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E começa agora a comissão de inquérito das manhãs 360. Hoje a nossa convidada é a Terzinha Landeiro, fadista, compositora, e que hoje vem cantar também o hino nacional.
Muito bem.
Fica mais para o fim.
Bem-vinda. É uma estreia.
Bom dia.
Obrigada. Bom dia, tudo bem.
Terzinha, sabes como é que isto funciona?
Infelizmente, sei.
São cinco perguntas. Cada pergunta certa, bem respondida, vale cinco pontos. Se acertares e tiveres a nossa ajuda, são dois pontos.
Ok.
E se errares, recebes um buuu! Estou a brincar. Nós não somos assim tão maus. Bem, vamos começar aqui pela atualidade. Portugal hoje joga contra o Uzbequistão. Qual é a capital deste país?
Ui! Pois. Já me tramaste. Pois.
Eu também não saberia.
Vamos a hipótese de resposta. Karshi, Tashkent ou Bukhara.
Bukhara. Vamos só dar uma pista. Sim. É aquela que parece mais improvável.
É aquela que parece inventada.
Tashkent. Acertou em?
Certo, dois pontos para começar.
Não fazes ideia.
Nós estávamos a brincar com isto aqui à manhã.
O meu pai esta hora deve estar furioso. "Como é que ela não sabe?"
O Uzbequistão.
O meu pai sabe as capitais todas de todo o lado.
Sim, são coisas que uma pessoa sabe aos 10 anos.
Eu sabia todas da Europa, porque meu pai obrigou, mas hoje em dia já não sei outra vez.
Isso são países que têm 20, 30 anos. Já valeu alguma coisa vires aqui hoje.
Uzbequistão, não sei o quê tudo. Tashkent. Nunca mais esqueço.
Tashkent, mas existe agora arrefecimento noturno.
Nunca mais esqueço.
Terzinha, tu já cantaste em muitos palcos pelo mundo, nomeadamente na Ásia. Puseste na China muitos a cantar português. O que te emociona mais no concerto? Um concerto em Portugal com o público que te conhece e sabe ler e interpretar as tuas letras, ou essa vulnerabilidade de um povo que não te conhece, mas que se entrega de corpo e alma àquilo que está a ouvir, neste caso, ao fado?
O que mais me emociona é perceber que não percebem nada do que nós estamos a dizer, e ficarem extremamente emocionados ou atentos, pelo menos. Porque eu já vi alguns concertos de línguas que eu não entendo, e é difícil nós mantermo-nos ligados a seguir o concerto inteiro sem perceber o que está a acontecer. Às vezes não estamos a perceber nada do que está a acontecer. Podemos estar impressionados, mas não percebemos muito bem do que se está a falar. E eu acho isso extraordinário. Então, na China, que é uma cultura tão distante da nossa, a música é completamente diferente, porque até no meu concerto, depois houve ópera chinesa e é uma coisa completamente distante daquilo que nós estamos habituados a ouvir. Portanto, é curioso ver a atenção que eles tiveram durante o espetáculo, ter conseguido pô-los a cantar em português, para mim foi mágico. O que eles cantaram? É uma música minha que eu ensinei. Ou seja, eu faço isto em quase todos os países. Na Turquia, todos eles cantaram. E eu ensino só duas ou três palavrinhas e as pessoas repetem. Depois é que repetem tantas vezes que eu acho que já fica a sonoridade no ouvido e as pessoas conseguem repetir. Mas é engraçado, podiam dizer: "Agora vou estar aqui a cantar, que chatice".
Claro, as pessoas participam.
Sim, participam e é muito interessante mesmo, muito engraçado.
Muito bem, dois pontos já está.
Dois pontos.
Muita ajuda.
E agora eu acho que esta é um bocadinho mais fácil. Em que ano Portugal ganhou o Festival da Eurovisão?
2017.
Muito bem, cinco pontos.
Eu sei porque eu vibrei nesse ano.
Todos nós vibramos um bocadinho, andávamos há anos para ter essa conquista.
E eu sou completamente fã do Salvador.
E o Salvador Sobral, na altura, foi recebido como um herói no aeroporto.
Sim, em braços quase.
É verdade, houve uma grande emoção.
E foi depois do Euro.
Pois foi.
Exatamente, um ano depois do Euro, portanto estava tudo a correr-nos muito bem. Na altura, houve de facto essa euforia nacional à volta desta conquista de Salvador Sobral, mas, regra geral, isso raramente acontece com a cultura. Normalmente esse gênero de reação é reservada para o futebol. Damos demasiada importância ao futebol, demasiado tempo ao futebol, em comparação com a cultura, com a música, com outras atividades.
Eu não gosto muito de retirar aos outros aquilo que eles já conquistaram. Ou seja, se damos atenção ao futebol, damos. Eu acho é que podíamos dar mais atenção ao resto. E a cultura, eu noto muitas vezes, de norte a sul de Portugal, que os auditórios podiam primeiro estar com mais programação, mais dinâmicos, para habituar as pessoas a ter concertos com regularidade, e não ser só aquela festa de verão quando vamos grandes nomes. Porque há muitos equipamentos no país. Há imensos auditórios e bons. Mas estamos numa fase em que temos esses equipamentos. Há muitos auditórios, e bons. Às vezes faltam as luzes ou o som, mas são bons os auditórios, têm muito espaço, têm capacidade, e eu acho que podia programar-se mais nesse sentido, para garantirmos que a cultura chega a todo lado, ao interior, ao norte, ao sul, ao litoral, a todo lado, e que as câmaras tivessem mais programação, seria incrível. Mas isso também se ganha através das televisões e das rádios, etc., fomentar isto. Se bem que eu à rádio costumo ouvir muitas vezes falar do meu trabalho, portanto, não tenho nada a dizer sobre isso. Mas acho que sim, acho que se déssemos um bocadinho mais de atenção à cultura.
Mesmo na questão dos concertos noutros países, era necessário um maior apoio, porque estamos a falar da divulgação da cultura portuguesa, aquele exemplo que estavas a dar de pessoas na Turquia ou na China a cantarem em português, obviamente não tem o impacto ou alcance mediático que tem um campeonato do mundo de futebol em termos de divulgação do país, mas trata-se da projeção da imagem do país no estrangeiro.
Ainda agora eu estive no dia 10 de junho na Croácia, fui cantar a Zagreb, a convite da embaixada e do Instituto Camões, e estavam bastantes representantes de outros países, vários embaixadores de países diferentes, e ficaram muito emocionados com o fado E não era género.
E não estavam só a ser simpáticos.
Não, eu percebi que havia ali realmente uma emoção forte. E a Croácia e aqueles países todos ali à volta são culturalmente muito desenvolvidos e estão dispostos a ouvir música. Não interessa bem que estilo de música, querem ouvir música, querem descobrir música e isso pra mim é muito cativante, cantar ali. Por exemplo, os polacos aprendem português pra perceber o fado. Desde miúda que eu vou cantar às casas de fado e que tenho polacos a ir às casas de fado, que depois voltavam lá passado dois anos, três anos, quatro anos. E que é engraçado que alguns deles foram acompanhando o meu crescimento, porque diziam: "Ah, conheci-a com 14 anos, agora já tem 16", depois já tinha 20. E aprendem português para perceber as letras. Eu acho isto mágico. Nós conseguirmos que algum povo aprenda a nossa língua pra entender as nossas canções, seja fado, seja o que for. Eu acho isto mágico, eu acho isto maravilhoso.
Ou pra ler um escritor no original.
Exatamente, também acontece bastante.
Muito bem, vamos para a questão.
Está a correr bem o sete bom?
E vamos agora falar precisamente de fado. E a pergunta é esta: em que década morreu Amália Rodrigues?
Amália Rodrigues morreu, eu tenho ideia que foi no ano em que eu nasci. Se não foi em 96, foi em 97. Não, ela morreu já era 2000?
Estamos a pedir a década.
A década. Portanto, não vamos complicar.
Ok. Década de 90.
Certo. Foi no final mesmo.
Eu sei que eu tinha um ano ou dois quando ela morreu.
Foi a 6 de outubro de 99. Se bem que a mudança de década também não é pacífico saber se começou em 2000 ou 2001.
2000 ainda é década de 90.
É 90 ainda, mas em 99 o problema não se coloca. Em 99 estamos bem.
Aí não há dúvidas.
Eu tinha ideia que era, eu tinha um, depois tinha dois anos.
Sim, mas foi 99, década de 90, e Amália Rodrigues é o símbolo maior de fado. Como é que se traz gente nova para ouvir fado? Gente da geração da Trazinha?
Boa pergunta. Eu não sei muito bem a resposta a essa pergunta, porque eu própria não sei porque raio é que eu me apaixonei pelo fado. Tinha 11 anos quando ouvi pela primeira vez e achei isto lindo.
Portanto, não ouvias em casa, não era propriamente a música que se passasse em casa.
Não, os meus pais não ouviam em casa. E houve uma amiga da minha mãe que me disse: "Olha, devias ouvir fado porque acho que tens voz pra cantar fado". E eu comecei a ouvir em casa e pensei: "Que lindo, vou fazer isto pro resto da minha vida".
E a ouvir o quê? Amália Rodrigues?
A Maria Teresa de Noronha e a Ana Moura. Pra mim, na altura, foi mais fácil a Ana Moura. Por quê? Porque tinha letras mais atuais.
Já é uma nova roupagem.
Sim, e mesmo as letras eram mais atuais, eu percebia melhor as letras, não tinha aqueles termos mais distantes, que eu às vezes tinha que, até já mais crescida, ia pesquisar nos dicionários pra perceber o que era uma tipóia, palavras que eu não fazia ideia o que queriam dizer. Então eu hoje em dia acho que aparecem menos pessoas da minha idade. Quando eu apareci, ou seja, eu apareci com 12 anos e eu agora não vejo miúdos de 12 anos a cantar fado, isso não acontece.
Mas também o teu aparecimento foi precoce pra média, não é?
Mais ou menos, porque já na minha geração havia algumas pessoas a aparecer. Talvez não nas casas de fado, mas nas coletividades. Em Chelas, havia umas escolas de fado, em Marvila, não sei quê. Havia assim umas escolas de fado e iam aparecendo alguns jovens. Eu não vejo isso acontecer agora, porque eu acho que também há os "The Voices" e os miúdos preferem começar por ali em vez, se calar, de ir a uma casa de fados. Porque é mais apelativo, é mais interessante.
Mas até mesmo nesses concursos não vemos tanto ou ouvimos tanto o fado.
E ouvia-se, até há uns tempos até aparecia, e agora acho que aparece menos. Mas eu acho que será talvez através de atualização de letras.
E a própria sonoridade.
Sim.
Tem havido inovação.
Tem.
Falaste da Ana Moura, que veio introduzir uma série de inovações acústicas e de instrumentos que não eram utilizados no fado.
E no fundo, com essas fusões musicais, abrimos a porta ao fado. Ou seja, se calhar alguém que ouviu essa fusão ou que ouviu essa sonoridade ficou curioso e foi ouvir outro fadista e de repente percebeu: "Olha, afinal eu até gosto disto", ou qualquer coisa assim.
E os próprios fadistas também entram noutros estilos musicais.
Sim, nós pomos um pezinho aqui, um pezinho ali.
Mas isso ainda cria polêmica. Ainda existem aquelas correntes, uma mais tradicionalista, mais purista, e outra que arrisca mais e quer também incorporar essas inovações.
Eu acho que há de tudo ainda. E estás a falar com uma pessoa que até sou bastante purista, no sentido em que quando me perguntam: "O que tu achas que é inovar o fado?" Eu digo sempre: pra mim, inovação no fado é através das novas letras, palavras novas e atuais, e através da criação de novos fados tradicionais ou novos fados musicados, respeitando a linguagem de construção. E depois, o que eu acho quando nós, por exemplo, convidamos no meu último disco, do "Será que descobres a poesia", eu tenho um tema com vibrafone. Eu não acho que isso vai entrar no ADN do fado. Eu não acredito que o fado vá passar a ser cantado com vibrafone. É só uma viagem musical que me apeteceu fazer. Portanto, eu quando digo inovação, eu acho que isto não é uma inovação, porque eu acho que não vai entrar no ADN. Eu acho que é apenas uma viagem musical, como tantas outras, como a Ana Moura já fez, como a Carminho já fez, como a Raquel Tavares já fez, como a Sara Correia está a fazer. Portanto, todos nós vamos fazendo estas viagens com vontade de experimentar outras coisas, porque nós somos artistas. Além de sermos fadistas, somos artistas que se ligam com outros.
E há quem torça o nariz ou não a essas...?
Eu acho que sim. Eu acho que talvez os fadistas mais antigos pensem: "O que esta gente moderna anda a fazer?"
A própria Amália Rodrigues foi muito criticada.
E todos fizeram. A verdade é que podem criticar, mas todos fizeram. Não há uma fadista que não tenha feito o fado pop, o fado com orquestra, o fado com banda. Tudo foi feito já. Nós não estamos a inventar rigorosamente nada. Tudo já foi feito.
Muito bem.
12 pontos para Trazinha Landeiro.
Já não vou a zeros.
Sim, já vais muito bem. Tu és uma pessoa que liga futebol?
Adoro.
Ok. Então acho que esta é fácil. Trazinha Landeiro, quem é o melhor marcador de sempre do futebol na história das seleções masculinas?
Que marcou mais gols ao serviço da sua seleção.
Exatamente.
Eu gostava que fosse o Ronaldo.
Então.
Portanto, é isso que eu vou dizer. Eu estava a ver se seria ele ou sei lá, mais antigo, tipo Maradona.
Não. O Bruno é que é o especialista nisto tudo, dos números.
Não, são 143 gols, líder destacado.
Mas eu ontem estava a ver alguma coisa do Messi.
Em mundiais.
Mundiais. Ok.
Nessa competição. A grande discussão destes últimos dias tem sido a inclusão ou não e a gestão do tempo de Cristiano Ronaldo na seleção nacional.
Oh, meu Deus!
Qual é a tua opinião sobre isso?
Exato, o que é que pensas do mundial?
Não, mas queria saber a tua opinião sobre isto, se achas que Portugal, ou em Portugal, somos demasiado ingratos com Cristiano Ronaldo, ou se está na altura em que se calhar era necessário passar aqui o testemunho.
Ui, isto é muito polémico.
Dar lugar aos mais novos. Atenção com o que tu dizes.
Falar de futebol é muito polémico.
Qual inovação no fado qualquer?
Vamos lá ver. Eu era a pessoa que quando tinha 10 anos, 11 anos, 12 anos, eu tinha o Cristiano Ronaldo colado na porta do quarto. O Cristiano Ronaldo e tinha o Nadal, que eram os meus favoritos. Sempre gostei muito de desporto.
Com características muito similares os dois, naquela combatividade.
Eu adorava os dois, eram os meus favoritos. Eu tinha-os em tronco na porta do quarto. A minha mãe passava, porque aquilo a fita cola arrancava o verniz da porta e ela dizia: "Estás sempre a estragar as portas!" Quanto ao Ronaldo, eu acho que temos que ser muito gratos. Na verdade, vamos ver, eu estive no Vietname, perguntavam-me onde é que eu estava, dizia Portugal, "Cristiano Ronaldo!" Em todo lado que eu vou, Cristiano Ronaldo. Portanto, temos que lhe agradecer e acho que ele é importante na equipa. Eu acho que ele cria medo no adversário. De repente, as outras equipas jogam de outra maneira, porque têm que defender mais o Cristiano Ronaldo, portanto, destabiliza a outra equipa. Mas eu acho que é como qualquer outro jogador, se não estiver a correr bem, acho que é ok, acho eu que é ok, substituir. Não sei. É a minha opinião.
Mas não é fácil substituir o Ronaldo.
Acho muito difícil. Acho difícil porque ainda por cima sabemos que talvez seja um dos últimos mundiais e então acho que ninguém quer perder a oportunidade de o ver jogar por uma última vez.
E por outro lado, queremos lhe dar a vitória, entre aspas.
É isso, dar-lhe essa alegria, por mim, tudo bem.
Noutro dia ouvi um comentário de um antigo internacional francês, o Patrick Vieira, e ele dizia precisamente isso, como é que substituis um jogador que toda a vida foi titular e nunca viveu uma situação dessas. Não é fácil.
Não, é difícil. E eu acredito que pra um jogador, e eu penso enquanto artista, no dia que se calhar a minha voz não esteja tão bem e eu tenha que me retirar, vai ser difícil tomar essa decisão, porque é uma coisa que eu faço desde miúda e que o Ronaldo faz desde que nasceu, é jogar à bola. Portanto, eu acredito que seja difícil, de repente, nós olharmos e pensarmos: "Ai, será que está na minha altura? Será que agora tenho que me retirar?"
Era o mesmo que dizer à Amália Rodrigues: "Agora vais fazer a primeira parte".
E foi horrível, e foi dificílimo o final dela. Essa gestão não foi fácil, a parte emocional dela.
Saber sair a tempo nem sempre é fácil.
Eu adorei ver o documentário que houve do Nadal, porque fala exatamente sobre isso, é muito centrado nisso. E perceber que, primeiro, ele jogou a vida toda cheio de dores, portanto a resiliência que ele teve durante estes 20 e tal anos de jogos. E depois perceber que "Ok, eu já não estou bem".
Já não dá.
Já não consigo mais. Mas não estou a dizer que o Ronaldo tem que se retirar. Não é isso que eu estou a dizer. Estou a dizer é, sei lá, se calhar, às vezes, deixá-lo jogar, obviamente, ele tem que estar lá. Eu acho mesmo que ele é essencial na equipa, porque destabiliza a outra equipa, nem que seja por isso. E porque eu acredito que ele vai ter um rasgo de genialidade e vai marcar. Eu quero acreditar que hoje-
Pode ser que seja hoje
...eu quero acreditar que hoje, nem que seja por estar picado pelo Messi.
Claro, o Messi já vai lançado com cinco gols.
Mas também acho que era pra ter sido expulso no outro jogo.
Contra a Argélia, sim. Podia ter sido expulso.
Portanto, acho que não tinha marcado nenhum gol.
Bom, então vamos à última pergunta.
Vamos, sim.
Cinco pontos, isto vai ser fácil. Quem compôs "A Portuguesa", o hino de Portugal? Quem compôs a música?
Ah, pois. Keil.
Está certo.
Keil, Alfredo Keil. Como diria a Joana Marques. Não me estava a lembrar do apelido.
Lopes Mendonça, a letra. Sílvio Lopes Mendonça.
Muito bem, muito bem, cinco pontos, muito fáceis.
22.
22? Muito bom. Quer dizer, o primeiro foi com um bocado de ajuda.
Não, eu acho que o teu pai vai ficar muito satisfeito com a entrevista.
Mas o primeiro era difícil.
Era, era difícil.
Era. A partida começou logo no início. Isto, Teresinha, pra percermos como é que foi pra ti este desafio de aceitar cantar o hino de Portugal.
Estava a morrer de nervos. A morrer de nervos.
Ver se é o fator anjos ou não. Se esse fator paira aí no ar agora, sempre que se recebe um convite destes.
Eu acho que nós temos sempre tendência a fazer as versões das canções que cantamos.
E o que se faz com o hino de Portugal?
O que é que se faz com o hino? Eu não quero defraudar ninguém, eu não quero que ninguém fique ofendido comigo, eu não quero fazer uma má versão. E porque é uma canção tão emotiva, e é mesmo emocionante, o hino. Eu acho o nosso hino muito épico. E então quando o estive a cantar, eu pensei: por um lado, eu quero também acompanhar este ritmo épico, mas por outro, também quero deixar a minha marca enquanto cantora.
Ao mesmo tempo, fazer uma coisa mais intimista.
Dar assim uma voltinha ou qualquer coisa que tivesse a ver com a minha linguagem. Portanto, como é que eu consigo juntar as duas coisas sem que ninguém fique ofendido? E depois ter cuidado.
Isso é muito difícil hoje em dia.
Não, isso é impossível. É impossível agradar a toda a gente, não há nada a fazer. Há sempre alguém que vai dizer: "Ai, mas agora está muito suave". Estava a ver no outro dia os comentários. Estava a ver comentários, eu leio imensos comentários
Isso faz tão mal.
Pois faz, é horrível. Mas nem estou a dizer os meus, leio comentários de notícias. E alguém que tinha cantado o hino ia dizer: "Esta versão é muito soft". Depois há um que diz assim: "Uns gritam, outros sussurram, nunca ninguém está satisfeito". As pessoas estão sempre desagradadas com tudo.
Pior só mesmo decidir se o Ronaldo há de jogar ou não.
Ai, meu Deus! E depois há treinadores de bancada em todo lado, sabem de tudo. Então às vezes é um bocadinho cansativo.
Sim, há treinadores de bancada no futebol, no fado.
Tudo! Sabem sobre tudo, os estudologistas sabem de tudo e comentam sobre tudo. É cansaço.
Mas ficaste satisfeita com a versão final?
Muito satisfeita, espero que as pessoas gostem. É uma versão intimista. Vou já dizer para quem gosta que não seja intimista, esta é uma versão intimista e eu fiquei muito contente com o resultado final.
E vamos ouvi-la? Agora, na Rádio Observador. Trazinha Landeiro a cantar o Hino Nacional.
Heróis do mar, nobre povo, Nação valente, imortal, Levantai hoje de novo O esplendor de Portugal. Entre as brumas da memória, Ó Pátria, sente-se a voz, Dos teus egrégios avós, Que há-de guiar-te à vitória. Às armas, às armas, Sobre a terra e sobre o mar, Às armas, às armas, Pela Pátria lutar, Contra os canhões marchar, marchar.
Uau! Bem, não havia motivos para estar de outra forma.
Obrigada.
Ouvir com auscultadores é outra experiência. Esta voz, de facto. Não é por ser nosso, mas o nosso hino é muito bonito.
Obrigada.
Até os comemos logo a dado. Muito bom. Trazinha, muito obrigado por teres vindo aqui à Rádio Observador.
Obrigada pelo vosso convite e obrigada pela ajudinha.
O teu pai vai falar contigo e vai ficar contente.
Vou ligar a seguir e dizer: "Pai, o que é que tu achas?"
Muito obrigado.
Obrigada a todos, foi um gosto. Obrigada.