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Foram confirmados dois casos em Portugal. Vamos perceber o que muda. Já lá vamos. Antes disso, falamos de outro tema. Astrónomos dos Estados Unidos e da Austrália descobriram aquela que é a maior explosão do espaço desde o Big Bang, que deu início ao universo. A explosão libertou cinco vezes mais energia do que a segunda maior explosão registrada. Os cientistas avançam que terá tido origem num buraco negro supermassivo. O primeiro sinal desta explosão foi observado em 2016.

E connosco ao telefone temos José Afonso, é coordenador e investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, também investigador na Faculdade de Ciências de Lisboa. Muito boa tarde, José Afonso. Obrigado por se juntar a nós aqui na Rádio Observador. José, como é que ocorre uma explosão como esta?

Esta, na realidade, é uma explosão que não acontece muito rapidamente, como estamos habituados a pensar quando ouvimos falar em explosões, mas é uma explosão que aconteceu durante centenas de milhões de anos.

Normalmente, as explosões costumam durar segundos, não é?

É verdade. Esta é uma explosão muito extensa no tempo, mas é facto um fenômeno muito superior, em termos de energia, àquilo que estamos habituados a observar no universo. Eu posso explicar muito rapidamente em que consiste.

Força.

Nós temos no universo enxames de galáxias e observamos o gás onde essas galáxias estão envolvidas. Muitas vezes, no centro destes enxames, existe uma galáxia gigante que vai engolindo outras galáxias e isso provoca a ejeção de matéria. Matéria essa que falha por ser engolida por um buraco negro gigantesco que existe no centro desta galáxia gigante.

O tal buraco negro supermassivo.

Exatamente. Isso acontece sempre nestas galáxias centrais, nestes grandes enxames de galáxias. Ora, há alguns anos, havia-se descoberto uma bolha brilhante em raio-X neste enxame, é o enxame do Ofiúcos, mas era tão extenso que se pensava que não poderia ter origem num buraco negro gigantesco no centro desta galáxia gigantesca, no centro deste enxame de galáxias. O que aconteceu agora? Foram observações feitas em radiofrequências que vieram estabelecer a ligação entre esta bolha gigantesca observada em raio-X e esta galáxia central do enxame. E portanto, estabelecem que existe, de facto, uma ligação. Esta bolha, apesar de ser muito maior do que aquela que temos observado em outros enxames, está ligada à atividade do passado relacionada com esta galáxia gigantesca. E portanto, estamos a observar um evento que, durante centenas de milhões de anos, teve lugar neste enxame de galáxias e que, feitas as contas, equivale à maior explosão já observada no universo desde o Big Bang. Mas, de facto, estamos a falar de uma explosão que se prolongou durante imenso tempo. E, portanto, não é uma explosão súbita.

E José Afonso, há outras a decorrer também?

Sim, este é um fenômeno que é bem conhecido. No centro destes enxames de galáxias, existe muita atividade de colisão mesmo entre galáxias e, em geral, no centro destes enxames, existe uma galáxia supergigante que vai engolindo outras. Portanto, há aqui um fenômeno de canibalismo, que depois, neste movimento de queda de material, de massa para o buraco negro gigantesco no centro desta galáxia, dá origem a estas ejeções de material que vão formar estas bolhas, que depois nós observamos em volta destes enxames.

Portanto, como diz, é um fenômeno relativamente comum.

É. A escala deste que foi observado agora, em particular, é que é muito superior àqueles que se conheciam até agora. Mas eu diria que isto é mais um elemento que nos vem ajudar a compreender como é que as galáxias evoluem no universo e como é que o próprio universo evolui. E portanto, dá-nos a observar uma faceta ainda mais energética do que aquilo que sabíamos ter lugar no universo.

José Afonso, agradeço-lhe ter estado conosco. É coordenador e investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. É também investigador da Faculdade de Ciências de Lisboa e ajudou-nos aqui a perceber esta descoberta de astrônomos dos Estados Unidos e da Austrália, descobriram aquela que é considerada a maior explosão no espaço desde o Big Bang. Muito obrigada, José Afonso. Amanhã voltaremos a falar de ciência. Esta edição vai ficar também disponível em podcast. Se a quiser voltar a ouvir, partilhar com alguém, é simples, estará disponível nas plataformas habituais de podcast. Também no site do Observador, basta procurar pelo nome da rubrica E=MC².

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E para já está na hora de ouvires o explicador especial que dedicamos ao coronavírus. No dia em que Portugal viu confirmados os dois primeiros casos, procuramos respostas para a pergunta: e agora, afinal, o que muda com o jornalista Ricardo Conceição.

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