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Está no ar a nossa conferência de imprensa, altura em que destacamos histórias ou artigos da imprensa nacional e internacional que achamos que vale a pena conhecer. Diogo.
Eu tenho um artigo do Observador escrito pela Mariana Lima Cunha, com uma ilustração da Ana Moreira, que fala sobre os presentes que os deputados e sobretudo os presidentes da Assembleia da República têm recebido. Se bem se lembram, foi criado um mecanismo em 2019 que obriga os deputados e os presidentes da Assembleia da República a fazerem o registro de todos os presentes que recebam e que tenham valor superior a €150. Isto aconteceu naquela sequência do caso do Galp Gate. E a verdade é que esse mecanismo está em funcionamento e os deputados e os presidentes da Assembleia da República têm de
E por certo temos acesso aí às prendas.
Exatamente.
É tornado público.
A Mariana Lima Cunha foi ver a lista e há objetos muito curiosos. Eu gostaria de começar por uma comparação que a Mariana aqui faz logo no arranque do texto, que é com uma prenda que foi oferecida à Rainha de Inglaterra, que foi um cavalo de uma espécie rara que vivia na Europa Central, na Eslovénia, e foi durante uma visita da Rainha de Inglaterra à Eslovénia que lhe foi oferecido este cavalo. A Rainha acabou por não levar o cavalo para o Reino Unido.
Não dava para o cavalo ir na bagagem.
Não foi como a viagem do elefante do Saramago.
Quase.
Mas seria quase. Acabou por não levar e acabou por ficar lá. O cavalo está lá num local em que tem uma placa em que diz que é propriedade da Rainha e, portanto, a propriedade é dela, mas não viajou com ela, acabou por ser simbólico. E o que ficamos a descobrir neste texto?
Alcança-se o cavalo?
O presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, recebeu um cavalo destes, só que com uma pequena diferença. É que o cavalo que Augusto Santos Silva recebeu é uma pequena estatueta.
Essa já é transportável.
Portanto, é transportável, ali veio, mas que não ficou para o presidente da Assembleia da República, ficou registrada como patrimônio do Parlamento. Isto já aconteceu com outros objetos que basicamente vão a esta comissão para serem registrados e depois é o Estado, digamos assim, que decide qual é que é o destino a dar a estes produtos. E há várias coisas. Por exemplo, Marcos Perestrello e Romualda Fernandes, do PS, receberam uma aguarela da NATO, que também ficou para o Estado. Eurico Brilhante Dias recebeu um conjunto de chávenas de café que recebeu da embaixada da China. E Ana Catarina Mendes recebeu também um presente parecido com este, que custariam à volta de €80, porque depois também os deputados acabaram por fazer a declaração de tudo, quase tudo.
Até porque provavelmente nem sabem se o valor excede ou não os €150.
E há coisas que nem têm o valor atribuído.
Nem têm o valor atribuído. Mas esta comissão tem a responsabilidade de tentar apurar o valor e foi isso que fez, por exemplo, com duas camisolas da seleção nacional que foram oferecidas a Rui Rio, com o nome de Rui Rio e de André Coelho Lima, que lhes foram oferecidas e que eles foram lá também pedir para que elas fossem registradas, sabendo claramente que as camisolas custariam menos do que os tais €150. Neste caso, eles ficaram com as camisolas, porque também era chato alguém ir com uma camisola a dizer Rui Rio na seleção.
Imagina Luís Montenegro a andar com uma camisola da Rui Rio.
Aliás, André Coelho Lima até diz que continua a levá-la aos jogos da seleção, porque tem o nome dele.
Está no Observador, está muito giro este artigo.
Está no Observador, muito giro. Olhe, eu também tenho aqui uma história mais recente.
O meu é mais pesado, por isso avança tu, avança tu, Paulo.
Sexta-feira, uma história que está no Público, muito curiosa: como o YouTuber Borja Escalona perdeu o canal por causa de uma empanada de €2.
Empanada são aquelas empadas maiores, não é?
Exatamente. Em Espanha, aquilo tem quase a forma de uma chamuça, assim triangular, mas é uma coisa maior, uma coisa mais substancial. E é uma história muito engraçada, que nos revela arrogância por parte de quem tem menos poder do que aquilo que achava que tinha e que termina basicamente numa espécie de justiça divina. É uma história que está muito bem contada pela jornalista Nina Muschetat. Espero estar a dizer bem o nome da jornalista do Público. Bom, a história acontece desta maneira: o YouTuber Borja Escalona é de Sevilha e andava por terras de Galiza. Ele tinha cerca de 35 mil seguidores no YouTube e do alto dessa sua audiência, que nem é assim tão alta como isso, foi se habituando a trocar basicamente aquilo que fazem as influencers, serviços por publicidade. E foi com este espírito que ele entrou no dia 9 de agosto no restaurante Tapa do Barril. Sentou-se, começou um direto para o YouTube, para o seu canal, com o telemóvel, porque ia provar uma empanada da casa e claro que a sua intenção era não pagar o petisco, como é evidente. E assim foi. Pediu, comeu, depois terminou o vídeo, ia concluir o vídeo a dizer que aquilo era um sítio maravilhoso, já preparado para sair, para se levantar. A empregada, porém, apanhou-o de surpresa e disse-lhe que lhe devia, obviamente, €2,30, que é o preço da empanada. Aí começou a indignação. "Como, mas tenho que pagá-la?" Recusou-se a pagar a empanada que tinha comido durante o direto. Insistiu. Ele dizia que só comia coisas grátis, basicamente, e que o seu vídeo estava ali a publicitar o restaurante e, portanto, ele não tinha que pagar aquilo. Foi rejeitado pela empregada, porque nada disto sequer tinha sido combinado antes. O vídeo está publicado no artigo.
Estou um pouco aqui aberta, estás a olhar para mim.
Com muita má vontade a deixar os €2,30 em cima da mesa, mas não quis ficar por aí. Deixou ainda uma provocação, que a funcionária considerou como uma ameaça contra ela e diz: "Bom, então a minha empresa vai vos cobrar por esta publicidade que acabei de fazer, vai vos enviar uma fatura de €2.500." E pior ainda, deixou uma ameaça, disse: "Vou vir aos meus fãs contra este pequeno restaurante, o Tapa Barril." Tudo isto em direto na sua página de YouTube. No espaço de poucos dias, o número de visualizações deste vídeo passou de 10 mil para 150 mil, levou a uma onda de críticas nas redes sociais. Muitos condenaram no Twitter a forma troçista e arrogante do YouTuber, como ele abordou a funcionária, nomeadamente. Outros levantaram a discussão sobre o papel e a ação de alguns influencers, e os aproveitamentos que podem resultar daqui. O restaurante, por sua vez, também acabou por ser um bocadinho prejudicado, porque na página do Google houve muita gente a dar-lhe uma estrela por aqueles dias, a dizer que tinha sido encontrado cabelos ou um esfregão de limpeza no meio dos pratos. Em contrapartida, também recebeu muitas críticas de cinco estrelas solidárias com o restaurante. Até que começaram a receber também algumas chamadas insultuosas. A gerência do restaurante, entretanto, decidiu fazer queixa do YouTuber à polícia. Isto abreviando um bocadinho a história, a história chegou ao YouTube, que acabou por cancelar a conta deste influencer, alegando que houve uma quebra nos termos e violações do YouTube. Ele, entretanto, já tinha feito dois vídeos a tentar pedir desculpa quando as coisas começaram a correr por ele, mas ficou com a conta cancelada. Já tentou voltar ao YouTube, que lhe tem impedido novamente de abrir nova conta.
A empanada, em vez de €2,30, saiu-lhe mais cara.
Com muita arrogância e com muita injustiça, como é que as coisas acabam mal.
Conferência de imprensa na Rádio Observador. Segunda-feira há mais para ouvir aqui nas manhãs 360.