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Olha, aqui está! Gol! Ronaldo! Não há português que não sinta. Diário do Mundial, já sabe, todas as noites, todos os dias, vamos ter o nosso enviado especial ao Qatar, o Bruno Roseiro, a contar-nos aquilo que fez em cada dia e também como é que sentiu in loco as emoções que nós por aqui, no nosso humilde e bonito Portugal, vamos sentindo à distância, mas não na mesma intensidade que o Bruno. Bruno Roseiro, muito boa noite. Acabaste de sair agora deste Brasil-Coreia do Sul, que valeu um adeus a Paulo Bento, valeu uma goleada aos brasileiros e muito samba. Ainda se ouve aí o samba nas ruas?
Sim, ainda se ouve. Por isso é que eu não sei se tu me fizeste alguma pergunta ou não. Começamos logo bem.
Não.
Hoje começamos logo bem.
Perguntava só isso, se ainda se ouvia o samba nas ruas e pelos vistos ainda se ouve, não é?
Não. Já não se ouve até por uma razão. Há aqui uma diferença entre brasileiros e argentinos, que é durante a festa, se eu sair duas horas depois de um jogo da Argentina, muito provavelmente ainda vou apanhar o metrô cheio e muita gente ainda à volta do estádio, à espera de amigos ou só a cantar. Porque para eles acabou o dia. É a Argentina deles, ganhou a Argentina deles, eles vão felizes para casa.
Claro.
Os adeptos brasileiros, não. São mais batidos, já têm as festas preparadas. Aparentemente, pelo que eu tenho vindo a saber, acho que também já controlaram a situação dos cartões para ir a um determinado sítio muito específico para poderem comprar álcool.
Já são mais batidos nisso, não é?
Sim, são muito mais batidos. Eu lembro-me que em 2010, no primeiro Campeonato do Mundo que eu fiz, que foi na África do Sul, fiz uma espécie de um circuito pelos três centros de estágio dos adversários de Portugal. Ou seja, o da Costa do Marfim, que era o mais normal deles todos. O da Coreia do Norte, que ainda para mais foi na altura-
Mais secreto, talvez?
Não, não existia. Ponto prévio, era ao pé de um bairro de lata, portanto logo aí começávamos com o pé esquerdo, porque eu saí do carro e voltei a entrar. Foi por aí. E depois, foi na altura em que se falava que havia quatro jogadores que tinham fugido da concentração, que foi uma história que nunca se percebeu muito bem se era verdade ou não. E, portanto, ainda por isso, ainda mais, estava completamente vazio, era como se não existisse. E depois no Brasil, percebi que mais ou menos a dois quilômetros do centro de estágio da seleção, existia um hotel que todos os dias, tinha uma espécie de um terraço, todos os dias tinha festa com churrasco e caipirinha, só para os jornalistas.
Só para os jornalistas.
Que eram muitos. Sim, eram muitos, então organizaram logo aquilo. Portanto, isto é para tu veres, profissionalismo, isto é logo outra coisa.
Claro.
Não há nada comparativo.
Então em termos de caipirinhas, os brasileiros já sabemos que dão de zero a todos.
Sim, andamos nós a dormir, já eles sabem tudo.
Mas hoje, para além deste jogo, não sei se queres começar pelo jogo, já pelo Brasil, ou se queres ir, já que estamos a falar-
Também não tem muita história, podemos despachar isto num instante.
Então vamos a isso. Quatro, um, não é?
Sim, quatro, um.
Mas podia ser um sete, dois.
Sim, muita homenagem a Pelé.
Sim, principalmente no fim.
Muita festa pelo regresso de Neymar. Eu acho que dos quatro avançados, se calhar o Neymar foi aquele que em campo se destacou menos. Ou seja, o Vinicius foi muito mais desequilibrador, o Raphinha muito mais desequilibrador. O Richarlison na hora da finalização esteve muito mais presente, mas Neymar é outra coisa. O Brasil com Neymar, a vibração que se sente nas bancadas não tem mesmo nada a ver. E eu acho que este regresso do Neymar pode ser o trampolim que faltava, claro está que este resultado também ajuda bastante, mas pode ser o trampolim que faltava para o Brasil chegar aos níveis que já tinha mostrado em parte contra a Sérvia, que tinham baixado devido à derrota com os Camarões, mas que me parece que agora estão outra vez lá em cima. Aliás, o próprio Paulo Bento, que esteve na conferência de imprensa e já vamos falar nisso suficientemente, falou com os sul-coreanos também na zona mista, falou com os brasileiros também na zona mista, porque ele passou pelo Cruzeiro, e uma das coisas que eu ainda apanhei, que estava a fazer outra coisa, foi ele explicar que para ele, o Brasil é o candidato mais forte ao título. Não é o único, mas é o candidato mais forte. Por quê? Porque esta geração com o Tite sempre teve qualidade técnica, isso no Brasil dá-se um pontapé numa pedra e sai um craque, mas junta a isso agressividade, intensidade e organização tática. E quando é assim, já começam a ser muitos ingredientes para não sair dali ou para não cozinhar o sucesso a partir dali. Há outros candidatos, como ele disse, e bem, ele falou na França, falou na Argentina, mas de fato o Brasil deu mostras que pode ser candidato.
Sim, para além do Paulo Bento, apanhaste mais alguém na zona mista, para além do Paulo Bento?
Não, nós começamos a receber mensagens de que Paulo Bento teria dito na conferência de imprensa que tinha sido o último jogo e que não iria prolongar o vínculo com a Coreia do Sul. Depois essa informação acabou por ser desmentida. Posteriormente, na zona mista, houve um assessor da Coreia do Sul que confirmou essa saída, que nós, portugueses, entretanto já tínhamos como certa. Acabou por sair essa notícia da saída de Paulo Bento. Três treinadores portugueses no Campeonato do Mundo, dois já saíram, Carlos Queiroz e Paulo Bento. Consegui apanhar o ponta de lança da Coreia do Sul, que agora por questões logísticas não te consigo dizer o nome, mas é aquele número nove que não ficou propriamente muito amigo do Ronaldo.
Sim, muito amigo do Ronaldo e que acabamos por ter, depois, também na conferência de Portugal, esse esclarecimento. Mas vou te ajudar. Se é o número nove da Coreia do Sul, estarás a falar do Cho, do Gee-sung Cho.
Vou depositar a minha confiança 100% em ti. Vou acreditar que é mesmo ele.
Gee-sung Cho, deve ser este.
Pronto. Eu fui falar com ele e as perguntas, como é óbvio, foram à volta de: um, a importância do Paulo Bento na carreira dele, porque ele andava na segunda divisão quando chegou o Paulo Bento e deu um salto e desportivamente é um avançado muito interessante, já com Portugal tinha ficado com essa ideia. E hoje, apesar do resultado, tu consegues perceber que há uma série de jogadores da Coreia do Sul que têm potencial para mais. O número seis também, salvo erro, não é Son, é o médio do Olympiacos, já esteve com o Tiago Silva. Eu sei os nomes. Sei o que eles sabem fazer, mas nomes nem por isso.
Ainda por cima nomes coreanos.
Parece-me que é muito interessante. Este ponta de lança tem uma outra história além do Ronaldo, que lá está que eu lhe perguntei do Ronaldo. Ele diz que não falou com ele depois do jogo, mas falou muito tranquilo, ou seja, sem qualquer tipo de problema, nem de rancor, já nem se lembra quase o que se passou, mas diz que não falou com ele a seguir ao jogo, mas que são coisas que acontecem no campo e que não tem nada contra ele. Falei com ele porque ele se tornou um autêntico fenômeno. Ele chegou a este Campeonato do Mundo, tinha, agora não sei se são 16 mil seguidores. Eu penso que eram 16 mil seguidores no Instagram. Nesta altura já tem mais de dois milhões. As camisolas dele estão todas esgotadas aqui no Qatar. Por quê? Porque ele tornou-se uma espécie de sex symbol deste Campeonato do Mundo.
O menino bonito da Coreia.
O menino bonito, e foi de tal maneira que ele a certa altura teve que desligar o telefone três dias, porque já não conseguia receber mensagens de pessoas que não conhecia a pedirem-lhe em casamento.
Já te acontece também a ti, Bruno, tens de admitir, de certeza.
Não, eu normalmente quando recebo mensagens é: "Olhe, tem aqui qualquer coisa na receção de comida". É as únicas coisas que eu recebo mensagem, além das pessoas todas que estão aí e que hoje, certamente, estarão bem melhores do que eu, porque parece que há por aí qualquer coisa.
Sim.
De resto, falamos também com o Danilo, ainda, que falou de Cristiano Ronaldo, falou do Futebol Clube do Porto, também. E tentamos vários, Rafinha, Tiago Silva, o Fred. Não se conseguiu mais nada. Mas mesmo assim foi uma zona mista que ainda rendeu qualquer coisa. E agora, eu não sei se consegues ouvir o som.
Conseguimos sim ouvir uma música de fundo.
Essa música de fundo é algo bastante aborrecido, porque é algo pela qual eu vou ter de passar. Mas nesta altura estão a fazer a festa e tu dizes-me: são os adeptos brasileiros. Não são.
Pela música não parece.
Não, são os seguranças e os voluntários do Estádio 974, por uma razão: este estádio vai deixar de existir.
Pois, exatamente.
Ou seja, foi o último jogo do Campeonato do Mundo.
Vai ser desmontado.
Ele agora vai ser desmontado e depois, pelas informações que eu tenho, vai seguir para a Tunísia e será lá que vai ser novamente montado para outras competições.
Bruno, temos cinco minutos. Sei que queres também falar da conferência de imprensa da seleção. Vamos ter de encaixá-la nestes cinco minutos. Uma conferência de imprensa em que estiveste presente, acredito eu, e que fica marcada por este-
Importas-te de trocar a ordem e começarmos pela conferência de Espanha? É porque aquilo que eu vou dizer de Portugal, como eu tenho de pensar um bocadinho naquilo que eu vou dizer.
Claro, desde que consigas encaixar nos quatro minutos. Claro. Vamos a isso.
Não. Pronto, deixa-me dizer que fui à conferência de Espanha, já a antecipar um possível confronto também de Portugal com a Espanha nos quartos de final, se Portugal ganhar amanhã à Suíça e se a Espanha também ganhar a Marrocos. E deixa-me dizer que o Luis Enrique, cada vez mais, é muito mais do que o treinador do Twitch. A conferência dele foi uma conferência que é engraçado, porque daquilo que eu conheço dos selecionadores espanhóis e da relação que eles tinham normalmente com os jornalistas espanhóis, o Luis Enrique é basicamente a antítese de tudo aquilo que eles estão habituados. Vou dar um exemplo prático. O Vicente del Bosque era o tipo de treinador, por exemplo, que nas conferências era incapaz de dizer que havia uma pergunta que era mal feita, que havia uma pergunta que não tinha contexto para ser feita, e o Luis Enrique é de uma ponta à outra. Eu utilizo a expressão topicasso Tópicaço é já estarem a fazer um filme. E foi de uma ponta à outra e parece-me que é um treinador cada vez mais a deixar a sua marca, com a sua identidade, com as suas ideias. Ele pode morrer, mas nunca vai ceder perante as suas ideias. E foi uma conferência de imprensa muito interessante. Depois também falou o Pedri. Pode-se ver já no Observador, que eu esse já publiquei. Foi uma conferência muito interessante que valeu a pena. Em relação a Portugal.
Vamos a isso. Já pensaste naquilo que vais dizer, não é?
Não, sobretudo, já passei aquilo. Estava a ver o caso mal parado, que estava muita gente já a começar a aproximar-se e agora já estou na reta final, rumo ao metro, quase às duas da manhã.
Maravilha.
Já estou naquela glória, na minha glória diária, que é chegar ao metro às duas da manhã.
Então vamos lá, em dois minutos, Portugal.
Dois minutos. Dizer que a conferência de imprensa foi uma das conferências de imprensa mais marcantes, na minha ótica, do período Fernandes Santos, porque é a primeira vez onde ele abertamente faz uma crítica a Ronaldo.
Demorou quase 10 anos, não é?
Sim, mas é uma conferência de imprensa, para mim, win-win. Ou seja, eu ficaria na mesma admirado se Ronaldo amanhã não fosse titular. Ou seja, eu acho que Ronaldo vai continuar como titular e penso que de manhã já conseguirei ter essa confirmação. Agora, aquilo que ele faz é um puxão de orelhas a Ronaldo e depois a partir de agora, o que pode acontecer? Se Ronaldo amanhã marcar contra a Suíça, Fernandes Santos será visto como o treinador que deu o toque que Ronaldo precisava para ele voltar aos gols. Se Ronaldo não conseguir marcar ou se fizer um jogo, como fez, por exemplo, o último com a Coreia, que para mim foi o mais abaixo deles todos, o selecionador fez a sua parte, ou seja, chamou a atenção, deu-lhe mais uma oportunidade e a oportunidade acabou por não ser correspondida. E, portanto, para mim parece uma conferência win-win, sendo que aqui um dado importante: foi o próprio Fernando Santos, que perante a pergunta que foi feita, salvo erro, foi o Luís Baila, da SIC, quis puxar o filme atrás e dizer: "Eu quando falei sobre o episódio com o avançado da Coreia, ainda não tinha visto as imagens que vi depois". Ou seja, é ele próprio que puxa o filme atrás, que é algo que podia não fazer.
Claro.
Podia simplesmente ter dito aquilo que eu disse, está dito, ponto final. Não o fez. Acho que foi uma boa conferência de imprensa por isso. Acho que foi uma posição importante. Isto tudo num dia em que parece haver a confirmação de que Ronaldo, o futuro dele vai mesmo passar pelo Al-Nassr. Portanto, é algo que toda a gente achava, isto fala-se, mas não vai acontecer. E aparentemente vai mesmo acontecer. E isto é quase um assumir de Ronaldo que acabou o sonho Liga dos Campeões, acabou a luta por grandes títulos, acabou a luta e um sonho, se calhar, ainda mais remoto nesta altura, de poder ainda um dia voltar a ganhar uma Bola de Ouro. E isto também vai ser um momento marcante, não só em termos de contexto mundial, mas sobretudo para a carreira do Ronaldo.
Exatamente. Bruno, amanhã vamos ver qual é a teoria que se confirma em relação a essa conferência de imprensa. Nem é preciso perguntar-te qual é que é o jogo que vais acompanhar amanhã. Já sabemos que a partir de agora só podes ver um por dia e, portanto, esse vai ter de ser o Portugal-Suíça. Vais estar também conosco na nossa emissão especial. Vamos sempre fazer uma ligação direta, como sempre, a ti a partir do Qatar. Amanhã temos esse Portugal-Suíça, a partir das 19h00, vais estar no Lusail, o estádio que é o que recebe a final, certo?
É isso.
E, portanto, esperamos ainda voltar a ter-te lá, mas com a seleção portuguesa também a jogar. Bruno, obrigado.
Com a Argentina ou Brasil, o que é que tu preferias?
Neste momento, preferia a Argentina, não só pela epicidade de termos um Ronaldo e Messi, mas também porque me parece que este Brasil tem mais pedalada do que os argentinos neste momento.
Se ganharmos à Suíça, posso dizer que está dado mais um passo e os astros estão-se cada vez mais a conjugar para Lusail receber um final digno do Ronaldo e Messi e se calhar com o Ronaldo a decidir a final.
Vamos ver.
A decidir para o Al-Nassr. E aí é que está o resto da história.
Era o The Last Dance perfeito. E faça-se o documentário. Bruno, obrigado. Até amanhã. Um bom descanso, boa viagem de metro. Até amanhã.
Até amanhã. Obrigado.
Olha a cabeçada. É gol! Ronaldo! Não há português que não sinta.
