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As temperaturas no Porto devem chegar aos 25 esta tarde, aos 28 em Lisboa. Céu pouco nublado ou limpo nas duas cidades, mas há a previsão de alguns aguaceiros que podem ocorrer no Minho e também na região do interior centro. Já de seguida, nas manhãs 360, vamos diretos à campanha. E hoje Carla Jorge Carvalho, as jornalistas da seção de política do Observador, Mariana Lima Cunha e Inês André Figueiredo, estão conosco para olharmos para esta quarta-feira de campanha para as autárquicas.
Com muitos quilômetros na rua para fazer. Desde já, a bazuca e o caso da Galp de Matosinhos continuam a ocupar os líderes partidários. Hoje, António Costa escreve um artigo no jornal Público a insistir na ideia de dar uma lição à Petrolivre. Enquanto isso, nas ruas, os candidatos esforçam-se por cativar eleitores e as ações de campanha intensificam-se. Em direto da campanha estão as jornalistas Mariana Lima Cunha e Inês André Figueiredo. Bom dia às duas. Bom dia. No Porto, Inês, Rui Moreira pediu mais policiamento na rua para controlar as saídas noturnas. Já lá vamos, porque antes disso o candidato e autarca falou de queixinhas, ou seja, voltou a troca de palavras com o PSD.
É, já não é a primeira vez, mas as queixas à CNE continuam a marcar um pouco a campanha aqui no Porto e não só, tenho visto um pouco por todo o país. Logo no primeiro dia de campanha falávamos que o PSD tinha apresentado essa queixa à Comissão Nacional de Eleições e agora foi o próprio candidato do PSD, Vladimir Feliz, a vir anunciar que tinha havido uma condenação. Isto ainda não tinha chegado por outras vias, então Vladimir Feliz fez questão de o dizer e se o candidato do PSD considera que Rui Moreira tem de pedir desculpas aos portuenses, por outro lado, o presidente candidato não dá ouvidos ao adversário e atira-se novamente às posturas do PSD, a essas tais queixinhas, e diz até: "Há quem goste de fazer queixinhas, enquanto eu, presidente Rui Moreira, prefiro fazer campanha". Rui Moreira garantiu que a câmara vai recorrer desta decisão, voltou a justificar a tal carta aos pais e encarregados de educação, que acontece todos os anos, pelo que o presidente da Câmara do Porto e recandidato diz, e voltou a trazer o tal trunfo de Rui Rio ter enviado exatamente uma carta também aos pais em ano de eleições, quando em 2013 Rui Moreira já era candidato. Por isso estamos assim, por enquanto.
Estamos assim nas relações entre o independente Rui Moreira e o PSD. E ficamos também a saber que caso Rui Moreira perca as eleições, o que as sondagens não dizem de todo, mas se isso acontecer, quer ficar vereador.
Sim, foi mais uma brincadeira do presidente candidato, que sabe perfeitamente que Vladimir Feliz ser presidente da câmara é uma hipótese muito remota neste momento, mas brincou ao responder que ficaria na câmara com todo o gosto se Vladimir Feliz lhe desse o pelouro da cultura e as mesmas condições que o próprio Rui Moreira tem dado à cultura. É uma das áreas mais caras do presidente da Câmara do Porto, sempre foi. E parece que Rui Moreira não se importava de ficar como vereador da cultura de Vladimir Feliz, se ele ganhasse estas eleições.
Fica essa declaração de intenções. Como já dissemos, Rui Moreira pediu ontem mais policiamento nas ruas, sobretudo no centro histórico da cidade. Moreira não quis comentar a decisão da Direção Geral de Saúde em manter as discotecas e bares fechados, tal como estão nesta altura, mas deixou um pedido, Ana Catarina Peixoto.
A primeira visita de Rui Moreira ao centro histórico do Porto como recandidato fez-se ouvir pelas ruas. A escolha do local teve uma razão.
É uma zona particularmente importante da cidade do Porto, por todas as razões, é o coração da cidade. É também uma zona que nos últimos tempos tem tido alguma perturbação, que os cidadãos desta zona têm nos vindo a assinalar alguma preocupação, principalmente com as atividades noturnas. Com a fase de desconfinamento, aquilo que verificamos é que o fato de haver bares, discotecas, todos esses espaços permanecerem fechados, tem aumentado a pressão na rua.
Com uma maior pressão na rua e com os bares e discotecas encerrados, as queixas têm aumentado.
A população queixa-se, não consegue dormir, há ruído, há agitação e aqui nesta zona, daqui até às Virtudes, tem sido todas as noites um problema e nós não fugimos aos problemas. Vimos também falar com os cidadãos sobre essa matéria.
E, por isso, Rui Moreira deixa um pedido.
Naturalmente que nós compreendemos aquilo que as autoridades de saúde decidem e compreendemos que tenha que ser assim, não me compete a mim avaliar. A verdade é que a ser assim, nós precisamos de mais elementos policiais.
Depois do pedido, a arruada seguiu da Cordoaria até à Ribeira e terminou em Mira Gaia. Pelo caminho, ouviram-se algumas queixas.
Arranjamos o passeio até ali e daqui pra frente, quero lá saber. Andam os velhotes aqui a cair todos.
Tem razão.
Mas também houve elogios.
Claro, eu espero que sim, que ele ganhe para nos ajudar.
Aqui é Porto.
Não há nada, aqui é um homem.
Depois da visita ao centro histórico do Porto, Rui Moreira vai continuar pelas ruas da cidade com um objetivo principal, além da vitória: a maioria absoluta.
Muito corajoso. Aqui é Porto.
A reportagem da jornalista do Observador, Ana Catarina Peixoto, na visita de Rui Moreira ao centro histórico do Porto, onde o autarca e recandidato pediu mais policiamento. Já por Lisboa, o Bloco de Esquerda e a candidata Beatriz Gomes Dias estiveram ontem numa arruada em Campo Grande, mas Mariana Lima Cunha, bom dia. Esse dia foi dedicado também às questões sociais. Será, Mariana, que o Bloco está já a negociar pelouros com Fernando Medina?
Bom dia, Carla. É verdade. Nós tínhamos falado aqui outro dia sobre o périplo do Bloco de Esquerda pela cidade, que possam mostrar que teve uma intervenção relevante neste último mandato e que Fernando Medina tem se esforçado para se esquecer um pouco do Bloco. Quando fala deste seu último mandato, nunca menciona que teve uma parceria com o Bloco. Quando é questionado, diz que correu bem, mas não é propriamente efusivo, nem fala de um próximo arranjinho. Diz sempre: "Isso é para depois das eleições, agora concentrem os votos em nós." E o Bloco fica neste risco de ser esquecido. E o que tem feito para tentar contrariar isso é realmente procurar mostrar o que fez na cidade. Teve um primeiro momento, não são exatamente arruadas, mas um contato com a população, como eles chamam, por Campo de Ourique, em que visitou um ponto que é conhecido ali no bairro, que é o Eduardo dos Livros. É uma papelaria com muitos anos, desde os anos 60 que está lá instalada e que está a ser ameaçada de despejo por um fundo norte-americano. E o Bloco de Esquerda tem sido um partido que tem insistido muito, tanto na Junta, como na Assembleia Municipal, como na Câmara, para que lhe seja atribuído o estatuto de loja com história, que é um estatuto que protege e que protegeria aqui do risco de despejos. Depois à tarde, penso que ainda na ação mais significativa para o mandato do Bloco, que foi em um antigo quartel da GNR em Lisboa, que foi transformado para ser um ponto de acolhimento para pessoas que estão em situação de sem-abrigo, que já está a funcionar e que funciona diretamente em articulação com o vereador dos direitos sociais, que era do Bloco de Esquerda, o Manuel Grilo. E a Beatriz Gomes Dias ali no fim da visita, sem querer ser muito direta, quando foi questionada se quer continuar esse trabalho, o que o Bloco de Esquerda quer fazer neste próximo mandato e se vai incluir esta área como uma prioridade se voltar a chegar a acordo com Fernando Medina, disse de facto que o trabalho nos direitos sociais é para continuar. Não só o Bloco diz que quer acordo com o PS muito claramente, diz que é escrito, que tem que ter prazos e objetivos concretos, e agora até já arrisca dizer um pelouro que quer. Pode ser que cheguemos ao fim da semana já com as condições quase no papel para as conhecermos.
Mas Mariana, tal como tivemos esta conversa no início, ainda nos primeiros diretos à campanha, está o Bloco de Esquerda mais interessado em falar sobre isto do que propriamente Fernando Medina?
Sim, muito mais, claramente. O Bloco de Esquerda tem aqui esta questão, que de facto é um partido com muito pouca implantação autárquica. Não tem nenhuma presença de câmara, aliás, e mesmo quando falávamos com dirigentes do Bloco antes da campanha para perceber as expectativas para esta eleição, eles respondiam-nos com uma expressão que eu achei graça, que era: "Esperamos um crescimento modesto ou humilde." Porque têm consciência de que conseguir mais alguns vereadores já não seria mau e sobretudo segurar, nem sequer é crescer, segurar Lisboa e continuar a ter vereação em Lisboa. E nesse caso, o que pode mesmo dar visibilidade a um partido que não tem muita a este nível, é estar em Lisboa, influenciar a governação, a tentar influenciar Medina. Agora, aqui realmente o dilema, aliás, tanto do Bloco de Esquerda como do PCP nesta campanha é como se posiciona e como marcam a campanha, quando tem, não só Fernando Medina, aliás, Carlos Moedas também, mas dois adversários principais ou que se querem pintar como principais, que fazem tudo para bipolarizar a corrida e para apelar ao voto útil. Fernando Medina ainda este fim de semana dizia: "Concentrem os votos da esquerda aqui na minha candidatura, porque a ameaça é se não, vem o Carlos Moedas e direta em Lisboa." E é com isso que os partidos de esquerda estão a lutar.
E por isso, Beatriz Gomes Dias ontem teve até o apoio de várias caras do partido, incluindo Pedro Filipe Soares, e estiveram então nessa ação de rua em Campolide. Inês Ameixa.
Posso deixar aqui o panfleto? Muito obrigada, eu sou candidata à câmara.
A arruada foi morna, mas contou com caras de peso, com uma banda que vai seguindo a pequena comitiva, Pedro Filipe Soares, Mariana Mortágua e Jorge Costa passeiam lado a lado com Beatriz Gomes Dias.
Isso aqui é para a câmara, atenção às ideias para a câmara, aqui são as ideias para a freguesia. Sim, é isso.
Durante cerca de meia hora, a candidata do Bloco de Esquerda bateu em todas as capelinhas, como quem diz, entrou em cada restaurante, café e loja.
Eu vi já na televisão.
Sim, eu participei nos debates.
Pronto, exatamente, agora que eu estou a ver.
É verdade, com máscara é mais difícil.
Sim, senhora. Então vamos lá, força.
Muito obrigado.
Ao longo da arruada, Beatriz Gomes Dias vai apanhando o jeito, sempre de sorriso na cara, e conta também com a experiente ajuda do líder parlamentar bloquista.
No debate, por acaso não é para a senhora estar aqui, gostei da senhora. Eu estava a dizer à minha mulher: "Olha, estou a gostar da conversa, estou mesmo a gostar." Eles gostam mesmo da cidade, gostam mesmo da freguesia, e por isso é malta que vai trabalhar. Tem é que ter voto.
No fim, balanço positivo, com Beatriz Gomes Dias a registar algumas das queixas que foi ouvindo.
Muitas das habitações não têm saneamento básico. Houve uma senhora que nos chamou a atenção para a necessidade de haver um semáforo, porque há ruas sem semáforo, mas é preciso uma intervenção de requalificação e regeneração do próprio bairro, que está bastante abandonado e usando a expressão que a senhora usou, está esquecido do governo e dos poderes políticos.
A candidata do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa promete não esquecer também Campolide já no próximo domingo.
Olhe, um bom resto de dia para o senhor. Muito obrigada.
É o regresso das arruadas às campanhas eleitorais nesta reportagem da Inês Ameixa. Inês, André Figueiredo, já vimos que Rui Moreira também tem andado pelas ruas do Porto, em contato com a população. Como é que vai ser o programa de hoje do candidato?
É isso. Rui Moreira tem continuado a fazer aquilo que tem sempre feito ao longo da campanha. Normalmente, uma ação de manhã para visitar locais onde a câmara já deu apoio, tanto locais de negócios, questões sociais, questão da habitação social, depois sempre uma arruada durante a tarde. Hoje vai ter pelo meio o debate, porque hoje há mais um debate, mas deixar só aqui a nota que é um debate mais restrito do que aqueles que têm acontecido e aquele que aconteceu na televisão, na RTP. O critério é que só têm lugar no debate os partidos com assento parlamentar na Assembleia Municipal, ou seja, aqui além do movimento Rui Moreira, o PS, o PSD, a CDU, o Bloco e o PAN. Diminui logo aqui uma luta que neste momento é a 11 no Porto. Vamos ver o que é que sai daquele debate e o que é que depois Rui Moreira vai dizer na arruada que tem a seguir. Mas só deixar-vos aqui a ideia de que parece que a estratégia de Rui Moreira está a funcionar ou que a dos outros adversários está a falhar. Ainda ontem saiu a sondagem da Católica para o Público e para a RTP, que volta a dar uma maioria absoluta a Rui Moreira, que o atual presidente da Câmara já tem, mas ainda com resultado superior em relação há quatro anos, oito anos depois de estar na Câmara e com um processo na Justiça que ainda está por resolver e que deixa algumas pessoas aqui pé atrás, ainda assim, isto não se revê nos resultados desta sondagem. Mas mais do que o resultado de Moreira, está aqui em causa o resultado do PS, que cai praticamente 10 pontos percentuais e aparece com 17%, ainda assim, à frente do PSD de Vladimir Feliz. Se estes resultados no domingo forem confirmados, digamos assim, além de uma derrota do PS, relembrar que António Costa esteve por aqui pelo Norte, fez uma viagem exaustiva de comícios à volta do Porto, e não só, e não parou no Porto, ou melhor, parou para almoçar com Tiago Barbosa Ribeiro, mas apenas um almoço privado, nada que fizesse ver, até porque este não é o candidato que o secretário-geral do PS queria para o Porto. Por outro lado, também o PSD vai sair derrotado, aí já não por falta do líder do partido. Rui Rio esteve ao lado de Vladimir Feliz mais do que uma vez, fez uma arruada até no famoso Autocarro Marlene, nós temos uma reportagem no site, e até fez questão de estar no anúncio do circuito da Boa Vista. Mas pronto, só feitas as contas, se estes resultados se confirmarem, a CDU é a última força política a entrar pra Câmara, o que faz com que o Bloco de Esquerda, lembrar que Catarina Martins pediu muito um vereador aqui no Porto, o Bloco de Esquerda, o PAN e o Chega falham a conquista de um vereador, caso estes resultados se confirmem.
Vamos ter de aguardar, já não falta muito tempo para isso, é já no próximo domingo. Já no caso do Bloco de Esquerda em Lisboa, Mariana Lima Cunha, o que é que tem previsto Beatriz Gomes Dias?
O Bloco de Esquerda está claramente aqui nesta segunda semana a intensificar a agenda, já se parece mais com a agenda do Fernando Medina, que andava frenético na primeira semana. E a Beatriz Gomes Dias, como tu dizias há pouco, Carla, se ontem já contou com algumas figuras mais de peso ao seu lado, a tendência é para continuar. Hoje, além de um dia muito agitado, vai acabar com uma arruada, tanto com o Pedro Filipe Soares outra vez, como com a Marisa Matias. E amanhã já vai ser o dia inteiro ao lado da Catarina Martins, em arruadas, em comícios, a viajar de elétrico. Portanto, o ritmo está cada vez ficando mais intenso e com mais contato com a população, com as pessoas. E por outro lado, temos a CDU, que também estava com o ritmo mais parado, com mais ações sentadas. Hoje, João Ferreira vai percorrer não sei quantos transportes, vai andar de barco, vai andar de táxi e vai também ter contato com a população. Portanto, a esquerda vai acelerar aqui na reta final da campanha.
E nós vamos continuar a acompanhar. Mariana Lima Cunha e Inês Andréia Figueiredo. Elas vão continuar em direto a campanha com os candidatos no Porto e em Lisboa. Nós voltamos amanhã à mesma hora. Rádio Observador