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8:18, é hora de conhecermos o tema do Contracorrente desta quarta-feira. Se quiser entrar em direto para nos dar a sua opinião, basta ligar 91 002 41 85 ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. O número é sempre o mesmo: 91 002 41 85. Carla. Um caso mediático deu destaque a um recente relatório sobre a violência exercida pelos filhos sobre os pais. Entre 2022 e 2024, o número de pais e mães agredidos pelos filhos que procurou a APAV aumentou 27%. É este o tema do Contracorrente de hoje. Helena Matos, bom dia. Mas qual é a realidade que se esconde atrás destes números, destes 27%?

Essa é mesmo a questão. É que nós não sabemos qual é a realidade, porque este tipo de situações é muitas vezes, ou muito frequentemente, encoberta pelas próprias vítimas, que acabam, mesmo quando têm de recorrer a algum tipo de apoio, porque foram agredidas física ou psicologicamente, porque também temos aqui muita violência psicológica, acabam a não querer apresentar queixa. Portanto, nós, na verdade, não sabemos. Este caso mediático acabou por dar destaque, como disseste, a este relatório da APAV, que, com variantes, faz um retrato muito semelhante àquele que um estudo também deste ano, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que fez. E é um estudo com um espectro longo, porque foi de 2010 a 2020 no distrito do Porto e também analisou as queixas de violência doméstica participadas às autoridades e chegou também a esta conclusão: a maior parte dos agressores, estamos a falar de violência que os filhos exercem sobre os pais, e também aqui englobando noras ou genros, em alguns casos, chegou mais ou menos a este tipo de resultados. Claro que os números variam, mas, por exemplo, dando uma tónica muito grande na questão do abuso psicológico. É claro que aqui estamos a falar de números expressivos neste relatório da APAV, sobretudo aqueles que dão conta que nos últimos três anos, o número de progenitores agredidos pelos filhos que pediram ajuda à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, a APAV, aumentou mais de 27%. Portanto, isto dá um pouco conta exatamente de uma realidade que conhecemos mal, que sabemos estar em crescimento, mas é um pouco sobre isso. E depois também temos, e acho que será importante ao longo do programa percebermos isso, nós não estamos apenas a falar de pessoas muito idosas. Também está em crescimento aquilo que são as agressões, muitas vezes de jovens, que até podemos definir como jovens adultos ou como adolescentes, aos seus pais. Pai ou mãe. E aí podemos também ter diferentes tipos de agressão, consoante se trate do pai, da mãe, família monoparental, família não monoparental, mas é uma realidade, também ela, muito dolorosa para aqueles que a vivem, o que leva a que muito frequentemente também se cale. Por exemplo, nós recentemente tivemos um caso na Alemanha, em que uma recém-eleita presidente de uma câmara, até porque tinha sido uma eleição disputada, acabou a ser esfaqueada. E depois, quando se pensava que era por uma razão de natureza política, não, percebe-se que tinha sido agredida pelos filhos ou por um dos filhos. E que não seria a primeira vez. Quando temos um caso mediático, muitas vezes acabamos a discutir aquilo que quase que nos esforçamos por não ver e que, na verdade, acho que não valorizamos. Por exemplo, todos nós nos lembramos este ano da vaga de incêndios em Portugal. Passávamos os dias naquela questão de ver se haveria ou não haveria vítimas mortais e a necessidade do governo explicar, das oposições, tudo isso. Mas, por exemplo, a 16 de agosto deste ano, em Portugal, morreram sete pessoas num incêndio num lar. O incêndio que começou num colchão anti escaras, portanto, um colchão que tem uma componente elétrica. Na verdade, o lar tinha várias falhas, não tinha o número de funcionários necessários, os extintores também haveria falhas, os detetores de fumo também não funcionaram, mas caiu praticamente no esquecimento. Morreram sete pessoas. Tentei perceber se isto tinha sido assunto durante a campanha autárquica local, não me parece. Portanto, há aqui um mal-estar muito grande em relação a este assunto, estando nós a falar ou de pessoas mais velhas, de pais e mães mais velhos, ou mais jovens, quando estamos a falar de violência exercida por adolescentes ou por jovens adultos sobre os seus próprios pais. E aquilo que temos é: percebemos que a realidade deve ser muito mais grave do que aquilo que supomos, mas até lá, eu acho que nos vamos entretendo naquilo que eu designo como o mundo em tons de azul, que é todos aqueles produtos e artefactos, em geral, para os mais velhos, em que é tudo azul e branco, com muita gente a passear à beira-mar, muito sorridente, mas a realidade está longe de ser isso. E talvez também não seja indiferente, cada vez, o número crescente de pessoas mais velhas na sociedade. E viverem mais anos. É tudo isso que hoje vamos falar no Contracorrente.

Pois é, até já, Helena.

Até já.

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