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Noite da Liga dos Campeões e o "Campeão É Especial" para analisar este primeiro dia da segunda jornada da Champions League. Futebol Clube do Porto e Sporting estiveram em campo esta noite. Os dois clubes portugueses perderam. O Futebol Clube do Porto derrotado com goleada 5 x 1 no Estádio do Dragão frente ao Liverpool. O Sporting perdeu na Alemanha frente ao Borussia Dortmund por 1 x 0. Vamos analisar estes e outros resultados da noite e perceber também o que fizeram os jogadores portugueses que estiveram em prova. Neste "O Campeão É Especial" temos Bruno Roseiro, editor de Desporto do Observador, também o Gabriel Alves, o nosso comentador, que esteve também ao longo desta emissão especial da Rádio Observador esta noite para acompanhar os dois encontros. E contamos também com o Bruno Vieira Amaral e com João Castro. Vamos fazer esta análise ao que se passou neste encontro e começo pelo Bruno Vieira Amaral. Bruno, boa noite. Como é que assististe a estes dois encontros? E começo, talvez, pelo Futebol Clube do Porto. Vamos fazer essa análise primeiro ao jogo do Futebol Clube do Porto. Tivemos aqui uma derrota pesada e também palavras muito duras de Sérgio Conceição depois deste jogo.

Sim, eu estou até mais habilitado a comentar as declarações do Sérgio Conceição do que propriamente o jogo, porque eu estive mais atento ao jogo do Sporting e fui vendo depois um pouco do jogo do Porto e vi também o resumo. O que surpreende, de facto, são estas palavras muito violentas do Sérgio Conceição, violentas até se as compararmos com a resposta, a reação do Rúben Amorim quando sofreu o mesmo resultado há duas semanas.

Não tem nada a ver.

É completamente diferente. Começam por assumir, os dois, responsabilidade, enquanto treinadores, mas depois há uma inflexão no discurso do Sérgio Conceição, em que chega a dizer que tem que falar com o presidente para passar a mensagem. Eu acho que o problema do Futebol Clube do Porto esta noite não foi de atitude. Não se pode dizer que os jogadores têm atitude quando as coisas correm bem, quando ganham, e quando perdem, já não há atitude, já falhou o ADN. O problema do Porto, a meu ver, foi desde logo do 11 inicial.

Sim. Teve várias baixas neste jogo.

Teve que ver também com a ausência do Pepe, por um lado, mas o Sérgio Conceição, enquanto treinador, tinha que ter uma alternativa já pensada, porque o Pepe não se sabia se estaria nas melhores condições. Portanto, isso até podia acontecer no decurso do jogo, o Pepe ter que sair, por exemplo. Foi antes do jogo e parece que foi apanhado ali um bocado desprevenido e lançou o Fábio Cardoso e a equipa não teve tempo, ou o treinador diz que não teve tempo para fazer essa adaptação da equipa, porque ele tinha pensado uma outra forma de jogar se o Pepe não estivesse disponível. Mas há um erro que, para mim, visto claro a esta distância, foi a colocação dos dois avançados, do Toni Martínez e do Taremi. Toda a gente pensava que o Porto iria reforçar o meio-campo com o Grujić e o que acontece é que o Sérgio Conceição tenta surpreender com a inclusão do Toni Martínez e não correu bem. Mas não creio que tenha sido falta de atitude. Acho que uma equipa que começa logo com estes erros e depois se vê a perder, não consegue ultrapassar, sobretudo quando está a enfrentar um adversário como o Liverpool. Portanto, há erros, existe alguma confusão por parte dos jogadores, há falta de qualidade. Temos que ser honestos, jogar com o Mbemba e com o Pepe não é o mesmo que jogar com o Fábio Cardoso e com o Marcano. E para mais, também na lateral esquerda, não se percebe muito bem por que o Sérgio Conceição optou novamente, num jogo de Champions, pelo Zaidu, já tinha corrido mal contra o Atlético de Madrid. Hoje também voltou a correr mal, quando tinha o Wendell, não se percebe muito bem o porquê. E é por todos estes fatores que as palavras do Sérgio Conceição no final do jogo soam um bocado estranhas. Aquele discurso não faz muito sentido, tendo em conta aquilo também que foram as suas decisões, as suas escolhas erradas e também a valia do adversário.

Sim, porque ele acaba por dizer assuma a culpa, mas depois também coloca muita culpa em cima dos jogadores e já vamos tratar essas reações do Sérgio Conceição. Mas Bruno, queria perceber a quem queres dar nota neste encontro do Futebol Clube do Porto com o Liverpool?

Tem que ser uma nota negativa. Nós temos elogiado bastante aqui no "O Campeão É" o Diogo Costa e legitimamente e com toda a razão, ele tem feito exibições muito positivas e muito seguras, é um jovem guarda-redes, mas hoje esteve francamente mal. Hoje há pelo menos três gols em que ele tem alguma responsabilidade. Não foi só por isso que o Futebol Clube do Porto perdeu, a desorganização foi coletiva, não foi deste ou daquele jogador. Portanto, eu não quero culpar o guarda-redes, porque não foi mesmo só a questão do guarda-rede, mas ele esteve hoje muito mal. E se calhar este é o primeiro grande teste à real valia do Diogo Costa, saber como é que ele vai reagir a esta noite tão pesada, tão difícil. É um grande teste psicológico, da resistência psicológica, e também ao caráter do jogador, saber como é que ele vai ultrapassar esta má exibição. E é uma nota negativa, vou dar um 7.

sete para essa prestação. Vamos também perceber com o Bruno Roseiro o que se passou neste encontro e também a nota para aquilo que foi essa atitude de Sérgio Conceição. Mas primeiro vamos escutar as palavras do treinador do Futebol Clube do Porto, nessa reação depois da derrota pesada por 5x1 frente ao Liverpool.

O responsável é o Sérgio. Nós não podemos sofrer gols do gênero, não podemos fazer nove faltas. Se podemos fazer nove faltas, tivemos 80% de posse de bola. Aí acredito que não é necessário fazer faltas. Contra uma equipe como esta, tão vertical, tão incisiva no jogo, com os olhos sempre postos naquilo que é a baliza adversária, perdas de bola em zonas proibidas. Foi muito mal. E daí, eu assumir essa responsabilidade, não saber passar a mensagem correta. E se fazemos um jogo e uma figura dessas na Liga dos Campeões, teremos muito que pensar se realmente os jogadores estão dispostos a levar com o treinador que têm.

E depois disse ainda que terá que falar com o presidente sobre essa dificuldade em passar a mensagem para dentro do balneário. Bruno Roseiro, como é que avalias este jogo do Futebol Clube do Porto? E claro, também, essas palavras de Conceição.

Eu fui como o Bruno, ou seja, o jogo do Porto vi no ecrã mais pequeno, porque estava a fazer o jogo do Sporting, ainda assim fui acompanhando. E gostava, sobretudo, de falar no antes e no depois, porque o durante, o 5x1, acho que resume tudo aquilo que se passou. Gostava de falar do antes, porque sempre me pareceu, nos últimos dias, que o Sérgio Conceição ia arriscar o Pepe, e faz mal. O Pepe, apesar de tudo, continua a ser o melhor central do Futebol Clube do Porto, mas o Pepe já não tem 28 anos e convém recordar que um jogo de Liga dos Campeões não é propriamente um jogo de campeonato. E não vale a pena estar a arriscar, até porque é uma estratégia que vai logo à vida e o próprio Fábio Cardoso entra em cima com uma pressão desnecessária, quando já podia saber há alguns dias que ia ser titular. E depois a abordagem que o Sérgio Conceição faz. O Bruno falou bem na questão do Toni Martínez, eu sinceramente não percebo. Até porque todos os jogos que o Sérgio Conceição fez com o Liverpool, foi quando reforçou o meio-campo que teve melhores resultados. E faz-me confusão hoje, o Grujić, que é um jogador que em Madrid mostra o porquê de ter ficado no plantel. Hoje fica no banco, se calhar, no melhor jogo para ele, tendo em conta que jogava contra o Liverpool, tendo em conta que era necessário muito mais peso no meio-campo do que houve. E depois uma coisa clara, que foi o Toni Martínez na frente com o Taremi, acrescentou pouco ou nada. E depois gostava de falar aqui também de uma outra coisa que tem a ver com os laterais, e que também é um bocado o reflexo do que se passou depois do jogo. Eu não consigo perceber por que o Zaidu é titular, ou seja, o Zaidu é um jogador que é completamente arrasado pelo próprio Sérgio Conceição, que o Futebol Clube do Porto tentou 1001 mercados pra ver se o conseguia colocar e não conseguiu. E de repente, os dois jogos mais importantes da época na Liga dos Campeões é titular com as exibições que se viram. Ao mesmo tempo, tem o João Mário, que é ainda um jovem, mas tem de crescer e se tem de crescer, ele precisa também desses jogos. E o próprio João Mário, por certo, não irá perceber por que é titular nos jogos do campeonato e quando são os jogos mais a sério, nunca sequer é opção, tanto o João Mário como o Wilson Manafá, que no ano passado, sempre que o Futebol Clube do Porto precisou de um lateral, fosse à direita, fosse à esquerda, ele estava lá. E por que eu falo desta questão do lateral? Porque o Corona, quer queiramos, quer não, ele pode cumprir como lateral direito. Só que o Corona, nesta equipe do Futebol Clube do Porto, tem de jogar à frente, porque é à frente que ele desequilibra. E o Futebol Clube do Porto não tinha jogadores à frente que desequilibrassem. Depois, a partir daí, claro está, houve aquela nuance do Otávio se lesionar, que também é uma perda importante durante o jogo. Aquilo que se passou na conferência resume a uma frase, que é quando Sérgio Conceição diz: "Eu sou o responsável, mas". Se ele dissesse: "Eu sou o responsável, ponto", era uma coisa, quando ele diz: "Eu sou o responsável, mas", é outra. O arraso aos jogadores é apenas mais um. Eu já vi este filme no final da Taça da Liga em Braga, numa espécie de terapia de choque para ver se conseguia recuperar a equipe. Mas há aqui uma nuance, é que há três meses, a conversa que Sérgio Conceição teve com o presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, também a teve. Teve há três meses para saber em que condições é que ia ficar, que plantel é que ia ter, condições é que tinha para ir para o mercado. E essa conversa aconteceu há três meses. Portanto, esta conversa que vai existir agora, sinceramente, não sei o que é que vai acrescentar. Vamos acreditar que aquilo que se passou há três meses na conversa não será muito diferente daquilo que se passou agora.

Estava agora marcado pela frente. Há três meses tinha marcado pela frente e agora não tem marcado. Quer dizer, tem janeiro, mas uma abordagem muito diferente.

Sim, mas há três meses, garantidamente, das duas uma, ou o Futebol Clube do Porto mentiu, e então o Sérgio Conceição terá a dizer: "Prometeram A e eu afinal sendo B", ou então o Sérgio Conceição sabia com o que ia contar. Não sabia, com certeza, que iria ter um grupo tão complicado na Liga dos Campeões, mas as condições pelas quais ele decidiu ficar no Futebol Clube do Porto, livre, espontâneo e vontade, mesmo tendo convites do estrangeiro, ele sabia há três meses. Portanto, esta conversa com o Pinto da Costa, quanto muito, será para Pinto da Costa falar ao grupo e dizer que isto não pode voltar a acontecer. Mas isso, para mim, lá está, continua a ser a função do treinador e não do presidente. Portanto, esta terapia de choque, que é muito equivalente àquilo que se passou em Braga naquela final da Taça da Liga, que também ficou célebre quando o Sérgio Conceição ameaçou ir embora, parece-me que tem aqui umas nuances diferentes, tendo em conta o contexto em que acontece e tendo em conta também a altura em que acontece na temporada.

Bruno, nota para este jogo. A quem queres dar nota neste 5x1 do Liverpool ao Futebol Clube do Porto?

Para simplificar, vou dar nota 5 ao Sérgio Conceição, porque era o cinco que eu daria ao Zaidu, ao Fábio Cardoso, ao Diogo Costa e tantos outros. Fica personalizado no Sérgio Conceição.

Foi ele que assumiu a responsabilidade, mas assumiu com esse "mas" logo de seguida. Gabriel Alves, quanto a isto, fomos analisando também ao longo da noite essas dificuldades impostas pelo Liverpool ao Futebol Clube do Porto. E olhando para isso, esta reação de Sérgio Conceição merece também uma nota pela tua parte?

Sérgio Conceição assumir a responsabilidade não fez mais que a sua obrigação. Lá está, tem um mas. Faz um recado duríssimo, uma mensagem duríssima para os jogadores, responsabilizando-os, até porque fala da questão das faltas e da passividade. Mas também ele tem que assumir que não tinha um plano B, porque o plano B não estava lá e ele deveria ter esse plano B. Acima de tudo, há aqui um fator que me parece importante ter em conta. O Futebol Clube do Porto tem um conjunto de jogadores, sim, mas se não estão duas ou três peças, não. Esta acaba por ser uma verdade que acabou por se sentir hoje. E eu continuo a dizer o que já disse, o Liverpool passeou hoje no Dragão, esteve à vontade, controlou muito bem e inclusivamente nem teve que se preocupar muito porque ele sabia e sabe que tem o Manchester City no fim de semana para a Premier League. Diogo Costa falhou em três dos cinco gols. Esta é que é a verdade. Há três situações em que ele é o responsável pelos gols sofridos. Em cinco, três. Acho que para Diogo Costa é uma noite, de facto, muito má, mais a mais, sabendo-se que agora o guarda-redes Argentino Titula normalmente estava no banco a ver. O que é que Sérgio Conceição vai falar com o senhor presidente do Futebol Clube do Porto? Não faço a menor ideia. Vai dizer que com esta equipa não, não conto com isto, vamos trabalhar mais para a liga. Temos que ir a um mercado em janeiro. Isto é um recado para fora, para além de ser um recado para dentro. Vamos aguardar.

Vamos aguardar. A quem é que queres a nota, Gabriel?

Do Diogo Costa, dou cinco. Porque, de facto, é muito jovem, é verdade, é promissor, tem um momento, uma boa defesa, mas não chega.

Sim, teve uma grande defesa e depois-

Mas atenção, eu não o ponho completamente como principal responsável. Eu foquei isso, tinha à frente dele uma dupla de centrais que não lhe deu qualquer segurança.

Tivemos essa estreia de Fábio Cardoso. João Castro, antes de irmos ao Sporting, e acredito também que tenhas acompanhado muito mais esse encontro do Sporting com o Dortmund, mas deste Futebol Clube do Porto, Liverpool e do que já tiveste a oportunidade de ver e também dessas declarações de Sérgio Conceição, que opinião é que ficas deste encontro e também desta reação do treinador do Futebol Clube do Porto?

Boa noite a todos, em primeiro lugar. Acho que aconteceu um bocadinho o que aconteceu ao Sporting na jornada passada. Isto é, o Sporting na jornada passado tentou olhos nos olhos ali com o Ajax, pressionando muito alto. O Porto tentou, e acho que foi o Bruno que referiu, tentou aqui jogar com o Tony Martinez, com dois avançados, em vez de reforçar o meio-campo e jogaram olhos nos olhos com estes adversários. Às vezes paga-se caro. Muito mais quando existem realmente jogadores lesionados, como é o caso do Mbemba e Pepe, que têm grande preponderância na consistência defensiva do Futebol Clube do Porto. O mesmo aconteceu, e fazendo o mesmo paralelismo com o Sporting, quando Coates não jogou e depois Gonçalo Inácio teve logo a lesão nos primeiros momentos do jogo. E portanto, o Sporting e o Porto acabaram por sofrer pesadas derrotas, muito também à falta de soluções das segundas linhas face às ausências da primeira linha. Isso acho que é um ponto que nós devemos dizer. Tentar fazer o jogo olhos nos olhos, o Porto arriscar mais com dois avançados e, pelos vistos, Tony Martinez passou ao lado do jogo e obviamente a parte defensiva com a falha, com a ausência de jogadores preponderantes, paga-se caro nestas competições. Isso foi notório, quer em Alvalade na primeira jornada da Champions League, quer hoje no Dragão. Em relação ao Sérgio Conceição.

Força, Bruno. Bruno, ias a dizer?

Não, a questão é que uma das questões em relação às decisões do Sérgio Conceição, por exemplo, quando o Otávio se lesiona, o Sérgio Conceição poderia ter aproveitado esse momento para fazer algumas alterações, para dar mais equilíbrio à equipa, até porque o próprio Otávio é um jogador com características específicas que ajudam a dar mais equilíbrio até na parte defensiva.

E o Fábio Vieira não. O Fábio defensivamente não é um jogador tão preponderante, não dá tanta ajuda e isso notou-se.

E por que quando o Otávio sai não entra o Grujić, não aproveita esse momento para promover outras alterações e reorganizar a equipa? Porque obviamente aquilo não estava a resultar. É verdade que ainda não estava cinco a um, mas foi preciso esperar tanto para fazer essas mudanças. Ele depois na segunda parte faz essa mudança, entra o Grujić para o meio-campo. Poderia ter feito logo quando o Otávio se lesionou.

Miguel, posso só acrescentar?

Sim, força, Bruno.

É que eu acho que há aqui uma nuance importante e para mim isso é aquilo que está a fugir mais ao normal nesta quinta época do Sérgio Conceição. É admissível, e aconteceu com o Sporting, como estava a dizer o João, como aconteceu agora com o Futebol Clube do Porto, que um clube português que queira jogar um bocadinho mais taco a taco com uma equipa como estas, corra o risco de entrar numa lei de Murphy, onde tudo aquilo que pode correr mal, vai correr ainda pior. E isso é completamente admissível. Aquilo que me faz confusão é que nós vamos começar a ver o histórico dos últimos jogos do Futebol Clube do Porto E aquilo que nós temos, e isto são análises do Sérgio Conceição, portanto não é uma coisa nossa, foi: em Alvalade nós estivemos bem e o Diogo Costa é que brilhou e evitou mais gols. A goleada contra o Moreirense, a primeira parte é para esquecer. Contra o Gil Vicente voltamos a não entrar bem e a mensagem não funcionou. E esta primeira parte a mesma coisa. É o quarto jogo onde o Futebol Clube do Porto tem uma entrada e no final do jogo o treinador diz: "A primeira parte não funcionou". Se fosse ao contrário, ou seja, se o plano A, com que uma equipa entra, funcionasse e depois quando é preciso mexer, a coisa não corre assim tão bem, acho que é uma coisa. Agora, estarmos a preparar, neste caso, quatro jogos seguidos, onde a primeira parte, que é aquilo que nós estamos a preparar, o plano A, nunca funciona, isto pra mim é uma novidade nesta era Sérgio Conceição no Futebol Clube do Porto.

Sim, e esta dificuldade em entrar bem e começar logo bem nos jogos. Apenas para terminar esta ronda de análise ao Futebol Clube do Porto e Liverpool. João Castro, falta apenas dizeres aqui os teus protagonistas, a quem é que queres dar nota neste encontro?

Deixe-me só dar aqui um achaque, é que o Otávio saiu e estava zero a zero. Portanto, isso ainda vem realçar aquilo que o Bruno falou dos desequilíbrios depois provocados com a saída do Otávio e entrada do Fábio Vieira. Estava zero a zero e passado quatro minutos o Mohamed Salah acaba por inaugurar o marcador.

No primeiro grande erro do Futebol do Porto.

Exatamente. E depois, deixe-me falar só aqui sobre o Sérgio Conceição. Há uma diferença grande entre os estilos de liderança entre Sérgio Conceição e Rúben Amorim, como se notou agora nesta conferência de imprensa de Sérgio Conceição, face àquilo que Rúben Amorim, por exemplo, fez após a derrota de cinco a um contra o Ajax. Em relação à nota, eu vou dar uma nota positiva a um jogador do Porto, para ser um pouco diferente, para não dar notas negativas, que é o Taremi. Embora não seja adepto do Porto, mas é o Taremi, porque está a ser um ano também de alguma afirmação do Taremi, quanto a mim. Marcou um grande gol na liga portuguesa e acaba de marcar também um gol na Champions e, portanto, dou uma nota 12 ao Taremi, porque acho que é um avançado que está a ganhar cada vez mais consistência, porque marcar na liga e marcar na Liga dos Campeões não é para todos, e marcar o Liverpool. Portanto, nota positiva para o Taremi, que está realmente a afirmar como um grande avançado.

Terminamos aqui essa análise ao Futebol Clube do Porto e Liverpool. Seguimos para o outro encontro, onde frente ao Borussia Dortmund, a jogar fora, na Alemanha, no Signal Iduna Park, o Sporting perdeu por um a zero. Tem zero pontos nesta Liga dos Campeões, mas hoje apresentou uma nova face, um novo rosto neste encontro frente ao Borussia Dortmund. Gabriel Alves, o destaque aqui foi principalmente a organização do Leão, que foi diferente do que tinha demonstrado.

A questão posicional foi evidente e esteve na base da qualidade do Sporting hoje face à equipa do Borussia Dortmund.

Sim. Bruno Vieira Amaral, estiveste mais atento a este encontro. O que te pareceu a prestação do Sporting?

Excelente de entrada, como tínhamos falado de manhã, que seria muito importante para o Sporting, para ganhar confiança, para confiar no tal processo de que fala o Rúben Amorim. Entrar bem no jogo, não permitir muitas oportunidades ao Dortmund, não permitir muito espaço no último terço ao Dortmund e conseguiu isso. Desde a primeira jogada, o Sporting mostrou essa confiança. Na primeira saída para o ataque, pôs em sentido a defesa do Dortmund e voltou a fazê-lo ao longo da primeira parte, ganhando mais confiança. E tem um momento, que é o momento decisivo do jogo, em que o Dortmund aproveita ali o espaço nas costas dos dois médios do Sporting e foi letal. Mas o Sporting fez uma exibição, do ponto de vista defensivo, muito organizada, muito sólida, dando pouco espaço aos atacantes do Dortmund, aos criativos do Dortmund. Depois, há o reverso da medalha e aqui foi a incapacidade também do Sporting criar perigo, ou seja, o Sporting pareceu-me um bocadinho sem dentes. Querer arranhar, mas não conseguir morder o adversário. É verdade que houve ali uns quantos momentos em que o Paulinho, quando o Paulinho recupera umas bolas lá mais à frente, junto da área do Dortmund, consegue criar algum perigo, mas parece que a manta era um bocadinho curta para tapar a cabeça e tapar os pés ao mesmo tempo. E então viu-se que o Sporting não conseguia criar verdadeiro perigo junto da área do Dortmund. Apesar de também não ter dado muitas oportunidades ao Dortmund.

Foi, de facto, esse que faltou. Os principais lances de perigo para o Leão. Bruno Roseiro, estiveste também mais atento a este encontro do Sporting com o Dortmund. Tivemos o novo rosto do Leão, mas continuou a faltar criar grandes oportunidades e essa finalização, chegar ao gol por parte do Sporting.

Sim, em relação ao Sporting, a ideia que eu tenho até em termos gerais, não tendo especificamente em relação ao jogo, ou seja, isto é claramente uma resposta para aquilo que se passou com o Ajax. E eu diria que o Rúben Amorim não perde Pelas suas ideias, mas perde com as suas ideias. Ou seja, o que isto quer dizer? Rúben Amorim provou que jogando da mesma forma, com o mesmo sistema tático, quando se pensava que poderia introduzir o Daniel Bragança, jogando só com dois avançados, porque isso iria garantir mais bola e outra ocupação no corredor central, conseguiu mostrar que com aquela maneira de jogar, com aquele sistema, consegue travar este Dortmund, que ataca de uma forma completamente diferente do Ajax, que soube aproveitar bem o jogo que teve. Teve uma organização defensiva irrepreensível. Hoje até o Feddal muito melhor do que o Coates, que tem duas bolas de roscas e cortes incompletos que acabaram por internalizar um bocado a equipa. Mas o Feddal, o melhor da defesa, o Neto também em termos defensivos, bem. Aliás, os gols fora de jogo do Borussia Dortmund, aquilo é a régua e esquadra, porque realmente não podia falhar aquela colocação naquela linha e não falhou e todos os gols foram bem anulados. Qual é o problema aqui? Também tem a ver com as suas ideias. O Rúben Amorim, quando constrói este plantel, a grande característica que quer ter, além da juventude, que é quase uma imagem de marca nesta reconstrução que o Sporting está a fazer em termos de clube, de futebol, em termos institucionais, etc, tem a ver também com o fato de ter um plantel curto. E isto é uma opção do treinador. Ou seja, é o Rúben Amorim que decide que quer ter um plantel curto, porque acha que a competitividade entre os jogadores vai ser maior e não cria aquelas situações de azia, como provavelmente José Jesus corre o risco eventualmente ter, por ter um plantel muito maior. E dando exemplo prático, é muito provável que daqui a um mês o Pizzi não esteja propriamente muito satisfeito com aquela situação que ele agora está a atravessar. O Rúben Amorim é um treinador que prefere ter um plantel mais curto pra dar mais competitividade, pra ter os jogadores mais motivados. Mas isso também tem um outro lado. E o outro lado está também à vista naquilo que foi a grande deficiência do Sporting esta noite em Dortmund, que tem a ver com a capacidade que teve de esticar o jogo até o último terço e criar oportunidades. E o grande problema do Sporting nesta altura é que Paulinho, em termos de equipa, pode ser o avançado que o Sporting necessita, pode ser o avançado que a estrutura do Rúben Amorim pede, mas um avançado de um clube como o Sporting não pode ser contabilizado a estatística por recuperações de bola e por pressão, tem que ser contabilizado também por gols. E a partir do momento em que não há Pedro Gonçalves, a equipa cai a pique em relação a isso. E esse, pra mim, é o grande calcanhar de Aquiles, porque não marcando Paulinho, não havendo Pedro Gonçalves, também não há quem faça gols na frente do Sporting, e isso é, nesta altura, um grande problema.

Dissemos há pouco que nos lances de bola parada, quando não está essa força atacante do Sporting, acaba sempre por ser Coates o homem mais perigoso dos Leões. João Castro, olhando para aquilo que foi a prestação do Sporting, acredito que estejas mais satisfeito do que o jogo frente ao Ajax, mas ainda assim falta qualquer coisa a este Sporting pra fazer face, não só a grandes equipas, mas também para esse fator da finalização. Até porque hoje tivemos um Dortmund sem Haaland, que não mostrou tanto perigo na parte atacante e o Sporting criando oportunidades de gol, falta essa finalização.

Sem dúvida, eu referi isso no pós-jogo, que o Sporting falta-lhe qualidade ofensiva. A manta é muito curta. Se já é curta sem o Pote, sem o Pedro Gonçalves, ainda é mais curta. Aliás, o Dortmund também sem o Haaland, a manta deles também foi mais curta, obviamente, mas o Sporting sofre dessa falta de qualidade para o nível da Liga dos Campeões, porque o Sporting, verdadeiramente, ocasiões de gol, realmente nunca teve nenhuma. Teve realmente ataques perigosos. Lembro-me ali no lance do Paulinho que podia ter chutado e passou pra o Tiago Tomás, mas o passe deu errado. E portanto, falta-nos isso. Além da experiência que o Rúben Amorim fala, e com razão, a experiência na Liga dos Campeões, a juventude também dos jogadores, mas falta realmente qualidade na frente do ataque, pra nós podermos ser muito mais decisivos, principalmente nestas fases de transição em que o Sporting é forte, mas na Liga dos Campeões falta-nos aqui alguns jogadores. Deixa-me só referir como apontamento, que eu acho que é interessante. O Pedro Gonçalves sempre que jogou esta época, o Sporting tinha uma média de dois gols por jogo. Ganhamos 3 x0 ao Vizela, ganhamos 2 x1 ao Braga, ganhamos 2 x0 ao Blanenses. Já tínhamos ganho na Supertaça também 2 x1 ao Braga. Depois ganhamos com o Pedro Gonçalves, foi o empate no Famalicão, 1. Foi o único jogo que o Sporting só marcou um gol. Todos os jogos que jogou o Pedro Gonçalves, tirando esse jogo do Famalicão, houve sempre dois gols. A partir daí, podemos ver que o Sporting marcou somente um gol e hoje acaba mesmo por fazer zero gols. É o primeiro jogo que o Sporting não marca nenhum gol. Isso refere a dependência do Pedro Gonçalves em relação à oportunidade ofensiva do Sporting. Agora, em relação ainda ao Sporting, defensivamente, obviamente mais satisfeito. Rúben Amorim fez aquilo que nós pensávamos, já tínhamos comentado, linhas mais juntas, defender o bloco mais baixo. Com o Coates, notou-se, Miguel, uma grande diferença. Jogar sem o Coates e com o Coates, uma grande diferença defensiva e ofensivamente naquilo que referiste muito bem. Os lances de bola parada são um ponto forte no Sporting, especialmente com o Coates. Portanto, o Sporting muito bem. Também aquilo que o Bruno disse, o Sporting é uma equipa que defende muito bem com a linha de fora de jogo, utiliza muito a linha da grande área pra fazer sua linha de fora de jogo quando está com o bloco baixo e resultou na perfeição, os gols anulados ao Dortmund, mas obviamente que não estou satisfeito. Estou até um bocadinho mais Entre parêntesis, chateado com este jogo, com o jogo com o Ajax, porque notei hoje que realmente nos falta algumas armas.

Ficas com a sensação que o Sporting podia ter marcado se tivessem essas armas e podia ter feito o melhor resultado com essas armas?

Fiquei. Eu estive a pensar e se quiserem ajudar, o Sporting com jogadores com outro tipo de qualidade na frente. Eu lembrei-me, por exemplo, de um Rafinha, que passou recentemente pelo Sporting, jogos de transição, que agora está em grande no Leeds United. Tinha trazido outro tipo de situação. Jogadores como o Nani, com muita inteligência nas decisões, a segurar a bola e depois a partir para cima dos adversários, com grande qualidade de rematar, podiam nos ter dado aqui algo mais. E portanto, falta-nos esses jogadores com algum peso, mesmo na frente, no um para um, que o Sporting não tem. Basta referir, por exemplo, que o jogador com mais drigles no Sporting, nesta época e época passada, é o Pedro Porro. O nosso lateral direito, o nosso ala, é o jogador obviamente com mais talhado.

Esses maiores rasgos.

Os maiores rasgos, portanto, é Pedro Porro. Falta-nos isso e fiquei mais frustrado por causa disso, porque eu acho que o Sporting, a transição defensiva do Dortmund não é assim tão boa. O Dortmund sofreu em todos os jogos da Bundesliga gols. Hoje é o primeiro jogo que o Dortmund não sofre nenhum gol.

Sofria gols há oito jogos.

Ó Gabriel, é o primeiro jogo que não sofre gols. E por quê? Porque acho que a transição defensiva do Dortmund é má, mau posicionamento, dão espaço nas costas, mas o Sporting não teve a capacidade, nem arte, nem engenho, para conseguir marcar gol. Portanto, esta nota tenho que deixar, porque fiquei com este amargo na boca, que faltou-nos aqui um pouquinho mais de qualidade.

Eu percebo.

Desculpa, Gabriel, força.

Eu ia levantar aqui uma questão, Bruno, que é esta, que me parece que também temos que ter em atenção. É o andamento do futebol português. O andamento e a qualidade dos jogadores que dispõem os planteis. Faltando dois, três jogadores. Por muita arte que os treinadores tenham, e têm que ter, porque estão e sabem que têm esse tipo de competições, onde as equipes precisam testar para prestígio, dinheiro, etc. Marcas que, obviamente, é aqui que as marcas pagam aos clubes. Mas o andamento do futebol português é curto e isso que esta jornada nos deixa.

Precisa ter mais pedalada.

Precisa ter mais pedalada.

Mas a solução, pelo menos proposta pelo Sérgio Conceição, é fazer mais faltas.

Não, mas é verdade. Sim, mas Bruno, as faltas, eu não estou a dizer para fazer 40 faltas. Não é isso. Há determinado tipo de situações em que, de fato, ou fazes faltas, ou tens capacidade para reagir, ou não tens. Se não tens capacidade, olha, eles passeiam, nem correm.

Sim, mas não é a questão das faltas como o Sérgio Conceição disse.

Não, eu não estou falando só das faltas, estou falando da qualidade global. Eu já não estou só no próprio jogo em si. Estou a falar na globalidade, quer de uma, quer de outra equipe. Uma perdeu por cinco, a outra perdeu por um. Mas a verdade é que se querer ir mais além, há que criar outro tipo de estrutura nas equipes portuguesas, outro tipo de capacidade e, acima de tudo, outro tipo de andamento na própria liga interna.

Bruno Roseiro, querias ainda falar sobre este encontro?

Sim, queria só fazer uma referência. O João falou em elementos desequilibradores. De fato, o Rafinha, e o Rafinha que saiu de Portugal e que está hoje em Inglaterra, não tem nada a ver, deu um pulo qualitativo enorme. E falou também do Nani. Eu continuo a achar que quando olho para esta equipe do Sporting, mais do que os desequilibradores, recordo-me que este foi o segundo mercado onde se falou na possibilidade de chegar Slimani, mas foi uma possibilidade que, dentro daquela competitividade que se quer ter e do equilíbrio que se quer ter também entre a juventude, acabou por não se concretizar. Portanto, acredito que qualquer pessoa que veja os jogos do Sporting, e não especificamente este jogo com o Dortmund, os jogos que se vão seguir até ao final da temporada, vão se recordar sempre muito mais do Slimani, enquanto o Paulinho continuar a ser o avançado, que é elogiado pelas recuperações de bola e não pelos gols.

Bruno, falou do Rafinha e do pulo que ele deu. Ok? Está em outra liga. Outro andamento, outra dimensão.

Essa questão do andamento da pedalada. Vamos dar notas. Protagonistas, Bruno Roseiro, para este encontro.

Eu vou dar uma nota 14 ao Matheus. Matheus Nunes, neste caso, não o Matheus Reis, que continuo a achar que independentemente de não ter feito um mau jogo, não é um jogador que possa ser titular para aquilo que o Sporting quer. Aliás, tenho até algumas dúvidas como é que Rúben Amorim vai gerir agora a situação de Rúben Vinagre, porque corre o risco de não o perder, ou seja, tem que o segurar agora para perceber que o jogo com o Ajax foi só uma coisa que correu mal. Em relação ao Matheus Nunes, aquilo que ele provou é: não tem experiência de Liga dos Campeões, até o ano passado não tinha sequer experiência de Primeira Divisão. Há dois ou três anos estava no Irizarense. Hoje, mais uma vez, provou que muitas vezes não é preciso experiência, é preciso espaço para jogar. Para mim, foi o único jogador do Sporting que percebeu a importância que existia de ter transições ofensivas que pudessem pôr o Borussia Dortmund em sentido. Ele tem duas arrancadas, uma na primeira parte e uma na segunda, que provou exatamente isso. Ou seja, ele consegue fazer isso de uma maneira fantástica, porque é preciso força, velocidade, estar a ser pressionado e continuar com bola, ele conseguiu fazer isso. E na quinta-feira, muito provavelmente, teremos também a chamada do Fernando Santos à seleção, que será um culminar de um arranque de época positivo, onde Na minha ótica, se está a provar aquilo que pelas características dos jogadores, não pela sua qualidade, pelas suas características, aconteceu. O João Mário era exatamente o jogador que o Benfica precisava para o meio-campo. O Matheus é exatamente o jogador que o Sporting precisa para o seu meio-campo.

E temos ainda cinco minutos para as restantes notas. Gabriel Alves, neste encontro entre Sporting e Borussia Dortmund, quem é que queres avaliar?

Eu avalio no seu todo o Sporting, que acabou por reagir muito bem a uma primeira jornada muito má e que aparece em Dortmund, num campo que não é fácil, com personalidade e não se deixando influenciar pela goleada que havia sofrido frente ao Ajax.

E que nota?

Tenho que dar um 10, não posso dar mais. Dou pela postura e pela forma como reagiu, estando num jogo de nível europeu, que não tem nada a ver com o futebol que se pratica no âmbito nacional.

Bruno Vieira Amaral.

Eu queria destacar, como já fez o Bruno Roseiro, o Matheus Nunes, da parte positiva, praticamente pelos mesmos motivos. Ele tem, pelo menos, duas arrancadas que mostram aquilo que o Sporting precisava para causar danos ao Borussia Dortmund. Como não tinha essa capacidade coletiva de atacar, o Sporting dependeu deste queimar de linhas do Matheus Nunes, que é uma coisa que ele fez hoje, mas costuma fazer noutros jogos. Nisso tem uma grande capacidade de ter a bola, de progredir com a bola em velocidade e com força, com agressividade. E agora deixa-me só pegar nesta questão de fazer equivaler a intensidade ao cometer faltas. Às vezes é preciso é agressividade com a bola. E esse também é o ponto negativo do Matheus Nunes, que em dois ou três lances, na primeira parte, se deixou cair quando sentiu o encosto do adversário, perdeu a bola, permitindo transições ao Dortmund, e num dos casos ainda foi protestar com o árbitro e viu o cartão amarelo. Se calhar, a falta de andamento das equipas portuguesas também se deve ao fato de os jogadores estarem mal habituados a estas constantes interrupções, faltas e faltinhas, porque qualquer encosto é uma falta, qualquer lance dividido, o árbitro apita falta. Estão muito habituados a isso. O Matheus Nunes hoje percebeu que ali é diferente, na Liga dos Campeões é diferente. Não há espaço para isso.

E é o teu campeão de hoje, o Matheus Nunes?

É o meu campeão, vou lhe dar um 14. Apesar da boa exibição, fica essa ressalva por causa do comportamento que lhe valeu um cartão amarelo.

Uhum. João Castro, nota para este encontro.

Eu também já tinha escolhido o Matheus Nunes no final do jogo, porque isto é um jogo que cabe perfeitamente no que é o Matheus Nunes. Queimar linhas, saber ter a agressividade necessária sem bola, a sua intensidade e realmente comparado com o jogo anterior, em que realmente era preciso o Daniel Bragança para jogar contra um bloco baixo, aqui é claramente um jogo de Matheus Nunes. Mas aquilo que referiram é muito verdade, porque o Matheus Nunes vem das divisões secundárias, depois passa para o Estoril, depois passa para o Sporting e provavelmente com estas exibições vai chamar a atenção de alguém. Estávamos a falar do Rafinha, sejamos a falar do Matheus Nunes para o ano.

Que nota para Matheus Nunes?

14.

14.

E uma nota positiva para os adeptos do Sporting, em Dortmund.

Que foram à Alemanha, sim. Grandes adeptos que também fomos vendo nessas bancadas do Signal Iduna Park. Temos ainda dois detalhes para analisar neste Campeão É: o Sheriff e também Lionel Messi. Messi marcou frente ao Manchester City e o Sheriff, surpresa da noite, bateu o Real Madrid por 2 x 1. Bruno Vieira Amaral, é este o teu grande campeão de hoje, certo?

Eu só vi os gols. Ia vendo e de vez em quando mudava para tentar acompanhar este Sheriff, porque quando soube que estava a ganhar 1 x 0 no Bernabéu, fiquei surpreendido. Até eu, que sou fã do Sheriff, fiquei surpreendido, ainda mais surpreendido fiquei quando conseguiu marcar o segundo gol. O jogo estava empatado, quase já no final. É uma vitória que deixa o Sheriff numa situação muito boa para o apuramento, para a fase eliminatória.

Seis pontos neste grupo difícil.

E vamos lá ver se não continua. Eu acho que o Brugge também ganhou ao Leipzig, não sei se esse acabou...

Uma remontada.

Começou a perder.

Exatamente. São duas boas surpresas. Não é só o dinheiro que conta na Champions, também conta, mas não é só.

Eu não posso deixar de falar, eu acho que é um grande título na Marca: "O Real Madrid fez dindio com o Sheriff". É um grande título.

Grande título. Bruno Vieira Amaral, dá um 20 para o Sheriff?

Para o Sheriff, claro. É um feito enorme ganhar no Bernabéu. Vindo para este Sheriff, merece uma estrela.

Acredito que seja uma avaliação unânime aqui para o Sheriff. Bruno Roseiro, já foi destacado também no Observador, mas esse encontro de Paris Saint-Germain e Manchester City com o Messi a marcar pela primeira vez.

Sim, e com uma assistência de Mbappé e um abraço ao Neymar, e o Neymar abraçou o Mbappé.

Com o Nuno Mendes a jogar também.

Hoje são todos amigos. O Nuno Mendes a jogar, sim. Hoje os da frente são todos amigos. Há uns dias já o Mbappé não falava com o Neymar, não gostava dele. Esse confesso que é o jogo que vai ficar guardado para eu ver amanhã de manhã, com calma, porque merece. Entre os resultados que eu fui acompanhando, além do Sheriff, de facto o Club Brugge ter quatro pontos num grupo com Paris Saint-Germain, City e Leipzig é uma surpresa nesta altura. O meu destaque volta a ser inevitavelmente o Ajax, porque acompanhando o Ajax depois daquilo que aconteceu em Alvalade, que é goleada atrás de goleada, e hoje não foi só por acaso, dá gosto ver o Ajax. Ou seja, o Ajax muito provavelmente não vai chegar muito longe na Liga dos Campeões. É provável que isso não aconteça, mas dá gosto ver o Ajax jogar a bola.

Vamos avaliar protagonistas fora dos jogos das equipas portuguesas. Gabriel Alves, ao fim da noite, tirando as notas já dadas a estes clubes portugueses.

Eu acho que o Sheriff merece. Tem a estrela da noite. Já está a ser a notícia ao nível da Europa.

João Castro, protagonistas fora dos dois grandes portugueses que jogaram hoje.

Claramente o Sheriff. Vitória em Madrid, seis pontos, quatro golos marcados, apenas um sofrido, uma grande surpresa. E aqui também há que dizer, em tom de brincadeira, um jogo de Super Liga Europeia, este Paris Saint-Germain e Manchester City, em que realmente Messi começa a marcar golos pelo Paris Saint-Germain. Nuno Mendes também titular e fica essa nota para esse jogo que podia ser de Super Liga Europeia, que tanto se falou neste verão, e que se concretize com este jogo, com uma vitória do Paris Saint-Germain. E realmente vou deixar também este jogo para ver agora, depois de acabar o programa, porque acho que merece.

Temos então um jogo de Super Liga entre PSG e Manchester City e um claro jogo anti-Super Liga entre Real Madrid e Sheriff. Ficam aqui os destaques do "Campeão É". Nota também positiva do Bruno Vieira Amaral para este Sheriff e do Bruno Roseira também para o que fez o Club Brugge. Estivemos a olhar para este primeiro dia da segunda jornada da Liga dos Campeões. Amanhã há mais, temos novo "Campeão É" logo de manhã, às 09h30, com o Júlio Magalhães, com a Filomena Martins, também com o Gabriel Alves e com o Pedro Henriques. E já daqui a pouco, depois da 00h10, vamos ter o "Sem Falta", claro, com o Pedro Henriques, a analisar os principais casos de arbitragem dos jogos desta noite. Foi a edição especial de "O Campeão É" para analisar este primeiro dia da segunda jornada da Liga dos Campeões. Amanhã é mais desporto na Rádio Observador.