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E hoje para olhar para o Médio Oriente e para momentos que se sabem históricos, os reféns israelitas estão em casa. Há um presidente norte-americano imprevisível e narcisista, também um primeiro-ministro israelita sob pressão e um movimento terrorista palestiniano acusado. São os protagonistas deste virar de página. Mas também importa saber, Helena Matos, bom dia, como é que será o próximo capítulo desta história, que até agora tem sido uma história interminável de dor e de sofrimento.
Essa é mais ou menos a pergunta de um milhão de dólares, ou até de muito mais, porque parece que há muito mais milhões de dólares envolvidos neste assunto. Mas, de qualquer modo, é aquele momento em que nós percebemos que estamos a ver a história acontecer à nossa frente. E como provavelmente aconteceu a muitas outras pessoas no passado, quando viveram estes momentos, se calhar os protagonistas não eram aqueles que eles estavam à espera. A posteriori, há ali uma espécie de composição das figuras, mas a verdade é que no momento, muito provavelmente, não eram aqueles protagonistas que se estava à espera. Mas é assim. E neste momento, porventura, por todo um conjunto de fatores que não são necessariamente aqueles que mais valorizamos, a verdade é que essa viragem pode estar a acontecer. Ou seja, neste momento, a possibilidade de haver, e é muito por aí, que o Contracorrente de hoje irá, esta questão de se poder estar a falar da reconstrução de Gaza, com tudo o que isso possa implicar, é completamente diferente do que tinha acontecido no passado, em que, na verdade, aquilo de que se falava quase interminavelmente era de como resolver o problema dos campos, a questão dos refugiados. Era como se Gaza tivesse de ser, ad eternum, uma espécie de território de população assistencializada. É óbvio que neste momento temos aquilo que nós olhamos com muitas dúvidas, a ideia de uma Riviera do Médio Oriente, mas que será, na minha opinião, um projeto com tanto que se lhe pergunte, e este é um projeto claramente da administração Trump, um projeto com tanto que se lhe pergunte quanto o projeto que, por exemplo, os europeus sustentaram com muitos outros países durante tantos anos, sempre da ajuda e de mais ajuda, que acabou nem sequer a assistencializar a população, porque essa ajuda acabou a ser desviada pelo Hamas para criar a sua estrutura de terror. Portanto, nós temos, na prática, aqui no terreno, neste momento, um projeto que suscita muitas dúvidas, mas que, do meu ponto de vista, tem uma vantagem. Não estou a falar da questão da Riviera, não sei se vai haver Riviera alguma, mas que em relação à manutenção de condições mínimas de vida, em segurança, em paz, tem a vantagem de envolver países da região, como o Qatar, como a Turquia, e isso é, sem dúvida, muito importante. Ou seja, termos países da região envolvidos com homens e com dinheiro. E, nesse sentido, essa talvez seja uma das mais-valias do momento que estamos a viver. Hoje mesmo não se pode dizer que as coisas estejam bem em Gaza, estão muito bem em Israel, há imagens de enorme felicidade. Trump conseguiu transmitir aquilo que para Israel era importante, a ideia de que tinha ganho a guerra, mas que agora era o momento de falar de paz, o que de alguma forma é importante para aquele país. Os reféns vivos voltaram. Há uma polêmica em torno dos cadáveres e hoje mesmo, quando se vê a imprensa israelita, veem-se acusações muito duras vinda, por exemplo, de mães, sobretudo de mães de reféns que morreram. E estas famílias sentem-se um pouco traídas neste momento, porque para eles é importante reaver os cadáveres dos seus. Mas com tudo isto, é um momento de enorme júbilo em Israel. Mas em Gaza, aquilo que temos neste momento é que com a retirada das forças israelitas, o Hamas está a fazer ajustes de contas. Hoje de manhã estimam-se execuções de 30 palestinianos nestes ajustes de contas ou nestes assassinatos, puras e simples, naquele território. Portanto, vamos ver o que é que vai acontecer, se de tudo aquilo que agora temos visto e que tem feito muito ao estilo e ao gosto de Trump, a ideia de criar um grande momento, um grande momento de televisão, que de alguma forma vire uma página. É claro que depois, na prática, não é assim. Portanto, vamos agora ver como é que tudo isto vai funcionar. E apenas para acabar, porque não sei se já não me estarei a alongar muito, temos aqui depois uma outra questão, que se prende com a tua pergunta inicial. E agora? Bem, agora, também muito ao estilo Trump, a ideia um pouco naïf, na minha opinião, muito narcísica, de que se resolveu ali o assunto e já podemos partir para outro, aquilo que nós temos agora, e isso vê-se, por exemplo, na capa hoje do Telegraph, que é agora vamos focar-nos no fim da guerra da Ucrânia. É claro que a realidade, sobretudo a dos conflitos, não corre ao gosto e ao estilo do presidente Trump, mas a administração norte-americana pode estar a conseguir incutir alguma da sua vontade já no cenário do Médio Oriente. Vamos ver então como é que vai correr. Agora vamos ter este virar de atenção para a Ucrânia. Tenho a certeza que vamos fazer alguns Contracorrentes acerca deste assunto. Haverá um encontro entre Trump e Zelensky, brevemente, creio que na sexta-feira.
Na sexta-feira, sim.
E, portanto, há um focar de interesse. Portanto, Luís, está no momento de eu te dizer adeus. E vou estar aqui brevemente para falar então o que é que vai acontecer na Ucrânia, agora que Trump vai olhar para lá.
Até às 10:00. Até já, Helena.
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