nada de lógico que defenda aquilo, e o líder da concelhia do PS defendeu aquilo. Também acho que foi por isso que ele teve tanta vontade que o Partido Socialista apresentasse um candidato próprio, que era ele, em vez de apoiar uma candidatura independente, que seria a minha. Acho que fica provado que tinha mais viabilidade esta segunda hipótese e dava para criar uma real alternativa para Cascais, e o que eles quiseram foi continuar a gerir tudo mais ou menos na mesma. Mas eu estou aqui para o longo prazo, não tivesse eu nascido em 98.
O longo prazo é o quê? É concorrer novamente nas próximas autárquicas e fazendo até lá qual trabalho? Esse trabalho de denúncia, porque parece que é isso que está aqui a querer fazer, que existe um sistema que consegue vencer eleições.
Sim, eu acho que o que nós provamos, que é positivo, acho difícil encontrar algum outro sítio do país em que, tirando com as candidaturas independentes, em que um partido político tenha puxado o CHEGA a um lugar para trás. Em qualquer eleição, nas últimas eleições que nós temos tido, o CHEGA tem sempre subido na tabela classificativa. E nós em Cascais conseguimos puxar o CHEGA de terceira força política para quarta força política. Obviamente que o CHEGA também cresceu, mas conseguimos conter esse crescimento ao nível da média nacional, e não acima, Cascais costumava estar acima da média nacional. Porque as pessoas, eu acho que procuram alternativas à política como ela está, a um sistema político fechado sobre ele próprio, com pouca capacidade de diálogo com a sociedade civil, e o CHEGA acaba por ser a única que as pessoas veem que rompe claramente, ou pelo menos discursivamente. E nós quisemos oferecer uma alternativa moderada, mas que também rompesse claramente com certas maneiras de fazer política que nós não achamos sérias, nomeadamente esta lógica de priorizar o pelouro na vereação ao cumprimento de um programa eleitoral. Eu não compreendo como é que o Partido Socialista forma uma maioria, permite, através da sua abstenção, que todos os executivos de junta do PSD, apesar de não terem maioria absoluta, sejam só compostos por elementos do PSD e do CDS, portanto, viabiliza todos os executivos de junta, viabiliza uma mesa da assembleia municipal e ainda fica apenas com a vereação das atividades econômicas, que numa câmara não serve pra nada, tem havido muita discussão do licenciamento zero e também é por isso que numa câmara não serve pra nada, e dos fundos europeus. Nem habitação, nem ambiente, os principais temas da campanha não interessam ao PS. O que interessa ao PS, aparentemente, é ter melhores condições. Eu percebo que seja desconfortável, mas de facto para quem não vive da política, como é o meu caso, o que interessa são os valores e fazer essa defesa das nossas ideias que nos trouxeram até aqui, que acho que vamos passar quatro anos a fazer.
Muito bem. E por falar em ideias, vamos para a terceira questão, João Maria. Nós nunca tivemos tantos partidos representados no Parlamento. A pergunta é quantos são neste momento?
Ora bem.
Vamos lá contá-los. Isso eu sabia que ia.
Só se contar alto.
CHEGA, IL, CDS, PSD, PAN, PS, LIVRE, Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português.
Falta aí um.
É, falta um. Aquele pequenino.
Também achava que era algum...
Pela representação parlamentar.
Sim, falta um.
Não, há vários. Bloco de Esquerda.
Pois.
O Bloco já está.
O que é que tem mais representação?
Vamos olhar para fora.
Ah, o JPP.
O JPP. Então são 10. Certíssimo.
Se ainda houvesse Verdes também podiam ser 11.
Exatamente.
Resultava um bocadinho em meias.
Exatamente. São 10, nunca foram tantos. A pergunta é: o cardápio é cada vez maior e depois da rutura com o PSD, com que partido é que mais se identifica?
Ora, podia ser o JPP.
Aquele que não se lembrou, portanto.
Sim. Confesso que me esqueci. Eu ando muito focado em Cascais e esqueci-me dessa.
E é uma coisa nova, é fácil nos esquecermos.
Mas eu por acaso já acompanho há alguns anos o projeto do JPP e acho que o que nós fizemos em Cascais é parecido, que é olhar um bocadinho pra lá das lógicas partidárias normais, ideológicas normais, e querer fazer um bom trabalho pela nossa terra e pelo que interessa à nossa terra.
Esse discurso de olhar com desconfiança para os principais partidos do sistema não é próximo daquilo que faz, de outra forma, claro, o CHEGA.
Claro, mas é isso que eu estou a dizer. Eu acho é que é preciso uma disrupção no sistema que não seja radical. E nós podemos ser contra o sistema partidário como ele existe e como ele está formado, e não ser contra a democracia. O que eu acho que nos separa do CHEGA é isso. É que o CHEGA inclui no sistema, leva o bebé com a água do banho. Inclui no sistema a democracia. Eu acho que a democracia foi a melhor coisa que aconteceu a este país. Portanto, discordo um bocadinho desse discurso dos 50 anos disso e daquilo. Agora, acho que falta muita democracia aos partidos. Acho que ainda falta fazer muita revolução democrática dentro dos partidos, seja nas eleições internas de que falávamos há bocado, seja nos processos de escolha de candidatos. E acho que os partidos, de facto, apresentam candidatos, e Cascais é um exemplo claríssimo disso, que se fossem a votos como eu, ou seja, independentes, só com o nomezinho deles lá escrito, certeza que não tinham metade dos votos que eu tive.
Então vê-se como um político antissistema?
Sistema partidário, como ele funciona neste momento, sim.
Próxima questão.
15 pontos. Isto está na casa de bater os recordes.
Os Carreira.
Os pontos me ajudaram, porque eu não me estava a lembrar, deram-me aqui uma ajudinha.
Sim, mas ficou lá sozinho, dissemos o nome.
Fazemos isso com outros também.
Esta é um cadinho mázinha.
Até liga com o que eu estava a dizer agora de apresentar só o nome.
Qual é o código postal da Quinta da Marinha? 2750, e depois os outros três dígitos.
Só sei o meu. Não faço a menor ideia.
Não mora na Quinta da Marinha?
Não, senhora.
Então quer ajuda?
Onde eu sempre vivi em Cascais foi no centro, a quatro minutos da estação de comboio.
Que sorte. Ao lado do Presidente da República.
Muita sorte não, porque não é na zona histórica, mas eu sei o código postal da minha casa.
Então vou dar-lhe.
Preciso dizer.
Aceitamos ou não? 27-
Não. Vamos dar três hipóteses.
2750, eu sei qual é o meu.
2750. Sim. Não, mas vou dar-lhe três hipóteses. 2750, e agora os três dígitos que faltam: 007, 011, 004. Não dei por ordem. 004, 007 ou 011.
Vou dizer 007 pela graça, não faço a menor ideia.
004 é o código postal da Quinta da Marinha. Fica muito irritado quando o acusam de ser um privilegiado?
Nada. Eu estou sempre a dizer isso. Eu admito com franqueza e frontalidade. E aí honrando um bocadinho a memória do doubly small que estava sempre a dizer isto, acho que os privilegiados são para servir.
Ele que sim morava na Quinta da Marinha.
Ele que sim morava na Quinta da Marinha, ao contrário de mim e de outros. Eu acho que ninguém da minha família mora na Quinta da Marinha. Posso até ir mais longe e dizer assim.
É só um clichê também.
Mas isto para dizer que acho que sim, que sou privilegiado, não tanto por questões financeiras, porque acho que classe média normal, um cadinho alta, mas nada de outro mundo. O que eu acho que eu sou mesmo privilegiado é que tenho uma família que me deu uma educação, uns valores e umas oportunidades ao longo da vida, que me dão a responsabilidade de eu dar de volta à minha comunidade.
E o capital social das famílias, essas redes de contactos não facilitam também que se faça um caminho que se projeta. Isto sem querer retirar o mérito a quem o tem, mas isso facilita.
Claro.
Não é só a questão económica.
Claro. E é por isso que eu digo, eu não sou só privilegiado. Eu sou privilegiado pelas pessoas que conheço, pelo percurso que fiz. As pessoas, para já, costumam achar que a minha tia é minha mãe.
Passa a vida no Twitter a explicar a relação de parentesco.
E achando que a minha tia é minha mãe, eu calculo que se ache que eu tenho determinada facilidade a chegar a certos sítios na política. Nunca ninguém me apresentou ninguém na política, qualquer pessoa que pergunte na política poderá dizer isso, talvez tirando uma ou duas exceções já mais para frente, na minha família. A minha família não é política, nem sequer a minha tia, que as pessoas acham que é minha mãe, gosta de ter uma relação muito próxima com a política, antes pelo contrário. Não sendo assim, eu acho que as pessoas normalmente interpretam como o privilégio é isso. As pessoas apresentaram-me X e Y. Não, mas quando se chega às pessoas e as pessoas conhecem o tio ou conhecem a avó, facilita uma conversa, obviamente. E até não são meus privilégios.
Deixe-me perguntar, e há pouco falava do exemplo de Pinto Balsemão, acha que as nossas elites não têm estado à altura desses privilégios?
Acho que há poucas pessoas com esses valores que a família Balsemão tem, que a família Azevedo tem, de querer dar de volta. Acho que a maioria das pessoas com dinheiro, e não é só em Portugal, e com privilégios sociais, nas últimas décadas se têm afastado da lógica do Carnegie e Rockefellers, de dar de volta à comunidade, pagar museus, perder dinheiro.
Essa não é uma tradição portuguesa.
Já foi mais do que é hoje. Pegando na coisa das ascendências, o Conde Borné dava mais à comunidade de volta do que muitos dos nossos Marques Galinhas desta vida. Acho que há uma maneira de gerir o dinheiro diferente, que é só para ganho próprio. E eu lamento um bocadinho esse egoísmo crescente, mas vê-se cá, vê-se nos Estados Unidos, vê-se em todo lado.
Muito bem, vamos avançar.
15 pontos agora.
Não é tudo ou nada.
Ou ficar com a mesma.
Ou ficar.
Tira a ajuda e acertar.
Qual o primeiro-ministro mais jovem da história da democracia portuguesa e vamos tirar daqui governos provisórios e de iniciativa presidencial.
Qual é o primeiro-ministro mais jovem?
Posso dizer que tinha 46 anos à altura da tomada de posse.
Era bem novinho.
Houve dois com 46 anos.
Um que venceu por meses.
Por meses.
46 anos na altura da tomada de posse.
Eleito?
Eleito, portanto, vição legislativas.
Sim.
Eu sei que o primeiro-ministro é eleito.
Não. Achei que ias localizar no tempo.
Eu vou dizer Sá Carneiro.
Não quer ajuda? Pode pedir uma ajuda.
É Cavaco? Eleito. Eleito facilitou um cadinho, mas é isso.
Ainda são alguns.
No fundo, o Bruno já tinha dito.
Sem iniciativa presidencial.
Iniciativa presidencial ou governos provisórios.
Peça ajuda
Então vamos lá, vamos à ajudinha. José Sócrates, Pedro Passos Coelho ou Aníbal Cavaco Silva?
Vou dizer Cavaco Silva.
Tá certo. Por meses em relação a Pedro Passos Coelho. 17 pontos. Foi com que idade? Eu, por acaso, não tenho aqui. José Sócrates foi com 47 a fazer 48. Vi destes três. O João Maria Jonet tem o sonho de bater este recorde. Já li que os seus amigos diziam que ia ser primeiro-ministro um dia.
Isso é aquela piada que se faz sobre pessoas que falam sobre política numa idade precoce.
O décimo 46 também.
Quem?
O Sá Carneiro. Passos Coelho.
Não, Passos Coelho sim.
Quem é que tu não sabias?
Ainda estou para ver Sá Carneiro.
Sá Carneiro. Mas tem essa ambição?
Não. Eu não acho que se deva estar na política com grandes ambições de lugar. As pessoas têm que estar na política com vontade de fazer coisas.
Mas o cargo de primeiro-ministro é um lugar onde as coisas se podem fazer.
Podem, mas isso é ver a lógica ao contrário, é ver o lugar primeiro e depois o que eu posso fazer com isto depois. Eu envolvi-me na política agora e sempre tive interesse em envolver-me na minha terra, porque acho que podia ter um impacto para transformar um bocadinho, e acho que já tive ao longo da campanha. Acho que o presidente da Câmara já tem adotado, pelo menos discursivamente, muitas das coisas que nós estávamos a defender, seja mais ambição na área da habitação, seja cuidado com os licenciamentos. Há aqui abertura com que eu fico satisfeito. É esse tipo de impacto que eu quero ver. Se eu achar que isso depois faz sentido para o país, mas acho que nesta fase faz zero sentido estar a falar nisso. Eu tenho 27 anos, falta muito tempo.
Ainda tem 19 anos para bater o recorde.
Falta muito tempo para falar dessas coisas e para mim não me faz sentido. Faz-me sentido tentar ser presidente da Câmara de Cascais, que foi o que eu prometi às pessoas que ia fazer. E já nem ia bater este recorde se me tivessem perguntado, eu sabia, o recorde do Francisco Assis, 24 anos eleito presidente da Câmara.
Da Câmara.
Para ser presidente de Câmara, não precisa de um partido. Pode ser independente, mas para outros voos precisa de um partido. Há pouco falou do JPP. Vai fazer o franchise ou pensa fazer o franchise do JPP no continente?
Não sei. Eu acho que os partidos fazem sentido e são importantes para a democracia. Agora precisam de estruturas mais abertas do que têm. Eu durante muito tempo dentro do PSD defendi primárias abertas. Acho que com primárias abertas havia muitas candidaturas que teriam sido diferentes das que foram. Tenho pena que estejam um bocadinho a ser abandonadas ou pelo menos não promovidas. O Livre agora podia ter se calhar promovido mais, neste caso, as presidenciais.
Mas o Livre não se deu bem com a primeira experiência de primárias abertas.
O não se dar bem eu acho que é relativo. O Livre viu representadas a vontade dos seus eleitores e depois os eleitores elegeram uma deputada. Depois, se a estrutura não achou graça, mas eu acho que as estruturas não têm que achar graça, os eleitores é que têm que dizer o que acham. E agora, por exemplo, nas presidenciais acho que nos poupava a todos bastante drama se as áreas políticas fizessem primárias como há, por exemplo, em França. Portanto, eu gostava de pertencer a um partido que tivesse estruturas mais nesse sentido. Não creio que o JPP tenha, mas eu, por acaso, e só pela graça e porque falando da presença do Carlos Carreiras aqui, eu já fui tecnicamente candidato indicado pelo JPP numa candidatura independente em Cascais em 2017, era apoiada pelo PDR e pelo JPP e eu escolhi a coisinha do JPP, o quadradinho do JPP. Portanto, por acaso até já temos uma ligação, eles é que não sabem.
Já é uma história.
Parece que temos aqui uma confirmação. Vamos ao ar. E parece que o mais novo primeiro-ministro foi mesmo o Sá Carneiro.
Pois.
Por isso, 20 pontos. Houve uma contagem de votos em Cascais.
Lá bem que eu estava aqui nervoso.
45.
45. Por acaso, não foi isto que me apareceu. Tenho que consultar as minhas fontes, tenho que escolher melhor as fontes.
45 anos.
Não, foi mesmo uma pesquisa que estava a fazer, mas não fui confirmar, de facto, comparar as idades, a data de nascimento.
Por isso, João Maria Jonet, sai daqui com 20 pontos.
Pronto. Uma vez já passei à frente, esperemos que aconteça mais vezes.
Obrigada por ter aceitado o nosso convite. Bom dia para si. Obrigada, nós também.