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Uma medida com potencial transformador para a indústria portuguesa seria a criação de um programa de vouchers de inovação industrial. Um programa de acesso rápido e simplificado que permitisse às PME contratar universidades, centros tecnológicos e laboratórios para resolver desafios concretos da produção, de automação ou desenvolvimento de produto. A inovação é hoje um fator decisivo para aumentar a produtividade e a competitividade da indústria portuguesa. Se queremos produzir mais valor, competir em segmentos mais qualificados e aumentar a sofisticação daquilo que exportamos, precisamos, eu diria, de forma urgente, de acelerar a incorporação de conhecimento e tecnologia nos processos produtivos. O problema é que muitas PMEs industriais querem inovar, mas não sabem por onde começar ou não têm capacidade para contratar conhecimento especializado. E, ao mesmo tempo, infelizmente, continuam a persistir poucos hábitos de colaboração entre empresas e centros de conhecimento, seja por questões culturais, por falta de proximidade ou até de burocracia. E é preciso romper estas barreiras. As PMEs não precisam de grandes projetos teóricos, precisam de soluções práticas para aumentar a produtividade, automatizar processos, reduzir desperdícios, melhorar a eficiência energética ou desenvolver novos produtos. Portanto, o objetivo deste programa de vouchers de inovação industrial seria precisamente aproximar universidades e indústria, levando o conhecimento e os investigadores para dentro das empresas, de forma a que pudessem ser criados mecanismos simples de transferência tecnológica que acelerem os processos de inovação e modernização industrial. A verdade é que Portugal tem universidades e centros de investigação de grande qualidade e o desafio está em conseguirmos transformar esse conhecimento em inovação aplicada, em competitividade e, sobretudo, em maior valor económico para a indústria portuguesa.

O Conselho Industrial dá voz a protagonistas importantes da economia portuguesa, que o Observador reuniu em torno da Cimeira da Indústria. É uma parceria com a AEMinho, com o apoio do Município de Braga, PwC, Tabaqueira, Siemens, Elior e Derichsburg Facility Services, Universidade Católica Portuguesa e BPI.