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Muito boa tarde, Tiago. Do que nos falas hoje?
Boa tarde, Rita. Boa tarde, Judite.
Olá, boa tarde.
Judite, Rita. Rita, Judite. Ora bem, minhas amigas. Esta será a minha derradeira rubrica antes do Natal.
Certíssimo. Imagino que por isso hoje nos tragas algo que desponha bem, e que deixe no ar um sentimento de esperança típico desta quadra natalícia, certo?
Quase certo, Judite. Tendo em conta que sim, é mais ou menos isso que proponho levar a cabo hoje, uma vez que a minha ideia era falar de um assunto de tal forma grotesco e deprimente que acabará por dispor bem e transmitir alguma esperança, na medida em que os nossos ouvintes pensarão: "E eu que julgava viver num sítio deprimente. Afinal, não. Afinal, talvez ainda haja alguma esperança. Olha, até já estou mais bem-disposto e tudo. Já me salvou o Natal este indivíduo que está na Rádio Observador". Sou eu o indivíduo, a salvar o Natal.
E Tiago, juntas-te a uma galeria de famosos que já salvaram outros Natais. Lembro-me, por exemplo, do Noddy.
Certo.
Na sua aventura, Noddy salva o Natal. Salva também ele, lá está, o Natal.
Certo, correto.
Ou do próprio Ruca.
O Ruca.
Num dos seus episódios também salva o Natal.
Salva, é verdade. O Ruca e o Noddy. Mas a minha referência em termos de salvamentos natalícios é mesmo o Beethoven, aquele cão São Bernardo, o Beethoven.
A sério? Mas qual consideras ser a grande mais-valia do cão Beethoven em relação a um Noddy ou a um Ruca?
O álcool.
O álcool?
O álcool, exatamente.
Como assim o álcool?
Não, porque, como sabem, manda a tradição que os cães de raça São Bernardo transportem sempre um pequeno barril ao pescoço. Barril esse repleto de bom uísque, caso seja preciso fazer algum salvamento. E que eu saiba, nem o Noddy nem o Ruca têm por hábito fazer-se acompanhar por uma daquelas garrafas de bolso, aquele género de cantil de bolso. Portanto, para salvar Natais e para salvamentos em geral, o Beethoven é a escolha acertada.
Espera aí, alto lá. Espera lá. Porque eu também sou fã das análises da Deco Proteste.
Sim?
Sim, vamos lá ver.
Estão a falar da Deco, vamos ver.
Estão a falar da Deco Proteste. Judite, agora escuta o que a Rita diz.
Vamos lá ver. O Beethoven é a escolha acertada ou é o melhor do teste?
Boa! Estupenda questão, Rita. A não deixar escapar aquela nuance de que o melhor do teste pode não ser a escolha acertada. Por causa, imagina, do fator preço, por exemplo. Há uma ponderação. Excelente, Rita. Mas neste caso, não. Neste caso, o Beethoven acumula: é o melhor do teste e é a escolha acertada. Até porque, por exemplo, imaginem que, em vez de um São Bernardo, escolhiam um pinscher para fazer salvamentos. O máximo que o pinscher podia carregar ao pescoço era um shot de uísque, o que até anima um bocadinho, se complementado com subsequente meia dúzia de outros shots. Só por si, um shot de uísque não faz o serviço.
Olha, e aqui chegados, urge perguntar: afinal, de que assunto grotesco e deprimente que acabará por dispor bem e transmitir alguma esperança pretendes falar?
Bem lembrado, Judite. Realmente urge.
Urge.
O que desejo partilhar convosco é o seguinte: na Coreia do Norte, vamos falar de coisas que dispõem bem. Na Coreia do Norte, esta quadra natalícia coincide com o assinalar dos 10 anos da morte de Kim Jong-il, pai do atual facínora que lidera o país, o Kim Jong-un. Ora, o que o atual facínora decidiu fazer para celebrar a data foi o seguinte: decidiu decretar 10 dias de luto em homenagem ao seu progenitor facínora. Portanto, o atual facínora decidiu, em relação ao progenitor facínora, 10 dias de luto.
E o que implicam esses 10 dias de luto?
Rita, implicam que os norte-coreanos têm de seguir algumas indicações muito simples. A saber: por estes dias os norte-coreanos estão proibidos de rir, participar de atividades de lazer e fazer compras. Ao que os norte-coreanos terão respondido: "Compras? Mas quais compras? Para isso era preciso termos dinheiro para comprar coisas. E para montante, era preciso que existissem coisas para comprar".
E rir? Rir onde?
Isto não dá vontade.
Não dá. Enfim, na Coreia do Norte não haverá Natal. Isso é certo, não é?
Pois não. Isto é um decretar guerra ao Natal, Judite. Aliás, ao contrário do que analistas menos perspicazes afirmam, aqueles testes todos que o Kim Jong-un anda sempre para lá a fazer com mísseis nucleares e mais não sei o quê, aquilo não é para atacar os Estados Unidos, nada disso. Aquilo são mísseis para acertar em cheio no trenó do Pai Natal. Estás a perceber? Aquilo é feito para acertar no trenó do Pai Natal.
Mas a sério, achas que o Kim Jong-un não gosta de presentes de Natal, Tiago?
Não, gostar, gosta, Rita, mas gosta dos seus presentes de Natal, como por exemplo o cartão de Boas Festas enviado pelo PCP, em mão. Não é cá por Pais Natais. Em mão, o cartão de Boas Festas do nosso PCP.
O caso é muito grave, sem dúvida.
É grave, sem dúvida.
O caso é sério. Acho que só mesmo o Beethoven pode salvar o Natal da Coreia do Norte.
Nem pensar, Judite. Não dá. Porque não só o Kim Jong-un proibiu também o consumo de álcool por estes dias. Como não queremos ver o Beethoven servido com arrozinho malandro para o almoço que ia vir. Impossível, Judite, não contes com isso. Temos que arranjar outra solução.
E de maneira que, no fundo, é muito isto.
Sim.