A morte de pelo menos 22 pessoas na Rússia desde a primavera devido a ataques de ursos-pardos fez com que os caçadores na localidade siberiana de Podtesovo tivessem aberto a época de caça para combater os ataques.

“Os ursos têm vindo cada vez mais diretamente para a localidade. Este ano tivemos uma tragédia – duas mulheres que foram colher cogumelos foram mortas por um urso. Decidimos começar a caçar ursos porque há muitos deles“, justifica o caçador Mikhail Kondakov à Reuters.

A população de ursos-pardos tem crescido em toda a Rússia nos últimos anos, o que fez com que o Governo tivesse anunciado medidas de controlo da população animal. Nas últimas três décadas, o número mais do que duplicou, chegando aos 308 mil espécimes, refere a Reuters, devido aos invernos mais amenos e curtos. Na região de Krasnoiarsk, onde são feitas estas caçadas, existem quase 27 mil.

A negligência do controlo populacional fez com que investigadores tivessem anunciado a abertura de um processo criminal contra o Ministério regional do Ambiente, em setembro, após sete pessoas terem sido mortas por ursos-pardos durante o mês.

De acordo com especialistas, citados pela comunicação social russa, os incêndios florestais e a primavera mais seca e precoce, que resultou na escassez de bagas, obrigaram a população de ursos-pardos a procurar alimentos mais longe. Além disso, a presença de restos alimentares a céu aberto também provocou a aproximação da espécie à população.

A nível nacional, não houve uma grande alteração, mas em várias regiões da Sibéria os ataques tornaram-se mais frequentes, afirmou à CNN Sergey Kolchin, zoólogo da Secção do Extremo Oriente da Academia Russa de Ciências. Por outro lado, Konstantin Tirronen, diretor do departamento de zoologia do Centro de Investigação da Carélia da Academia Russa de Ciências, afirma que os ataques este ano estiveram acima da média, mas foram mais concentrados em áreas específicas.

“Na tentativa de compensar a escassez de alimentos, os ursos estão cada vez mais a aventurar-se em áreas frequentadas pelas pessoas, onde os encontros são inevitáveis”, refere Kolchin.

Para a população da localidade siberiana de Podtesovo, com cerca de 3.500 habitantes, a situação tornou-se intolerável. “Vivemos com medo há quase dois meses; nem sequer podemos ir dar um passeio à noite. As pessoas têm medo de deixar os filhos sair sozinhos”, alerta Yulia Markova, residente na localidade. Afirma ainda que, inicialmente, a população teve pena dos animais e não teve noção dos perigos que os ursos-pardos representavam, até que o número de espécimes a aparecer na localidade começou a ser maior.

“Quando os ursos começaram a sair da floresta, reduzimos ao mínimo as saídas, até mesmo ao parque. Foi realmente assustador, porque os ursos chegaram a entrar no parque onde as crianças brincam”, refere Valeriya Efremova, outra residente, que, apesar de tudo, afirma que os avistamentos de ursos-pardos diminuíram em Podtesovo.

Nem mesmo a hibernação parece fazer descansar os residentes. Nikolai Zhilinsky refere que a população aguarda pelo inverno, altura em que os ursos-pardos hibernam, mas que há receio sobre a fome que os espécimes estão a atravessar e dúvida sobre se todos os ursos-pardos vão hibernar. “As pessoas não saem porque têm medo”, sublinha Zhilinsky.

[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]