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"Contra-Corrente", sempre depois das 10h, e agora também até ao 12h, com o José Manuel Fernandes. A partir de hoje temos sempre conosco a colunista Helena Matos. Vamos falar no "Contra-Corrente" de hoje sobre a derrota de Paulo Rangel nas diretas do PSD. Também queremos ouvir a sua opinião. Pode ligar o 91 002 4185 e inscrever-se para deixar a sua opinião aqui no "Contra-Corrente", que tem também a Carla Jorge Carvalho conosco.
O acontecimento político do fim de semana foi a eleição para a presidência do PSD, as famosas diretas, que Rui Rio venceu contra todas as expectativas. Habitualmente no PSD vence quem tem a maioria do aparelho, do lado, mas desta vez não foi assim. Neste "Contra-Corrente", José Manuel Fernandes vai discutir o que se passou e vai estar, como é habitual, contra-corrente às leituras mais comuns. E por quê? José Manuel Fernandes.
Bom dia novamente. Ontem estava a tentar perceber melhor o que se tinha passado e comecei a achar que havia um tema tabu, digamos assim, que ninguém falava e que podia ter alguma influência decisiva numa eleição que acabou por ser decidida apenas por cerca de 1700 votos, menos de 1700 votos, nem chegou. Agora, deixem-me salientar este detalhe: 1700 votos não é nada, e mesmo que o PSD não seja neste momento favorito pra ganhar as próximas eleições, estamos a falar de 1700 votos que, no limite, podem ter decidido quem vai ser o próximo primeiro-ministro, o que é uma coisa significativa. Eu sei que a escolha não é direta, eu sei que a palavra final pertence a todos os eleitores, mas é bom que esta escolha não fosse, por assim dizer, inquinada. Que a forma como os principais partidos portugueses escolhem as suas lideranças fosse menos discutível do que é. Nós, por exemplo, passamos as últimas semanas a discutir até que ponto o voto dos militantes do PSD seria um voto determinado pelos caciques locais, o que não é a coisa mais saudável do mundo. Quase toda gente deu isso como um facto adquirido, quase todos acharam que era, como eu disse, lamentável. E ontem, quando aconteceu a surpresa da votação, ficou sem perceber muito bem o que tinha acontecido e se isso era bom ou se era mau.
E tu, achas que era bom ou era mau?
Se queres que diga, suspeito que foi um retrato do país que somos. E como já explicarei, esse retrato do país tem aspectos que são bons e aspectos que são menos bonitos, digamos assim. Mas já vou aos detalhes da votação. Deixa-me falar um pouco da singularidade deste sistema em que votam os militantes e em que faz toda a diferença a capacidade de arrebanhar militantes, inscrever militantes, pagar as cotas de militantes, levar militantes a votar. Isto é uma coisa que, de resto, não é nova no PSD, mas tem influência. Eu ministro há muito tempo e há 40 anos, estou há quase 40 anos. Quando o partido estava dividido na altura entre uma coisa que se chamava balsemistas, que eram os adeptos de Balsemão, e Mota Pintistas, que eram os adeptos de Mota Pinto, uma coisa raramente, anos 80, há muito tempo. Eu fiz na altura uma reportagem que andei pelo país a falar com as bases, com as distritais, com as concelhias, e lembro que na altura fui a uma concelhia, e eu não tenho bem certeza se a concelhia foi esta, sei que era no Pinhal Interior. Talvez fosse Poiares a Nova, não tenho bem a certeza, já não me recordo, e não consegui descobrir o artigo que escrevi na altura, foi pro Expressu. Mas sei por que eu fui lá. Fui lá porque nessa altura 10% da população estava inscrita como militante do PSD. Isso 10% é uma barbaridade, é uma coisa que nem na União Soviética. Eu desta vez não sei, não andei a verificar, não andei a ver as listas do PSD. Encontrei um conselho em que 1%, pelo menos, estava disponível pra votar, que é Ovar. Em Ovar, 1% da população podia votar ontem nas eleições.
Podia escolher os candidatos.
É o Conselho do Salvador Malheiro, portanto, pelo menos ele está a fazer o trabalho, mas enfim, 1% não é 10%, apesar de fazer uma diferença. Claro que na altura isto era pra ter mais delegados ao Congresso, agora é mesmo pra eleger os militantes. Nesta eleição tivemos vários casos que eu chamaria de concelhias balões insuflados. Por exemplo, Ovar, que é um conselho com 55 mil habitantes, que é mais ou menos um décimo de Lisboa, a diferença na votação entre Rio e Rangel, que no caso foi a favor de Rio, é quase tão grande como a diferença que Rangel teve em Lisboa a favor de Rangel. Em Ovar, o Rio venceu por 347 votos e em Lisboa o Rangel venceu por 389 votos. Só em Ovar, que é um conselho 10 vezes mais pequeno que Lisboa, o Salvador Malheiro anulou Lisboa. É uma coisa um pouco significativa. Mas outro exemplo, no sábado em Barcelos votaram 1402 militantes. Comparando novamente com Lisboa, que é um conselho muito maior que Barcelos, votaram pouco mais, votaram 1659. Em Barcelos votaram mais militantes do que no Porto, que também é outro conselho bastante maior, porque no Porto só votaram 1019 militantes. Esta secção tornou-se a segunda maior do país.
É de Barcelos.
É de Barcelos, a maior do país, que nos últimos tempos toda gente falou dela, porque nos últimos tempos houve lá uma corrida a um multibanco. Foi daquelas em que se esperava que o aparelho funcionasse, e de fato funcionou melhor, só que aí funcionou a favor de Rio. Quando se fala de voto livre em Barcelos, o aparelho de Rio teve muita eficiência, o aparelho de Rangel nunca teve na eleição de sábado a mesma eficiência. Mas independentemente do aparelho, é bom termos a noção que esse sistema é muito diferente, por exemplo, do sistema Das primárias nos Estados Unidos, que é aquilo que muitas vezes é referido. O sistema das primárias nos Estados Unidos tem imensos problemas. Eu não vou dizer que é um sistema perfeito, nomeadamente extremar as posições dos candidatos e por aí adiante. Mas há uma coisa que eu acho que é interessante, é que aí não só o eleitorado não se limita aos militantes, foi um teste que, por exemplo, o PS já fez uma vez, não voltou ele não sei por quê, mas já fez uma vez, é aberto aos simpatizantes, é um sistema que em França também é utilizado, mas lá usa-se um outro sistema que também é interessante, é cada estado elege um número de delegados que é proporcional à sua população e de alguma forma, depois quando há a convenção, há uma proporcionalidade. De repente, Nova York não é submersa pelos votos do Ohio ou de nenhuma fechar ou qualquer coisa assim do gênero. Se fosse lá Barcelos, que sensivelmente tem um quinto da população de Lisboa, como eu disse, não teria quase o mesmo peso na votação que teve no sábado, por exemplo. As coisas seriam mais proporcionais.
José Manuel, essa conta é muito curiosa, mas julgo que não seja por ela que justificas a derrota de Paulo Rangel, pois não?
Não foi por isso que Paulo Rangel perdeu. Acho que Paulo Rangel perdeu por culpa própria, sobretudo. Já foram dadas muitas explicações, provavelmente a maior parte delas certas. Acho que Paulo Rangel, na sua campanha, ficou claramente aquém das expectativas. Fez uma má campanha, por várias razões. Acho que fez uma campanha antiga, portanto um bocadinho de porta em porta ou de capelinha em capelinha, comício em comício, falar aos militantes nas sedes. E fez tudo isso na maior parte das vezes sem cobertura mediática. Ele não era o líder do partido, por que nós havíamos de andar atrás dele? Estava a falar para o partido, a falar para dentro. Isto já não se faz, é uma coisa antiga. Depois, estava a combater um Rio que, por ser líder do partido, por estar a discutir com o Costa, estava mais presente nas notícias e desse ponto de vista, a estratégia de Rio foi muito mais eficiente. Além de que ele também foi mais moderno, digamos assim, apesar de Rio não ter aquela arma moderna, mas foi mais moderno, sem dúvida, a montar a estratégia dos call centers, que está muito mais de acordo com os tempos de hoje. Mas eu acho que Rangel também não foi só isso. Não é só na estratégia de campanha. Eu acho que ficou claramente aquém das expectativas no discurso. Ele teve uma ou duas boas intervenções no arranque, como tribuno, que ele é um bom tribuno, mas, por exemplo, as suas entrevistas foram por regras frouxas. Aqui no Observador, por exemplo, na passada quinta-feira, salvo erro, ele passou a maior parte do tempo a fugir das respostas claras. Não deu uma boa entrevista. As sondagens, por fim, também não o ajudaram. É certo que as sondagens, a certo ponto, eram previsíveis, sobretudo fora do partido, ele é muitíssimo menos conhecido que Rio e não se supera esse déficit sem debates, porque o déficit de notoriedade é uma coisa que pesa imenso nas sondagens. E depois há outra coisa que pouca gente falou, e eu acho que nós, comunicação social, temos responsabilidades, é que há os caciques e há os contra-caciques. É bom não esquecer que nas duas últimas eleições o partido ficou partido ao meio, digamos assim. E era difícil que não continuasse partido ao meio. Sendo que essa fratura é uma fratura que vai de alto a baixo. No PSD luta-se por tudo. Não é só pela liderança nacional. Luta-se pelas concelhias, luta-se pelas distritais, luta-se nas concelhias, às vezes entre as concelhias e os presidentes das câmaras. Há de tudo. E há exércitos de todos os lados. E estes exércitos que mobilizam, cacicam. Sempre. Cacicam para os dois lados e claramente a parte de topo, a primeira fatia estava mais do lado de Rangel. Rio usou claramente o outro lado. O exército de Rio pareceu estar mais mobilizado e melhor organizado, apesar das contagens das distritais, como eu disse, lhe ser desfavorável.
Achas, portanto, que foi o voto livre, como disse Rui Rio?
Eu não sei que porcentagem de voto cacicado vem cada candidato e não sei responder, mas a minha percepção é que claramente Rio conseguiu ganhar, porque ganhou no Porto e na Madeira. Isso foi suficiente. Eu sei que ele também ganhou em Braga, ganhou em Aveiro e que conta é a soma total. Mas, por exemplo, Aveiro e Braga bastaram-lhe para equilibrar a desvantagem que ele teve em Lisboa e Setúbal, que são os sítios onde nós temos um bocado a cabeça, às vezes vivemos um bocado na bolha de Lisboa, sobretudo, vamos lá, Lisboa e Setúbal, porque a área metropolitana de Lisboa abrange grande parte de Setúbal. De facto, o que desequilibrou a favor de Rio foi muito o Porto e muita Madeira. Nestes dois distritos, ele conseguiu uma vantagem de 1500 votos, que são 1500 votos, que são quase os 1700 com que ele derrota Rangel. E são dois distritos, ou um distrito e uma região autónoma, deixa-me lá não ofender os madeirenses, que em princípio deviam ter ido para Rangel. Eu sei que, por exemplo, Aveiro já era uma coisa diferente. Agora eu pergunto: o que se passou? Por exemplo, nas últimas eleições, os votos da Madeira foram todos anulados, mas a vantagem tinha sido Pinto Luz, e Pinto Luz apoiou Rangel. Por que que se passou na Madeira? O que aconteceu? No Porto, o líder distrital, muitos líderes de concelhia, os presidentes de câmara estavam com Rangel. O que aconteceu também? Efeito Alberto João Jardim, na Madeira, que andou a fazer campanha pro Rio, relação especial com Rio, sobretudo os militantes do Porto, que é a sua cidade. Eu acho que estas explicações são plausíveis, mas sinceramente, parece-me que é um elefante da sala que ninguém quer referir.
Um elefante na sala? O que é?
Sim, a orientação sexual de Rangel. Não foi tema de campanha, não podia ter sido. Se fosse, teria sido um escândalo nacional. Houve apenas uma referência muito sibilina, mas muito venenosa, má e muito condenável da parte de Alberto João Jardim. Alberto João não podia deixar de ser. Alberto João é Alberto João. Mas eu ontem estava a ler as reportagens das eleições e reparei num detalhe que pode ser significativo, um detalhe do Porto. No Porto, uma grande parte da afluência às urnas foi possível porque apareceram sobretudo velhos militantes, pessoas já bastante idosas, como senhoras e senhores de 65, 70 e mais anos, militantes daqueles que não foram pagar as quotas a correr, portanto, não são cacicados. São pessoas que tinham as pagas as quotas desde o princípio do ano, pagam logo no princípio do ano, quando há a certeza de pagar, e que nem sempre participam nessas ações, mas que ontem foram lá. Foram lá porque se lembram do Rui presidente de câmara, foram lá porque são pessoas conservadoras que se sentem desconfortáveis com isto, não sei. É pena não existirem estudos sociológicos sobre estes militantes, mas a minha sensibilidade diz-me que, de facto, como este, por exemplo, são pessoas conservadoras e que torcem o nariz a esta maneira de estar. Eu acho que nunca vão admitir, mas na hora de votar isto posso ter contado e como a eleição foi renhida, não sei até que ponto isso foi decisivo, sobretudo se olharmos para as diferenças de voto que são mais significativas em algumas zonas rurais, no norte do país, nas ilhas. E que nesses distritos, por assim dizer, o voto livre que acabou por dar a vitória a Rui Rio foi sobretudo nessas regiões, menos nas regiões mais urbanas, mesmo no distrito de Aveiro, por exemplo, em Aveiro, concelho, o Rui Rio não ganha. Ganha o Rangel. E o presidente da câmara é a favor do Rio.
Seja como for, José Manuel, a suspeição que estás a levantar é grave.
Atenção, não estou a levantar suspeição nenhuma, estou apenas a olhar para o país que somos e a constatar que quando se fala da bolha político-midiática de Lisboa, não é só da bolha político-midiática que por uma razão ou outra embirra com o Rui Rio, e com razões ou más razões, não podemos ir a elas. É bom ter a noção de que nem todo o país alinha sempre no mesmo comprimento de onda. Podemos não gostar disso, podemos não gostar do que vemos, mas acho que é um tema que ninguém falará. Eu devo dizer, é também uma perceção que eu não posso provar, não tenho nenhuns dados, é apenas uma perceção. Mas eu conheço o país em que vivo, ouvi alguns comentários aqui e acolá. Sei, de facto, que Portugal não é só Lisboa e que Lisboa também não são só os clubes da moda, é mais do que isso. Por isso estou a dizer neste Contracorrente o que ninguém parece autorizado a dizer, até porque como sabes, a nossa esquerda torcia toda para que o Rangel perdesse, porque sabe que com o Rio o PSD será sempre mais dócil. Mas a nossa esquerda tanto se encarniçou contra Rangel, mas às vezes não percebeu que estava a ser também ela, se calhar, um pouquinho reacionária. Mas isso já é o itálico, tivemos outros exemplos. Pelo que sobramos o dia seguinte, e para o dia seguinte temos um Rui Rio cheio de vontade de voltar a ajustar contas e fazer sangue no PSD. Portanto, também quero abrir um pouquinho de espaço para esse debate e por isso acho que me lembrai um pouco das palavras de Churchill, que são palavras famosas, que é: "Na guerra, determinação; na derrota, desafio; na vitória, magnanimidade; na paz, boa vontade". De facto, o Rio na guerra não lhe faltou determinação, mas na vitória demonstrou tudo menos magnanimidade. Pelo contrário, aquele discurso da noite de sábado foi só ressentimento. Por fim, o PSD, que vive com esse ressentimento, será um pouco com eles, será o que escolherem. Já escolheram três vezes seguidas um pouco o ressentimento de Rio, mas não sei se é bom caminho para ganhar as eleições a 30 de janeiro, logo veremos.
Logo veremos. Para já e hoje, esta manhã, tentamos perceber as razões da vitória de Rui Rio, a forma como fez campanha e mobilizou os militantes, mas também as razões que fizeram com que Paulo Rangel não vencesse. Será que houve mesmo um elefante na sala? Queremos ouvir os nossos ouvintes neste Contracorrente, que a partir de hoje tem um novo elemento permanente no painel. Helena Matos, bem-vinda, preparada para o que aí vem?
Não sei.
Ainda bem. É a atitude certa para este Contracorrente. Já vamos perceber o que a Helena pensa daqui a pouco sobre este assunto. Para já estamos também com o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes. Bom dia. Rui Pedro, acompanhaste estas semanas de luta interna no PSD e Paulo Rangel esteve diretamente com muitos militantes. Sentiste que havia aqui um tema não claro à volta do eurodeputado?
Olha, esse assunto durante o período de campanha interna não foi suscitado, a não ser, estamos a falar da questão da orientação sexual.
Da orientação sexual de Paulo Rangel.
Menos nas redes sociais, em que naturalmente há sempre aqueles ataques daqueles bots, uns não há cara, outros não, em que houve, de facto, na chamada rede de páginas, algum ataque nesse sentido dirigido ao candidato Paulo Rangel, sendo que não se sabe se eram ou não militantes do PSD. Portanto, essa homofobia foi aparecendo aqui e ali. Mas não foi relevante e não foi assunto de campanha, de facto, porque Paulo Rangel estava tão confiante e as suas estruturas que não se preocuparam com isso e Rui Rio também não foi por aí. Aliás, mesmo que possa ter sido falado aqui e ali em alguns encontros de uma forma mais maldosa, mais à parte, nunca foi tema de campanha e nesse aspecto houve essa lisura durante a campanha. Após a noite eleitoral Não vou esconder que, em parte, houve algumas pessoas, apoiantes de Paulo Rangel, que tentaram perceber o que se passou. Ficaram incrédulos com o resultado e ficaram a pensar no que se passou. E aí algumas pessoas suscitaram essa dúvida: será que isso-- obviamente em conversas em off, porque é uma coisa que acaba por ser cruel para o próprio candidato. Estar a pensar que pode ter sido prejudicado pela orientação sexual e estar a pensar se taticamente ou não, a entrevista que deu na televisão pode ou não tê-lo prejudicado. Mas o que é certo é que essas pessoas questionaram isso. Num primeiro momento, uma pessoa: "Será que foi isso? Não, não foi, não pode ter sido." Um outro apoiante da candidatura não tinha dúvidas que seria, que dizia: "Bom, lá em casa, de facto, eu tenho uns tios e uns avós que votam sempre PSD e eles disseram que iam votar Rui Rio porque não podiam votar em Paulo Rangel", alegando a questão da orientação sexual, porque são pessoas muito conservadoras. Eu estive no Cena Malhoa, que foi onde foi a noite eleitoral de Paulo Rangel. Se me perguntares se esse assunto foi falado por algumas pessoas, foi suscitado. Ninguém disse de forma clara: "Isto de certeza que foi isto."
Mas há procura de justificações?
Sim.
Esse assunto pode entrar.
Se tentarmos nivelar, muito mais gente falava na tal sondagem da Pitagórica para a CNN como o grande...
Aquela sondagem que dizia que Rui Rio tinha mais condições para vencer ou fazer frente a António Costa se fosse líder do PSD do que Paulo Rangel.
Exatamente. Isso foi muito mais maioritário nas conversas. O que eu estou a dizer é que, de facto, houve aqui e ali, mais em surdina, isso levantou-se e é sempre uma questão que pode ser dita, mas como disse o José Manuel, não há forma de provar isso. Essa mesma sondagem, por acaso, curiosamente, da Pitagórica para a CNN, diz que 66% dos portugueses acreditam que a homossexualidade não tem impacto eleitoral. É o único estudo que existe mais recente sobre isso, vai em sentido contrário.
Mas só o facto de a pergunta constar do inquérito também já é sintomática.
Pois, é verdade.
Os 40% que sobram é suficiente para esta questão.
Para os 1700 votos.
Uma coisa é o país, outra coisa é o PSD, que não sendo um partido ultraconservador nem conservador, tem obviamente nas suas bases militantes conservadores e que podem conviver menos bem com a orientação sexual diferente. Mas lá está, não há nenhuma prova que nos permita dizer isso.
Fizeste referência àquela entrevista que Paulo Rangel dá à SIC, ao Daniel Oliveira. Paulo Rangel seguiu aqui até uma estratégia de assumir que começa eventualmente com aquelas imagens de Paulo Rangel em Bruxelas, à noite. Ele assume que de facto tinha bebido. Sai a terreiro a explicar que de facto tinha bebido mais naquela noite, depois assume pormenores da sua vida íntima. Essa estratégia, pelo menos para Rangel, estava clara, era como se ele estivesse preparado para que o tema entrasse em campanha e ele já estava salvaguardado.
Sim, nessa altura surgiam já algumas campanhas negras, se lhe pudermos chamar assim, não só relativamente a esse vídeo que apareceu, mas começavam a surgir, aí sim, nessa fase, muito pré-pré-campanha.
Muito pré-campanha.
Começava a surgir nos bastidores, se podemos chamar assim, esse boato de que Paulo Rangel era homossexual. E para terminar nessa altura logo com isso, e conseguiu, foi eficaz, porque já ninguém andou nas costas a dizer: "Atenção que ele é isso ou é aquilo." Foi eficaz nesse aspecto. E, portanto, nessa altura havia de facto essas campanhas e até houve capas de jornais sobre isso e quis logo matar o mal pela raiz e nessa altura fez isso. Se foi a estratégia acertada ou não, também colocar uma questão deste género só do ponto de vista de uma estratégia para a liderança de um partido, seria diminuir Paulo Rangel e acho que só avaliar isso seria um bocadinho injusto para ele. Mas de facto, nessa altura o objetivo era esse, era matar à partida esse evento.
E conseguiu. Bom, já vamos continuar a conversar. Nelson Ferreira, vamos recordar o nosso número para poder participar no Contra-Corrente.
Sim, os ouvintes podem entrar também no Contra-Corrente, deixar a sua opinião sobre estes temas. Estamos a discutir aqui a derrota de Paulo Rangel, vitória de Rui Rio nestas diretas do PSD. O 91 002 4185 está ao seu dispor. Pode entrar em contacto conosco e também deixar a sua opinião no Contra-Corrente. E já temos também ouvintes prontos a fazê-lo.
Muitos inscritos. Vamos começar então a ouvi-los e começamos pelo Porto. O Daniel Santos é empresário e consultor. Muito bom dia.
Bom dia, vou ser breve e conciso.
Muito bem.
O que aconteceu era esperado e previsto por muita gente, talvez a maioria das pessoas atentas e que conseguem ler a sociedade e a realidade do país no geral e como um todo. Talvez a comunicação social não tenha bem visto isto. Não foi por causa da sexualidade do Paulo Rangel, como diz o José Manuel Fernandes, embora isso possa ter contribuído, admito, mas não foi o principal. Na verdade, é que Rangel nunca esteve em vantagem sobre Rio. Isso era o que diziam as sondagens e a maioria da comunicação social, mas não pensava a maioria do partido, como se viu, e talvez até do país. Rangel era um produto do aparelho do PSD, sobretudo das elites de Lisboa e de Cascais, do passismo e dos passistas, das estruturas, dos lobbies, dos interesses ocultos no PSD e na política. Era sobretudo anti-Rio e para isso qualquer um servia, sobretudo depois das falhanças de Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz. Ele era do velho sistema e do velho PSD, que está a acabar. Com Rui Rio está a nascer um novo PSD, mais ao centro e mais próximo do povo e do que o povo quer na política e para o país. Um PSD liberal, mas não neo ou ultraliberal, de centro-direita, realmente social-democrata, e não sobretudo de direita como era o de Passos. Rangel agiu como não podia ter agido Depois de no Congresso de 2020 ter apoiado claramente Rui Rio, falando por ele e pelo partido, tornou-se seu opositor. Jurou apoio e disse que Rio seria primeiro-ministro porque tinha uma visão de médio prazo e depois agiu em sentido contrário, dando o dito por não dito. Agiu como um vira-casaca, um traidor, alguém em quem não se pode confiar, que não tem palavra, além de só entrar na corrida quando cheirou o poder, depois de Rio ter feito o caminho das pedras, ter atuado na oposição durante anos e ter ganho as autárquicas. Foi isso que os militantes perceberam e também o que o povo acha na generalidade, e eles souberam ver isso e votar corretamente. É uma pessoa assim como Rui Rio que as pessoas querem para primeiro-ministro. As pessoas estão fartas de partidos e aparelhos partidários, de esquemas, de jogadas, corrupção a todos os níveis, e veem em Rio o oposto de tudo isso. Alguém que luta contra tudo isso e que representa o que o povo quer. Por isso é que ele vai ganhar as eleições e ser primeiro-ministro. Não se subestimem por Rui Rio, ele é muito melhor do que se pensa. Só para terminar. As sondagens no início davam 70% a Rangel. Ou são altamente incompetentes ou há algo muito estranho por trás disto. Finalmente, a maioria da comunicação social comprou e vendeu a agenda de Rangel e do aparelho do PSD e foi na onda, propagando e alimentando o erro. Quero ver agora como são sair desta, engolindo o sapo e que argumentos vão usar. Infelizmente, também nesse caso, o Observador, e digo com pena, porque eu gosto da rádio, alinhou um pouco nisto. Sem querer ter nada pessoal contra ninguém, mas apenas como exemplos, jornalistas como o José Manuel Fernandes, Miguel Pinheiro, Paulo Batista, Miguel Rapatos, Júlio Magalhães e até o Alberto Gonçalves, que eu gosto particularmente de ouvir, entre outros, todos parecem ter uma agenda anti Rui Rio, parecem não gostar do homem por nada e embirrar com ele. No dia 15 de outubro, no programa "E o Vencedor É", o título era: "O afastamento de Rio está escrito nas estrelas". Pois é, quando os jornalistas se põem a ler as estrelas, em vez de ler a realidade, dá nisto. Entre astronomia e astrologia e jornalismo e análise política, não sei do que é que sabem mais ou menos. Finalmente, só para terminar, e agora pela positiva, um conselho ao Observador, se me permitem. Não alinhem com a carneirada, com a maioria da comunicação social. Sejam melhores, sejam diferentes, vejam de outra forma mais à frente e, sobretudo, leiam e interpretem bem a sociedade e a realidade e façam a diferença no jornalismo, tanto é preciso em Portugal. Sejam independentes, não apenas de princípio ou de conceito, mas de facto. Muito obrigado e bom dia.
Daniel Santos, muito bom dia e obrigada. Dizer aqui que Rangel era só um produto de Lisboa e de Cascais e muitos falharam na leitura dos militantes que escolheram Rui Rio e não Paulo Rangel. O José Sousa está também no Porto, é gestor. Muito bom dia. Vamos tentar o contacto com o José Sousa, que ainda não está em linha. Chamo por isso o Manuel Ferreira. Está a ligar da Suíça, é técnico de segurança no trabalho. Manuel Ferreira, bom dia.
Muito bom dia a todos e obrigado por esta oportunidade. Vou direto ao assunto. Fico satisfeito com a reeleição do presidente do PSD, não só porque fará um excelente primeiro-ministro, mas eu acho que isso é importante. Esta reeleição foi uma bofetada de luva branca aos experts da comunicação social mainstream lisboeta, que continuam há cinco anos que fazem bullying ao Rui Rio com propaganda muito agressiva até. E até da parte do Observador, que esperávamos um pouquinho diferente dos outros, mas enfim, é assim. E agora mesmo, vai-se tentando encontrar justificações dúbias e anormais ao que aconteceu, escrutinando certas coisas, mas que com certeza se o vencedor fosse Rangel, não havia esse escrutínio, essa procura de justificações à vitória digamos, anormal para eles, do Rui Rio. E com certeza que durante dois meses agora vamos ouvir muitas vezes questões entre o Chega e o PSD. O que é que vai ser o Chega e o PSD? Isso vai ser a próxima etapa. Agora, eu acho que é sobretudo uma afirmação dos eleitores do PSD e dos portugueses, que estão cheios das elites que emperram e enferrujam o país. Rui Rio foi escolhido não por velhos ou homofóbicos, mas por cidadãos que lhe reconhecem qualidades, como a de ter um discurso muito claro. Também, e em particular, não estar comprometido em esquemas de corrupção e porque lhe reconhecemos competência, como ele demonstrou quando tirou o Porto do pântano socialista. Certamente que esta vitória do Rui Rio não agradou, não agrada mesmo, contrariamente ao que se pensa, ao PS, nem ao António Costa e aos seus apoiantes, porque vão ter um adversário corajoso e difícil. E para terminar, quando se fala de união e do mau feitio do Rui Rio, eu acho que ele fará união com aqueles que querem avançar, mas há certos barões do PSD que não fazem nada de positivo para o país e para o partido, e que estão lá por interesse pessoal e francamente são laranja por fora, mas muito vermelhos por dentro E podiam ser até socialista que não haveria grande diferença, como demonstrou o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, Ferreira Leite ou mesmo o nosso amigo comentador, agora já não me lembro dele.
Marques Mendes.
Por exemplo. Francamente, são sociais-democratas de pacotilha que não interessam para a nova política portuguesa, que esperamos mais à direita e mais liberal. Portanto, estes dois meses vão ser complicados, porque ninguém vai facilitar a vida ao Rui Rio, mas é possível que Portugal mude em 30 de janeiro.
E já nos disse que acredita que Rui Rio vai ser um adversário difícil para António Costa. Manuel Ferreira, muito bom dia. Muito obrigada por nos ter ligado da Suíça. Um bom resto de dia. E agora já temos em linha o José Sousa, que está no Porto e que é gestor. Bom dia, José Sousa.
Bom dia.
Agora sim, bem-vindo. Tínhamos a chamada em linha, mas ela acabou de cair e, portanto, vamos tentar mais uma vez o contacto com o José Sousa e com os outros ouvintes que estão inscritos. Helena Matos, chegou a altura de perceber se houve ou não, e já vamos olhar para aquilo que disseram os nossos ouvintes até agora, um elefante na sala com a questão da homossexualidade de Paulo Rangel.
O programa chama-se Contra-Corrente e não sei se estou na corrente do contra, se contra a corrente ou qual é que é o sentido. Eu não creio. A mim parece-me que vai haver alguma fobia, isso é muito patente até naquilo que estes ouvintes dizem, uma espécie de holicipofobia. Ou seja, temos um discurso contra as elites de Lisboa. Esta ideia do voto livre do povo contra as elites de Lisboa. Eu creio que se Paulo Rangel tivesse feito uma boa campanha e tivesse ganho, e ele não fez de modo algum uma boa campanha, também havia as questões do aparelho, eu creio que nós estaríamos aqui a falar que a sua homossexualidade até poderia ter sido um fator diferenciador num partido cosmopolita. Eu creio que a sua homossexualidade, como o seu ar de espectro, porque eu recordo, as questões físicas são de fato importantes. Quando ele fez aquela campanha, quando foi candidato, como Manuel Ferreira Leite, ao Parlamento Europeu, e estava bastante gordinho, com aquela tirada da papa Maizena, eles cavalgaram isso por cima, se bem se lembram. Até se fez um blog, na altura era uma coisa que estava muito na moda, e o blog chamava-se Papa Maizena, porque ele aí respondeu: "Sim, sim, eu comia muita papa Maizena quando era pequenino", não sei se outras papas, já não me recordo. E ele tirou vantagem e cresceu. Aquilo que nós tivemos nesta campanha foi um homem que mais parecia um espectro. Eu sei que as imagens agora também não ajudam muito, porque há muitas intervenções que não são feitas com qualidade de imagem de estúdio, e foi um candidato muito apagado. Portanto, agora se me perguntam se somado a isso, o fato dele ter uma circunstância de vida particular que não é maioritária, se isso é um fator positivo ou negativo, pode se calhar ter acentuado aquilo que era, de facto, uma tendência que eu penso para não dar dele uma imagem vencedora. Porque a questão não é perguntar quem é que pode ganhar. É quem é que pode ser melhor para enfrentar António Costa.
E Rui Rio é melhor? Os militantes consideram que sim.
E os militantes consideraram que sim. E já consideravam que sim. Portanto, aquilo que nós temos aqui, esta parece-me ser a pergunta decisiva, a tal sondagem numa campanha que mediaticamente não estava. E aí os ouvintes podem ter razão. Entre aquilo que os jornalistas viam e aquilo que os militantes viam, pode haver, de facto, uma disparidade muito grande. Por aquilo que se percebe, o eleitorado de Paulo Rangel, e percebe-se pelo tom das inscrições, está mobilizado. Agora nós temos aqui um problema. Se não estou em erro, votaram em Paulo Rangel 18.604 militantes. José Manuel, tens estes números?
Em Paulo Rangel, não. Em Rui Rio.
Em Rui Rio. 18.604, não é?
O número total de eleitores de Paulo Rangel foram 18.816 em Rui Rio, 17.052 em Paulo Rangel.
Portanto, esses 18.616 em Rui Rio mobilizam muito este eleitorado. Agora, para ganhar eleições em Portugal, tem de se ter, e não estamos a falar de maiorias absolutas, tem de se ter 1.900.000 votos. Pode ser menos. Ora, há uma certa diferença entre 18 mil e 1.900.000. Uma coisa é Rui Rio ter convencido o eleitorado do PSD. Eu acho que talvez tinha convencido muito mais com esta questão desta holicipofobia, o homem que está aqui com o voto do povo contra as elites de Lisboa e Cascais. Cascais tem neste imaginário sempre uma dimensão geograficamente muito acrescentada. E agora, quando formos para eleições em janeiro, como é que vai ser? Uma coisa é mobilizar os tais 18 mil que queriam ser mobilizados, outra coisa é conseguirmos, a mim parece-me com este discurso, não se vai conseguir mobilizar o tal 1.900.000 votos que o PSD.
Cascais, pelo menos nesta eleição, do que Ovar.
Claro, mas este é o imaginário das elites residentes em Cascais. Ora, aquilo que me parece que nós temos aqui é que este discurso, e vence o tal trabalho dos barões, dos baronetes, de tudo isso, mas isto vai servir para ganhar eleições? Uma coisa é ganhar-se um partido, outra coisa é ganhar-se eleições. O PSD pode ter, e certamente Rui Rio ganhou um partido.
Helena, aquela sondagem dizia que sim, era Rio que ia conseguir vencer eleições e não Paulo Rangel.
Sim, e eu creio que ele vai apostar muito na sua campanha. Vão apostar muito nesta ideia do homem das vitórias impossíveis. Já se vê, é isto que vai ser lançado, mas nem sempre a pessoa que ganha um partido é a melhor pessoa para ganhar eleições. Eu creio que talvez no final de janeiro os militantes do PSD vão ter de fazer essas contas.
Vamos ver. Ainda faltam dois meses, vamos ver. Vanessa Cruz, tens estado a ler aquilo que vai sendo escrito nas nossas redes sociais e por isso vamos também perceber se há aqui uma tónica comum ou não. O que é que vais detetando?
Há opiniões divididas. Vamos começar por Luís Leal: "Não percebo, nem nunca percebi, por que é que Paulo Rangel poderia ganhar". Este ouvinte considera que houve excessiva adjetivação dos objetivos a alcançar por parte do candidato e diz também que a campanha de Paulo Rangel teve um tom áspero. Este ouvinte afirma ainda que ter por argumento a orientação sexual de Paulo Rangel é pobre. Maria Pinho considera que Rui Rio tem uma imagem de integridade da qual o povo gosta e José Sousa Pinto fala aqui dos dois candidatos. "Rio tem virtudes, Rangel tem outras. Não senti nenhum elefante na sala. O partido escolheu o que bem considerou, Rui Rio. Só espero que não exista uma caça às bruxas e que se una o partido, que não depende só de Rio, mas de todos os militantes." Ainda Domingas Coutinho: "Tenho confiança que Rui Rio é a pessoa certa neste momento. Autoconfiança fica-lhe bem, mas arrogância, não." Este aviso de Domingas Coutinho. E diz isto porque espera que Rui Rio saiba que precisa de todos agora para levar a cabo a difícil tarefa que tem pela frente. Carlos Santos: "O que levou Rangel à derrota foi o caráter, ou melhor, a falta dele." Este ouvinte recorre à pergunta deste contracorrente, como avalia a derrota de Rangel, para colocar uma outra pergunta a José Manuel Fernandes: "Como avalia Rangel, que depois de perder as eleições, disse que continuaria no Parlamento Europeu por respeito aos portugueses, mas se ganhasse, deixava o Parlamento Europeu?" Neste caso, José Manuel Fernandes, o respeito já não existe?
Eu posso responder já. A resposta é óbvia. Ele se tivesse ganho as eleições, teria que deixar o Parlamento Europeu, porque ia ser líder do PSD. Perdendo as eleições, continua com o mandato que tem. Quem perde umas eleições não perde os mandatos que tem. Ele continua a ser deputado europeu.
E disse que ia fazer campanha pelo partido.
E disse que ia fazer campanha pelo partido. Não há aqui nada de especial. O que seria estranho era ele continuar como deputado europeu se fosse líder do partido. Já tivemos um caso desses, que foi Ribeiro e Castro, e correu muito mal. Não se pode ser líder de um partido e deputado europeu ao mesmo tempo, sobretudo tendo eleições daqui a umas semanas.
Fica claramente respondida esta dúvida e esta questão dirigida concretamente ao José Manuel Fernandes. Convidámos também para estar neste Contracorrente o colunista d'O Observador, Nuno Gonçalves Poças, que também já está agora em direto. Bom dia, Nuno Gonçalves Poças.
Estou. Bom dia.
Agora sim. Bom dia. O Nuno Gonçalves Poças participa no artigo d'O Observador das cinco opiniões rápidas sobre como Rui Rio conseguiu conquistar o PSD e nessa opinião não entra a vida privada de Paulo Rangel. Não terá sido, de facto, uma questão que influenciasse de alguma forma o voto dos militantes?
Eu acho que não. Bom dia a todos. Há bocadinho estava a ouvir o José Manuel Fernandes e, de facto, não foi um assunto que me tivesse sequer passado pela cabeça e quando o estava a ouvir relativamente aos militantes mais antigos do PSD, a minha tendência é discordar disso, até porque a maioria desses militantes que serão mais conservadores dentro do PSD, são pessoas que já são militantes há muitos anos e que não se opuseram, por exemplo, ou que não deixaram de apoiar Sá Carneiro naquela altura conturbada da relação com o Cassis. Não tenho a certeza que isso tenha acontecido. Eventualmente passará pela cabeça de alguma militância, mas não sei se será esse o elefante na sala. Eu acho que há aqui algumas construções que são um bocadinho engraçadas ou curiosas, pelo menos. Uma delas tem a ver com esta ideia, que é um bocadinho partilhada, que diz que o Paulo Rangel era uma espécie de protegido da comunicação social e que o Rui Rio foi o homem que contra tudo e contra todos conseguiu ganhar através do recurso ao voto livre, aos homens livres do PSD, que saíram de casa para votar nele.
É isso que estamos a ouvir por grande parte dos nossos ouvintes.
Pois, mas eu não acho que isto faça muito sentido. Até faz sentido ao contrário, que a comunicação social engoliu esta narrativa do voto livre, que no fundo é uma falácia. Quer dizer, voto livre há no PSD e em todos os partidos e esse voto livre cai para todo lado. Há pessoas que pensam pela sua cabeça e que são militantes de um partido e que vão votar neste ou naquilo. Mas aquilo que de facto decide eleições num partido como o PSD é o cacique, são os sacos de voto e são os cabos eleitorais das regiões. E eu não acredito, como o José Manuel Fernandes há bocadinho até dava alguns dados sobre isso. As carrinhas no Salvador Malheiro não variaram todas no sábado. Obviamente, houve uma parte importante do aparelho que se mobilizou, e se calhar até se mobilizou melhor, porque fez melhor essa contabilidade e porque fez melhor esse trabalho E que levou militantes a votar, porque é assim que aquilo funciona. Eu não acho que seja ele o elefante no meio da sala, mas acho que há uma ideia que pode ser o elefante na sala, que não é obviamente o Passos Coelho, coitado do homem, nem sequer se meteu nas eleições e tem mais que fazer, tem mais em que pensar. Mas há duas correntes no PSD, dois entendimentos daquilo que deve ser o PSD, que estão em confronto e não é de agora. O Alberto João Jardim, numa entrevista ou num debate televisivo, falou sobre isso, quando se referiu à tralha passista que vinha aí com o Paulo Rangel. Há aqui duas ideias diferentes de PSD. A ideia que não é a ideia passista, é a que tem ganho eleições nos últimos anos.
Mas consegue definir, consegue concretizar mais claramente o que são essas duas correntes que nesta altura estão no PSD?
Eu acho que essas duas correntes até são duas correntes que estavam visíveis naquilo que eram as duas moções e naquilo que é o entendimento estratégico que cada uma destas correntes tem pra aquilo que deve ser o PSD. Mas isto é uma questão que dura há mais de 40 anos. O PSD sempre teve esta disputa entre a afirmação de uma alternativa de poder e a concretização de um projeto político alternativo de poder, e uma corrente que se conforma com alguma espécie de subalternização. Depois há uma série de coisas que contribuem pra isto. Eu tenho ideia. Por exemplo, no início do governo Passos Coelho, em 2011, durante o primeiro ano, muita da militância do PSD não ficou agradada, por exemplo, com o fim dos governos civis, não ficou agradada com a reforma das freguesias, porque houve ali uma série de lugares que se foram perdendo, não ficaram contentes, por exemplo, com o fato de, durante aquele governo, muitos cargos intermédios, muitos lugares no aparelho do Estado, terem continuado na titularidade de pessoas que eram ligadas ao PS. Aliás, o Álvaro Santos Pereira, num livro que escreveu já depois de ter saído do governo, que se chama "Reformar-se sem medo", fala sobre isso e diz que houve uma altura em que recebe um dirigente do PSD, que quer falar sobre uma coisa muito importante, ele achava que era uma reforma qualquer que ele estava a fazer, e depois ele explica que afinal não, era porque Álvaro Santos Pereira não estava a nomear a malta do partido. Ao longo dos quatro anos do governo de Passos, houve, de facto, uma fação grande no partido que não adorou aquela solução, que não gostava do governo, e que depois teve que se conformar com ele por causa do resultado eleitoral de 2015. Mas à primeira oportunidade, assim que o viram pelas costas, aquela corrente não voltou a acontecer. Portanto, por isso é que Rui Rio ganha eleições atrás de eleições, porque primeiro, domina o aparelho, e segundo, porque a maioria, mesmo que seja residual, 52%, a maioria desse aparelho se revê num entendimento diferente. E aquilo, durante a campanha eleitoral, aquilo que o Rui Rio conseguiu fazer, foi explicar àquilo que são os quadros dirigentes do partido, e os quadros dirigentes do partido não são os dirigentes distritais ou concelhios que estão eleitos, e que no caso apoiavam o Paulo Rangel. Por isso é que também se criou esta ilusão de que o aparelho apoiava o Paulo Rangel, porque o aparelho também é composto pelas pessoas e pelos dirigentes ou ex-dirigentes que estão na oposição nos distritos e nos concelhos. Agora deixa-me só terminar isto. O Rui Rio garantiu a grande parte do aparelho que, através da sua estratégia política, o acesso à esfera do poder se garante, quer ganhe, quer perca eleições. E mesmo que as perca, garantiu que talvez daí a dois anos as possa finalmente ganhar.
Nuno Sá de Poças, essa perspectiva é muito interessante. Eu ouvia o José Manuel Fernandes, penso que ia concordar. José Manuel, pedia-te um comentário breve, porque temos de facto muitos ouvintes para participar e antecipando um pouco aquilo que possamos ouvir, queria esclarecer contigo. A comunicação social é de facto, e tem sido de facto mais exigente com Rui Rio do que com outros líderes políticos. Ouvimos isto aqui, prevejo que esse tipo de intervenção vá continuar a aparecer aqui no "Contra Corrente."
Eu diria o seguinte: eu acho que a comunicação social, de uma forma genérica, é mais exigente com líderes do PSD do que com líderes do PS, isso claramente. E isso seria com Rui Rio, como foi com Passos Coelho, como foi com Durão Barroso, como foi com Cavaco Silva, até como foi com Marcelo Rebelo de Sousa, não tanto porque Marcelo Rebelo de Sousa foi líder do PSD. Regra geral, bastante menos exigente com os líderes do Partido Socialista quando fazemos essa comparação. No que diz respeito a Rui Rio em particular, e se compararmos Rui Rio com Paulo Rangel, eu acho que houve um bocadinho de tudo nesta campanha eleitoral e podemos dizer que muitas opiniões foram mais favoráveis a Paulo Rangel do que a Rui Rio. Opiniões. Na cobertura em si, até me pareceu, por exemplo, que Rui Rio teve direito a mais entrevistas do que Paulo Rangel, que Rui Rio claramente teve mais cobertura noticiosa, até porque é líder do partido. Agora, há algo que é indiscutível. Rui Rio tem uma relação difícil com a comunicação social, porque tem uma relação difícil com a liberdade de imprensa. Eu tive uma vez um debate Participei uma vez num debate a convite de Rui Rio no Porto quando ele era presidente da Câmara. E devo dizer que ele me convidou para esse debate dizendo: "Preciso de alguém que discorde de mim". E eu fui lá para discordar dele e tivemos um debate aceso, porque o debate era precisamente sobre o papel da comunicação social, em que ele acha mesmo que nós, jornalistas, como não somos eleitos, ele disse isso, é uma coisa que Spiro Agnew, um antigo político dos Estados Unidos, vice-presidente do Nixon. É bom recordar estas referências. Também uma vez disse: "Vocês não são eleitos jornalistas, não têm o direito de nos criticar políticos eleitos". Ele acha que nós, como somos eleitos, não podemos andar sempre a criticar os eleitos, porque os eleitos estão ungidos pelo-
Pelo suporte popular
...pelo suporte popular. Evidentemente que eu discordei dele e até tive que voltar a pedir a palavra. Estávamos todos no palco, mas voltar a subir ao sítio onde estava o microfone para eu poder responder ao que ele tinha dito. Enfim, foi tudo amigável, não houve ali nada que fosse fora dos limites da civilidade, mas há esta divergência, há esta forma como ele tem de olhar para a liberdade de imprensa, que não é, na minha perspectiva, a melhor forma. E a sua relação com a imprensa, designadamente quando ele ocupou cargos públicos na Câmara do Porto, foi sempre má. E foi má desde o primeiro dia. Se quiserem, posso começar aqui a contar histórias, mas acho que não vale a pena. Porque tive muitos problemas escusados, na altura, noutra posição diferente, eu era diretor do público nessa altura. Tive muitos problemas escusados com Rui Rio por causa de posições que ele assumia, designadamente de limitações de acesso à informação. Não foi só com ele. Tive com João Soares, tive mais tarde com António Costa. Essas coisas aconteciam com vários presidentes de Câmara, devo dizer que sobre isso não há-
Não é exclusivo do Rui Rio.
Não é exclusivo. E não é exclusivo do PSD, acontece muito com outros partidos. Agora, de facto, a maneira até às vezes um bocadinho acidiana. Ele resolveu no discurso de vitória atacar a imprensa. O mais perto que há disto. Às vezes isso pode até resultar, por exemplo, com o Trump resultou. Não estou a compará-lo ao Trump, ele não é igual ao Trump, mas com o Trump foi uma tática que resultou atacar. Criar um inimigo externo para unir as tropas internamente.
Vamos tentar agora, sim, e espero que agora resulte, o contacto com o José Sousa, que está no Porto. Aqui é o gestor José Sousa. À terceira vai ser de vez, não vai? Bom dia.
Bom dia, penso que sim. Vamos ver se consegue.
Vamos torcer para que sim. Vamos lá então.
Ora bem, relativamente à vitória do doutor Rui Rio, não sendo militante do partido, fiquei contente. Acho que aquela questão que se coloca sobre a sexualidade ou as preferências ou orientações sexuais do doutor Paulo Rangel, não é uma questão que se põe. E se alguém a colocar hoje em dia tem bem que dar a volta ao assunto e ir em frente, porque temas como esse e como outros, são hoje em dia temas que a sociedade tem que pôr para trás, porque estávamos a falar de política e não de orientações ou preferências, ou seja o que for. Relativamente à vitória do doutor Rui Rio, eu gostava de dizer o seguinte: eu sou do Porto, eu conheço-o por questões profissionais e devo dizer que o doutor Rui Rio é um resiliente. Eu acho que se o doutor Rui Rio fosse uma árvore, seria uma árvore de ginkgo biloba, que é uma árvore que sobrevive a ataques atômicos e que vai florescendo onde toda a gente menos pensa que ele vai florescer. Por quê? Porque ele é um trabalhador, porque ele é um lutador. Porque aquilo que o faz ser maior é claramente isso, é contrariar expectativas. Relativamente àquilo que o José Manuel Fernandes disse, e eu concordo em absoluto, o doutor Rui Rio tem um problema com a comunicação, não com a comunicação social, mas com a comunicação, portanto, com o elemento de comunicar para fora. E fazer política em Portugal e no mundo obriga objetivamente a ter que se falar com muita gente e a dialogar para fora. Se não estou em erro, tivemos um primeiro-ministro que também foi presidente em Portugal, que inclusivamente teve aulas de dicção, se não estou em erro, com Rosa Lobato Faria, para poder discursar melhor e falar melhor, que foi o professor Aníbal Cavaco Silva.
Glória de Matos, deixe-me corrigir. Foi com a professora Glória de Matos.
Obrigado. Acredito que António Costa queria que ganhasse Paulo Rangel. Paulo Rangel, na minha opinião, não está preparado, ou não estaria, neste caso, preparado para aquilo que é a exigente governação de um país. Não é a mesma coisa que ser deputado europeu. Obviamente que o doutor Rui Rio tem resultados com a Câmara Municipal do Porto. E deixe-me dizer-lhes uma coisa. Eu trabalhei numa empresa há um valente par de anos, onde havia negócios com a Câmara Municipal do Porto como fornecedor. E eu recordo-me quando o doutor Rui Rio entrou na Câmara, não havia dinheiro para comprar uma resma de papel E a verdade é que, suprindo aqui e suprindo acolá, quando ele saiu, a Câmara Municipal do Porto estava recapitalizada, conseguia financiamentos quando necessitava e havia dinheiro para fazer muita coisa, e eu sou testemunha disso. Portanto, eu gostava muito de o ver como primeiro-ministro e acho claramente que é o único político, não sendo um político como o António Costa, que é um animal político, no bom sentido da palavra. Acho que é o único político claramente capaz de fazer frente a António Costa nesta situação. E terminando, dizendo o seguinte: acho que o Rui Rio, e peço desculpa pela expressão, é um político de execução, é um político de resolver problemas. É para fazer, é para fazer, não é para dizer que vamos fazer. E acho que responde um bocadinho àquela máxima que nós não vamos tendo no nosso país. No nosso país, nós vamos tendo: "Epá, deixa andar, deixa ver, vamos ver." Ele não compatua com essas coisas. Ele é um profissional, é um economista, é um homem de resultados frios, às vezes frios demais, mas a verdade é que ele resolve os problemas. O doutor Paulo Rangel, penso que responderia um bocadinho mais àquela corrente política tradicional de ficar bem. E terminava dizendo só o seguinte: eu acho que o doutor Paulo Rangel, para muitos militantes com os quais tive algumas conversas durante o fim de semana e durante as últimas semanas, perde um bocadinho a corrida quando diz: "Não se preocupem que se eu ganhar, terá sido mais ou menos alguma coisa deste estilo. O presidente do partido vai estar mais por Lisboa." E eu acho que, se calhar, esse também é um dos problemas do doutor Rui Rio. Para mim, não é um problema, mas para muita gente é um problema. Muito obrigado e bem-haja.
José Sousa, muito obrigada nós e agradeço-lhe a resistência por ter conseguido dar a sua opinião depois de duas tentativas falhadas, aqui problemas de comunicação. Bom dia para si. Hilda Pinheiro está em Ermesinde, é formadora. Bom dia.
Bom dia.
Bom dia.
Queira desculpar, já agora uma observação, eu não ouvi nada do que o ouvinte anterior disse, aqui do Porto. A comunicação está mesmo péssima. É só um alerta.
Sim, é um alerta que aqui fica. Obrigada. Ainda não tínhamos tido essa informação, aqui fica. Pode ser por estar em linha, mas enfim.
Já outra participação, também não ouvi nada. Pronto, aqui no Porto, não estamos a conseguir, na área metropolitana, apanhar algumas intervenções daqui.
Muito bem, Hilda, obrigada.
De nada. É o seguinte: bom dia a todos. Eu para a semana passada participei e disse que havia surpresas.
Lembro-me perfeitamente. Lembro perfeitamente, você disse: "Ia haver muitas surpresas." Acertou.
Acertei. Objetivamente, o elefante branco na sala existiu. E o elefante branco foi o séquito de ilustres do PSD e também da linha de Cascais. Por acaso, o doutor Paulo Rangel foi para Lisboa e é do Porto. E o doutor Paulo Rangel é a segunda eleição para líder do PSD. Perdeu em 2010 com o doutor Passos Coelho. E penso, minha humilde opinião, que à terceira perde na mesma. Porque é assim, a comunicação social e os ilustres têm que ver. O caciquismo, como foi aí falado, existe, ainda existiu, mas é já uma réstia, porque os militantes, não somente captam, têm acesso à informação, portanto, fazem a sua opinião. E a vitória foi o discurso claro. As pessoas sentem genuinidade, autenticidade no que vai fazer, porque é assim. Também admiro a doutora Helena Matos a dizer: "Ai, fazer eleições, outro erro crasso. Como é que vai ser? Ai, o António Costa é muito bom político." Toda a gente diz na comunicação social. É um animal político, mas tenho que dizer que o povo sabe. O doutor António Costa aumentou 60% da dívida para 120. E o povo português não quer um país endividado, quer um país desenvolvido, que cria riqueza e dá qualidade de vida aos portugueses. E o doutor Rui Rio, tem defeitos e qualidades como todos, mas fala com clareza, tem propostas. Por exemplo, o slogan do doutor Paulo Rangel: unir, vencer e ganhar. Muito bem, mas depois é oco no conteúdo. Ele tem que galvanizar a dizer como é que vai fazer isso. As propostas da Justiça, zero. Portanto, a Segurança Social, zero. Portanto, é só lugares e os militantes notam que este séquito de ilustres anda atrás de lugares. E outra coisa, o doutor Paulo Rangel, realmente para eu votar, se calhar escolhe uma ambição secreta, que era ser chefe de governo, para poder ser no futuro presidente do Conselho Europeu, porque tem que ser chefe de governo ou chefe de Estado, Presidente da República. Portanto, deve ter essa ambição também secreta. E o povo português quer é que o país desenvolva e governe para o povo. E continuam a persistir neste erro, não conseguem ver, por jeitinho. E também a questão da homossexualidade pesou. De facto, pesou. Se calhar, de forma residual, mas pesou no eleitorado conservador. Eu ouço pessoas a dizer que se ele fosse candidato a primeiro-ministro do PS, que não votavam nele. Do PS. Que votavam no Rui Rio, porque o Rui Rio, se calhar com jeitinho, ainda ganha com maioria absoluta. E depois vai ser uma surpresa enorme, porque ele não tem o discurso oco. Portanto, o doutor Rui Rio tem Ganhou no discurso, na preparação, na clareza. Até pode depois no fim não fazer tão bem, pois nós estamos para julgar com o voto. Mas ganhou porque fez o TPC de casa, está bem preparado, tem uma ideia, pode não ser a correcta na opinião dos outros, pois claro, estamos num estado de direito democrático, tem que haver divergência, mas de facto tem. E os eleitores querem isso. Portanto, é importante que as pessoas percebam a realidade do país.
E a Ilda Pinheiro fez aqui uma descrição dos dois candidatos e explicou, na sua perspectiva, porque é que Rui Rio foi o vencedor. Ilda Pinheiro, muito obrigada. Um bom dia. Vamos ver.
Deixe-me só terminar de dizer isto. Vai continuar a ser reeleita a quarta, quinta, sexta, sétima, oitava, porque as pessoas estão cansadas deste séquito de ilustres do corredor do poder, porque eles só estão lá para gerir. A maior parte são advogados, têm gabinetes de advogados na praça pública para gerir os seus interesses pessoais. A comunicação social também tem que dizer isto. Mas as pessoas até menos esclarecidas têm consciência disso, porque só há falso. E tive pena, porque também admiro o doutor Paulo Rangel. Os olhos marejados, porque ele rodeou-se deste séquito de ilustres e, portanto, foi o erro traço dele.
Ilda Pinheiro, muito obrigada, e um bom dia. Helena Matos quer já acrescentar qualquer coisa?
Sim. É curioso. Em relação a isto que acabámos de ouvir, eu acho que é preciso ter em conta o seguinte: nota-se que o eleitorado de Rui Rio está muitíssimo mobilizado. Nota-se também que só tivemos telefonemas do Norte. Ou seja, o grande problema é que o PSD vai a legislativas no país todo, do Minho ao Algarve. E aí, este tipo de discurso, e note-se aqui a questão que já veio com o outro ouvinte anterior, do Rangel, que veio para Lisboa, isso não vai funcionar. Antes pelo contrário. Nós, neste momento, e isso também se notou bem na votação, temos um partido, não é uma questão de litoral e interior, mas temos aqui um norte e um sul. Em relação ao PSD. Em relação à questão da campanha eleitoral, eu acho que é preciso ter em conta o seguinte: António Costa é um mau político em campanha. António Costa é um bom político em gabinetes, mas é um mau político em campanha. Em geral, os debates não lhe correm bem. Para alguém com aquela experiência, esperava-se mais. Ele tem uma visão sempre muito de antagonista das coisas. Não está ali para debater ideias. A certa altura, é quase como se estivesse para debater pessoas. Não é por acaso que acabou quase a dar uma estalada uma vez numa pessoa numa rua. Portanto, temos um mau político em campanha.
E Rui Rio é diferente.
Rui Rio é de facto diferente e na parte económica está sem dúvida incomensuravelmente melhor preparado. Tem um discurso mais fluente e mais eficaz. Agora, eu acho que as pessoas apoiantes de Rui Rio neste momento estão exatamente a sofrer, talvez, do mesmo problema que acusam os apoiantes de Paulo Rangel. Eles acham, portanto, que os apoiantes de Paulo Rangel estavam numa espécie de uma bolha e que, como estavam nessa bolha e todas as pessoas apoiavam Paulo Rangel, achavam que iria ser esse o comportamento do partido. Quiçá, estão neste momento a ter exatamente o mesmo erro de perspectiva, que é da sua bolha, ainda para mais muito específica do ponto de vista geográfico, achar que, e sendo eles 18 mil, e temos de passar para os tais necessários 1 milhão e 900 mil, que todo o país vai ter a mesma perceção que eles têm do Rui Rio. Não sei se isso acontecerá, duvido, e sobretudo, tenho a certeza que não poderão ter essa perceção com este discurso quase holicipobofóbico. Portanto, acho que tem de haver aqui um ajustamento.
O Nuno Gonçalves Passos continua conosco em linha e que nos dizia no início, na primeira intervenção, que a divisão que havia no PSD era uma divisão quase ideológica sobre onde se deveria posicionar o partido perante o Partido Socialista, nomeadamente. Nuno Gonçalves Passos, também encontra nesta altura e depois desta campanha interna com as características que conhecemos, há também esta divisão contra Lisboa? Encontra também isso?
Há, mas isso sempre existiu. Eu acho que não existe só no PSD, eu acho que isso existe no país. Agora, também acho um bocadinho estranho que se venda um bocadinho esta tese. Consegue me ouvir?
Sim.
Peço desculpa. Que se venda um bocadinho esta tese de que a comunicação social que não é simpática para o doutor Rui Rio ou que ele não consegue fazer passar a sua mensagem. Aliás, até acho que funciona ao contrário. Nós tivemos uma eleição em que um dos candidatos, o Paulo Rangel, esclareceu desde muito cedo que tinha uma linha vermelha, e portanto, não fazia acordos pré-eleitorais ou pós-eleitorais com o Chega. E o doutor Rui Rio só numa parte muito final da campanha acabou por dizer o mesmo, mas tem o histórico dos Açores, esteve durante muito tempo ali alguma ambiguidade e, portanto, deixou a porta aberta a esse tipo de coligações. E aquilo que foi vendido, e a perceção que foi criada, é de que o doutor Paulo Rangel representava a direita radical do partido e que o doutor Rui Rio era uma pessoa moderada e centrista. Eu não consigo perceber isto, mas aquilo que esta senhora dizia há pouco, eu acho que faz algum sentido relativamente àquilo que eu dizia, à dicotomia que existe dentro do partido. Não tem necessariamente que ver com o eixo Lisboa-Cascais. O problema é que o eixo Lisboa-Cascais representa no partido a tendência que não é
Ideologicamente ou estrategicamente a mesma que existe no resto do partido espalhado pelo país fora. E eu acho que o doutor Rangel cometeu ali um erro. Parece que ele tem um pouco de azar, porque em 2010, curiosamente, as pessoas que agora não o apoiaram, foram as pessoas que estiveram com ele. E agora aconteceu exatamente o contrário. Portanto, o doutor Paulo Rangel teve este problema, que foi: nunca conseguiu afirmar a sua tentativa de liderança como um projeto seu. Em 2010, ele era o herdeiro desta facção que se materializou em Rui Rio em 2017 e naquela altura que vinha de Manuel Ferreira Leite. E agora aconteceu exatamente o contrário, ele passou a representar, mesmo que não queira, eu não acho que seja esse o caso, mas passou a representar uma corrente do partido que já não era bem-vinda. Isso significou basicamente isto: ele fez um grande discurso inicial, um muito bom discurso de apresentação de candidatura. E depois, ao longo do tempo, eu tenho essa sensação, que ele foi perdendo o gás na campanha, que se virou exclusivamente para dentro e que deixou aquilo que era a estratégia da sua campanha entregue às pessoas que não são bem-vindas para a maioria do partido. Por exemplo, para chamar aqui os bois pelos nomes, o engenheiro Pinto Luz, que nas primeiras semanas da campanha interna estava constantemente em televisão a fazer a defesa da candidatura do Paulo Rangel. Eu acho que internamente estas coisas pesam e, portanto, o doutor Paulo Rangel nunca conseguiu afirmar a sua candidatura como uma coisa dele. Ele representa sempre uma dessas duas facções e é sempre encarado como alguém que está a ser instrumentalizado por alguém para ser candidato. E talvez por isso, também tenha perdido as duas eleições.
São algumas explicações que vai encontrando. Nuno Gonçalo Pais, muito obrigada por ter estado conosco no Contra Corrente. Um bom dia para si. E vamos agora já em direto para um dos locais que mais se tem falado esta manhã, Cascais. É lá que está o Jaime Fernandes, que é reformado. Bom dia.
Olá, bom dia.
Bom dia. Jaime Fernandes, vou lhe pedir para tirar o som da rádio, por favor. Vamos falar apenas pelo telefone e agora fica muito melhor. Bom dia, como é que acompanhou estas eleições no PSD?
Antes de mais, quero dar nota de que efetivamente houve alguns intervenientes que não consegui ouvir. E, portanto, um bom dia a todos.
Estamos com um problema e obrigada por também nos chamar a atenção para ele. Obrigada.
É só para confirmar. Muito bem. Indo agora ao assunto, eu, em primeiro lugar, acho que Paulo Rangel perdeu, porque há aqui uma situação que deve ser esclarecida e que estranho muito a posição do senhor José Manuel Fernandes, que é os eurodeputados, que de repente têm uma oportunidade para vir para Portugal para o pé do poder, ganham ordenados chorudos, não pagam impostos, têm uma série de benefícios e de repente o compromisso que tinham de ir representar Portugal na Europa, e que aliás parece que até houve uma avaliação feita recentemente e deixa um bocadinho a desejar o que é que andam a fazer. Obviamente eles não têm tempo porque passam a vida a viajar para cá, e de repente então decidem intervir. E eu discordo. Isto aconteceu com o Bloco de Esquerda, com a Marisa Matias, isto aconteceu com o Nuno Melo no CDS, acontece agora com o Paulo Rangel, eventualmente com mais alguém. Ora, eu como contribuinte vejo com grande revolta que estas pessoas que vivem uma situação fantástica, com o nosso dinheiro de contribuintes, de repente esquecem-se do compromisso. Eu entendo que se uma pessoa quer mudar e quer concorrer, nessa altura deixa de ser deputado europeu e depois assume as consequências de perder ou ganhar, mas com o nosso dinheiro é que não. Acho muito mal, sobretudo com o país que está em muito mau estado. Relativamente à questão do elefante branco do senhor Paulo Rangel. A homossexualidade é uma opção de cada um, que eu respeito, e chamo a atenção que nesse setor ainda hoje em dia há muito sofrimento à volta desse problema. Mas agora aquilo que eu não acho bem é que venha trazer a público a questão da sua homossexualidade. Isso é uma questão íntima e que os portugueses não estão nada interessados nesse assunto. Os portugueses têm problemas muito graves e andou-se aqui uma semana a debater tudo isto. Se isto era um problema, se não era um problema. Isso é um problema pessoal dele, é uma opção dele e que cada um deve respeitar. Agora ele é que não respeitou a sua opção. Acho que foi uma das razões que lhe correu mal. Contra quem é que ele estava a concorrer? Estava a concorrer contra Rui Rio. Rui Rio, obviamente, cometeu erros, nomeadamente o facto de acabar com as audições ao Partido Socialista no Parlamento.
Os debates quinzenais.
Os debates quinzenais. Cometeu uma série de erros, mas Rui Rio é um homem honrado, tanto que ele não tem papas na língua, atira-se à Maçonaria, ao Pinto da Costa, a quem fizer falta. À comunicação social, ele é o homem que diz preto no branco: "Eu não sou o adepto do Rui Rio". Agora, considero que ele é um homem que os portugueses, e a eleição dentro do PSD assim o demonstrou, que neste momento Portugal precisa. É um homem que tenha pouco jogo de cintura, mas que governe e que leve o país a bom porto, que é isso que nós precisamos. E que se deixe já dessa situação de negociatas políticas, que é isso que ele resolveu ir ter com os votantes e não com estes bafos que já não funcionam neste país, que têm levado o país à desgraça. E por outro lado, é talvez um homem que possa ajudar. Será o voto de revolta, muita gente irá votar nele com o voto de revolta, como irá votar no Chega. Porque há uma coisa que é vergonhosa, que a comunicação não tem falado. Quem vai ganhar aqui, e eu vou ser a primeira pessoa a acertar nas sondagens, vai ser a abstenção, vai ser o partido maioritário entre a ajuda que o senhor Presidente da República deu a toda esta situação, que tem dado.
Isso não é difícil ganhar.
Esse é fácil, não é, Jaime?
É claro que sim, mas o senhor José Manuel Fernandes e a simpática locutora. Não é fácil, mas é triste. É triste, ainda por cima, neste momento em que estamos a tentar apanhar dinheiro da bazuca. É muito triste que o povo não tenha atitude de cidadania e que não vá votar. Responsabilidade de quem é? Da classe política, que tem desiludido imenso. Portanto, eu acho que Rui Rio, apesar de tudo, é uma pessoa que pode mobilizar a sociedade a ir votar. E acusam-no de ser esquerdiado. Mas eu, apesar de não ser nada por esse lado, pensar de outra forma, acho que a riqueza é gerada pelas empresas, há uma situação que é necessária reconhecer: o país está cheio de problemas. Se não houver uma palavra de esperança pra quem está desesperado, porque hoje em dia os salários, com a inflação que a geringonça gerou, os salários dos operários não valem pra nada. Eles não têm poder aquisitivo absolutamente nenhum.
E, portanto, acha... Mesmo para terminar, Jaime Fernandes, por favor.
Sim, senhora. Desculpe. Diga.
Não tem que pedir desculpa, pedia só para concluir, porque deixou aqui a ideia que acredita que Rui Rio vença as eleições porque tem esta imagem de homem honrado.
Sim, se ele tiver um bocadinho de jeito com os erros que o governo do António Costa tem feito, que são imensos, e com as promessas que tem feito. Mas enfim, basta ver o que ele fez. Comprou não sei quantos milhões de euros de helicópteros de sucata com o dinheiro do contribuinte. Comprou máscaras que não funcionavam. Comprou os respiradores que também não funcionavam. Tem um ministro que atropela e que faz o que lhe acontece e que não dá satisfações a ninguém. Com um bocadinho de jeito, ele vai conseguir mobilizar os portugueses, e eu acho lá que sim.
Jaime Fernandes, muito obrigada pela sua intervenção.
Obrigado, bom dia.
Um bom dia para si. Aqui também com uma explicação para a derrota de Paulo Rangel, pode não ter caído bem nos militantes, Paulo Rangel querer interromper o mandato para o qual foi eleito no Parlamento Europeu. Em Lisboa está agora o engenheiro José Serras. Bom dia.
Bom dia.
Estamos com dificuldades nesta chamada telefónica. Vamos tentar corrigi-la passando para o próximo ouvinte, que está nos Açores, está na Ilha Terceira. Luiz Almeida, que é programador. Muito bom dia e bem-vindo, Luiz Almeida.
Bom dia, muito obrigado pela oportunidade de falar aqui convosco e dar a minha opinião. Antes de mais, gostaria de vos agradecer pelo bom jornalismo que vocês estão a fazer, que é uma lufada de ar fresco aqui no nosso país. Mas passando ao assunto em questão, na minha opinião, acho que nós devemos ver isto duma perspectiva maquiavélica, que é: quem é que eles estavam a eleger? Os eleitores do PSD não só estavam a eleger o líder do partido, mas a pessoa que iria concorrer às próximas eleições pra primeiro-ministro. Ora, depois de seis anos de governo socialista com o apoio da esquerda, os eleitores pensaram: "Bom, quem é que terá melhores probabilidades de conseguir tirar o senhor Costa do cargo de primeiro-ministro e voltar a pôr lá o PSD ou, neste caso, também a direita?" O doutor Rangel queimou uma ponte que foi não aceito o bloco central e não faço acordos com o CHEGA. O doutor Rio está aberto a entendimentos com o PS, caso ganhe ou fique em segundo lugar, e também está aberto, com determinadas linhas vermelhas, obviamente, a fazer um acordo com o CHEGA. Com o CDS e com a Iniciativa Liberal, nem é preciso dizer nada. Que a porta pra eles, creio eu, estará sempre aberta. Ora, nesta perspectiva, o objetivo é ganhar as próximas eleições. E quem tem mais pontos e mais possibilidades de ganhar as próximas eleições, neste caso, seria o doutor Rui Rio. Também pelo fato de o doutor Rui Rio ser capaz de ir buscar votos ao PS. Um dos objetivos, no todo, que os eleitores do PSD e, em geral, da direita têm, é todos juntos conseguirem mais de 50% do Parlamento. Isso só é possível de duas maneiras: ou conseguir captar o voto da grande onda de abstenção e de pessoas que não saem de casa, ou ir buscar votos à esquerda. E nesse sentido, mais uma vez, o doutor Rui Rio está muito melhor posicionado que o doutor Rangel porque consegue ir buscar votos ao PS. É esta a minha opinião. Muitíssimo obrigado.
Luiz Almeida, muito obrigada por tê-la aqui partilhado dizendo que Rui Rio tem mais condições para criar pontes. Será mesmo? O André Azevedo Alves é politólogo, é habitual presença aqui no Contra Corrente e está agora em linha. Bom dia, André Azevedo Alves.
Bom dia.
Rui Rio é mesmo a pessoa, é a liderança que permite outro tipo de condições de governabilidade se vencer as eleições ou estiver lá perto?
Eu acho que o Rui Rio sai claramente reforçado destas eleições internas. Não me parece que saia como favorito pras eleições legislativas, mas sai melhor do que antes das eleições internas e acho que foi um momento de clarividência do Rui Rio não ter optado pelo mesmo caminho que o líder do CDS e de adiar na secretaria a clarificação interna e percebeu que pro PSD, pra ele próprio, ainda que arriscando poder perder a liderança, que seria esse o caminho mais avisado. Creio que a vitória
Contra muitas expectativas e contra o apoio de muitos notáveis do partido, como se falava aqui há pouco, é uma vitória que reforça a posição de Rui Rio. Ao mesmo tempo, acho que as eleições serão difíceis pro PSD, como seriam também com Paulo Rangel. Não estamos perante um cenário em que seja evidente que vá haver uma mudança de ciclo político, ainda que Rui Rio vá pras eleições legislativas numa posição que me parece claramente reforçada.
E o que pode explicar o fato de Paulo Rangel não ter conseguido, contra aquilo que parecia aparentemente garantido, tendo muito do aparelho do partido com ele? O que pode explicar a derrota de sábado? Pode haver questões que têm a ver com o conservadorismo dos portugueses, dos militantes do PSD, mas não só, mas da sociedade portuguesa em geral?
Isso francamente não parece. Acho que não temos nenhuma indicação nesse sentido. Não foi um tema. Sinceramente, não me parece que essa seja uma explicação minimamente plausível. Em relação à questão do aparelho, acho que é algo mais plausível, embora eu não colocaria a questão em termos de uma dicotomia entre bases e aparelho. Eu próprio, na reação rápida que escrevi pro Observador, intitulei "A vitória das bases", o que eu acho que foi de fato o que aconteceu, mas acho que não foi necessariamente uma vitória das bases contra o aparelho. E por que eu estou a dizer isso?
Não foi o voto livre?
Foi o voto livre, o voto foi livre. Tanto quem votou em Rangel e quem votou em Rui Rio, não houve notícia de coerção. Acho que todo voto foi livre. Agora, naturalmente, Rui Rio ganha também com uma parte do aparelho. E um dos dados mais relevantes do que se passou nessas eleições é que, por exemplo, uma figura como Salvador Malheiro emerge como tendo, no PSD atual, mais peso do que Pinto Luz, do que Miguel Relvas. Figuras muito ligadas ao aparelho do PSD, que apoiaram Paulo Rangel e que se comprovou que têm hoje menos peso, menos capacidade de mobilização, menos capacidade de gerar líderes do PSD ou ser um apoio decisivo pra líderes do PSD, do que aconteceu no passado. Portanto, nesse sentido, eu acho que a questão não é tanto as bases contra o aparelho, ainda que Rangel tenha reunido um conjunto de apoios distritais e conselheiros muito relevantes. Há uma parte que é de fato isso, mas é também uma vitória de uma parte do aparelho. E depois acho que há um aspecto fundamental, que também já se estava a falar há pouco com o Nuno e com a Helena, que é a clivagem regional. Acho que o PSD tem uma clivagem regional muito forte e os resultados demonstram isso. Rangel ganha Lisboa com uma margem significativa e perde as outras principais distritais do PSD, algumas das quais, nomeadamente Porto e Aveiro, com uma margem também muito significativa. Há uma clivagem regional interna no PSD forte, e esse é um dado a ter em atenção.
E o fim do pacismo? Podemos também olhar nesta perspectiva?
Não, não me parece. Acho que Passos Coelho não teve uma intervenção ativa nestas eleições. Eu até arriscaria dizer que Marcelo Rebelo de Sousa indiretamente teve mais intervenção, talvez por não resistir. Acabou por ter mais intervenção, ou tentar ter, nas eleições internas do PSD do que o próprio Passos Coelho, que acabou por estar mais reservado, mesmo em termos de sinais indiretos. Obviamente, Passos Coelho não pode controlar o que as pessoas que o apoiaram fazem. Não podia proibir as pessoas que o apoiaram, e que são militantes ativos do PSD, de apoiarem quem muito bem entendessem. Não me parece. Aliás, como também já foi aqui lembrado, na anterior tentativa de Paulo Rangel chegar à liderança, perdeu pra Passos Coelho. Aliás, se calhar esse é um dos problemas, e eu aí concordo também com o que o Nuno referiu há pouco. Acho que um dos problemas de Paulo Rangel é que nunca ficou muito bem claro o que ele representava no partido. Ou seja, é uma figura com muitos méritos.
Onde é que ele está, no fundo.
Onde é que ele está, exatamente. Porque dá a ideia que há 10 anos representava uma facção, ou um conjunto de facções, da mesma forma que 10 ou 11 anos depois também pode representar praticamente, a situação mudou, mas quase o oposto no contexto interno do partido do que era há 10 anos. Nesse sentido, tendo qualidades intelectuais, que eu acho que ninguém disputa e que ninguém contesta, e tendo também experiência política, ainda que não executiva, e acho que isso pesou também, provavelmente na decisão para alguns militantes, a experiência executiva de Rui Rio, a sua trajetória como presidente da Câmara do Porto e depois outros cargos. Mas acho que Paulo Rangel nunca ficou muito claro o que é que efetivamente representava. Isso terá sido também um aspecto que não ajudou, não obstante as suas outras qualidades, a que se conseguisse afirmar nestas eleições internas.
André Azevedo Alves, muito obrigada pela análise. Um bom dia pra si e vou já cumprimentar os próximos ouvintes inscritos. Vamos ao Porto, novamente. João Santos é empresário. Bom dia.
Sim, muito bom dia.
Bom dia.
Desde já, uma vez mais, obrigado ao Observador por poder estar a participar nesta vossa emissão. Penso que vou deixar mais pessoas tristes, porque é mais uma pessoa ligada ao Porto.
Acho que não deixa ninguém triste.
Pois, o que eu tenho estado toda a manhã a ouvir Falar sobre toda e qualquer tentativa de colocar ideias em cima deste processo eleitoral, porque foram as pessoas do norte, porque foram as pessoas idosas, porque foram as pessoas conservadoras, porque os militantes do PSD não sabem bem o que é que vão escolher. Portanto, foi só uma fação, foi só uma parte. Em todas as eleições existe sempre essa situação em que uma parte perde e outra parte ganha. E isso chama-se democracia. Agora, se vêm os votos do Norte, se vêm os votos do Sul, eu lembro que foi o Norte que impediu, se calhar, deste país ser a Albânia, e é o Norte que tem as indústrias e é o Norte que puxa por esse país. Eu sei que em Lisboa a coisa não pega assim muito bem, mas é o que é e nós temos que fazer. A eleição do Rui Rio, pelo menos teve uma coisa boa, é que aumentou as vendas de Rennie e das pastilhas para azia, e penso que o José Manuel Fernandes deve ter aí umas cinco ou seis caixas ao lado dele.
Não pratico.
Eu gosto muito de ouvir a Rádio Observador, ouço todas as manhãs a Rádio Observador, mas realmente hoje a minha chamada tem mais a ver com uma questão de protesto, não tanto porque todos os ouvintes que têm ligado até hoje têm basicamente esgotado os meus argumentos e com os quais eu concordo 100%, especialmente o primeiro interveniente, mas a verdade é que eu quando ouço o José Manuel Fernandes a lançar uma suspensão de uma hipotética homofobia das pessoas do Norte, das pessoas mais conservadoras, vai totalmente contra quando vejo o José Manuel Fernandes a falar sobre o Black Lives Matter, que não interessa a questão sexual ou a questão de raça, mas sim julgar a pessoa. E o caso é exatamente este. Rui Rio é uma pessoa que transpira trabalho, transpira honestidade. E isso não agrada muita gente. Está a tentar limpar o PSD de muitos tachos. Será perfeito? Não, não será perfeito. Terá os seus erros? Obviamente, terá os seus erros. E depois ouço aqueles argumentos: "António Costa é um bom político." Eu não sei o que é ser bom político. Bom político, mas para o partido dele e para quem anda à volta ali a gravitar, se calhar é. Agora, bom político para as pessoas, não é. Portanto, eu acho que a Rádio Observador, da qual eu gosto muito e vou continuar a ouvir, tem que também cingir-se mais aos factos e menos à questão de que quer, de uma maneira ou outra, tentar denegrir ou liderar alguma tendência. Toda a manhã foi a colocar suspeição sobre o processo, sobre a capacidade dos militantes de escolherem o seu líder para as próximas eleições. Terminando, eu acho que é preciso deixar as pessoas, as pessoas sabem o que estão a fazer, as pessoas sabem o que estão a eleger. Rui Rio tem aguentado contra tudo e contra todos e não há elefante nenhum na sala, mas sim, há muita gente que está de trombas hoje. Muito bom dia. Obrigado.
Bom dia, João Santos, e obrigada. E obrigada também por manifestar aqui o seu protesto. O Rui Ribeiro está em Sintra, é técnico de saúde e segurança no trabalho. Bom dia.
Bom dia a todos. Olhe, eu peço desculpa, não sei se vou repetir alguma das questões, porque houve aqui uma parte em que não pude assistir a tudo. A primeira é muito breve. São duas questões ou duas notas muito breves. A primeira é que eu acho que, enfim, como cidadão e como cidadão eleitor, considero que é uma total falta de respeito para quem, seja que político for, seja de que área de partido ele venha, quando se tem uma missão, no caso do Paulo Rangel, que foi cabeça de lista e é cabeça de lista ainda para o Parlamento Europeu, eu acho que essa função deve ser cumprida até o fim e nunca um candidato nessas circunstâncias deve mudar, porque isso é defraudar as pessoas e é defraudar os eleitores. Aliás, como acontece, por exemplo, com o caso do PCP, que o João Ferreira desde presidente da República tem sido candidato a tudo. Mas pronto, isso é outra questão. A nota final tem a ver com o Chega. Foi um aspecto importante que, desde o momento em que se anunciou as eleições, que o Chega acabou por fazer, particularmente André Ventura, acabou por fazer publicidade e quase que um apelo subliminar ao voto a Rui Rio. E isso, de facto, provavelmente para o Chega em particular, poderia ser um problema se eventualmente Paulo Rangel viesse a ganhar, atendendo ao preconceito que existe relativamente à sua orientação sexual. E portanto, interessaria de todo que Rui Rio fosse o vencedor, não só a pensar numa possível solução como está em vigor atualmente nos Açores, e portanto, provavelmente seria um problema muito sério atendendo a esse preconceito que existe, particularmente de André Ventura e se calhar, provavelmente, de todos os seus militantes, relativamente à orientação sexual das pessoas. Pronto, era esta a nota que eu queria dar e muito obrigado pela participação.
Muito obrigada nós e o Rui Ribeiro não se repetiu, não, deixou aqui ideias novas. Obrigada por ter telefonado. A Isabel Teles está em Cascais, é agente imobiliária. Bom dia.
Olá, bom dia. Obrigada pela oportunidade. Sei que tem um monte de gente. Mais uma vez, cumprimento todos e em especial hoje a Helena Matos, que é uma das minhas autoras favoritas. Pronto, eu só queria dizer o seguinte: eu sou já de uma certa idade, como têm estado a dizer, e fui militante do PSD.
Deixe-me dizer, certa idade, Isabel Teles, é 59 anos, não é?
Exatamente. Desde sempre que votei PSD, AD/PSD, etc, exceto nas últimas eleições de 2019, precisamente por causa da oposição ou falta de oposição do Do Dr. Rui Rio. Eu sou de Cascais, sou de Lisboa e também gostava de relembrar que essa coisa do norte e sul não tem cabimento no PSD, visto que há muito pouco tempo o engenheiro Carlos Moedas ganhou a presidência da Câmara de Lisboa, que é exatamente a mais importante câmara. Ele teve o apoio do Dr. Rui Rio e ganhou. E eu, sinceramente, sou simpatizante do engenheiro Carlos Moedas e gostei muito que ele tivesse ganho. Eu estou a tentar ser muito rápida. Eu sublinho tudo que o José Manuel Fernandes disse ao início, exceto a parte do elefante. Toda a gente já sabia a orientação sexual do Paulo Rangel, ou pelo menos a grande maior parte dos militantes e simpatizantes do PSD sabiam. Julgo que não é nada por isso. Agora, para mim, o elefante, que não é elefante, é mesmo mais um dinossauro, não por causa da idade, mas simplesmente por ser maior, o elefante ou dinossauro é mesmo o PS. O que eu tenho a certeza é que não vou votar no PSD. Neste momento, não faço ideia em quem é que vou votar, não será no PSD de certeza. Também não é no PS, etc., e por aí fora até à extrema-esquerda. Não sei em quem é que vou votar, não voto no PSD, mas o que eu sei é que não vou ter oposição. O Dr. Rui Rio, eventualmente, não creio que ganhe as eleições, mas para mim é absolutamente igual, ele ganhando ou não ganhando. Se ganhar, vai continuar a fazer exatamente o que este governo Costa tem feito. E se não ganhar, vai fazer aliança com o atual PS, e vamos ter exatamente a mesma coisa. E para já não vou dizer mais nada.
Já sabem quem não vai votar. Isabel Telmo, muito bom dia. Muito bom dia e obrigada pelo seu telefonema. Muito obrigada. Vamos ao último ouvinte que teremos tempo de ouvir neste Contra-Corrente, o Fábio Varela, é logista, Liga do Seixal. Bom dia.
Muito bom dia. Antes mais queria cumprimentar dois jornalistas que gosto muito de ouvir, José Manuel Fernandes e a Sra. Helena Matos. Infelizmente, eles não vão muito à televisão, porque hoje a esquerda está no poder e vão menos vezes. Eu gostava de ouvi-los mais vezes e vê-los mais vezes na televisão. Relativamente a esta vitória do Dr. Rui Rio. Era expectável. Eu gosto muito do Dr. Rui Rio. Em princípio, irei votar nele. Enquanto aos elefantes no meio da sala, eu tenho aqui duas dúvidas. Uma delas, um dos elefantes no meio da sala: será que isto foi a propaganda socialista nos media, que têm muita influência? Parece que não, mas têm. Os media têm muita influência. E de repente o Dr. Rui Rio começou a ter boa imprensa nestas duas últimas semanas, não sei, mas é um facto. E o outro elefante no meio da sala, que eu gostava que falassem, principalmente a Dra. Helena Matos, José Manuel Fernandes, tem a ver com a questão também de Alberto João Jardim e já Rui Rio por certas vezes realçou o facto da maçonaria. A maçonaria que está ligada ao PSD. Não sei se está ligado muito ao passismo. Outro dia estive a ver o Dr. Pedro Passos Coelho fez um trabalho excelente para o país, interrompido, mas não sei se está ligado e se calhar Paulo Rangel, que também gosto muito, mas se calhar foi apanhado ou tiraram-lhe o tapete pelo concorrer, porque dá uma sensação que muita gente diz o passismo, há gente que se cola, outros não, mas fez um bom trabalho e não há que ter medo de ter assumido essa vertente. Fez um bom trabalho. Só que lá está, como há bocado disseram, a direita por norma tem má imprensa, salvo seja Marcelo Rebelo de Sousa, mas Marcelo Rebelo de Sousa é muito inteligente e sabe que todos os intelectuais e escritores são de esquerda e, ao saber isso, ele quer ficar bem visto para futuro e ter boa imprensa, porque senão, se calhar, também tinha má imprensa. Era um bocado que eu queria deixar, mas pronto. Acho que a direita tem que se unir mais e nota-se claramente nos media que cada vez há mais gente ligada à esquerda. Vejo inúmeros comentadores do Bloco de Esquerda, Partido Socialista, Partido Comunista a falar nas televisões e direita vejo poucos. O José Miguel Júdice, José Manuel Fernandes, Helena Matos, gostava de vê-los mais vezes, mas não sei se tem a ver com as televisões e com os convites que fazem.
Fica essa sugestão, Fábio Varela. E com estas questões sobre a influência da maçonaria no PSD, muito obrigada pelo seu telefonema. Estamos já quase no fim do programa, mas ainda, Vanessa Cruz, queremos ouvir o que vai sendo também dito nas nossas redes sociais.
Há dezenas e dezenas de comentários no Facebook. Nuno Matos Silva: "Para mim foi uma grande tristeza Paulo Rangel ter perdido, sinto-me desamparado, sem rumo, era do lado de Rangel que eu reconhecia ideias mais fortes e mobilizadoras, a confiança num caminho alternativo ao socialismo reinante, uma rutura com os manipuladores do poder." Este ouvinte que eu estava a dizer que tinha enviado para o Facebook, mas na verdade até enviou e-mail para o e-mail ouvinte@observador.pt. Ele diz que está também desiludido com o povo português. Agora no Facebook, sim, Jorge Macedo: "Rui Rio ganhar as eleições contra as elites, poucas dúvidas deve haver sobre isso." Faz ainda aqui um comentário sobre as declarações de André Ventura, uma delas de que Rangel seria um líder frouxo. Diz este ouvinte que essa sim foi uma opinião homofóbica direta que salta à vista. Vamos agora a Manuel Guerreiro: "Aquela situação de o Presidente da República ter ouvido Rangel a seu pedido perante o ar absolutamente desconfortável e com a sensação de traição com que Rui Rio ficou, foi meio caminho andado para a reviravolta interna. As pessoas detestam traições e penalizam os traidores." Este ouvinte considera ainda que a vitória de Rio pode ser excelente para outras forças políticas, como a Iniciativa Liberal, se afirmarem no plano ideológico. Ainda uma última opinião destas dezenas que estão aqui no Facebook, Carla. Manuel Guerreiro: "Bem, se Rio está agora mais forte para poder vencer António Costa em janeiro, creio que ninguém pode negar. Pelo menos isso deveu-se a esta eleição interna. E fica a dever-se também a Paulo Rangel. Rio não queria luta interna neste momento, mas afinal trouxe-lhe uma força e uma dinâmica que manifestamente não tinha nem dispunha."
O esforço da Vanessa Cruz para conseguir sintetizar as dezenas de opiniões que vão sendo feitas. Helena Matos, notas finais. Aqui alguns pedidos até de esclarecimento que eu queria destacar.
A primeira coisa é que me parece que, de facto, em relação ao elefante no meio da sala, os portugueses têm uma longa história de dirigentes cuja vida privada é sempre um pouco metafórica. Portanto, não creio que tenha ido por aí. O elefante que eu vejo no meio da sala é, de facto, um partido que está desejoso de poder, de governar, de se ver a governar. E acho que é importante o que foi frisado por um ouvinte, a questão de que Rui Rio, ao não fechar a porta ao Chega, ao não fechar a porta ao Partido Socialista, lhes pareceu ser o homem para isso. E agora, eu acho que a imagem que sobressai disto, dos ouvintes, quase que não havia apoiantes de Paulo Rangel, houve um caso ou dois. Agora, também que é homem honrado, um homem para ganhar, para levar o país a bom porto, um homem de trabalho e depois duas imagens muito fortes, um homem contra tudo e contra todos, um homem de vitórias impossíveis. Portanto, eu creio que é por aqui que vai a afirmação de Rui Rio. Também não penso que o elefante no meio da sala fosse propriamente Passos Coelho, mas é um partido que quer acreditar que é possível governar sem ter contra si o país, ou seja, sem voltar a ver aquelas ruas cheias de manifestações. Creio que essa é uma doce ilusão, mas a ideia de que vem para fazer coisas. Rui Rio não virá para fazer política. Ele é um homem honrado, um homem de trabalho. Vem para fazer. Vamos ver se esta mensagem passa no final do mês de janeiro.
Nós percebemos que poderá ser por aí a estratégia de Rui Rio. José Manuel Fernandes, e as tuas observações finais?
Várias pessoas sublinharam esse aspecto de honestidade e de trabalhador do Rui Rio, que é algo que eu não ponho em causa. Aquilo que eu ponho mais em causa é o facto de Rui Rio, do ponto de vista do posicionamento e das ideias que propõe para o país, ter posicionamentos que são muitas vezes, na minha perspetiva, ou errados, no que diz respeito a questões que têm a ver com a sua veia mais autoritária e pouco amiga das liberdades, ou na sua relação também com o Partido Socialista e com este poder, a forma como ele deixou andar demasiados temas importantes, não se opôs a algumas tomadas de poder e a algumas diminuições do sistema de pesos e contrapesos que nós devíamos ter na nossa democracia. Lembro-me da Procuradoria-Geral da República, lembro-me do Tribunal de Contas, lembro-me de outras questões. Foi acordando para isso demasiado tarde e fora de horas, portanto sem perceber bem o que estava em causa. Eu não gosto de políticos que são apenas pessoas muito trabalhadoras e muito honestas. Tivemos um desses durante muitos anos em Portugal, que não deixou boa memória e, portanto, não acho que seja o único critério. Acho que os políticos também têm que ter ideias. Portanto, da mesma forma que não aprecio políticos só por serem habilidosos. É uma coisa que tem imenso sucesso nas redações, eu sei. É muito habilidoso, tem imenso jeito pra política. Eu não alinho nesse caminho. Eu acho que as pessoas têm que compaginar a sua honestidade, a sua capacidade de trabalho, a sua capacidade de negociação, com terem convicções que são convicções e uma ideia para o país. E eu, com toda a franqueza, ao fim destes anos todos, continuo sem saber exatamente qual é a ideia que Rui Rio tem para o país, para além de algumas questões na área da justiça e na área da reforma do sistema político, algumas das quais nem sequer me parecem ser as ideias mais felizes de todas. Portanto, é por isso que é possível que ele, neste país que sempre gostou de líderes com o seu perfil, até pode ser que ele tenha sucesso.
Agora que a casa está arrumada.
Apesar de tudo, ele é um tipo de líder que em Portugal teve sucesso no passado, pode ser que ele possa ter sucesso novamente.
Chega ao fim este Contracorrente. Muito obrigada aos ouvintes que acompanharam e participaram nesta discussão. Amanhã, a Helena Matos e o José Manuel Fernandes vão estar outra vez no Contracorrente. Até amanhã.
Eu sou o José Manuel Fernandes. Obrigado por ter ouvido este podcast. Pode subscrevê-lo ou partilhá-lo. A Rádio Observador, pode ouvi-la online ou em 98.7, na Grande Lisboa, ou em 98.4, no Grande Porto.