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O Directo à Campanha continua na estrada e os ecos da lição de António Costa a Galp ainda se fazem ouvir. Mas já lá vamos. Antes de Matosinhos, centremo-nos em Lisboa. Carlos Moedas ouviu as queixas dos trabalhadores da recolha do lixo, enquanto Fernando Medina fez ontem à noite o único comício da campanha e onde Marta Temido fez levantar a sala. O Miguel Viterbo Dias acompanhou esse momento e está agora em Directo à Campanha. Miguel, bom dia. A ministra da Saúde é o novo trunfo do Partido Socialista?
Bom dia. Parece que sim, é isso que têm sido os sinais dos últimos dias de campanha autárquica. Marta Temido tem estado um bocadinho na volta a Portugal desta campanha, não só ontem em Lisboa, onde foi a grande estrela da noite, mas também com aquele que acabou por ser um polémico almoço com Tiago Barbosa Ribeiro, o candidato do PS à autarquia do Porto. Polémico, porque foi um almoço que ficou marcado por uma notícia avançada por nós, pelo Observador, de que a ministra se deslocou num dos carros do ministério, embora para uma iniciativa partidária. É uma situação que tem, como já se percebeu, também gerado algum incómodo dentro do Executivo e dos dirigentes do PS, porque António Costa tem fugido a falar sobre isso. No fim de semana, despediu-se até dos jornalistas, na sequência de uma pergunta sobre essa matéria, com um até logo de fugida. Mas quanto a Marta Temido, esteve com Tiago Barbosa Ribeiro em primeiro lugar e depois, embora ainda uma iniciativa mais privada, foi um pequeno almoço antes de seguir para a agenda oficial. E ontem, sim, esteve nessa luta partidária pura e dura num comício à moda antiga na Aula Magna, que é, como sabemos, também um sítio com particular peso para a esquerda portuguesa, em especial nos últimos anos. Iconicamente já o era, mas também por aquilo que fomentou nos últimos anos com esse acordo às esquerdas. Ora, para além destas duas grandes cidades, todas querem tentar garantir um bocadinho de Marta Temido. Como o Rui Pedro Antunes, o editor de política aqui do Observador, também já tinha assinalado ontem no programa Caça ao Voto, ela passa também por outras localidades de menor dimensão, mas onde os autarcas tentam aproveitar essa boa popularidade de Temido. Já esteve, por exemplo, em Valongo, Marinha Grande, também na Lousã e na área metropolitana de Lisboa, no concelho de Loures. Não deixa de ser também um bom exercício de política comparada, digamos, a forma como Marta Temido recuperou a popularidade face aos últimos meses. Todos nós nos lembramos do pico da pandemia no início deste ano, em janeiro, e das críticas a que o governo estava sujeito a seguir ao Natal. E agora, com o processo de vacinação a ser um exemplo a nível mundial, a forma como a líder da pasta da Saúde também ganhou tração e popularidade com este sucesso do processo de vacinação.
Melhor só mesmo o vice-almirante. Recordemos então os principais momentos do comício de ontem à noite, que aqueceu a Aula Magna. Bem que lá estavam Pedro Siza Vieira, Duarte Cordeiro, Rui Tavares. Foi mesmo Temido a receber a única ovação de pé.
Aula Magna cheia de lisboetas, figuras públicas e figuras do governo na plateia e no palco.
Boa noite, Aula Magna.
Marta Temido começou com um tímido olá, depois de ter sido ovacionada de pé, a única, a par de Jorge Sampaio, e logo se disponibilizou para se colocar ao lado de Fernando Medina neste combate.
Foi esta cidade que escolhi para viver e por isso aqui estou, caro Fernando Medina.
Disponível para a luta política, Marta Temido pegou numa das bandeiras de Carlos Moedas para lançar críticas.
A promessa de duas consultas por ano, uma de triagem e exames, não são cuidados de saúde primários. São pensos rápidos, são um engodo.
A farpa foi aproveitada mais tarde por Medina, que na intervenção aproveitou para apontar à direita e à ambição para a cidade de Lisboa.
Se alguma coisa ficou clara ao longo destas semanas e destes meses, é que a direita verdadeiramente não ambiciona um futuro para a cidade de Lisboa. O que a direita ambiciona nestas eleições é procurar a segunda volta do jogo que perdeu na disputa do poder ao nível legislativo.
Depois do apoio da espanhola Isabel Díaz Ayuso, Medina aproveitou até para ironizar.
É preciso libertar Lisboa do socialismo. Ouviste o facto? Sentei-me ali no Martim Moniz e pensei: estamos ali no momento da conquista outra vez da cidade e do castelo.
Mas ironias à parte, o atual presidente e recandidato do PS quer mostrar-se de corpo inteiro em Lisboa.
Não pode ser um líder da oposição, não deve ambicionar esse papel. Deve ambicionar a um só, o mais importante de todos: servir Lisboa e servir os lisboetas.
Servir apenas Lisboa, diz Fernando Medina, que acumula esse capital não só para a cidade, mas também dentro do Partido Socialista.
E assim foi a noite de Fernando Medina, com os pesos pesados do Partido Socialista e um trunfo chamado Marta Temido. Do lado da coligação que suporta Carlos Moedas, a aposta foi outra. O candidato quis saber de que se queixam os trabalhadores da recolha do lixo de Lisboa. Diogo Teixeira Pereira, bom dia. O que é que Carlos Moedas pretendeu com esta visita?
Olá Carla, bom dia. Eu acho que o Carlos Moedas está a tentar explorar todas as possíveis fragilidades dos últimos quatro anos de Fernando Medina, porque o dia de ontem foi concentrado em assuntos muito específicos. Em primeiro lugar, podemos começar precisamente pelo fim, que foi da forma como acabou o dia de campanha ontem, que foi precisamente junto dos trabalhadores da recolha do lixo. E de facto, Carlos Moedas ouviu muitas queixas nesta visita. Vários trabalhadores queixaram-se essencialmente dos baixos salários que ganham. Havia pessoas a dizer que estavam a trabalhar há mais de 20 anos naquela empresa e não tinham salários sequer próximos dos €700. Salários base, evidentemente, depois há algumas diferenças. Ainda assim, as queixas são muito frequentes e quase todas as pessoas com quem Carlos Moedas falou, tocavam nesse ponto. A questão salarial era muito importante, ainda para mais, e o próprio candidato referiu isso várias vezes, tendo em conta que estamos a falar de um trabalho difícil, como é o da recolha do lixo, e de um trabalho que acontece durante todo o período da noite. Portanto, estas pessoas têm que trabalhar durante a madrugada. É essa hora que se faz a recolha do lixo na cidade. Estas fragilidades ou possíveis fragilidades no mandato de Fernando Medina, começaram a ser procuradas pela Coligação Novos Tempos logo de manhã, quando foi visitado um centro social e paroquial, um centro de dia de idosos, onde Fernando Medina contou com a presença de Isabel Galriça Neto, uma antiga deputada do CDS e uma voz muito ativa nas questões da saúde, nomeadamente os cuidados continuados, cuidados paliativos. Galriça Neto é contra a eutanásia e ela foi uma voz muito ativa neste centro de Arroios, onde estiveram, porque a campanha de Medina identificou este como um centro que deve ser olhado como um bom exemplo, mas também para dizer que há muito poucos centros como estes em Lisboa e, portanto, aqui também com a necessidade de se reforçar os cuidados continuados a idosos e também toda a rede de saúde da cidade. Falou-se também da falta que existe de médicos de família, aqui numa espécie de quase sobreposição dos poderes autárquicos com os poderes governativos, mas esse foi um ponto muito assinalado. Depois do almoço, houve outra questão também a que o candidato quis dar foco, que foram as questões da acessibilidade para quem anda em cadeira de rodas na cidade. É uma espécie de tema comum a todas as campanhas autárquicas dos últimos anos. A verdade é que ainda continua a ser muito difícil andar em cadeira de rodas em Lisboa. E Carlos Moedas encontrou-se com Salvador Mendes de Almeida, que é presidente da Associação Salvador. É uma associação conhecida que é ativista nestas questões da acessibilidade para quem anda em cadeira de rodas. O próprio Salvador Mendes Almeida anda em cadeira de rodas e esteve com Carlos Moedas para lhe mostrar a dificuldade que é, por exemplo, visitar uma loja na Avenida da Liberdade. É a principal avenida da cidade, é uma avenida grande, com passeios largos. Ainda assim, é muito difícil entrar na maior parte das lojas, porque não há rampas, não há acessibilidade para estas pessoas. E também muitas vezes é muito difícil andar nos passeios, porque estão muito altos e é muito difícil as cadeiras de rodas subirem aos passeios. E, portanto, Carlos Moedas ontem apontou aqui a três questões muito específicas, mas que, no entender do candidato da Coligação Novos Tempos, são pontos fracos da governação de Fernando Medina.
E, portanto, dentro desses pontos fracos, o candidato do PSD do CDS ouviu queixas sobre baixos salários nesse encontro com os trabalhadores da recolha do lixo, mas as soluções, essas, ficaram por apresentar.
À hora que Carlos Moedas se prepara para fechar mais um dia de campanha, há milhares de trabalhadores que começam a sair para a estrada. Boa noite, era só para conhecê-lo, Carlos Moedas. O candidato faz parar cada um dos caminhões de recolha do lixo que estão a começar mais uma noite de trabalho e vai distribuindo panfletos.
Não vai ganhar a Câmara de Lisboa.
Ganho.
Não ganha, não. Eu acho que sim.
Ganho.
Quero ver se esta campanha muda algo.
Fazemos uma aposta.
O que o senhor quiser.
Então vá, fazemos uma aposta.
Quer o senhor dar contra o meu? Veja lá. Está a ver?
Vou ficar com o seu contacto e fazemos uma aposta. Eu vou ganhar e vou lhe pagar um almoço.
Ok.
O clima entre os trabalhadores da higiene urbana da Câmara de Lisboa é de descontentamento.
Está para o amor nada. São 898 euros. Quando eu já devia estar com 1100. Eu já não tenho aumento há 11 anos. Eu estou cá na Câmara há 21 anos e ganho 665 euros. E eu há 32, 750 euros.
Sobre estes salários, Carlos Moedas não se compromete com mudanças. Isso vamos ter que ver como é que funciona e vamos ter que falar com os sindicatos e vamos ter que ver como é que podemos dar essa valorização, sobretudo nas horas extras, que são importantes para eles, e como é que podemos, de certa forma, dar essas garantias dessas horas extras ou mudar realmente uma parte deste salário, que é tão pouco e é tão baixo. Eu acho que é chocante ver pessoas que estão num trabalho tão difícil terem realmente salários a este nível. Antes do contacto com os trabalhadores, Carlos Moedas teve que esperar. O candidato comunista João Ferreira tinha chegado primeiro. Olá, boa noite. Olá, João. Boa noite.
Olá, viva.
Viva.
Então, tudo bem?
Tudo bem. Está tudo a correr bem, felizmente. Vocês também, tudo a correr bem?
Também.
Então pronto, olha.
No contacto com os trabalhadores, como se impõe.
Com tudo a correr bem, o dia de Carlos Moedas termina quando ainda há muitos contentores na cidade para esvaziar.
Sorte e saúde. Sorte é para si, não é para nós, que a gente tem que trabalhar aqui todos os dias. A sorte é para si.
Olha, isso é uma boa sorte, eu acho que está a ver?
E assim foram as ações de campanha de ontem à noite de Carlos Moedas e de Fernando Medina. Miguel Viterbo Dias, e para hoje, depois de encher a Aula Magna, o que Medina tem previsto para esta terça-feira?
Hoje é um dia importante. Deixa-me só ainda pegar nessa questão da Aula Magna para dizer que estas intervenções de Marta Temido podem ser também importantes para daqui a dois ou três anos percebermos a evolução da Ministra da Saúde nesta luta partidária. Todos nos lembramos também da evolução de Mário Centeno, que começou também meio atrapalhado e depois lá se fez também uma figura política. Veremos se Marta Temido segue ainda esse caminho.
Fica para memória futura, portanto.
Exatamente. Se não tiver razão, não faço apostas como o Carlos Moedas, ainda assim. Hoje é importante por quê? Porque temos a descida da Morais Soares, a rua ali na zona de Arroios, que é icônica para o Partido Socialista. Fernando Medina vai fazê-lo às 16h30, e depois o Diogo também por lá estará mais tarde. Vai haver aqui um momento de comparação direto. E pela primeira vez nos últimos quatro anos, Fernando Medina pode descê-la de peito feito, digo eu, porque o Metrô de Arroios está resolvido, já reabriu e é uma questão que, quando chegar ao fim dessa descida, não vai ter que enfrentar desta vez. O dia termina numa visita e numa conversa com moradores da Vila Dias, é um bairro operário no Beato, que é também particularmente relevante para Fernando Medina. Por quê? Porque a autarquia de Lisboa adquiriu este bairro a um proprietário privado no ano passado e por isso promete essa requalificação do bairro, que está muito velho e será também um momento para Fernando Medina poder falar com moradores que, para já, ao que tudo indica, estarão satisfeitos, porque o bairro passou de propriedade privada para a autarquia e por isso há aqui uma esperança de que esses moradores não tenham que sair e possam continuar nesse antigo bairro operário na zona do Beato.
E por isso Medina aqui à procura desses elogios populares. Diogo Teixeira Pereira, como é que vai ser o dia da campanha de Carlos Moedas?
Ali por volta do meio da tarde tenciono encontrar-me com o Miguel na Avenida Morais Soares, que é onde o candidato da coligação Novos Tempos vai estar também. Vai passar pela Rua Morais Soares, pela Avenida Almirante Reis, pela Alameda. Aliás, a Avenida Almirante Reis é importante também porque tem a polêmica ciclovia que Carlos Moedas tem criticado muito e esse será certamente um dos temas a abordar com as pessoas com quem se for cruzando nessa avenida. E o dia termina com uma festa da juventude na Alameda. Mas isto é só mais lá para o final da tarde. De manhã, daqui a mais ou menos uma hora, por volta das 10h, Carlos Moedas e os apoiantes da coligação Novos Tempos vão passar por prédios devolutos da cidade. Aqui o objetivo é também muito claro, explorar mais essa fragilidade do mandato de Fernando Medina, relacionada com a habitação e visitando estes prédios devolutos, é possível fazer a avaliação das casas que estão vazias, mas que poderiam estar ocupadas, nomeadamente com o renda acessível.
Diogo Teixeira Pereira e Miguel Viterbo Dias em direto à campanha, eles que estiveram e vão estar hoje com os candidatos a Lisboa e há um encontro prometido entre os dois para esta tarde. António Costa não voltou a falar da Galp depois da passagem por Matosinhos, mas as críticas ao encerramento da refinaria continuam a merecer um coro de críticas e ontem não se ouviu outra coisa na campanha dos líderes partidários. Rui Rio acusa o líder socialista de não ser coerente nas declarações e entende que o secretário-geral António Costa está a desmentir o primeiro-ministro António Costa. O presidente do PSD deixa até uma pergunta: onde estava, afinal, António Costa quando a refinaria encerrou? O tom sobe também com o secretário-geral do PCP, acusa o PS de estar a abusar do aparelho do Estado para conquistar votos num comício em Santiago do Cacém, no Distrito de Setúbal. Jerónimo de Sousa diz que é cada vez mais difícil distinguir o PS do governo. O tema Matosinhos certamente ainda hoje andará na agenda dos líderes partidários. Hoje, ao final do dia, António Costa vai andar pelo Alentejo. Começa em Alcácer do Sal, depois Évora e Beja. Rui Rio vai estar daqui a pouco em Fafe, à tarde vai à Póvoa de Varzim. Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, também está a norte, Guimarães primeiro, depois um comício em Viseu. Jerónimo de Sousa tem um dia mais cheio. O secretário-geral do PCP começa a falar de creches em Lisboa, segue para um encontro com reformados em Moura, passa por Samora Correia e Alcobaça. Francisco Rodrigues dos Santos tem uma arruada também daqui a pouco, em Vale de Câmara. Almoça em Águeda, outra arruada da parte da tarde em Oliveira do Hospital. Inês de Sousa Real, do PAN, já está em Santarém, depois passa ainda por Leiria e Viseu. João Cotrim de Figueiredo começa precisamente o dia em Viseu, segue depois para Santa Maria da Feira, Aveiro e Anadia. Finalmente, André Ventura dedica o dia ao Algarve. Portimão, Loulé e Faro estão na agenda do líder do Chega. O direto à campanha regressa amanhã à mesma hora.