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A Gulbenkian tem tido um papel importantíssimo, além da Fundação. De há tantos anos, mesmo antes do fim da ditadura, ter apoiado.
Exatamente. Tantos que foram para Paris, por exemplo, artistas.
Sim, creio que quase que nos salvou culturalmente de ainda mais isolamento.
Tens toda a razão.
É muito importante ver mundo, conhecer outras coisas. Porque depois tudo isso volta.
2026 é ano de Bienal. E aí está, começou há pouco mais de um mês, estende-se até o fim do ano. É a 24ª Bienal Internacional de Arte de Cerveira, a mais antiga da Península Ibérica. Todos os caminhos vão dar ao Alto Minho, e se não é para as águas frias de Moledo, é merecidamente para as artes ao rubro em Cerveira. E este ano promete. Ao todo, 140 participações artísticas com quase 200 obras de mais de 20 países, espalhadas por quatro polos positivos. Para contar tudo, acolho Mafalda Santos. Ela é uma artista visual que expõe há 25 anos, é curadora e é investigadora. Entre o Porto e o Minho, foi bolseira em Nova York, depois viveu uns anos no Alentejo profundo a criar mais residências e oportunidades para outros artistas e é, desde há um ano, diretora artística da Fundação Bienal de Arte de Cerveira. Olá, Mafalda, e bem-hajas por ter aceitado este meu convite diretamente de Évora. Cá estás tu. Bem-vinda.
Obrigada pelo convite.
Fizeste uma boa viagem neste calor ainda? Fizeste.
Sim, já não está assim tanto calor.
Pois é, ainda bem. Muito bem. Tu nasceste e és portuense. Tu conhecias Moledo muito bem porque vias de minas com os teus pais de férias para lá.
Sim, tem um lugar mesmo especial no meu imaginário.
Exato. Também passei muitos anos lá essas férias, mas as águas são geladas.
São. Agora começam a aquecer um pouco.
Com as alterações climáticas, já se nota.
Já se nota bastante.
E sofro muito quando vejo aqueles Instagrams com a praia, a areia quase a desaparecer, e depois põem aquelas mangas com areia para revitalizar. Este ano acho que estava bem, aquilo estava com bastante areia.
Já está um pouco mais recomposto.
Ainda bem. Viveste em Gondarém, que é uma terra muito gira.
Vive. É uma das 15 freguesias de Cerveira e, na minha opinião, das mais bonitas.
Eu passava em Seixas, que era ali pertinho. Seixas é muito pertinho. É tão giro isto. E depois também viveste no Alentejo profundo, no Alandroal, com o teu marido, que é músico, o Manuel Mesquita, a gerir um programa de residências artísticas, já lá vamos. E estás já há oito anos em Vila Nova de Cerveira, onde tu moras.
Sim, mudei-me para lá há oito anos. É incrível ver o tempo a passar tão rapidamente.
Exatamente, incrível.
Mas também com tantos projetos e tanta atividade, o tempo passa muito rápido.
Vens do Alentejo mais profundo, que também é uma raia, como tu disseste há bocado, e mudaste de raia, porque foste para o Minho. Estás completamente quase na Galiza e, portanto, é muito engraçado isso. Mas a vivência das artes e das pessoas é completamente diferente e por isso rica e, portanto, ganha-se com isso.
Sim, é totalmente diferente. A presença da Bienal há 48 anos naquela vila marca muito da sua identidade, que autodenomina-se como Vila das Artes.
Vila das Artes, exatamente.
E realmente, a presença desta Bienal que se tem vindo a consolidar, ou seja, antigamente acontecia nos períodos de verão, agora já existe uma fundação que estrutura as atividades e que gere o património da coleção que se foi construindo ao longo destes anos. Tem ali uma atuação muito regular com exposições, residências artísticas, muito trabalho com as escolas.
É muito giro, porque vocês têm uma coisa muito boa, que eu gosto, Mafalda, que é desde a última, se não me engano, acho que foi a 23ª, que espalharam-se pelas freguesias todas. São 15 freguesias, e foram levar coisas a todos os sítios. Além de democratizar e descentralizar, que é muito importante. Gosto muito de Bienal de Cerveira, porque atrai muita gente àquele sítio e àquela zona do Alto Minho, que é linda. E, de facto, porque tudo o resto é Lisboa e Porto. Portanto, quando é fora, eu gosto muito.
É bastante insólito, é um fenómeno, digamos, existir aquela estrutura, agora já com esta envergadura, há tanto tempo num território que é de baixa densidade populacional. É realmente um fenómeno encontrar uma estrutura destas numa vila no Alto Minho, ali mesmo no norte. Mas realmente tem uma atuação importante nessa ligação à comunidade. Nós já vamos na terceira edição das residências nas freguesias, são 15 freguesias. E a Bienal nasceu de um desejo de descentralizar e democratizar o acesso à cultura Mesmo localmente procuramos descentralizar essa oferta, levando às aldeias.
Essa nova dimensão é muito gira.
E principalmente procurando promover ligações com as comunidades, as associações locais. Temos ali várias coletividades que ainda existem, tanto da música, os bombos, o grupo de cavaquinhos, o rancho folclórico, a Associação do Linho. Ou seja, temos ali uma série de estruturas e procuramos sempre, no âmbito das residências e dos artistas que vêm trabalhar conosco, promover ligações participativas.
E também nacionais.
Exato.
Vocês aceitam essas candidaturas. E é muito engraçado, porque eu lembro de estar lá em férias, como te contei. Estive lá, passei uns 10 anos de férias lá. E, por exemplo, se calhar não está ligado diretamente à Bienal, que acontecia nessas alturas, de dois em dois anos, e a gente ia assistir e ver coisas e exposições. Mas, por exemplo, havia concertos, o António Vitorino de Almeida ia tocar piano à igreja de uma aldeia ali perto e trazia uma violoncelista húngara que ele tinha descoberto. Uma aldeia mais remota.
Sim, uma figura fundamental também na criação do Festival de Vila de Mouros, em 71. Foi uma coisa incrível.
Sim, incrível também.
Mas realmente, principalmente ali Vila Nova de Cerveira, tem uma vida que às vezes a própria Bienal, principalmente no período de verão, tem que competir com tanta coisa que acontece.
O que é bom sinal. Vila das Artes, completamente.
Sim.
Muito bom.
Tem o Cerveiro piano, que já acontece há vários anos em Cerveira.
Estava até inserido nisso, não sei.
E agora existe uma nova estrutura, desde 2024, que é o Palco das Artes, que é um belíssimo auditório com 400 lugares, permite ter outras condições para os concertos, para cinema, para todo tipo de eventos.
Tu tens uma filha que já tem o quê? 11 anos?
Vai fazer 11 este mês.
Ela também é ligada às artes como os pais? Já pinta ou tem alguma vocação? O que é que tu achas?
Eu acho que ela é uma performer nata. Está habituada a conviver com muitos artistas, músicos, e é muito teatral, tem uma presença muito engraçada. Mas tem um lado que a mãe nunca foi boa, que é no desporto.
Ok.
Faz ginástica de exibição e ballet, é bastante atlética.
Também é arte.
E eu sempre fui um zero nessa área.
Muito bem. Há um grande amigo teu, o Tiago Brandão Rodrigues, ele é courense, é ali de Paredes de Coura, bioquímico, doutorado. Trabalhou no Instituto do Cancro em Cambridge e foi Ministro da Educação, uma série de anos, sete anos.
Sim.
E que diz maravilhas do teu percurso e gosta muito e é muito teu amigo. Ele diz mesmo.
É muito.
"Vou acompanhar a carreira da Mafalda".
É um amigo que sinto-me privilegiada em ter. Nós conhecemo-nos em Molelos quando éramos miúdos, em torno da mesa de pingue-pongue que tínhamos na garagem. Aliás, ele era amigo do meu irmão, eu herdei muitos amigos do meu irmão, porque nessa altura os rapazes não queriam saber da chavala que andava sempre ali a tentar andar com eles de um lado para o outro. Mas o Tiago manteve sempre uma ligação próxima e acompanha as posições. Ir a uma inauguração minha em Londres quando eu estava em Cambridge. Encontrámo-nos uma vez por acaso em Nova Iorque, quando eu estava a fazer lá.
A tua bolsa, quando eras bolseira da FLAD.
Sim, encontrámo-nos lá num concerto do Maracatu System.
Que giro. Color progressivo. Acho muito bem. Então a tua formação. Tu gostavas sempre muito de artes, o que é muito giro. Fizeste uns cursos extracurriculares e ainda estavas no liceu, não é?
Sim. Desde criança. Felizmente, sempre apoiaram.
Ia dizer, e os teus pais nunca achavam bem? Os pais normalmente têm aquela coisa do: "Filha, tens de ser advogada ou médica, ou engenheira".
Eu sou filha de economistas. O meu irmão também foi para Economia.
Mas sempre apoiaram.
Estudou ali na Faculdade de Economia do Porto, mas sempre apoiaram. Sempre. E são grandes fãs.
Boa. E por isso a tua licenciatura em Pintura, claro. Estás em doutoramento agora?
Estou. Voltei a estudar, passados 20 anos.
Voltaste à escola, às Belas Artes. "Da paisagem ao mapa, formas sensíveis para pensar e ler" é o tema da tua tese?
Sim.
Que tu estás a estudar agora.
Está em construção.
Muito bem. É engraçado, porque tu és sobretudo pintora neste aspecto das artes, mas num campo expandido, como tu dizes, porque design, instalação, arquivo. Também esta geração entre o analógico e o digital. Portanto, eu vejo as tuas pinturas e lembro logo dos pixels. E daquelas infografias e coisas deste género. Tu vives muito com o pé cá e o pé lá. É muito giro. A tua criação.
Pode ser que visualmente lembre esses universos, sendo que o processo de construção dos trabalhos é extremamente manual, projetados ainda em papel milimétrico.
Pois, e tu fazes uma coisa que eu acho extraordinária, muito artesanal.
Muito artesanal.
Tu pesas as gramas do preto pra fazer os cinzentos.
Exato. Porque eu trabalho essa milimétrica.
E é o pó? Isso é um pó ou é um pigmento? É peso?
As próprias tintas, peso o pano, vou afinando.
Quanto mais preto, claro, mais escuro. É extraordinário.
Depois tenho umas tiras, os testes, vou fazendo os testes cromáticos, acabam por ser obras também interessantes, essas do processo. E depois também trabalho com outros materiais. Tenho uma série muito grande de trabalhos que tenho vindo a desenvolver, recuperando conteúdos de publicações.
Daquelas gráficas de coisas desativadas que tu aproveitas e guilhotinas e juntas tudo.
Exato.
Tu colas aquilo, é colado?
Sim, aquilo no fundo passa por um processo parecido com o de uma encadernação. As costas do trabalho têm ali uma trama, uma cola.
Uma lombada.
Sim, a lombada.
Que giro. Então aí estavas eu: "Como é que ela junta isto?" Eu vi alguns filmes teus na net, está muito giro. E tinha isso, como é que ela, essas tiras com as coisas, a impressão, as letras, os caracteres, mas depois não foi aproveitado, por qualquer razão, tu aquilo cortadinho e cola e preso umas às outras. É uma coisa muito original, muito gira, achei muita piada. Mas tens mesmo uma gráfica que vai mandando esses materiais, desperdícios pra eles?
São desperdícios, erros de impressão, gralhas.
E tu aproveitas.
E depois o que me interessa nesse material São várias coisas. Existe sempre um acaso. Quando se guilhotina, revela-se ali um conteúdo, uma imagem, que não sou eu que controlo.
Não estavas a planear.
Dos conteúdos.
Muitas vezes não sabes a arte final, não sabes o que vai sair.
Nunca sei.
É uma descoberta.
E na própria construção das pinturas, isso também acontece. Começa com uma regra, com uma direção, mas depois, ao executar, eu nunca sei.
Onde é que vai dar.
Existe um mapa e depois revela-se uma paisagem. Também me agrada nesse trabalho com o papel guilhotinado, vermos ali uma imagem que é abstracta, que parece uma paisagem urbana ou aqueles softwares de construção musical.
Exato. Com os níveis dos decibéis. Exatamente, aquelas colunas.
Interessa muito esta imagem abstracta, mas que não revela os conteúdos, o interior, como acontece na estratigrafia, que temos ali uma série de linhas e tentamos descodificar uma história que está ali contida, mas que não está acessível.
Certamente, não é óbvia e não está abertamente à vista. Muito engraçado. Tu, entretanto, enquanto trabalhas, eu gosto de perguntar isso a pintores e criadores, se têm alguma playlist, se ouvem música. Uma coisa que tu fazes é ouvir podcasts. É muito giro.
Imenso.
Ouve, não é? E aprendes imenso. Investigação científica, investigação jornalística, tu ouves tudo.
Tudo.
O que eu queria era dar-te. Isso é muito bom, é muito giro, porque aproveitas aquele tempo em que estás o teu cérebro a trabalhar e a ouvir outras coisas e aproveitas o tempo. Fazes bem.
Sim. Gosto muito de mergulhar nos podcasts.
É muito giro. Desde 2001 que tu expões cá e lá fora. A Galeria Presença representa-te desde há 20 anos, já?
Sim, desde 2006.
Que impressionante, faz 20 anos agora. É incrível como o tempo passa, como tu dizes. Há aqui uma série de exposições tuas individuais que tens aqui. Estou-me a lembrar desta, a "Bula do Medo", que eu vi um filme teu a falar disso na Presença, também em plena pandemia. E depois, há uma seleção também grande de exposições que tu tens coletivas e de projetos. Este transbordo Luanda, transbordo também com estas cidades que se dedicaram a Luanda e a Santiago Compostela. Houve dois momentos, não foi?
Sim, nós programamos a programação da Bienal por biénios. E o tema da edição seguinte vai sendo trabalhado desde o início do ano anterior. E no âmbito deste tema, Territórios Sem Fronteira.
Que é o tema deste ano.
Que é o tema deste ano, parte precisamente deste território transfronteiriço para fazer uma reflexão mais alargada.
Perfeito para falar disso, exato.
Mas também num tempo hoje marcado por muitas tensões.
As geopolíticas, as fronteiras das guerras.
Exato.
Das fronteiras, é verdade. O tema é super adequado, é incrível.
Sim, e é interessante que ainda continuamos a ter bastante feedback e ecos. Parece que o tema tem muita ressonância no que nos é também devolvido dessas exposições.
Estamos a viver este momento. Vai haver um catálogo no fim? Há sempre?
Já temos o catálogo.
Que é sempre importante para as pessoas. Acaba aquela mostra no fim do ano e as pessoas ainda podem levar aquilo para meditar e continuar a refletir sobre o tema. Os temas prolongam-se no tempo. É uma boa recordação que fica sempre.
Sim, com imagens e textos de curadorias gerais, mas também de pequenas sinopses relativas a cada obra e participação. Isso é também um documento que fica.
Exatamente, muito importante.
Então, no âmbito dessa programação, é habitual haver um país convidado.
Ok.
Este ano decidimos fazer cidades convidadas.
Daí o Luanda e o Santiago.
Daí o Luanda e o Santiago. Para combater um bocadinho esta ideia de uma procura de uma representação nacional, de uma identidade nacional. E quisemos, com estas cidades convidadas, convocar as dinâmicas mais específicas de um lugar, convidando um curador de cada um destes territórios. No caso de Luanda, a curadoria foi de Edna Tentukure e Paula Nascimento, e a de Santiago Compostela, do Iñaki Martínez Antelo, que mais do que ninguém conhecem bem a realidade das suas cidades e que, por sua vez, convidaram os artistas a expor conosco. Ainda no âmbito de Santiago Compostela, recentemente tivemos uma programação paralela com um ciclo de performances de artistas de Santiago, que foi muito interessante. Procurou ativar o centro histórico com performances na praça central, no castelo, no auditório municipal, na rua.
O castelo, entretanto, que foi pousada, eu lembro, em 82, e depois ficou desativada. E houve aquela tentativa com o programa Revive, daquilo ser comprado, e ainda se falou que ia ser um hotel de charme, boutique hotel, acabou por ficar em águas de bacalhau e neste momento não está a acontecer nada. Aquilo é muito bonito. Aquilo é ativo e aquilo é lindo de morrer. Tem o pelourinho, a cadeia, a capela e a igreja. É muito giro, e a porta de traição, aquilo é muito engraçado, mas aquilo é um equipamento que podia ser muito bem aproveitado. A Câmara está a tentar o que pode.
Está a tentar e esperemos que em breve consigam desbloquear. Sim, está ali mesmo no coração da vila.
E com uma vista linda. Eu lembro que estive lá, fiquei hospedado, ainda era pousada. Aquilo era lindo, um sítio lindo, entras no castelo, todo o castelo é a pousada. Achei aquilo lindo de morrer e depois descobri que está parado já há uma série de anos e fez-me pena, porque aquilo é um equipamento ótimo para também usar na Bienal e fazer a coisa.
Sim, claro.
Muito giro. Tu és muito mais do que uma pintora. Paralelamente à tua prática artística e ao que vais criando, e nunca deixas de criar. Além de ser mãe e de tudo o que tu fazes, além da criação contemporânea, fazes investigação, tens uma participação comunitária muito grande. És curadora, programadora, o pensamento crítico sobre o território é uma coisa que te envolve muito. Eras ainda estudante quando tiveste neste grupo "Interdisciplinaridades", dedicado à organização de exposições, debates. É engraçado, tu és uma artista sempre muito preocupada com os outros artistas e também que expõem, que apareçam, que se desenvolvam e que conheçam outras realidades. E isso é muito giro, desde sempre tiveste essa preocupação.
Sempre. O trabalho artístico pode ser um bocadinho solitário no atelier. Mas sempre tive muito prazer, mas também aprendizagem, de colaborar com colegas, de criar contextos.
Projetos colaborativos.
Projetos colaborativos.
Isso é muito bom.
Pôr as coisas a mexer. Também o período em que estive na universidade, no Porto. O Porto era uma cidade muito diferente, que vivia uns anos bastante comatosos. Era uma cidade que à noite se esvaziava no centro.
Era mais apagada, nesse sentido.
Mais apagada.
Hoje já não.
Mas já não, não tem nada a ver. E também ainda existia muito capitalcentrismo. Muitas coisas aconteciam em Lisboa e havia muita necessidade dos artistas criarem as suas próprias estruturas de criação, de apresentação, de visibilidade.
As suas galerias, as suas exposições.
De encontro.
Mostrar as coisas.
Exato. Depois começaram a surgir algumas estruturas independentes. A Caldeira 213, na Rua dos Caldeireiros.
O Pesco para a Semana foi um desses que cofundaste.
Exato. Surgiu aí depois da experiência da interdisciplinaridade, de organizar conferências e exposições a partir da universidade, sentimos necessidade de criar nosso próprio espaço de exposições e fazíamos ali exposições todos os meses. E aí foi realmente uma grande escola, porque enquanto artistas, eu geria esse espaço com o Miguel Carneiro, que atualmente gera a Oficina Ara no Porto, que é um coletivo não ativo, e com o André Sousa, que depois veio a gerir também uma certa falta de coerência também na Rua dos Caldeireiros. E ali, entre nós, o Pesco para a Semana e toda a dinâmica nesses espaços independentes do Porto, foi uma grande escola, porque enquanto artistas fazíamos tudo. Programávamos, pintávamos paredes, fazíamos flyers.
Isso era muito importante, numa altura e num sítio onde havia muito pouca coisa. Mafalda Santos, vamos fazer aqui um curtíssimo intervalo e já voltamos à conversa. Até já. Estamos a conversar com Mafalda Santos, ela é artista visual, curadora e investigadora, que é a nova diretora artística da icónica Bienal Internacional de Arte de Cerveira, cuja 24ª edição promete, até o fim do ano, exibir quase 200 obras de mais de 20 países espalhadas por quatro polos expositivos de Vila Nova de Cerveira. Vale muito a pena e já vamos saber mais destaques desta grande Bienal que está a acontecer desde julho e que vai até 30 de dezembro, quase mesmo até ao fim do ano. Estamos a falar aqui também da tua carreira, do que foste fazendo, porque tu também foste muito curadora, programadora. Houve aqui um período em que, entre 2011 e 2018, organizaste estas residências artísticas no Moinho da Fonte Santa, portanto, estamos a falar no Alandroal, com o teu marido, o Manuel Mesquita, que é músico. E isto era uma antiga residência de um pintor e da sua mulher, que era escritora, não era?
Exato.
Ele morreu e aquilo eram parentes do Manuel, se não me engano.
Sim, parentes do Manuel.
Quiseram reativar aquilo e ter vida de artistas mesmo depois dele partir. É muito giro isso. Uma boa homenagem.
Sim, foi para homenagear o Mike. Era a residência então da Annabra Cosmeão, escritora, e do Michael Bieberstein, pintor suíço-americano, viverá há muitos anos em Portugal. E já era um local que visitávamos, enquanto parentes e amigos. E era uma residência onde se juntavam muitos músicos, artistas, amigos. Já era um espaço propício para a criação artística e também um contacto estreito com a natureza, que é um lugar belíssimo.
É uma zona linda. Eu lembro-me só daquilo por causa de Trena e por causa daquela joia, que é uma perfeita joia do nosso património, que é a Igreja de Nossa Senhora da Boa Nova, aquela igreja fortaleza românica, linda, pouca gente conhece, com aquela pedrinha encontrada ali, que era do endovélico.
Do endovélico, sim.
Terrenos dos deuses pagãos antes dos romanos. É extraordinário.
São incríveis.
É uma precisidade ali.
Eu creio que se sente ali uma energia especial, se calhar que já vem desde o endovélico, ali muito perto do Moinho da Fonte Santa. Existe a Rocha da Mina, que também era um local de culto do endovélico, e onde às vezes à noite víamos ali umas bruxas.
Estão a falar há culto de há 2000 anos.
Sim.
Não, uns rituais.
Uns rituais, umas oferendas.
Meio celtas, com certeza. Que engraçado. É uma zona muito bonita. Estiveste entretanto, depois em Lisboa, com este projeto Pessoa Coletiva, que fizeste com a Susana.
Sim, aqui muito perto, no Ateliê dos Crochetus.
Que é ali, que faz sense à Câmara de Lisboa, e que deu depois algumas exposições, aquela homenagem à Ana Hatherly, que fizeram, do Pavilhão Branco do Museu de Lisboa, também fizeram, Galeria Trem, o Faro. E depois foste então pro Alto Minho. Passaste, entretanto, por esta bolsa que tu ganhaste, foi um bocadinho antes, em 2007. Vai fazer 20 anos, cá está o tempo.
Incrível.
Em Nova Iorque, tu tiveste, foi uma bolsa da FLAD e da própria Fundação Gulbenkian, que tiveste que aprender com workshops e coisas de pintura. Aí era mais dedicado às artes, à tua arte.
Sim. Foi enquanto artista residente, foi uma oportunidade.
Chegaste por lá e tudo.
Cheguei a expor lá.
Incrível.
No próprio Location One, na sede desta residência, e depois cheguei a ser convidada a fazer lá uma exposição
Perfeitamente vibrante o ambiente daquilo ao nível das artes.
Fiz lá uma exposição num sítio bastante peculiar e particular.
Porquê?
Era a sede da Bloomberg.
Ah, ok.
Tinha um edifício de escritórios. À altura, foi uma curadora italiana, Cecilia Alemani, que depois veio a ser curadora da Bienal de Veneza.
Ah, sim. Boa.
Incrível. E fizemos lá umas interferências no espaço da Bloomberg. Foi interessante. Mas acima de tudo, Nova Iorque foi um mergulho, uma oportunidade de ver muitas coisas, conhecer muita gente também do meio artístico.
Isso é bom, porque te formou também a cabeça para vires ajudar outros artistas cá. Quer dizer, vieste do fundo do Alentejo, depois foram para Cerveira e antes passaste por Nova Iorque. Viste, de facto, tudo.
Sim, é incrível. A Gulbenkian tem tido um papel importantíssimo, além da Flávio. De há tantos anos, mesmo antes do fim da ditadura, ter apoiado.
Exatamente. Tantos que foram para Paris, por exemplo.
Sim, creio que nos salvou culturalmente de ainda mais isolamento.
Tens toda a razão.
É muito importante ver mundo, conhecer outras coisas. Porque depois, tudo isso volta.
São boas práticas.
Sim, sem dúvida.
Isso é muito importante. Descentralizar as artes. Como é que tu concilias a criação da tua própria obra com a responsabilidade de criares uma falha de oportunidades para outros artistas e o desafio de dirigir artisticamente uma das mais importantes plataformas de arte contemporânea da península, como é a Bienal? E mais a maternidade. Consegues conciliar isto tudo?
Sim, procuro. É muito intenso. Mas é um trabalho que faço com imenso entusiasmo e dedicação.
Na tua idade, por exemplo, orientou-te os horários. Não tinhas horas para as ovelhas. Agora já está mais quietinha.
E tinha muito tempo de ateliê, que agora tenho menos. Tenho pena. Não é só tempo, também espaço mental para criar.
Ganhas outras, se calhar.
Ganhas outras. Lá está, sempre senti esta necessidade de trabalhar com outras pessoas e contribuir para criar ligações, contextos.
É muito o teu mote.
Para mim as coisas estão totalmente ligadas. Não consigo muito separar a minha face de artista da curadora.
Podia-te perguntar isso. Há alguma dessas funções que tu preferes? Ser artista só, ou ser só curadora, ou programadora? Deste aula também, foste professora uma série de anos.
Sim. Mas claro, há outras responsabilidades acrescidas com estar a trabalhar num meio mais institucional. Eu venho de um meio independente, muito freestyle, um bocadinho mais punk.
Com tudo o que já tinhas feito ao longo dos anos, desde que eras aluna?
Sim. São contextos completamente diferentes, mas também oportunidades para fazer de outra forma, com outras condições.
Não, e tens outros meios, exatamente. Isso é muito importante. Pode chegar a mais gente, se calhar.
Outros meios, outro alcance. E procuro que a minha experiência como artista também ajude a programar melhor e a estabelecer relações com os artistas.
Continuas a fazer exposições e continuas a criar sempre. É muito engraçado. Muito bem, então a Bienal tem desde 1978, ela é a mais antiga da península, o Jaime Silveira, assim os nomes que saltam, a criação contemporânea, o intercâmbio internacional, a descentralização cultural, tem estes motes, estes pilares, que é muito importante. Estou-me a lembrar da penúltima, esta "We Must Take Action", que era este tema, ainda com a Helena Mendes Pereira, ainda era a diretora artística e tu foste curadora.
Éramos duas, era codireção.
Sim, partilhavam as duas.
Partilhávamos.
A 23ª, à liberdade, e estava a celebrar 24, os 50 anos do 25 de Abril. E finalmente esta com os territórios sem fronteira. Este projeto de 2025 só são financiados pela Direção-Geral das Artes e ficaram em primeiro lugar. A intenção.
Sim.
Em primeiro lugar a nível nacional. E é muito giro este tema, porque de facto estamos a viver estes fluxos migratórios. Também esta inteligência artificial no dia a dia está a mudar as coisas e é uma fronteira que está a ser passada. A condição de Cerveira ligada à Galiza também é muito importante. Como é que tem estado a decorrer desde o final de julho esta Bienal? Tens estado contente com a afluência?
Muito contente, sim. Temos a Bienal a ser muito visitada. Não lhe consigo transmitir números concretos.
A tua perceção do que tu vês.
Sim, tem sido muito bem recebida, visitada, conversada, com boa visibilidade, felizmente.
Diz-me alguma coisa, algum destaque que queiras fazer de coisas bonitas que aconteceram. E já agora, coisas boas que ainda vêm aí.
Sim, nós temos ali um núcleo central da Bienal, que ainda obedece a uma estrutura que vem desde as primeiras bienais, em que temos então a exposição de homenagem a um artista consolidado, a exposição dos artistas convidados e o concurso internacional.
Silvestre é este ano, não é?
Sim, este ano temos esta homenagem a Silvestre Pestana.
Participa desde a primeira edição. É extraordinário, 50 anos de carreira.
Sim.
É incrível. É merecido.
Também é merecido e queremos também celebrar essa longa ligação. E também a escolha prende-se muito com o próprio tema. É um artista que tem vindo a trabalhar de uma forma muito interdisciplinar. Pensando este mote dos territórios sem fronteira no campo da criação artística, nesta ideia de que não existem fronteiras disciplinares nos processos artísticos. O Silvestre vem da poesia experimental, usa a palavra, performance, trabalha em vídeo, os meios digitais, o trabalho no mundo virtual, na Second Life. E a exposição Luz ou Lunar procura mostrar estas diferentes facetas do Silvestre E é um artista que ainda está no ativo, teve há pouco tempo também uma grande exposição na Galeria Municipal do Porto e que continua a fazer projetos.
Um grande exemplo.
Sim, um grande exemplo de vitalidade e ainda de grande espírito crítico e político.
É uma coisa que me marca muito essas bienais. As pessoas discutem, têm essas conferências internacionais e fala-se muito, não é só ver coisas bonitas, e que são bonitas e que vale a pena ver, é sempre bom ver. Não, as coisas são faladas e são discutidas e há debates e isso é muito interessante.
Sim, por isso eu acho que estas bienais internacionais são importantes como ponto de encontro.
E de diálogo.
E de diálogo. Se pensarmos numa perspectiva holística, quase como uma acupuntura. São pontos nevrálgicos em que espetamos ali um pinozinho e podemos convocar ali.
Outras energias, outras ideias.
Outras energias e fazer ali um diagnóstico do mundo.
Exato.
Ou a partir dali sonhar outros caminhos possíveis. Acho que são muito importantes estes encontros.
Vocês têm sempre este open call para quem se quiser candidatar entre artistas e este ano foi outro recorde, 900 candidatos. Foi recorde, 52 países. É brutal.
É brutal.
Isso vai estar no núcleo central, a seleção. Fazem depois uma seleção.
Sim, claro que não conseguimos ter tanta gente de tantos países. Há uma seleção de 39 projetos de 14 países.
Incrível.
Que foram selecionados a partir da constituição de um júri de seleção e depois de premiação para os prêmios de aquisição. E este ano, para além da quantidade, devo referir que a qualidade das propostas também superou bastante as nossas expectativas, com artistas que não conhecíamos, mas alguns que já têm a carreira consolidada. Também foi bom verificar que artistas que estão no ativo também estão interessados em propor as suas obras.
Mas é engraçado, porque aqui há sempre o consagrado e que depois se vão firmando, mas também dão o espaço às emergentes.
Aos mais jovens, claro que sim.
Isso é muito giro.
É importantíssimo dar espaço a essas novas vozes.
Alguns anos, outros que estão à frente e que rebocam outros. E é interessante essa variedade que vocês procuram também sempre ter. Há também uma exposição de "De que casa eres?" aqui. Entra a nossa amiga Ana Queiroga.
Que já cá esteve.
Que vai ficar neste espaço onde tu estás. Muito querida. E porque tem a ver com ele também, esta exposição, não tem?
Esta sim. O título inspira-se precisamente neste filme que a Ana Perez Queiroga fez. É um projeto que não inclui apenas este filme, há toda uma obra que ela tem vindo a desenvolver em diferentes meios, que procuram fazer uma reflexão, tem uma ligação autobiográfica, uma reflexão sobre a história da sua mãe.
Neste caso, da mãe dela. Mas é algo de inter gerações, trazer isso para aqui é muito importante.
Sim, é muito bonito. Então esta história de "De que casa eres?" é um retrato da sua mãe, que em criança.
Foi para Moscovo, para a Rússia.
Foi para a Rússia, para a União Soviética.
Exatamente, na altura.
Para se proteger da Guerra Civil Espanhola. E depois com a chegada da ditadura, o que deveria ter sido um período temporário de exílio se transformou em 20 anos.
O Franco depois não a deixou regressar logo, então ficaram décadas. Ela entretanto foi médica, depois voltou. Para os espanhóis era a russa, e na Rússia era a espanhola, e portanto não tinha casa de ninguém. E é um bocado também este título, porque era complicado.
Sim, ou seja, a curadoria que fiz juntamente.
Fronteiras, é isto.
É precisamente este o mote de reflexão. Esta curadoria feita com o Manuel Santos Maia parte então dessa reflexão sobre o pertencimento, o que acontece quando nascemos num lugar e por força das circunstâncias, ou até por opção, vamos viver e trabalhar noutro. O que acontece à nossa identidade e ao nosso sentimento de pertença.
Isso acontece tanto hoje.
Às vezes até mesmo dentro do próprio país.
Exatamente.
Quando saímos da nossa aldeia e vamos viver.
Tu é que podes falar disso, estar num sítio anos e depois viver noutro sítio completamente diferente outros anos. É extraordinário.
Se nós pudermos reconhecer esse sentimento de "já não sou daqui, mas ainda sou dali, mas se calhar já não sou 100% de parte nenhuma". E então, para fazer esta reflexão, convidámos artistas portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro, que desenvolvem a sua atividade no estrangeiro e estrangeiros que escolheram Portugal para viver e trabalhar e criar. Então temos assim um leque diversificado de propostas, muitas obras feitas no próprio espaço, muitas inéditas.
Site specific.
Site specific.
Tu também fizeste muito isso na tua criação.
Sim.
Gostas muito disso, eu sei.
Ou seja, também procurámos que o próprio espaço de exposição fosse um território sem fronteiras. Não existem paredes divisórias, existe ali muita contaminação entre obras. E ao mesmo tempo, estabelecemos um diálogo com artistas históricos, já desaparecidos, que viveram essa mesma condição, como é o caso da Sonia Delaunay. Temos uma peça da Paula Rego. Temos ali alguns artistas já falecidos.
Altamente, exatamente.
Sim, a Vieira da Silva, o Arpad Szenes. Temos ali um núcleo de Paris, artistas que estiveram no Reino Unido.
Cruzaram fronteiras.
Cruzaram fronteiras, muitos bolseiros também, como eu fui.
Como te aconteceu a ti em Nova Iorque.
É interessante ver que nesse diálogo existem muitos cruzamentos, referências e ligações que se conseguem fazer também entre artistas de diferentes gerações.
Além deste núcleo central, quais são os outros polos onde há de correr exposições? Também no auditório, onde os debates, por exemplo, são lá.
Sim, no auditório temos, principalmente no último trimestre, dedicamos mais à reflexão, às conferências. Vamos ter um congresso internacional também com artigos académicos em novembro. Temos uma coisa muito boa que são espaços de criação artística, temos ateliês. Isto existe desde as primeiras bienais, sempre se promoveram workshops, oficinas com cerâmica, serigrafia, gravura. Tivemos então no verão os ateliês livres, voltam a acontecer em dezembro, mas mesmo durante as visitas orientadas promove-se sempre um tempo de experimentação artística a partir das exposições.
Já agora, aproveito a tua deixa para dizer que é já este sábado, dia 5, às 16h, há uma visita orientada por ti às exposições. Depois repete em 14 de novembro e depois em 5 de dezembro. Estas visitas as pessoas têm que se inscrever para o serviço educativo ou não? Aparecem?
Não, podem simplesmente aparecer nos dias abertos. A entrada no museu é livre nos outros polos expositivos.
Já sabe que é às 16h, sábado. Se vier pelo norte, aproveite. Vá, vale a pena. Já agora, também este dia 5 há um programa paralelo com a performance e com o cinema. É o caso já deste sábado também vai haver o "Ateliê Radical" de Henrique Silva, um filme que vai passar neste sábado.
Esse tivemos que reagendar.
Para outra data.
Sim.
As pessoas vão no site também têm a informação de tudo o que lá acontece.
Sim, têm a agenda, o site e é possível ir consultando. Vamos ter bastante programação.
Concertejoana Gama também em 5 de dezembro, está previsto, pelo menos.
Sim, para o encerramento, depois com exibição do documentário desta edição.
Eles fazem sempre isso, é sempre engraçado.
É muito bom.
Durante a Bienal há alguém sempre a tirar imagens e a entrevistar pessoas, e depois há o documentário exibido no fim.
Sim.
Não sabia, isso é muito boa ideia.
É muito bom para fazer um apanhado.
Exato.
Ter também ali os depoimentos dos envolvidos.
Acho que registar isso é uma ideia ótima.
Os polos expositivos externos são resultado do trabalho que foi iniciado também em 2025, resultado das residências artísticas.
E este bienal que prepararam para agora serem mostrados.
E no Convento de S. Paio ainda temos patente uma exposição que faz parte de um outro ciclo de exposições iniciado em 2025, parte da nossa própria coleção. Convidámos curadores externos a conhecer a coleção e a desenvolver um projeto expositivo. E o que se apresenta no Convento de S. Paio resulta de uma curadoria coletiva desenvolvida pelos alunos da Universidade do Minho.
É verdade.
Em práticas expositivas, os alunos no contexto académico tiveram a oportunidade de dar resposta a um desafio mais profissional, de ver uma coleção, selecionar as obras, pensar o desenho de exposição.
Assalto.
O conceito. Assalto.
Assalto. Vemos no fim do mundo. Muito giro.
Metáforas associadas à raia.
Achei isso. Muito bem. A ideia final é que as pessoas consultem o site da Bienal, onde têm toda a informação, o que se passa e o quê. Já sabe, vale a pena ir ao Alto Minho agora para visitar esta 24ª Bienal Internacional de Cerveira até 30 de dezembro. Há estas 140 participações artísticas, quase 200 obras de 20 e tal países nestes quatro polos expositivos. Mafalda, o nosso tempo voou e já sabia, mas estou muito contente com todas estas ideias. Ainda bem que pudeste vir. Era difícil apanhar-te antes de julho e depois, de repente, já com as coisas a decorrer, é mais fácil, foi tudo mais ágil. Ainda temos uma série de meses pela frente, até o fim do ano, até 30 de dezembro, quase mesmo o finzinho do ano, para visitar então esta 24ª edição da Bienal. Tudo de bom para a programação e corre tudo bem. Estás quase a voltar para o Minho. Muito obrigado por teres vindo.
Obrigada.