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Muito boa tarde, seja bem-vindo à edição de hoje de "E o Campeão É?". Eu sou o Nelson Ferreira. Comigo para comentar a atualidade desportiva tenho Augustinho Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques. É dia zero de Jorge Jesus como selecionador nacional. Apresentação oficial mais logo depois das 15h, para acompanhar aqui numa emissão especial da Rádio Observador. Em Madrid, é dia um para Mourinho no Real. E no Mundial de Futebol é um dia normal para a França. Venceu Marrocos por 2 x 0 e avança para as meias-finais. Mais logo, às 20h, há um Espanha-Bélgica. Augustinho Inácio, expectativas para esta apresentação que vamos acompanhar a partir das 15h de Jorge Jesus. Espera-se que, à semelhança de outras ocasiões, também no discurso, já se sinta um novo ar nesta seleção portuguesa.
Boa tarde a todos. Quando há uma apresentação, as expectativas são sempre altas. É sempre tudo muito positivo, é sempre tudo muito claro, muito transparente, mas depois é o trabalho, é aquilo que a equipa desenvolve, é o treino, é o resultado, são as conquistas, pois isso é que faz determinar a diferença entre aquilo que se diz e aquilo que se faz. Diria que era o esperado. Já há algum tempo que se esperava que o Jorge Jesus fosse o treinador da seleção nacional, já há muito tempo que se sabia que o Roberto Martínez iria sair da seleção, quer ganhasse o Mundial ou não. Por isso, tudo se conjuga agora neste dia de apresentação e claramente tentar perceber qual é a equipa técnica e provavelmente, digo eu, porque é essa a obrigação, entre aspas, de todos os treinadores que trabalham na seleção nacional, de olhar para o futuro com aquela ideia da conquista e de ganhar, como diz o Pedro Barniosi, fazer o que nunca foi feito. Por isso, é uma apresentação que vai ter o seu impacto, porque o Jorge Jesus realmente impacta cada vez que entra num clube ou, neste caso, na seleção. Eu diria, em termo de comentário final: Jorge Jesus, que sejas feliz na seleção.
Jorge Castro, esperas também declarações mais esclarecedoras de Pedro Proença, numa altura em que chega então a acordo com este novo selecionador?
Acho que era para mim, não?
Sim, João.
Percebi que tinhas chamado Jorge. Sim, desde já boa tarde. Acho que era, se calhar, o treinador que ele queria que tivesse ido ao Mundial. A vitória na Liga das Nações do Martínez fez com que houvesse a renovação. Se calhar, tivemos azar por ter vencido a Liga das Nações, porque claramente estava visto que nós precisávamos de outro tipo de selecionador para o Mundial. Infelizmente para Portugal, veio-se a comprovar isso, e agora Pedro Proença a apostar no seu treinador. Eu já tinha dito aqui, e o Inácio também, que ia ser o Jorge Jesus o escolhido já há algum tempo, que já estava feito o acordo, e agora é esperar, conforme disse o Inácio, que o Jorge Jesus consiga pôr a sua qualidade ao serviço da seleção, que lhe deem todas as condições e, sobretudo, que lhe deem toda a independência para poder escolher quem bem quer, não só para a sua equipa técnica, mas sobretudo nas convocatórias, que eu acho que isso é o mais importante. E acho que vamos ter aqui momentos engraçados com o Jorge Jesus, mas que é um treinador extremamente competente e, portanto, espero, embora seja um trabalho diferente, e o Inácio sabe disso, uma coisa é trabalhar dia a dia com a equipa, outra coisa é trabalhar de X em X meses, que consiga colocar em campo, em treino, aquilo que ele bem sabe, para que a seleção realmente fique mais forte e jogue cada vez melhor.
João, sim, desculpa, acho que te chamei Jorge. Estou aqui com o Jorge Jesus, João Castro.
Está bem.
Gabriel Alves, no teu olhar também para esta apresentação, o que esperar das primeiras palavras, que costumam ser contundentes por parte de Jorge Jesus sempre que abraça um novo projeto?
Sim, boa tarde a todos. É contundente, tem projeto. Ele não abraçou isto de ânimo leve. Assim como se espera que ele impacte, a verdade é que este novo cargo também o impacta a ele, porque é algo de diverso, de diferente, que ele vai ter naquilo que é a sua belíssima carreira. Mas de Jesus, aquilo que se pretende, e é preciso ter isso em nota, são resultados para já, porque Portugal vai entrar já em competições, mas muito para além disso. Para além daqueles resultados para já, quer-se que ele prepare uma seleção para 2030. Há uma geração a sair, há uma geração a entrar. Portanto, há que casar estas duas gerações e projetar a nova que vem aí e deixar horizontes para lá de 2030. Portanto, Jorge Jesus tem, de facto, vários objetivos e trabalho apurado. E naturalmente, eu já o falei aqui ontem, a sua coordenação, que é um excelente treinador, e eu tenho ouvido no Canal 11, Luís Freire, no sub-21, essa colaboração que certamente irá existir, vai ser extraordinariamente importante para a seleção, mais do que isso, para o futebol português.
Pedro Henriques, ainda há dias vimos Jorge Jesus a ser distinguido com o prêmio de Mérito Desportivo. No discurso de aceitação desse prêmio, Jorge Jesus aludiu, de facto, à continuação. Disse que era mais o início de um trajeto do que propriamente um final. Claro que estaria já a referir-se a estas suas novas funções. O que é que podemos esperar também desta conferência de imprensa, onde se espera que esteja também Pedro Proença?
Sim, bom dia. Em primeiro lugar, um aspecto que eu acho que, à partida, poderá ser vantajoso já para o Jorge Jesus, no meu ponto de vista, pelo menos a minha visão, é que quando veio o Roberto Martínez, eu olhei, e se calhar muitos de nós olhamos para um selecionador que tinha falhado redondamente na Bélgica e que não tinha títulos propriamente dito, tinha uma taça qualquer em Inglaterra e que não tinha aquilo que era resultados e, sobretudo, tinha desperdiçado muito talento na seleção belga. Quando nós olhamos para o mister Jorge Jesus, até pode os resultados não virem a acontecer. Se calhar, podemos até não ganhar nada, mas à partida, à cabeça, sabemos que é um treinador que é competente, que sabe mexer nas equipes e que, sobretudo, tem impacto nas equipes, ou seja, sabe pô-las a jogar futebol. Portanto, nós temos logo aqui um conjunto de créditos que damos ao Jorge Jesus, que no meu ponto de vista, não demos ao outro selecionador e que se veio a comprovar em mais um desperdício, porque acima de tudo, por muitos recordes que tenhamos batido, e batemos, numa circunstância e num contexto que temos uma série de seleções que são relativamente fracas e mesmo que jogues bem ou jogues mal, acabas sempre por ganhar. Mas depois, naquilo que era importante, a coisa não aconteceu. A vitória na Liga das Nações veio disfarçar um bocadinho esse momento e daí, se calhar, a continuidade do contrato, que muito provavelmente não teria acontecido. Ganhámos uma Liga das Nações, foi bom, mas se calhar depois perdemos mais à frente naquilo que foi o Campeonato do Mundo e não é por não sermos campeões do mundo, é a maneira como saímos e o pouco ou quase nada que jogamos. O que é que eu espero desta conferência de imprensa? O impacto que o Jorge Jesus normalmente tem quando presta declarações ou quando diz qualquer coisa. Quando ele ganhou um galardão e começou a falar das "cinquinas" e a dizer que era português: "Eu sou português" e o jeito que ele usa, as palavras até que muitas vezes nós pensamos que são ditas porque não sabe dizer melhor, mas que muitas vezes é a mesma forma de comunicar e para criar impacto. É isso que estamos à espera e a tal independência que o João Castro aqui falou, que eu acho que vai ser relevante e importante num contexto de mudança e sobretudo nesta questão, nós não podemos ficar de fora disto, que é o antes do Ronaldo, o pós-Ronaldo, a continuidade do Ronaldo e portanto, isso também vai ser um fator muito relevante de percebermos como é que vai ser feita esta gestão.
E se calhar será uma das perguntas a sair nessa conferência de imprensa, num dia em que passam 10 anos dessa conquista portuguesa do Europeu frente à França, golo eterno de Éder. Vai estar conosco a partir das 15h, o Éder, nessa emissão especial para acompanhar esta conferência de imprensa. Perguntava-te, precisamente João Castro, porque fazias alusão, e o Pedro também o fez aqui, à questão de termos vencido a Liga das Nações. Parece que foi o que veio disfarçar ou que por causa disso continuamos com esta mesma equipa técnica que nos trouxe até este mundial e estes resultados. E o Europeu também não é culpado. Há um legado desta conquista e o legado é que os portugueses passaram a acreditar muito mais nesta seleção, se calhar até às vezes com expectativas demasiado altas. Fazes essa análise, João Castro?
Sim, lá está, vencer o Europeu é totalmente diferente de vencer a Liga das Nações. A Liga das Nações eu diria que é a Conference League das seleções. Portanto, é completamente diferente. Algumas seleções até, se calhar, não ligam assim tanto. O Europeu, sim, foi um marco e foi um marco importante. Difícil, obviamente, não foi o melhor futebol praticado, mas vencemos, fomos uma equipa competitiva a todo o nível. Obviamente com solavancos durante esse percurso. Eu lembro, começamos com uma equipa e depois para ganhar tivemos que alterar, sobretudo, tivemos que alterar o meio-campo todo para Portugal chegar longe. Agora, esta situação da Liga das Nações, como o Pedro disse, despoletou obviamente uma renovação e se calhar perdemos mais à frente, que era o Mundial, que era o mais importante. Sempre referi que não achava o selecionador um grande treinador para a seleção portuguesa e veio-se a comprovar, mas respeitando obviamente o homem, o trabalho que foi feito, a simpatia, a vontade de aprender português, isso há que ressalvar, mas via-se Portugal a jogar e ficamos muito aquém. E às vezes não é questão de ganhar, é a marca que deixamos. Há seleções aqui neste mundial que já ganharam alguma coisa porque estão a deixar bases para o futuro e ali não vi bases nenhumas a ser deixadas para o futuro, pelo contrário, e portanto, é isso que é preciso que o Jorge Jesus trabalhe, em consonância com o Luís Freire, que tem feito um excelente trabalho em termos de seleção sub-21. Portanto, vamos ver o trabalho que vai ser feito, mas sobretudo preparar uma base, preparar uma identidade, que eu acho que Portugal perdeu um bocadinho, essa identidade de jogar futebol com o Martínez, porque não é o nosso futebol e bem-haja ao Quaresma, porque pôs o dedo na ferida.
Augusto Inácio, que recordação tens deste dia há 10 anos, dia maior para a história do futebol português e que lições tiramos desde então para a nossa seleção?
Olha, eu lembro perfeitamente bem que nós começamos com três jogos na fase de qualificação nesse grupo e tivemos três empates. E com um futebol que também toda a gente duvidava. Só que Portugal foi sempre pragmático e foi sempre uma equipa que procurou, acima de tudo, não sofrer e tentar marcar. E nesse aspecto, Portugal teve a coragem de jogar contra a França, em França, e depois o Éder, que vai estar aí às 15h, como disseste, dá-lhe um abraço meu, e o Éder rematou e fez o gol. É uma sensação que agora estou a falar nisto, quando eu disse rematou, os pelinhos aqui dos braços começaram a ficar em pé, arrepiado, como é evidente, porque aquilo foi o gol que deu um título europeu, neste caso, à nossa seleção, e o mote para que o futuro pudesse ser melhor. Por isso, as coisas não tiveram a evolução que deviam ter tido
Mas fica esse registo: há 10 anos, Portugal foi campeão europeu.
Gabriel Alves, queria também a tua opinião sobre outros temas. Queria tocar ainda um pouco no Mundial e nessa vitória da França ontem, que venceu Marrocos. Não sei se tiveste a mesma sensação que eu. Marrocos nunca criou grande perigo. Durante cinco ou 10 minutos pode ter tido mais tentativas, mas a França controlou este Marrocos e vai de passeio para as meias-finais.
Esta França é quase perfeita. E tem dois killers fabulosos, o Mbappé e o Dembélé, e o resto também. É uma seleção. Vamos ter a oportunidade, e isto é um desafio, naturalmente, de ver quem é que a pode travar. Com futebol, obviamente. E esse é, neste momento, um dos aspetos mais fortes deste campeonato. Tudo está a correr, hoje temos uma Espanha-Bélgica, um tiki-taka da Espanha, que vai tentar enganar o pragmatismo belga, que também já esteve morto, mas que ressuscitou quando foram retirados do campo De Bruyne e Doku pelo treinador e conseguiu dar a volta a um resultado que estava negativo. Mas vamos ver até que ponto é que a Espanha consegue enganar com o seu tiki-taka o pragmatismo da Bélgica. É um jogo para ver e seguir também com muita atenção.
Pedro Henriques, achas que a Espanha tem mais hipóteses de avançar para as meias-finais? E será o adversário da França?
Eu não acho que a Espanha esteja com aquele futebol tão entusiasmante. Eu considerei e continuo a considerar a Espanha claramente candidata e favorita para voos maiores, nomeadamente chegar às meias-finais. Porque depois temos aqui a problemática de uma França que eu repito, acho que há umas seleções que realmente têm muita qualidade, depois há a França. E tudo pode acontecer, porque sabemos que o futebol tem 90 minutos, uma expulsão, uma equipa que joga com menos um, um acidente e de repente o jogo pode mudar e uma seleção como a francesa pode não chegar à final. Mas eu acho que a França, neste momento, está num patamar diferente de todas as outras seleções. Relativamente ao jogo de hoje, eu continuo a achar que a Bélgica tem excelentes jogadores. Depois fica aquela ideia que aquilo nem sempre funciona. Já foi assim no tempo de Roberto Martínez e continuamente também andaram a bater recordes de tudo e mais alguma coisa, mas depois nunca ganharam. Pode ser que esta vitória tirada a ferros, como disse aqui muito bem o Gabriel Alves, e que ressuscitaram, pode dar uma parte moral e psicológica que nestes campeonatos é muito importante. Eu atribuo o favoritismo à Espanha, mesmo sem estar a fazer coisas extraordinárias, mas de qualquer maneira eu acho que vai ser bastante equilibrado. Vamos ver o que vai acontecer, mas o meu favoritismo está na Espanha.
Aproveito para vos dizer que mais logo, por volta das 13h45, vamos ter em formato podcast no site do Observador, disponível já este "Sem Falta" especial que tenho feito à sexta-feira com o Pedro Henriques e que faz uma espécie de resumo da semana do Mundial. Analisamos uma lei e também damos uma nota de destaque desta competição. Pedro Henriques, fico contigo também para te pedir já o campeão desta sexta-feira.
Eu vou dar nota 20. Eu podia dar várias coisas, o jogo da França, enfim, havia muitos motivos, mas estamos a comemorar os 10 anos em que fomos campeões europeus e quer queiramos, quer não, é o maior feito de futebol a nível de seleções. Portanto, muito acima, obviamente, da Liga das Nações. A maneira como ganhámos, onde ganhámos, em França, contra a França, o jogador improvável, que sai do banco, o patinho feio, o Éder, que marca aquele gol, enfim, eu acho que dava para um verdadeiro filme de Hollywood. E por isso, por esses 10 anos, por essa comemoração, por esse feito, pelos pelinhos do braço do Augusto Inácio quando está a ser lembrado, porque no fundo são os pelinhos de todos nós que se levantam quando pensamos e recordamos aquele momento, por muitas vezes que já tínhamos ouvido, e por isso nota 20 por esse feito. E já que o Éder vai estar hoje na nossa Rádio Observador, vamos dar este 20 à seleção portuguesa na pessoa do Éder, não dizendo que amanhã é feriado, como ele disse com mais uma palavra a seguir. Mas hoje é dia do Éder e também é dia de Portugal e vamos recordar daqui a 10 anos, e 20 e 30. É uma coisa que fica para a história, aquele momento, aquele momento.
Sem dúvida. João Castro, o teu campeão desta sexta-feira.
Nota 20 para essa data comemorativa, obviamente, da vitória do Euro. Eu tinha a dizer que Portugal já devia ter dois Euros. Foi o de 2004, perder contra a Grécia no Estádio da Luz, acho que se calhar é o dia mais triste em termos de seleção. Mas depois essa vitória, nota 19 para a França, que realmente está a passar a ferro qualquer seleção que apareça à frente. Vamos ver quem é que consegue parar esta França.
Gabriel Alves, o teu campeão?
Olha, só para dizer que com aquele joguinho que a Espanha faz, é a que tem o maior número de desmarcações, 2474. A minha nota é 20 para este dia glorioso, obviamente, do futebol português, que se comemora o campeonato da Europa. Dou 19 à França, porque dá gozo vê-la, mas vou dar 19 à Argentina por isto. Eu vou dar aqui dois dados que é preciso dar. Messi tem por média de quilômetros por jogo 6.81, dos quais 4,41 é a andar. Sprinta 631 metros. São dados concretos. Tem a melhor estatística deste mundial, 8.7. Percorreu 35,87 quilômetros em cinco jogos e não jogou 90 minutos. No final com o Egito, 8.28 na fase final do jogo, com a Áustria 7.9 na fase inicial. 23 sprints só. É preciso ter isso por jogo. Correu 1.48 quilômetros, apenas 631 metros em alta velocidade. Tem o maior número de gols de meia distância e é quem marca os lances de bola parada. Sabem o que é que Messi diz? Meus companheiros fazem com que eu corra menos. 19 para a Argentina, para bom entendedor, meia palavra basta.
E fechamos com o campeão do Augusto Inácio.
Eu também vou por Portugal. Há 10 anos foi campeão europeu, nota 20, como é evidente, mas também queria dar nota 20, já que é esta data que se comemora os 10 anos que fomos campeões europeus, para o Jorge Jesus, que consiga também manter o nível elevado, que a gente possa ganhar também ou Mundiais ou Europeus, possa conseguir isso também e que entre contudo. Queria dar também nota 18 para o Mbappé. Acho que está a passar uma fase fantástica da sua carreira. É um momento glorioso para a França, mas também para Mbappé, que ontem marcou a diferença, mas também não queria deixar de dizer aqui, nota 20 para o João Pinheiro, que foi nomeado para arbitrar o Argentina x Suíça no domingo às 10 horas da manhã. A arbitragem portuguesa chega longe e João Pinheiro está num palco muito grande.
Augusto Inácio, Gabriel Alves, João Castro e Pedro Henriques. Bom fim de semana, campeões.