Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"Three, two, one, zero. Houston, we have a problem."

Nasceu o primeiro bebê com anticorpos contra a Covid-19. Este é o primeiro caso conhecido de um bebê que nasce com anticorpos depois da mãe ter sido vacinada. Recebeu a primeira dose da vacina da Moderna três semanas antes do parto. O caso aconteceu no estado da Flórida, nos Estados Unidos.

Os autores deste estudo referem ainda que, para já, não é possível saber qual a quantidade de anticorpos presentes em recém-nascidos, mas para nos ajudar a perceber um pouco melhor este caso, junta-se a nós Alexandra Matias, é professora associada da Faculdade de Medicina do Porto, é também assistente graduada de Ginecologia e Obstetrícia. Muito boa tarde, Alexandra Matias. Que importância tem, desde já, esta descoberta no mundo da obstetrícia?

Boa tarde. Isto realmente é uma descoberta importantíssima. Nós já teríamos algo de muito semelhante com a vacina antitetânica, que é dada agora a todas as grávidas entre as 26 e 34 semanas, porque se pretende realmente que haja uma produção grande de anticorpos que vão passar para o bebê, que só pode ser vacinado aos dois meses. Portanto, no fundo, a mãe que já estaria vacinada desde os dois meses da vida dela, vai produzir uma maior quantidade de anticorpos, IgGs, que são os únicos anticorpos que cruzam realmente a placenta humana, e vão proteger o bebê, pelo menos durante esses primeiros dois meses. E aqui, a mesma coisa com a vacina contra a Covid-19, verifica-se que a mãe produz anticorpos, que a protegem, e vão também passar pela placenta, estes IgGs, e vão passar essa proteção para o bebê. Portanto, no fundo, uma vacina a proteger dois seres, a mãe e o feto. Feto e agora, depois, o recém-nascido.

Certo, Alexandra Matias. Imagino que tudo isto necessite de mais estudo também, mas, neste caso, as grávidas ainda não estão incluídas no plano de vacinação contra a Covid-19. Apesar disso, já há algumas farmacêuticas a fazer ensaios clínicos com grávidas. Portanto, esta descoberta pode também contribuir para acelerar este processo.

Sim. Disse muito bem, as grávidas e as crianças ainda não estão incluídas no plano da vacinação da DGS, mas a FIGO, que é a nossa bíblia, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, publicou muito recentemente, há cerca de uma semana, um documento importante, que considera que não existem riscos que ultrapassem os potenciais benefícios da vacinação na grávida e assim advoga que as grávidas e lactantes devam ser mesmo vacinadas. Portanto, eu entendo a posição da DGS, que é ainda não haver publicações suficientemente elucidativas acerca da mais-valia, da eficácia e da segurança da vacina nas grávidas. E a Pfizer está neste momento a iniciar um ensaio clínico com cerca de 4000 grávidas entre as 24 e 34 semanas, e portanto, podemos esperar. Mas não podemos esquecer que nos Estados Unidos já mais de 20 mil grávidas foram vacinadas. Portanto, dentro em muito pouco, teremos mais substância. Agora, a FIGO já advoga que grávidas e lactantes deviam ser vacinadas.

Exatamente. E, portanto, como dizia, se calhar esta notícia vai também acelerar todo este processo.

Eu espero que sim.

O que se sabe até agora em relação a esta questão dos anticorpos contra a Covid-19 nos recém-nascidos? Este foi o primeiro caso, o primeiro bebê, com todos estes dados comprovados. Mas isto já era algo que despertava bastante atenção. Bastantes estudos em relação a isto.

Exatamente. As IgG, como eu disse, durante a gravidez, são as únicas que passam a placenta. Portanto, é natural que quando o bebê nasce, a gente vá encontrar essas IgG lá. E depois também se sabe que são produzidas IgAs, que são outros anticorpos, e esses passam através do leite materno. Portanto, são duas boas questões, que é saber quantos passam, quanto tempo vão demorar em circulação, quanto tempo é que é a imunização do bebê. Tudo isto, infelizmente, a doença é tão recente que a gente não sabe. Pode-se supor. Agora, nós não sabemos exatamente quanto tempo é que esta imunização, que é obtida através da imunização da mãe, vai durar no recém-nascido, na criança, nos primeiros meses. Portanto, é uma investigação que vai estar em curso. Agora, o fato de passarem e darem alguma imunização ao recém-nascido já me parece um passo de gigante.

Exatamente. Portanto, aqui este dado consolidado. Alexandra Matias, eu agradeço lhe ter estado conosco para nos esclarecer e nos explicar melhor também toda esta situação. É a professora associada da Faculdade de Medicina do Porto, é assistente graduada de Ginecologia e Obstetrícia e, como dizia, fez notícia esse primeiro nascimento de um bebê com anticorpos contra a Covid-19. Aconteceu nos Estados Unidos da América. Amanhã voltaremos a falar de ciência, na Tarde em Direto.

"Three, two, one, zero. Houston, we have a problem."

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.