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Está no ar a conferência de imprensa da Rádio Observador, a altura em que destacamos histórias ou artigos da imprensa nacional e também internacional, que vale a pena conhecer. E começamos pela prata da casa, não é?

É, vamos a um artigo do Observador, que foi publicado ontem pelo José Milhazes, jornalista, historiador, muito conhecedor da Rússia, viveu lá e foi correspondente durante muitos anos em Moscovo. E o José Milhazes viajou até à Estónia e conta como estão a ser estes dias para quem vive a poucos quilómetros da Rússia. E relata logo uma primeira imagem, logo nas primeiras linhas deste texto, que é uma imagem de tranquilidade nas margens do rio Narva, que é a fronteira entre a Rússia e a Estónia. Os veraneantes aproveitam o calor para ir a banhos, portanto, uma imagem normal, uma vez que, de facto, está calor. Mas nos postos de turismo a imagem é que é diferente. A movimentação é muito reduzida, porque a Estónia já bloqueia a entrada de cidadãos russos com visto Schengen no país. Esta é uma medida que os países do centro da Europa ainda estão a discutir, mas aqui na Estónia ela já está em andamento. O José Milhazes fala ainda sobre a opinião dos estónios nesta zona no nordeste da Estónia, onde a maioria da população é russófona. Nem todos estão a favor das sanções e muitos não escondem o seu apoio à invasão da Ucrânia pelas tropas russas, repetindo os argumentos da propaganda de Moscovo ou falam de desnazificação, desmilitarização e genocídio dos russófonos. É um artigo curioso do José Milhazes.

É muito interessante.

Que conhece bem a Rússia e conhece também bem esta região e faz um relato na primeira pessoa, ele que está lá na Estónia.

Hoje temos conosco a nutricionista Mariana Chaves. Mariana, também escolheste um artigo, mas internacional. Foste ao The Guardian, não é?

Fui ao The Guardian, um artigo mais na minha área. Sobre as mulheres vegetarianas, que neste estudo é indicado que têm mais risco de fratura da anca mais tarde na sua vida.

Tu és vegetariana?

Não sou vegetariana, de todo.

Mas conheces muitos.

Sim, conheço, respeito. E isto traz aqui um ponto importante. Primeiro, é um estudo bastante grande, feito com mais de 26 mil mulheres.

Isto tem alguma coisa a ver com a falta de cálcio?

Não.

Fratura da anca, penso em osso e penso em cálcio.

Claro, mas são várias coisas. Neste estudo não especificaram se seria só essa a questão, do cálcio, porque temos também a questão da vitamina B12, a questão da deposição do cálcio, que também precisa da vitamina D. Há vários fatores aqui. A questão é: vários estudos epidemiológicos anteriores mostraram que a dieta vegetariana seria uma dieta mais saudável pela redução do risco de grandes doenças, como diabetes, doenças cardiovasculares, alguns cancros. E agora, de repente, com este grande estudo em Inglaterra, conseguimos perceber que existe este calcanhar de Aquiles. Mas a mensagem a passar aqui, que é uma mensagem importante, será para quem escolheu este tipo de dieta, que não será, de todo, esta é uma razão para desistir, porque há outras vantagens muito importantes, mas reforçar que é importante e é essencial haver uma estrutura da sua alimentação para não haver carência em relação a nutrientes que vêm da carne.

Há que compensar, não é?

Há que compensar, há que ter uma alimentação mais estruturada. E depois também achei aqui alguma graça que neste estudo referenciam, e é verdade, que a maioria dos vegetarianos são mais magros e, portanto, têm um IMC mais baixo. Logo, nesta questão da queda é muito importante, porque deixam de ter aquela almofadinha da gordura.

Protectora, claro.

Protectora da queda, porque a fratura da anca é realmente um problema a partir da meia-idade. Mas acho que vale a pena dar uma olhadela neste artigo.

Está no The Guardian. Portanto, é a anca de Aquiles, neste caso.

Exatamente.

Dos vegetarianos.

E do britânico Guardian vamos para o espanhol "El País", onde vi referenciada a primeira venda de ativos de um oligarca russo desde que Putin invadiu a Ucrânia em fevereiro. Está então no jornal espanhol. Trata-se de um iate que foi apreendido após as sanções impostas pelo Reino Unido, União Europeia e Estados Unidos. É o Axioma, é assim que se chama o barco, tem 72 metros e meio, foi confiscado ao bilionário da indústria do aço, Dmitry Pumpiansky, em março, após as sanções terem sido decretadas. Este superiate está avaliado em $75 milhões e de euros também, porque neste momento o dólar e o euro estão em relativa paridade. E foi então leiloado ontem em Gibraltar, atraiu 63 lances de interessados, de potenciais compradores. Foram recebidas, então, 63 propostas. As autoridades ainda não divulgaram até agora, também foi ontem, os valores das ofertas, mas não deve ser pouco. São seis luxuosas cabines de hóspedes, piscina, sala de cinema 3D lá por dentro, ginásio, jacuzzi, enfim, um spa totalmente equipado. E esta venda do Axioma está a ser controversa porque a receita que vai gerar, e que não é pouca, como vimos, desta venda, não vai para a Ucrânia, mas vai para o JP Morgan, um banco de investimento dos Estados Unidos que, assim que foram decretadas as sanções, interpôs uma ação em tribunal para recuperar uma dívida de € 20 milhões que Pumpiansky terá perante este banco. E, portanto, o banco americano pediu imediatamente às autoridades, rápidos, como é evidente, percebe-se pelos camaradas advogados que eles têm, às autoridades de Gibraltar que apreendessem o barco logo nas primeiras semanas após a sanção. Só para percebermos, a apreensão foi no dia 21 de março, apenas 12 dias depois do proprietário ter entrado na lista de sanções. E este oligarca, Pumpiansky, era até março o proprietário e presidente de um conglomerado fabricante de aço, o OTMK, que é fornecedora da grande empresa estatal russa também de gás, a Gazprom. Ele está na lista negra de sanções do Reino Unido. As autoridades britânicas dizem que acumulou uma fortuna estimada em cerca de € 2000 milhões e é também, obviamente, um dos oligarcas mais próximos de Putin. Portanto, vamos daqui a uns dias saber quanto é que rendeu a venda deste Axioma.

Conferência de imprensa na Rádio Observador. Amanhã há mais para ouvir. Esta edição junta-se às anteriores e dentro de minutos fica disponível em podcast.