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É altura de conhecermos o tema do Contracorrente desta sexta-feira. Para participar e nos dar a sua opinião em direto, basta ligar para nós 910 002 4185, ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp para o mesmo número 910 002 4185. Carla. Quatro acidentes ferroviários em cinco dias, de que resultaram dezenas de feridos e 43 mortos. Um governo sem orçamento, escândalos sexuais e de corrupção nos mais próximos de Pedro Sánchez, crispação em crescendo. Helena Matos, o que é que está a acontecer em Espanha? Bom dia.
Bom dia. É curioso, porque nós damos muito pouca atenção a Espanha, que por razões óbvias é um bocado estranho, porque só temos o Oceano Atlântico e a Espanha como fronteira. Há aqui muitas vezes uma desatenção. Curiosamente, já houve momentos em que os nossos próprios governos tinham um relacionamento mais próximo. Tivemos várias cimeiras, vários encontros. É óbvio que os nossos presidentes da República fazem sempre questão, é obrigatório, as viagens a Espanha, e são sempre num ambiente de cordialidade, seja com quem está no governo em funções, seja com a Casa Real, há essa preocupação. Mas eu recordo aquele tempo em que... Também dá belos momentos de glória, que são as declarações no final dessas cimeiras. Eu lembro-me daquele "Espanha, Espanha, Espanha", que foi proferido exatamente por José Sócrates, se não estou em erro. Santana Lopes também tem umas declarações do seu breve período, porque apanhou uma cimeira, a propósito da importância das relações com a Espanha, e que são óbvias e evidentes. Mas também deste momento difícil de Espanha, passa a ter algum apagamento do seu protagonismo internacional, que é grande neste momento. Houve alturas em que tivemos, seja com o Aznar, ainda com o Zapatero, uma presença grande da Espanha na cena internacional, ou maior, grande é por comparação. Maior do que tem neste momento. A própria família real fazia muito mais viagens de caráter de Estado, e neste momento isso não acontece, o que também gera algum incômodo, na medida em que as viagens da família real, as viagens de Estado, dependem de acordo com o governo e não tem havido esse entendimento. E sobretudo, vemos uma Espanha que está muito mergulhada em sucessivos escândalos, problemas, circunstâncias difíceis de explicar e depois tudo para. A economia pode não estar assim. Por exemplo, o apagão. O apagão foi há muito pouco tempo. Houve responsabilidades em Espanha. Ainda continuamos naquela questão dos inquéritos, das acusações, se foram os privados, se não foram os privados, tudo é politizado. De repente, o facto de poder ou não ter havido um problema com a chegada à rede da energia produzida pelas renováveis ter causado um problema ou não de tensão, em vez de ser uma questão para ser averiguada e confirmada ou não confirmada, tornou-se uma questão política. Há aqui uma tensão muito grande e neste momento é óbvio que há aqui uma coincidência, destes quatro acidentes em cinco dias, claramente com gravidades absolutamente diferentes, mas que acabam por obrigar-nos a olhar para aquilo que ali tem estado. Temos tido vários escândalos sexuais, e de corrupção, com o governo a ser muito acusado de politizar e de criar aquilo que eles falam muito, que são as cortinas de fumo, para que não se fale de determinados assuntos, porque em Espanha aparecem inopinadamente jornalistas de todo o lado. É uma das coisas que os governantes em Espanha se têm de habituar. E depois há aquela questão interessante, a Espanha está a ser governada sem orçamento e, na minha opinião, com uma coisa muito mais complicada, que é Pedro Sánchez, para continuar no poder, tem de fazer grandes concessões. Toda a gente que não tem uma maioria precisa de fazer concessões. O problema é que Pedro Sánchez faz concessões aos independentistas, nomeadamente aos independentistas da Catalunha, pondo em causa aquilo que é a justiça fiscal, por exemplo, em relação às outras comunidades, ou fazendo perdões a determinadas pessoas, que também suscitam grandes críticas internas. Portanto, vamos falar de Espanha. E é por aí que vamos hoje.
Sem mais delongas, não é?
Sem mais delongas. Estavas à espera para poder dizer essa palavra. E não inopinadamente. Desta vez não é inopinadamente.
É muito a propósito. Até já, Helena.
Até já.
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