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Começa agora mais uma Comissão de Inquérito da Rádio Observador. Hoje a nossa convidada, Rita Nabeiro, administradora do Grupo Nabeiro, e não só, mas já lá vamos. Bem-vinda, Rita. Obrigada por ter aceitado o nosso convite.

Obrigada.

Já bebeu muito café?

Olha.

A piada fácil. Já bebeu muito café hoje?

Eu de manhã tomo logo um balde. Não é bem shot, tem mesmo um balde cheio. Mas bom, tem que ser Delta.

Já está.

Ela bem explicou.

O vinho fica mais para a hora da refeição.

Sim, com moderação. Claro.

Até porque a esta hora convém termos alguma moderação ao falar de bebidas alcoólicas. Vamos lá. A primeira pergunta, eu penso que seja fácil para si: quem foi a primeira mulher a pilotar?

Eu explico estas regras?

Rita, sabe as regras?

Eu acho que sim, mas é sempre importante saber as regras do jogo. Não vão elas ter sido alteradas?

Não foram. Desde ontem que não foram, desde a última vez que ouviu a Comissão de Inquérito. São cinco perguntas, cada resposta certa vale cinco pontos. Se pedir a nossa ajuda e acertar, recebe dois pontos. Se não acertar, não pontua.

Pronto, vai.

É isso.

Vamos aos cinco pontos?

Sim.

Quem foi a primeira mulher a pilotar sozinha um avião pelo Oceano Atlântico?

Ui, confesso que não sei.

Há um filme.

Ah, tem um filme.

Sabe?

De repente, não me vem o nome. Eu preciso da ajuda do público, claro.

Então vamos lá.

Desculpa, não sou tanto da aviação.

Vamos lá.

Apesar de gostar de voar.

Buzz Lightyear, Valentina Tereshkova ou Amelia Earhart.

Amelia, acho que é. Ok.

Sim.

É superfácil.

Facílima.

Está sempre na ponta da língua a esta hora.

O Buzz Lightyear.

Era mesmo aqui para ficar na dúvida. A Rita também é a mulher à frente de um nome forte como o Grupo Nabeiro, de que faz parte a Adega Mayor. Se pudesse transformar um dos vinhos da Adega Mayor numa pessoa, quem seria?

Esta eu não tenho a menor ideia.

Esta é mais complicada.

Um vinho.

Mas que raio de pergunta. Quer dizer, eu acho que mais do que tudo era o Aladino, que era uma poção mágica, ou tipo o Obélix, que tomava a poção mágica e agora está aí, porque lançaram agora o livro do Asterix na Lusitânia. Mas a poção mágica, neste caso, se calhar transformava no Asterix e tentava derrotar todos os maus que andam por aí. Muita gente com muito mau fígado neste mundo, ultimamente, e eu acho que se calhar precisávamos agora de um Asterix na Lusitânia e pelo mundo inteiro.

Rita, mas sente-se mais o peso do apelido Nabeiro ou há a vontade de o reinventar, respeitando, claro, o legado do seu avô?

Acho que as duas coisas. Há um enorme respeito por tudo aquilo que o meu avô construiu, pela forma como ele trabalhava, como ele era, sobretudo, mais do que trabalhar, eu acho que era um ser muito completo. Mas obviamente, também sou um indivíduo. Também tenho as minhas ambições, a minha forma de estar e, por isso, naquilo que são os valores, eu gosto de preservar, que era uns excelentes valores. Tenho outras dimensões, que se calhar sou mais jovem, nasci numa outra época, com outros privilégios, não vamos negar isso.

E com outras ferramentas também.

E com outras ferramentas, com a ferramenta criatividade, que eu sou uma pessoa mais criativa dentro da minha formação, e por isso, pôr isso ao serviço. Eu acho que os princípios mantêm-se de alguma maneira. Claro que ele é insubstituível, mas eu acho que cada pessoa tem também o seu próprio caráter, a sua personalidade, e é isso que também a distingue. Também viemos aqui a este mundo com alguma razão, eu acredito nisso. E é também essa a minha missão enquanto ser humano.

Muito bem, seguimos para a segunda questão. Vamos continuar a falar de vinho. E a pergunta é: Rita Nabeiro, qual é o principal mercado de exportação do vinho português?

É pergunta para inquérito ou não?

Esta é. Esta é para pontuação.

Cinco pontos.

Eu creio que são os Estados Unidos. Não, espera aí, agora estou na dúvida, porque eu agora não tenho dados recentes.

Quer ajuda?

Estou aqui na dúvida. Tenho aqui dois que eu tenho a certeza que... França?

Está certo.

Por causa do vinho do Porto.

Exatamente, aos dados da Wine in Portugal, referente ao primeiro semestre este ano. Os Estados Unidos aparecem logo a seguir.

É que é um contrassenso, sendo França um país produtor e que consome muito vinho, mas de facto, o vinho do Porto tem um grande peso nas exportações.

É sobretudo vinho do Porto. De qualquer maneira, os vinhos de mesa, acaba de dizer, de facto, que parece um contrassenso exportarmos para um país que é muito conhecido também pelos seus vinhos. O nosso vinho de mesa é competitivo. E sim, é pela qualidade ou pelo preço, essencialmente.

Eu acho que nós somos competitivos pela qualidade e pelo preço, efetivamente, mas também a minha opinião é que temos que saber valorizar os nossos produtos, porque produzir vinho é caro. É um produto que vem da terra, produção agrícola. Estamos cada vez mais expostos a alterações climáticas, por isso a produção é cada vez mais irregular e mais errática. Por isso, se nós tivermos cuidado a trabalhar marca, como em tudo, marca Portugal, estamos a acrescentar valor. E não é só valor, porque enquanto pequenas marcas, nós não produzimos muito. Temos marcas pequenas de forma genérica.

Está falando do nosso país.

Nosso país. E no setor do vinho, em particular, temos muitos produtores. São cerca de mais de mil produtores. Se formos falar de marcas, são mais de 10 mil marcas. Creio que não tenho aqui os dados bem atualizados, mas da última vez que os consultei era mais à volta disto. Dez mil é um mercado muito fragmentado E quando vamos para exportação, não trabalhamos muito esse valor e isto de forma tão concertada. Muita coisa melhorou, é certo, e hoje em dia com o turismo, muitas pessoas que vêm a Portugal depois levam para os seus países de volta a qualidade dos vinhos portugueses. Mas o valor é importante, não só vender barato, mas sobretudo vender bem.

Com qualidade. As tarifas americanas aplicadas ao setor de vinhos são de 15%. Nota-se de alguma forma isso no negócio?

Felizmente, não alteraram muito face ao que já era. Por isso, creio que não está a ter, pelo menos, um impacto assim tão significativo. Claro que tem, porque criou muita disrupção, pessoas que venderam antes, para antes das tarifas entrarem em vigor e ainda no ano passado, pois este ano a coisa está um pouco mais incerta. E claro que isto foi um pouco a nível global. Lançou aqui um bocado o caos, este presidente, há mais ou menos um ano. Foi em novembro do ano passado e este ano foi realmente um furacão de vários acontecimentos.

Próxima questão?

Sim, vamos avançar para a terceira. Vamos ver se chega aos 12 com esta. Esta tem a ver com o cinema. No filme "O Padrinho", como se chama o filho que se torna chefe da família com a morte de Don Vito Corleone?

A Rita está a pensar: "Eu não vim aqui para isto". Não, é que eu não tenho uma má memória cinematográfica, mas por acaso já vi o filme aí nesse tempo.

É personagem de Al Pacino.

Exato.

Já não me lembro.

Uma ajuda, então. Então é Sony, Fredo ou Michael?

É o Sony. Alfredo. Mais? Só falta um?

Só falta um.

A terceira eu estava a enganar-vos. Na verdade, eu sabia a resposta. Claro. Qual é, Rita? É o Michael.

É o Michael, à primeira.

Rita, as sucessões nas empresas familiares são mais complicadas?

Elas têm que ser trabalhadas, porque pensem assim, não estou a falar só no caso da nossa, e que tivemos a sorte de ter um fundador fantástico e inspirador, que nos dá vontade de ir trabalhar com ele. Mas é o grande desafio das empresas familiares e por isso é que muitas nem sequer chegam à segunda geração, e então muito menos à terceira, que ainda é o desafio. Por quê? Porque o fundador monta uma empresa, e se as pessoas não estiverem alinhadas, querem seguir a sua vida, até pode ser um pequeno negócio, pode ser só um restaurante, que até é um restaurante ótimo, mas se os filhos não quiserem trabalhar lá, deixa de ser uma empresa familiar. Pode continuar a ser uma empresa, mas deixa de ser familiar. E depois, obviamente, depende da dimensão da família. Isto depois também são os outros desafios, de dimensão da família.

É preciso gerir várias sensibilidades.

Ou seja, mesmo que a segunda ou terceira geração queira estar no negócio, e é importante haver regras, por isso é que existem os protocolos familiares, é muito importante, mas depois há o bom senso. E common sense is not so common.

Na semana passada, ouvimos no elogio fúnebre do filho Francisco Pinto Balsemão ao pai, dizer que cresceu, e os seus irmãos cresceram, com a ideia de privilégio e também de responsabilidade. Rita, como membro da família Nabairo, cresceu com essa ideia de privilégio acompanhada de responsabilidade?

Sim, eu conheço bem o Francisco e senti, e aliás, trocamos uma mensagem e sentimos, de facto, que tínhamos passado um pouco pelo mesmo. Porque são duas figuras carismáticas, muito queridas e também com esse sentido de responsabilidade e de serviço ao nosso país. Eu acredito que o meu avô também tinha esse serviço.

E era reconhecido.

E era reconhecido. E sempre nos educou dessa forma. Agora, também há uma parte que depende de nós próprios, independentemente da educação que recebemos. E eu acredito que quer o Francisco Balsemão, pai e filho, tiveram essa forma de estar. E eu acredito que de trabalhar, porque muitas vezes nós poderíamos dizer: "Não quero trabalhar, não quero fazer nada, ou quero viver dos rendimentos". Acho que nunca foi essa a postura, antes pelo contrário. O que é que nós podemos acrescentar, de que forma é que podemos fazer as coisas evoluir. Claro que há desafios, porque as empresas depois crescem, o contexto muda, temos que nos adaptar. Não somos, de facto, o fundador, nunca seremos, mas o que é que podemos acrescentar? E sobretudo, temos equipas ao nosso lado e que se mantivermos esses princípios, esses valores. Eu acho que há uma palavra que definia muito bem o meu avô, que era alegria, essa energia. Então temos as pessoas conosco, e não só, estou a simplificar, mas é também assim que se constrói e que se mantém uma empresa familiar. Tendo sustentabilidade financeira, que é sempre também um ponto importante.

As empresas familiares são das mais estudadas em todo o mundo, porque têm características muito próprias e desafios próprios. E um deles é precisamente essa compatibilidade entre a família e a gestão profissional. Vocês têm isso já resolvido no Grupo Nabairo.

Isto nunca é uma coisa que se resolve e está feito. É um trabalho. É o melhor dos momentos para a família. Por exemplo, quando eu digo o common sense, o senso comum não é assim tão comum. Tem que haver respeito. Eu posso pôr a palavra que é uma palavra O fofinho é o amor, porque tem que haver esses laços que nos unem ainda antes da empresa. Pode até ser uma empresa, se não for familiar, tudo bem. Mas mesmo numa empresa que não é familiar, é importante que as pessoas respeitem, que gostem do sítio onde estão a trabalhar, que venham felizes e motivadas. Mas acontece que um conflito fora da empresa pode influenciar algo dentro, estou a falar genericamente, dentro da empresa, e vice-versa. Por isso, este equilíbrio e das pessoas saberem comunicar, saberem falar, saberem se respeitar e respeitar as diferenças, é fundamental. E saber que há uns que querem trabalhar na empresa, ótimo, mas têm que passar por um determinado processo e quem não quer também poderá não ter que o fazer. E está tudo bem também. E se conseguirmos ver esse respeito e esse nutrir de laços, o resto acontece de forma muito mais fácil.

É um processo. É sempre um processo. Vamos para mais uma pergunta, é da atualidade. Já viu nas notícias, de certeza. Como é que se chama o furacão que tem andado pelas Caraíbas, já passou.

Era o Melissa, é qualquer coisa assim.

É isso!

É isso mesmo.

Faz de conta que não sabe e sabe mesmo. Rita Aníbal agora também está a liderar o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável e estamos a assistir a fenômenos climáticos extremos cada vez mais frequentes. E também temos outros elementos disruptores, liderar politicamente alguns países, mudando muito contexto. Que papel é que as empresas devem ter nestas circunstâncias?

De facto, as empresas têm um papel, neste momento, fundamental. As empresas e os seus líderes, ou líderes em global, mas acredito que muita da vontade das empresas advém também da visão do líder. Mas também foi necessário criar algum tipo de protocolos e acordos para acelerar esta mudança. E a verdade é que se nada disso tivesse sido feito, se calhar estaríamos hoje bem pior. O Acordo de Paris e hoje em dia o European Green Deal, que também mais recentemente em 2019 foi criado, para acelerar a transição, porque a verdade é que nós sabemos como funcionamos. Nós, seres humanos, se não tivermos um deadline, uma meta, deixamos as coisas arrastar. As empresas têm capacidade de influência, capacidade para inovação, capacidade de mobilização e é isso que também nós no BCSD tentamos fazer. O BCSD é esta sigla, que às vezes é difícil de pronunciar, Business Council for Sustainable Development, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. Neste caso é o BCSD Portugal. Existe um World BCSD. E o que nós tentamos fazer é dar suporte dentro das nossas empresas associadas a todas as empresas, sejam elas grandes, temos grandes empresas, temos médias e temos pequenas empresas e até micro, e damos-lhes as ferramentas, damos formação, suporte técnico, inspiração, uma comunidade em que as pessoas possam partilhar. E muitas vezes a mobilização começa porque estamos a ver o que os outros estão a fazer, que estão a fazer bem, eu acho que é uma inspiração pela positiva, e também queremos fazer assim, também queremos evoluir. E tem sido esta rede, que neste caso em Portugal já foi fundada há 24 anos, vamos fazer para o ano 25 anos, vai ser um marco importante. Por isso, o BCSD já estava a falar disto e já estava a trabalhar em sustentabilidade há quase 25 anos atrás.

Pois, há 25 anos. Tema algum retrocesso nestas questões? Por questões políticas, econômicas. Já falou de Trump, pode ser aqui um elemento que tenha dado início ao processo, mas havia resistência a alguma adaptação.

Claro, porque eu acho que o importante é que as pessoas não percebem bem o que é que está aqui em causa. É que nós se aumentarmos a temperatura global com a emissão de gases de estufa para a atmosfera, e estamos a ver, há um conjunto de fenômenos que depois se precipitam, seja do ponto de vista de furacões, seja de incêndios, seja de secas prolongadas e mais intensas, as cheias. E ainda há poucos dias não era tão comum, nós temos tantas vezes cheias nas cidades. Não podemos criticar as autarquias, mas a verdade é que estão a ser cada vez mais frequentes esses eventos climáticos. Temos que apostar na descarbonização, ou seja, remoção, termos fontes de energia mais verde, tentarmos reduzir a nossa pegada a vários níveis e também restaurar a biodiversidade, que está a perder-se a um ritmo alucinante. Este ano também partiu uma pessoa muito inspiradora, Jane Goodall, uma ativista e humanista, que estava em defesa do que é o capital natural. E por que isto é importante? Muitas vezes nós vivemos nas cidades, mas de facto, tudo aquilo que nós consumimos, tudo onde nós estamos, é retirado à natureza. É retirado no sentido de é transformado. Ora, nós não temos aqui, como se costuma dizer, não há o tal planeta B, mas tem a ver com se nós não formos repondo, se não regenerarmos, há um limite. Não podemos tirar e esperar que o planeta se autor regenere. Ele até poderá se autorregenerar. A questão é que se os fenômenos forem tão extremos, a nossa sustentabilidade enquanto espécie é que está mais em causa, isso tudo para as futuras gerações. Mas a velocidade ainda hoje estava a ver este furacão, de facto, foi cada vez mais intenso, cada vez mais rápido. E eu viajo muito e faço as minhas viagens, tenho muito contato com a natureza. Este ano já fui até à Gronelândia, que o Trump queria comprar. E de facto vi e ouvi pessoas a falarem dos impactos do degelo e o que isso significa nas correntes marítimas. Ou seja, está tudo ligado, mesmo porque a gente muitas vezes vive o nosso dia a dia e depois não percebemos porque que o preço do azeite às vezes está muito mais caro no supermercado, mas tem a ver com isso também Porque é uma quebra de produção, mas às vezes é importante explicar às pessoas.

Muito bem, 14 pontos. E vamos para a última.

Vamos para os 19. Esta é mesmo muito cara. Tem obrigação. Esta nem vai hesitar.

Vocês dizem sempre isso, já me viram, não me enganam outra vez.

Mas quero ouvir.

É para só pôr pressão ainda um pouquinho mais em cima.

Não. Como se chamam as festas que enfeitam as ruas de Campo Maior, Rita?

Isso é muito difícil.

É difícil.

São as Festas do Povo, Festas das Flores de Campo Maior.

Festas das Flores, Festas do Povo, também vi aqui referência às Festas dos Artistas.

Também. De facto, é uma festa dos artistas.

Exato, e é Patrimônio Imaterial da Humanidade, da UNESCO. Campo Maior é um local absolutamente improvável para um negócio de café. Nunca tiveram a tentação de sair de lá. E agora, peço-lhe um pouco a memória também do seu avô, nomeadamente.

Não é assim tão improvável, porque temos que recuar aos anos 30, 40, que foi quando mais ou menos o meu avô também nasceu e quando começa a trabalhar, até curtiu, porque havia a Guerra Civil em Espanha e havia muito contrabando.

Contrabando naquela zona da raia.

Perto da fronteira.

E o café era um bem apreciado e valorizado, por isso lá ia o tio do meu avô, com quem ele aprendeu a arte de torrar café, e também o pai, na altura, ele perdeu o pai muito cedo, e o meu próprio avô fazendo esse contrabando. Mas é incrível, porque de facto não é só a nossa marca. Há um conjunto de marcas que são de Campo Maior e têm ainda muito que ver com isso. Claro que depois a Delta impulsionou esse trabalho, mas tem muito que ver com essas raízes históricas do contrabando e depois mais tarde. Claro que meu avô tinha essa premissa de era a sua terra e que ia investir lá. E depois dizia-nos uma coisa: "Nós não estamos no interior de Portugal, estamos no centro da Península Ibérica".

É outra forma de olhar para o mapa. De qualquer maneira, nós sabemos a conversa que há em Portugal sobre os custos na interioridade. Sentem esse custo de alguma maneira? Sentem que pagam o custo por essa teimosia de ficar em Campo Maior, se quiser.

Não. Já é o nosso default e tem outras vantagens, mas eu acho que o custo, e aí falando de uma forma mais genérica, tem que ver com acessibilidade e, sobretudo, nas questões de saúde, nas questões de educação. Uma pessoa que vive no litoral, e se formos a ver, a maior parte dos linhares de saúde estão concentradas na zona do litoral, se houver alguma situação mais grave de apoio, a deslocação e o tempo de deslocação às vezes é crítico. Educação de qualidade, esse tipo de aspetos, muitas vezes o investimento não é tão grande. E obviamente, isso leva a que haja mais dificuldade em atrair e, sobretudo, reter pessoas e talento. E esse eu acho que hoje em dia é um dos desafios. E obviamente, nas áreas agrícolas, também começa a haver uma dificuldade para um setor mais a nível de trabalhadores e de conseguir recrutar pessoas, também há essa dificuldade. Agora, claro que temos uma marca forte e que ainda consegue atrair, mas precisávamos de mais marcas e precisávamos de mais empresas, e não só. Cultura também é fundamental, porque uma sociedade que não tem essa dinâmica também perde outras valências. E está tudo uma vez mais integrado. Acreditamos que é também a nossa casa, e ali também somos mais diferentes. Porque se fôssemos se calhar uma empresa em Lisboa, foi isso que nos ajudou também a fazer a diferença. E as pessoas reconhecem isso e por isso também acabam por confiar na nossa marca.

Rita Navarro, nós gostamos muito de a atrair para a Comissão de Inquérito.

Eu também gostei muito. Afinal, não foi assim tão terrível. Comissão de Inquérito é logo assustador.

Obrigada. Foi um desafio e um prazer. Obrigada.

Obrigado