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Mais uma edição de "E o Campeão É" na Rádio Observador, comigo, João Filipe Cruz, e com os nossos campeões de hoje, Augusto Inácio, Gabriela Alves e Mariana Fernandes. Vamos ver se ainda vamos ter o Pedro Henriques, que parece que lá pela Malveira a rede está fraca, o tempo e o mau tempo, sobretudo, não ajuda, obviamente, mas vamos ver se conseguimos contar com o Pedro ainda nesta edição. Primeiro, boa tarde a todos. Boa tarde, Mariana. Proponho que comecemos pelo que vai acontecer hoje. Já olhamos pra noite de ontem, mas vamos começar pelo Atalanta-Sporting. O jogo está marcado para 15h45. Contas simples pro Sporting: tem de ganhar para poder aspirar a ficar em primeiro lugar, e é isso. Senão, fica reduzido ao segundo, sendo que terá uma final, ao que tudo indica, com o Sturm Graz na última jornada, se não vencer em Bérgamo.

Sim, as coisas ficam um pouco complicadas para o Sporting se perder em Bérgamo. Aqui partimos do princípio que o Sturm Graz vence em casa o Rakkaw, parece-me o cenário mais provável. O Sporting, se perder hoje com a Atalanta e o Sturm Graz ganhar, as coisas ficam um pouco mais complicadas, nem que seja numa lógica de estar obrigado a empatar ou ganhar com o Sturm Graz na última jornada. Entra aqui na última jornada sem saber sequer se segue em frente na Liga Europa. A ideia do Sporting é pelo menos pontuar com a Atalanta e partir só para a última jornada sabendo que já só fica no segundo lugar. E aqui na Liga Europa, como sabemos, desde aquelas alterações de há dois anos, esta importância entre o primeiro e o segundo lugar fazem ainda mais diferença do que, por exemplo, na Liga dos Campeões. Na Liga dos Campeões também faz, é uma questão de potes, de evitar os chamados tubarões. Na Liga Europa é a questão de ter de passar por aquele playoff, que é uma espécie de 16 avos de final, ou de seguir diretamente pros oitavos de final. E o Gian Piero Gasperini, o treinador da Atalanta, explicou isso mesmo na antevisão. Ou seja, a diferença aqui entre ficar em primeiro ou em segundo é partir já para um dezembro em que só em março é que tem de voltar a olhar para as competições europeias, ou antes de março ter de voltar a olhar pra Liga Europa, ter de disputar mais um playoff e ter de jogar mais dois jogos para chegar aos oitavos de final. É óbvio que o primeiro lugar e o segundo lugar nesta Liga Europa fazem diferença. Não deixa de ser um jogo muito complicado pro Sporting, não só por ser contra a Atalanta, não só por ser em Bérgamo, que é um ambiente perfeitamente hostil para os adversários, mas porque se percebeu também no jogo em Alvalade, principalmente na primeira parte, que esta Atalanta quando quer e quando arranca, é uma equipa com muita qualidade. Não está propriamente num bom momento. Leva apenas uma vitória nos últimos quatro jogos. Perdeu com o Inter, perdeu com o Naples, empatou com o Dines. Não está claramente no melhor momento da temporada, mas é uma equipa que tem muita qualidade e o Sporting terá de estar ao mais alto nível, principalmente em Bérgamo, para conseguir pontuar, quiçá ganhar, e entrar nessa última jornada com a possibilidade de ficar em primeiro.

Augusto Inácio, chamo-te a ti agora. Boa tarde. Este jogo para o Sporting, e tentando fazer aquele exercício que é sempre difícil, tentar adivinhar o que vai pela cabeça de Rúben Amorim, é para tentar o primeiro lugar ou é para descartar, porque a missão é, em teoria, difícil?

Boa tarde a todos. Deixa-me dizer que o Rúben Amorim já disse, e isso é público, que a prioridade é a liga portuguesa. Claro, mas isso todos dizem, que a prioridade é essa. Só que depois, quando está nas competições europeias, cada um quer ir o mais longe possível, como é evidente, porque também está o prestígio internacional em jogo, além do dinheiro e de mais-valias, neste caso, de visibilidade dos jogadores nestas competições, que é aí que normalmente os tubarões estão atentos a essas exibições desses jogadores. Mas diria que o Sporting hipotecou o primeiro lugar, para já, no jogo em Alvalade, em que perdeu. Perdeu e perdeu bem, porque a primeira parte do Atalanta foi muito boa. Que grande equipa aquela que se apresentou em Alvalade e começou a ganhar o jogo. O Sporting na segunda parte já quis mais alguma coisa, mas já era tarde, porque estas equipas italianas que estão a ganhar, dificilmente depois acabam por perder o jogo. Ou seja, não há como aquilo que se diz em Espanha, a remontada, que é difícil com equipas italianas. Mas claramente que o Sporting também tem que fazer tudo por tudo pra ganhar hoje, porque o empate, provavelmente, se calhar até nem chega, porque o Atalanta também está a jogar com essas possibilidades todas. Mas diria que o Sporting, na minha opinião, vai jogar pra ganhar, é o único resultado que interessa, e vai ver o que é que isto vai dar. E o que é que isto vai dar? Pode dar vitória, pode dar derrota, pode dar empate. Naquela perspectiva de que, parece-me a mim, aligeirar um pouco as responsabilidades, de que se nós não ganharmos, se nós não ficarmos em primeiro lugar e ficarmos em segundo, não vem mal ao mundo, porque o que interessa é a liga portuguesa. Não, para o Sporting Clube de Portugal interessa todas as competições, e esta é bastante importante, ficar em primeiro ou ficar em segundo marca toda a diferença.

Muito bem, vamos ver como corre logo. Creio que já temos o nosso Pedro Henriques. Pedro, boa tarde. Ainda bem que chegaste. Chegaste mesmo a tempo de nos dar o 11 aqui com duas horinhas de antecedência. Acho que não é assim tão arriscado pra ti. Só faltam duas horas, Pedro.

Faltam duas horas. Aqui a questão é que o Rúben Amorim veio-me baralhar hoje as contas, porque o Rúben Amorim tem uma frase enigmática, que é: "Temos que ser um bocadinho à italiana." Então, se temos que ser um bocadinho à italiana, vai meter quatro defesas, isto é, vai jogar com três centrais, mas vai meter quatro defesas, vai meter o Adán, o Adán o guarda-redes, Gonçalves Inácio, Coates e Diomande, e se ele diz que temos que ser mais italianos, então o Sanjust vai pra jogo, garantidamente. E depois, Hjulmand e Morita, o Pote vai jogar com o Gyokeres, e agora vêm as minhas dúvidas, que é: eu vou arriscar em não pôr o Jérémy Katang na frente do Sanjust e vou pôr o Trincão e vou arriscar pôr o Nuno Santos em vez do Mateus Reis. As minhas dúvidas estão entre Trincão e Jérémy Katang e entre Nuno Santos e Mateus Reis. De qualquer maneira, resumindo, Adán, Gonçalves Inácio, Coates, Diomande, Hjulmand, Morita, Sanjust, Nuno Santos, Pote, Gyokeres e Trincão. Mas estou com estas dúvidas.

E estas dúvidas também te protegem. Nós sabemos que Também tens isso em conta. Estás a proteger-te, mas cá estaremos daqui a duas horas.

Não, eu vou acertar, tenham calma. Eu vou acertar. É isso e placar. Isto hoje é limpinho. Ontem foi pouco dinheiro, mas hoje é mais limpinho.

E vamos precisamente falar sobre ontem. Também já ouvi o riso do Gabriel Alves. Gabriel, muito boa tarde. Ontem, na Liga dos Campeões, onde o dinheirinho está forte, foi um desastre na Luz e em Braga também foi difícil, mas porque o Sporting Braga jogou com menos um. Começando pelo Benfica, Gabriel, a primeira parte parece que tinha sido há 15 dias, estava tão distante daquela segunda.

Olha, boa tarde. O Benfica só não consegue ganhar a reserva do Inter? Esta é uma das questões. A segunda questão é lembrar que os treinadores têm, dentro de muitas das suas funções, múltiplas funções, explicar aos jogadores que os jogos têm 90 minutos mais os tempos de compensação. De resto, os treinadores têm que saber ler um jogo no banco, independentemente daquilo que foi traçado, daquilo que foi estudado, daquilo que foi perspetivado. Tem que saber ler durante os 90 minutos, porque os 90 minutos podem lhes dar um jogo diferente daquilo que pensámos que pudesse vir a ser. Portanto, eu daqueles jogos só tenho duas coisas ou três para dizer. Dar os parabéns ao João Mário pelo hat-trick, que de facto conseguiu. Dizer que aquela primeira parte foi bonita. Dizer que ouvi por aí, em tempos, falar que Inzaghi era um treinador mediano. Eu não sei, eu por acaso vejo o Inzaghi fazer coisas interessantes. Foi finalista da Champions, lutou pela Champions, continua onde está, reforçou bem a equipa, está na Itália muito bem classificado. Portanto, parece-me que é um treinador interessante. E dizer que o Roger Schmidt mais uma vez mostrou a sua mediocridade. Portanto, é tudo o que eu tenho a dizer do jogo. Três a três. E o Benfica vai para uma final face ao Salzburgo. Veremos o que acontece na Europa, alguma coisa ou não. Pelo menos ontem marcou três golos, eu também gostou mais três.

Foi a vida de facto difícil para o Benfica. Já o Braga, Augusto Inácio.

Desculpa, só uma coisa que eu me esqueci.

Força, Gabriel.

A questão do árbitro é uma coisa fantástica e eu agora aprendi e quero ver como é que isto é gerido. Quando Sérgio Conceição sai dos jogos e vai ao centro do relvado falar com o árbitro, temos visto aquilo que temos visto. Parece que Sérgio Conceição já não estava sozinho, como já não estava sozinho quando dizia que não saía do campo quando é expulso, porque o senhor alemão Schmidt, lá na Holanda, já tinha feito o mesmo. E agora também parece que o senhor Schmidt vai ao centro do relvado falar com o árbitro quando acabam os jogos. Olha, na NBA, há uns anos, acabaram com isto. Eu vou ser muito sintético, porque isto era algo que acontecia. Era assim: a primeira crítica que havia era $250 mil. A segunda era meio milhão. A terceira era 750 mil e irradiado. Acabou. Portanto, a NBA passou a ser, o que não quer dizer que não haja críticas aos árbitros. Há, mas é no local próprio.

Augusto, deixa-me só pôr-te em pausa, porque fala-se de árbitros e nós não resistimos. Temos aqui um especialista conosco. Pedro Henriques, queres comentar o que disse o Gabriel?

Em relação ao Roger Schmidt, vou comentar no meu descampeão, ao campeão e ao descampeão. Em relação à questão da arbitragem, duas coisas. Eu acho que ontem o jogo não correu bem em termos de arbitragem. Já tive a oportunidade de fazer o "Sem Falta" e dizer, até utilizei um adjetivo que nunca tinha utilizado: arbitragem desastrosa. É a primeira vez que, nestes anos que estou aqui, que utilizo este adjetivo. Não gosto de fazer este tipo de análise de crítica, mas eu também não estava à espera de melhor. Eu tinha dito que com um árbitro da Letónia, um VAR da Croácia e um AVAR alemão, a coisa não ia dar certo. E agora não vou estar a explicar porquê, mas na altura tive a oportunidade de dizer que isto não é forma de funcionar. Ainda por cima um árbitro com quatro jogos esta época, quatro jogos e todos a nível internacional. Portanto, percebia-se claramente que ia haver dificuldades. E depois, eu acho que realmente não é o pênalti, mas é o antecedente do pênalti. O João Neves é mesmo carregado em falta e é a questão do cartão vermelho que os árbitros e o VAR focaram-se na consequência e não se focaram propriamente dito na entrada, nem no movimento normal que aconteceu. E para mim não era vermelho, embora este seja o mais discutível. Mas de qualquer maneira, em relação à questão da crítica em relação aos árbitros e à arbitragem, eu vou deixar depois para a minha nota de campeão.

Muito bem. Vida difícil para o Benfica, para continuar na Europa. Depende de si mesmo, é verdade, mas precisa de vencer em Salzburgo por 2x0 para anular a vantagem dos austríacos e ficar com vantagem na diferença de gols ou nos gols marcados. Isto para conseguir a passagem ou a despromoção para a Liga Europa, mas conseguir manter-se nas competições europeias. Já o Braga tem uma missão um pouquinho mais complicada para ficar na Liga dos Campeões. Precisa de vencer em Nápoles e anular a vantagem no confronto direto dos italianos. O jogo em Nápoles não é fácil. Missão mais facilitada tem o Futebol Clube do Porto, que tem uma autêntica final marcada com o Shakhtar Donetsk na próxima jornada, na última, e só precisam de empatar. E vamos falar de Porto, Augusto Inácio, porque ontem finalmente foram aprovadas as contas dos Dragões. Uma noite que teve discurso de André Villas-Boas, que foi muito aplaudido. A verdade seja dita que Pinto da Costa, no encerramento dos trabalhos, foi mais aplaudido que até o candidato anunciado à presidência do Futebol Clube do Porto. Mas aquilo que te queria perguntar é: o que significa aquela abstenção de 24%? Podemos ler alguma coisa daí? As contas foram aprovadas com 53%, salvo erro, mas 24% dos sócios abstiveram, sendo que ontem só 900 sócios marcaram presença, muito menos do que aquela assembleia geral que teve de ser interrompida. Consegues ter leituras destes números?

Consegue-se. No universo Porto, já se sabe que já está em campanha, independentemente da apresentação de relatórios de assembleias gerais que está a haver, praticamente sem serem anunciados que são candidatos, já estão a fazer campanha para aquilo que vai ser o próximo presidente do Futebol Clube do Porto. Claramente que André Villas-Boas, quando fala, tem a sua fação e que bate palmas. Claramente quando é Pinto da Costa a falar, a sua fação também bate palmas e há aqueles que ainda estão na dúvida se vão votar em Pinto da Costa ou se vão votar em André Villas-Boas.

E a luta é por esses sócios, pelo voto desses sócios.

Exatamente. Mas sinceramente, aquilo que mais me agradou, e acho que agradou a todos, é que as coisas correram civilizadas, bem, puderam se expressar e, ao contrário daquilo que foi a penúltima assembleia geral, que foi uma autêntica vergonha, só manchar o nome do Futebol Clube do Porto, desta vez as coisas correram dentro daquilo que deveria ser sempre o normal de uma assembleia geral, mas claramente os dois, André Villas-Boas e Pinto da Costa, claramente em campanha eleitoral para as próximas eleições.

Mariana, olhando para os dois discursos, André Villas-Boas não esteve, uma vez mais, ao ataque, não desferiu nenhum ataque preciso a António Pinto da Costa. Falou sempre da administração, mas foi muito aplaudido quando disse que votaria a favor do relatório e contas se a administração do Futebol Clube do Porto abdicasse dos prêmios que recebeu no ano passado, creio eu. Apesar disto, como interpretas esta falta de ataque direto a Pinto da Costa? É inteligente da parte de André Villas-Boas?

André Villas-Boas sabe que não vai ganhar as eleições do Futebol Clube do Porto a atacar Pinto da Costa e deixa isso bastante claro naquela frase muito diplomática e democrática, quando diz que Pinto da Costa é o presidente dos presidentes do Futebol Clube do Porto.

E até aquela foto que ele mete no Instagram no final com Pinto da Costa no palanque, para assinalar que os trabalhos correram bem.

Ele próprio, enquanto sócio do Futebol Clube do Porto, tem esta quase dívida de gratidão a Pinto da Costa e sabe perfeitamente que todos os sócios do Futebol Clube do Porto, sejam mais velhos, mais novos ou da idade dele, têm essa dívida de gratidão. Portanto, também sabe que não é ao ataque, não é com críticas diretas a Jorge Nuno Pinto da Costa que vai ganhar votos. Continua a fazer as críticas que Pinto da Costa continua a tentar, de alguma forma, esvaziar a questão financeira e a situação financeira do Futebol Clube do Porto e a gestão financeira do Futebol Clube do Porto. Ou seja, a este relatório e contas, à venda de jogadores ou à saída de jogadores a custo zero que custaram dinheiro ao Futebol Clube do Porto, que trazem consequências desportivas, mas depois não trazem consequências financeiras. E temos vários casos nos últimos anos e podemos citar Emi até no final desta temporada a sair a custo zero, um jogador crucial para Sérgio Conceição. Portanto, as críticas de André Villas-Boas vão sempre muito mais ao encontro da situação financeira e da gestão financeira do Futebol Clube do Porto do que propriamente uma questão mais pessoal de Pinto da Costa. E como vimos naquela entrevista à SIC na semana passada, Pinto da Costa tenta fazer a ideia contrária, ou seja, as pessoas não vão ao museu ver contas nem ver saldos positivos, vão ver títulos, o que interessa os troféus, o que interessa os resultados das contas estoucaio para tratar e ninguém quer saber disso. Estamos a perceber cada vez mais que os adeptos e os sócios do Porto hoje em dia também querem saber disso. Eu acho que André Villas-Boas leva isso como o seu grande trunfo eleitoral, a ideia de que quer equilibrar as contas do Futebol Clube do Porto, algo que não tem acontecido nos últimos tempos, muito mais do que um ataque mais pessoal e mais até bacoco a Pinto da Costa.

Muito bem. Vamos passar para os nossos campeões e descampeões. Já ouvi que o Pedro tem um descampeão e vamos começar pelo Gabriel. Gabriel, claro que podes comentar ou dizer algo que queiras dizer sobre esta AG do Porto, mas lanço já o desafio de nos deixares o teu campeão de hoje.

Do Porto, o melhor que aconteceu foi tudo ser discutido e ser tido em lume entre as diversas partes, de forma clara e sem qualquer tipo de constrangimento. Podia dar a minha nota, talvez a Bellingham, naturalmente, pela sua elegância, pela sua qualidade, pela sua alegria, pela sua sociabilidade e até pelo recorde que tem vindo a bater no Real Madrid nestes poucos meses em que lá está.

O jogador mais rápido, o jogador com mais gols nos primeiros 15 jogos, não é?

Exatamente. Olha, desculpa a palavra esta, é um gozo vê-lo jogar. E é um gozo comentá-lo. E é um gozo ver ele entrar e dizer: "O que ele vai fazer hoje?" Porque é tudo imprevisível.

É uma surpresa.

É uma surpresa, fantástico. Portanto, é muito bom. Mas eu dou a minha nota para o que está a acontecer neste momento em Madrid, o Business Sport com o apoio da marca, e acho que era bom os nossos observadores também estarem atentos a isto. Eu agarro na frase do Gerard Piqué: "Estamos no caminho que dentro de cinco anos Barça e Real Madrid, vejam o poder desses dois clubes, não podem competir na Europa." Isto tem muito a ver com aquilo que são os conceitos negócio Europa e Estados Unidos, em que a Europa tem um umbigo muito grande. Está completamente disfuncional àquilo em que os Estados Unidos são muito mais certeiros, assertivos em relação aqui ao mundo, à mudança do mundo, ao que o mundo cresce, à juventude, o que é oferecido à juventude em termos tecnológicos. Portanto, é preciso estar atento a tudo isto, havendo muitos jogos, demasiados jogos, que só vêm dizer quando há lesões, UEFA, FIFA, ligas. E depois isto, cada vez é mais difícil as pessoas, e estamos a falar daquilo que é o futuro do futebol, daqueles que querem ver futebol, que é a juventude, é cada vez mais difícil ver um jogo 90 minutos. E muito mais para muito menos quando é para um zero a zero. Portanto, eu acho que isto é muito interessante ler a entrevista do Piqué, e não só, dos outros intervenientes neste Business Sport, e repensar, melhor, pensar e repensar o que é aquilo que é o futuro deste negócio e não ficar depois para reagir e se calhar Chegar tarde e má hora, porque obviamente alguma coisa vai mudar nos próximos cinco anos.

Pensar no futuro do futebol, uma deixa deixada pelo nosso Gabriel Alves. Pedro Henriques, e o teu campeão e descampeão?

De forma muito rápida. Nota 18 e nota 8. Nota 18 para André Villas-Boas. Sempre que Pinto da Costa fala, já se percebe que André Villas-Boas ganha votos. Sempre que André Villas-Boas não ataca ninguém, faz um discurso mais polido, mais positivo, ganha votos. Sempre que ele, André Villas-Boas, direta ou indiretamente, explica à rapaziada e relembra à rapaziada que há muitos administradores a ganharem muito dinheirinho enquanto o Porto se afoga em contas e em faturas, André Villas-Boas ganha dinheiro. Portanto, nota 18 para André Villas-Boas, que este é o caminho que ele tem a percorrer para eventualmente conseguir ganhar as eleições ao Pinto da Costa. E aí concordo com a Mariana, se ele fizer exatamente um percurso diferente, ao contrário, ou usar exatamente as armas de Pinto da Costa, irá perder. A nota 8 é para Roger Schmidt, aqui não é campeão, mas é descampeão. Se as duas substituições a 30 segundos do fim já fazem qualquer cristão benzer-se três vezes e ajoelhar-se, ou alguém que tem outra religião virar-se para Meca, garantidamente que o discurso que ele depois tem no final, agora praticamente após todos os jogos, em que revela acima de tudo, parece que não viu o mesmo jogo que nós vimos, arranja sempre justificações quando a montante tem outras coisas para falar, que é da sua tática, da sua estratégia, da maneira como faz substituições, da maneira como se calhar está a passar a mensagem, revela, com todo o respeito que tenho por aquilo que eu vou dizer, mas revela um autismo e, sobretudo, falta de realismo. Ao menos faça uma coisa: aprenda a falar português, que já estou farto de ter alguém que não respeita o meu país e a minha língua.

Augusto Inácio, rapidinho, campeão.

O Pedro Henriques já disse tudo, era aquilo que eu queria dizer.

Então também é.

Vou acrescentar mais uma coisinha. Nota 5 para Roger Schmidt, porque o Benfica fez uma primeira parte muito boa, como o Gabriel Alves disse, e bem, jogou contra a reserva do Winter, mas é o Winter que está a jogar, ponto final. Mas o Benfica fez uma boa primeira parte, mas depois na segunda parte, quando aquilo estava a descampar, aí tem que haver o dedo do treinador, tem que haver a liderança do treinador.

E não houve.

E o que eu vi foi ele impávido e sereno, como eu estava também aí na Rádio Observador a comentar, também estava impávido e sereno. Só que eu não podia mexer no jogo e ele podia mexer. E o Rui Pedro Henriques já disse também, quando se faz uma substituição a um minuto depois do tempo de compensação, dois jogadores que entram ao fim desse minuto, e eu disse assim para comigo: "Epá, agora o Tiago Veia vai fazer 30 por uma linha, vai fazer um golo daqueles de tirar o chapéu e o homem vão dizer assim: "Epá, este homem é que percebe de bola". Porque mesmo eu sabendo que ao minuto que fica, o Tiago Veia a marcar um golo. Fraquinho, por isso nota 5 pela primeira parte que o Benfica fez, senão era nota zero.

Mariana Fernandes.

Muito rapidamente, para te fazer feliz e a mim também. Nota 18 para Mikel Arteta, 6 x 0 do Arsenal ao Lens.

Um empate de 6 x 0.

Equipa com quem tinha perdido na primeira volta desta fase de grupos. Arsenal 6 x 0, seis marcadores diferentes, primeira vez nos oitavos de final da Liga dos Campeões desde 2017, ainda era Arsène Wenger o treinador. Tudo numa semana em que chegou novamente à liderança da Premier League depois do escorregão do City com uma vitória contra o Brentford.

Os canhões de Londres ainda disparam. Foi mais uma edição de "E o Campeão é" na Rádio Observador. Já sabe, nós estamos sempre de volta amanhã e à sua espera. Até lá.